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Pesquisador prepara livro sobre a história do pensamento algébrico

por Mauro Bellesa - publicado 10/03/2017 13:30 - última modificação 14/03/2017 11:53

Flávio Ulhoa Coelho, do IME-USP, foi um dos pesquisadores participantes do Programa Ano Temático no IEA.
Flavio Ulhoa Coelho
Flavio Ulhoa Coelho

Por estranho que pareça, a álgebra, a chamada "ciência das equações", não se desenvolveu a partir apenas de preceitos matemáticos. A evolução do pensamento algébrico foi influenciada também por concepções filosóficas e sociais de cada período histórico.

Foi justamente para estudar esse desenvolvimento peculiar do pensamento algébrico que Flavio Ulhoa Coelho, professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, participou da primeira edição do Programa Ano Sabático do IEA, terminada em fevereiro. O título do projeto é “História do Pensamento Algébrico e seus Desdobramentos Didáticos”.

Coelho explica que o período sabático teve por objetivo a a estruturação de um livro sobre essa evolução e a redação um artigo sobre sua utilização com fins didáticos. "Acredito ter avançado o que estava previsto para o período sabático, principalmente no que diz respeito à organização geral do trabalho. Já há também versões preliminares de alguns capítulos."

O artigo, a ser submetido à revista "Estudos Avançados", do IEA, está sendo redigido em parceria com Marcia Aguiar, professora da UFABC. "O enfoque do texto é verificar de que maneira a história do desenvolvimento do pensamento algébrico pode ser utilizada em salas de aula do ensino básico, para que a passagem dos estudantes ao pensamento abstrato se dê de forma mais natural."

Coelho não restringiu suas atividades no IEA ao projeto para o período sabático. Além de matemático, ele é escritor, com vários livros de ficção já publicados. Esse duplo interesse o levou a organizar uma mesa-redonda chamada "Literatura e Matemática", no dia 27 de outubro de 2016. Os debatedores foram o escritor Jacques Fux, o professor da UFRJ Marco Lucchesi, membro da Academia Brasileira de Letras, e o professor Nilson José Machado, da Faculdade de Educação (FE) da USP.

"A conversa foi bastante interessante, em função da diversidade de experiência e formação dos convidados. Também houve uma excelente participação do público." Coelho informou que o debate foi transcrito e está sendo editado para futura publicação em formato de livro. Também está sendo planejada uma nova mesa-redonda sobre o tema no primeiro semestre de 2017.

Quanto à atuação no IEA, Coelho afirmou que foi uma experiência extremamente gratificante, não só pela oportunidade de desenvolver o projeto que propôs, "mas principalmente pela convivência que o Instituto proporciona a seus pesquisadores, pois é um lugar muito ativo e congrega pesquisadores com interesse múltiplos".

Em relação ao Programa Ano Sabático especificamente, ele disse que o contato com os outros cinco pesquisadores foi muito útil para que todos pudessem se aperfeiçoar pessoal e academicamente. O grande diferencial do programa, de acordo com ele, "é a possibilidade de o pesquisador 'se distanciar' por um tempo da rotina departamental de sua unidade. Com isso, o tempo do pesquisador pode ser direcionado unicamente ao desenvolvimento da pesquisa e isso faz a diferença quando se quer refletir mais profundamente sobre algum assunto."

Foto: Leonor Calasans/IEA-USP