Amazônia 4.0

por Fernanda Rezende - publicado 18/01/2022 10:55 - última modificação 12/05/2022 10:34

AmazôniaMais de 30 anos após gerar o Projeto Floram, um dos mais ousados planos de reflorestamento do Brasil, o IEA encuba outra iniciativa que pode ajudar a reverter os danos ambientais causados pelo acelerado desmatamento da maior floresta tropical do mundo. O programa Terceira via Amazônica - Amazônia 4.0 é liderado por Carlos Nobre, Ismael Nobre, Maritta Koch-Weser, Adalberto Veríssimo e Maria Beatriz Bley Martins Costa, membros do Grupo de Pesquisa Amazônia em Transformação, do IEA. Nobre é também pesquisador colaborador do IEA. O projeto é uma parceria do IEA-USP com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com financiamento do Instituto Arapyaú.

Durante anos, alguns desses pesquisadores já vinham estudando, também no IEA, a viabilidade de se criar a Rainforest Business School, um projeto colaborativo em termos de desenvolvimento curricular e disseminação curricular e que teria como objetivo fomentar a sustentabilidade e identificar oportunidades para a valorização econômica da floresta tropical em pé.

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O Amazônia 4.0 é uma versão mais atualizada e robusta desse projeto. Ele engloba a Rainforest Business School e traz outras propostas. A iniciativa buscará promover “novas oportunidades de pesquisa, tecnologia e aprendizado para valorizar e proteger os ecossistemas amazônicos e para servir igualmente aos interesses das populações locais, povos indígenas e tradicionais, que são seus mantenedores”, de acordo com o projeto. Em outras palavras: irá aproveitar o valor da natureza por meio das oportunidades de mercado para produtos e serviços sustentáveis.

Produtos

Uma das formas de viabilizar a ideia é com a criação dos Laboratórios Criativos da Amazônia, que devem percorrer as comunidades florestais e ribeirinhas, cidades e universidades da região para promover a capacitação local, atribuições de direitos de propriedade intelectual e experimentação de diversos produtos e serviços exclusivos e economicamente competitivos. Quando saírem do papel, eles funcionarão como plataformas de teste e conectarão as populações locais com o conhecimento tradicional.

Ao desenvolver e incentivar a bioeconomia na Amazônia, espera-se gerar empreendedorismo local, bioindústrias diversificadas e produtos de valor agregado em todos os elos da cadeia de valor. “O princípio orientador do desenvolvimento de uma economia de floresta em pé com rios fluindo e sociedades sinérgicas não é ver a região como mero produtor de commodities primárias (agrícolas, madeireiras, minerais etc.) para insumos de indústrias em outros lugares, mas, sim, ter raízes profundas na sociobiodiversidade única da região amazônica como elemento fundamental e trazer benefícios para a população local”, explicam os idealizadores.

Agora inserida no Amazônia 4.0, a Rainforest Business School tem o IEA/USP como “incubadora” para a primeira fase de desenvolvimento. O centro futuro para funcionamento do sistema será localizado na Universidade do Estado do Amazonas, que por sua vez estabelecerá uma “colaboração acadêmica” com outros centros de ensino acadêmico e profissional de estados da Amazônia, outros países amazônicos e de outras regiões. O objetivo é que a escola forme acadêmicos, executivos e empreendedores; promova pesquisa aplicada; e idealize novos instrumentos financeiros e modelos de negócios, dentre outras ações.

A execução e governança do projeto não deve ser dos pesquisadores, mas de uma Autoridade de Bioeconomia Amazônica, a ser criada. Pela proposta, essa nova instituição poderia ser fruto de uma parceria público-privada, sujeita a avaliações constantes de seu desempenho e resultados.

O Amazônia 4.0 é uma proposta completa de política pública, que abarca não apenas a pasta de meio ambiente, mas atende a uma demanda real de se promover o desenvolvimento econômico da região Norte do Brasil.