Novo livro aborda a relação entre a desigualdade e a violência dentro do espaço urbano
A dinâmica contraditória que leva a lutas urbanas e desigualdade no espaço urbano contemporâneo é o tema dos 12 textos que formam o livro “Cotidiano, Espaço Urbano e Desigualdade: As Múltiplas Faces da Violência”, editado pelo IEA e publicado este mês no Portal de Livros Abertos da USP. Baseada em conceitos da sociologia, geografia e urbanismo, a obra lança um olhar sobre o futuro da sociedade, a partir da análise de um cotidiano que destitui a sociedade da cidade.
Os 13 autores pertencem ao Grupo de Estudos de Teoria Urbana Crítica do IEA, coordenador pelas professoras Ana Fani Alessandri Carlos e Cibele Saliba Rizek. “A estratégia é pensar a sociedade urbana periférica e contraditória, reintegrando o possível no real, a partir do conhecimento crítico que reconhece como a cidade tem sido construída, transformada e destruída. É dentro dessa perspectiva e tradição crítica que se situa esta coletânea.”, afirmam.
Estrutura do livro
Organizados em duas partes, os textos analisam situações do cotidiano pela lente de diversas disciplinas. Os trabalhos são resultado de debates interdisciplinares promovidos entre os membros do grupo de estudos no último ano. Tais encontros tiveram como nexo e motor as possibilidades de desvendamento do urbano em sua totalidade, encontrando pontos comuns e divergentes entre as pesquisas e as investigações realizadas.
Na primeira parte, são discutidas questões de caráter teórico voltadas à recuperação e atualização de alguns dos principais marcos conceituais do debate envolvendo a configuração da zona urbana. “A produção do espaço é social, mas sua apropriação é privada”. Os textos se sucedem a partir dessa contribuição de Ana Fani A. Carlos, cuja compreensão e análise do cotidiano revela uma contradição fundamental para explicar a desigualdade que funda a sociedade capitalista
Compondo a segunda parte da coletânea, estão presentes sete escritos críticos sobre o neoliberalismo e à financeirização na produção do espaço. Os autores discutem como a expansão do capital financeiro, as privatizações, a regularização fundiária e a valorização imobiliária transformam as cidades em espaços orientados pela lógica da acumulação, levando à crescente subordinação do espaço urbano aos interesses do mercado.
Para os autores, as mudanças e os deslocamentos das estruturas urbanas são permeadas por processos e estratégias subordinadas à lógica financeira, em detrimento do bem-estar social. Eles avaliam que esta dinâmica, associada à crescente desconexão entre as necessidades da acumulação capitalista e as garantias das esferas básicas da reprodução da vida, exacerba a desigualdade no espaço inteiro.