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IEA lança chamada para docentes da USP que queiram participar da criação de projeto de licenciatura interdisciplinar

por Fernanda Rezende - publicado 11/01/2022 13:30 - última modificação 13/01/2022 11:44

Interessados devem se inscrever via formulário. Primeira atividade acontece no dia 11 de fevereiro.

A Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica, sediada no IEA, está com chamada aberta para docentes USP que queiram participar como cocriadores na concepção e implantação do Projeto Licenciatura Interdisciplinar em Ciências (LIC), uma proposta em caráter experimental de nova modalidade de formação docente inicial e continuada. O LIC é uma iniciativa da cátedra em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação da USP, que, quando aprovada, terá como público-alvo estudantes em formação inicial e docentes das redes de educação, principalmente da rede pública de ensino.

A inscrição de docentes da USP como pesquisadores associados do Projeto de Licenciatura Interdisciplinar em Ciências deve ser feita neste link. Não há número máximo de vagas. Mais informações podem ser solicitadas pelo e-mail academicoiea@usp.br, indicando como assunto “Chamada Cocriadores LIC”. Leia mais sobre a chamada aqui.

Objetivos

Segundo Naomar de Almeida Filho, titular da cátedra, a interdisciplinaridade já é algo que se busca há muito tempo, desde as diretrizes de base da educação, por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa perspectiva coincide com a missão da Cátedra Alfredo Bosi, que é a de pensar e contribuir para a criação de novos modelos de licenciaturas no Brasil, explica ele.

O currículo atual forma professores que dão conta de tarefas restritas a uma área de especialização, e até de superespecialização, uma contradição e até um descompasso entre as normas vigentes e as pretendidas licenciaturas interdisciplinares, como aponta Almeida Filho. “Há uma visão disciplinar, ou seja, a ideia de formação por áreas de conhecimento”, concorda o professor Luís Carlos de Menezes, coordenador acadêmico da Cátedra Alfredo Bosi. Essa divisão das ciências gera a fragmentação, não a integração de conhecimento.

Embora ainda não seja muito comum no universo acadêmico, a USP já reúne diversas iniciativas bem-sucedidas em interdisciplinaridade. É o caso do curso de Ciências Moleculares, que existe há 30 anos, sem um vestibular – ou seja, os alunos migram de outras áreas e podem seguir nesse curso ou voltar ao original – ou currículo específico, no qual o aluno, com orientação da equipe docente, escolhe cursar determinadas disciplinas entre as várias áreas do conhecimento pertinentes ao seu projeto de estudo.

É nesses moldes que o projeto da LIC quer trabalhar: um roteiro aberto para experimentação, em que tanto alunos quanto docentes são cocriadores dessa nova modalidade de licenciatura, como define Menezes. “Queremos articular esforços, criar espaços de inovação e buscar alternativas”, garante. “A interdisciplinaridade transcende campos de atuação. Estamos propondo um curso experimental, em que há uma integração de saberes e conhecimentos científicos”, diz Almeida Filho. Ele reitera que os participantes vão construir seu próprio projeto de ensino-aprendizagem, criando, de modo coletivo, um projeto pedagógico de licenciatura interdisciplinar.

Um curso experimental

A ideia de propor a criação da LIC surgiu a partir da publicação pela Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, em junho do ano passado, do edital nº 35, que já sinalizava a busca por projetos inovadores com perspectiva interdisciplinar. Como lembra Roseli Lopes, coordenadora geral da Cátedra Alfredo Bosi e vice-diretora do IEA, alguns grupos de trabalho já estavam criando propostas para futuras licenciaturas, e o edital permitiu transformar propostas em um projeto aprovado.

Para participar do programa previsto pelo edital, USP se uniu à Universidade Federal do ABC (UFABC) - que já trabalha com essa modalidade de licenciatura interdisciplinar - e à Universidade Católica de Santos (Unisantos), uma vez que a proposta deveria ser apresentada por uma rede composta por uma instituição de ensino superior (IES) federal, outra estadual e uma terceira sem fins lucrativos.

O projeto foi um dos três do país contemplados e o único do Sudeste. Os cursos terão duração de oito semestres e cada IES da rede receberá até R$ 1 milhão por ano. No quarto ano, cada aluno que fizer residência pedagógica receberá bolsa de R$ 750,00.

"A proposta é criar um curso experimental, pois esse formato, permitido por lei, tem muito mais agilidade e flexibilidade, possibilitando um trabalho conjunto de docentes de várias unidades e com expertise no assunto. Isso gera uma sinergia entre pesquisa, ensino e extensão ainda mais fortes, além de mais possibilidades de rápida incorporação de inovações nas licenciaturas existentes”, explica Roseli.

“É claro que na USP isso já é presente em todos os cursos, especialmente nas licenciaturas, mas nesse formato de curso experimental há uma intensidade maior nessa colaboração entre docentes”, completa. “É um ponto de convergência para trazer essas experiências diferenciadas de pesquisadores que estejam em suas respectivas unidades para compartilhá-las e colocá-las em prática”, destaca.

Quando for lançado, o LIC oferecerá 80 vagas para iniciantes, com opções de habilitação nas seguintes áreas de conhecimento: Ciências da Natureza; Matemática; Ciências da Aprendizagem; Letras/Português. Serão disponibilizadas ainda outras 80 vagas para professores da rede básica como segunda licenciatura. “Dessa forma haverá uma forte interação entre os que estão iniciando na carreira docente e os que já estão atuando e querem uma formação na perspectiva interdisciplinar”, afirma a professora.

O projeto prevê a criação de dois ambientes. O primeiro deles será online (ou metapresencial) e de coaprendizagem, com o compartilhamento dos espaços pedagógicos através da tecnologia, em que os participantes interagem em tempo real. Nele ocorrerão experimentos, produções e trocas mais intensas de projetos entre os grupos. O segundo ambiente é o Laboratórios de Ciências, em que os professores terão mais autonomia para construir novos experimentos, para se trabalhar um determinado tema que seja relevante para seus alunos, “numa perspectiva mais maker”, como define Roseli.

Inicialmente, estão programadas reuniões com os docentes da USP inscritos na chamada. Em formato de oficinas, os encontros ajudarão a discutir as novas propostas da LIC – o primeiro deles está previsto para o dia 11 de fevereiro. Se a LIC for aprovada, será realizado o processo de seleção de estudantes, interessados ou com vocação para docência, que vai incluir oficinas de trabalho colaborativo sobre temas e/ou problemas da educação – os aprovados serão matriculados por transferência da unidade de origem.

Com informações do Jornal da USP