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Adalberto Cardoso analisa as metamorfoses da ética do trabalho no Brasil

Sociólogo discutirá a construção da ética do trabalho no paísl em conferência no dia 4 de agosto, às 15 horas, no IRI-USP.
Adalberto Moreira Cardoso - 2
O sociólogo Adalberto Cardoso

Os aspectos da construção da ética do trabalho no Brasil serão discutidos pelo sociólogo Adalberto Cardoso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, na conferência Modernidades Múltiplas e as Metamorfoses da Ética do Trabalho no Brasil, no dia 4 de agosto, às 15 horas, na Sala da Congregação do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP. Será o terceiro evento do ciclo Tardes Cariocas: A USP Ouve o Rio de Janeiro.

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PROTESTANTISMO

Cardoso lembra que a ética protestante e suas vinculações com o espírito do capitalismo valorizaram o trabalho metódico e de acordo com os bons costumes, o sacrifício da satisfação das necessidades atuais em nome de maior bem estar no futuro e a recompensa como resultado do exercício de algo que pode ser nomeado de “vocação bem compreendida”. Dessa forma, "empreendimento, individualismo e recompensa ao mérito e ao trabalho árduo substituíram a ideia de vocação na ética burguesa do trabalho" .

SOCIALISMO

O sociólogo destaca que uma ética diversa do trabalho foi construída pelo trabalho organizado em sociedades de apoio mútuo, sindicatos e depois partidos políticos. Essa outra ética baseou-se "na solidariedade e na igualdade de classe, longe da noção de mérito e sua justificação religiosa. Seu princípio de justiça foi o adágio socialista 'a cada um segundo suas necessidades, de cada um segundo suas possibilidades', princípio possível apenas na sociedade da abundância figurada pela utopia comunista".

BRASIL

Cardoso enfatiza que o principal componente na construção de uma ética do trabalho no país foi a escravidão, que estruturou as relações sociais durante séculos, dando origem a uma caracterização do trabalho manual como degenerado e indigno: "Resgatá-lo do estigma da indignidade levou décadas, e nem a ética burguesa nem sua contraparte igualitária fizeram parte, em sua essência, do horizonte de expectativas dos trabalhadores brasileiros ao longo da história". É com base nesse pano de fundo que o sociólogo discutirá a construção da ética (ou das éticas) do trabalho no Brasil.

PERFIL

Além de professor e pesquisador do Iesp-Uerj, onde coordena o Núcleo de Pesquisas e Estudos do Trabalho (Nupet), Cardoso é pesquisador associado do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Warwick Institute for Employment Research e bolsista do programa Cientista do Nosso Estado da Faperj.

Doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, ele é autor de 14 livros e mais de 70 trabalhos (artigos em periódicos e livros). Atualmente coordena três projetos de pesquisa e atua em diversas áreas da sociologia do trabalho, sociologia urbana (incluindo desigualdades sociais) e teoria social. Em seu currículo Lattes, os termos mais frequentes na contextualização de sua produção acadêmica são: sindicalismo, formação de classe, mercado de trabalho, reestruturação produtiva, globalização, indústria automobilística, direito do trabalho, neoliberalismo, democracia, América Latina e Era Vargas.

CICLO

O ciclo Tardes Cariocas: A USP Ouve o Rio de Janeiro tem por objetivo convidar destacados cientistas sociais do Rio de Janeiro para discutir temas diversos da realidade brasileira e aproximar as reflexões sobre essas questões feitas nas duas principais cidades do país. A coordenação é de Renato Janine Ribeiro, professor titular de ética e filosofia política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa O Futuro nos Interpela do IEA-USP.

O evento é gratuito e aberto ao público. Os interessados em assistir à conferência devem enviar mensagem para leila.costa@usp.br. Haverá transmissão ao vivo pela internet. O IRI-USP fica na Avenida Prof. Lúcio Martins Rodrigues, Travessas 4 e 5, Cidade Universitária, São Paulo, SP (mapa).

Foto: Fiocruz