Você está aqui: Página Inicial / NOTÍCIAS / Inaugurada nova sede do IEA

Inaugurada nova sede do IEA

por Mauro Bellesa - publicado 19/01/2018 11:35 - última modificação 20/02/2018 07:53

A nova sede do IEA foi inaugurada em cerimônia no dia 18 de janeiro com a presença do reitor Marco Antonio Zago, do vice-reitor e reitor nomeado Vahan Agopyan e de outros dirigentes da USP e autoridades.
Inauguração da nova sede do IEA - 18/1/18 - 1
A partir da esq., Linamara Rizzo Battistella, José Goldemberg, Marco Antonio Zago, Alfredo Bosi, Vahan Agopyan, José Renato Nalini e Paulo Saldiva durante o descerramento da placa comemorativa da inauguração

Atualizado em 20 de fevereiro

“O IEA cresceu, está vivo e agora ocupa o espaço que merece”, afirmou ontem (18) o reitor da USP, Marco Antonio Zago, na cerimônia de inauguração da nova sede do Instituto. Ele e os demais oradores do evento ressaltaram a característica distintiva do IEA: um lugar de encontro de pesquisadores das diversas áreas do conhecimento e um canal para a interação Universidade-sociedade.

A nova sede está localizada na rua do Anfiteatro, 513, no espaço em que antes funcionavam o Conselho Universitário, a Secretaria Geral e alguns organismos da Reitoria. Com área 170% maior que o espaço até agora ocupado pelo IEA, o local foi totalmente remodelado para sediar o Instituto. Desde o dia 15 de fevereiro, todas as atividades do Instituto estão funcionando no novo endereço. Por enquanto, o acesso continua sendo pela Rua Praça do Relógio, 109 ou Rua da Biblioteca, 128.

RELACIONADO

Cerimônia de inauguração da nova sede do IEA

Midiateca



Histórico das ações entre 1996 e 2014 para obtenção de uma sede apropriada

Infraestrutura

Se antes o Instituto contava apenas com instalações para 15 pesquisadores, uma sala de eventos para 50 pessoas e uma sala de reuniões para uma dúzia de pesquisadores, agora poderá abrigar 40 pesquisadores simultaneamente e organizar encontros, seminários e conferências no Auditório IEA (antiga Sala do Conselho Universitário) para 120 pessoas ou para 60 pessoas na Sala Alfredo Bosi, batizada na cerimônia de inauguração em homenagem ao único docente a integrar o Instituto desde sua criação. A nova infraestrutura acadêmica é completada com cinco salas de reunião, três para 12 pessoas e duas para cinco pesquisadores.

Além de Zago, discursaram na cerimônia o presidente da Fapesp, José Goldemberg (que criou o Instituto em 1986, quando era reitor), o secretário de Educação do Estado, José Renato Nalini, a secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado, Linamara Rizzo Battistella, o diretor do IEA, Paulo Saldiva, e o editor da revista “Estudos Avançados”, Alfredo Bosi, ex-diretor do Instituto.

Prestigiado por cerca de 80 pessoas, o evento contou com a presença do vice-reitor e reitor nomeado Vahan Agopyan; do reitor da Unicamp, Marcelo Knobel; do presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), José Fernando Gomes Landgraf; pró-reitores, superintendentes e diretores de unidades da USP; e ex-diretores, conselheiros, ex-conselheiros, professores seniores, professores em período sabático e coordenadores de grupos de pesquisa e grupos de estudos do IEA.

Área para pesquisadores e grupos de pesquisa e estudo
Salas podem abrigar até 40 pesquisadores simultaneamente


Cognição e Ética

Bosi, que considera o IEA sua “segunda casa acadêmica”, uma vez que desenvolveu toda sua carreira docente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), disse que ao integrar a primeira composição do Conselho Deliberativo, em 1987, percebeu a vocação do Instituto para ser “um espaço para aproximar as pessoas que a geografia do campus havia dispersado”.

Ele relembrou as discussões (“democráticas”) sobre o processo de redemocratização do país travadas no CD nos primeiros anos do Instituto. “Estudar essas questões era uma forma de saldar a dívida da academia com a sociedade e contribuir para a redução das desigualdades”.

Inauguração da nova sede do IEA - 18/1/18 - 2
O reitor Marco Antonio Zago discursa durante a cerimônia

Discutir políticas públicas em áreas como educação, saúde, meio ambiente e energia ao lado do debate sobre as fronteiras científicas é para ele a chave da missão do Instituto, pois permite “a dedicação à cognição e à ética, à verdade e ao bem comum”.

Saldiva agradeceu a Goldemberg, “pela visão de criar um IEA na USP”, e a Bosi, “talvez a pessoa que mais encarne o espírito do Instituto, com essa vinculação entre cognição e ética”. Agradeceu também ao diretor anterior, Martin Grossmann, “por ter iniciado a luta para o IEA sair de um corredor e encontrar um espaço adequado para suas atividades”.

Comentando o empenho do reitor para a concretização do novo espaço do IEA, Saldiva disse que esta é a primeira vez que o Instituto, nos seus 31 anos de história, pode contar com uma sede que, “além de representar um aumento de área, representa algo que dignifica a USP”.

Para Saldiva, a existência do IEA “pressupõe a ideia de exercício de uma atitude de convivência, como se antiga Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da Maria Antonia estivesse ressurgindo”, um lugar em que havia o contato próximo entre pesquisadores das ciências naturais, das ciências sociais e das humanidades.

Sala Alfredo Bosi
A nova Sala Alfredo Bosi

Perfil

“O IEA conta com 400 pesquisadores, aumentou sua produção, tem uma revista de impacto e obteve verbas nacionais e internacionais", comentou o diretor, que vê o Instituto como um "canal de porosidade com a sociedade, algo muito importante no momento para que a USP faça propostas ao país e faça parte da solução dos problemas”.

Linamara Rizzo Battistella destacou a importância do IEA numa época em que “estamos vendo as políticas públicas se diluindo”. José Renato Nalini, que foi conselheiro do IEA antes de assumir a Secretaria Estadual de Educação, disse que trazia os cumprimentos do governador Geraldo Alckmin, “que tem grande apreço pelo IEA, como demonstra o fato de Martin Grossmann, diretor anterior do Instituto, ter sido o único novo membro nomeado para o Conselho Estadual de Educação".

Nalini defendeu que o IEA se dedique ainda mais aos problemas da educação fundamental pública, pois "há o risco de aprofundamento das desigualdades entre os jovens com menos oportunidades e aqueles com acessos às escolas privadas de elite".

Vocação

A exemplo de Bosi e Saldiva, Goldemberg também enfatizou a vocação do IEA para ser um lugar de aproximação das pessoas. “Quando o Instituto foi criado, também foi criado o Clube dos Professores. Era muito difícil conversar com as pessoas em razão da geografia diferenciada da USP em relação a universidades mais compactas, como a de Princeton, nos Estados Unidos.”

Diretoria e área do staff acadêmico, administrativo e de comunicação
Área destinada à Diretoria e ao staff acadêmico, administrativo e de comunicação

“Considero esse novo espaço condigno para o IEA”, disse o presidente da Fapesp. “Intelectuais podem trabalhar em qualquer lugar, mas para fazer com que as pessoas interajam é preciso que o local seja agradável, estimulante.”

No encerramento da cerimônia, o reitor afirmou que durante toda sua gestão se preocupou com os espaços para convivência, inserindo a nova sede do IEA entre as ações empreendidas com esse fim, como a criação da Praça Milton Santos.

Para ele, o IEA e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), cuja nova sede foi inaugurada no mesmo dia, representam o que “de mais importante e nobre a Universidade possui”. Ele fez essa consideração ao destacar o acervo e estudos do IEB sobre cultura, história e literatura brasileira e o “papel central do IEA na aproximação das pessoas e da USP com a sociedade”.

Zago afirmou que agora está se configurando um triângulo de convivência, interdisciplinaridade e interação com a sociedade, tendo num dos vértices a Biblioteca Brasiliana Guita e Jose Mindlin e o IEB e nos outros o IEA e o Centro de Pesquisa e Inovação Inova USP, inaugurado em dezembro.

Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP | Perspectivas: Arthur Santos Francisco/SEF-USP