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Os desafios à prevenção primária do uso de maconha e canabinoides

por Mauro Bellesa - publicado 25/05/2018 11:50 - última modificação 27/06/2018 09:21

Strategic Workshop no dia 18 de maio discutiu a "Pesquisa Sobre Prevenção Primária do Uso de Substâncias Psicoativas: Foco nos Canabinóides".
Valentim Gentil Filho - 18/5/2018
Para Valentim Gentil Filho, o principal problema são os canabinoides, não o uso da maconha

Nem por meio da genética é possível identificar até o momento os indivíduos mais vulnerais aos canabinoides, segundo o psiquiatra Valentim Gentil Filho, professor da Faculdade de Medicina da USP (USP). Até mesmo as pesquisas sobre o uso da maconha não conseguiram até agora comprovar o risco de psicose, apesar de terem sido iniciadas em 1969, quando 50 mil jovens suecos passaram a ser acompanhados, afirmou.

"Constatou-se que os usuários de maconha entre eles tinham risco quatro vezes maior de ser internados em hospitais por psicose. Mas aquela maconha não é a mesma de agora. O estudo foi replicado em dez países, mas não foi estabelecida uma relação de causa e efeito."

Gentil Filho coordenou o encontro Pesquisa Sobre Prevenção Primária do Uso de Substâncias Psicoativas: Foco nos Canabinoides, realizado no dia 18 de maio pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP e pelo IEA, com apoio da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp).

O workshop teve como expositores médicos, psicólogos, especialistas em comunicação e cientistas sociais. O público diversificado que acompanhou o evento contou também com a presença de representantes do Ministério Público, que participaram ativamente dos debates. As discussões foram divididas em três mesas: Relevância do Uso e Abuso dos Canabinoides Naturais e Sintéticos; A Prevenção Primária Pode Ser Efetiva?; Desafios na Comunicação Academia-Sociedade.

Ignorância

Ainda no balanço dos debates ao final do encontro, Gentil Filho disse que workshop cumpriu sua função ao suscitar vários tópicos para futuras pesquisas. “As discussões podem instrumentalizar debates, mas não é esse o objetivo principal, sobretudo porque vimos que o que temos é uma quantidade inacreditável de ignorância, coisas ultrarrelevantes que não sabemos explicar e por isso o workshop foi realizado”.

Os pesquisadores não possuem provas sobre as consequências do uso da maconha nos últimos 50 anos, afirmou o psiquiatra, que lançou duas perguntas aos presentes: "Quanto tempo vamos levar para alertar a sociedade sobre os riscos que a geração atual de jovens está correndo? Quantas gerações terão de aguardar para se protegerem da ameaça de um horizonte cada vez mais negro, não só em relação à maconha?"

Nem entre os pesquisadores há uma linguagem comum que não restrinja a discussão ao uso da maconha enquanto erva, segundo ele: "A maconha é o menos preocupante. O problema é o uso do THC [tetrahidrocanabinol, principal princípio ativo da planta], de outros canabinoides naturais que não sabemos o que causam e dos canabinoides sintéticos."

Participantes

Mesa 1 - Relevância do Uso e Abuso dos Canabinóides Naturais e Sintéticos

Expositores: o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor da Unifesp; a psicóloga Maria Alice Fontes, da Clínica Plenamente; o psiquiatra Sérgio Nicastri, professor FMUSP; e o farmacologista Rafael Guimarães dos Santos, pós-doutorando da Universidade de Medicina de Ribeirão Preto (UMRP) da USP. A psiquiatra Sandra Scivoletto, da FMUSP, coordenou a mesa.

Mesa 2 - A Prevenção Primária Pode Ser Efetiva?

Coordenada pelo psiquiatra Guilherme Messas, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a mesa teve a participação da epidemiologista Zilá Sanchez, da Unifesp, e dos psiquiatras: Leon de Souza Lobo Garcia, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP; Ana Cecília Marques, do Projeto Periscópio, da cidade de Tarumã, SP; e André Malbergier, da FMUSP.

Mesa 3  - Desafios na Comunicação Academia-Sociedade

Expositores: o jornalista Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP; o antropólogo Mauricio Fiore, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; o pediatra João Paulo Becker Lotufo, do Hospital Universitário (HU) da USP; a jornalista Monica Teixeira, do Núcleo de Divulgação Científica da USP; o jornalista e economista Gilson Schwartz, da ECA-USP. A coordenação foi do psiquiatra Daniel Barros, da FMUSP.

Mercado, uso e abuso

Na primeira mesa, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira comentou a evolução do mercado da maconha no Brasil e no mundo. De acordo com ele, o 2º Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas, realizado em 2012, apontou a existência de 8 milhões de pessoas que já tinham consumido maconha, com 3,4 milhões tendo consumido a droga no período de um ano anterior à pesquisa e 1,3 milhão sendo dependentes. O primeiro uso foi antes dos 18 anos para 62% dos entrevistados. “Esses números são os melhores que temos atualmente, mas já estão defasados, pois acho que a nova geração de adolescentes tem consumido muito mais a droga.”

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Em termos de percentuais da população, o país não está entre os principais consumidores, apresentado 3% da população como usuários no último ano pré-pesquisa, ao passo que nos Canadá, Nova Zelândia e EUA os percentuais são, respectivamente, 13%, 12% e 10%, acrescentou.

“O mercado de maconha é muito mais vibrante e dinâmico nos EUA. Nos estados onde o uso recreativo foi legalizado, virou algo comparável só ao que aconteceu com o tabaco. É como se houvesse uma agroindústria da maconha, com diversas variedades. No Colorado, 50% do consumo se dá por meio de produtos comestíveis, entre eles cremes e barras de chocolate, balas e gomas de mascar. Há também os cigarros eletrônicos com 100% de THC."

Prejuízo à memória

As pesquisas indicam que ao se falar dos efeitos neuropsicológicos da maconha ao longo da vida do usuário há diversas funções cognitivas em jogo, disse a psicóloga Maria Alice Fontes

Uma revisão sistemática de 105 artigos científicos feita por uma pesquisadora australiana indicou que a memória é o domínio neurológico mais comprometido pelo uso da droga, informou. “Em adolescentes e adultos jovens, há recuperação da memória depois de quatro a oito meses de abstinência; no caso de adultos com uso prolongado, é preciso um ano de abstinência para que isso ocorra.”

Workshop sobre canabinoides - Mesa 1 - 18/5/2018
A primeira mesa tratou do mercado da maconha, uso e abuso da maconha

Ela apontou também outros efeitos do uso da droga indicados em estudo que realizou: redução de 6 a 8 pontos no quociente de inteligência (QI), o que “não significa muito para pessoas com QI elevado, mas pode prejudicar pessoas com QI padrão no seu desempenho escolar”.

Entre os efeitos agudos da droga, Maria Alice relacionou prejuízo da memória, diminuição da atenção, redução da coordenação motora, pânico, prazer, euforia e percepção sensorial ampliada da droga. Já entre os efeitos de longo prazo estão problemas de memória, redução do QI e dificuldade de planejamento.

Psicose

O psiquiatra Sérgio Nicastri comentou que os relatos de deterioração mental pelo uso da maconha existem desde o século 19 e no início do século 20 chegou-se a falar de “psicose canábica”. “Nem todos desenvolvem psicose. Há pessoas mais vulneráveis. Quanto maior o uso, maior a probabilidade de desenvolvimento da doença.”

Segundo ele, 10% dos usuários desenvolvem dependência e ficam sujeitos a esse risco. “No entanto, o discurso da legalização da maconha passa a sensação de que seu uso é seguro.”

O crescente mercado de uso de medicamentos derivados de canabinoides foi o tema da exposição do farmacologista Rafael Guimarães dos Santos. “São mais de 100 canabinoides e vários deles com possível uso, mas ainda somos ignorantes em relação a eles.”

Ele afirmou que o primeiro estudo de aplicação de um canabinoide para tratamento da epilepsia foi feito no Brasil nos anos 80. “Mas o canabidiol [CBD] não é uma bala mágica, pois apresenta efeitos adversos, relevantes em número de ocorrências, não de gravidade”, como convulsões e prejuízo às enzimas hepáticas. Guimarães também alertou que os efeitos adversos são parecidos no uso medicinal e recreativo da maconha.

Maria Alice afirmou que o risco de dependência, “um dos argumentos mais forte para tentar convencer os adolescentes a não usar a droga”, é de conhecimentos deles e não funciona como inibidor do uso. Para Sandra Scivoletto, moderadora da mesa, há dificuldade está em como formular as informações científicas sobre a dependência de forma atraente para os jovens.

Sandra levantou a dúvida se os especialistas não estariam exagerando sobre os efeitos danosos da maconha e, em razão disso, perdendo credibilidade. Laranjeira posicionou-se totalmente contrário a uma atenuação do discurso, “porque a maconha está ficando cada vez mais forte: O skunk [híbrido de duas espécies de Cannabis com concentração de 20% de THC] já era considerado pesado na Holanda, mas agora há cigarros eletrônicos com 100% de THC”.

Legislação

A questão da legislação de combate às drogas também foi discutida no debate que se seguiu às exposições da primeira mesa. Um membro do Ministério Público na plateia afirmou ser "uma tragédia o que acontece no Brasil, com adolescentes da periferia sendo presos por estarem com pequena quantidade de drogas e encarcerados em situação dramática em presídios dominados pelo crime organizado".

Para Laranjeira, o Supremo Tribunal Federal “não entende nada de política de drogas” e não deveria ser permitido a ele que mudasse a legislação. “O local de mudança é o Congresso Nacional, onde há um projeto de lei para normatizar um pouco melhor a política sobre o consumo de drogas.” Ele disse que "ninguém defende que o usuário seja preso, mas é preciso inovar" e citou a chamada justiça terapêutica nos EUA, "que desviou milhões de pessoas do sistema prisional ao longo dos anos”.

Ao interesse no mercado da maconha pela indústria de tabaco e farmacêutica mencionado por membro da plateia, Rafael Santos respondeu que "a indústria está fazendo o que sempre faz: buscar lucros". Ele ressalvou, no entanto, alguns fatores positivos nos estados americanos onde a maconha é permitida: “O uso de outras drogas, como opioides e antidepressivos, tem diminuído. E em clínicas para dependentes de heroína, o uso da maconha tem resultado na redução em 30% no uso de opiáceos”.

Prevenção primária

Workshop sobre canabinoides - Mesa 2 - 18/5/2018
As dificuldades para a prevenção primária foram discutidas por quatro especialistas na segunda mesa

Na segunda mesa, dedicada os problemas da prevenção primária, a epidemiologista Zilá Sanchez afirmou que mesmo a definição de prevenção primária é controversa. "A Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como prevenção do primeiro uso ou de retardo na sua ocorrência, ao passo que há pesquisadores para os quais ela deve ser voltada ao uso abusivo da droga."

O que se sabe de políticas públicas atualmente é baseado na política contra o uso do tabaco, segundo ela, que prefere o conceito da OMS. No entanto, "a prevenção primária funciona, pelo que indicam estudos robustos e meta-análises, podemos afirmar". O efeito é pequeno quando ela é baseada apenas em atividades e material de esclarecimento, explicou. “Programas familiares são mais eficazes do que os escolares.”

O debate hoje na área de prevenção é, de acordo com ela, como disseminar e sustentar os programas e como evitar conflitos de interesse entre os que os aplicam e avaliam.

Aspectos éticos

Para o psiquiatra Leon de Souza Lobo Garcia, a prevenção primária tem de atingir o objetivo de evitar ou retardar o uso da maconha, mão não pode ser feita a qualquer custo. “É preciso considerar os aspectos éticos e não estigmatizar os usuários.” A prevenção é prejudicada também por questões políticas, dadas “as dificuldades para implementar políticas para milhões de pessoas sem validação social de sua importância”. Ressaltou ainda que a prevenção não pode ser discutida sem uma discussão sobre o combate à disseminação da droga, pois “a política de guerra às drogas não ajuda na prevenção”.

Garcia propõe que as universidades desenvolvam programas de prevenção que já nasçam interdisciplinares. “Os psicólogos e psiquiatras não podem desenvolver algo e simplesmente repassar aos educadores.”

O psiquiatra André Malbergier disse que o monitoramento do adolescente é o mais eficaz, mas é preciso também o monitorar da família. No nível da comunidade, “a escola é um local muito interessante para se atuar’.

Todavia, os levantamentos epidemiológicos parecem ainda não refletir o que acontece nos três níveis: indivíduo, família e comunidade, de acordo com o pesquisador. Ele afirmou que os programas de pequeno porte têm tido resultados positivos, mas é um desafio expandi-los para o país.

Resultados positivos na prevenção ao uso de drogas começam a aparecer no exterior, declarou. "A exceção é a maconha, que apresenta aumento do consumo nos Estados Unidos".

Experiência

A mesa teve ainda a apresentação de uma experiência concreta de programa preventivo: o Projeto Periscópio, iniciado há 11 anos em Tarumã,  cidade com 13 mil habitantes no região oeste do Estado de São Paulo. Segundo a psiquiatra Ana Cecília Marques, responsável pela implantação do programa, a iniciativa já foi institucionalizada por lei, tornando-se a política municipal para álcool, tabaco e demais drogas.

Em sua primeira fase, o projeto adotou a prevenção universal (dirigida à toda a população), com levantamento domiciliar, advocacy e capacitação de pessoas, segundo ela. A partir dos indicadores levantados, as equipes envolvidas desenharam as políticas adequadas à cidade. “Agora estamos numa fase de avaliação da efetividade do projeto por uma equipe independente.”

Para Ana Cecília, o importante é que "a política sobre drogas saia da gaveta, seja integral e garanta a prevenção, o tratamento e a oferta, com os fatores de risco sendo verificados nos planos do indivíduo, da comunidade e da família.”

Workshop sobre canabinoides - Mesa 3 - 18/5/2018
A maconha como parte do imaginário da atualidade foi uma das questões debatidas na terceira mesa

Comunicação academia-sociedade

O workshop foi encerrado com uma mesa dedicada às dificuldades em levar as informações científicas sobre as consequências do uso de drogas à população, especialmente ao jovens.

De acordo com a jornalista Mônica Teixeira, a própria amplitude da prescrição de medicamentos psicoativos a adolescentes e mesmo a idosos dificulta a argumentação contra as drogas ilícitas, especialmente a maconha.

A polarização do debate também é prejudicial. “Não se trata de conversar sobre o assunto e chegar a uma espécie de consenso. O que a gente vê nos youtubers e comentários nas redes sociais é uma divisão entre gente pró uso e outros que dizem que a maconha ‘mata neurônios’ e outras coisas.”

Para ela, o fato de a ciência estar no polo dos contrários ao uso “não propicia uma boa conversa” a respeito do assunto. Por sua vez, “os jornalistas geralmente estão do lado de que o uso é benigno, pois esta é uma crença presente na sociedade”, mas, diante de um especialista, “admitem o pressuposto médico de que é errado fumar maconha”. Isso não ajuda a informar o que se sabe efetivamente, segundo Mônica.

Imaginário

O jornalista e economista Gilson Schwartz lembrou a afirmação do filósofo francês Gilbert Simondon (1924-1989) de que “não há vida sem imagem” para discutir a construção do imaginário da atualidade, caracterizado pela “pressão capitalista para que sejamos criativos, inovadores”.

Essa questão e o envolvimento de Gilson com a pesquisa sobre cultural digital, há mais de 20 anos, o levaram estudar a produção do valor na atualidade. “Na nossa sociedade o valor é algo mais nebuloso, não provém do trabalho ou da utilidade do bem. É constituído por uma série de atributos e técnicas extraordinárias para viciar o usuário da internet numa certa capacidade de gerar um fluxo de informações, aprisioná-lo num mecanismo de marketing que o faz pensar que é criativo.”

Segundo ele, um fenômeno que despontou há uns oito anos nesse panorama é a cultura de games, com “uma lógica de atenção e de aceleração de um tempo que gira em falso, um passatempo que gera adição em jogar e estimula estar nas redes sociais”.

Uma estratégia é utilizar a própria cultura dos games para lidar com isso. Com esse intuito, Schwartz participa de dois projetos internacionais: o BeOK e o Purposyum of Justice Challengers. O primeiro propiciou a produção de um aplicativo para celulares a respeito de dependência química. O segundo é uma iniciativa do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (Undoc) e prevê a criação cooperada de um jogo de tabuleiro sobre drogas, criminalidade e estado de direito, entre outros temas.

O jornalista Eugênio Bucci também tratou da produção de imaginário, na qual “a droga faz parte do espetáculo”. Para ele, a cultura contemporânea leva à construção de “nexos de tal maneira enrijecidos que efetivamente prendem o adolescente, comprometendo seu desenvolvimento subjetivo e sua emancipação”.

A hipótese de Bucci é que “as drogas e a rebeldia associada a seu uso e comercialização monopolizaram a passagem ritual” do adolescente à vida adulta, “e isso tem a ver com o ordenamento do espetáculo” da vida social.

Ele associa essa desenrolar na vida dos jovens à trajetória do herói, que em algum momento “se liberta do jugo do pai” e isso produz um enfrentamento. Bucci é favorável à total descriminalização das drogas: “Não acho que seja ruim usar droga. O problema é que seja o único caminho que resta ao jovem para se afirmar na transição para a vida adulta”.

Questão política

Retomando a questão sobre as dificuldades do debate comentadas por Mônica, o antropólogo Maurício Fiori disse que a diferença política não precisa se expressar numa polarização estereotipada. “O debate é político e ideológico, mas não quer dizer que seja simplista.”

Fiori considera que a maconha vive seu ápice cultural e a sociedade terá de lidar com esse fenômeno. Para ele, é errado pensar que o uso de certas drogas seja algo natural na cultura indígena, por exemplo, e errado fora dela, concepção de algumas pessoas citada na primeira mesa. “Não há algo que possa estar fora da cultura. As drogas não podem ser retiradas dessa dimensão e da sua questão moral. A Marcha da Maconha é uma disputa cultural.”

A mesa teve também a apresentação de duas iniciativas de difusão de informações, ambas com a participação do pediatra João Carlos Becker Lotufo. Uma delas foi um projeto desenvolvido pelo Hospital Universitário em dez escolas de ensino básico próximas à USP.

De acordo com as entrevistas, o uso de drogas pelos estudantes antes dos 17 anos constatado foi de: 60% para álcool, 25% para tabaco, 20% para maconha e 6% para crack. Ao serem perguntados qual droga consideravam que fazia menos mal, os estudantes disseram ser a maconha, com o álcool aparecendo em segundo lugar. Essas respostas demonstram que "a maconha é hoje o tabaco dos anos 50, 60”, afirmou Lotufo.

A outra iniciativa elaborada por seu grupo foi a proposta de um “aconselhamento breve” as famílias por parte dos pediatras. “Eles perguntam sobre os riscos de consumo de drogas a que a família está sujeita e desenvolvem o assunto." A orientação está sendo encampada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, informou. A proposta inclui também material impresso para orientação das famílias e do ambiente escolar, inclusive material específico para o ensino médio sobre o uso de maconha, álcool e narguilé.

Fotos: Fernanda Rezende/IEA-USP