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INCT Superar a tríplice monotonia do sistema agroalimentar

por Fernanda Rezende - publicado 19/03/2026 17:15 - última modificação 19/03/2026 17:15

Iniciado em outubro de 2025, o projeto INCT Superar a tríplice monotonia do sistema agroalimentar é sediado no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo e segue os pilares dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do CNPq, formando uma rede de pesquisa com parcerias institucionais e uma abordagem multidisciplinar sobre um tema estratégico para o Brasil.

Além do IEA, diversas instituições integram o INCT: Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP e Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis (ambos da Faculdade de Saúde Pública da USP), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (em parceria com o Woodwell Climate Research Center (EUA), Instituto Federal Catarinense, Instituto Fome Zero e Embrapa Acre.

Participam, ainda, outras cinco instituições parceiras: Instituto Ibirapitanga, Instituto Comida do Amanhã, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Folio e Agropolis International (França).

Tríplice monotonia

Este é o primeiro INCT do IEA e é coordenado pelo professor Ricardo Abramovay. O objetivo é estudar os impasses causados pelas tecnologias, os padrões produtivos e alimentares que contribuíram para reduzir a fome no mundo, desde o início dos anos 1960 e que hoje se encontram numa situação de crise que exige a redefinição do conceito de segurança alimentar. Esta crise tem três facetas organicamente articuladas entre si.

A primeira se refere à monotonia agrícola. Apesar dos mais de sete mil produtos comestíveis conhecidos pela humanidade (sendo 400 deles cultiváveis), apenas seis deles oferecem 75% das calorias vindas de plantas: trigo, milho, soja, arroz, batata e cana-de-açúcar.

Esta monotonia se apoia em tecnologias que fizeram da destruição da vida a base do crescimento agropecuário.

A segunda monotonia é a da produção animal. Há uma monotonia genética com concentração, sobretudo, em aves e suínos. É uma produção que leva ao uso exacerbado de antibióticos (provocando a resistência antimicrobiana e impulsionando as superbactérias) e que, nas criações concentracionárias que dominam os processos produtivo globalmente, agride a dignidade animal.

Por fim, há a monotonia da alimentação, com o avanço de dietas globais baseadas no consumo excessivo de animais e de alimentos ultraprocessados, com limites crescentes à diversidade. Isso faz com que culturas alimentares e culinárias locais sejam desvalorizadas, impactando, também, na biodiversidade e até mesmo nos hábitos de produção e consumo de alimentos.

Nesse sentido, o INCT traz diferentes linhas de investigação para diagnosticar e propor soluções inovadoras para essas monotonias, unindo esforços de  instituições de excelência no Brasil e no mundo, para transformar as diversas etapas do sistema agroalimentar, ampliando o acesso à alimentação saudável sobre a base de tecnologias que se apoiem no respeito à vida.