Resgatar a Função Social da Economia e Garantir o Pão nosso de cada Dia
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a 25/08/2026 - 16:30
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Como recolocar a economia a serviço da sociedade, da dignidade humana e da vida?
Esta é a questão central que orientará a palestra do economista e professor Ladislau Dowbor, promovida pelo Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora do IEA, articulando as reflexões desenvolvidas em duas de suas obras: Resgatar a Função Social da Economia: uma questão de dignidade humana e O Pão Nosso de Cada Dia: opções econômicas para sair da crise.
Mais do que dois temas distintos, os livros podem ser compreendidos como partes de uma mesma reflexão. O primeiro procura compreender como a economia contemporânea se transformou e quais são hoje os mecanismos de concentração de riqueza e poder; o segundo pergunta que caminhos podem ser construídos para que a economia volte a responder às necessidades fundamentais da sociedade.
Em Resgatar a Função Social da Economia, Dowbor analisa uma transformação estrutural do capitalismo contemporâneo. A revolução digital, a expansão da economia imaterial, a conectividade global, o dinheiro virtual e a precarização do trabalho modificaram profundamente as formas de produção e, sobretudo, os mecanismos de apropriação da riqueza social. O poder econômico desloca-se progressivamente dos tradicionais centros industriais para grandes corporações financeiras, plataformas digitais e sistemas globais de intermediação da informação, da comunicação, do conhecimento e do dinheiro.
Não se trata, portanto, apenas de uma mudança tecnológica. Trata-se de uma transformação econômica, social, política e cultural de grande profundidade, que ajuda a compreender a concentração extraordinária de riqueza, a ampliação das desigualdades, a precarização do trabalho e a crescente distância entre a produção das riquezas e sua apropriação social.
Diante desse cenário, uma pergunta torna-se inevitável: para que — e para quem — deve funcionar a economia?
É precisamente nesse ponto que O Pão Nosso de Cada Dia complementa e prolonga a reflexão. Se os mecanismos econômicos predominantes são incapazes de assegurar a parcelas expressivas da população condições básicas de existência, torna-se necessário recuperar o sentido elementar da atividade econômica: organizar os recursos, as capacidades produtivas e as instituições da sociedade para garantir condições dignas de vida para todos.
O “pão nosso de cada dia” assume, assim, significado simultaneamente concreto e simbólico. Refere-se à alimentação, mas também ao emprego, à renda, à moradia, à saúde, à educação, à proteção social e às demais condições necessárias para uma existência digna. A economia deixa de ser compreendida apenas por indicadores financeiros abstratos e volta a ser interrogada a partir de seus resultados sobre a vida cotidiana das pessoas.
Dowbor propõe, nessa perspectiva, alternativas voltadas à ativação do mercado interno e do poder de compra das famílias, à recuperação do financiamento produtivo, ao fortalecimento dos bancos públicos e cooperativos, à descentralização de recursos, ao planejamento democrático do desenvolvimento e à valorização das políticas sociais. Em lugar de uma economia subordinada predominantemente à lógica financeira e rentista, emerge a defesa de uma economia socialmente orientada, democraticamente regulada e comprometida com o bem-estar coletivo.
É justamente na articulação entre essas duas dimensões — compreender os novos mecanismos de exploração e construir alternativas socialmente desejáveis — que a palestra de Ladislau Dowbor encontra profunda convergência com os propósitos do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora.
Observar criticamente as transformações contemporâneas significa não apenas identificar mudanças tecnológicas, econômicas e organizacionais, mas perguntar quem ganha, quem perde e quais consequências essas transformações produzem sobre o trabalho, a vida, a saúde e a dignidade da classe trabalhadora. Significa, igualmente, reconhecer que a crítica do presente somente alcança todo o seu sentido quando ajuda a abrir possibilidades de futuro.
Nesse sentido, o evento propõe um movimento intelectual e político particularmente oportuno: do diagnóstico das transformações do capitalismo à construção de alternativas; da economia como mecanismo de acumulação à economia como instrumento de organização da vida coletiva; da riqueza concentrada à dignidade compartilhada.
Ao reunir as reflexões de Resgatar a Função Social da Economia e O Pão Nosso de Cada Dia, Ladislau Dowbor nos convida, em última análise, a recuperar uma pergunta tão simples quanto fundamental: se a economia é uma construção social, por que não organizá-la para que esteja efetivamente a serviço da sociedade?
Uma questão que dialoga diretamente com a razão de ser do Observatório: compreender criticamente o presente para contribuir para a construção de formas socialmente justas, saudáveis e sustentáveis de produzir e reproduzir a vida — afirmando a dignidade humana e o direito à vida plena.
Abertura:
René Mendes (coordenador do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora do IEA)
Mediador:
Laerte Fedrigo (Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora do IEA)
Palestrante:
Ladislau Dowbor (PUC-SP)
Debatedora:
Marilane Teixeira (IE-Unicamp)
Transmissão:
Acompanhe a transmissão do evento pelo canal do YouTube do IEA
Inscrições
Evento público e gratuito | Com inscrição prévia
Não haverá certificação