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Política Ambiental

por Sandra Sedini - publicado 10/04/2013 15:15 - última modificação 21/05/2013 10:33

Estuda os seguintes aspectos do ambiente urbano: a urbanidade hegemônica e periurbanidades, a espacialização e a estratificação da identidade, a inclusão excludente, a cultura da escassez, a pobreza e o consumismo.

Publico

O LAPSI (Laboratório de Psicologia Socioambiental e Intervenção) vem se constituindo em um espaço que desenvolve conhecimentos originais como produtos da implementação de projetos de investigação sobre  temáticas relativas a relações indivíduo-sociedade e cultura-técnica-ambiente. Vem sediando e gerando subsídios para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares de intervenção sobre problemáticas socioambientais, intervenções estas fundamentadas em projetos anteriores de pesquisa. Vem, ainda, desenvolvendo e sistematizando reflexões sobre o desempenho destes projetos no âmbito da formulação de políticas públicas, bem como sobre questões teóricas (científicas e filosóficas) e práticas (técnicas, políticas e éticas) a eles atinentes.

A fundação do Laboratório (1997) resultou da iniciativa de uma equipe de pesquisadores brasileiros e estrangeiros que se organizou com o intuito de oferecer condições científicas e político-institucionais para a promoção e a sistematização de resultados de investigações inscritos na ampla temática supra-indicada. Até então, esses resultados, no Brasil, vinham acontecendo de forma dispersa. Desta forma, em sua fundação, o Laboratório constituiu-se em uma iniciativa, inter-institucional e internacional, articuladora de propostas pré-existentes agrupadas em uma nova unidade de pesquisa. Em suas ações, o LAPSI passou também a oferecer programas de ensino em áreas correlatas, a desenvolver programas de organização de acervos de informação a elas atinentes e programas de consultoria predominantemente situados na problemática da intervenção socioambiental.

De importância fundamental para o sucesso na consecução de seus propósitos, vem sendo a confluência das atividades do LAPSI com os Programas em desenvolvimento pela Comissão Estadual de São Paulo do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC – UNESCO-SP). Esta confluência possibilitou a constituição de um núcleo de aprofundamento das atividades de pesquisa, ensino e extensão, que vinham se desenvolvendo, consolidando uma área de investigação em planejamento de intervenções (processos e produtos) sobre problemáticas socioambientais, sob o enfoque da teoria crítica.

Em 2008, a convite do Professor César Ades, constituiu-se um Grupo de Estudos em Psicologia Socioambiental, sediado no IEA, cuja estrutura apoiou-se sobre os trabalhos desenvolvidos pelo núcleo institucional (LAPSI-IBECC/UNESCO-SP) supra-referido. Sob tal perspectiva, o campo aberto pela criação do Grupo de Estudos no IEA, permitiu uma análise teórica aprofundada das implicações que subjazem à utilização indiscriminada dos termos Questão, Problemática e Crise Ambiental, bem como, dos termos Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável. Permitiu ainda a identificação de uma área temática original relacionada aos fundamentos teóricos e às implicações políticas, éticas e estéticas das concepções de Espaço-Mundo, especialmente às vinculadas à sua aritmo-geometrização e à matematização da natureza.

Como ponto de partida, assumiu-se o estudo da temática Psicologia Socioambiental e futuro, vista como uma totalidade, considerando-se que, a mesma, consistiria em uma heurística para a definição de um novo modelo de pensamento aplicado à construção de um ponto de vista superior de análise das questões ambientais. Este modelo tem como pressupostos que:

  • A Psicologia Socioambiental é uma Psicologia Social, considerada como um campo marginal e híbrido de conhecimento situado na confluência da Sociologia, da Psicologia, da Antropologia e da Psicanálise;
  • O paradigma eleito para nortear as investigações é o paradigma da Teoria Crítica, que considera indissociáveis a ação política e o exercício da pesquisa social;
  • As metas políticas dos estudos e investigações são norteadas pela busca de recuperação das vinculações necessárias entre identidade, política e ética;
  • A metodologia da pesquisa social pode envolver, quando necessário, a articulação entre métodos convencionais e a pesquisa-ação (conforme conceituada por Kurt Lewin);
  • A questão ambiental é compreendida como uma crise civilizatória, ou seja, como uma crise política que exige decisão; o ato de antecipação dessa decisão é sempre influenciado pelo enfoque eleito frente às alternativas oferecidas pela filosofia da história;
  • A crise ambiental – que é também mundial e política – constitui um fenômeno histórico da Modernidade, contextualizado por suas raízes coloniais e pós-coloniais;
  • O conhecimento gerado pela Psicologia Socioambiental deve fundamentar a compreensão da crise ambiental e subsidiar seu enfrentamento ético;
  • A Política Ambiental consiste na construção intencional, poética e compartilhada do futuro;
  • A crítica dos obstáculos à construção de uma Política Ambiental, conforme definido, considera a perda dos ideais iluministas ocorrida ao longo da Modernidade, inscrevendo-a no contexto dos processos coloniais; fundamenta-se, ainda, na desconstrução das implicações do conceito de desenvolvimento (econômico, político e social), visto como “sacrifício” de vanguardas;
  • A tríade “cultura-técnica-ambiente” forma uma imbricação de relações indissociáveis de causa e efeito que devem ser parte inerente da criação inovativa;
  • O exercício da invenção criativa, elemento fundamental na concepção da inovação e na planificação da intervenção, está condicionado pelas operações do imaginário, por sua vez influenciadas, desde sua gênese, por processos políticos;

 

Considera-se, então, que a Psicologia Socioambiental deve gerar conhecimentos sobre como se adapta o homem ao sistema-mundo e como este sistema-mundo se interioriza na subjetividade deste homem. Considera-se, ainda, que desvelar como se processa a interiorização das vivências, nas situações de espaço e tempo nas quais a história se constrói, facultará a condução estratégica da desnaturalização do tema ambiental, inscrevendo-o no processo histórico, sincrônica e diacronicamente. Tal desnaturalização apresenta-se condição essencial para a eliciação do que Habermas chama de “espaços de locução”, nos quais ocorreria a desinstrumentalização dos preconceitos, aí se incluindo os relativos às questões ambientais, possibilitando o engajamento coletivo em processos de construção intencional da organização humana no espaço, ou seja, na transformação da ação de intervenção em política ambiental.

Propõe-se, em síntese, que a confluência destas vertentes de atividades venha a se constituir em um Centro Articulador de Estudos e Investigações em Política Ambiental. Tal constituição, conforme exposto, expandiria a compreensão do objeto central do estudo em pauta, transferindo-o para um entendimento de sua centralidade em torno do tema Política Ambiental, aqui considerada como uma atividade política e técnica tendo como colimador utópico a construção intencional do futuro (Bardi, 1983), em escala local e global.