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Manifesto científico pela urgência climática: limitar a ultrapassagem de 1,5°C e seus impactos

por Admin - publicado 02/10/2026 11:10 - última modificação 02/10/2026 15:51

Carta aberta à sociedade brasileira e às candidatas e aos candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas

Organização: IEA-USP · Rede Saúde Planetária Brasil · Cátedra Clima & Sustentabilidade · Centro de Estudos da Amazônia Sustentável · CEPID Bridge

Apoio: INCT Combate à Fome · INCT INPol · ciaGsaude

Nós, pesquisadoras e pesquisadores, instituições científicas e cidadãs e cidadãos brasileiros alertamos: a crise climática não é mais um cenário de futuro — é a urgência do presente.

A gravidade

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O relatório Limiting Overshoot (ONU/UNEP, setembro de 2026) é categórico: a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C de aquecimento global é hoje considerada altamente provável nos próximos anos, com pico estimado em 1,8°C mesmo no melhor cenário — e o risco de pontos de inflexão irreversíveis é real: degelo na Groenlândia e na Antártida Ocidental, enfraquecimento da circulação oceânica do Atlântico e degradação da Amazônia, esta última de consequência direta para o Brasil. A esse quadro soma-se o El Niño 2026–2027 (INPE, INMET, ANA, CEMADEN, SGB e SEDEC; probabilidade superior a 95%), intensificado pelo aquecimento global, com impactos na agricultura, na energia, na segurança hídrica e alimentar e na saúde pública em todo o país.

A oportunidade

O mesmo caráter sistêmico que multiplica os riscos também multiplica as oportunidades. O Brasil detém uma das maiores riquezas naturais do planeta — florestas, rios, solos e biodiversidade. Gerir, restaurar e valorizar esses ecossistemas de forma integrada é, ao mesmo tempo, resposta à crise climática e caminho para a bioeconomia, que gera emprego e renda e reduz desigualdades regionais.

O chamado

Não cabe à ciência dizer em quem votar — cabe a ela garantir que as evidências e as informações científicas cheguem com clareza a quem vota e a quem se candidata. Às vésperas das eleições de 2026, cobramos das candidatas e dos candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas compromissos concretos, mensuráveis e verificáveis: transição energética, proteção da Amazônia e dos demais biomas, adaptação das cidades a eventos extremos, segurança hídrica e alimentar, e financiamento climático. Que a questão climática ocupe o centro dos planos de governo com compromissos e ações de melhorias.

O tempo para agir é agora — e a escolha do futuro climático que queremos para o Brasil é também uma escolha política, que se faz no voto, nas instituições, no nosso dia a dia e de cada decisão de política pública.

Reafirmamos nosso compromisso de colocar o conhecimento científico a serviço de gestores públicos, legisladores, empresas e cidadãos.

São Paulo, 30 de setembro de 2026.


Assine o manifesto: forms.gle/zGgmb6n5qW1payxW6

 

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