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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 1 to 15.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/filiacao-reus-lava-jato">
    <title>Filiação Partidária dos Réus da Operação Lava Jato</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/filiacao-reus-lava-jato</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Debate acerca da bases de dados que reúnem características biográficas dos réus da Operação Lava Jato, o que permite compreensão sistêmica de padrões de corrupção.</p>
<p>Neste evento, será abordado, especificamente, o artigo intitulado <i><a class="external-link" href="https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/4689">“Filiação partidária entre os réus da Lava Jato”</a></i>, resultado do projeto da Profa. Bertran desenvolvido durante sua participação no Programa Ano Sabáticono do IEA (com coautores) e que foi aceito para publicação pela <i><span><a class="external-link" href="https://dados.iesp.uerj.br/sobre/">Revista Dados</a></span>.</i></p>
<p><b>Exposição e moderação:</b></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-paula-bertran" class="external-link">Maria Paula Bertran</a> (FDRP-USP)</p>
<p><b>Comentários:</b></p>
<p><a class="external-link" href="https://www.bowdoin.edu/profiles/faculty/l.vilaca/index.html">Luiz Vilaça</a> (Bowdoin College)</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaf/fernando-limongi" class="external-link">Fernando Limongi</a> (FFLCH-USP e FGV)</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rogerio-arantes" class="external-link">Rogério Arantes</a> (FFLCH-USP)</p>
<h3>Transmissão:</h3>
<p><b>Evento sem transmissão ao vivo.</b></p>
<p><b>Após o evento, o vídeo será disponibilizado no <a href="https://www.youtube.com/@iea-usp" target="_blank">canal do YouTube do IEA</a>.</b></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Justiça</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direito</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-03-12T12:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/webinar-discute-crime-organizado-e-corrupcao-na-regiao-amazonica">
    <title>Webinar discute crime organizado e corrupção na região amazônica</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/webinar-discute-crime-organizado-e-corrupcao-na-regiao-amazonica</link>
    <description>Evento é realizado pelo Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do IEA-RP em parceria com o Amazonia Research Center e o Instituto Iberoamericano de Haya</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/CrimeOrganizadoTransnacionaleCorruponaAmazniaBrasileColmbia.png/@@images/6f8064d9-9bb2-4ec3-8052-741a60730752.png" alt="" class="image-left" title="" />O Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, em parceria com o Amazonia Research Center, promovem no dia 9 de dezembro, a partir das 14h (horário de Brasília), o webinar “Crime Organizado Transnacional e Corrupção na Amazônia: Brasil e Colômbia”.</p>
<p>As inscrições são gratuitas e devem ser feitas <a href="https://forms.gle/35dVqYoZMEx6AeET8">neste link</a>. O evento é exclusivamente on-line e será transmitido pelo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PLig0SmiZpY">canal do IEA-RP no YouTube</a> e pela <a href="http://facebook.com/usp.iearp">página do Polo no Facebook</a>. Haverá envio de certificados aos participantes que preencherem o formulário de presença enviado no chat das plataformas durante a transmissão.</p>
<p>Os palestrantes serão os professores da Universidad del Rosario, da Colômbia, Hector Olasolo e Filipe Antunes Madeira da Silva, o pesquisador e professor da Universidad Andrés Bello, do Chile, Pablo Galain Palermo e o pesquisador e professor da Universidad Nacional, da Colômbia, Estanislao Escalante Barreto. A moderação será do delegado da Polícia Federal e integrante da Comunidade de Polícias das Américas (Ameripol), Anderson Bichara, e dos coordenadores do Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do IEA-RP, Eduardo Saad-Diniz e Ruth Estêvão. A coordenadora do IEA-RP, Carla Ventura, fará a abertura.</p>
<p>O evento também integra as atividades do Instituto Ibero-Americano de la Haya, criado em 2011 com o objetivo de ser uma plataforma para que os diferentes atores da região iberoamericana possam apresentar aos diferentes tribunais com sede em Haya, além da comunidade acadêmica e a sociedade civil, experiências e visões sobre questões relativas à paz, à proteção dos direitos humanos, à prevenção de delitos e à luta contra a impunidade.</p>
<p>Durante o webinar, será apresentado o livro “El fenómeno del Crimen Organizado Transnacional y su impacto en la Corrupción Pública y Privada en América Latina – III: experiencias en la Amazonía Brasileña y Colombiana”. A obra foi elaborada pelo Grupo de Investigación en Criminología del Programa de Investigación sobre Corrupción asociada al Crimen Organizado Transnacional, com financiamento do Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación da Colômbia e executado pela Universidad del Rosario e Pontificia Universidad Javeriana, com apoio do Instituto Ibero-Americano de la Haya, sob coordenação do professor Hector Olásolo.</p>
<p><a href="https://editorial.tirant.com/es/colecciones/perspectivas-iberoamericanas-sobre-la-justicia">Neste link</a>, é possível baixar tanto o livro que será apresentado no webinar quanto outras obras do Programa de Investigación sobre Corrupción Asociada al Crimen Organizado Transnacional, que é desenvolvido dentro do contexto da <a href="https://www.iberoamericaninstituteofthehague.org/formacion-e-investigacion/red-de-investigacion-respuestas-a-la-corrupcion-asociada-al-crimen-transnacional-organizado">Red de Investigación sobre Respuestas a la Corrupción asociada al Crimen Organizado Transnacional</a>.</p>
<p>Mais informações sobre o evento: <a>iearp@usp.br</a>.</p>
<p><span><b>Sobre o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública</b></span></p>
<p>A partir dos recentes avanços da Criminologia Experimental, o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do IEA-RP propõe dedicar-se ao estudo de experimentos, métodos e intervenções que permitam extrair evidências científicas sobre o que funciona (what works) nas estratégias de segurança pública. Com base nas evidências científicas obtidas pelo método experimental, pretende-se desenvolver novas abordagens teóricas e recomendações de ação estratégica no campo da segurança pública. Saiba mais sobre as atividades do grupo <a href="https://rp.iea.usp.br/pesquisa/grupos-de-pesquisa/criminologia-experimental-e-seguranca-publica/">neste link</a>.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Criminologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    <dc:date>2024-11-18T14:50:06Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/ofensores-e-vitimas-de-crimes-de-colarinho-branco-caracteristicas-fatores-de-risco-e-carreiras">
    <title>Ofensores e vítimas de crimes de colarinho branco: características, fatores de risco e carreiras</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/ofensores-e-vitimas-de-crimes-de-colarinho-branco-caracteristicas-fatores-de-risco-e-carreiras</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p dir="ltr">Crimes de colarinho branco são geralmente cometidos por empresas e seus funcionários, ou realizados por indivíduos no âmbito da sua profissão. Para discutir esse tipo de delito, o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto, em parceria com a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa, promove no dia 30 de setembro, às 14h, a conferência “Ofensores e vítimas de crimes de colarinho branco: características, fatores de risco e carreiras”.</p>
<p dir="ltr">O evento será exclusivamente on-line, com transmissão pelo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tALitTnN3J4" target="_blank">canal do IEA-RP no YouTube</a> e pela <a href="https://www.facebook.com/usp.iearp" target="_blank">página do polo no Facebook</a>. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas <a href="https://forms.gle/UjVHvZSwHmr672zV6" target="_blank">neste link</a>. Haverá envio de certificado aos participantes que preencherem um formulário disponibilizado no chat das ferramentas durante o evento.</p>
<p dir="ltr">A palestrante será a docente da Faculdade de Direito da Universidade do Porto Rita Faria. Ela vai abordar os resultados de vários trabalhos internacionais sobre as características de quem comete esse tipo de crime, além de fatores de risco para sua realização, carreiras criminais e graus de especialização. Rita vai destacar também a necessidade de conduzir mais e melhores estudos sobre esse delito que, apesar de criar danos mais significativos do que a criminalidade convencional, recebe menor atenção dos cidadãos, das políticas criminais e da comunidade acadêmica.</p>
<p dir="ltr">Rita Faria é professora auxiliar e vice-diretora da Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto. É também vice-diretora do Centro de Investigação Interdisciplinar em Justiça (CIJ) e presidente do Euroc, o grupo de trabalho sobre crimes organizacionais da European Society of Criminology. Desenvolve suas pesquisas em torno da fraude científica e outros comportamentos desonestos em contexto profissional, crimes de colarinho branco, das empresas e crimes ambientais.</p>
<p dir="ltr">Mais informações sobre o evento: <a href="mailto:iearp@usp.br">iearp@usp.br</a>.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Criminologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    <dc:date>2024-09-18T15:04:32Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/conferencia-on-line-discute-crimes-do-colarinho-branco">
    <title>Conferência on-line discute crimes do colarinho branco</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/conferencia-on-line-discute-crimes-do-colarinho-branco</link>
    <description>Evento integra ciclo de conferências promovido pelo Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental do IEA-RP e pela AICLP</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-eda22f6d-7fff-3a24-4d88-a565542c3508"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/Ofensoresevtimasdecrimesdecolarinhobranco.png/@@images/9293c634-69f4-4b22-8bef-49876bce6adc.png" alt="" class="image-left" title="" />Crimes de colarinho branco são geralmente cometidos por empresas e seus funcionários, ou realizados por indivíduos no âmbito da sua profissão. Para discutir esse tipo de delito, o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto, em parceria com a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa, promove no dia 30 de setembro, às 14h, a conferência “Ofensores e vítimas de crimes de colarinho branco: características, fatores de risco e carreiras”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O evento será exclusivamente on-line, com transmissão pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tALitTnN3J4"><span>canal do IEA-RP no YouTube</span></a><span> e pela </span><a href="https://www.facebook.com/usp.iearp"><span>página do polo no Facebook</span></a><span>. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas </span><a href="https://forms.gle/UjVHvZSwHmr672zV6"><span>neste link</span></a><span>. Haverá envio de certificado aos participantes que preencherem um formulário disponibilizado no chat das ferramentas durante o evento.</span></p>
<p dir="ltr"><span>A palestrante será a docente da Faculdade de Direito da Universidade do Porto Rita Faria. Ela vai abordar os resultados de vários trabalhos internacionais sobre as características de quem comete esse tipo de crime, além de fatores de risco para sua realização, carreiras criminais e graus de especialização. Rita vai destacar também a necessidade de conduzir mais e melhores estudos sobre esse delito que, apesar de criar danos mais significativos do que a criminalidade convencional, recebe menor atenção dos cidadãos, das políticas criminais e da comunidade acadêmica.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Rita Faria é professora auxiliar e vice-diretora da Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto. É também vice-diretora do Centro de Investigação Interdisciplinar em Justiça (CIJ) e presidente do Euroc, o grupo de trabalho sobre crimes organizacionais da European Society of Criminology. Desenvolve suas pesquisas em torno da fraude científica e outros comportamentos desonestos em contexto profissional, crimes de colarinho branco, das empresas e crimes ambientais.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Mais informações sobre o evento: </span><a href="mailto:iearp@usp.br"><span>iearp@usp.br</span></a><span>.</span></p>
<p dir="ltr"><span><b>Sobre o grupo</b></span></p>
<p><span>A partir dos recentes avanços da Criminologia Experimental, o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do IEA-RP propõe dedicar-se ao estudo de experimentos, métodos e intervenções que permitam extrair evidências científicas sobre o que funciona (what works) nas estratégias de segurança pública. Com base nas evidências científicas obtidas pelo método experimental, pretende-se desenvolver novas abordagens teóricas e recomendações de ação estratégica no campo da segurança pública. Saiba mais na </span><a href="https://rp.iea.usp.br/pesquisa/grupos-de-pesquisa/criminologia-experimental-e-seguranca-publica/"><span>página do grupo</span></a><span>.</span></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Criminologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    <dc:date>2024-09-18T15:02:09Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/para-alem-da-associacao-classica-entre-confianca-politica-e-corrupcao-quando-a-experiencia-de-corrupcao-assume-a-lideranca">
    <title>Para além da associação clássica entre confiança política e corrupção: quando a experiência de corrupção assume a liderança</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/para-alem-da-associacao-classica-entre-confianca-politica-e-corrupcao-quando-a-experiencia-de-corrupcao-assume-a-lideranca</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-b89a7965-7fff-c613-2642-0019a35a7fdb"> </span></p>
<p dir="ltr"><span>O Grupo de Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto, em parceria com a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa, promove no dia 7 de dezembro, às 9h, a conferência on-line “Para além da associação clássica entre confiança política e corrupção: quando a experiência de corrupção assume a liderança”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O evento será exclusivamente on-line e integra o ciclo de conferências que as duas instituições estão realizando em 2022. </span><span>Haverá envio de certificado aos participantes mediante preenchimento de formulário durante a transmissão.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O palestrante será o investigador auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal, Felippe Clemente. Ele vai abordar um inquérito aplicado em Portugal que demonstrou o impacto significativo da confiança política nas percepções dos cidadãos e na sua tolerância à corrupção. O estudo contribui para a compreensão da resiliência desse fenômeno complexo nas democracias.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Felippe Clemente é pós-doutor em Economia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e doutor em Economia Aplicada pela mesma Instituição, com período sanduíche na Goethe-Universität Frankfurt am Main, Alemanha. Além disso, atuou como membro do Programa de Extensão Em Rede - Núcleo Viçosa e como diretor geral da Liga Acadêmica de Estudos sobre a Criminalidade (LAEC). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia do Crime e Finanças Públicas. Atualmente, é investigador auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa no âmbito do projeto EPOCA: Corrupção e Crescimento Económico, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT).</span></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Criminologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Justiça</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direito</dc:subject>
    
    <dc:date>2022-11-28T13:42:01Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/associacao-entre-confianca-politica-e-corrupcao-e-tema-de-conferencia-on-line">
    <title>Associação entre confiança política e corrupção é tema de conferência on-line</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/associacao-entre-confianca-politica-e-corrupcao-e-tema-de-conferencia-on-line</link>
    <description>Evento integra ciclo promovido pela Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa e pelo IEA-RP</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-6ff6c4fa-7fff-ad79-28d0-8db1e4de9dbf"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/Paraalmdaassociaoclssicaentreconfianapolticaecorrupo.png/@@images/960bfd51-381b-4853-aa44-8f02d59081cc.png" alt="" class="image-left" title="" />O Grupo de Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto, em parceria com a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa, promove no dia 7 de dezembro, às 9h, a conferência on-line “Para além da associação clássica entre confiança política e corrupção: quando a experiência de corrupção assume a liderança”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O evento será exclusivamente on-line e integra o ciclo de conferências que as duas instituições estão realizando em 2022. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas </span><a href="https://forms.gle/kHGmCN5DhfT9uhUu8"><span>neste link</span></a><span>. A transmissão será feita pelo </span><a href="https://www.youtube.com/IEAUSPRP/live"><span>canal do IEA-RP no YouTube</span></a><span> e no </span><a href="https://www.facebook.com/usp.iearp"><span>perfil do Instituto no Facebook</span></a><span>. Haverá envio de certificado aos participantes mediante preenchimento de formulário durante a transmissão.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O palestrante será o investigador auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal, Felippe Clemente. Ele vai abordar um inquérito aplicado em Portugal que demonstrou o impacto significativo da confiança política nas percepções dos cidadãos e na sua tolerância à corrupção. O estudo contribui para a compreensão da resiliência desse fenômeno complexo nas democracias.</span></p>
<p dir="ltr"><span>“A corrupção é muitas vezes definida como uma forma esperada de comportamento no exercício das funções oficiais e no cumprimento das responsabilidades oficiais. Isso significa que a avaliação dos cidadãos sobre o impacto da corrupção nas suas vidas ou na sociedade é suscetível de ser influenciada pela sua confiança em instituições democráticas para a realização e proteção desses valores”, afirma ele.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Felippe Clemente é pós-doutor em Economia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e doutor em Economia Aplicada pela mesma Instituição, com período sanduíche na Goethe-Universität Frankfurt am Main, Alemanha. Além disso, atuou como membro do Programa de Extensão Em Rede - Núcleo Viçosa e como diretor geral da Liga Acadêmica de Estudos sobre a Criminalidade (LAEC). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia do Crime e Finanças Públicas. Atualmente, é investigador auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa no âmbito do projecto EPOCA: Corrupção e Crescimento Económico, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT).</span></p>
<p dir="ltr"><span>Mais informações: </span><a href="mailto:iearp@usp.br"><span>iearp@usp.br</span></a></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Criminologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Justiça</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direito</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    <dc:date>2022-11-28T13:41:58Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/seminario-projeto-crime-corporativo">
    <title>Seminário de Encerramento do Projeto Binacional "Crime Corporativo e Corrupção Sistêmica no Brasil"</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/seminario-projeto-crime-corporativo</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; "><a href="https://www.iea.usp.br/en/events/car-wash" class="external-link"><strong>Click here for the English version</strong></a></p>
<p>Este é o evento de encerramento do projeto "Crime Corporativo e Corrupção Sistêmica no Brasil", fruto de Acordo de Cooperação Internacional entre a FAPESP e  DFG, da Alemanha.</p>
<p>Nesse evento discutiremos de forma ampla a relação entre dinheiro e política no Brasil, com foco em processos da Justiça Eleitoral e, sobretudo, na Operação Lava Jato, fazendo um balanço crítico de seus resultados, oito anos após seu lançamento.</p>
<h3><span>Observação:</span></h3>
<p><i>A parte brasileira desse projeto de pesquisa foi executada no NUPPs/IEA/USP e a parte alemã, no Departamento de Sociologia da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.</i></p>
<h3><strong>Transmissão</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<p>Acompanhe a transmissão do evento em <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">www.iea.usp.br/aovivo</a></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Larissa Barreto Cruz</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Poder</dc:subject>
    
    <dc:date>2022-01-27T19:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/artigos-digitais/corrupcao-acao-climatica">
    <title>Um Ensaio sobre Corrupção e Ação Climática</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/artigos-digitais/corrupcao-acao-climatica</link>
    <description>Autores: Flávia Mendes de Almeida Collaço e Pedro Roberto Jacobi 
</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: right; "><i>Flávia Mendes de Almeida Collaço<sup>[I]</sup> e Pedro Roberto Jacobi<sup>[II]</sup></i></p>
<p>As mudanças climáticas (MC) compõem o maior risco atual para o desenvolvimento sustentável. As projeções científicas indicam que bilhões de pessoas enfrentarão escassez de alimentos e água, ocorrência mais frequente e violenta de desastres naturais, risco de aumento da exposição a doenças, perda de casas, bens e meios de subsistência, implicando também em migração forçada (UNDP, 2010; OIM, 2021). O Acordo de Paris (2015) reconhece as mudanças climáticas como um desafio global enfrentado por todos, com dimensões locais, subnacionais, nacionais, regionais e internacionais. Por isso, implementar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas envolve o reconhecimento da visão transfronteiriça do risco climático e das interconexões entre pessoas, ecossistemas e economias em um mundo globalizado.</p>
<p>O governo brasileiro ratificou o Acordo de Paris e, ao fazê-lo, assumiu o compromisso de adotar medidas para redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de um conjunto de contribuições nacionalmente determinadas (NDCs). O Brasil já tem duas NDCs ratificadas. A primeira declarou um compromisso de reduzir, em 2025, as emissões de GEE em 37% e, em 2030, a indicação de reduzir em 43%, tendo o ano de 2005 como referência. Tais medidas consideram todo o conjunto da economia em território nacional, não havendo uma distribuição formal da contribuição de cada setor específico. A nova NDC manteve as intenções determinadas pela primeira NDC, sendo que essa manutenção de meta implicará em um aumento das emissões do país (Observatório do Clima, 2020).</p>
<p>Vem agregar à essa complexa lógica de atuação para o enfrentamento das MC também a agenda 2030 que estabelece os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), em prol da diminuição da desigualdade social, contra a pobreza e de combate às MC através da transição do modelo de desenvolvimento atual dos países, para um modelo sustentável. Nesse sentido, faz-se necessário pensar o papel das cidades e regiões metropolitanas (“think globally, act locally”<sup><sup><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/artigos-digitais/corrupcao-acao-climatica#nota" class="external-link"><strong>1</strong></a></sup></sup>) no alcance das metas nacionais e na proposição de iniciativas de desenvolvimento sustentável e/ou de baixo carbono.</p>
<p>As negociações climáticas dos últimos 20 anos demonstraram que sua governança tem se expandido para muito além da resposta multilateral sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Isso porque, a agenda climática é composta e deve dialogar com um conjunto amplo de políticas e setores que possuem características próprias, o que inclui: grau de regulação; obrigações legais e práticas; prioridade dos órgãos de controle; responsabilidade das esferas de governo; mecanismos de prestação de contas, dentre outros. Em adição, existe a necessidade de se conciliar as diferentes escalas do problema que tem natureza global, com níveis de ação regional, nacional e local.</p>
<p>Para além dos dilemas de governança multinível, o maior desafio das mudanças climáticas tem sido na verdade, seu endereçamento e real enfrentamento. Sabe-se que os países não darão conta de cumprir os objetivos de mitigação climática do Acordo de Paris. As avaliações sobre as projeções de emissões atuais e projetadas sob as NDCs sugerem que o orçamento global de emissões acumuladas de 1,5 °C estará esgotado até 2030.</p>
<p>De fato, a maioria dos países desenvolveram leis, planos e metas climáticas, mas ainda falta a implementação de tais políticas de forma efetiva e rigorosa. Existe um hiato muito significativo entre a retórica da emergência climática e a efetiva capacidade de implementar as medidas necessárias. Isso porque ainda é muito incipiente a ênfase na ação climática e em políticas de forma efetiva, rigorosa e ágil. Os combustíveis fósseis ainda permanecem como pilar da economia global e as emissões no mundo continuam a aumentar. Mas, o que vem impedindo os países de agir de forma a reverter o quadro existente?</p>
<p>Cientistas vem apontando algumas razões. Em primeiro lugar, falta um acordo global sobre compartilhamento de encargos, transferências tecnológicas e financiamento climático. Isso porque, o Acordo de Paris produziu apenas um sistema de compromisso voluntário, sem definir recursos a sanções. O que na perspectiva de muitos estudiosos, não é incentivo suficiente para que os países iniciem uma forte mitigação e adaptação ao clima (Lamb e Minx, 2020).</p>
<p>Outra explicação comumente explorada, diz respeito às características peculiares do problema das mudanças climáticas que representam obstáculos substanciais à nossa capacidade de fazer as escolhas difíceis necessárias para enfrentá-los. Segundo Gardiner (2014), as mudanças climáticas são “<i>a perfect moral storm</i>” porque impõe a necessidade de uma ética intergeracional. A consequência direta disto, segundo o autor, é que, mesmo que as questões éticas pudessem ser respondidas, ainda assim poderíamos ter dificuldade para agir, pois as incertezas climáticas associadas aos cenários de impactos gerados não promovem e mobilizam a ação que se faz necessária.</p>
<p>Um terceiro fator está na resiliência dos sistemas atuais de desenvolvimento e estabelecimento das infraestruturas que se apresentam como sistemas resistentes e com inércia incorporada, restringindo severamente a velocidade e a ambição das transições. Isto inclui a vida útil longa e os custos irrecuperáveis das infraestruturas que dependem de um alto consumo de energia (Lamb e Minx, 2020).</p>
<p>Por fim, sob a ótica do sistema vigente – do qual fazem parte a indústria dos combustíveis fósseis, as indústrias energo-intensivas assim como o capital financeiro – temos que a política climática representa uma ameaça existencial às suas práticas operacionais, fazendo com que tais atores mobilizem enormes montantes de recursos econômicos e políticos para barrá-la e estimular o negacionismo.</p>
<p>Tal subterfúgio pode envolver desde o <i>lobby</i> entre empresas e políticos, até a manipulação dos discursos públicos contra a ação climática, ou a captura dos órgãos do governo encarregados de sua regulamentação.  Nesse sentido, é possível afirmar que muitas práticas e <i>drivers</i> de corrupção podem estar de fato sendo utilizados para impedir a transição e a implementação da agenda climática. Sendo a corrupção aqui entendida como “abuso de poder confiado a alguém, visando a obtenção de ganho privado, causando degradação ambiental, enfraquecimento da governança ambiental ou injustiça socioambiental” (Collaço, Reis e Morgado, 2021).</p>
<p>Por isso, a corrupção pode ser considerada como um dos elementos utilizados para a manutenção de interesses prevalecentes ao longo do tempo, que também se situam dentro de uma trajetória de instituições políticas e normas sociais, que muitas vezes reforçam e entrincheiram-se ativamente na sua articulação de poder. Por exemplo, para os economistas políticos, o aprisionamento de carbono e as falhas morais não são acidentes da sociedade moderna, são características de design da economia fóssil. Sob diferentes perspectivas teóricas, argumenta-se que as instituições têm um papel central na mediação do poder de grupos de interesse e na fixação de sistemas de tecnologia por meio de regras e outros arranjos organizacionais, e por isso, tem havido muita atenção quanto ao desenho adequado de políticas para superar as restrições políticas, por exemplo, compensando grupos de interesse ou trazendo benefícios sociais e de saúde à vanguarda da agenda climática (Lamb e Minx, 2020).</p>
<p>Finalmente, sob esse ponto, argumenta-se que a corrupção age como <i>constraint</i> da ação climática, já que pode afetar todas as etapas do ciclo das políticas. Seja pelo enviesamento da formulação das políticas, leis e regulações, por meio de práticas que podem resultar em influência indevida, diminuindo a coerência entre políticas setoriais e a climática. Seja pela implementação ineficaz de políticas, programas, projetos e serviços públicos, com favorecimento ou desvio; dificultando o alcance das metas climáticas. Seja pelo enfraquecimento da capacidade do Estado de monitorar e fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental e climática e de responsabilizar os infratores, por meio da prevaricação por exemplo. Nesse sentido, a pesquisa que será desenvolvida no Centro de Sínteses Cidades Globais, buscará compreender como a Corrupção, por meio de suas várias práticas e <i>drives</i>, se apresenta como um dos principais empecilhos <i>(constraints)</i> ao progresso da política climática com foco nas cidades da Macrometrópole Paulista.</p>
<table class="plain">
<tbody>
<tr>
<td>
<p align="center"><strong>Corrupção, Barganha Política e Ação Climática</strong></p>
<p>Em artigo publicado na Nature Climate Change (2018), Pedro R. R. Rochedo e colegas usam modelos de avaliação integrada para explorar cenários de emissão de carbono que foram projetados especificamente para o Brasil. Suas pesquisas quantificam as mudanças necessárias em outros setores econômicos para compensar as maiores emissões de desmatamento devido à erosão da governança ambiental no país. O estudo afirma que a “barganha política”, ou a busca por apoio político, e as recentes sinalizações (tanto do governo passado – 2018 – quanto do governo atual) que o governo vem dando aos proprietários de terras para aumentar o desmatamento, está colocando em risco a contribuição do país para o Acordo de Paris. Foram assinados atos e decretos provisionais, diminuindo os requisitos de licenciamento ambiental, suspendendo a ratificação de terras indígenas, reduzindo o tamanho das áreas protegidas e facilitando os grileiros a obter as ações de áreas desmatadas ilegalmente pode minar o sucesso das reduções de emissão de CO2 que o Brasil alcançou através do controle do desmatamento na década anterior (Rochedo et al., 2018).</p>
<p>Segundo os autores, a análise da governança ambiental no Brasil ajuda a explicar como uma crise política pode ser um fator importante para o aumento do desmatamento e das emissões de carbono no país. Isso porque, o controle do desmatamento, observado nos anos de 2005 até 2012, foi resultado do fortalecimento de acordos institucionais, como o de impor o Estado de Direito e enviar sinais que podem, direta ou indiretamente, incentivar os agentes econômicos a decidir se desmatam ilegalmente ou não. Tal arranjo institucional também pode ser afetado pelo grau de cooperação com o regime internacional sobre as mudanças climáticas, e segundo os autores, ao analisar essas forças nas últimas duas décadas, a governança ambiental no Brasil pode ser dividida em três períodos principais: antes de 2005, um período com governança muito fraca e altas taxas de desmatamento; 2005–2011, um período com melhorias na governança ambiental e resultados efetivos na redução do desmatamento; e 2012–2017, quando a governança sofreu uma erosão gradual com a grande anistia concedida a desmatadores ilegais passados ​​na revisão do Código Florestal, o que levou a uma reversão do desmatamento tendência de redução na Amazônia após 2012 e, posteriormente, a um aumento do desmatamento durante 2015-2020 e consequentemente, aumentando as emissões de GEE (Rochedo et al., 2018).</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>COLLAÇO, F. M. DE A.; REIS, V.; MORGADO, R. Novas Medidas Contra a Corrupção e sua relevância para temas socioambientais. <strong>Transparência Internacional Brasil</strong>, n. Agosto 2021, p. 21, 2021.</p>
<p>GARDINER, S. M. A Perfect Moral Storm : Climate Change , Intergenerational Ethics and the Problem of Moral. <strong>Environmental Values</strong>, v. 15, n. 3, p. 397–413, 2014.</p>
<p>LAMB, W. F.; MINX, J. C. The political economy of national climate policy: Architectures of constraint and a typology of countries. <strong>Energy Research and Social Science</strong>, v. 64, n. January, p. 101429, 2020.</p>
<p>OBSERVATÓRIO DO CLIMA. <strong>NDC e “ pedalada “ de carbono: como o Brasil reduziu a ambição de suas metas no Acordo de Paris</strong>. Piracicaba: 2021.</p>
<p>ORGANIZACIÓN INTERNACIONAL PARA LAS MIGRACIONES - OIM. <strong>La movilidad humana derivada de desastres y el cambio climático en Centroamérica. </strong>OIM, Ginebra, 2021.</p>
<p>ROCHEDO, P. R. R. <i>et al.</i> The threat of political bargaining to climate mitigation in Brazil. <strong>Nature Climate Change</strong>, v. 8, n. 8, p. 695–698, 2018.</p>
<p>UNDP. <strong>Staying on track : tackling corruption risks in climate changeUnited Nations Development Programme</strong>. 2010. Disponível em: &lt;http://scholar.google.com/scholar?hl=en&amp;btnG=Search&amp;q=intitle:Staying+on+track:+Tackling+corruption+risks+in+climate+change#0%5Cnhttp://www.undp.org/content/undp/en/home/librarypage/democratic-governance/anti-corruption/staying-on-track--tackling-corrupti&gt;.</p>
<hr />
<p><span class="discreet">[I] - Pós-doutoranda do Centro de Síntese USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados da USP;<br />[II] - Supervisor de pós-doutorado do Centro de Síntese USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados da USP e professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP.<br />[1] - A autoria dessa frase não é consenso na comunidade científica, ela foi atribuída a David Browerne (1969), Dubos (1977) e a Frank Feather (1979).</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Clima</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mudanças Climáticas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    <dc:date>2021-10-19T11:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/progresso-da-pesquisa-corrupcao">
    <title>Progresso da Pesquisa: Corrupção e Sistema de Integridade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/progresso-da-pesquisa-corrupcao</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>A corrupção é um dos problemas mais severos e complexos enfrentados pelas democracias, e no Brasil há muito ela tem grande impacto sobre a vida política. A corrupção envolve o abuso do poder público para facilitar benefícios privados, inclusive, vantagens para partidos de governo em detrimento da oposição; ela frauda o princípio de igualdade política inerente à democracia, pois seus protagonistas obtêm benefícios políticos incompatíveis com os que alcançariam por meios legítimos. Ela também distorce a dimensão republicana da democracia fazendo as políticas públicas resultarem não da disputa aberta de projetos diferentes, mas de acordos de bastidores que favorecem interesses espúrios. Na experiência brasileira recente, a conduta irregular de líderes, partidos e burocratas com a corrupção compromete a percepção das vantagens da democracia em comparação com suas alternativas, e, fazendo crer que é parte tanto do regime democrático como do autoritário, ela desqualifica o primeiro para controlar o abuso do poder. Seus efeitos impactam, assim, tanto a legitimidade quanto a qualidade da democracia porque comprometem o princípio de que nesse regime ninguém está acima da lei e contribuem para o esvaziamento dos mecanismos de responsabilização de governos (accountability horizontal).</p>
<p>Em função disso, em anos recentes, agindo com base em sua autonomia política e em novas leis de combate à corrupção, a Polícia Federal, o Ministério Público e o poder judiciário – o que tem sido designado como Sistema de Integridade - mostraram a natureza sistêmica, planejada e interligada do fenômeno, cuja captura de recursos ultrapassou de muito os montantes necessários para a implementação de políticas públicas fundamentais. A descoberta do envolvimento de partidos, empresas e burocratas de estatais no esquema deu origem à Operação Lava Jato que, malgrado sua repercussão nacional e internacional e seu enorme impacto sobre o funcionamento dos poderes republicanos e dos principais partidos do país, foi denunciada por ações ilegais que, entre outros efeitos, podem ter influenciado os resultados das eleições presidenciais de 2018. Em consequência, a Lava Jato foi desativada pelo Ministério Público e um de seus principais protagonistas foi considerado juridicamente suspeito pelo STF, levando à anulação de condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se somam a isso as iniciativas do atual governo para aumentar seu controle sobre organismos de fiscalização e monitoramento, como a Polícia Federal, o Coaf e a Receita Federal, o que deixa incertos os rumos que o monitoramento e o controle do abuso de poder terão nos próximos anos no país.</p>
<p>A Corrupção e o Sistema de Integridade são objeto de pesquisa realizada por pesquisadores do NUPPs, em parceria com o CESOP, da Unicamp. O seminário vai apresentar os resultados parciais da pesquisa e, ao mesmo tempo, indicar os rumos que o trabalho de campo está tomando nas condições da presente crise sanitária.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Cláudia Regina</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Qualidade da Democracia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crise Política</dc:subject>
    
    <dc:date>2021-04-30T11:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/para-docente-etica-empresarial-brasileira-ainda-tem-maturidade-muito-baixa">
    <title>Para docente, ética empresarial brasileira ainda tem maturidade muito baixa</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/para-docente-etica-empresarial-brasileira-ainda-tem-maturidade-muito-baixa</link>
    <description>Professor da FDRP aborda escândalos de corrupção e desastres ambientais na segunda parte de entrevista sobre justiça de transição corporativa, exibida pelo USP Analisa
</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-847b8945-7fff-66a3-9fda-eade34a3a31e"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/money1428587_1280.jpg/@@images/24b5b328-5425-465a-a885-6ad56614c812.jpeg" alt="" class="image-left" title="" />Embora a justiça de transição corporativa aborde a colaboração de empresas com regimes autoritários, também é possível traçar um paralelo dela com outras questões ligadas à responsabilidade corporativa, como o envolvimento em esquemas de corrupção, desastres ambientais ou casos de racismo. É o que explica o professor da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP Eduardo Saad Diniz na segunda parte da entrevista especial exibida nesta semana pelo USP Analisa.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Para Eduardo, a ética empresarial no Brasil ainda tem uma maturidade muito baixa e a Operação Lava Jato, que investigou diversos esquemas de corrupção entre empresas e o poder público, não impactou sensivelmente nos padrões de governança das corporações.</span></p>
<p dir="ltr"><span>“Toda essa lógica de que a gente tem integridade nos negócios é um </span><span><i>law for sale</i></span><span>, quer dizer, uma grande indústria, um grande produto de marketing muito bem feito. São modelações abstratas, que não repercutem sensivelmente na forma como as empresas se relacionam conosco. Então por isso que eu digo, não é só o problema lá do regime autoritário não, existe uma grande continuidade da ausência de responsabilização e da ausência do reconhecimento do papel das empresas na sociedade brasileira”, diz ele.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Ele destaca que em casos recentes, fica clara também a ausência de responsabilidade penal dessas empresas. “O Brasil rapidamente enche os cárceres com a criminalidade de ruas e a gente vê escândalos corporativos que não chegam ao conhecimento do sistema de Justiça Criminal, que rapidamente são neutralizados. Veja, na [Operação] Carne Fraca, a gente viu uma empresa afetando diretamente nosso padrão de segurança alimentar e que facilmente virou um problema de corrupção de funcionário público, do fiscal. No dia seguinte, a imprensa estava toda neutralizada e o Presidente da República foi comer um churrasco, nessa lógica de neutralização moral do conflito. No caso das barragens [de Mariana e Brumadinho] eu não tenho uma neutralização moral, porque eu sei quem é que rompeu a barragem, eu sei quem foi o meu ofensor. A grande questão é que eu sou dependente dele, a vítima é obrigada a conviver com seu ofensor”, explica o professor.</span></p>
<p dir="ltr"><span>A segunda parte da entrevista, que também marca o último programa da temporada 2020, vai ao ar nesta quarta (23), a partir das 18h05, com reapresentação no domingo (27), às 11h30. Ele também pode ser ouvido pelas plataformas de </span><span>streaming</span><span> </span><a href="https://podcasts.apple.com/br/podcast/jornal-da-usp/id1451609458"><span>iTunes</span></a><span> e </span><a href="https://open.spotify.com/show/5YsTgKLnwJiGor1AqqxYpV"><span>Spotify</span></a><span>.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/sinopses/usp-analisa/"><span>USP Analisa</span></a><span> é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o programa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em </span><a href="https://t.me/iearp"><span>nosso canal no Telegram</span></a><span>.</span></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ética</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>USP Analisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direito</dc:subject>
    
    <dc:date>2020-12-22T14:24:40Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/crime-corporativo">
    <title>Crime Corporativo e Corrupção Sistêmica no Brasil</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/crime-corporativo</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span>Este workshop reúne pesquisadores do projeto homônimo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG). Este projeto congrega cientistas políticos e sociólogos que, com diversas abordagens teóricas e metodológicas, estudam a questão da corrupção no Brasil.</span></p>
<p>O objeto específico do projeto são os grandes escândalos recentes de corrupção no Brasil (por exemplo: Banestado, Satiagraha, Castelo de Areia, Mensalão e Lava Jato) e a relação entre a corrupção e o financiamento de campanhas eleitorais.</p>
<p>Neste workshop, os pesquisadores apresentarão resultados parciais da pesquisa que se iniciou em setembro de 2018 e se estenderá até agosto de 2021.</p>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"><strong>Coordenação:</strong></div>
<div class="visualClear"><strong> </strong><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaw/wagner-pralon-mancuso" class="external-link">Wagner Pralon Mancuso</a> (Programa Ano Sabático do IEA)</div>
<div class="visualClear"><span><br /></span></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"><strong>Debatedor:</strong></div>
<div class="visualClear">
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/matthew-taylor" class="external-link">Matthew M. Taylor</a> (American University)</div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear">
<h3>Transmissão</h3>
<p>Acompanhe a transmissão do evento em <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">iea.usp.br/aovivo</a></p>
</div>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento online</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Fapesp</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    <dc:date>2020-09-10T20:10:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/crime-organizado-e-corrupcao">
    <title>Justiça brasileira prende muito e prende mal, avaliam agentes públicos e pesquisadores</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/crime-organizado-e-corrupcao</link>
    <description>Além de superlotados, presídios sustentam as redes criminosas do país, afirmaram os expositores em debate sobre as relações entre o crime organizado e a corrupção</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p dir="ltr"><dl class="image-right captioned" style="width:300px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/raul-jungmann/image" alt="Raul Jungmann" title="Raul Jungmann" height="300" width="300" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:300px;">Para o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, o Brasil precisa articular políticas para diminuir o número de jovens que são presos</dd>
</dl>O modelo de enfrentamento ao crime aplicado no Brasil está totalmente esgotado e, na prática, retroalimenta a criminalidade das ruas a partir de lideranças em presídios. Pelo menos metade dos presos do país cometeu delitos considerados menos graves, como furto ou receptação. Na cadeia, eles têm contato com redes criminosas mais complexas e, muitas vezes, passam a fazer parte delas. <br /><br />Pesquisadores e agentes com experiência concretas à frente de cargos públicos chegaram a esta conclusão enquanto expunham as peculiaridades das diversas facetas da corrupção e do crime organizado no seminário <i>Crime Organizado e Corrupção na Visão de Pesquisadores e Agentes Públicos</i>, que ocorreu no dia 2 de setembro no IEA. O evento foi coordenado pelo cientista político <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rogerio-arantes" class="external-link">Rogério Bastos Arantes</a>, professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Arantes é um dos participantes do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico" class="external-link">Programa Ano Sabático</a> do IEA em 2019, no qual desenvolve o projeto de pesquisa <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico/projeto-de-pesquisa-de-rogerio-bastos-arantes" class="external-link">Corrupção Política e Crime Organizado no Brasil</a>.<br /><br /><span>“Estamos prendendo muito, e prendendo mal”, disse </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/raul-belens-jungmann-pinto" class="external-link">Raul Jungmann</a><span>, ministro da Segurança Pública durante o governo de Michel Temer, ao explicar que o Brasil só olha para um dos três principais aspectos do tema — prevenção social, repressão e sistema prisional. “O Brasil só discute repressão. Não há políticas de prevenção e a situação das prisões não é discutida”, disse. “Isso acontece porque vivemos em uma sociedade encularrada, com medo, que não vê o Estado garantindo segurança. E o mundo político reverbera esse discurso”.</span></p>
<p dir="ltr">Enquanto isso, as outras pontas de uma política de segurança nacional sólida estão desamparadas no Brasil, avalia Jungmann. Ele lembra que hoje, no Brasil, há 11 milhões de jovens desempregados e que não estudam. “O espelho dessa situação está no sistema prisional: 55% dos que estão lá são jovens de 18 a 29 anos, com baixa escolaridade, pouca renda e família desestruturada”, afirmou. “Isso começa do lado de fora, e se reproduz lá dentro, na cadeia”.</p>
<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Relacionado</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/crime-organizado-e-corrupcao-na-visao-de-pesquisadores-e-agentes-publicos-2-de-setembro-de-2019" class="external-link">Fotos</a></p>
<p>Vídeos: <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/crime-organizado-e-corrupcao-na-visao-de-pesquisadores-e-agentes-publicos-parte-1-de-2" class="external-link">Manhã</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/crime-organizado-e-corrupcao-na-visao-de-pesquisadores-e-agentes-publicos-parte-2-de-2" class="external-link">Tarde</a></p>
<p><strong>Notícias</strong></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/combate-a-corrupcao" class="external-link">Cientista político examina mais de 3 mil operações de combate à corrupção</a></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/ex-diretores-da-policia-federal-debatem-sobre-a-corrupcao-e-o-crime-organizado" class="external-link">A corrupção e o crime organizado na visão de 3 ex-diretores da Polícia Federal</a></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/transformacoes-da-policia-federal" class="external-link">Transformações da PF permitiram maior combate à corrupção e ao crime organizado, afirmam ex-diretores</a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr">Para ele, uma política de prevenção não seria difícil de ser aplicada, já que o Estado sabe onde focar sua atuação. A juventude é o grupo mais afetado — jovens de 15 a 24 anos matam e morrem duas vezes mais do que a média. O território também é conhecido: 132 cidades brasileiras concentram 50% dos homicídios. “Se não estancarmos o que ocorre do lado de fora, não vai ter polícia e dinheiro que resolva a situação. Mas ninguém, e eu me incluo nesta crítica, foi capaz de estruturar uma política articulada que olhe para isto”.</p>
<p dir="ltr"><strong>“A prisão é o grande diferencial dos grupos criminosos que atuam no Brasil”</strong></p>
<p dir="ltr">Um dos diagnósticos apontados por todos participantes é de que as prisões brasileiras estão em seu limite, tanto operacional quanto de eficácia no enfrentamento do crime.</p>
<p dir="ltr">O limite operacional se deve ao fato das cadeias estarem superlotadas.O Brasil aloca, hoje, mais de 800 mil presos em um sistema que pode receber menos de 400 mil. Para completar, a população carcerária cresce 8,3% ao ano.</p>
<p dir="ltr"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jose-eduardo-martins-cardozo" class="external-link">José Eduardo Cardozo</a> lembrou de uma declaração sua, à época ministro da Justiça do governo da presidente Dilma Rousseff, que ganhou muito destaque na imprensa. “Disse que preferia morrer a cumprir pena em certos presídios do Brasil; algo que sempre disse na minha trajetória política. Como deputado, por exemplo. Mas acho que vindo de um ministro, foi algo muito chamativo. Mas é isso: o sistema prisional brasileiro é formado por verdadeiras masmorras”.</p>
<p dir="ltr">As violações à dignidade humana e a superlotação não são os únicos problemas citados. A eficácia do encarceramento como forma de enfrentar a criminalidade foi questionada pelos expositores. Para eles, não há dúvida de que é a própria cadeia que alimenta e organiza as redes criminais do país. Professora da Universidade Federal do ABC e pesquisadora de organizações criminosas com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a socióloga <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/camila-caldeira-dias" class="external-link">Camila Caldeira Nunes Dias</a> afirma que esses grupos se fortaleceram e se tornaram protagonistas a partir da prisão. “Ela é, na verdade, o grande diferencial dos grupos que atuam no Brasil”, disse. “Se olharmos para organizações de outros países, veremos que elas não surgiram na cadeia. Aqui, elas surgem exatamente como grupos de presos que se uniram para combater o que consideravam como opressões e injustiças nos presídios”.</p>
<p dir="ltr">Ela explica que, no Brasil, as cadeias reconfiguraram as dinâmicas criminais contemporâneas e passaram a ser um elemento central neste campo, na medida em que os grupos são articulados no interior dos presídios. “Nossa política de segurança é baseada na repressão e punição de pequenos vendedores de drogas”, explica. “Eles vão para cadeia e lá podem se integrar às organizações. A possibilidade de que passem a atuar em redes criminosas muito mais complexas é grande. A prisão costura e tece essas redes. É um ciclo vicioso”.</p>
<p dir="ltr"><strong>“Estamos criando um monstro que vai nos devorar”</strong></p>
<p dir="ltr">Construir cada vez mais presídios para tentar amenizar a superlotação não é uma alternativa viável. José Eduardo Cardozo conta que, quando entrou no ministério, não tinha como prioridade construí-los, mas percebeu que não havia alternativa para tentar amenizar o déficit de vagas. Logo, porém, começou a esbarrar em dificuldades. “Percebi que se usasse todos os recursos disponíveis apenas para construir prisões eu entregaria 40 mil vagas. O déficit já estava em mais de 300 mil”, lembra.</p>
<p dir="ltr"><dl class="image-left captioned" style="width:300px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/jose-eduardo-martins-cardozo/image" alt="José Eduardo Martins Cardozo" title="José Eduardo Martins Cardozo" height="300" width="300" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:300px;">Não há como construir mais presídios para suprir a curva ascedente de encarceramento no país, garante o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo</dd>
</dl>No final, “a muito custo”, Cardozo conseguiu entregar 9 mil vagas. “Mesmo se entregasse o prometido, não resolveria o problema. Como a construção leva pelo menos 5 anos, no final das contas o déficit estaria ainda maior, pois a população carcerária cresce todo ano. É como enxugar gelo”.<br /><br /><span>Ele ainda reforçou que a construção de presídios tem outros obstáculos. “Nenhum estado quer receber uma prisão. Primeiro, porque a população protesta e isso tem efeitos políticos e eleitorais. Mas também pela questão financeira. A manutenção anual de um presídio custa, aproximadamente, o valor da sua construção”.</span></p>
<p dir="ltr">Para Cardozo, se deveria prender apenas em casos estritamente necessários e buscar outras formas de pena, que admitam e julguem o delito praticado, mas sem cortar a possibilidade de reinserção na sociedade e sem alimentar as organizações criminosas.</p>
<p dir="ltr"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/samantha-dobrowolski" class="external-link">Samantha Chantal</a>, membro do Ministério Público Federal, concordou com a necessidade de colocar em prática uma política de penas alternativas para crimes menos graves com urgência. Ela, porém, apresentou contrapontos que explicam, em parte, porque o sistema judiciário brasileiro funciona dessa maneira. “A prisão se tornou um enorme problema. Mas na prática, existe uma cobrança social em cidades menores. Por exemplo, o impacto de certos crimes em uma localidade menor é muito maior, ou considerado mais grave, do que em um centro que vê aquele tipo de infração com mais frequência”, disse. “Quem estuda e analisa o crime organizado precisa considerar isso também”.</p>
<p dir="ltr">Ao tentar compreender o porquê da força do discurso a favor da política de encarceramento, Samantha também ponderou que, embora se prendam muitos criminosos de menor impacto — com atitudes que não envolvem violência física —, em alguns casos ocorre o contrário. “Pessoas que mataram, ou cometeram um crime mais bárbaro, às vezes saem com 1/6 da pena concluída. A sociedade fica com a impressão de que vale a pena [de que o crime compensa]”, explicou.</p>
<p dir="ltr">Se a prisão é a base de sustentação dos grupos criminosos, argumentou Camila Dias, qualquer perspectiva de reduzir a influência e a violência destas organizações não pode ter seu foco na expansão do sistema prisional. Neste aspecto, a jornalista <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-cecilia-de-oliveira-rosa" class="external-link">Maria Cecília de Oliveira Rosa</a>, debatedora da mesa com os pesquisadores, perguntou se o pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, é adequado para enfrentar o crime organizado. “Ele vai na direção oposta do que é dito há décadas sobre as soluções para combater o crime”, respondeu Camila. “É mais do mesmo, porque reforça as medidas de sempre: aumento ou endurecimento da pena e de punição baseada no encarceramento”.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:300px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/samantha-chantal-dobrowolski/image" alt="Samantha Chantal Dobrowolski" title="Samantha Chantal Dobrowolski" height="300" width="300" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:300px;">Samantha Chantal, do Ministério Público Federal, pondera que a cultura de encarceramento do Brasil é fortalecida pela pressão de parte da sociedade</dd>
</dl></p>
<p dir="ltr">Uma das propostas do pacote é aumentar o número de presos nas penitenciárias de segurança máxima do sistema federal, onde o detento fica isolado, bem como dobrar o tempo de reclusão hoje permitido neste formato de reclusão. “Manter um preso nesse sistema é caríssimo: cerca de 10 mil reais por mês. E hoje há cerca de 800 vagas disponíveis, divididas entre os cinco presídios federais. Se começarmos a transferir presos, daqui a uns meses não haverá mais vagas. É uma proposta que não cabe na realidade”, disse Camila.</p>
<p dir="ltr">Para Jungmann, a sociedade não costuma associar a criminalidade que ocorre na rua com as prisões. “Pensamos em violência e crime apenas entre a rua e o portão da cadeia. Dali para dentro, dane-se. Isso é insuportável, não há como continuar assim. Estamos criando um monstro que vai nos devorar”.</p>
<p dir="ltr">José Eduardo Cardozo ainda pontuou que uma série de estudos teóricos de criminologia apontam que a pena privativa de liberdade, mesmo em um sistema prisional bom, não recupera indivíduos em um percentual elevado. “Se cortam os laços com a família e com a sociedade, e o detento é incorporado em uma outra dimensão cultural, o que dificulta a reinserção social”, disse. “Nós temos todas as informações e erramos. Todas as análises e teorias dizem que não é assim, mas nós prosseguimos dessa maneira”.</p>
<p dir="ltr"><strong>“Não há crime organizado sem corrupção”</strong></p>
<p dir="ltr">As raízes do crime organizado brasileiro, entretanto, não estão apenas nas cadeias. Para chegar ao nível de complexidade que se atingiu no país, com intrínsecas redes de comando em atuação em todo território, o crime precisa andar de mãos dadas com outra velha questão nacional: a corrupção.</p>
<p dir="ltr">Para o professor do Departamento de Sociologia da FFLCH-USP e coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência (NEV), também da USP, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sergio-franca-adorno-de-abreu" class="external-link">Sérgio Adorno</a>, essa discussão precisa ser problematizada e ir além da imagem de que a violência vem apenas de uma população concentrada em periferias e de menor renda. “Quando falamos em crime organizado, há uma relação forte com o tráfico de drogas, ou com o porte de armas”, disse Adorno, que participou como debatedor da mesa dos agentes públicos. “Mas esses não são os únicos tipos de crime que alimentam esse problema”.</p>
<p dir="ltr">A corrupção em altas esferas institucionais e o crime organizado têm uma intrínseca ligação, afirmou José Eduardo Cardozo. “Eu ousaria dizer que não há crime organizado sem que as autoridades estatais sejam corruptas. São vasos comunicantes”.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Crime-organizado-mesa-1.jpg/image" alt="Crime organizado - mesa 1" title="Crime organizado - mesa 1" height="333" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Observada pela jornalista Maria Cecília de Oliveira Rosa, moderadora do debate, a pesquisadora Camila Dias expõe as conclusões de suas pesquisas sobre as relações entre o crime organizado e o sistema prisional. Ao seu lado, da esquerda para a direita, estão Gabriel Feltran e Bruno Carazza </dd>
</dl></p>
<p dir="ltr"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoab/bruno-carazza" class="external-link">Bruno Carazza</a>, professor do Ibmec em Belo Horizonte e pesquisador do sistema político brasileiro e do financiamento das eleições, apresentou a lógica que está enraizada nesse cenário. “As características dos esquemas de corrupção envolvendo dinheiro de empresas e agentes públicos são sempre muito parecidas”, disse. “Seja em casos mais recentes, com as construtoras e empreiteiras, como no caso de Paulo César Farias, tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello”.</p>
<p dir="ltr">Os personagens, intermediários, métodos e objetivos se repetem ao longo do tempo, garante Carazza. “Há certos nomes que aparecem no caso PC Farias e nas listas recentes da Lava Jato, por exemplo. O que mudou foram os valores envolvidos: cresceram cada vez mais ao longo dos anos”.</p>
<p dir="ltr">No início da década de 1990, um dos objetivos destes esquemas era facilitar a eleição de um candidato, por meio de doações — não declaradas —  de empresas para as campanhas. Em 1994, as doações empresariais foram permitidas para tentar garantir mais transparência ao processo. Em 2016, foram novamente proibidas.</p>
<p dir="ltr">Mesmo não sendo ilegais, essas doações determinavam quase que completamente as chances de um candidato ser eleito. E eram concentradas em poucos agentes — a Odebrecht, por exemplo, tinha uma série de CNPJs diferentes para fazer suas doações.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Crime-organizado-evolucao-carceraria.jpg/image" alt="Crime organizado - Evolução carceraria" title="Crime organizado - Evolução carceraria" height="315" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Disponível em: senado.leg.br</dd>
</dl></p>
<p dir="ltr">E mesmo com a oficialização dessa prática ainda havia as contribuições não declaradas — o famoso caixa 2. “Em sua delação, Marcelo Odebrecht disse que não acreditava que algum político brasileiro tenha sido eleito nas últimas eleições sem ser beneficiado por caixa 2”, disse Carazza. “Pois, se ele não recebeu diretamente, parte da verba de campanha vem do partido, que provavelmente recebeu”.</p>
<p dir="ltr">Quando as doações de empresas eram permitidas, os políticos eleitos com a ajuda financeira de algum setor passavam a defender seus interesses na comissões da Câmara dos Deputados e relatorias de medidas provisórias. “As comissões de Agricultura e do Meio Ambiente, por exemplo, eram dominadas por deputados que recebiam doações do agronegócio. O mesmo vale para o setor financeiro e industrial, que dominava a comissão de defesa do consumidor”, explicou Carazza. “Era um jogo jogado tanto para promover pautas favoráveis, como para barrar as negativas para o setor”.</p>
<p dir="ltr">Com a proibição desse tipo de doação, as campanhas passaram a ser financiadas com dinheiro público. “E assim, se forma uma barreira para novos atores na política. Algumas figuras específicas, fortes em seus partidos, ganham muito dinheiro dos partidos, enquanto a grande maioria ganha muito pouco”, disse. “Cada estado tem seus caciques, que se fortaleceram com essa nova dinâmica”.</p>
<p dir="ltr">Entre as possíveis soluções, o pesquisador apontou a necessidade de eleições mais baratas como uma das principais. “Reconhecendo que esse problema da corrupção não é isolado nem culpa de um ou outro agente político, mas um problema global, é preciso cortar a demanda por dinheiro que há no processo político”, disse. Segundo ele, há dois caminhos para isso: adotar o sistema distrital ou de lista fechada.<br /><br /><dl class="image-right captioned" style="width:300px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/crime-organizado-ii-rogerio-arantes/image" alt="Rogério Arantes" title="Rogério Arantes" height="300" width="300" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:300px;">Para o coordenador do seminário, Rogério Arantes, o Brasil precisa enfrentar o crime da mesma maneira que passou a combater a corrupção: com operações coordenadas e sistemáticas</dd>
</dl><span> </span><span>O primeiro resolveria a questão territorial: um político brasileiro, ao buscar votos, geralmente percorre um vasto território ou precisa atingir populações distantes uma das outras, o que exige muito dinheiro. Com eleitores mais concentrados, a campanha poderia ser mais barata. A segunda solução transfere a eleição do plano pessoal (que envolve centenas de milhares de políticos precisando de dinheiro para se promover) para o plano partidário: o voto do eleitor seria em um partido, com uma lista de políticos já definida, o que concentraria a campanha em um esforço único e não pulverizado.</span></p>
<p><span id="docs-internal-guid-0e526ce3-7fff-0719-3158-c57652f9f654"> </span></p>
<p dir="ltr"><span>O coordenador do encontro, Rogério Arantes, pontuou que esse plano institucional, que envolve a classe política, foi bastante impactado pela Lava Jato. "A despeito das críticas e controvérsias que suscita, que precisam ser discutidas pela sociedade brasileira, a operação teve um alto grau de eficiência e números extravagantes de investigação e condenação produzidos em pouco tempo", disse.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Esse combate à corrupção, entretanto, foi uma espécie de "opção preferencial" dos sistema de justiça criminal brasileiro, apontou o pesquisador. "Seria possível imaginar uma Lava Jato também no âmbito do crime organizado? Com o mesmo voluntarismo por parte das instituições do sistema de justiça criminal e um movimento tão bem desenhado pelos atores desse projeto de combate à corrupção?", indagou. Para Arantes, é preciso pensar a longo prazo em maneiras de mobilizar esse mesmo tipo de disposição e inovação em procedimentos de enfrentamento para lidar com o crime organizado no país.</span></p>
<p> </p>
<table class="listing">
<tbody>
<tr>
<th><i> </i>
<h3 dir="ltr"><i>"Tipos muito diferentes de crimes não podem <br />ser associados como uma coisa só"</i></h3>
<p dir="ltr"><i>Pesquisador de periferias paulistas desde o final da década de 1990, o sociólogo e etnógrafo urbano <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/gabriel-de-santis-feltran" class="external-link">Gabriel Feltran</a> tem como uma de suas linhas de pesquisa o crime organizado e sua influência nessas comunidades. Ele explicou que o estudo da violência urbana exige uma cautela metodológica, proposta pelo sociólogo Luís Antonio Machado da Silva.</i></p>
<p dir="ltr"><i>“Esse tema inclui muitos processos diferentes”, explicou Feltran. “Podemos falar de um assassinato, de venda de drogas, de um assalto, ou de um marido agredindo a esposa. Mas cada um desses aspectos são totalmente diferentes entre si do ponto de vista empírico”.</i></p>
<p dir="ltr"><i>Se associarmos tudo como “violência urbana”, ou “crime organizado”, diz Feltran, deixamos de diferenciar os processos e entendê-los. “É preciso dar o nome certo às coisas. A partir disso, é possível identificar os conflitos sociais, econômicos e urbanos que envolvem o tema”.</i></p>
<p dir="ltr"><i>Feltran também estudou as forças que atuavam nas periferias e produziam ordem e regulação social na década de 1990. Entre esses fenômenos, muito presentes na vida cotidiana, estavam a polícia, a religião, a lógica do dinheiro, o crime e também um grupo heterogêneo, com moradores, voluntários e cientistas sociais, que acreditava nos direitos de cidadania e procurava fazer intervenções que melhorassem esses espaços.</i></p>
<p dir="ltr"><i>Cada um desses grupos tinha suas próprias ideologias e ideias do que seria certo ou errado. As igrejas, por exemplo, defendiam determinadas condutas morais, enquanto o crime tinha sua própria ideia de sagrado e profano, baseada em um conceito próprio e anti sistema. A lógica de mercado também ditava comportamentos — o dinheiro como caminho para prosperidade, mobilidade social e respeito.</i></p>
<p dir="ltr"><i>“O grupo do qual eu fazia parte, dos sociólogos, tinha a pretensão de ser o agente de modernização política desses territórios”, lembrou Feltran. “Hoje, vemos que aconteceu o contrário. Os outros grupos que atuavam na periferia saíram e ocuparam uma série de instituições modernas.” Ele cita, por exemplo, o crescente número de policiais e religiosos na política. “Achávamos que as instituições se expandiriam para chegar até as periferias. Ocorreu o oposto disso”.</i></p>
</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direitos humanos</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Violência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-09-12T18:25:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/crime-organizado-e-corrupcao-na-visao-de-pesquisadores-e-agentes-publicos-2-de-setembro-de-2019">
    <title>Crime Organizado e Corrupção na Visão de Pesquisadores e Agentes Públicos - 2 de setembro de 2019</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/crime-organizado-e-corrupcao-na-visao-de-pesquisadores-e-agentes-publicos-2-de-setembro-de-2019</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Sabáticos</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-09-02T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/seminario-crime-organizado">
    <title>Crime Organizado e Corrupção na Visão de Pesquisadores e Agentes Públicos</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/seminario-crime-organizado</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Pesquisadores e agentes públicos estarão reunidos para analisar e debater as características do crime organizado e da corrupção no Brasil. Com base em diferentes estratégias de pesquisa e experiências concretas à frente de cargos públicos, os expositores também abordarão o papel de órgãos de justiça e das instituições políticas nessas áreas. Além de diagnósticos, espera-se que o debate possa avançar sobre propostas de reforma hoje em discussão.</p>
<p>O seminário faz parte do projeto “Corrupção Política e Crime Organizado no Brasil”, desenvolvido pelo Prof. Dr. Rogério B. Arantes, no âmbito do Programa “Ano Sabático 2019” do IEA.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Cláudia Regina</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Sabáticos</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-05T13:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/transformacoes-da-policia-federal">
    <title>Transformações da PF permitiram maior combate à corrupção e ao crime organizado, afirmam ex-diretores</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/transformacoes-da-policia-federal</link>
    <description>Encontro realizado no dia 20 de maio, no IEA, reuniu três ex-diretores da instituição</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/corrupcao-mesa/image" alt="Mesa" title="Mesa" height="333" width="500" style="float: right; " /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">O debatedor Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e os ex-diretores da Polícia Federal</dd>
</dl>A atuação da Polícia Federal brasileira na prisão de políticos e grandes empresários tornou-se tema constante na imprensa nas últimas duas décadas. Mas, para chegar a essa posição de destaque, o órgão fundado em 1944 passou por uma série de transformações internas, principalmente a partir da década de 1990. Entre as razões, as principais foram uma mudança de foco das investigações — do tráfico de drogas para os crimes financeiros —, o amadurecimento das relações da PF com outros órgãos e poderes brasileiros, como o Ministério Público e o Judiciário, e a adoção de novas tecnologias que agilizaram o processo de trabalho.</p>
<p> </p>
<p>“Quando eu entrei para a Polícia, em 1995, o foco total estava no combate ao tráfico de drogas. Era a maior unidade, a mais rica e cobiçada. Mas nós fomos uma geração de policiais pós-Constituição de 1988. A partir dela, houve o início da edição de algumas leis com priorização do combate a crimes financeiros”, explicou <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rogerio-augusto-viana-galloro" class="external-link">Rogério Galloro</a><span>, ex-diretor da PF, que ocupou o cargo em 2018. “E nós estávamos inseridos nesse contexto, com um outro olhar. Percebemos que havia de fato um prejuízo muito maior para a União com esses desvios do que com o tráfico de drogas. Essa mudança de foco foi vital”.</span></p>
<table class="tabela-direita-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th><i>Crime organizado</i></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Leandro Daiello contou que, durante seu período na direção, entre 2011 e 2017, lhe foi perguntado muitas vezes o que deveria ser feito para prender as lideranças do Primeiro Comando da Capital. “E eu dizia, elas já estão todas presas. Por isso, é muito importante pensar o que acontece. Se a Polícia tem a capacidade de prender essas lideranças e até atacar de certa maneira o seu patrimônio, por que essas organizações ainda sobrevivem?”, indagou.</i></p>
<p><i>“Nós também fomos pegos de surpresa com essa transformação do crime no Brasil”, disse Rogério Galloro. “Isso nos forçou a tomar medidas para alcançar a estrutura necessária para realizar grandes operações”.</i></p>
<p><i>Para Luiz Fernando Corrêa, o sistema repressivo não está sendo suficiente. Segundo ele, o modelo atual precisa ser revisto, visando um enfrentamento mais racional, com o uso da inteligência dos diferentes órgãos brasileiros.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:250px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Corrupcao-Rogerio-Arantes.jpg/image" alt="Rogério Arantes" title="Rogério Arantes" height="250" width="250" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:250px;">O cientista político Rogério Arantes</dd>
</dl>Galloro participou do seminário <i>Corrupção e Crime Organizado a partir da Experiência da Polícia Federal</i>, realizado no dia <strong>20 de maio</strong> no IEA. Além dele, estavam os também ex-diretores <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luiz-fernando-correa" class="external-link">Luiz Fernando Corrêa</a> (2007-2011) e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/leandro-daiello-coimbra" class="external-link">Leandro Daiello</a> (2011-2017). O evento foi organizado pelo cientista político <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rogerio-arantes" class="external-link">Rogério Bastos Arantes</a>, que desenvolve o projeto <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico/projeto-de-pesquisa-de-rogerio-bastos-arantes" class="external-link"><i>Corrupção Política e Crime Organizado no Brasil</i> </a>no IEA como participante do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico/participantes-em-2019" class="external-link">Programa Ano Sabático</a>. Participaram ainda, como debatedores, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/renato-sergio-de-lima" class="external-link">Renato Sérgio de Lima</a>, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e a cientista política <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/ligia-mori-madeira" class="external-link">Lígia Mori Madeira</a>, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). <i>Veja <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/corrupcao-e-crime-organizado-a-partir-da-experiencia-da-policia-federal-20-de-maio-de-2019" class="external-link">fotos</a> do evento.</i><span> </span></p>
<p> </p>
<p>Além do avanço interno como instituição, houve também o amadurecimento das relações externas e de trabalhos conjuntos. “Quando superamos a dificuldade de fazer parcerias entre delegacias e unidades, veio um segundo momento, o de trabalhar com parcerias externas”, explicou Leandro Daiello. “Por que um policial vai perder seis meses fazendo um relatório que a Controladoria Geral da União já tem ou faz em um mês? Por que eu vou especializar o policial em questões ambientais se o Ibama já tem esse especialista?”, indagou.</p>
<p>É nesse cenário que entra o conceito de força-tarefa, diz Daiello. “A força-tarefa não é um grupo de pessoas fazendo tudo. É cada um fazendo o que é de sua atribuição em um espaço definido. A Polícia faz sua parte; a Receita faz a parte fiscal; o Ibama, a ambiental. Mas isso delimitado em um espaço em que a atividade fica mais ágil e os envolvidos conversam mais. Isso traz melhores resultados”.<span> </span></p>
<p>Luiz Fernando Corrêa destacou que sua chegada na direção-geral coincidiu com essa maturidade nas relações externas. “Já havia um entrosamento pleno, sem nenhuma desconfiança, entre a Polícia, a Justiça e o Ministério Público”.</p>
<p><strong>Tecnologia</strong></p>
<p>A adoção de novas tecnologias a partir da década de 1990, impulsionadas por uma nova geração qualificada e preparada para usá-las, também mudou o patamar da organização, acreditam os ex-diretores.<span> </span></p>
<p>Na década de 1980, lembrou Luiz Fernando Corrêa, para analisar a rotina de um investigado se levava 15 ou 30 dias de vigilância presencial, muitas vezes dia e noite. Hoje, um sistema que tenha acesso ao celular do suspeito pode levantar essa informação sem que o policial precise sair do escritório.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:250px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/corrupcao-luiz-fernando-correa/image" alt="Luiz Fernando Correa" title="Luiz Fernando Correa" height="250" width="250" style="float: left; " /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:250px;">O ex-diretor da PF Luiz Fernando Corrêa</dd>
</dl></p>
<p>“Antigamente, a investigação era muito simplória. As fontes de informação eram essencialmente humanas, ou seja, o que recebíamos de informantes”, disse Corrêa. “Começa a acontecer uma evolução. A escuta telefônica, por exemplo, foi um marco. Nos deu a instantaneidade na investigação”.<span> </span></p>
<p>Em 1995, afirmou Galloro, mal havia computadores e celulares para uso dos  policiais. “Houve, então, uma avalanche tecnológica. E ao mesmo tempo, as  atribuições da Polícia cresceram muito, enquanto o efetivo policial não crescia  na mesma proporção. Então, realmente precisávamos da tecnologia para dar  conta”.<span> </span></p>
<p>Galloro lembrou que a Polícia Federal passou 10 anos sem realizar concursos para novas vagas de delegados até abrir o que seria o da futura turma de 1995. “É um acontecimento negativo, claro, mas de uma certa maneira foi positivo para a organização, porque nos fez nos distanciar da geração passada”, explica. “Não que ela tenha sido uma geração ruim, não é isso. Mas com a nova geração, houve a necessidade de uma transformação radical. E aí, vem uma nova Polícia”.<span> </span></p>
<p><strong>Combate ao crime</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Tantos avanços trouxeram um combate mais efetivo contra o crime, garantiram os ex-diretores. “O Luiz Fernando Corrêa trouxe para a direção geral uma novidade, que eu participei como executor, em relação ao enfrentamento do crime”, explicou seu sucessor, Leandro Daiello. “Foi a modernização das operações e o aumento do foco em cada uma. Dessa maneira, há menos prisões, mas um número maior de provas”.<span> </span></p>
<p>Para Rogério Garollo, esse processo da gestão Corrêa “foi de fato a reorganização e profissionalização da Polícia Federal. Se não fosse isso, ela não estaria na posição que está hoje”.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:250px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/corrupcao-leandro-daielo/image" alt="Leandro Daielo" title="Leandro Daielo" height="250" width="250" style="float: left; " /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:250px;">O ex-diretor da PF Leandro Daiello</dd>
</dl></p>
<p>O combate ao crime organizado, entretanto, carrega sérios desafios. “Ao herdar do Corrêa essa Polícia ágil, operacional e organizada, eu percebi que para combater o crime organizado nós não podíamos simplesmente tomar um passo operacional, de enfrentamento direto com as organizações criminosas”, disse Daiello. “Precisaríamos, sim, enfrentar a infiltração desses grupos no Estado. Não seria possível combater o crime lá fora enquanto dentro do Estado ele estava cada vez mais forte”.</p>
<p>“A Polícia não vai resolver sozinha a questão da segurança pública”, continuou Daiello. “A resolução desse problema vai um pouco além de apenas fazer investigações e efetuar prisões”. Para ele, a Polícia Federal, durante o processo de enfrentamento da corrupção, fez sua parte, que foi além das prisões e apreensões de dinheiro e bens. “Ela fez uma coisa mais importante: deu transparência. Hoje, todo mundo sabe como as coisas funcionam e o que está acontecendo no país. Mas há os próximos passos. E eu vejo grande parte da solução na política. A atuação do mundo político é estratégica para a segurança pública do país”.<span> </span></p>
<p><strong>Autonomia</strong><span> </span></p>
<p>Rogério Galloro alertou para a necessidade da Polícia Federal ter autonomia na gestão de seus recursos. “Estamos em um momento de transformação e desafios. O crime organizado está crescendo. A Polícia precisa ter autonomia financeira e orçamentária”, defendeu. Essa autonomia, garante, não significa necessariamente um aumento do repasse de recursos para a organização, mas sim a sugestão de um montante, com as justificativas de sua necessidade e a sua gestão com responsabilidade.<span> </span></p>
<p>“A PF não quer um cheque em branco”, disse Luiz Fernando Corrêa. “Essa autonomia orçamentária não quer dizer que ela vai pedir um valor e simplesmente ganhar. Não, ela vai pleitear, justificar, discutir e se responsabilizar pela execução. É um orçamento dentro das metas pensadas para o ano. E no final, os órgãos de controle iriam auferir se a execução orçamentária seguiu o combinado”.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:250px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/corrupcao-rogerio-galloro/image" alt="Rogério Galloro" title="Rogério Galloro" height="250" width="250" style="float: left; " /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:250px;">O ex-diretor da PF Rogério Galloro</dd>
</dl></p>
<p><span>De qualquer maneira, o dinamismo e as renovações na maneira de agir da organização devem seguir como norma. “A Polícia está na ponta do combate ao crime. Por isso, ela é a primeira a ver as mudanças”, garantiu Leandro Daiello. “A receita desse combate é dinâmica. Hoje, o enfrentamento ao tráfico é diferente da maneira que era na década de 1980. E daqui a um tempo, será diferente de como é hoje também”.</span><span> </span></p>
<p>Para enfrentar o crime organizado que existe hoje no país, alertou Daiello, os trabalhos de enfrentamento à corrupção são estratégicos e devem continuar. “Mas sempre precisamos lembrar nesse assunto que a corrupção não é um problema brasileiro. Ela é um problema mundial, de todos. É claro que no Brasil a gente percebe que ela chegou num ponto de infiltração do Estado um pouco exagerado. Mas os brasileiros não devem sentir como se ela fosse um privilégio nosso”.</p>
<p style="text-align: right; "> </p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Corrupção</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciência Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-05-23T15:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>




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