Diálogos Urbanos: Cotidiano e Violência
Detalhes do evento
Quando
a 22/06/2026 - 17:00
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A mesa “Cotidiano e Violência”, realizada no âmbito das atividades do Grupo de Estudos Teoria Urbana Crítica do IEA-USP, reúne contribuições de diferentes campos (geografia, planejamento urbano e direito) a fim de debater a violência como dimensão constitutiva da urbanização contemporânea. A partir de distintos enfoques, o debate mobiliza categorias da economia política e dos estudos urbanos críticos, para problematizar como a violência experimentada no cotidiano se imbrica a um conjunto de dispositivos institucionais e jurídicos que regulam a cidade. Abordando as dinâmicas de segregação socioespacial, expropriação da moradia, financeirização do espaço e normatização da vida cotidiana, as contribuições também apontam as contradições desses processos, nos quais a intensificação da mercantilização do espaço urbano convive com práticas de resistência e disputa pelo uso e apropriação da cidade.
Inscrições
Evento público e gratuito | com inscrição prévia
Não haverá certificação
Transmissão on-line: canal do YouTube do IEA
Organização
Programação
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14h |
Abertura: Ana Fani Alessandri Carlos (FFLCH e IEA-USP) |
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14h |
Apresentação 1 - Relação Centro-Periferia - Glória Alves (FFLCH e IEA-USP) A partir da relação centro periferia procura-se discutir as violências presentes no cotidiano das metrópoles brasileiras desvendando os processos de segregação socioespaciais fundantes do processo de reprodução capitalista. Visa problematizar como nessa relação há continuidades, descontinuidades e novos conteúdos desse processo. Nas continuidades temos a violência da falta de moradia, mobilidade urbana, acesso a bens e serviços; nas descontinuidades e novos conteúdos como a luta pela posse do solo urbano, via regulamentação fundiária e possível conquista da propriedade privada, contraditoriamente, também fazem parte do contínuo processo de despossessão . |
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Apresentação 2 - Renovação Urbana da Metrópole - Guilherme Petrella (Instituto da Cidade) A recente experiência de renovação urbana da metrópole de São Paulo tem evidenciado processos nos quais o Estado, por meio das políticas públicas sociais, urbanas e de segurança, torna-se o principal agente da expropriação do cidadão através da negação de sua moradia: seja pela remoção de mutuários, em função das dívidas de contratos de financiamento, seja pela expulsão de moradores, com a demolição de suas casas e apartamentos para a realização de um projeto urbano. Essa expropriação, que intensifica a precariedade da reprodução da força de trabalho no cotidiano, visa garantir a reprodução ampliada de frações do capital ligados aos setores imobiliário e financeiro. Nesse sentido, a violência da urbanização se apresenta nesses espaços que são produzidos através do conflito social. Nessa fala, o cotidiano e a violência da urbanização serão apresentados por meio de duas experiências. A primeira, Cidade Tiradentes, o maior conjunto habitacional da América Latina, onde a renegociação de antigos contratos de financiamento, que incorporam o instrumento de alienação fiduciária, tem empreendido a remoção de seus moradores e a subsequente comercialização dessas unidades habitacionais. Essas dívidas constituem um fundo público de investimento que serve de recurso para privatizações e concessões de outros serviços e equipamentos públicos municipais. A segunda, a construção do Centro Administrativo do Governo do Estado de São Paulo, nos Campos Elíseos, região central da cidade, pressupõe a demolição de cinco quarteirões ocupados por moradias (cortiços, pensões, ocupações e propriedades privadas), equipamentos e infraestruturas públicas. Uma construção ser realizada por meio de parceria público privada, destinada a uso público mediante o aluguel. |
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Apresentação 3 - Urbanização Contemporânea - Rafael Pádua (UFPB) No momento atual da ideologia neoliberal comandando a produção hegemônica da cidade (político e econômico), é necessário ver como a urbanização contemporânea se realiza concretamente na vida cotidiana da classe trabalhadora empobrecida, quando a gestão político-econômica do espaço urbano atravessam/transformam os espaços da vida de toda a sociedade, impondo cada vez mais mediações mercantis para seu uso, impondo a propriedade privada da terra como norma fundamental. Ao privilegiarmos o nível do social para apreender esse processo, revela-se no cotidiano das comunidades, periferias e favelas como violência da própria urbanização contemporânea com o avanço do espaço-mercadoria como lógica central da produção da cidade (a tendência de destruição de espaços de reprodução da vida), mas, contraditoriamente, também se revelam as lutas pelo espaço e os lugares da cidade como produtos/obras concretas de um processo de apropriação do espaço para a reprodução da vida. |
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Apresentação 4 - Normalização da Violência e a Violação da Normalidade - Álvaro Pereira (Unifesp) A normalização da violência e a violação da normalidade: o direito como dispositivo de programação da vida cotidiana. A vida cotidiana na cidade contemporânea é permeada por camadas normativas que prescrevem comportamentos e moldam imaginários, estabelecendo fronteiras entre o legal e o ilegal, o permitido e o proibido, o admissível e o inadmissível. A economia da violência física e simbólica, mediada pela incidência seletiva da norma jurídica sobre a vida cotidiana, tem como ponto de partida a ficção socialmente partilhada do monopólio legítimo do uso da força pelo Estado. A violência concentrada e monopolizada apresenta-se como mecanismo de efetivação de um programa político inscrito no ordenamento jurídico. A construção social da noção de normalidade, mediada pela criação e operação de categorias jurídicas, organiza a leitura e autoriza a intervenção na vida cotidiana a partir de uma gramática centrada na prescrição e imposição de padrões. A multiplicidade de usos e práticas da vida cotidiana, ao se desviarem do referente abstrato estabelecido pela norma jurídica, são significados como violações ao que se apresenta como normal, autorizando o emprego da violência do aparato estatal como resposta. A imposição física e simbolicamente violenta da normalidade incide sobre a vida cotidiana de formas variadas, interditando usos, suprimindo relações sociais e modos de existência, bem como confinando horizontes emancipatórios ao imaginário de possível convencionado em declarações de direitos. |
| Mediação: Beatriz Rufino (FAU-USP) | |
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16h30 |
Debate e Encerramento |