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IEA e Google lançam Cátedra IA Responsável para pensar rumos éticos e inovadores da tecnologia no Brasil

por Fernanda Rezende - publicado 03/12/2025 12:00 - última modificação 16/12/2025 12:02

Cerimônia de lançamento no dia 2 de dezembro empossou o primeiro titular, Carlos Américo Pacheco

Carlos Américo Pacheco - 02/12/2025
O engenheiro e economista Carlos Américo Pacheco, primeiro titular da cátedra
O IEA e o Google lançaram nesta terça-feira (2 de dezembro) a Cátedra IA Responsável, dedicada a pesquisar, debater e propor caminhos para o desenvolvimento ético, seguro e inovador da inteligência artificial no país. Durante a cerimônia, realizada na Sala do Conselho Universitário da USP, o engenheiro e economista Carlos Américo Pacheco tomou posse como primeiro titular da iniciativa. Assista o vídeo do evento na íntegra.

A criação da cátedra marca um esforço conjunto da universidade e da empresa para enfrentar um dos debates mais decisivos da atualidade: como desenvolver e usar inteligência artificial de forma ética, segura e inclusiva, sem bloquear o potencial de inovação.

Em seu discurso de posse, Pacheco destacou a urgência em debater o futuro da humanidade diante da “transformação avassaladora” promovida pela IA. Para ele, responsabilidade significa garantir segurança, privacidade, mitigação de riscos e governança robusta. Com o objetivo de construir conhecimento que ilumine escolhas políticas, tecnológicas e sociais, o primeiro ano da cátedra estará organizado em quatro frentes de atividades:

  1. Regulação e sandbox regulatório – discutir modelos internacionais, equilibrar controle e inovação e negociar com USP e Google um arcabouço jurídico para experimentação.

  2. Mercado de trabalho – analisar impactos sobre postos, renda e qualificações, além de mapear talentos e propor ações de formação.

  3. Mapeamento de incidentes – criar parcerias com instituições e imprensa para formar um observatório que dê concretude ao debate sobre IA responsável.

  4. Startups e políticas de apoio – acompanhar o ecossistema empreendedor e propor iniciativas específicas.

“Será um trabalho intenso, mas gratificante, se soubermos corresponder às expectativas da USP, do Google e, quem sabe, do Brasil”, afirmou. Leia o discurso na íntegra.

O primeiro titular da Cátedra IA Responsável

Carlos Américo Pacheco é professor aposentado do Instituto de Economia e do Instituto de Geociências da Unicamp e integra o Conselho Diretor do Advanced Instituto for Artificial Intelligence (AI2), um consórcio de pesquisadores de diferentes áreas da inteligência artificial (IA) sediado em São Paulo, SP. Seu trabalho em IA se insere no contexto de suas pesquisas sobre tecnologia e inovação. Outros temas a que se dedica são economia urbano-regional e economia industrial.

Graduado em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), especializou-se em política científica e tecnológica com bolsa do CNPq e tornou-se mestre e doutor em ciência econômica pela Unicamp, tendo realizado pesquisa de pós-doutorado na Universidade Columbia, EUA.

Em paralelo à sua carreira na docência e pesquisa, Pacheco tem atuado desde o final dos anos 90 como gestor ou conselheiro de instituições de pesquisa, agências de fomentos e órgãos governamentais federais e paulistas, sobretudo na área de ciência, tecnologia e inovação.

Foi secretário executivo do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e presidente do Conselho de Administração da Finep, secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, reitor do ITA, diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e diretor presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fapesp.

por Mauro Bellesa

Regulação, diversidade e inovação como eixos centrais

Na avaliação da diretora do IEA, Roseli de Deus Lopes, a parceria com uma empresa da dimensão do Google permite investigar, desde o processo de concepção tecnológica, como evitar efeitos colaterais e antecipar problemas. Ela lembrou que inovações carregam consequências difíceis de prever – positivas e negativas – e que temas como impacto no mercado de trabalho, questões étnicas e desigualdades regionais precisam ser enfrentados de forma sistemática. Roseli defende modelos regulatórios flexíveis, como sandboxes, para evitar que o excesso de regras iniba a inovação nacional.

Essa preocupação dialoga com o que destacou o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, ao defender uma abordagem simultaneamente responsável e ousada para a internet e para o desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, o Brasil só dará um salto quando deixar de ser mero consumidor e se tornar produtor de tecnologias de ponta. Isso exige diversidade, afirmou: “Se você constrói tecnologia para todos, precisa conversar com todos.” Para Coelho, a cátedra tem potencial de funcionar como catalisadora de novas “ilhas de excelência” no país.

IA como mudança de época

O coordenador acadêmico da cátedra, Glauco Arbix, argumentou que a inteligência artificial está provocando uma mudança de época. Ao reduzir o “custo da cognição”, a tecnologia se infiltra em áreas antes reservadas exclusivamente aos humanos, remodelando economia, ciência, artes, geopolítica e relações sociais, segundo Arbix.

Ele rejeita o determinismo tecnológico e afirma que o rumo da IA está em disputa. Nesse cenário, a universidade tem papel vital: discutir riscos, elaborar políticas, conectar atores e ampliar a capacidade do país de desenvolver sua própria tecnologia. Arbix sustenta que esta é uma corrida que o Brasil não pode perder – razão pela qual buscou no Google, “uma liderança global”, uma parceria estratégica. Leia o discurso na íntegra.

Um projeto para aproximar Estado, ciência e indústria

Ao saudar a iniciativa, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, afirmou que a cátedra cria “uma oportunidade única” de unir governo, academia e setor privado pela construção de uma IA “não apenas inteligente, mas sábia, justa e profundamente brasileira”.

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr., reforçou que o modelo de cátedras tem revitalizado a instituição ao reunir especialistas externos e a comunidade universitária em torno de desafios de interesse público. Para ele, a nova cátedra oferece justamente esse ambiente de pensamento interdisciplinar e renovador.

Um marco para o debate nacional

O lançamento da Cátedra IA Responsável marca um movimento estratégico da universidade e do Google para qualificar o debate brasileiro sobre inteligência artificial, combinando pesquisa, formulação de políticas, regulação e inovação. A expectativa é que o novo espaço se torne referência nacional na articulação entre tecnologia, sociedade e democracia.

 



Estiveram presentes no evento, dentre muitas outras autoridades:

  • Adrian G Lavalle, presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e professor da FFLCH/USP
  • Alex Freire, diretor de Engenharia do Google
  • Aluísio Segurado, eleito e nomeado reitor da USP para o período 2026-2030, pró-reitor de Graduação
  • Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde
  • Anna Lana, pró-reitora de Inclusão e Pertencimento da USP
  • Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos
  • Carlos Eduardo Freire, diretor do Centro de Ciência de Dados para Estatísticas Públicas (CCDEP)
  • Clara Ant, assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
  • Daniel Arbix, diretor jurídico do Google
  • Demi Getschko, diretor-presidente do Nic.br
  • Fabio Cozman, diretor do Center for Artificial Intelligence - C4AI/USP
  • Fernanda De Negri, secretária de Ciência Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde
  • Fernanda Delmas, diretora de Redação no Valor Econômico
  • Francisco Gaetani, secretário(a) extraordinário(a) para a Transformação do Estado no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
  • Hartmut Glaser, secretário executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)
  • Almirante Ilques Barbosa, comandante da Marinha entre 9 de janeiro de 2019 e 9 de abril de 2021
  • José Renato Nalini, secretário de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo
  • Maria Arminda N Arruda, vice-reitora da USP
  • Paulo Nussenzveig, pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP
  • Rodrigo T Calado, pró-reitor de Pós-Graduação da USP
  • Virgílio Almeida, titular da Cátedra Oscar Sala (IEA e CGI)