Exibido na Mostra Ecofalante, documentário sobre o Tietê é desdobramento de pesquisa realizada no IEA
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O documentário “Tietê: Águas Verdadeiras”, dirigido pelo cineasta Rodrigo Campos, estreia oficialmente na 15ª Mostra Ecofalante no próximo dia 4 de junho, às 15h, na Reserva Cultural, em São Paulo. A obra integra uma trajetória de pesquisa, criação artística e ação socioambiental desenvolvida por Victor Kinjo (nome artístico de Victor Uehara Kanashiro), cantor, compositor e pesquisador vinculado à Rede Saúde Planetária Brasil, sediada no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP), onde coordena o Grupo de Trabalho Interdisciplinar Arte e Saúde Planetária.
A estreia ocorre como parte da programação da Mostra Ecofalante, um dos principais festivais de cinema socioambiental da América Latina. Após a sessão, será realizada a roda de conversa “Como Regenerar o Rio Tietê”, reunindo pesquisadores, artistas, lideranças socioambientais, representantes da sociedade civil e do poder público para discutir caminhos para a recuperação dos rios paulistas diante dos desafios climáticos e ambientais contemporâneos. O filme também será exibido nos dias 7 e 10 de junho, às 15h, no Centro Cultural São Paulo. Todas as sessões são gratuitas.
“Tietê: Águas Verdadeiras” dialoga com investigações iniciadas por Kinjo durante seu pós-doutorado no Centro de Síntese USP Cidades Globais do IEA-USP, dedicado aos desafios do rio Tietê e às contribuições das artes para uma governança ambiental regenerativa. A pesquisa foi desenvolvida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e incluiu estudos sobre cultura e ação socioambiental em experiências internacionais de regeneração, como o Rio Hudson, em Nova York, e o Rio Funan, em Chengdu, na China, realizados durante estágio de pesquisa na New York University Tisch School of the Arts.
Parte desse percurso resultou na canção e no videoclipe “Vem Pro Rio”, produzidos como desdobramento artístico da pesquisa de pós-doutorado e lançados em seu álbum Terráqueos (YB Music, 2022). O videoclipe registrou uma expedição da nascente à foz do rio Tietê e constituiu uma das experimentações da metodologia de pesquisa-ação baseada em artes desenvolvida por Kinjo, articulando música, audiovisual e etnografia dos rios.
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Tietê: Águas Verdadeiras Direção: Rodrigo Campos Mostra Ecofalante Roda de conversa Sessões adicionais Entrada gratuita |
A pesquisa também resultou na publicação da Agenda de Políticas Públicas “Propostas para a Regeneração do Rio Tietê: por uma nova cultura das águas”, lançada em coautoria com o professor Pedro Roberto Jacobi (IEA/IEE-USP), supervisor do pós-doutorado. O documento reúne recomendações relacionadas à governança dos rios, ciência cidadã, educação ambiental, cultura, reflorestamento, agricultura sustentável e direitos da natureza, articulando experiências observadas em São Paulo e em outras cidades do mundo.
“Tietê: Águas Verdadeiras” amplia essa investigação para a linguagem cinematográfica, incluindo memória, saberes ancestrais, mobilização comunitária e educação ambiental. O filme acompanha Victor Kinjo e o pescador José Carlos de Souza, conhecido como Zé Macumba, em uma travessia marcada por encontros com moradores, artistas, pesquisadores e ativistas.
Entre as diversas vozes presentes na narrativa, uma das mais importantes é a do próprio rio Tietê, interpretado pela atriz Waleska Firmino. Ao transformar o rio em personagem, a obra convida o público a refletir sobre a história ambiental paulista a partir da perspectiva das águas, das comunidades ribeirinhas e dos ecossistemas que resistem às transformações provocadas pela urbanização e pelas grandes obras de infraestrutura.
Produzido pela Itapeti Filmes com apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Mogi das Cruzes (LIC), o documentário também aborda a biodiversidade do rio, entrevistando o professor Alexandre Hilsdorf, da Universidade de Mogi das Cruzes, especialista na ictiofauna do Tietê, e evidenciando a importância da conservação dos ecossistemas aquáticos para a vida na água.
A estreia do documentário coincide também com o início do projeto Jovem Pesquisador FAPESP “Artes Performativas, Saberes Ancestrais e Saúde Planetária: contribuições transdisciplinares para uma cultura da regeneração”, liderado por Kinjo no Instituto de Artes da UNESP (IA-UNESP). O projeto integra a Rede Saúde Planetária Brasil, coordenada pelo professor António Mauro Saraiva no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP). Em 2021, a rede participou da elaboração da “Declaração de São Paulo sobre Saúde Planetária”, publicada na revista The Lancet Planetary Health em parceria com a Planetary Health Alliance. O documento propõe recomendações voltadas a governos, universidades, escolas, artistas, pesquisadores, empresas e organizações da sociedade civil para enfrentar os desafios interligados das crises climática, ambiental e social.
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Arte, Ciência e Saúde Planetária
Segundo Victor Kinjo, a regeneração do rio Tietê exige uma abordagem integrada que articule saneamento, educação, cultura, ciência, participação social, justiça climática, saúde e governança socioambiental.
“O rio Tietê não é apenas um recurso hídrico. Ele é um território vivo, atravessado por histórias, saberes, memórias e relações ecológicas. Regenerar o Tietê significa também regenerar nossa relação com as águas, fortalecendo uma cultura de cuidado, pertencimento e responsabilidade compartilhada.”
Nesse contexto, o documentário pode ser compreendido como uma iniciativa que articula arte, audiovisual, pesquisa transdisciplinar, saberes ancestrais, produção cultural, educação ambiental e participação social, contribuindo para ampliar o debate público sobre a recuperação dos rios paulistas e a construção de uma cultura da regeneração voltada à Saúde Planetária.
Roda de conversa: Como Regenerar o Rio Tietê?
Após a sessão de estreia será realizada uma roda de conversa aberta ao público sobre os desafios e oportunidades para a regeneração do rio Tietê.
O encontro pretende contribuir para a construção de uma agenda colaborativa para a regeneração da Bacia do rio Tietê, reunindo diferentes perspectivas acadêmicas, comunitárias, culturais e institucionais sobre o futuro dos rios e segurança hídrica de São Paulo.
Estreia Internacional
Além da estreia na Mostra Ecofalante, o filme cruza o Atlântico ao ser selecionado para o “International Ecological Film Festival ‘To Save and Preserve’” (Festival Ecológico Internacional de Cinema Para Salvar e Preservar), realizado em Khannty-Mansiysk, na Rússia, entre os dias 5 e 7 de junho.
O evento foi fundado em 1996 com o intuito de exibir produções televisivas, cinematográficas e jornalísticas relacionadas ao meio ambiente. “Tietê: Águas Verdadeiras”, bem como os demais projetos selecionados, serão transmitidos pelos canais da emissora estatal russa, como televisão, rádio e salas de cinema.