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Morre João Steiner, diretor do IEA de 2003 a 2007

Astrofísico foi responsável pela modernização do IEA no começo dos anos 2000.

João Steiner
João Steiner, diretor do IEA de 2003 a 2007
O astrofísico João Evangelista Steiner, diretor do IEA entre 2003 e 2007, morreu nesta quinta-feira, 10 de setembro, em São Martinho, Santa Catarina, sua cidade natal, em decorrência de um enfarto.

Professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e pesquisador de núcleos ativos de galáxias, Steiner era formado em física pelo Instituto de Física (IF) da USP (1973), com mestrado e doutorado em astronomia pelo IAG e pós-doutorado no Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.

Desde 2014, coordenava pela Faspep a participação brasileira do projeto para construção do Telescópio Gigante de Magalhães, no Observatório Las Campanas, no Chile. Antes, de 1996 a 2003, foi membro dos conselhos diretores dos telescópios Gemini, SOAR e GMT.

Steiner foi presidente da Sociedade Astronômica Brasileira (1982-1984), tesoureiro e Secretário Geral da SBPC (1988-1992), diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas do Inpe (1987-1989), diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (1997-1999) e secretário do Ministério da Ciência Tecnologia (1997-2002). Coordenou o projeto Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Astrofísica (2009-2016) e a implantação do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos.

Atualmente, era membro do Conselho de Administração do CNPEM, membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, da Academia de Ciências dos Países em Desenvolvimento (TWAS) e membro honorário da American Astronomical Society.

Entusiasta e incentivador da divulgação cientifica, foi colunista da revista Superinteressante nos anos 90. No Jornal da USP, assinava a coluna “Entender estrelas, uma viagem pela astronomia”.

Legado no IEA

João Steiner foi um dos grandes responsáveis pela modernização do Instituto no começo dos anos 2000. Em sua gestão, todos os eventos acadêmicos começaram a ser transmitidos ao vivo pela internet, atingindo um público maior e de outras cidades e países. Também foi criado o site em inglês do IEA, e a revista "Estudos Avançados" passou a ter versão digital, inserida na SciELO.

capalivroensinosuperior.jpgEnquanto diretor, Steiner organizou com Gerhard Malnic o livro "Ensino Superior: Conceito e Dinâmica", publicado pela Edusp em 2006, e publicou ativamente na revista. É autor de “A origem do Universo” (2006), um dos artigos mais acessados da "Estudos Avançados" e de outros três textos: Instituto de Estudos Avançados (2004); Qualidade e diversidade institucional na pós-graduação brasileira (2005); e Conhecimento: gargalos para um Brasil no futuro (2006). Até antes de sua morte, Steiner integrava o Conselho Editorial da "Estudos Avançados".

Steiner também inseriu o IEA no projeto “Brasil 3 Tempos: 2007, 2015 e 2022", iniciativa do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República que reunia diversas instituições de pesquisa do Brasil para estabelecer metas a serem atingidas pelo país em 18 anos.

Antes de ser diretor do IEA, Steiner integrou o Conselho Deliberativo do Instituto, de 1991 a 1993.

 

Homenagem

O professor João Steiner foi uma estrela brilhante no firmamento da Educação e da Ciência. A sua luminosidade intensa foi especialmente percebida no Instituto de Estudos Avançados da USP, do qual foi diretor de 2003 a 2007 e membro do Conselho Editorial da revista Estudos Avançados até o seu último dia. "Entender estrelas". Com esse convite o professor Steiner nos atraía semanalmente a uma instigante viagem radiofônica pela Astronomia. Hoje quem viajou para a eternidade foi o professor-estrela. Mas a luz da sua memória não se apagará e continuará a iluminar os nossos passos.

Guilherme Ary Plonski, diretor do IEA


Além de um grande cientista, o professor Steiner impressionou-me sobremaneira pela sua humanidade. Logo que os resultados da eleição indicaram que eu e o Guilherme Ary Plonski ocuparíamos a direção do IEA, Steiner convidou-me para um almoço. Deu-me conselhos de forma fraterna, generosa e franca. Jamais esqueci aqueles momentos. A perda precoce do professor João Steiner empobrece a USP.

Paulo Saldiva, diretor do IEA de 2016 a 2020

 

O astrofísico João Steiner assumiu a direção do IEA em 2003, trazendo dimensões nunca antes imaginadas de atuação. Renovou seu campo de ação e expandiu sua visão de futuro. Demonstrou, na prática, na gestão, que um IEA na universidade precisa transcender a sua condição acadêmica vigente e buscar constantemente novos desafios, imaginando futuros possíveis e impossíveis, uma vez que o conhecimento é sempre ilimitado e transcendente. Um cientista com múltiplas habilidades e muito generoso. Atuou desta forma em outras instâncias por onde passou. Inspirador cosmológico.

Martin Grossmann, diretor do IEA de 2012 a 2016

 

No Chile, onde eu nasci, o Steiner seria definido como “um caballero”. Não sei traduzir o conteúdo desta expressão, pois traz consigo delicadeza, força e fino trato, as marcas de João Steiner. O brilho da mirada e o entusiasmo da palavra, quando me contava os últimos resultados ou as novas teorias, foram sempre iguais até a última vez que o vi. Cientista brilhante, produtivo e disruptivo nunca deixou de viver, parte do tempo, nas estrelas. Num momento de crise na USP, publicamos um artigo que não perde a sua atualidade, junto com o Alfredo Bosi. Multifacético, foi um gestor público como gostaríamos que muitos outros fossem; dedicou parte do seu precioso tempo a pensar e gerir ciência e tecnologia. Com imensa tristeza, me resta celebrar a vida do João.

Hernan Chaimovich, vice-diretor do IEA de 2006 a 2009

 

O cientista João Steiner, ex-diretor do Inpe, fará falta nas discussões climáticas e no momento em que a Amazônia brasileira sofre um dos mais severos ataques à sua integridade florestal. No Instituto de Estudos Avançados da USP, outro espaço em que ele exerceu sua competência como gestor, são marcas indeléveis a visão interdisciplinar, a didática certeira para o diálogo com a sociedade e a ética do trabalho constante como razão de vida. Foi sob a sua liderança, que o IEA/USP submeteu à Fapesp a proposta para estabelecer o Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais com o objetivo de avançar o conhecimento e gerar resultados com respeito às avaliações de risco e estratégias de mitigação e adaptação. Lembro-me de uma frase em seu discurso de posse em 2003: “Felicidade é ter o que fazer”. Um pensamento que norteou sua vida significativa e que pereniza seu expressivo legado.

Jacques Marcovitch, diretor do IEA de 1989 a 1993