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Biotecnologia Terapêutica Recente e Medicina Tradicional

por Mauro Bellesa - publicado 24/01/2019 10:53 - última modificação 24/01/2019 10:53

Transplante de fígado

O Grupo de Estudos Biotecnologia Terapêutica Recente e Medicina Tradicional destina-se a discutir a compatibilização dos métodos terapêuticos baseados na biotecnologia recente com aqueles empregados pela medicina tradicional, focalizando aspectos éticos, religiosos, legais e médicos.

A criação do grupo, que funcionará no biênio 2019-2020, foi aprovada pelo Conselho Deliberativo (CD) do IEA em dezembro de 2018.

A proposta foi apresentada ao CD pelo médico Silvano Raia, professor titular da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) do Instituto de Biociências (IB) da USP. Raio é o coordenador da iniciativa, que tem como vice-coordenadora a geneticista Mayana Zatz, professora titular do IB-USP e coordenadora do CEGH-CEL.

Responsável pelo primeiro transplante de fígado na América Latina Raia (1985) e pelo primeiro transplante de fígado intervivos do mundo (1988), Raia considera que a harmonia entre os métodos é mais urgentemente necessária na área dos transplantes.

O desenvolvimento do método de transplante intervivos — no qual a doação parte de um paciente vivo e saudável — remediou a escassez de órgãos, mas não trouxe a solução definitiva, já que muitas vezes o transplante causa a morte do doador, afirma Raia.

Um dos casos mais graves é a espera por transplante de rim. Em uma tentativa de superar a escassez de rins transplantáveis, Mayana e Raia conduzem no CEGH-Cel um projeto de viabilização do xenotransplante de rim. O método consiste na utilização de órgãos suínos em seres humanos. Segundo Raia, a rejeição do órgão pode ser evitada por meio de engenharia genética.

Ele lembra, entretanto, que o uso de órgãos de animais em seres humanos suscitará discussões éticas, religiosas, legais e médicas na sociedade. “Esforços terão que ser dirigidos para compatibilizar esse novo enfoque com os princípios da medicina tradicional.”

Além de Raia e Mayana, o grupo tem outros quatro membros permanentes: a geneticista e professora titular do IB-USP Maria Rita dos Santos e Passos Bueno e os médicos: Jorge Alberto Costa e Silva, presidente do Instituto Brasileiro do Cérebro (Inbracer); Jorge Elias Kalil Filho, professor titular da FMUSP e presidente do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da FMUSP; e Rodrigo Vianna, professor de cirurgia da Escola de Medicina da Universidade de Miami, EUA.

Há ainda cinco pesquisadores colaboradores: o filósofo Roberto Romano, professor titular da Unicamp; os pós-doutorandos do IB-USP Luciano Abreu Brito e Luiz Carlos de Caires Júnior; o padre, zoólogo e doutor em teologia moral Mário Marcelo Coelho, professor da Faculdade Dehoniana; e o doutorando do IB-USP Ernesto da Silveira Goulart Guimarães.

O grupo realizará reuniões bimestrais e seminários temáticos semestrais (com público ampliado e especialistas convidados). Para o fortalecimento das atividades e produção do grupo, seus pesquisadores pretendem elaborar um projeto de pesquisa a ser submetido a agências de fomento.

De acordo com Raia, há o interesse em desenvolver atividades concomitantemente àquelas realizadas pela Academia Nacional de Medicina (ANM) sobre o tema. Ele informa que a proposta de estudos paralelos foi aprovada pela ANM em março de 2018.

 

Foto: Gabriel Borda/Flickr