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A Sociedade Brasileira e o Cuidado da Saúde Cardiovascular

por Sandra Sedini - publicado 13/09/2021 09:45 - última modificação 26/10/2021 13:42

Detalhes do evento

Quando

de 27/09/2021 - 17:00
a 30/09/2021 - 19:00

Onde

On-line

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A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte no Brasil, atingindo número próximos à 400 mil mortes/ano, duas vezes superior ao impacto do inesperado e devastador Covid-19. Porém a DCV ceifa centenas de milhares de vidas todos os anos, há décadas. O Brasil a cada dia se posiciona como modelo, já liderou mundialmente ações de saúde em HIV, tabagismo. Combate à hepatite-C, temos a oportunidade de fazer história novamente ao mudar a curva da mortalidade por DCV.

Hoje a “doença negligenciada”, porque é assim que se deve chamar a DCV, é totalmente sujeita à prevenção, os preditores de risco que são fatores ambientais resultantes do comportamento e escolhas do indivíduo podem ser evitados ou mitigados com educação em saúde e uma política de prevenção de risco forte com base na Atenção Primária à Saúde (APS). Evoluiu-se muito no cuidado do evento, do infarto e do Acidente Vascular Cerebral (AVC), estruturou-se a rede especializada, aprimorando o cuidado baseado em evidência com educação médica continuada e interligando a rede do agudo e emergência com a criação do SAMU. Agora é preciso centralizar o cuidado na APS, fortalecendo a atuação dos profissionais como o enfermeiro e equipando o médico e a equipe com as ferramentas e tecnologias necessárias para o diagnóstico, manejo e monitoramento dos fatores de risco na sua totalidade e de modo integral na APS. A rede já está estabelecida e já possível ver o resultado do seu trabalho, em regiões do Brasil tínhamos grandes discrepâncias nas taxas de mortalidade até o ano 2000, hoje vemos que há uma uniformização, atribuída ao aumento do número de equipes de Estratégia de Saúde da Família de 1998 até 2011 e que hoje há mais 75% de cobertura.

A população alvo está clara, é o brasileiro mais vulnerável do ponto de vista socioeconômico. Estudo com a população de Campinas, mostrou que os estratos mais desfavorecidos da sociedade têm 60% mais risco de morte por DCV. Os estudos ELSA, PURE, BRIDGE mostram que se atua pouco na detecção e estratificação de risco e que menos da metade dos pacientes tratados estão com fatores de risco controlados. Controle do Diabetes e do colesterol são os fatores mais negligenciados, cerca de 10 a 30% da amostra dos estudos não atingem o controle por estarem sub-medicadas. Recentemente novas drogas foram agregadas ao tratamento do Diabetes, mas os médicos precisam aprender a utilizar os medicamentos, não há processo estabelecido e difundido na APS para monitoramento e controle da glicemia, enquanto o controle do colesterol está esquecido e abandonado, apesar de ser o principal fator de risco atribuído à população, responsável por 51% dos infartos, conforme dados do Global Burden Disease. Campanhas como 12/8 da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que educar e conscientizar a população tem resultado, dos fatores de risco, controle da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é a que tem melhor desempenho nos estudos de base populacional, onde cerca de 50% dos tratados estão na meta.

Considerando o cenário descrito, o Instituto de Estudos Avançados da USP – órgão de integração da Universidade destinado à pesquisa e discussão, de forma abrangente e interdisciplinar, das questões fundamentais da ciência e da cultura – em parceria com a Novartis Pharma constitui os Ciclos de Seminários para abordar essa temática no mês do coração.

Transmissão

Acompanhe a transmissão do evento em www.iea.usp.br/aovivo

Inscrições

Evento público e gratuito | Com inscrição

Evento on-line | Não haverá certificação

Organização

Programação

Dia 27

17h

Abertura: Erno Harzheim (FM UFRGS), Ligia Vizeu Barrozo (FFLCH e IEA USP) e Guilherme Ary Plonski (IEA USP)

Mesa 1 - Sindemia: o impacto das doenças cardiovasculares na sociedade pós-Covid-19

Analisando as doenças cardiovasculares pelas lentes de uma sindemia, a Covid-19 trouxe à luz um cenário de grande preocupação na saúde mundial, até então silencioso e despercebido. Diversos fatores de risco, como a dislipidemia, obesidade, entre outros, elevam as doenças cardiovasculares e consequentemente colocam estes pacientes a um risco maior para Covid-19. A pandemia exacerbou a prevalência deste cenário, quando muitos pacientes deixaram de procurar assistência médica, gerando uma demanda reprimida com consequências desastrosas sobre a saúde dos indivíduos e sobre o próprio sistema de saúde.  Como ampliar o conhecimento de qualidade sobre esta associação dos fatores de risco de doenças cardiovasculares com a Covid-19? Qual a importância do uso de protocolos e linhas de cuidado para manejar a demanda reprimida em doenças cardiovasculares? Como lançar mão da da estratificação do risco cardiovascular para potencializar medidas preventivas que reduzam o impacto das doenças cardiovasculares e consequentemente a demanda reprimida por atenção médica? Qual será o impacto na sociedade frente a essa atual realidade?

Exposição:

João Gabbardo (Centro de Contingência de Combate ao Covid-19 do Estado de São Paulo)

Álvaro Avezum (FM USP)

Rudi Rocha (EASP FGV)

Paulo Lotufo (FM USP)

Moderação:

José Eduardo Krieger (FM USP)

 

Dia 28

17h

Mesa 2 - Saúde das pessoas e a saúde cardiovascular

O manejo adequado do problema sanitário, econômico e social provocado pelas doenças cardiovasculares, principal causa de morte no Brasil e com profundos impactos sobre a qualidade de vida e capacidade produtiva das pessoas, passa por uma abordagem sistêmica que nasce na promoção da saúde, passa pela classificação e risco e medidas preventivas, finalizando no manejo diagnóstico e terapêutico da doença instalada e no processo de reabilitação das pessoas que tiveram desfechos clínicos negativos. Medidas de toda sociedade são fundamentais para uma alteração profunda do cenário atual.

Nesse momento, é fundamental detalhar o conhecimento epidemiológico sobre a distribuição dos fatores de risco cardiovasculares e sua relação com variáveis mais distais do processo de adoecimento, Qual o impacto das doenças cardiovasculares na previdência social? Com o envelhecimento crescente, qual impacto num futuro próximo das doenças cardiovasculares? O que já foi feito em termos de protocolo de saúde do coração e quais os aprendizados? Quais medidas de intervenção social são efetivas? Devemos ampliar ou melhorar nossa legislação no que se refere ao controle dos fatores de risco do ponto de vista populacional?

Exposição:

Bruce Duncan (FM UFRGS)

Layla Vallias (Hype50+)

André Medici (Banco Mundial)

José Henrique Germann Ferreira (Governo do Estado de São Paulo)

Yara Baxter (Novartis Foundation)

Moderação:

Paulo Saldiva (FM e IEA USP)

 

Dia 29

17h

Mesa 3 - A desigualdade na doença cardiovascular e as populações vulneráveis

Segundo dados da Organização Mundial e Pan Americana de Saúde sobre países de baixa / média renda, pelo menos 75% das mortes no mundo por doenças cardiovasculares ocorrem em países de baixa e média renda, onde muitas vezes a população mais carente não tem acesso a serviços de saúde eficazes e equitativos.

No Brasil, como este paciente está sendo visto e cuidado frente a um cenário de desigualdades em saúde, como a pobreza absoluta, os fatores geográficos? Dados mostram o crescente acometimento de mulheres pela doença, quebrando um paradigma de que doenças cardiovasculares estavam restritas aos homens. A doença cardiovascular é contemplada nas políticas da saúde da mulher? Iniciativas de promoção da saúde começam a surgir no ambiente corporativo, com oferta de academias, espaço para caminhadas, modificação da dieta de refeitórios. Como a indústria nacional e o empregador pode contribuir para essa mudança de comportamento da população?

Exposição:

José Francisco Kerr Saraiva (PUC Campinas)

Ligia Vizeu Barrozo (FFLCH e IEA USP)

Erno Harzheim (FM UFRGS)

Renato Carvalho (Novartis Brasil)

Moderação:

Olinda do Carmo Luiz (FM USP)

 

Dia 30

17h

Mesa 4 - Priorização de programas nacionais voltados ao cenário das doenças cardiovasculares

De acordo com Global Burden of Disease, o combate às doenças cardiovasculares é o principal desafio de saúde da população brasileira e deve ser prioridade envolvendo múltiplos setores na discussão de políticas de prevenção primordial e que impactem nos determinantes sociais da saúde do brasileiro. De que forma o big data, as tecnologias de informação, a inteligência artificial e as ciências de dados podem ser direcionados a favor do tratamento da doença cardiovascular? Quais os caminhos para integrar as campanhas e considerar todos os fatores de risco, não somente Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Diabetes e Obesidade? Como priorizar a discussão para programas e políticas públicas nacionais? Qual a importância de pesquisas nacionais sobre os fatores de risco cardiovasculares, como o Vigitel? Quais são as linhas de cuidado para as doenças cardiovasculares já existentes e adotadas com êxito no país?

Exposição:

Marcela Alvarenga (CONASEMS)

Sheila Martins (Rede Brasil AVC e World Stroke Federation)

Mariana Carvalho (Deputada Federal, PSDB-RO)

Marlene Oliveira (Instituto Lado a Lado pela Vida)

Moderação:

Erno Harzheim (FM UFRGS)