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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
  <link>https://www.iea.usp.br</link>

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            These are the search results for the query, showing results 51 to 56.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/as-transformacoes-no-campo-da-etica-da-pesquisa-em-perspectiva">
    <title>As transformações na ética da pesquisa em perspectiva</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/as-transformacoes-no-campo-da-etica-da-pesquisa-em-perspectiva</link>
    <description>O filósofo da ciência Nicolas Lechopier, professor visitante do IEA, fará uma conferência sobre o tema no dia 26 de novembro, às 9h30, no Auditório do MAC. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/copy_of_NicolasLechopier.jpg" style="float: right; " title="Nicolas Lechopier" class="image-inline" alt="Nicolas Lechopier" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O filósofo da ciência<br />Nicolas Lechopier,<br /> professor visitante do<br />IEA, será o conferencista</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O campo da ética da pesquisa científica, estruturado e consolidado nos anos de 1970 e 1980, vem passando por transformações, segundo o filósofo da ciência <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/nicolas-lechopier%20%20%20" class="external-link">Nicolas Lechopier</a>, da Université Claude Bernard Lyon 1, França, e professor visitante do IEA. No dia 26 de novembro, às 9h30, ele tratará do tema na conferência <i>Ética da Pesquisa</i>, que acontece no Auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.</p>
<p>No encontro, Lechopier falará sobre as transformações em curso na área e avaliará a necessidade de novas abordagens. De acordo com o conferencista, uma série de tópicos já vêm sendo discutidos, <span>"como os modelos de justiça subjacentes, a restituição dos resultados das pesquisas às comunidades, pesquisas-ações-participativas, a importância das experiências e dos saberes do pesquisado e o acesso a dados disponibilizados na internet".</span></p>
<p>Para exemplificar esse cenário de mutações, o filósofo da ciência cita o caso das críticas ao "modelo principalista". Tido como um dos pilares da bioética e das práticas nas investigações médicas, o modelo se baseia em quatros princípios morais elementares propostos por Tom Beauchamp e James Childress: beneficência, autonomia, justiça e não-maledicência.</p>
<p>Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/grupos-de-pesquisa/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a>, o evento é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia, que deve ser feita através do e-mail <a class="external-link" href="http://leila.costa@usp.br">leila.costa@usp.br</a>. Haverá transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a>. O Auditório do MAC fica na rua Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, São Paulo.</p>
<p><strong>CONFERENCISTA</strong></p>
<p>Nicolas Lechopier também integra o Institut Français de l'Éducation da École Normale Supérieure de Lyon, França. É doutor em filosofia e história da ciência pela Université Paris 1 Panthén-Sorbonne e pós-doutor pela USP e pela Université du Québec à Montréal, Canadá. Seus estudos concentram-se na área de epistemologia social e ética da saúde pública; educação e promoção da saúde; e abordagens participativas e comunitárias.</p>
<p> </p>
<h3></h3>
<h3>RELACIONADO</h3>
<p><strong>Notícias</strong></p>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/filosofo-analisa-a-participacao-na-saude-publica" class="external-link">Filósofo analisa a participação na saúde pública</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/a-participacao-na-saude-publica" class="external-link">A participação na saúde pública</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/especialistas-debatem-a-analise-critica-de-dispositivos-da-saude-publica" class="external-link">Especialistas debatem a análise crítica de dispositivos da saúde pública</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/o-papel-das-humanidades-na-biomedicina" class="external-link">O papel das humanidades na biomedicina</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/os-dispositivos-da-saude-publica-vistos-sob-diversos-angulos" class="external-link">Os dispositivos da saúde pública vistos sob diversos ângulos</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/medicicina-e-saude-sao-os-proximos-temas-do-seminario-sobre-filosofia-e-historia-da-ciencia" class="external-link">Seminário de filosofia e história da ciência analisa medicina e saúde</a></span></li>
</ul>
<p><strong>Vídeos</strong></p>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2012/quatro-tensoes-na-saude-publica" class="external-link">Quatro Tensões na Saúde Pública</a></span></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2012/dispositivos-de-saude-publica-2014-quais-as-abordagens-criticas" class="external-link">Dispositivos de Saúde Pública — Quais as Abordagens Críticas?</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/etica-da-pesquisa" class="external-link">Ética da Pesquisa</a></li>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ética</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-11-25T15:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/marina-abramovic">
    <title>As múltiplas facetas da arte performativa de Marina Abramovic</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/marina-abramovic</link>
    <description>Em seminário realizado no dia 22 de setembro, Massimo Canevacci, Renato Janine e Minom Pinho discutiram as particularidades da obra da artista Marina Abramovic, pioneira na arte performativa de longa duração. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/minom-pinho-massimo-canevacci-e-renato-janine-22092014/@@images/e747a4ca-bc10-46b5-a34d-a958de9a48f6.jpeg" alt="Minom Pinho, Massimo Canevacci e Renato Janine - 22092014" class="image-right" title="Minom Pinho, Massimo Canevacci e Renato Janine - 22092014" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Os expositores concentraram-se na análise<br />filosófica e antropológica da obra de Marina Abramovic</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Pioneira na arte performativa de longa duração, Marina Abramovic usa o próprio corpo como sujeito e objeto, tema e meio de expressão com a proposta de explorar artisticamente os limites físicos e os potenciais mentais do ser humano. A performer é conhecida por se colocar em condições performáticas extremas, penosas e exaustivas, nas quais se expõe ao perigo, à dor e à agonia. Ao longo de sua trajetória artística, já se esfaqueou, tomou drogas para induzir o estado de catatonia e de espasmos, ficou sob a mira de uma arma carregada, foi cortada, espetada e desnuda pelo público e desmaiou no centro de uma estrela em chamas por falta de oxigênio.</p>
<p>A obra da artista, tida como a "avó da arte performativa", foi analisada no seminário <i>Marina Abramovic: A Arte e a Vida por Um Fio</i>, no dia 22 de setembro. Este foi o segundo encontro do ciclo <i>A Vida Hoje: Amor, Arte, Política</i>, organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/o-futuro-nos-interpela">Grupo de Pesquisa O Futuro nos Interpela</a> do IEA<i>. </i>As exposições ficaram a cargo do filósofo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/renato-janine-ribeiro">Renato Janine Ribeiro</a>, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador do grupo, e do antropólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/massimo-canevacci">Massimo Canevacci</a>, professor visitante do IEA.</p>
<p>O encontro contou, também, com a participação da produtora cultural <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/minom-pinho" class="external-link">Minom Pinho</a>, que fez uma apresentação sobre o documentário "A Corrente: Marina Abramovic no Brasil", ainda em fase de finalização, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2015. Dirigido por Marco Del Fiol e Cauê Ito e produzido pela Casa Redonda, da qual Minom é sócia-diretora, o longa-metragem acompanha a imersão de Abramovic na espiritualidade brasileira em suas viagens mais recentes ao país, quando visitou lugares místicos e explorou manifestações do sagrado e formas não tradicionais de conhecimento.</p>
<p>Janine, Canevacci e Pinho abordaram as múltiplas facetas da produção artística de Abramovic a partir de eixos temáticos: as tensões entre consciência e limites corporais e mentais; a exploração radical das dimensões expressivas do corpo; as interseções entre experiência estética e temas ligados ao sagrado, à vida e à morte; e a incorporação do público no contexto das performances, que passa de expectador passivo a coautor ativo.</p>
<p><strong>ECOS DAS VANGUARDAS</strong></p>
<p>Ao situar a obra de Abramovic na história da arte contemporânea, Canevacci associou o trabalho da performer às vanguardas artísticas do início do século 20, particularmente ao Futurismo italiano e ao Dadaísmo franco-suíço, por terem rompido com a passividade do público e com a ideia de que a arte é exclusividade de pessoas versadas em estética.</p>
<p>"Futuristas e dadaístas entenderam pela primeira vez que a obra está profundamente conectada com a vida, sem o princípio dicotômico do público passivo, de um lado, e do artista como grande criador que elabora sua arte para museu ou galeria, de outro."</p>
<table class="tabela-esquerda-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/massimo-canevacci-22092014/@@images/842f14b3-2c73-427a-84ba-e199eb6c7fc7.jpeg" alt="Massimo Canevacci - 22092014" class="image-left" title="Massimo Canevacci - 22092014" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Massimo Canevacci: "Marina Abramovic coloca em<br />crise a ideia do olhar como controle do espaço e dos outros"</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O antropólogo observou que essas duas vanguardas estão nas origens de performances concebidas não como uma obra pronta, mas como eventos artísticos que solicitam uma "ativização do público", o qual é provocado, transformado e convertido em co-criador.</p>
<p>De acordo com ele, a influência vanguardista se intensifica no período pós-Segunda Guerra, quando surgem movimentos artísticos voltados para a expressão de "um tipo de sentimento, uma visão de mundo, uma percepção, um estilo de vida" associado aos horrores do conflito. Os artistas à frente dessas vanguardas acreditavam que não havia como anular e esquecer o que havia acontecido, era preciso enfrentar aquela realidade.</p>
<p>Entre tais movimentos, Canevacci destacou o Acionismo Vienense – grupo que rechaçava o projeto estético tradicional, caracterizado pelo estatismo, e se propunha a levar a arte para campo da ação performativa, geralmente usando o corpo como suporte. As performances incluíam práticas radicais e controversas, como mutilação, sadomasoquismo, uso de excrementos e sacrifício de animais, como forma de "afirmar a catástrofe pela qual passou a humanidade".</p>
<p>Na opinião do antropólogo, essas vanguardas introduziram um tipo de "<i>reacting</i> do ritual arcaico, no qual ninguém pode ficar parado: todo mundo é movido, transformado, modificado". Com isso, destacou, deram um passo importante no universo da arte ao transpor a dialética entre o público e o privado, convertida em "oposição reificada" pela burguesia industrial, bem como com o dualismo entre corpo e mente: "Esse tipo de arte pratica o além da dicotomia", observou.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>RELIGIÃO, SAGRADO E ESPIRITUAL</strong></p>
<p>Ao contextualizar a obra de Abramovic nessa conjuntura vanguardista de inserção do público na experiência estética, de exploração do corpo como forma de expressão artística e de confrontação dos conflitos que perpassam a realidade, Canevacci enfatizou a forte presença das dimensões da religião e do sagrado nas performances da artista – algo que estaria relacionado à vivência da performer durante a crise dos Bálcãs, que levou ao desmembramento da Iugoslávia, seu país natal.</p>
<p>Segundo o antropólogo, o trabalho de Abramovic atravessa a tensão entre a religião, entendida como "uma instituição que professa uma ortodoxia doutrinária", e o sagrado, "algo mais complexo e indefinível segundo a lógica clássica racional". E esse conflito, afirmou, envolve uma dimensão corpórea: "A religião controla o corpo, que é visto como uma fonte de pecado, algo anatomicamente determinado para um fim específico. Já o sagrado penetra, fura o corpo e assume uma dimensão corpórea que tenta conectar o que é concreto, visível e imediato com o que é invisível".</p>
<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Divulgacao_Filme_Abramovic-web.jpg" alt="Divulgação Filme Abramovic " class="image-right" title="Divulgação Filme Abramovic " /></th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Pinho também abordou as interseções entre a obra de Abramovic e a questão do sagrado ao apresentar o documentário "A Corrente". De acordo com ela, ao longo da incursão pela espiritualidade brasileira, a performer conheceu o que define como "pessoas e lugares de poder": o médium João de Deus, em Abadiânia, e as comunidades mediúnicas do Jardim de Maytrea, na Chapada dos Veadeiros (Goiás); a doutrina espiritualista do Vale do Amanhecer (DF); o xamanismo cultivado na Chapada Diamantina, a confraria afro-católica Irmandade da Boa Morte, os rituais de candomblé no Terreno do Gantois e a Igreja Nossa Senhora do Bonfim (Bahia); as minas de cristais em Cortino (Minas Gerais); e os ritos com o chá ayahuasca da doutrina Santo Daime (Amazonas), entre outros.</p>
<p>A produtora cultural destacou que o documentário aborda o processo de apropriação artística das diversas "fontes de energia espiritual" brasileiras por parte de Abramovic, que vê nessa trajetória uma forma de expandir a consciência e o autoconhecimento através da arte. "Marina se joga nas experiências com muita intensidade, se infiltra com todos os filtros, se coloca 100% na devoção e depois volta para questionar aquilo à luz do seu lugar de fato."</p>
<p>De acordo com Pinho, a radicalidade da artista nessa incursão de busca espiritual incomoda profundamente grande parte das pessoas porque se difundiu a ideia de que "sagrado é uma coisa e a arte é outra e, por isso, não se deve misturá-los".</p>
<p><strong>CORPO SUBJETIVADO</strong></p>
<p>Ainda em referência à presença do sagrado em Abramovic, Canevacci avaliou que as performances da artista inserem-se no paradigma do corpo como um elemento transitório entre a vida e a morte. "Por isso o corpo não é só carne, é também crânio, ossos, elementos que não se decompõem", completou, lembrando que, ao utilizar crânios como matéria-prima, os artistas não criam arte, mas algo mais complexo. "O crânio incorpora o sagrado, como se unificasse a dimensão humana, animal e divina. O sagrado é um transitar entre esses elementos diferenciados, que são parte constitutiva da experiência estética."</p>
<p>Para ele, no sentido artístico performático contemporâneo, o corpo não seria apreendido como matéria, mas como um sujeito sem uma identidade psicológica física, dotado de uma subjetividade pluralizada, de modo que cada fragmento corporal teria uma autonomia relativa. O corpo representaria, assim, uma multidão de subjetividades e individualidades, que define como "multivíduo".</p>
<p>"Por isso, os artistas não utilizam o próprio corpo, mas fazem um <i>reenact</i> e reatualizam a potencialidade corpórea", ponderou, acrescentando que a arte ocidental como um todo reflete sobre três grandes temas que perpassam o trabalho de Abramovic: o amor, o Eros (erótico) e a amizade. "É nesse contexto que a obra dela se coloca."</p>
<p>Como exemplo de experimentação das potencialidades do corpo na obra da performer, Canevacci citou a performance "Imponderabilia" (1977), na qual a artista e seu então namorado, Ulay, ficaram nus um em frente ao outro, cada um de um lado da porta que dava acesso à Galleria Communale d'Arte Moderna, em Bolonha (Itália). Para entrar, os visitante tinham que passar pelo estreito espaço entre os dois artistas e escolher qual deles encarar. "Algo interessante num tipo de cultura na qual corpo nu ainda provoca reações", observou o antropólogo, ressaltando que o público era confrontado com a posição, por vezes constrangedora, de contato físico e visual com os performers.</p>
<table class="tabela-esquerda-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Rhythm0-web.jpg" alt="Rhythm 0" class="image-left" title="Rhythm 0" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Abramovic na performance "Rhythm 0" (1974),<br />marcada pela incorporação radical do público</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>"Um público que já não era mais público, mas co-criador da obra, precisava transitar e colocar-se do lado da mulher ou do homem, de forma rápida ou mais lenta, acariciando o corpo daquele que escolheu."</p>
<p>Mas, segundo o antropólogo, a exploração mais radical do corpo como meio de expressão e da relação entre artista e público se deu na performance "Rhythm 0" (1974), na qual Abramovic colocou-se na posição passiva de um suporte artístico e encorajou os expectadores a assumirem uma postura ativa. A performer disponibilizou 72 objetos que davam prazer ou infringiam dor, entre os quais uma tesoura, penas, uma rosa, azeite, um revólver e munição, e convidou os visitantes do Morra Arte Studio, em Nápolis (Itália), a utilizá-los em seu corpo da forma como desejassem, enquanto permanecia imóvel.</p>
<p>Na opinião de Canevecci, essa entrega de Abramovic disparou um processo incontrolável. O público, inicialmente parado, pouco a pouco começou a escolher objetos e a ferir a artista. Ao longo das seis horas de duração da performance, suas roupas foram cortadas, seu peito foi perfurado com espinhos de rosa e uma arma carregada foi apontada para sua cabeça.</p>
<p>"A arte frequentemente é entendida como sublimação, remoção da dimensão instintual do desejo, do sexo etc. Só que a <i>body art</i>, que assume o corpo como sujeito, provoca um tipo de reação pela qual o que geralmente é removido passa a ser praticado e volta". Para ele, o problema é que esse retorno não ocorre de forma tranquila, mas violenta: "O removido é uma força que pode colocar em crise o controle do ego. O tipo de performance de Marina Abramovic cria esse tipo de deslocamento corporal."</p>
<p><strong>VIDA EM RISCO</strong></p>
<p>Janine também apontou a "Rhythm 0" como um exemplo emblemático tanto da radicalidade da obra de Abramovic quanto da imprevisibilidade do público por implicar a submissão da artista à dor e ao risco de vida e por dar margem a uma reação violenta por parte dos expectadores.</p>
<p>Para reforçar essas ideias, citou um comentário de Abramovic sobre os resultados da performance: <i>O que eu aprendi é que se você deixar nas mãos do público, eles podem te matar. Eu me senti realmente violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosa na minha barriga, uma pessoa apontou uma arma para minha cabeça e outra a retirou. Isso criou uma atmosfera agressiva. Depois de exatamente 6 horas, como eu tinha planejado, me levantei e comecei a caminhar em direção ao público. Todos fugiram para escapar de uma confrontação presente</i>.</p>
<p>Segundo o filósofo, é muito significativo que os participantes da "Rhythm 0", inicialmente tímidos, tenham começado a infringir sofrimento na artista. "A satisfação, o gozo maior deles não está naquilo que seria, digamos, uma aproximação afetuosa, mas naquilo que é quase uma ameaça." Também é significativo, destacou, que Abramovic se sujeite a esse tipo de situação. "Ela está num constante colocar-se em risco, que é uma experiência, nós diríamos nos termos clássicos da filosofia, metafísica. Essa experiência vai para além do social, além do histórico e questiona o sentido ou os sentidos da vida."</p>
<p>Além da iminência do risco de vida e da reação violenta do público, Janine chamou atenção para um terceiro aspecto da performance: o contraste entre a construção cênica e aquilo que irrompe: "É interessante que toda essa irrupção do inesperado se dê dentro de um quadro de planejamento estrito".</p>
<p><strong>ARTE E TRANSFORMAÇÃO</strong></p>
<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/marina-e-ulay" alt="Marina e Ulay" class="image-right" title="Marina e Ulay" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O reencontro de Abramovic e o artista Ulay, <span style="text-align: right; ">seu ex- namorado,</span><br />na performance "The Artist Is Present" (2010)</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ainda com foco na relação artista-público, Canevacci abordou o potencial transformador da obra de Abramovic. Para ele, a performance "The Artist Is Present" (2010), realizada no Museum of Modern Art (MoMA), em New York (Estados Unidos), é emblemática das possibilidades de uma transformação mútua entre performer e expectador.</p>
<p>Ao longo da performance, com duração total de mais de 700 horas, Abramovic ficou em uma cadeira por oito horas diárias, seis vezes por semana durante três meses, enquanto visitantes eram convidados a sentar-se cara a cara com ela, em silêncio e pelo tempo que desejassem. A artista fechava os olhos cada vez que um visitante levantava e voltava a abri-los quando um outro ocupava o lugar.</p>
<p>"Marina Abramovic é como um corpo cheio de olhos", comparou Canevacci, para quem esse fechar e abrir de olhos é um elemento filosoficamente muito importante: "Nós também estamos metaforicamente com os olhos fechados quando encontramos outras pessoas".</p>
<p>O antropólogo afirmou que essa ênfase no olho-no-olho problematiza a vinculação do olhar prolongado a uma postura de afronta ou sedução. "A gente não tem costume de olhar fixo. Marina Abramovic coloca em crise a ideia do olhar como controle do espaço e dos outros. Para ela, a abertura dos olhos é uma forma de encontro com o outro, o desconhecido, o estrangeiro."</p>
<p>De acordo com ele, o encontro com o outro é parte constitutiva do tipo de arte criada por Abramovic e diz respeito não só ao outro como uma terceira pessoa, mas também aos nossos próprios outros. "Trata-se de uma relação dialógica entre minha alteridade interna e a alteridade dos outros", por meio da qual é possível "se transformar num ser que vê e que se vê", explicou.</p>
<p>"Nesse tipo de encontro de Marina Abramovic a arte é incontrolável, cria uma mudança. E esse tipo de mudança é, para mim, a estética. A estética é quando um sujeito está frente a uma obra e percebe que está mudando, que a sua identidade não é mais a mesma, que está virando outras. É como se ele fosse capturado por um evento e deslocado para um contexto totalmente diferente. A arte ou modifica a nossa identidade ou não é arte. E modificar a identidade é modificar a corporeidade. Porque a identidade está disseminada no corpo; o corpo é cheio de identidades, subjetividades", completou.</p>
<table class="tabela-esquerda-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>RELACIONADO</h3>
<p><strong><i>Ciclo de Seminários</i> <i>A Vida Hoje: Amor, Arte, Política</i></strong></p>
<p><strong>1º Seminário - <i>O Amor em Tempos Tecnológicos: "Ela" na Solidão </i></strong></p>
<p><strong>11 de agosto de 2014</strong></p>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/o-futuro-do-amor-na-era-das-tecnologias-do-futuro" class="external-link">Notícia</a></span></li>
</ul>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/o-amor-em-tempos-tecnologicos-ela-na-solidao-11-de-agosto-de-2014" class="external-link">Fotos</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/o-amor-em-tempos-tecnologicos-ela-na-solidao" class="external-link">Vídeo</a></span></li>
</ul>
<span><br /> 
<hr />
</span>
<p><span>2º Seminário - <i>Marina Abramovic: A Arte e a Vida por Um Fio</i></span></p>
<p><span>22 de setembro de 2014</span></p>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/arte-performativa-vida-e-morte" class="external-link">Notícia</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/marina-abramovic-a-arte-e-a-vida-por-um-fio-22-de-setembro-de-2014" class="external-link">Fotos</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/ciclo-a-vida-hoje-amor-arte-politica-marina-abramovic-a-arte-e-a-vida-por-um-fio-2o-seminario" class="external-link">Vídeo</a></span></li>
</ul>
<ul>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>TRANSGRESSÃO X RADICALIDADE</strong></p>
<p>Assim como Canevacci, Janine contextualizou a obra de Abramovic no cenário mais amplo das artes. Mas diferentemente do antropólogo, que ressaltou a influência vanguardista no trabalho da performer, o filósofo questionou a ideia, defendida por muitos críticos e estudiosos, de que as performances criadas pela artista são transgressoras.</p>
<p>Para sustentar esse ponto de vista, Janine citou três romances que considera ser representativos da transgressão artística: "O Amante de Lady Chatterley" (1928), do inglês D.H. Lawrence; e "Madame Bovary" e "As Flores do Mal", ambos de 1957, dos franceses Gustave Flaubert e Charles Baudelaire, respectivamente. Acrescentou, ainda, o quadro "Olympia" (1863), do pintor francês Édouard Manet, no qual figura "uma mulher nua, adereçada por um colar, então numa situação pouco usual e absolutamente soberba na sua nudez, sem vergonha alguma".</p>
<p>O filósofo destacou que os autores das três obras literárias foram levados à Justiça e processados criminalmente por insultarem os bons costumes e ultrajarem a moral pública com textos que questionavam o papel social da mulher através de temas controversos, como o adultério e o erotismo.</p>
<p>De acordo com ele, no caso dos três livros, estão em jogo as questões do sexo e do gênero. "Nas três histórias escritas, em que há narrativa, enredo, está muito claro que o que movimenta e articula os personagens é o desejo sexual. É sexo mesmo, é cama, é corpo. São histórias em que uma lei humana é desafiada. Eu posso ir um pouco além e dizer: não é só uma lei humana, é uma lei reputada a ser divina."</p>
<p>Para Janine, a ideia de transgressão está ligada à violação de uma lei ou norma social. "E, mais ainda, uma violação que de certa forma prefigura a revogação da lei, pois quem vai vencer a longo prazo é a transgressão", completou.</p>
<p><strong>DESAFIANDO LIMITES</strong></p>
<p>Tendo em vista essa ideia de transgressão, Janine afirmou que a obra de Marina Abramovic não promove uma ruptura da mesma natureza que os romances mencionados porque, embora tenha o corpo como elemento central, lida com questões mais radicais, de ordem filosófica. "De um modo geral, as questões, por tudo que eu vi e li sobre ela, dizem respeito sobretudo à vida e à morte, ao sentido da vida e à possibilidade da morte, à intensidade do amor."</p>
<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/renato-janine-22092014/@@images/f7202a79-c946-4222-94c1-ce97182e8503.jpeg" alt="Renato Janine - 22092014" class="image-right" title="Renato Janine - 22092014" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Renato Janine: "A intensidade do trabalho <br />de Marina Abramovic tem a ver com a presença"</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Na opinião do filósofo, no lugar da transgressão o trabalho da performer traz o <i>push the limits</i> – expressão em inglês que poderia ser traduzida como "empurrar os limites" ou "forçar as fronteiras". Como exemplo, citou mais uma vez a "Rhythm 0": "Quando Abramovic descobre que ultrapassou o limite do que o corpo poderia suportar e se dá conta da violência do público, isso tem o valor de uma epifania".</p>
<p>Mencionou, ainda, "Breathing In, Breathing Out", obra que celebra a paixão entre a performer e Ulay, seu companheiro por 12 anos e parceiro em muitos trabalhos. Na performance, os artistas pressionaram suas bocas uma contra a outra e bloquearam as narinas, de modo que não podiam inspirar nada além da expiração exalada dos pulmões do outro. A ação de inspirar e expirar mutuamente o ar um do outro se estendeu por 19 minutos, até o ponto de quase asfixia, quando trocavam apenas dióxido de carbono e desmaiaram por falta de oxigênio.</p>
<p>"Trata-se de uma frequentação do limite, e, ao mesmo tempo, de uma metáfora de amor extremamente bela, em que tudo – o meu ar, o meu espírito – está em você", disse, lembrando que um dos significados atribuídos à palavra "alma" é "ar".</p>
<p><strong>A CENTRALIDADE DA CONSCIÊNCIA</strong></p>
<p>Além da transposição dos limites, Janine apontou a consciência como outro tema bastante recorrente na obra de Abramovic. De acordo com ele, essas duas temáticas se misturam e são particularmente evidentes na série de performances "Rhythm", realizadas de 1973 a 1974.</p>
<p>Segundo Janine, o comentário de Abramovic sobre a primeira delas, a "Rhythm 10" (1973), reforça essa ideia: <i>Uma vez que você entra no estado de performance, você pode impelir seu corpo a fazer coisas que jamais você normalmente faria</i>. Segundo o filósofo, a frase revela a centralidade do "estado alterado de consciência" no trabalho da performer, uma vez que, a partir dessa condição, ela conseguiria desafiar os limites do próprio corpo e criar "obras de transe".</p>
<p>Na performance, a artista fez uma espécie de roleta russa com 20 facas. Com a mão esquerda estendida sobre uma folha de papel em branco, ela dava golpes entre um dedo e outro usando a mão direita, enquanto gravava os sons em uma fita cassete. Quando se cortava, escolhia uma nova faca e repetia o procedimento, até utilizar as 20. Ao final do ciclo, tocou a fita gravada e, a partir do áudio, procurou repetir os mesmos erros.</p>
<table class="tabela-esquerda-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Rhythm5-web.jpg" alt="Rhythm 5" class="image-left" title="Rhythm 5" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Performance "Rhythm 5" (1974), na qual<br />Abramovic chegou a desmaiar por falta de oxigênio</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Janine também mencionou a declaração da performer sobre a "Rhythm 5" (1974): <i>Eu estava muito irritada porque entendi que existe um limite físico. Quando você perde a consciência, você não pode estar presente, você não pode performar</i>.</p>
<p>Na performance em que se deu conta das suas limitações corporais, Abramovic acendeu uma espécie de fogueira em uma estrela de cinco pontas, símbolo do comunismo, e simulou um ritual de purificação, queimando pedaços de unha e cabelo que havia cortado. Em seguida, deitou-se no centro do objeto em chamas. A situação saiu do controle quando o fogo consumiu todo o oxigênio e a artista desmaiou. No entanto, o público só percebeu o que estava acontecendo e tomou providências no momento em que as labaredas começaram a chegar muito perto do corpo da artista.</p>
<p>Em relação à tensão entre consciência, possibilidades da mente e limites do corpo, outro exemplo dado por Janine foi "Rhythm 2" (1974), performance dividida em dois momentos: no primeiro, Abramovic tomou um medicamento indicado para o tratamento da catatonia, condição caracterizada pela paralisação dos músculos, e teve uma reação violenta, com espasmos e movimentos incontroláveis. No segundo momento, dez minutos depois de o efeito dessa droga excitante passar, a performer ingeriu um outro remédio, prescrito para pessoas agressivas e deprimidas. O resultado foi um estado de imobilidade total.</p>
<p>De acordo com o filósofo, na primeira parte, Abramovic "não tinha nenhum controle sobre movimentos de seu corpo, mas o espírito estava lúcido e ela podia observar tudo que acontecia". Na segunda, por outro lado, a artista "estava com o corpo presente, mas do ponto de vista mental estava completamente removida". Para ele, essa experiência performática foi determinante para Abramovic porque ela compreendeu que, "quando não há consciência, não é possível performar".</p>
<p><strong>O VALOR DA PRESENÇA</strong></p>
<p>"A intensidade do trabalho de Marina Abramovic tem a ver com a presença", enfatizou Janine, destacando que este tema figura, ao lado das reflexões sobre a  consciência, entre as duas grandes questões da filosofia exploradas no trabalho da artista. "Tanto que as obras dela envolvem um público presente, que deixa de ser público porque é chamado a atuar", completou.</p>
<p>Ele explicou que a filosofia aborda a temática da presença a partir do clássico contraponto com a representação, entendida como o espaço da falsidade e da manipulação, uma vez que pressuporia "estar no lugar do ausente" e "permitir acesso ao que está distante". Por isso, observou, não faria sentido referir-se à performance, na qual a presença é o elemento central, como uma forma de representação.</p>
<p>Exemplo disso seria a "Breathing In, Brathing Out", performance que, de acordo com ele, "é presença pura, é presença radicalizada, é boca, um dos gestos mais íntimos de proximidade física amorosa, é sugar o ar um do outro; é uma presença absoluta, sem nenhum limite".</p>
<p>A questão da presença também seria marcante em outros dois casos: na "Rhythm 5" e no ritual de separação entre Abramovic e Ulay. Segundo Janine, no primeiro, quando Abramovic se oferece como presença e também como presente, os expectadores ficam extremamente animados em poder causar o mal. "Enquanto ela está inerte, as pessoas abusam e efetivamente apontam um revolver carregado para ela, efetivamente cortam o corpo dela, efetivamente acontece a experiência da violência." Mas essa dinâmica da presença muda, observou, no momento em que a performer volta à vida, sai da inércia, se dirige às pessoas e elas fogem".</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Já no segundo caso, afirmou, "a dinâmica da separação passa pela presença". Seis anos após darem início ao pedido de autorização junto ao governo chinês para percorrerem a Muralha da China, Abramovic e Ulay recebem a permissão. Mas, como àquela altura o relacionamento já estava no fim, eles decidiram fazer da marcha pelo monumento um ritual de separação. Partindo cada um de uma ponta da Muralha, caminharam um em direção ao outro por aproximadamente dois meses, totalizando 5 mil km.</p>
<p>Para Janine, trata-se de um ritual de separação extremamente forte e envolto num simbolismo: "A Grande Muralha é uma separação ela própria, não tem exatamente um tamanho certo, foi construída a longo de séculos, tem trechos que ruíram".</p>
<table class="tabela-esquerda-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/minom-pinho-22092014/@@images/c915fe11-45d4-4d1d-8cf8-b64cef8b1337.jpeg" alt="Minom Pinho - 22092014" class="image-left" title="Minom Pinho - 22092014" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Minom Pinho: "Marina se joga nas experiências com muita intensidade, se infiltra com todos os filtros, se coloca 100% na devoção e depois volta para questionar"</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>TEMPORALIDADE X ATEMPORALIDADE</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>No debate que sucedeu as exposições, dois temas destacaram-se nas perguntas levantadas pelo público: a temporalidade X temporalidade da obra de arte e a particularidade X universalidade dos símbolos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A primeira questão refere-se a uma alegada atemporalidade da obra de Abramovic. Indagou-se se as performances da artista, uma vez que inseridas no amplo contexto da arte contemporânea, seriam desprovidas da noção de futuro e da perspectiva utópica que marcou as vanguardas modernas, configurando-se como algo atemporal.</p>
<p>Para Janine, não há como uma obra ser atemporal. "Uma das grandes mudanças dos últimos dois séculos é a convicção de que não se sai do tempo." Na sua avaliação, o trabalho de Abramovic seria radical, e não atemporal.</p>
<p>Da mesma forma, Canevacci disse discordar com a ideia do fim da história: "A história continua, muitas vezes dramaticamente; não acredito na inexistência de presente e futuro". De acordo com o antropólogo, o que se tem atualmente é uma ubiquidade: "o sujeito ubíquo está aqui e em muitos outros lugares, o que desafia as coordenadas clássicas de espaço e tempo".</p>
<p>Ele destacou que a filosofia e a antropologia seguem imaginando um futuro melhor e que ele, pessoalmente, ainda é movido pela esperança de tempos mais felizes, nos quais as dimensões da dominação e do controle não sejam tão incisivos. "Continuo a acreditar que o futuro é plural e espero que meu futuro seja sempre mais libertário."</p>
<p>Também para Pinho a obra de Abramovic não é atemporal, pois os trabalhos da performer só fariam sentido por estarem acontecendo no momento atual e serem embebidas numa estética situada em um contexto específico. De acordo com a produtora cultural, a presença da artista nas performances teria tanto valor porque se dá "num tempo em que as pessoas têm uma dificuldade muito grande de estarem presentes e são ubíquas, estão em mil lugares ao mesmo".</p>
<p>O segundo tema que mobilizou o debate foi a simbologia da caverna, numa referência à abertura do vídeo promocional do documentário sobre Abramovic. Na cena em questão, a artista aparece entranhando na Gruta da Lapa Doce, na Chapada Diamantina (Bahia), enquanto uma narração, com sua voz, diz: <i>Estou em Mercúrio. Ou talvez em Júpiter. Na verdade, isto é Marte. Mas eu também gostaria de estar em Plutão</i>.</p>
<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Marte_Divulgacao-filme-web.jpg" alt="Marte Divulgação filme" class="image-right" title="Marte Divulgação filme" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Abramovic na Gruta da Lapa Doce (Bahia) em cena do documentário "A Corrente: Marina Abramovic no Brasil"</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Segundo Canevacci, entrar na caverna consiste numa experiência simbólica de penetrar o desconhecido, que se dá de diferentes formas em diferentes culturas. O antropólogo questionou a existência de algo contíguo e universal que una os homens através do tempo e do espaço.</p>
<p>"Os símbolos não são universais, mas culturalmente determinados." Por isso, advertiu, os símbolos acionados por Abramovic não seriam os mesmos daqueles acionados pela mitologia greco-romana, ligados a Mercúrio e a outros deuses.</p>
<p>Janine, por outro lado, associou a questão da universalidade X particularidade dos símbolos à ideia de consciência coletiva em Carl Gustav Jung. Para ele, o desafio seria iluminar o problema de "uma maneira não iluminista, sem ser pela razão do século 17 e 18, que também não seja irracional".</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: dos expositores, Sandra Codo/IEA-USP; da "Rhythm 0" e "Rhythm 5", documentação das performances; demais, divulgação do documentário. </span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa O Futuro nos Interpela</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciclo Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Estética</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-11-07T20:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/manifestacoes-de-rua">
    <title>As manifestações nas ruas em debate</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/manifestacoes-de-rua</link>
    <description>Em evento realizando no dia 21 de junho, pesquisadores vinculados ao IEA discutiram motivações, impactos e desdobramentos das recentes manifestações de rua que tomaram conta do Brasil. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/debate-o-que-esta-acontecendo" alt="Debate 'O Que Está Acontecendo?'" class="image-inline" title="Debate 'O Que Está Acontecendo?'" /></th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O IEA aceitou o desafio de refletir sobre a história no momento em que ela se faz. No dia 21 de junho, 14 pesquisadores vinculados ao Instituto se reuniram no evento <i>O Que Está Acontecendo?, </i>primeiro debate público realizado por uma universidade brasileira sobre as recentes manifestações nas ruas do país.</p>
<p>O evento deu início à série de encontros <i>UTI Brasil</i>, do  <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/laboratorios/sociedades-contemporaneas/sociedade-contemporaneas">Laboratório Sociedades Contemporâneas</a> do IEA, voltada para a discussão do significado e do impacto desse momento de efervescência política. Os debatedores foram <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/massimo-canevacci" class="external-link">Massimo Canevacci</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jose-alvaro-moises" class="external-link">José Álvaro Moisés</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/alfredo-bosi">Alfredo Bosi</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/sergio-franca-adorno-de-abreu">Sergio Adorno</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/professores-visitantes/bernardo-sorj-iudcovsky" class="external-link">Bernardo Sorj</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/jose-da-rocha-carvalheiro" class="external-link">José da Rocha Carvalheiro</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/jorge-luiz-pereira-campos">Jorge Luiz Campos</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/arlene-clemesha" class="external-link">Arlene Clemesha</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/professores-visitantes/nicolas-lechopier" class="external-link">Nicolas Lechopier</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/lucia-maciel-barbosa-de-oliveira">Lucia Maciel Barbosa de Oliveira</a>,  <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/sylvia-duarte-dantas">Sylvia Dantas</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/alexey-dodsworth-magnavita-de-carvalho" class="external-link">Alexey Dodsworth Magnavita</a> (também relator), todos vinculados direta ou indiretamente ao IEA. A moderação ficou a cargo de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/renato-janine-ribeiro" class="external-link">Renato Janine Ribeiro</a>.</p>
<p>Os principais temas abordados no debate foram a imprevisibilidade das manifestações; uma possível crise da representação e da democracia; a saída do país de um estado de passividade; o sentimento de tédio como fator de motivação; a emergência de valores conservadores nos protestos; o clamor por direitos básicos, particularmente por transporte público, saúde e educação; o protagonismo da violência; a falta de foco das reivindicações; e a urgência de uma reinvenção política. A seguir, as opiniões dos participantes sobre esses e outros temas<i>.</i></p>
<p><i><br /></i></p>
<h2>A voz dos participantes</h2>
<p><span style="text-align: justify; ">IMPREVISIBILIDADE / ESPONTANEIDADE</span></p>
<p style="text-align: justify; ">"O modelo inaugural disso é o maio de 68 francês. Nós temos nesse quase meio século movimentos que surgem sem a gente saber o que vai surgir e quando vai surgir. Esses eventos são de certa forma grandes surpresas. Acontecimento em inglês é happening, e happening em português é justamente esse movimento único, sem ensaio prévio, sem diretor de cena e sem repetição, uma singularidade que geralmente se conota pela festa e alegria." –  <strong><i>Renato Janine Ribeiro</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Esse tipo de movimento – principalmente da juventude metropolitana –  tem a característica, agora e também no passado, de ser baseado no improviso, na explosão espontânea, de não ter uma liderança ou um partido político para dirigir. Essa espontaneidade é, em grande parte, baseada num tipo de qualidade de vida da juventude, da movimentação, do movimentar, do transitar. A possibilidade de se mover no espaço urbano é fundamental para essa juventude." – <strong><i>Massimo Canevacci</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Esse movimento é construído, mas a adesão é espontânea e finalmente massiva. Isso é muito parecido com o que aconteceu lá [na primavera árabe]. Também no Egito falava-se muito que não se esperava um movimento, que a população estava morta, adormecida, e de repente ela vai para as ruas." – <strong><i>Arlene Clemesha</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Compartilho apenas em parte o ponto de vista de que o movimento nasceu do tédio e tem uma dimensão espontânea. Os líderes do Movimento Passe Livre estão há oito anos levantamento essa bandeira, propondo manifestações e colocando em debate uma questão extremamente importante, que é o modelo de política pública de transporte nas grandes metrópoles brasileiras, inteiramente fracassado. Então eu acho que o movimento não é inteiramente espontâneo." – <strong><i>José Álvaro Moisés</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>PARTICIPAÇÃO POLÍTICA</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Esses movimentos têm seus mártires, seus mortos, mas mesmo assim têm um elemento forte de festa e de inserção de não participantes no espaço público." – <strong><i>Renato Janine Ribeiro</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"O movimento teve essa capacidade de detonar um estopim que de alguma maneira mobilizou, levou as pessoas às ruas, levou as pessoas a perceberem, particularmente a juventude, que têm a possibilidade de intervir no país, que, se querem influir, essa é a oportunidade de participar." – <strong><i>José Álvaro Moisés</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Temos vontade de participação política. Mas não há uma cultura política. Ou seja, a questão da educação política é fundamental nas escolas." – <strong><i>Alexey Dodsworth Magnavita</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A favor da livre manifestação pública, portanto a favor da livre expressão de valores em si democráticos – este me parece um ponto consensual dos analistas. Governo, imprensa, universidade e todas as instâncias envolvidas no processo são (ou tornaram-se) unânimes no reconhecimento do direito de manifestação de segmentos da população. É um ganho que convém realçar em primeiro lugar." – <strong><i>Alfredo Bosi</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>DESDOBRAMENTOS</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"As consequências de um acontecimento vão muitíssimo além das suas causas, muitíssimo além dos 20 centavos, nesse caso". – <strong><i>Renato Janine Ribeiro</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"É uma incógnita os rumos que isso vai tomar. De qualquer forma, tivemos aí certa catarse. Mas penso que os movimentos que têm um percurso, uma reflexão, uma elaboração – e isso é distinto das manifestações catárticas – com certeza vão poder direcionar esses rumos, vão poder recuar, questionar, para novamente direcionar." — <strong><i>Sylvia Dantas</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"O movimento fazer um balanço do que já conseguiu até agora implica na possibilidade, na capacidade de examinar o conjunto de temas que apareceram nas diferentes manifestações e, de alguma maneira, entender como organizar essas novas demandas e de que maneira elas podem se transformar em elementos de continuidade do movimento." – <strong><i>José Álvaro Moisés</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>TÉDIO</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A diferença do Brasil é que as manifestações acontecem em ambiente absolutamente democrático, ao contrário do que aconteceu na Tunísia, no Egito e em outros lugares onde também há esse detonador. Talvez o problema, para nós, não seja tanto a opressão, seja até mesmo o tédio." – <strong><i>Renato Janine Ribeiro</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>TRANSPORTE PÚBLICO / TARIFAS</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"O que está acontecendo? É a pergunta prioritária, pois exprime o sentimento de perplexidade de que fomos tomados em face de um movimento de tamanha proporção, não só aparentemente, mas explicitamente dirigido como protesto pelo aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus da cidade. Quem está se manifestando são jovens que estão tendo oportunidade de, talvez pela primeira vez, protestar maciçamente contra o que lhes parece abuso do poder estatal em um dos itens vitais do cotidiano, que é o valor das tarifas de transporte público." – <strong><i>Alfredo Bosi</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"É um movimento de jovens que têm uma história e que têm um propósito muito claro, muito objetivo, voltado para a questão do transporte público. É um movimento que começa com um objetivo muito claro. Mas alguns falam: ‘Mas apenas 20 centavos? Reles 20 centavos?’ Somos um país de extrema desigualdade: o gasto com transporte público para grande parte da população significa 30% de seu orçamento. Isso é algo para lá de absurdo. Esse aumento no orçamento de uma população que ganha um salário mínimo é tremendo. A gente precisa tocar num ponto: os lucros das grandes empresas de transporte. Essa conquista do não aumento traz a questão das grandes corporações (...), porque as grandes corporações é que gerem o sistema mundial. (...) Quando se fala aqui do transporte, está se atacando uma das corporações que têm grande força neste país, em detrimento da população." — <strong><i>Sylvia Dantas</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"[A gratuidade do transporte] não é um detalhe, porque há coisas que não deveriam ter preço. E o mundo do crescimento econômico não deixa espaço para a gratuidade. Eu diria que essa reivindicação do transporte talvez seja mais fundamental do poderíamos pensar." – <strong><i>Nicolas Lechopier</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A coisa mais importante que deveria ser abolida agora, não só em São Paulo, é a catraca no ônibus. (...) É um absurdo que, para entrar no ônibus, eu tenha que passar por uma catraca". – <strong><i>Massimo Canevacci</i></strong></p>
<p> </p>
<p><strong>CRISE DA DEMOCRACIA / CRISE DA REPRESENTAÇÃO</strong></p>
<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/debate-o-que-esta-acontecendo-2" alt="Debate 'O Que Está Acontecendo?' - 2" class="image-right" title="Debate 'O Que Está Acontecendo?' - 2" /></p>
<p style="text-align: justify; ">"Esse é um aspecto fundamental: a democracia puramente formal e representativa em termos eleitorais está em crise, e o seu descrédito merecido exige alguma resposta, ainda que difusa e insuficientemente articulada." – <strong><i>Alfredo Bosi</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"O que está acontecendo é um enorme mal-estar com a democracia que temos no Brasil. Esse mal-estar está relacionado com a qualidade da democracia (...). Provavelmente a área de maior déficit é a da representação. Os partidos estão muito mais preocupados em chegar ao poder e nele se manter do que propriamente em estabelecer e manter conexões com os eleitores (...). Os partidos fracassaram, inclusive os partidos que nasceram dos movimentos sociais, como foi o caso do PT (...). Na dinâmica do presidencialismo de coalizão que vigora no Brasil, os partidos são chamados a compor a grande coalizão que governa e que portanto tem uma lógica de se manter no poder custe o que custar, mesmo que seja ao custo da corrupção (...). Não houve um líder de partido no Brasil, da situação ou da oposição, que dissesse qual é a sua posição em relação às demandas que estão nas ruas e o que os partidos propõem em relação a elas. Mais grave do que isso foi o fato de que nem o presidente do Congresso, nem o da Câmara, nem o líder do governo e nenhum líder da oposição vieram a público para estabelecer uma conexão. Essa ausência de conexão cobra um preço da democracia brasileira e daí o mal-estar que nós estamos vivendo." – <strong><i>José Álvaro Moisés</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Atualmente, ninguém quer se representado. Existe um conflito entre quem tem o poder de representar e quem tem o poder de ser representado. A autorrepresentação está destruindo o sistema de divisão comunicacional do trabalho – que era baseado na dimensão industrialista, do passado – e afirmando um novo tipo de subjetividade muito pluralizada, que não quer mais delegar a ninguém a força de se representar, de se narrar. Durante esse tipo de manifestação – e esse é o lado mais lindo para mim – não houve ninguém falando num comício público, com microfone. Eu acho isso fundamental, porque é baseado num tipo de afirmação crescente da autorrepresentação." — <strong><i>Massimo Canevacci</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Torcidas organizadas, gente da periferia dizendo: estamos cansados de ser explorados, temos uma mensagem a dar e nenhum partido político nem nenhum grupo está respondendo a isso." — <strong><i>Arlene Clemesha</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"De acordo com a avaliação da 'The Economist', o Brasil ocupa uma posição democrática, mas ainda não é uma democracia plena, pois existem pontos que são delicados para nós. Por exemplo, tiramos uma nota muito alta no critério pluralismo partidário e notas muitos baixas em dois critérios que chamam a atenção: participação política e cultura política". — <strong><i>Alexey Dodsworth Magnavita</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>PASSIVIDADE E CATARSE</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Nós estávamos tomados por um estado de melancolia (...), de que as coisas estão tão complexas, de que somos tão impotentes que não há como sair disso. E de repente essas manifestações começam a acontecer aqui, no nosso país, em que todos achavam que nossa juventude estava alienada e que todos estávamos tomados por uma passividade muito grande. De repente a população vê os jovens se manifestando e também quer se manifestar, porque é vida, porque significa sair desse estado de certo sonambulismo, uma anestesia pela qual todos estavam tomados. Outros jovens, então, começam a participar desse movimento. É um momento de catarse, em que as pessoas estão colocando para fora a vivência de uma dissonância cognitiva (...), em que sua percepção da realidade não está de acordo com o que é dito. E o que é dito? Que somos a 7ª economia do mundo, que estamos melhorando, que a classe média está se expandindo, coisas muitos positivas que são colocadas e propagandeadas." – <strong><i>Sylvia Dantas</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"No Egito, Tunísia, nos países árabes – terríveis ditaduras – a população teve que romper a barreira do medo. E aqui a população rompeu a barreia da apatia." – <strong><i>Arlene Chemesha</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>DIREITOS BÁSICOS</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"O acesso à saúde, à educação, aos direitos básicos nos são negados, são o tempo todo ultrajados. As nossas instituições estão esfaceladas. Essa contradição que todos vivem no dia-a-dia foi trazida à tona, elas podem ter uma voz". – <strong><i>Sylvia Dantas</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A questão dos 20 centavos parece um detalhe, mas não é. Talvez seja de maior importância política, porque o transporte público é um bem básico, como a saúde, a água, a alimentação saudável. Acho importante ressaltar também que o transporte não é uma questão qualquer." – <strong><i>Nicolas Lechopier</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"As manifestações têm um gatilho e outras reivindicações que aparecem, mas a área da saúde é tratada de uma maneira superficial. E ela tem que ser tratada de uma maneira global e local (...). O movimento tem que focar mais. Essa é uma questão que tem que ser pensada. E eu reivindico que um foco importante seja direcionado à área da saúde (...). Que não seja obrigatoriamente único, mas que seja explicitado de uma maneira muito clara." – <strong><i>José da Rocha Carvalheiro</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Não se trata de um problema de manifestação da presidente, mas de como o governo, no seu conjunto, vai tomar as pautas, os temas que apareceram, como propostas de solução dos problemas que estão colocados, particularmente no que diz respeito às políticas públicas mais importantes: saúde e educação." – <strong><i>José Álvaro Moisés</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>REINVENÇÃO POLÍTICA</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Houve uma interrupção da comunicação política entre os atores, que é um elemento fundamental na ação política. Quer dizer, não havia mais a possibilidade de estabelecer um canal de comunicação ou vias aceitáveis de comunicação (...). Nós estamos atravessando um novo momento de interrupção dessa comunicação. Isso significa um exercício de reinvenção política (...). Ou seja, os canais que são considerados legitimamente aceitos, de expressão, de reivindicação, de participação, de alguma maneira parecem esgotados. Ou parecem insatisfatórios. Há todo um exercício de encenação política, de pôr essa insatisfação, essa efervescência, num espaço público de grande audiência e de grande visibilidade". – <strong><i>Sergio Adorno</i></strong><strong><i> </i></strong><i>(Relacionando, no início, as manifestações atuais e a invasão da Reitoria da USP em 2007.)</i></p>
<p style="text-align: justify; ">"Talvez esse seja o momento de os partidos e as instituições tão desacreditadas ouvirem o que as pessoas estão tentando dizer e fazerem esse exercício de reinvenção política. A gente está precisando urgentemente dessas instituições de outra maneira, reinventadas. Do jeito que elas estão, o descrédito só tenderá a crescer." – <strong><i>Lucia Maciel Barbosa de Oliveira</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>VIOLÊNCIA</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"[Os jovens manifestam-se também] contra, obviamente, a repressão policial, aspecto que nos inquieta a todos, pois a presença indesejada de grupos dispostos ao vandalismo provoca um endurecimento perigoso das forças de segurança." – <strong>Alfredo Bosi</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Não a juventude paulistana ou carioca que imagina imitar Istambul. Eu acho que foi o contrário: na minha fantasia, foi a polícia paulistana, foi Haddad e Alckmin que imitaram e tentaram replicar o que aconteceu na Turquia." — <strong><i>Massimo Canevacci</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Houve uma violência da polícia, que todos nós recusamos, criticamos, e que de certo modo foi um grande detonador. E aí pudemos refletir: para muitos isso rememorou os acontecimentos da ditadura, para outros a ideia de que a polícia é sempre violenta e, portanto, tem que ser combatida. O discurso que conecta violência e protesto político está sendo requalificado. Até os anos 70, ele era legítimo, ou seja, a violência estava ligada ao fim da opressão, com os movimentos de descolonização, com a ideia de que a violência era um instrumento da política. O que a gente assiste a partir dos anos 70? O tempo todo uma desqualificação da violência, quer dizer, a violência não é um meio da política, a violência é a não-política. Parece que agora está havendo uma tentativa de retomar a questão da violência como um lugar da política." – <strong><i>Sergio Adorno</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A violência que foi mencionada tem um significado muito forte, por mais assustador e negativo que seja em muitos momentos. É realmente uma voz oprimida rompendo, e ela precisa ser ouvida. Há também muitas denúncias, similares ao que aconteceu no Egito, de que bandidos pagos estão infiltrados nas manifestações. Isso pode estar acontecendo." – <strong><i>Arlene Clemesha</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A gente tem um momento pontual que é o da violência da polícia militar (...). A violência muda tudo. No outro ato já havia 65 mil pessoas em São Paulo, inclusive aquelas que estavam reclamando que a ordem estava sendo atrapalhada." — <strong><i>Alexey Dodsworth Magnavita</i></strong></p>
<p> </p>
<p><strong>CONSERVADORISMO / DIREITA</strong></p>
<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/debate-o-que-esta-acontecendo-3" alt="Debate 'O Que Está Acontecendo?' - 3" class="image-right" title="Debate 'O Que Está Acontecendo?' - 3" /></p>
<p style="text-align: justify; ">"Ontem houve agressão física por parte de pessoas participantes do movimento: a quem estava com bandeiras, a quem fazia parte de movimentos sociais já com uma trajetória histórica, a homossexuais, enfim, acho que houve uma guinada conservadora ontem bastante preocupante." – <strong><i>Lucia Maciel Barbosa de Oliveira</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Minha preocupação agora é com o fascismo (...). A gente foi hackeado pela mídia, pela direita, e todo mundo foi para a rua. E aí a coisa saiu de controle. Como não tem pauta, todo mundo levou o desejo contido de protestar contra tudo e contra todos. E agora temos que controlar o monstro que colocamos na rua." — <strong><i>Jorge Luiz Campos</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Após todo esse início, que teve aspectos muitos positivos, começam a aparecer grupos oportunistas – uma direita, um movimento fascista (...). Corre-se o risco que eles usurpem a própria aparência para o público geral e a própria condução e direção para onde esse movimento vai. E é nesse vácuo de compreensão, de comunicação que esses movimentos fascistas estão aparecendo e tomando a liderança de um movimento que surgiu tão bonito." – <strong><i>Arlene Clemesha</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Começa-se a perceber os sinais de cooptação do movimento (...), começa-se a notar que há uma aproximação de outras pautas (...). Começa-se a notar uma fagocitação do que o Movimento Passe Livre pretendia por movimentos extremamente conservadores (...). São pessoas usando a imagem obtida pelas manifestações para passar uma mensagem de golpe. Isso é muito perigoso. O Movimento Passe Livre fez o que tinha que fazer. Ocupou o espaço público, se manifestou, se expressou ao notar que estão tentando manipulá-lo, que estão tentando usá-lo. O que o Movimento faz? Se retira, faz muito bem. Para quê? Para que esses oportunistas de carteirinha voltem para onde nunca deveriam ter saído." – <strong><i>Alexey Dodsworth Magnavita</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>DIVERSIDADE DAS REIVINDICAÇÕES</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"São movimentos que vão muito além do que o que os convocou e nos quais se projeta numa tela tudo que a sorte deseja, inclusive de caráter contraditório. Daí sucede também que com frequência o resultado lhes seja subtraído". – <strong><i>Renato Janine Ribeiro</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Se a gente olhar as manifestações, cada um tem o seu cartaz. Ainda que cada cartaz reflita um sentimento coletivo, ele é uma leitura singular de uma experiência coletiva, de uma comunicação política interrompida. Eu acho que essa experiência precisa ser pensada, quer dizer, o que ela quer, aonde ela quer chegar, e porque essa recusa desses mecanismos." – <strong><i>Sergio Adorno</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Para poder de alguma maneira prosseguir na reivindicação e no significado que teve inicialmente, o movimento tem que definir outras metas extremamente objetivas, tal como a meta de baixar de R$ 3,20 para R$ 3,00. Será necessário definir metas dessa natureza." – <strong><i>José Álvaro Moisés</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Esse movimento é elaborado pelo Movimento Passe Livre, ou seja, é iniciado com uma pauta clara. Dizer que é difuso, que não se sabe o que quer, isso é depois. Mas o movimento nasce com uma pauta muito objetiva." — <strong><i>Alexey Dodsworth Magnavita</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Tem foco: o foco do Passe Livre é o passe livre, em outro foco vai ser outro movimento. Agora, a pauta da corrupção é uma pauta da direita infiltrada, é uma pauta genérica. Não se discute corrupção; se discute casos de corrupção." – <strong><i>Jorge Luiz Campos</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>ESPAÇO PÚBLICO / ECOLOGIA</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Um elemento que não foi falado aqui e que me parece fundamental é a ideia de retomada do espaço público, a ideia do direito à cidade como espaço de encontro, de confronto (...). Não é à toa que as pessoas vão para a rua, não basta só estar conectado pela internet." – <strong><i>Lucia Maciel Barbosa de Oliveira</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"A gente aqui faz um link entre o movimento no Brasil e o movimento na Turquia, bastante recentes. Os dois têm uma questão inicial que trata dos nossos modos de viver, do meio ambiente, da questão da urbanização, da mobilidade, do transporte. Isso não é um acaso. Há uma ligação forte entre os novos movimentos sociais e a questão da ecologia, sem se reduzir à dimensão ecológica." – <strong><i>Nicolas Lechopier</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"As pessoas que reclamam do movimento acham que se manifestar contra alguma coisa é reunir os estudantes no Masp, cantar “Coração de Estudante” e soltar uma pomba da gaiola. Mas não é assim. Para realizar um movimento que cause uma transformação, é preciso perturbar a ordem. Se não perturbar a ordem minimamente – não quer dizer praticar violência ou vandalizar o patrimônio público ou privado –,  não causa o impacto necessário." – <strong><i>Alexey Dodsworth Magnavita</i></strong></p>
<p style="text-align: justify; "> </p>
<p style="text-align: justify; "><strong>ECONOMIA</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">"Uma coisa comum [entre o movimento no Brasil e outras primaveras] é a insuficiência do crescimento econômico para construir um sentido comum, como meta coletiva de nossa vida em sociedade. Talvez a chave de interpretação seja a característica perigosa do crescimento econômico infinito (...), o problema é a questão da economia, do papel do dinheiro, e aí eu estou voltando à questão do transporte e da gratuidade do transporte." – a <strong><i>Nicolas Lechopier</i></strong></p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Mauro Bellesa/IEA</span><strong><i><br /></i></strong></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Laboratório Sociedades Contemporâneas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Manifestações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Democracia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciência Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-06-27T17:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/a-pratica-agroecologica-sob-a-perspectiva-cientifica">
    <title>A prática agroecológica sob a perspectiva da ciência</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/a-pratica-agroecologica-sob-a-perspectiva-cientifica</link>
    <description>O filósofo Hugh Lacey fez uma exposição sobre o tema na conferência  "Agroecologia como Ciência", organizada pelo Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/agroecologia-como-ciencia-1" alt="Agroecologia como Ciência 1 " class="image-right" title="Agroecologia como Ciência 1 " /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Os filósofos Hugh Lacey e Pablo Mariconda<br />na abertura da conferência</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Apontada por ambientalistas e movimentos socais como alternativa ao sistema agroalimentar convencional, a agroecologia é frequentemente deslegitimada por basear-se no saber popular e por desenvolver-se como contraponto ao agronegócio, cujo modelo de produção agrícola avança com o auxílio do conhecimento científico e tecnológico.</p>
<p>Mas esse cenário pouco a pouco começa a mudar graças a iniciativas acadêmicas voltadas para a estruturação da prática agroecológica como área da pesquisa. É o caso do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia/projeto/subgrupo-agroecologia" class="external-link">Grupo de Trabalho (GT) Agroecologia</a> — projeto do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, com o objetivo de investigar as diferentes dimensões da agroecologia e de fomentar estudos científicos que contribuam para a transição agroecológica.</p>
<p>No dia 14 de abril, o filósofo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/professores-visitantes/hugh-lacey" class="external-link">Hugh Lacey</a>, coordenador do GT e professor emérito do Swarthmore College, Estados Unidos, falou sobre as características distintivas da pesquisa agroecológica na<i> </i>conferência <i>Agroecologia como Ciência</i>.</p>
<p>Conhecido por criticar a submissão da atividade científica e tecnológica aos interesses econômicos, particularmente no que diz respeito à transgenia, Lacey ressaltou que o modelo de produção agroecológico visa a cultivar ecossistemas otimamente equilibrados a partir de métodos alinhados com os princípios da sustentabilidade ecológica e social. De acordo com ele, entre as prioridades da agroecologia estão "preservação da biodiversidade; respeito aos direitos humanos; segurança alimentar; relações igualitárias, justas e sem violência; e empoderamento das comunidades locais".</p>
<p>Alinhada com essas prioridades, a pesquisa agroecológica busca identificar as condições gerais e específicas — sociais, econômicas, políticas e técnicas — para gerar e manter agrossistemas em estado de equilíbrio. "A pesquisa agroecológica oferece resposta à questão 'como deve ser conduzida a pesquisa de modo a assegurar que direitos e bem-estar sejam para todos e para que os poderes regenerativos da natureza não sejam solapados?'", explicou, lembrando que se trata de reformar as práticas convencionais, isto é, "de transformar, ao invés de substituir, aquilo que já informa a prática".</p>
<p>Por isso, completou, a agroecologia como ciência contrapõe-se ao modelo agrícola convencional, marcado por "mecanização; monocultura; exploração dos trabalhadores rurais; dependência tecnológica e de insumos derivados do petróleo; uso de agrotóxicos e transgênicos; e por uma produção dirigida a um mercado sob controle de corporações e multinacionais".</p>
<p>Volta-se, assim, para a produção de conhecimentos científicos que fomentem o desenvolvimento e a expansão da agroecologia como prática agrícola. Para isso, destacou o filósofo, as estratégias de pesquisa na área devem seguir três diretrizes centrais:</p>
<ul>
<li>Estudar física, química e biologia a partir de uma perspectiva humanista, tendo em vista aspectos sociais, históricos e culturais;</li>
<li>Integrar o conhecimento científico com os conhecimentos populares, tradicionais e indígenas, para que se obtenha um conhecimento múltiplo;</li>
<li>Incluir os agricultores nas atividades científicas como participantes ativos.</li>
</ul>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Diálogo</strong></p>
<p>Segundo Lacey, a proposta da agroecologia como ciência pressupõe, em primeiro lugar, o diálogo entre cientistas e membros das comunidades agrícolas que endossam a prática agroecológica.</p>
<table class="tabela-esquerda-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/agroecologia-como-ciencia-2" alt="Agroecologia como Ciência 2" class="image-left" title="Agroecologia como Ciência 2" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Público durante a exposição de Hugh Lacey</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ele enfatizou que estabelecer relações simétricas entre especialistas, de um lado, e indígenas, camponeses e agricultores familiares, de outro — incorporando seus princípios, valores, práticas, experiências e tradições na pesquisa agroecológica —, implica rejeitar a ideia de superioridade e exclusividade do conhecimento produzido por instituições científicas modernas.</p>
<p>Além disso, afirmou, o diálogo entre ciência e prática agroecológica desafia a ideia amplamente difundida de que a atividade científica é capaz de resolver qualquer problema. "A resolução de conflitos requer o desenvolvimento de um novo nível de entendimento, o qual envolve mudanças tanto no conhecimento científico quanto no tradicional", ponderou.</p>
<p>Contudo, ao apostar nesse diálogo, Lacey não propõe a assimilação automática de qualquer saber popular à ciência. "Mudar significa o reconhecimento de outras estratégias holísticas sujeitas à confirmação a partir de dados empíricos, e não a abertura a qualquer opinião", advertiu.</p>
<p><strong>Questão de contexto</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Na avaliação de Lacey, o diálogo entre ciência moderna e tradição torna possível desenvolver um modelo de interação entre valores e atividades científicas que leve em consideração os contextos sociais, ecológicos e humanos implicados na escolha das estratégias de investigação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Isso porque, de acordo com o filósofo, a falta de compromisso da ciência com os efeitos socioambientais que gera está associada à carência de recursos metodológicos para o entendimento adequado da agroecologia. "Quase todas as pesquisas feitas nas instituições científicas modernas adotam as estratégias descontextualizadas, as quais representam a ordem subjacente", disse, acrescentando que "há uma relação de reforço mútuo entre estratégias de pesquisa e valores do capital e progresso tecnológico".</p>
<p>Para ele, as tensões entre atividade científica e prática agroecológica derivam das divergências em torno do princípio da contextualização. "Nas estratégias agroecológicas há uma relação de reforço mútuo com sustentabilidade, valores da justiça social e participação democrática", observou. "Precisamos de estratégias mais sensíveis ao contexto", completou.</p>
<p>Como exemplo dessa divergências, Lacey mencionou as diferentes formas de lidar com a "semente", elemento básico dos agrossistemas. No sistema agroalimentar hegemônico, afirmou o filósofo, a semente é vista como uma mercadoria, tal como ocorre no âmbito da transgenia: "As sementes não são parte da colheita, mas compradas no mercado, e precisam ser usadas associadas com outros produtos, como fertilizantes e agrotóxicos".</p>
<p>Já no caso da agroecologia, a semente é vista como uma entidade biológica inserida num contexto social, ecológico e humano — "um recurso renovável e regenerativo, fonte e parte de colheitas, cujo uso contribui para a estabilidade dos agrossistemas dos quais são componentes", explicou.</p>
<p><strong>Obstáculos</strong></p>
<p>A expectativa de Lacey é que a estruturação da agroecologia como ciência contribua para a transposição de dois grandes obstáculos ao avanço do modelo agroecológico de produção: a carência de recursos e a resistência dos agricultores.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A questão dos recursos diz respeito sobretudo ao custeio dos estudos desenvolvidos nas universidades, que geralmente são financiados por laboratórios e grandes corporações. Segundo o filósofo, isso faz com que os cientistas da área fiquem amarrados aos interesses do capital. Daí a necessidade de investir na agroecologia como ciência e de dar forma a estratégias de pesquisa plurais, que permitam unir multinacionais e comunidades agroecológicas, afirmou.</p>
<p>"É importante tentar introduzir a agricultura em muitas áreas da universidade, não só na agronomia. O sistema total agroalimentar engloba diversas dimensões — saúde, psicologia, sociologia, ciências políticas. Nossa luta dentro da universidade envolve um esforço dentro de muitas áreas", relatou.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>De acordo com ele, a incorporação da agroecologia à atividade científica pode ajudar a romper, também, a barreira do ceticismo, uma vez que é difícil convencer pequenos agricultores tradicionais a adotar as práticas agroecológicas. "É importante identificar casos de sucesso, pois a única maneira de convencer é o exemplo. Quando os agricultores veem os resultados, se convencem", finalizou.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Letícia Mariconda</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sustentabilidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Agronegócio</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ecologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Alimentar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-06-26T17:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/bernardo-sorj">
    <title>A política externa brasileira sob o olhar crítico de Bernardo Sorj</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/bernardo-sorj</link>
    <description>Em entrevista, Bernardo Sorj fala sobre a pesquisa "O Conflito no Oriente Médio: Alcances e Limites da Política Exterior do Brasil", que vem desenvolvendo durante sua estada como professor visitante no IEA. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/bernardo-sorj-1" alt="Bernardo Sorj" class="image-inline" title="Bernardo Sorj" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Bernardo Sorj, professor visitante</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Nascido no Uruguai e naturalizado brasileiro, o sociólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a> tem interesse particular por temas ligados à América Latina. Diretor do <a class="external-link" href="http://www.centroedelstein.org.br">Centro Edelstein de Pesquisa Social</a>, voltado para o fortalecimento das democracias latino-americanas, atualmente ele se dedica também ao estudo "O Conflito no Oriente Médio: Alcances e Limites da Política Exterior do Brasil", projeto que está desenvolvendo como professor visitante do IEA.</p>
<p>Além de abranger esse foco de investigação dos últimos anos, a pesquisa guarda relação com sua formação acadêmica inicial: Sorj é graduado em história e sociologia pela Universidade de Haifa, Israel, onde também cursou o mestrado. É doutor pela Manchester University, Inglaterra, e pós-doutor pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, França.</p>
<p>Na seguinte entrevista, concedida à jornalista Flávia Dourado, o sociólogo, que é professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falou sobre o estudo que vem conduzindo no IEA, com foco na política externa brasileira durante o governo Lula. De acordo com ele, "o discurso que enfatiza as relações Sul-Sul apresenta excessos retóricos e o sobreinvestimento na busca de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU é questionável e deveria ser mais amplamente discutido".</p>
<p> </p>
<p><i><strong>Em  seu projeto de pesquisa, o senhor diz que uma nova ordem internacional vem se  estabelecendo, marcada pela multipolaridade, pelo aumento da autonomia de países  em desenvolvimento e pela perda relativa da influência dos Estados Unidos no  cenário global. Que fatores estão levando a essa mudança?</strong></i></p>
<div>
<p><i>A nova ordem internacional, do ponto de vista geopolítico, se caracteriza  pelo lugar central que os Estados Unidos ainda ocupam, único país com capacidade  militar global. No entanto, esse poder militar não é infinito e os Estados  Unidos precisam de aliados locais para assegurar sua hegemonia. Neste sentido,  mais do que um mundo multipolar, trata-se de um mundo com hegemonia negociada,  que exige uma maior flexibilidade na política exterior americana. No horizonte  se perfila o surgimento de uma nova superpotência, a China, que no futuro poderá  fazer frente aos Estados Unidos, embora ela enfrente uma situação muito  complexa, rodeada de países com os quais tem problemas fronteiriços e  rivalidades históricas. Um degrau atrás se encontram países que são centros de  poder regional. Entre eles, vários países europeus e a Rússia — pelo seu poderio  militar —, mas também a Índia, a Turquia e o Brasil. Do ponto de vista  econômico, a multipolaridade é maior, e além dos polos representados pelos  Estados Unidos e a Europa, a China passou a ocupar um lugar central, como  principal parceiro comercial de um grande número de países.</i></p>
<p><i><strong>Qual  o lugar das "potências emergentes" como o Brasil nesse mundo  multipolar?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>O fim do comunismo aumentou a autonomia das elites locais, que deixaram  de temer revoluções comunistas e não precisam mais do guarda-chuva dos Estados  Unidos. Isso vale para todos os países latino-americanos. O Brasil, pelo seu  peso territorial, demográfico e econômico, é o principal referente da política  exterior na região, mas sua estratégia internacional ainda não chegou a se  consolidar numa proposta coerente. Na América do Sul, o modelo econômico  brasileiro, altamente protecionista, limita seu papel como atrator das economias  vizinhas e sua capacidade de produzir cadeias industriais interligadas com a  economia regional e global. O discurso que enfatiza as relações Sul-Sul  apresenta excessos retóricos e o sobreinvestimento na busca de uma vaga no  Conselho de Segurança da ONU é questionável e deveria ser mais amplamente  discutido.</i></p>
<p><i><strong>O  senhor fala na configuração de uma hegemonia negociada. Quais as implicações  disso para a regulação da nova ordem internacional?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>Como mencionei anteriormente, a hegemonia negociada é uma exigência  crescente de um sistema internacional que não possui a clareza do período da  guerra fria e onde a principal potência, os Estados Unidos, perdeu peso  relativo. Nesse contexto, países com poder médio procuram ampliar suas áreas de  influência e seu papel nos fóruns e instituições internacionais.</i></p>
<p><i><strong>Sua  pesquisa concentra-se na política exterior brasileira durante o governo Lula.  Como o senhor caracteriza essa política e em que medida ela representou uma  ruptura com a política anterior?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>Chamar de ruptura seria um exagero, inclusive porque o governo Lula teve  que lidar com novas realidades que inexistiam no período Fernando Henrique  Cardoso, como a política exterior de Hugo Chávez e os Brics. No caso da política  exterior bolivariana, o governo Lula soube navegar de forma adequada, freando  suas iniciativas mais radicais e/ou canalizando-as no sentido de criação de  instituições sem maiores poderes, como a Unasur ou o Conselho de Defesa  Sul-Americano. A principal distinção do governo Lula foi a mudança no sentido de  um discurso mais radical, denunciador do Norte, a explicitação de apoio a  candidatos em eleições de países vizinhos — o que significou um rompimento com a  tradição de respeito à soberania nacional de cada país —, a ênfase nas relações  Sul-Sul e um distanciamento nos fóruns internacionais em relação à defesa dos  direitos humanos, que foi revertida no governo Dilma.</i></p>
<p><i><strong>Há  continuidade dessa política externa no governo Dilma?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>Em geral o governo Dilma manteve as linhas básicas da política externa do  governo precedente, mas com um ativismo internacional pessoal muito menor e sem  as declarações controversas que caracterizaram o presidente Lula.</i></p>
<p><strong><i>A política externa do governo Lula foi marcada pela defesa da estratégia  de cooperação Sul-Sul, ou seja, da aproximação com países em desenvolvimento,  como os latino-americanos e os africanos. Quais foram as principais  transformações nesse âmbito e que efeitos políticos e econômicos essa estratégia  ocasionou?</i></strong></p>
<p><i>As relações comerciais do Brasil com a América Latina não aumentaram  durante o governo Lula e o Mercosul aprofundou sua crise, por causa das  dificuldades da Argentina. Apesar da retórica integracionista, o principal  fenômeno dos últimos anos foi a criação da Aliança para o Pacífico — da qual o Brasil não faz parte —, que  inclui  o México, país que o Brasil marginalizou com sua ênfase na América do Sul. A  suspensão do Paraguai quando da deposição do presidente Fernando Lugo ignorou os  procedimentos definidos no tratado de Ushuaia. Parte dos investimentos do setor  privado brasileiro na região, como o bancário, por exemplo, integram um processo  natural de expansão de empresas na procura de novos mercados. A promoção de  grandes empreiteiras em países vizinhos, como Bolívia e Equador, produziu duas  crises quando os governos denunciaram as obras em construção. Os projetos de  cooperação com a Venezuela na área energética não decolaram e ainda é cedo para  avaliar a sensatez dos investimentos realizados por empresários brasileiros  naquele país, que contaram com o apoio ativo do governo brasileiro. Na prática,  o Brasil está enfrentando cada vez mais a concorrência de produtos chineses na  região, e a elaboração de uma estratégia capaz de limitar os estragos ainda está por ser elaborada.</i></p>
<p><i><strong>Durante  o governo Lula, o Brasil reivindicou, sem sucesso, o ingresso no Conselho de  Segurança da ONU. Como o senhor vê as perspectivas para que isso se concretize e  quais seriam os principais benefícios para o país?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>Durante muito tempo se argumentou que o principal empecilho para mudar a  estrutura do Conselho de Segurança são os Estados Unidos, quando na prática o  problema é mais complexo. A China não tem nenhum interesse nessa mudança, que  levaria ao conselho países como o Japão e a Índia, com os quais mantém sérios  contenciosos. Os gestos do Brasil para agradar a China na expectativa que ela  apoiasse a demanda brasileira se mostraram infrutíferos. Pessoalmente, acredito  que o Brasil não deveria investir tanto nesse tema, que ademais divide a América  Latina, pois países como o México reivindicam que a vaga seja rotativa entre os  países da região.</i></p>
<p><i><strong>O  objetivo central da sua pesquisa é analisar a atuação do Brasil na tentativa,  com a Turquia, de negociação de um acordo em 2010 que resolvesse os impasses do  programa nuclear iraniano. Como o senhor analisa aquela tentativa e o que ela  representou para a imagem do Brasil perante a opinião pública  internacional?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>Ainda não possuo os elementos para realizar uma avaliação ponderada. O quanto o passo em falso deveu-se a uma leitura errada dos sinais enviados pelos  Estados Unidos e o quanto foi produto do açodamento da equipe que assessorou o  presidente, isso ainda é uma questão em aberto. O resultado foi penoso para o  Brasil, que entrou numa mesa para a qual não tinha cacife suficiente.</i></p>
<p><strong><i>Qual sua opinião sobre o posicionamento do Brasil durante o governo Lula em relação à questão palestina?</i></strong></p>
<p><i>A postura do governo Lula foi equilibrada, defendendo a criação de um Estado Palestino convivendo com o Estado de Israel.</i></p>
<p><i><strong>E  quanto às iniciativas comerciais brasileiras voltadas para os países  árabes?</strong><strong> </strong></i></p>
<p><i>Com a Primavera Árabe, caíram vários governos com os quais o presidente  Lula procurou se aproximar. O Brasil deverá reavaliar sua política em relação  aos países árabes, procurando parceiros que apresentem maior estabilidade  política, como o Marrocos, por exemplo.</i></p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Arquivo de Bernardo Sorj</span></p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Relações Internacionais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Oriente Médio</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-10T19:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/a-participacao-na-saude-publica">
    <title>A participação na saúde pública</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/a-participacao-na-saude-publica</link>
    <description>O filósofo da ciência Nicolas Lechopier faz no dia 21 de novembro seu segundo seminário como pesquisador visitante do IEA. Dessa vez o tema é Participação e Saúde Pública.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">Participação e Saúde Pública é o tema do segundo seminário com o filósofo da ciência Nicolas Lechopier, da Université Claude Bernard Lyon 1, França, no dia 21 de novembro, às 9h30, no IEA. O evento é uma realização do Grupo de Pesquisa de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia.</p>
<p style="text-align: justify; ">Segundo Lechopier, a participação constitui um aspecto central das práticas contemporâneas da saúde pública: "Ela implica efetivamente a constituição mais ou menos artificial de um coletivo, acarreta certos modos de legitimação dos saberes locais e coloca problemas em termos de acordos sobre os valores epistêmicos.</p>
<p style="text-align: justify; "><span>Na sua análise, Lechopier baseia-se em correntes contemporâneas (biopedagógicas, «nudges», práticas de educação popular) ligadas a regimes diferentes de participação, isto é, a configurações variadas de poderes e saberes.</span></p>
<p style="text-align: justify; ">No primeiro seminário, no dia 31 de outubro, ele tratou das quatro tensões estruturais que, na sua opinião, percorrem o campo da saúde pública: os conceitos de saúde e doença; os diferentes regimes de legitimidade presentes; o lugar das diferentes ciências na avaliação dos riscos e das políticas; e a consideração dos determinantes sociais da saúde.</p>
<p style="text-align: justify; ">Os dois seminários são preparatórios para a mesa-redonda Etapas para uma Abordagem Crítica dos Dispositivos de Saúde Pública, que acontecerá no dia 5 de dezembro, às 9h30, no IEA.</p>
<p style="text-align: justify; ">Lechopier integra também o Instituto Francês de Educação da Escola Normal Superior de Lyon. É doutor em filosofia e história da ciência pela Universidade Paris 1—Panthén-Sorbonne (2007) e realizou pesquisa de pós-doutorado na USP (2008-2009)  junto ao Projeto Temático Fapesp Gênese e Significação da Tecnociência, coordenado por Pablo Mariconda e vinculado ao grupo de pesquisa do IEA. Também cumpriu programa de pós-doutorado na Universidade do Quebec em Montreal, Canadá.</p>
<p style="text-align: justify; ">As áreas de pesquisa de Lechopier são: ética da ciência; epistemologia social e ética da saúde pública; educação e promoção da saúde; e abordagens participativas e comunitárias. Ele é autor de "Les Valeurs de la Recherche — Enquête sur la Protection des Donnés Personnelles en Épidémiologie" (2011) e, junto com G. Marmasse, de "La Nature entre Sciences et Philosophie" (2008).</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Epistemologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Saúde Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2012-10-26T02:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>




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