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Grupo de Estudos Neoliberalismo, Subjetivação e Resistências

por Fernanda Rezende - publicado 01/08/2019 16:16 - última modificação 01/08/2019 16:16

Manifestação no Largo da Batata, São Paulo

Texto de Mauro Bellesa - IEA/USP

O objetivo do Grupo de Estudos Neoliberalismo, Subjetivação e Resistências, cuja implantação no IEA foi aprovada pelo Conselho Deliberativo (CD) em reunião no dia 5 de abril de 2019, é examinar certas conjunturas e hipóteses acerca do que é o neoliberalismo, de forma a auxiliar na compreensão de determinadas dinâmicas políticas e sociais do Brasil contemporâneo.

Em sua abordagem, o neoliberalismo é compreendido não como uma doutrina política ou econômica, mas como um tipo de “racionalidade social” que incide tanto nas práticas institucionais objetivas quanto na constituição de subjetividades.

A proposta de implantação do grupo foi apresentada ao CD pelo cientista político Cicero Romão Resende de Araujo, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e integrante do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec), e pelo sociólogo Nilton Ken Ota, ex-professor da FFLCH-USP e atualmente pesquisador associado do Laboratório Sophiapol, ligado à Universidade Paris Nanterre, França.

O grupo terá duração de quatro anos e se beneficiará dos estudos que os mesmos pesquisadores vêm realizando desde 2018 como grupo de pesquisa formalizado no CNPq, sob a liderança de Araujo e Ota.

Cooperação

Com a finalidade de ter um diálogo acadêmico internacional, o grupo prevê uma interação periódica com o Sophiapol. A ideia desse relacionamento deve-se à existência no laboratório francês de um grupo de pesquisa com perspectiva teórica semelhante e com alguns tópicos de prospecção comparáveis aos do grupo do IEA.

De acordo com os dois pesquisadores, o neoliberalismo, considerado como racionalidade social, "normatiza dimensões institucionais bem como, especialmente, processos de subjetivação que buscam responder às novas exigências do capitalismo contemporâneo”.

Além do estudo teórico e empírico, o grupo pretende se debruçar sobre as múltiplas formas de resistência a essa racionalidade social, bem como sobre as ações políticas (movimentos sociais, novas formas de organização do trabalho e modalidades de engajamento da solidariedade associativa) que não só questionem a dinâmica social dominante em diferentes dimensões e composições, mas também apontam para visões e práticas alternativas.

O temário dos estudos inclui: políticas macroeconômicas, política públicas e instituições políticas; dinâmicas geopolíticas e comparação entre as reformas neoliberais no Brasil e em outros países; interação entre atores nacionais e internacionais na produção de novas formas de regulação e narrativas políticas; e as relações das instituições de ensino e da produção de conhecimento com a governamentalidade neoliberal.

Também terão destaque discussões sobre: as dinâmicas sociais e culturais e o enfraquecimento de atores coletivos e de solidariedade tradicionais; as linguagens morais e políticas e os discursos mobilizados tanto na afirmação da racionalidade neoliberal, quanto na crítica dessa racionalidade; os tipos e as formas de ação política (segmentação da política, políticas identitárias, coletivos, partidos, interseccionalidade) como resistência à governamentalidade neoliberal ou fortalecimento dela; mobilização de massa e novas modalidades de engajamento político; e crise das democracias contemporâneas.

Integrantes

Além de Araújo e Ota, também são membros permanentes do grupo: Belinda Mandelbaum, do Instituto de Psicologia (IP) da USP; Gabriela Nunes Ferreira, da Unifesp em Guarulhos; Adriana Nunes Ferreira e Simone Silva de Deos, ambas do Instituto de Economia (IE) da Unicamp; Márcia Pereira Cunha, do Sophiapol; e Ester Gammardella Rizzi e Cristiane Kerches da Silva Leite, as duas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da USP.

Os membros colaboradores são: Christian Laval e Pierre Dardot, ambos da Universidade Paris Nanterre; Henrique Parra, da Unifesp em Guarulhos; Fernando Rugitsky, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP; Alex Wilhans, do IE-Unicamp; e Pierre Sauvêtre, da Université Paris-Nanterre.