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Arqueólogos lançam livro sobre o início da prática de enterrar os mortos

por Mauro Bellesa - publicado 08/05/2026 15:55 - última modificação 08/05/2026 15:53

Capa do livro "Quando Começamos a Enterrar os Mortos?"

A Editora Gaia lançou em abril o livro "Quando Começamos a Enterrar os Mortos?", no qual Lukas Blumrich, Walter Neves e Eliane Sebeika Rapchan analisam duas manifestações simbólicas que deixam marcas arqueológicas características da humanidade: a arte e o sepultamento ritual dos mortos.

Com 152 páginas, 34 delas dedicadas a uma extensa relação de referências bibliográficas, o livro integra a Série Walter Neves da editora, voltada à publicação de livros fundamentais e novas obras do antropólogo e arqueólogo. Neves é professor sênior do IEA, onde coordena o Núcleo de Pesquisa e Disseminação em Evolução Humana.

O exame dessas manifestações simbólicas se baseia nos vestígios dos enterramentos, sobretudo os ritualizados, desde o Pleistoceno Médio (de 770 mil a 130 mil anos atrás) até o início do Paleolítico Superior (há 50 mil anos).

A comparação entre a antiguidade das manifestações artísticas e aquela dos sepultamentos rituais visa avaliar a convergência dessas práticas, que diferenciam os seres humanos dos demais seres vivos.

Eles fazem uma revisão sucinta da vasta literatura sobre sítios onde foram encontradas possíveis evidências de enterro deliberado, definindo critérios explícitos e inequívocos para a diferenciação de restos mortais naturalmente soterrados daqueles intencionalmente enterrados, valorizando o aspecto ritual e cultural no ato do sepultamento.

Em texto de apresentação, os editores destacam que o livro ressalta a importância do sepultamento como ato simbólico do pertencimento coletivo e da expressão do pensamento abstrato. "Considerando que o sepultamento intencional e simbolicamente delineado é um dos mais antigos objetos de reflexão da antropologia, é provável que ele esteja associado à tomada de consciência dos nossos antepassados sobre a morte", afirmam.

É preciso olhar para os povos ancestrais e refletir sobre comportamentos em evolução, como a atribuição de significado aos atos e hábitos sociais e coletivos. Essa é a proposta do livro, dizem os editores. Essa reflexão pode responder à pergunta sobre "desde quando existem pensamento e comportamento simbólicos e, portanto, humanidade, e instigar discussões e manifestações dos leitores e da comunidade arqueológica brasileira sobre as interpretações e os métodos adotados nesse campo de estudos".

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