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Professores em sabático terminam 1ª edição do programa com diversas realizações

por Mauro Bellesa - publicado 16/03/2017 14:10 - última modificação 22/03/2017 14:52

De março de 2016 a fevereiro de 2017, seis docentes da USP participaram da primeira edição do Programa Ano Sabático do IEA.
Diretor e 1ª Turma de Professores Sabáticos
A partir da esq., o diretor do IEA, Paulo Saldiva, e os professores em sabático Flavio Ulhoa Coelho, Dária Gorete Jaremtchuk, Rodolfo Nogueira Coelho de Souza, Maria de los Angeles Gasalla, Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira e Astolfo Gomes de Mello Araujo

A primeira edição do Programa Ano Sabático foi marcada pelo entusiasmo dos seis professores da USP participantes. Além de produzirem artigos, capítulos de livros, música e comunicações em encontros internacionais, eles frequentaram o IEA assiduamente, participando inclusive de diversas atividades não necessariamente ligadas às suas pesquisas. O período sabático terminou em fevereiro, mas vários deles pretendem manter laços acadêmicos com o Instituto.

A vasta produção do grupo é consequência direta do intenso trabalho de coleta de dados, detalhamento metodológico e reflexão teórica empreendido pelos pesquisadores. Mas os resultados não se esgotam no que já foi produzido. Os projetos de pesquisa ainda darão origem a novos artigos, livros, duas teses de livre docência e uma ópera.

Leia mais sobre as atividades dos professores em sabático

Talvez a contribuição mais inusitada dessa primeira edição seja a composição de uma ópera pelo professor Rodolfo Nogueira Coelho de Souza, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFLCRP). Durante o período sabático ele escreveu o libreto da obra, em parceria com pesquisadora da UFPR, e compôs parte da música.

Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), e Astolfo Gomes de Mello Araujo, do Museu de Arqueologia e Etnologia, realizaram pesquisas relacionadas com a futura elaboração de suas teses de livre docência.

O projeto de Lúcia trata das dinâmicas culturais emergentes na cidade de São Paulo. Ela teve a oportunidade de fazer o levantamento bibliográfico necessário, conhecer a atuação de diversos coletivos culturais da cidade e redigir artigo para uma revista especializada.

Para Araujo, o período no IEA serviu para se aprofundar nos aspectos da interdisciplinaridade via literatura específica e análise de encontros do IEA sobre o tema. Seu projeto discute a arqueologia como paradigma de interdisciplinaridade. Ele apresentou os primeiros resultados do trabalho em congresso mundial no Japão.

Além de estar presente na metodologia utilizada por Souza na composição da opera, a matemática desempenha papel central na pesquisa de Flavio Ulhoa Coelho, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) que já redigiu alguns capítulos de um livro sobre a influência de questões filosóficas e sociais na evolução do pensamento algébrico. Outro trabalho previsto é um artigo em parceria com pesquisadora da UFABC sobre a importância de destacar essa influência filosófica e social ao ensinar álgebra aos estudantes do ensino básico.

Se aspectos sociais estão presentes em termos históricos no trabalho de Coelho e atuais na projeto de Lúcia, na pesquisa de Maria de los Angeles Gasalla, do Instituto Oceanográfico (IO), ele são antevistos no futuro incerto das comunidades pesqueiras devido ao aquecimento dos oceanos por causa das mudanças climáticas globais. Durante o período sabático ela produziu diversos textos e participou de encontros na Coreia do Sul, Tailândia e Madagáscar.

A incerteza quanto ao futuro profissional não constava dos planos dos artistas visuais brasileiros que se autoexilaram em Nova York nas décadas de 60 e 70 a convite de instituições americanas. No entanto, eles acabaram enfrentando imensas dificuldades para trabalhar, expor e conviver com a comunidade artística local. Esse é o tema da pesquisa de Dária Gorete Jaremtchuk, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). Ao longo de 2016, ela publicou artigo em periódico especializado e apresentou comunicações em encontros no Brasil e nos Estados Unidos.

Pode-se dizer que o ano sabático dos seis pesquisadores terminou oficialmente em fevereiro, mas as pesquisas nele iniciadas ou continuadas ainda perdurarão por um bom tempo, com a produção de novos trabalhos, inclusive artigos que submeterão à revista "Estudos Avançados", do IEA, e desdobramentos em novos projetos. Certamente, várias dessas atividades futuras terão a marca da convivência entre os seis no Instituto, fato destacado por todos como um dos melhores benefícios proporcionados pelo Programa Ano Sabático.

Foto: Arquivo IEA-USP