INCT integra discussão sobre projeto de lei para rotulagem de ultraprocessados
Por Giselle Soares
Foi protocolado na última terça-feira (26) na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL 2599/26), de autoria do deputado federal Paulo Teixeira, que propõe novas categorias de rotulagem frontal de alimentos no Brasil, incluindo a identificação de produtos ultraprocessados e de alimentos com edulcorantes (adoçantes artificiais).
Pesquisadores e representantes de instituições ligadas à nutrição, saúde pública e defesa do consumidor participaram da apresentação da iniciativa, entre elas o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Superar a Tríplice Monotonia do Sistema Agroalimentar, sediado no IEA, além do Nupens/USP e do Instituto de Defesa do Consumidor. O INCT e o Nupens proporcionaram suporte técnico-científico para a elaboração da proposta. O Nupens é referência internacional em pesquisas sobre ultraprocessados e participou do desenvolvimento da classificação NOVA.
Entre os principais pontos do projeto de lei estão:
● a inclusão de advertência sanitária obrigatória a fim de identificar a presença de ultraprocessados nos rótulos;
● a sinalização da presença de edulcorantes;
● a definição de novos parâmetros para o uso e posicionamento da rotulagem frontal já adotada no país.
A proposta busca ampliar o acesso da população a informações sobre a composição dos alimentos e seus possíveis impactos à saúde.
Mariana Levy, que integra o programa de pós-doutorado da Faculdade de Direito da USP e é pesquisadora do INCT, ressaltou a importância da aproximação entre produção científica, processo legislativo e formulação de políticas públicas. “O projeto de lei evidencia como os resultados da pesquisa científica podem contribuir para os debates regulatórios com impacto para a saúde pública e para a transformação do sistema agroalimentar no Brasil”, afirmou.
Para Ana Paula Bortoletto, do Nupens/USP, a proposta dialoga com evidências científicas recentes e com recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira.
Estudos nacionais e internacionais sistematizados na série especial da revista científica Lancet de 2025 apontam associações entre o consumo elevado de ultraprocessados e o aumento do risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e alguns tipos de câncer.