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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
  <link>https://www.iea.usp.br</link>

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            These are the search results for the query, showing results 1 to 2.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/futuro-das-comunidades-pesqueiras">
    <title>Pesquisa analisa os efeitos do aquecimento dos oceanos na vida das comunidades marítimas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/futuro-das-comunidades-pesqueiras</link>
    <description>Maria de los Angeles Gasalla, docente do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, participou do Programa Ano Sabático no IEA de março de 2016 a fevereiro de 2017.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/maria-de-los-angeles-gasalla-2" alt="Maria de los Angeles Gasalla" class="image-inline" title="Maria de los Angeles Gasalla" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Maria de los Angeles Gasalla</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span>Durante ano sabático no IEA, terminado em fevereiro, a professora </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-de-los-angeles-gasalla" class="external-link">Maria de los Angeles Gasalla</a><span>, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP,</span><span> executou algumas etapas fundamentais do projeto "Futuro das Sociedades Dependentes do Mar: Mudanças Climáticas, Desigualdades, e Cooperação em Sistemas Socioecológicos Complexos".</span></p>
<p><span>Uma delas foi organizar, em parceria com o antropólogo ambiental Fabio de Castro, da Universidade de Amsterdam, Holanda, uma </span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/documentos/maritime-studies-edicao-tematica/" class="external-link">edição especial latino-americana da revista "Maritime Studies"</a><span> sobre visões inovadoras da pesca em pequena escala no Brasil, Chile, Uruguai, México, Equador, Bolívia e Colômbia.</span></p>
<p>Para Gasalla, esse trabalho é um marco em sua carreira, pois de alguma forma consolida sua vocação interdisciplinar, uma vez que que a "Maritime Studies" é um periódico tipicamente da área de ciências sociais.</p>
<p>Ela avalia como "muito positiva" a experiência de participar do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-em-ano-sabatico" class="external-link">Programa Ano Sabático</a>, pois a estada no IEA lhe permitiu avançar em seu projeto de pesquisa e repensar sua atuação profissional, "a partir da perspectiva das interações entre as disciplinas - e do aprofundamento nelas -, transcendendo a superficialidade muitas vezes proposta pelos desafios ditos interdisciplinares".</p>
<p>Outro benefício do programa, segundo Gasalla, é possibilitar o contato com a ampla gama de eventos acadêmicos realizados pelo Instituto. Isso enriqueceu sua "visão sobre a universidade e seu relevante papel social" e suscitou muitas ideias para "futuras interações com pesquisadores de outras áreas do conhecimento, tanto das ciências quanto das humanidades".</p>
<p>A produção bibliográfica de Gasalla durante o período sabático envolveu a produção de vários outros textos além da edição temática da "Maritime Studies". C<span>omo integrante de uma equipe internacional, ela participou da </span><span>conclusão do </span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/documentos/explaining-ocean-warming-capitulo-4.5" class="external-link">capítulo</a><span> sobre efeitos do aquecimento global dos oceanos na produção pesqueira e na segurança alimentar para o </span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/documentos/explaining-ocean-warming-iucn" class="external-link">relatório global</a><span> da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). (</span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/relatorio-da-iucn-sobre-aquecimento-dos-oceanos-tem-contribuicao-de-pesquisadora-do-iea" class="external-link"><i>Leia notícia sobre a publicação.</i></a><span>)</span></p>
<p>Ela também liderou a redação de outros dois textos: um capítulo sobre mudanças climáticas na pesca e aquicultura no Brasil, em conjunto com um pesquisador da UFRGS e outro da USP, a sair em livro da editora Blackwell-Wiley sobre mudanças climáticas globais; e artigo (com seus alunos do IO-USP) sobre mudanças climáticas e recursos pesqueiros (submetido a periódico e em estágio avançado de revisão).</p>
<p>Uma atividade fundamental para direcionamento científico da pesquisa foi o trabalho que ela desenvolveu com físicos e oceanógrafos para o "downscaling" (aplicação em escala reduzida) de modelos climáticos biogeoquímicos globais, de modo a compreender o que se passa nas áreas oceânicas adjacentes à costa brasileira.</p>
<p>A participação em três encontros internacionais também consta da agenda de atividades de Gasalla em 2016. Ela apresentou três comunicações orais no <a class="external-link" href="https://wcfs.fisheries.org/7th-world-fisheries-congress-2016-busan-korea/">7º Congresso Mundial de Pesca</a>, em Busan, Coreia do Sul, em maio; proferiu palestra na <a class="external-link" href="http://www.fishadapt.com/modules/conference/"><span>Conferencia Global da FAO sobre Adaptacão às Mudanças Climáticas na Pesca e Aquicultura</span></a>, realizada em Bangcoc, Tailândia, em agosto; e foi a representante brasileira em reunião em Madagáscar do <span>projeto </span><a class="external-link" href="http://www.espa.ac.uk/projects/ne-m007545-1">Oportunidades de Aprendizagem Global para a Adaptação Regional ao Oceano Índico</a><span> (Gloria, na sigla em inglês), financiado pelo </span><a class="external-link" href="http://www.espa.ac.uk/">Serviços de Ecossistemas para a Atenuação da Pobreza</a><span> (Espa, na sigla em inglês)</span></p>
<p><span>O período sabático propiciou ainda condições para que ela realizasse outras atividades acadêmicas, como finalizar o trabalho de coordenação de um projeto temático da Finep, produzir o </span><a class="external-link" href="http://labpesq.io.usp.br">site do Laboratório de Ecossistemas Pesqueiros (LabPesq) do IOUSP</a><span>, colaborar com o Núcleo de Solidariedade Técnica da UFRJ e realizar trabalho de campo com sua equipe em algumas comunidades costeiras contempladas pelo projeto que coordena no </span><span><a class="external-link" href="http://www.fapesp.br/6857">Belmont Forum/Fapesp</a>.</span></p>
<p>Além das futuras publicações citadas, Gasalha também redigirá artigo com resultados de seu projeto no Programa Ano Sabático para a revista "Estudos Avançados", do IEA, e está organizando o workshop educativo <i><a class="external-link" href="http://www.io.usp.br/index.php/avisos/gerais/951-climate-change-and-the-ocean-education-workshop">Mudanças Climáticas e os Oceanos</a></i>, a ser ministrado por professoras da <span>Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, de </span><span>21 a 23 de março, no IO-USP.</span></p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Mauro Bellesa/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisadores</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesca</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ecologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Oceano</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mudanças Climáticas</dc:subject>
    
    <dc:date>2017-03-14T14:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/o-futuro-dos-oceanos-1">
    <title>O presente crítico e o futuro incerto dos oceanos</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/o-futuro-dos-oceanos-1</link>
    <description>O seminário "O Futuro dos Oceanos" foi realizado no dia 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos, e teve organização do IEA, Instituto Oceanográfico (IO) da USP e revista "Scientific American Brasil", com apoio da WWF-Brasil e do Instituto Plastivida.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/o-futuro-dos-oceanos-mesa-1" alt="O Futuro dos Oceanos - Mesa 1" class="image-inline" title="O Futuro dos Oceanos - Mesa 1" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>O tema da mesa inicial foi "Os Oceanos e as Mudanças Climáticas"</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os oceanos estão doentes. A doença é complexa e a causa são ações humanas, principalmente a emissão de gases efeito estufa, sobrepesca e descarte de lixo.</p>
<p>Os sintomas são alarmantes: acidificação, aquecimento, elevação do nível, redução da biodiversidade, contaminação, migração natural de espécies prejudicada e disseminação de espécies em lugares diferentes de seu habitat natural.</p>
<p><strong>Importância</strong></p>
<p>Pode-se dizer que uma em cada duas respirações humanas depende dos oceanos, uma vez que eles respondem por 55% do oxigênio presente na atmosfera. Eles também são essenciais para a alimentação mundial, com o consumo anual per capita de pescado tendo atingido o recorde de 20 kg em 2016, de acordo com a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) das Nações Unidas.</p>
<p>Os oceanos são também o lugar de maior circulação de commodities e mercadorias entre os países e seu leito é local de exploração de petróleo, gás e minérios. Tudo isso sem falar na possibilidade de descoberta de substâncias e genes que podem resultar em medicamentos e outros produtos úteis para a humanidade.</p>
<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<p> </p>
<h3><i>As mesas e os expositores</i></h3>
<p><strong><i>Os Oceanos e as Mudanças Climáticas</i></strong></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2018/o-futuro-dos-oceanos-abertura-e-mesa-1" class="external-link">VÍDEO</a></p>
<p><i>Expositores: Tércio Ambrizzi (IO-USP), Margareth Copertino (Furg) e Régis Pinto de Lima (MMA)<br />Moderador: Alexander Turra (IO-USP)</i></p>
<p><strong><i>Vida Marinha: Como Deter a Desertificação em Curso</i></strong></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2018/o-futuro-dos-oceanos-mesa-2" class="external-link">VÍDEO</a></p>
<p><i>Expositores: Cintia Miyaji (ABPS), Marcelo Kitahara (Unifesp) e Letícia Reis de Carvalho (MMA)<br />Moderador: Alfredo Nastari ("Scientific American Brasil")</i></p>
<p><strong><i><i>Áreas Marinhas Protegidas: Desafios e Perspectivas</i></i></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2018/o-futuro-dos-oceanos-mesa-3" class="external-link">VÍDEO</a></p>
<p><i>Expositores: Ana Paula Leite Prates (MMA), Anna Carolina Lobo (WWF-Brasil), Leandra Gonçalves (IO-USP) e Warwick Manfrinato (IEA)</i></p>
<p><i>Moderador: Alexander Turra (IO-USP)</i></p>
<p><strong><i>Sugestões para um Mar sem Lixo</i></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2018/o-futuro-dos-oceanos-mesa-4-e-fechamento" class="external-link">VÍDEO</a></p>
<p><i>Expositores: Alexander Turra (IO-USP), Miguel Bahiense (Instituto Plastivida) e Régis Pinto de Lima (MMA)</i></p>
<p><i>Moderador: Pablo Nogueira ("Scientific American Brasil")</i></p>
<p><i> </i></p>
<hr />
<i> </i> 
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2018/o-futuro-dos-oceanos-8-de-junho-de-2018" class="external-link">FOTOS</a></li>
</ul>
<p> </p>
<hr />
<p> </p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2018/o-futuro-dos-oceanos-lancamentos" class="external-link">Vídeo do lançamento de publicações</a></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Para dimensionar a importância dessas pesquisas bioquímicas, basta lembrar da coleta de 6 milhões de genes de diversos organismos marinhos feita pelo bioquímico Craig Venter em seu veleiro-laboratório na década passada, com o objetivo de “construir” organismos artificiais funcionais, como uma bactéria que produza nitrogênio, um combustível não poluente.</p>
<p>Mas qual é o quadro clínico geral desse sistema tão complexo e fonte de tantos recursos e quais as possibilidades de tratamento, se não para a cura, pelo menos para a mitigação dos sintomas e suas consequências para os ecossistemas e para a vida humana?</p>
<p><strong>Seminário</strong></p>
<p>No dia 8 de maio, Dia Mundial dos Oceanos, o seminário <i>O Futuro dos Oceanos</i>, discutiu respostas para essas questões. O evento foi o 12º Seminário de Manejo Integrado, série organizada pelo Instituto Oceanográfico. Desta vez a iniciativa teve a revista “Scientific American Brasil”, o IEA e a representação da Unesco no Brasil como parceiros, além do apoio do braço brasileiro da World Wildlife Fund (WWF-Brasil) e do Instituto Plastivida.</p>
<p>O encontro teve 13 expositores, incluindo pesquisadores do IO-USP, da Universidade Federal do Rio Grande (UFRGS) e Unifesp; representantes do Ministério do Meio Ambiente; pesquisadoras da WWF-Brasil e da Associação Brasileira pela Pesca Sustentável (ABPS); e o presidente do Instituto Plastivida.</p>
<p>As discussões foram organizadas em quatro mesas temáticas:</p>
<ul>
<li>Os Oceanos e as Mudanças Climáticas: Impactos, Interações e Consequências;</li>
<li>Vida Marinha: Como Deter a desertificação em Curso;</li>
<li>Águas Marinhas Protegidas: Desafios e Perspectivas;</li>
<li>Soluções para um Mar sem Lixo.</li>
</ul>
<table class="tabela-esquerda-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/o-futuro-dos-oceanos-mesa-2" alt="O Futuro dos Oceanos - Mesa 2" class="image-inline" title="O Futuro dos Oceanos - Mesa 2" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>"Vida Marinha: Como Deter a Desertificação em Curso" foi a discussão de uma das mesas</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Mudanças climáticas</strong></p>
<p>Coube a Tércio Ambrizzi, do IO-USP e integrante do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA, apresentar um panorama geral dos efeitos das mudanças climáticas no planeta e, especificamente, nos oceanos. Segundo ele, há alterações de correntes marítimas, gelo decrescente nos polos e recordes na diminuição das áreas congeladas do Oceano Ártico.</p>
<p>O nível dos oceanos já subiu 23 cm desde o final do século 19 e deve subir de 1 m a 1,5 m se o quadro atual de aquecimento do planeta persistir, disse Ambrizzi. Ele também apontou as conexões entre o que acontece em cada oceano: “Alterações no Oceano Índico podem influenciar o clima no Brasil”, que já sobre os impactos do aumento da temperatura no Atlântico Sul, que "teve elevação recorde no primeiro quadrimestre de 2018".</p>
<p>“O futuro já chegou”, com a acidificação, o aquecimento e a elevação do nível dos oceanos afetando a biodiversidade e as comunidades costeiras, de acordo com Margareth Copertino, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). O Brasil está entre os dez países sujeitos a mais riscos, com a estimativa de 10 a 20 milhões de habitantes afetados, de acordo com ela.</p>
<p><span>A preparação dos municípios costeiros para as alterações marítimas é o objetivo do </span><a href="http://www.mma.gov.br/publicacoes/gestao-territorial/category/198-gestao-costeira-procosta?download=1458:programa-nacional-para-conserva%C3%A7%C3%A3o-da-linha-de-costa">Programa Nacional para a Conservação da Linha de Costa (Procosta),</a><span> homologado por portaria do MMA em março e apresentado no seminário por Régis Pinto de Lima, gerente de projetos do ministério.</span><span>As consequências das mudanças climática para a biodiversidade marinha são diversas, explica a pesquisadora: maior número de zonas mortas (que quadriplicaram nos últimos 60 anos), onde há menos de 2 mg de oxigênio por litro de água: redução de nutrientes: alteração na distribuição média de seres marinhos (deslocamento de muitos deles para águas mais frias); aumento na invasão de espécies; maior mortalidade de corais. “A costa brasileira está sujeita a níveis diferenciados de risco em função da variedade de seus ecossistemas.”</span></p>
<p>Além dos estragos causados pela elevação do nível do mar e da possibilidade de eventos extremos (como o furacão Catarina no litoral do sul do país em 2004), outro efeito das mudanças oceânicas de percepção direta pela população é a redução na quantidade e variedade do pescado disponível.</p>
<p><strong>Sobrepesca</strong></p>
<p>Essa redução não é fruto apenas das mudanças climáticas, mas também da sobrepesca. De acordo com Cintia Miyaji, da Associação Brasileira pela Pesca Sustentável (ABPS), “as previsões mais catastróficas dizem que em 2048 acabarão todas as possibilidades de pesca comercial no mundo”.</p>
<p>Ela apontou também a grande quantidade de pescado capturado nos oceanos para a produção de ração destinada a aquicultura: “Para a produção de 1 kg de salmão chileno são retirados 10 kg de peixe do mar”.</p>
<p>Cintia afirmou que a tendência no Brasil, a exemplo do que ocorre no resto do mundo, sobretudo na China e países do sudoeste asiático, é a estagnação da pesca selvagem e o crescimento da aquicultura. “Mas a situação da pesca no Brasil é mais triste, calamitosa. E não há dados desde 2008.”</p>
<p>Além da sobrepesca, seja para consumo ou produção de razão, as espécies nativas também sobre o impacto das espécies invasoras. Elas são a segunda maior causa da “redução da biodiversidade, depois da degradação ambiental, explicou Marcelo Kitahara, da Unifesp. “Elas causam prejuízo anual de US$ 300 bilhões em todo o mundo.”</p>
<p>Kitahara exemplificou com os danos causados pelo coral sol, originário das Ilhas Galápagos e de Bora Bora, e com primeiro registro no litoral brasileiro em 1980. Ele disse que as duas espécies desse tipo de coral levam à diminuição da biomassa disponível para as espécies nativas. “Nos lugares onde há saturação, as colônias começam a cair do costão e se depositam na areia, alterando o substrato e a paisagem marinha.”</p>
<p><strong>Lixo plástico</strong></p>
<p>E se não bastassem as mudanças climáticas, a sobrepesca e as espécies invasoras, os oceanos ainda padecem de serem o destino de imensa quantidade de lixo, principalmente plásticos.</p>
<table class="tabela-esquerda-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/o-futuro-dos-oceanos-mesa-3" alt="O Futuro dos Oceanos - Mesa 3" class="image-inline" title="O Futuro dos Oceanos - Mesa 3" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong><i><strong><i>"Áreas Marinhas Protegidas: Desafios e Perspectivas": as ações governamentais e não governamentais </i></strong></i></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, explicou que 80% do lixo tem origem terrestre e 20% são produzidos no próprio mar (restos de redes de pescas, saco de lixos e outros dejetos). “Cerca de 90% do lixo é de composição plástica e de origens muito diferentes.”</p>
<p>O lixo oceânico causa um prejuízo de US$ 13 bilhões por ano, afetando a pesca e o turismo e provocando a morte e ferimentos em animais ao ser ingerido ou ao enredá-los, comentou Turra.</p>
<p>Para ele, não há respostas simples sobre quem é o culpado. “A solução deve ser buscada nas diversas cadeias de valor. No entanto, a bem da verdade, o caminho deve ser o combate à pobreza e à desigualdade de renda, para não haver comunidades sem coleta de esgoto e sem tratamento de resíduos.”</p>
<p>Um dos principais temas na mídia atualmente é a presença das microesferas de plástico nas águas. A definição atual para elas é a de fragmentos de plástico com tamanho menor de 5 mm de diâmetro. Estão presentes inclusive em cosméticos. De um total de 79 mil toneladas de plástico flutuante no pacífico norte, distribuídas em 1,8 trilhão de pedaços, as microesferas respondem por 84% da massa total e 94% da quantidade, segundo Turra.</p>
<p>Letícia Reis de Carvalho, diretora de Qualidade Ambiental na Indústria do MMA, manifestou que algumas substâncias não deveriam ser colocadas no mercado, “pois ficam incontroláveis”. Para ela, a indústria tem papel imprescindível na resolução do problema.</p>
<p>Para Miguel Bahiense, presidente da Instituto Plastivida, vinculado à indústria de plásticos, “os plásticos são uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento sustentável”. A solução para o problema do lixo, não é o banimento de produtos de plástico, mas o consumo consciente, reuso, correta destinação de recicláveis, coleta seletiva e preparação da indústria para a reciclagem.</p>
<p>“Temos de passar para a sociedade o que está acontecendo, pois 99% dos brasileiros conhecem o lixo presente na praia, mas desconhecem o problema do lixo no mar”, comentou Régis Pinto de Lima. Ele disse que o MMA “começou a engatinhar no assunto” em 2015. “Em 2016, participamos de encontro a convite da Alemanha e do G7 e percebemos que o problema deveria ser tratado na gestão costeira, permitindo uma conectividade com aspectos das bacias hidrográficas e a gestão de resíduos sólidos.”</p>
<p><strong>Perspectivas</strong></p>
<p>Diante de um panorama tão negativo, como ficam as áreas marinhas brasileiras que precisam ser protegidas? O seminário dedicou uma de suas mesas justamente para a discussão sobre os desafios que essas áreas enfrentam e quais as perspectivas para elas.</p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<p><strong><i>Publicações</i></strong></p>
<p><i>Durante o seminário foram lançadas três publicações relacionadas com os oceanos:</i></p>
<p><i>"<a class="external-link" href="http://www.br.undp.org/content/dam/brazil/docs/ODS/glossarioODS14.pdf">Glossário de Termos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14</a>", produzido pelo grupo assessor do Sistema ONU no Brasil, com apoio da USP, IO-USP, PNDU e Centro Rio+;</i></p>
<p><i>"<a class="external-link" href="http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002493/249373por.pdf">Resumo Executivo do Relatório Mundial sobre a Ciência Oceânica</a>", traduzido pela representação da Unesco no Brasil;</i></p>
<p><i>"<a class="external-link" href="http://www.producao.usp.br/handle/BDPI/51581">Rumos da Sustentabilidade Costeira: Uma Visão do Litoral Norte</a>", de Cláudia Regina dos Santos e Alexander Turra.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A diretora do Departamento de Proteção de Ecossistemas do MMA, Ana Paula Leite Prates, tratou das perspectivas para a conservação marinha no Brasil. “Já temos legislação, projetos, mobilização e até uma brecha de vontade política, mas há ainda uma lista grande problemas a serem resolvidos, além de todos os desafios globais.”</p>
<p>Ela destacou que o Brasil antes tinha apenas 1,5% de sua Zona Econômica Exclusiva (até 200 milhas do litoral) constituído de unidades de conservação, percentual que agora passou para 27%.</p>
<p>Segundo Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Marinho e Mata Atlântica do WWF-Brasil, estudos nos Estados Unidos indicam que para cada US$ 1 investido na conservação marinha há um retorno econômico de US$ 10. Ela tratou também do aumento do consumo em nível mundial, principalmente na Ásia-Pacífico, onde “3 bilhões de pessoas passaram das classes D e E para as classes B e C, com maior poder aquisitivo”.</p>
<p>O maior consumo torna imperativa a proteção de espécies em risco. “É preciso dar outras opões para que o consumidor pare de comer espécies em risco”. Duas das ações da WWF-Brasil em relação a isso são dialogar com importadores, para que comprem pescado certificado, e com a seccional paulista da Associação Nacional de Bares e Restaurantes, para que adquiram peixes diretamente de pescadores do litoral do Estado.</p>
<p><strong>Fragmentação das políticas</strong></p>
<p>Leandra Gonçalves, pesquisadora de pós-doutorado do IO-USP, afirmou que a governança e os arranjos institucionais para a conservação marinha no Brasil são prejudicados pela grande fragmentação das políticas, elevado nível de incertezas científicas e pouco envolvimento da sociedade.</p>
<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/o-futuro-dos-oceanos-mesa-4" alt="O Futuro dos Oceanos - Mesa 4" class="image-inline" title="O Futuro dos Oceanos - Mesa 4" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>A mesa "Sugestão para um Mar Sem Lixo" tratou principalmente da imensa quantidade de fragmentos de plástico já presente nos oceanos</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>“Condutas, políticas e legislação seguem, em tese, as recomendações presentes nas convenções sobre direitos do mar e sobre estoques pesqueiros migratórios, mas, na prática, a ciência não é muito ouvida na tomada de decisões, onde o poder público e interesses diversos têm pesos diferentes no processo decisório.”</p>
<p>Ela ressaltou que a maioria das políticas ambientais para o mar foram pensadas a partir da experiência em áreas terrestres. “A Política Nacional de Mudança do Clima não menciona a zona costeira e o mar, apenas cita grandes biomas naturais tidos como patrimônio nacional.”</p>
<p>Contra a fragmentação das políticas, torna-se essencial valorizar a conectividade marinha, associando zona costeira, manguezais e a dimensão vertical do mar, da superfície a seu leito, de acordo com Warwick Manfrinato, do Grupo de Pesquisa Amazônia em Transformação: História e Perspectivas do IEA.</p>
<p><strong>Conectividade</strong></p>
<p>Ele detalhou o processo de criação do Programa Conectividade de Paisagens (Conecta) no MMA, do qual foi um dos articuladores, quando estava à frente do Departamento de Áreas Protegidas do ministério. O programa foi instituído pela <a href="http://www.mma.gov.br/images/arquivos/florestas/Programa%20Conecta.pdf">Portaria MMA nº 75</a>, de 26 de março deste ano. De acordo com o ato do ministério:</p>
<p>“O programa a ser implementado tem como objetivo central promover a integração de políticas públicas que propiciem a conectividade entre as áreas naturais protegidas e os seus interstícios, visando reduzir os efeitos da mudança do clima sobre a biodiversidade, com ênfase nas condições de adaptabilidade das espécies, bem como assegurar a sustentabilidade dos processos produtivos relacionados, contemplando questões afetas ao clima, água, florestas, aspectos socioambientais, econômicos e culturais.”</p>
<p>Em razão dos vários fatores envolvidos nas áreas a serem conectadas, inclusive aspectos de soberania nacional, foi preciso reunir quatro ministérios nas discussões: Meio Ambiente; Defesa; Relações Exteriores; e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.</p>
<p>“Tentamos abranger o máximo de questões possíveis, inclusive as marinhas, além de lacunas no Código Florestal e aspectos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação”. No entanto, "em 90% do tempo, as 25 pessoas envolvidas no trabalho acabam tratando de questões territoriais".</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesca</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Oceano</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Litoral</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Resíduos sólidos</dc:subject>
    
    <dc:date>2018-06-14T12:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
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