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Especialistas destacam importância das contra-narrativas de movimentos sociais em questões históricas

Professora da FAU-USP e pesquisador da UFRJ encerram série especial do USP Analisa sobre monumentos ligados a memórias dolorosas

Até que ponto um monumento pode realmente garantir a preservação de uma memória? E a destruição de um estátua pode realmente apagar a história? No último episódio da série especial do USP Analisa sobre monumentos ligados a memórias dolorosas, a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Giselle Beiguelman e o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro Alberto Goyena discutem as relações entre o patrimônio cultural e a memória e também as contra-narrativas utilizadas por movimentos sociais em questões históricas.

Alberto destaca que não há, na preservação, uma garantia de lembrança, assim como a destruição não necessariamente produz esquecimento. “Bastaria ver, por exemplo, as estátuas que, apesar de demolidas, deixando a sua ausência, se tornaram ainda mais presentes. Ou então, a gente pode também pensar que essa relação entre construir e destruir não é tanto a relação entre vida e morte, mas talvez entre nascimento e morte. Fica a vida como resultado provisório, dificilmente controlável, desse efeito que as estátuas têm na cidade. Nada garante na preservação que seja lembrado. São vários exemplos de estátuas mais ou menos preservadas, de pessoas que ninguém sabe quem são, não faz a menor ideia”, diz ele.

Giselle lembra que existem exemplos de contra-narrativas instituídas por movimentos sociais não apenas em relação a monumentos, mas à própria história, como a comemoração do Dia da Consciência Negra em contraposição ao 13 de maio como data da abolição da escravatura, um movimento que começou ainda na década de 70.

“Essa instituição oficial 30 anos depois, primeiro na cidade de São Paulo e depois em escala nacional, é fruto de um trabalho dos movimentos sociais, não de uma decisão de um governante ou outro. Da mesma forma, o tensionamento dos marcos da história das Bandeiras veio a partir das articulações dos grupos indígenas. Então são essas forças que propõem estéticas da memória alternativas àquelas estéticas que os poderes hegemônicos instituíram como marcos da sua própria história”, afirma ela.

Também participa da entrevista o especialista Gabriel Fernandes, do Centro de Preservação Cultural da USP, parceiro do USP Analisa na realização desta série especial.

O último programa dessa série especial vai ao ar nesta quarta (16), a partir das 18h05, com reapresentação no domingo (20), a partir das 11h30. Ele também pode ser ouvido pelas plataformas de streaming iTunes e Spotify.

O USP Analisa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o programa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram.