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IEA publica livro focado em pesquisas e reflexões sobre os direitos humanos das mulheres

por Joao Pedro Teles Galante - publicado 03/06/2026 14:35 - última modificação 03/06/2026 14:32

Capa do livro - Direitos Humanos das Mulheres - 03/06/2026O livro “Direitos Humanos das Mulheres: Práticas, Pesquisas e Reflexões”, editado pelo IEA, acaba de ser lançado no Portal de Livros Aberto da USP. A obra explora a atuação da Clínica de Direitos Humanos das Mulheres da USP para desenvolver ações de extensão, ensino e pesquisa sobre o tema. O projeto é uma parceria entre o Grupo de Pesquisas Grupo de Estudos e Pesquisas das Políticas Públicas para a Inclusão Social (GEPPIS, da EACH-USP) e o Laboratório de Direitos Humanos (FDRP-USP), com o apoio do grupo nPeriferias, do IEA.

O objetivo da obra é apresentar ao leitor diversas reflexões, práticas e pesquisas que a Clínica realizou desde o seu surgimento em 2020, inclusive durante o período de pandemia. “Os conhecimentos e ações desenvolvidos pela Clínica contribuem para que mais mulheres se sintam empoderadas para reivindicar direitos, assegurar a sua efetivação, protegerem a si mesmas e demandar novos direitos do poder público”, escreve na introdução Gislene Aparecida dos Santos, coordenadora do livro e do projeto. Além dela, contribuíram com o livro outras 17 pesquisadoras de diversas instituições.

De acordo com Juliana Fontana Moyse, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento e Combate à Violência Doméstica contra a Mulher (NEV-Unifafibe) e autora do capítulo “Quem éramos antes, quem somos agora: Impactos da Clínica de Direitos Humanos nas mulheres participantes”, o projeto nasce com o objetivo de produzir conhecimento junto às mulheres vítimas de vulnerabilidade social sobre seus direitos, a partir de suas vivências e realidade.

“Mais do que disseminar um conhecimento pronto, como em um curso  em  que  às  participantes  restaria  um  papel  majoritariamente  passivo,  queríamos conduzir uma experiência de aprendizado em que pudéssemos construir conhecimento o mais horizontalmente possível” , diz Juliana.

Construção do livro

O livro contém 14 capítulos, além de quatro apêndices e um anexo no final da obra. Nesses capítulos, estão presentes diversos temas e projetos que tiveram atuação da clínica, como a disputa por direitos das mulheres em espaços diversos, a criminalização do aborto por uma perspectiva feminista e o projeto  “Haiti é Aqui”, desenvolvido para entender e compreender as demandas, dificuldades e anseios enfrentados pelas mulheres imigrantes haitianas no Jardim Keralux, bairro pertencente à periferia leste da cidade de São Paulo.

Gislene Aparecida dos Santos - 03/06/2026
Gislene Aparecida dos Santos

O último capítulo traz uma entrevista com a professora Njoki Wane, uma das referências teóricas do livro. As páginas apresentam sua experiência acadêmica e relatam o modo como Wane ensinava as alunas e estudantes de intercâmbio que participaram do projeto “Estratégias construídas por mulheres negras no Brasil e no Canadá: educando para o enfrentamento da discriminação por gênero e raça”, cujo objetivo é investigar se as mulheres negras possuem estratégias de enfrentamento que as capacitem para lidar com a discriminação racial, mesmo em realidades diferentes, como são as do Brasil e do Canadá.

Os apêndices do livro tratam o tema da menstruação, destinado principalmente ao público jovem, e explica o que é esse processo biológico natural que se inicia, normalmente, com as mulheres na adolescência. Além de ensinar sobre o ciclo em si, aborda higiene feminina, preconceito, ausência de direitos, desafios raciais e inclusão social.

O anexo do livro é dedicado à questão do aborto no Brasil, principalmente o fato deste permanecer considerado um “crime contra a vida” no país. São debatidos os obstáculos jurídicos existentes na legislação brasileira e seus impactos às mulheres pertencentes a classes socioeconômicas vulneráveis, que são as mais afetadas por esse problema.

Segundo Gislene, o projeto cumpriu, e segue cumprindo, a missão de formar profissionais, pesquisadoras e pesquisadores atentos e sensíveis a questões sociais e que “assumam o compromisso necessário de trabalhar por um mundo justo, orientado por valores como a equidade, a não opressão, a solidariedade e o respeito aos direitos humanos”.