Burnout: Quando é o Trabalho que Adoece - Sociedade do Desempenho, Esgotamento e Organização do Trabalho
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a 27/10/2026 - 16:30
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O crescimento do sofrimento mental relacionado ao trabalho e a crescente visibilidade do burnout colocam diante da sociedade brasileira uma questão que ultrapassa os limites da clínica e da experiência individual. Se cada vez mais trabalhadores se sentem exauridos, incapazes de se desligar do trabalho e permanentemente insuficientes diante das exigências de desempenho, é necessário perguntar não apenas por que as pessoas adoecem, mas o que há nas formas contemporâneas de organizar, controlar e valorar o trabalho que favorece esse adoecimento.
É a partir desse deslocamento do olhar que o Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora (IEA/USP) propõe o Seminário “Burnout: quando é o trabalho que adoece”, tendo como uma de suas referências provocadoras a reflexão de Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço. Seu conceito de “sociedade do desempenho” ajuda a compreender um paradoxo contemporâneo: a linguagem da autonomia pode conviver com novas formas de controle; a flexibilidade, com disponibilidade permanente; o empreendedorismo, com transferência de riscos para o indivíduo; e a liberdade, com processos de autoexploração. O imperativo do desempenho parece não ter ponto de chegada: sempre é possível produzir mais, responder mais rapidamente, atingir outra meta e superar novamente a si mesmo.
Nesse contexto, o burnout pode ser interrogado não apenas como problema individual, mas como possível indicador sentinela de formas socialmente insustentáveis de organizar o trabalho.
Quatro questões orientarão o Seminário
1. Burnout e sociedade do desempenho: por que estamos tão cansados?
O que é — e o que não é — burnout? Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), burnout é um fenômeno especificamente ocupacional, decorrente de estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado, caracterizado por exaustão, distanciamento mental/cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. A OMS ressalva que não se deve empregar o conceito para experiências ocorridas em outras esferas da vida. Qual sua magnitude e visibilidade no Brasil? Como compreender as relações entre desempenho, autoexploração, esgotamento e sofrimento mental? Estamos diante de indivíduos que não conseguem responder às exigências ou de exigências que estão se tornando humanamente insustentáveis?
2. As novas morfologias do esgotamento: quando o controle entra no sujeito.
Intensificação do trabalho, metas e avaliações permanentes, gestão algorítmica, inteligência artificial, hiperconectividade, teletrabalho, plataformas digitais, precarização, longas jornadas e dissolução das fronteiras entre trabalho e vida configuram novas formas de pressão e controle. Como autonomia, flexibilidade e desempenho podem converter-se em mecanismos de intensificação e autoexploração?
3. Os invisíveis da sociedade do desempenho: quem adoece e quem não aparece?
No Brasil, novas e antigas formas de exploração coexistem. A experiência do burnout não é a mesma para executivos, professores, profissionais da saúde, trabalhadores terceirizados, informais, rurais, domésticos ou de plataformas. O Seminário pretende, assim, “brasilianizar” criticamente a discussão, incorporando classe, gênero, raça, geração, território, informalidade e desigualdade. Quem adoece, quem consegue aparecer nas estatísticas e quem continua sofrendo sem ser visto?
4. Para além da sociedade do cansaço: transformar o trabalho.
Se os determinantes do sofrimento não estão exclusivamente no indivíduo, a prevenção também não pode terminar nele. Programas de bem-estar, resiliência e autocuidado podem ser úteis, mas são insuficientes quando permanecem intocadas as condições que produzem o adoecimento. O desafio é discutir jornadas, direito à desconexão, autonomia real, participação dos trabalhadores, riscos psicossociais, negociação coletiva, vigilância em Saúde do Trabalhador, responsabilidades das organizações, políticas públicas e regulação das novas tecnologias. Se é o trabalho que também adoece, o que precisamos transformar no trabalho?
Do cansaço à transformação
Dirigido a trabalhadores e suas organizações, sindicatos e movimentos sociais, pesquisadores, estudantes, profissionais de Saúde do Trabalhador e Saúde Mental, gestores, profissionais de Recursos Humanos e de Saúde e Segurança do Trabalho, integrantes do SUS, formuladores de políticas públicas e demais interessados nas transformações do mundo do trabalho, o Seminário pretende aproximar conhecimento acadêmico, experiência do trabalho real e construção coletiva de alternativas.
Mais do que discutir como tornar o trabalhador capaz de suportar o trabalho existente, o encontro propõe outra pergunta: como construir formas de trabalhar que coloquem a vida, a saúde e a dignidade de quem trabalha — e não a performance — no centro?
Inscrições
Evento público e gratuito | com inscrição prévia
Não haverá certificação
Transmissão ao vivo: canal do YouTube do IEA
Programação
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14h |
Abertura: Rene Mendes (IEA-USP) |
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14H10 |
Palestrantes e Debatedores: João Silvestre Silva-Junior (FM e IEA/USP Bruno Chapadeiro Ribeiro (ISC-UFF) (on-line) Hudson Mandotti de Oliveira (PUC-SP) Carolina de Moura Grando (SINDSEP/SP) |
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Mediadora: Frida Marina Fischer (FSP e IEA-USP) |
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16h30 |
Encerramento |