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Especialistas discutem a regulação de bioinsumos em evento do INCT Tríplice Monotonia Agroalimentar

por admin - publicado 23/04/2026 09:00 - última modificação 22/05/2026 12:12

por Murilo Bomfim

No dia 22 de abril, especialistas se reuniram no Instituto Biológico (IB), em São Paulo, para o evento “A Regulação dos Bioinsumos: Um Caminho para Destravar a Transição do Sistema Alimentar”. Iniciativa do INCT Superar a tríplice monotonia do sistema agroalimentar (sediado no IEA), o encontro foi organizado em parceria com o Instituto Folio e o IB.

A primeira fala foi feita por Eduardo Martins, diretor executivo do Grupo Associado de Agricultura Sustentável. Martins abordou o contexto que possibilitou a criação da Lei dos Bioinsumos no Brasil — algo pouco provável em um país que se configura como o maior usuário de agrotóxicos no mundo. Segundo o biólogo, vários fatores possibilitaram o avanço, entre eles uma base conceitual construída por pesquisadores como Ana Primavesi e José Lutzenberg que veem a agricultura como um sistema biológico. Martins destacou, ainda, que os bioinsumos têm funções que vão além do controle: nutrem as plantas, aumentam a resiliência dos cultivos e fomentam a saúde e a funcionalidade dos microbiomas.

Na sequência, Ana Eugênia de Carvalho Campos apresentou a história e o presente do IB, onde atua como diretora-geral. Ela contou que o Instituto teve início na década de 1920, quando alguns pesquisadores foram a Uganda identificar uma microvespa que parasitava a chamada broca-do-café, praga que causou uma crise na cafeicultura da época. Bem-sucedido, este foi um dos primeiros casos de controle biológico registrados no Brasil. Depois disso, o IB seguiu suas atividades e, hoje, mantém coleções biológicas estratégicas para o controle de pragas. Para Ana Eugênia, a regulação nesse cenário é essencial. “A regulação não deve apenas controlar o risco, mas permitir que a biologia expresse o seu potencial no campo”, disse.

Já no campo do desenvolvimento e da aplicação de tecnologias relacionadas aos bioinsumos, Cristhiane Oliveira Amâncio, diretora do Centro Nacional de Pesquisa em Agrobiologia da Embrapa, apresentou a Rede Nacional de Inovações e Disseminação em Bioinsumos para Agricultura Familiar. A iniciativa envolve diversas unidades da Embrapa, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Federal de São Paulo e as universidades federais de São Carlos, de Goiás, do Oeste do Pará e do Pampa.

A Rede tem como compromisso o fomento, a produção, o desenvolvimento, o controle de qualidade e a adoção de inovações tecnológicas em bioinsumos adequadas às distintas realidades da Agricultura Familiar. Nesse contexto, os objetivos da coalizão envolvem ampliar o acesso a bioinsumos tendo em vista a promoção da transição agroecológica para a agricultura familiar e assessorar a implantação de empreendimentos coletivos para a produção de bioinsumos, entre outros propósitos.

O evento contou, ainda, com a participação de Eduardo Pagot (MDA), Frédéric Goulet (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento, da França) e João Abbud (UnB). Veja a gravação do evento na íntegra.