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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 131 to 145.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/indice-de-universidades-empreendedoras-tera-lancamento-em-sao-paulo">
    <title>Índice de universidades empreendedoras terá lançamento em São Paulo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/indice-de-universidades-empreendedoras-tera-lancamento-em-sao-paulo</link>
    <description>Empreendedorismo inovador será debatido por entidades estudantis e Henry Etzkowitz, uma referência internacional na área</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/praca-do-relogio-2" alt="Praça do Relógio - 2" class="image-inline" title="Praça do Relógio - 2" /></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><strong>USP lidera ranking de universidades empreendedoras </strong></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O <a class="external-link" href="http://pgt.prp.usp.br/?page_id=286">Núcleo de Política e Gestão Tecnológica</a> (PGT) da USP, o IEA e a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP realizam no dia <strong>21 de novembro, </strong>das<strong> 14h </strong>às<strong> 16h30,</strong> o debate <i>Universidades Empreendedoras - Quais São?</i>. Gratuito, o encontro acontece na Antiga Sala do Conselho Universitário da USP e terá transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo</a> online. Não é necessário se inscrever.</p>
<p>O encontro irá discutir o empreendedorismo nas universidades e apresentar em São Paulo o primeiro <a class="external-link" href="http://www.capes.gov.br/images/stories/download/diversos/17112016-Livro-Universidades-Empreendedoras.pdf">Índice de Universidades Empreendedoras </a>do Brasil, elaborado por um conjunto de entidades estudantis lideradas pela <span>Confederação Brasileira de Empresas Juniores</span><span> (</span><a class="external-link" href="http://www.brasiljunior.org.br/">Brasil Júnior</a>).</p>
<p><span>Lançado em Brasília no dia 10 de novembro na sede do Ministério da Educação, o índice tem como proposta mostrar </span><span>as iniciativas de instituições de ensino superior no Brasil que mais incentivam o empreendedorismo, dentro e fora da sala de aula. <span>O conceito de Universidade Empreendedora foi desenvolvido por meio de uma pesquisa on-line que contou com a participação de quatro mil estudantes universitários de todo o país. No ranking, a USP ficou em 1º lugar.</span></span></p>
<p><span> Além da </span><span>Brasil Júnior, participaram da elaboração do índice a Organização Jovem de Liderança do Mundo (AISEC), a Rede de bolsistas e ex-bolsistas do Programa Ciência sem Fronteiras (Rede CsF), Enactus Brasil e Associação dos Estudantes Brasileiros que estão fora do Brasil (BRASA)</span><span>. </span></p>
<p>A programação trará especialistas da área de inovação e empreendedorismo, incluindo uma das referências internacionais no campo do desenvolvimento alicerçado pelo conhecimento, o professor Henry Etzkowitz, um dos co-autores do modelo da Hélice Tríplice e presidente da Triple Helix Association. O Triple Helix Research Group Brazil define a <span style="text-align: justify; ">Hélice Tríplice, desenvolvida por Etzkowitz e Loet Leydesdorff, como um modelo que tem "a universidade como indutora das relações com as empresas (setor produtivo de bens e serviços) e o governo (setor regulador e fomentador da atividade econômica), visando à produção de novos conhecimentos, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento econômico".</span></p>
<p>Etzkowitz apresentará a iniciativa <a class="external-link" href="https://www.triplehelixassociation.org/news/the-global-entrepreneurial-university-metrics-initiative">Global Entrepreneurial University Metrics (GEUM)</a>, iniciada em 2015 por universidades do Brasil, China, Estados Unidos, Federação Russa, Finlândia e Holanda. <span>No Brasil, a GEUM engloba pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Universidade de São Paulo (USP).</span></p>
<p> </p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>PROGRAMAÇÃO</strong></h3>
<p><strong>Abertura - </strong>José Eduardo Krieger, Pró-Reitor de Pesquisa da USP</p>
<p><strong>Exposição da primeira edição do Índice de Universidades Empreendedoras</strong> - Daniel Pimentel Neves, Brasil Júnior e Guilherme de Rosso Manços, Rede CsF – Coordenadores</p>
<p><strong>Apresentação da iniciativa Global Entrepreneurial University Metrics (GEUM)<sup> </sup>- </strong>Henry Etzkowitz (EUA), Presidente da Triple Helix Association e mentor da GEUM</p>
<p><strong>Inovação: o papel das Universidades Empreendedoras - </strong>Carlos Américo Pacheco, Diretor-Presidente da FAPESP</p>
<p><strong>Organismos estudantis e o incentivo ao empreendedorismo - </strong>Representante do Núcleo de Empreendedorismo da USP (NEU)</p>
<p><strong>Debate e Considerações Finais</strong></p>
<p><strong>Coordenação- </strong>Guilherme Ary Plonski, Professor da FEA e da POLI, Vice-Diretor do IEA e Coordenador Científico do PGT</p>
<p> </p>
<hr />
<p><i><strong><i>Universidades Empreendedoras - Quais São?</i></strong><br />21 de novembro, das 14h às 16h30<br />Sala de Eventos do IEA, rua da Praça do Relógico, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo<br />Evento aberto ao público, gratuito e sem necessidade de inscrição<br />Transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo pela internet</a><br /><i><i>Informações: </i>com Claudia Regina (<a class="mail-link" href="mailto:clauregi@usp.br">clauregi@usp.br</a>), telefone (11) 3091-1686</i></i></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sylvia Miguel</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Inovação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-11-11T19:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/as-mulheres-na-universidade-e-na-ciencia-desafios-e-oportunidades-15-de-setembro-de-2016">
    <title>As Mulheres na Universidade e na Ciência: Desafios e Oportunidades 15 de setembro de 2016</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/as-mulheres-na-universidade-e-na-ciencia-desafios-e-oportunidades-15-de-setembro-de-2016</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Ensino Público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>França</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mulheres</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Inclusão Social</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-09-15T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/as-mulheres-na-universidade-e-na-ciencia">
    <title>Conferência trata da carreira das mulheres no ambiente acadêmico</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/as-mulheres-na-universidade-e-na-ciencia</link>
    <description>Leila Saadé, presidente da Rede Francófona de Mulheres Responsáveis ​pelo Ensino Superior e Pesquisa, estará no IEA no dia 15 de setembro, às 14h, na conferência As Mulheres na Universidade e na Ciência: Desafios e Oportunidades.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Relatório de 2015 do Fórum Econômico Mundial indica que somente em 2095 será alcançada a igualdade entre os gêneros no mercado de trabalho de todo o mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007 – último ano avaliado – a diferença entre a remuneração de homens e mulheres era de 29%, uma situação um pouco melhor que os 38% registrados em 1995.</p>
<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/leila-saade-perfil" alt="Leila Saadé - Perfil" class="image-inline" title="Leila Saadé - Perfil" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Leila Saadé</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Essa desigualdade não acontece apenas nas empresas privadas. De acordo com <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/leila-saade" class="external-link">Leila Saadé</a>, presidente da Rede Francófona de Mulheres Responsáveis ​pelo Ensino Superior e Pesquisa (Resuff, na sigla em francês), nas instituições de pesquisa e ensino de todo o mundo as mulheres também são minoria em posições hierarquicamente superiores. O mesmo se dá na ciência e nos processos de tomada de decisão.</p>
<p>Para falar sobre o tema, a pesquisadora francesa estará no IEA no dia <strong>15 de setembro, às 14h</strong>, na Sala de Eventos do IEA, na conferência <i>As Mulheres na Universidade e na Ciência: Desafios e Oportunidades</i>. Em sua fala, em francês e com tradução simultânea, ela irá apresentar as iniciativas da rede criada pela <a class="external-link" href="https://www.auf.org/actualites/reseau-francophone-des-femmes-responsables-dans-le/">Agência Universitária da Francofonia</a> (AUF) para promover o acesso de mulheres a cargos de responsabilidade.</p>
<table class="tabela-esquerda-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<h3>Relacionado</h3>
<p><a class="external-link" href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0103-401420030003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso">Dossiê "Mulher, mulheres" publicado no nº 49 da revista <i>Estudos Avançados</i></a></p>
</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O debate ficará por conta da física <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carolina-brito-carvalho-dos-santos" class="external-link">Carolina Carvalho dos Santos</a>, professora da <span style="text-align: justify; ">Universidade Federal do Rio Grande do Sul e que coordena o<span style="text-align: justify; "> Programa de Extensão "Meninas na Ciência" e apresenta o podcast de divulgação científica "Fronteiras da Ciência". A moderação será feita por Vera Soares, assessora do <a class="external-link" href="http://sites.usp.br/uspmulheres/">USP Mulheres</a>. </span></span></p>
<p>A atividade terá<span> transmissão </span><a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo</a><span> pelo site do IEA e </span>é uma iniciativa do Instituto em parceria com o USP Mulheres e o <a class="external-link" href="http://saopaulo.ambafrance-br.org/">Consulado Geral da França em São Paulo</a>.</p>
<p>A Resuff desenvolveu <a class="external-link" href="https://www.auf.org/les-services-de-l-auf/rayonnement-international/reseau-des-femmes/modules-genre/">módulos de ensino a distância</a> sobre gênero, oferecendo a mulheres ferramentas para capacitá-las em estratégias profissionais e institucionais. Também abriu uma chamada de propostas para a criação de um "Observatório de Gênero na Universidade", cujo objetivo é identificar os fatores que dificultam a ascensão de mulheres na universidade e oferecer instrumentos metodológicos de monitoramento e medição da evolução de suas carreiras.</p>
<p> </p>
<hr />
<p><i><strong>As Mulheres na Universidade e na Ciência: Desafios e Oportunidades</strong><br /><i><i>15 de setembro, às 14h<br /></i><i>Sala de Eventos do IEA, Rua da Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo.<br />Evento gratuito — Transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo</a> pela internet<br />Informações: Claudia Regina, telefone (11) 3091-1686 e clauregi@usp.br<br />Página do evento: <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/mulheres-universidade-ciencia" class="external-link">http://www.iea.usp.br/eventos/mulheres-universidade-ciencia</a> </i></i></i></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Fernanda Rezende</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>França</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mulheres</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Inclusão Social</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-09-05T19:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/interdisciplinaridade-e-humanidades-digitais">
    <title>As humanidades digitais e a interdisciplinaridade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/interdisciplinaridade-e-humanidades-digitais</link>
    <description>A diretora do Trinity Long Room Hub, instituto de pesquisa em artes e humanidades do Trinity College Dublin, fez conferência no dia 24 de agosto sobre as humanidades digitais como exemplo da importância do trabalho interdisciplinar.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/jose-teixeira-coelho-netto-jane-ohlmeyer-e-guilherme-ary-plonski" alt="José Teixeira Coelho Netto, Jane Ohlmeyer e Guilherme Ary Plonski" class="image-inline" title="José Teixeira Coelho Netto, Jane Ohlmeyer e Guilherme Ary Plonski" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; ">
<p><strong><strong>José Teixeira Coelho Netto (à esq.), </strong><span>Jane Ohlmeyer e Guilherme Ary Plonski</span></strong></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Há muito tempo é raro encontrar uma pesquisa nas ciências naturais que não envolva equipes interdisciplinares e a utilização de tecnologias digitais. Mas a ênfase nesses aspectos não é exclusividade das ciências naturais e está cada vez mais presente nas ciências sociais e nas humanidades.</p>
<p>Foi para falar disso que o IEA recebeu no dia 24 de agosto <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jane-ohlmeyer" class="external-link">Jane Ohlmeyer</a>, professora de história moderna e diretora do <a class="external-link" href="https://www.tcd.ie/trinitylongroomhub/">Trinity Long Room Hub</a> (TLRH), instituto de pesquisa sobre artes e humanidades do Trinity College Dublin (também chamado de Universidade de Dublin), da Irlanda.</p>
<p><span>A conferência </span><i>O Poder da Pesquisa Interdisciplinar: O Exemplo das Humanidades Digitais </i><span>teve como debatedor </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jose-teixeira-coelho" class="external-link">José Teixeira Coelho Netto</a><span>, coordenador do</span><span> </span><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-de-estudo/humanidades-computacionais" class="external-link">Grupo de Estudos Humanidades Computacionais</a><span> do</span><span> IEA. A coordenação foi de </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/guilherme-ary-plonski" class="external-link">Guilherme Ary Plonski</a><span>, vice-diretor do instituto.</span></p>
<p><span>Essa foi a sexta visita de Jane ao Brasil. As relações dela com a USP devem-se à interação que mantém com pesquisadores da </span><a href="http://catedrawbyeats.vitis.uspnet.usp.br/index.php/pt/">Cátedra de Estudos Irlandeses W.B Yeats</a><span> do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. </span></p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>Notícias</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/humanidades-digitais" class="external-link">Pesquisadora irlandesa realiza pesquisa sobre humanidades digitais</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/publicos-das-humanidades" class="external-link">Publicação digital amplia público e muda trabalho nas humanidades, diz historiador</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/workshop-com-michael-elliott-1" class="external-link">O futuro das publicações acadêmicas</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/as-humanidades-em-tempos-digitais" class="external-link">As humanidades em tempos digitais</a></li>
</ul>
<p><strong>Midiateca</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2016/the-power-of-interdisciplinary-research-the-example-of-digital-humanities" class="external-link">vídeo</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/2016/the-power-of-interdisciplinary-research-the-example-of-digital-humanities-24-de-agosto-de-2016?b_start:int=0" class="external-link">fotos</a></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A historiadora relatou sua experiência num trabalho interdisciplinar característico do que pode ser feito nas humanidades digitais. Trata-se do projeto <a class="external-link" href="http://1641.tcd.ie/" target="_blank">1641 Depositions</a>,<span class="external-link"> fruto da colaboração de pesquisadores das artes, humanidades, ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Jane</span><span> também apresentou uma visão geral do </span>TLRH<span> (</span><i>leia texto no box</i><span>).</span></p>
<table class="tabela-direita-400-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/trinity-long-room-hub" alt="Trinity Long Room Hub" class="image-inline" title="Trinity Long Room Hub" /></h3>
<h3><i>Um institiuto dedicado à<br />pesquisa em artes e humanidades</i></h3>
<p><i>Criado em 2010, o Trinity Long Room Hub (TLRH) é o instituto de pesquisa sobre artes e humanidades do Trinity College Dublin, Irlanda. É um dos quatro institutos de pesquisa da universidade (os outros são dedicados a neurociências, biotecnologia e nanotecnologia).</i></p>
<p><i>O nome do TLRH provém da tradicional Long Room da biblioteca da universidade, fundada em 1652 (veja foto abaixo).O objetivo foi marcar os vínculos com a biblioteca e expressar a importância de suas coleções para as atividades da comunidade acadêmica</i><i>.</i></p>
<p><i>Os estudos para a criação do TLRH foram realizados de 2006 a 2008, ano em que o governo irlandês concedeu </i><span><i>€ 10,8</i></span><i> milhões (R$ 39,2 milhões) para sua implantação.</i></p>
<p><i>A sede do instituto tem uma arquitetura marcante e foi instalada no centro da parte histórica do campus da universidade. Essa localização destacada significa, de acordo com Jane Ohlmeyer, sua diretora, "a centralidade do papel desempenhado pelas artes e pelas humanidades na universidade e na sociedade".</i></p>
<p><i> </i><i>O TLRH tem nove escolas da universidade como parceiras. Elas apoiam o desenvolvimento de temas de pesquisa prioritários e abrangentes. Também lideram projetos colaborativos dentro da universidade e em parceria com outras instituições, irlandesas ou de outros países.</i></p>
<p><i>Além de um staff acadêmico permanente de seis pessoas, o instituto reúne cerca de 60 pesquisadores atuando ao mesmo tempo (pós-graduandos, pós-doutores e pesquisadores visitantes).</i></p>
<p><i>Cerca de 100 pesquisadores visitantes de 39 países diferentes passaram por ele nos últimos cinco anos (as inscrições para o <a href="https://www.tcd.ie/trinitylongroomhub/fellowships/annoucements/">programa 2017-2018</a> estarão abertas de 5 de setembro a 31 de outubro).</i></p>
<p><i>O programa para pesquisadores visitantes objetiva fortalecer a participação do instituto em redes internacionais de pesquisa e colocar os pesquisadores da universidade em diálogo com o que há de melhor em seus respectivos campos de atuação.</i></p>
<p><i> </i><i>O TLRH tem cinco temas abrangentes como prioridade: "Construindo a Irlanda”, “Identidades em Transformação”, “Culturas do Manuscrito, do Livro e da Impressão”, “Humanidades Digitais” e “Prática Artística. </i></p>
<p><i>Ao longo do ano, o instituto realiza em torno de 150 eventos acadêmicos (conferências, seminários e aulas públicas), com o objetivo de ampliar a visibilidade e o impacto de suas pesquisas. "Muitos dos eventos tratam de temas de interesse da sociedade, pois q</i><i>ueremos ser uma referência para os formuladores de políticas públicas."</i></p>
<p><i> </i></p>
<p><i> </i><i>Segundo Jane, a preocupação do instituto é promover três aspectos: excelência, interdisciplinaridade e engajamento público. "Digo aos colegas da universidade que continuem eu seus departamentos se quiserem fazer uma pesquisa de sua área; que venham para o instituto apenas se quiserem fazer algo diferente e colaborar na intersecção de disciplinas. Correrão riscos, mas somos um lugar seguro para correr riscos."</i></p>
<p><i>Ela afirmou que o instituto procurar encorajar os pesquisadores de artes e humanidades a conversar com os colegas da computação, física,  ciências da natureza, neurociências, saúde, matemática. "Isso faz com que surjam muito programas interessantes em humanidades ambientais, humanidades em saúde e humanidades digitais."</i></p>
<p><i>O TLRH é visto de forma muito positiva pela universidade, "uma vez que a área de artes e humanidades do Trinity College Dublin é a de maior prestígios nos rankings internacionais". </i></p>
<p><i>Jane afirmou que custou muito trabalho para o instituto chegar a esse patamar de prestígio e nele se manter, "sendo preciso ser aprovado em várias avaliações e empreender uma luta constante em busca de recursos".</i></p>
<p><i>O TLRH é um dos institutos integrantes da rede <a class="external-link" href="http://ubias.net">Ubias</a> (University-Based Institutes for Advanced Study), da qual o IEA também faz parte.</i></p>
<p style="text-align: right; "><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/biblioteca-da-universidade-de-dublin" alt="Biblioteca do Trinity College Dublin" class="image-inline" title="Biblioteca do Trinity College Dublin" /><strong>A Long Room da biblioteca do Trinity College Dublin</strong></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Infraestrutura e redes</strong></p>
<p><span>A construção de uma ampla infraestrutura para humanidades digitais na Irlanda e em conexão com o panorama europeu da área foi uma condição fundamental para o sucesso projeto 1641 Depositions, segundo Jane: "Percebi isso desde do início do desenvolvimento do projeto, uma década atrás".</span></p>
<p><span>Ela afirmou que as humanidades digitais estão bastante desenvolvidas na Europa e que a referência é a América do Norte, que "está um passo à frente".</span></p>
<p><span> </span><span>Uma das 12 principais infraestruturas estratégicas de pesquisa para humanidades digitais da Europa, segundo Jane, é o programa de <a class="external-link" href="http://www.dariah.eu/">Infraestrutura de Pesquisa Digital em Artes e Humanidades</a> (Dariah, na sigla em inglês), segundo Jane. "É</span><span> algo no nível do Cern ou dos grandes telescópios apoiados pela Comissão Europeia, não em termos de recursos, pois estes demandam mais, mas em termos de políticas no cenário científico. É uma federação de infraestrutura de pesquisa através da Europa."</span></p>
<p><span>De acordo com Jane, o governo irlandês decidiu apoiar as humanidades digitais porque havia falta de coordenação e estratégia na área, algo que contrastava com a forte presença no país de empresas de tecnologia de informação e comunicação, como Intel, Google, Twitter e IBM.</span></p>
<p>Além de ser estabelecida uma coordenação e incentivada a colaboração entre instituições de pesquisa, foi promovido o engajamento com iniciativas europeias, como a Dariah, e a participação do setor produtivo (o 1641 <span>Depositions </span>teve a colaboração da IBM).</p>
<p>A historiadora considera que os pesquisadores deveriam atentar para esse novo panorama nas humanidades, levando em consideração:</p>
<ul>
<li><span>o acesso a um vasto conjunto de fontes primárias, sobretudo manuscritos e material impresso;</span></li>
<li><span>o acesso ao conhecimento, expertise, metodologias e práticas de várias áreas;</span></li>
<li><span>a adoção de padrões e melhores práticas;</span></li>
<li><span>a possibilidade de preservação das informações a longo prazo e de forma sustentável;</span></li>
<li><span>a realização de experimentos e inovação em parceria com pesquisadores de múltiplas áreas e disciplinas.</span></li>
</ul>
<p> </p>
<p><strong>Modelo</strong></p>
<p>Na conferência, ela utilizou o projeto 1641 Depositions como caso-modelo: "Esses documentos são considerados os mais controvertidos da história irlandesa; t<span>rata-se de uma fonte única de informações sobre as causas e os eventos relacionados com a rebelião de 1641 na Irlanda contra a Inglaterra, quando dezenas de milhares de pessoas morreram, e para a história social, econômica, cultural, religiosa e política do país".</span></p>
<p><span>Segundo Jane, os 31 volumes de manuscritos com 8 mil testemunhos de homens e mulheres protestantes sobre os eventos relacionados com a rebelião ficaram guardados por centenas de anos na biblioteca do Trinity College Dublin. "Ninguém tinha acesso a eles. Só foram usados no passado para propaganda anticatólica." </span><span>Os testemunhos tratam de perda de bens e posses, atividade militar e os alegados crimes dos rebeldes irlandeses, incluindo assassinatos, aprisionamentos, agressões e até desnudamento de pessoas.</span></p>
<p><span>A primeira constatação da equipe do projeto foi de que seria necessário obter </span><span>€ 1 milhão</span><span> (cerca de R$ 3,63 milhões) para realizá-lo. Os recursos foram obtidos com o governo irlandês, universidades britânicas (Cambridge e Aberdeen) e a colaboração da IBM.</span></p>
<p>O projeto propiciou cuidados com a conservação dos manuscritos e sua digitalização, transcrição, transformação em texto digital e publicação online, "mas como não confio totalmente no mundo digital, decidi publicá-los também em papel", disse a pesquisadora.</p>
<p>Jane afirmou que a execução do projeto foi um desafio estimulante para cientistas de computação, pois "eles adoram o desafio de trabalhar com o que chamam de 'dados sujos'. No caso dos manuscritos, a 'sujeira' consistia em <span>falta de consistência e previsibilidade em tudo (uso de maiúsculas, pontuação, ortografia, sintaxe e semântica).</span></p>
<p><span> </span><span>Outras características do projeto, segundo ela, eram o fato de o domínio da área estar restrito a historiadores do século 17, sem a participação de cientistas da computação ou linguistas computacionais, e a d</span><span>ificuldade em capturar dados semiestruturados, estruturados e desestruturados.</span></p>
<p>O projeto teve a participação de 17 <span>especialistas em história, computação, física, matemática, linguística, geografia, literatura, estudos de gênero, biblioteconomia, arquivologia e conservação, com apoio da IBM, que forneceu um software de análise de linguagem natural.</span></p>
<p><span>Lançado em 2010, o site do projeto conta atualmente com 23 mil usuários cadastrados de várias partes do planeta.</span></p>
<p>Jane afirmou que o 1641 <span>Depositions </span>se tornou o projeto-líder em humanidades digitais porque foi feito em alto nível, recebeu vários recursos da Europa e expandiu-se para outros projetos em humanidades digitais. "A iniciativa derivada mais importante é o programa <a class="external-link" href="http://cultura-project.eu/">Cultura</a>, que trata da normalização de textos do século 17 em inglês e sua adequação ao inglês moderno. Outro resultado foi o 1641 na Sala de Aula. Várias outras pesquisas relacionadas a ele também já foram realizadas e apresentadas em diversas publicações."</p>
<p><strong>Lições</strong></p>
<p>De acordo com a historiadora, as principais lições aprendidas durante o desenvolvimento do projeto 1641 <span>Depositions </span>foram:</p>
<p><span> </span></p>
<ul>
<li><span>a tecnologia é transformadora mas não substitui a leitura do documento e seu contexto;</span></li>
<li><span>infraestrutura e padrões são de importância fundamental:</span></li>
<li><span>é preciso fazer algo sustentável, que possa migrar, ser atualizado e acessível no futuro, para não resultar em um depósito digital;</span></li>
<li><span>o sistema deve ser desenvolvido de maneira tão boa como os dados, para não perpetuar erros.</span></li>
<li><span>a agilidade em identificar dados é essencial para a formulação de novas questões numa pesquisa;</span></li>
<li><span>reciprocidade: é preciso um grande respeito, confiança e dependência entre os especialistas de diversas áreas envolvidas.</span></li>
</ul>
<p> </p>
<p><span><strong>Debate</strong></span></p>
<p>Após a conferência, Teixeira Coelho quis saber de Jane quais são as reais mudanças que as tecnologias digitais promovem nas humanidades, no modo de funcionar e educar das universidades. Ela respondeu ter percebido que as humanidades digitais eram algo específico quando o Trinity College Dublin passou a citá-las nos anúncios para a contratação de professores. "Notei que elas constituíam uma área específica. Atualmente há seis professores que são humanistas digitais na universidade."</p>
<p><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a>, ex-diretor do IEA, onde coordena o <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/forum-permanente" class="external-link">Grupo de Pesquisa Fórum Permanente – Sistema Cultural entre o Público e o Privado</a>, comentou o problema da avaliação institucional e de pesquisadores por meio de sua produção digital: "A USP promoveu um processo de avaliação em 2015 e o site do IEA não foi considerado relevante pelas pessoas convidadas a avaliar o Instituto. Estamos longe de as pessoas começarem a utilizar estatísticas para a avaliação de plataformas digitais". Ele perguntou a opinião de Jane sobre isso em relação a Irlanda e à Europa.</span></p>
<p><span><span> </span>Jane disse que ainda há o problema de avaliação da produção da área para a progressão na carreiras dos pesquisadores: "Ela ainda é feita a partir de material impresso, artigos avaliados por pareceristas. Os avaliadores não estão interessados em publicações digitais. Acho que ainda há um longo caminho para que esses resultados digitais passem a ser considerados publicação acadêmica séria."</span></p>
<p><span> </span><span>Arlindo Phillipi Jr., ex-diretor de Avaliação da Capes, fez comentários sobre o crescimento no número de propostas de programas de pós-graduação interdisciplinares no Brasil e como elas são avaliadas. Para ele, a dificuldade ainda é a falta de avaliadores aptos a analisar esse tipo de proposta, ainda que eles sejam grandes especialistas em suas disciplinas: "</span><span>Existe uma necessidade permanente de trabalhar com nossos colegas, tentando inserir a ideia de que o que está em questão é resolver o problema que vamos pesquisar, não a disciplina que vamos usar. É preciso verificar que disciplinas teremos que reunir para ter o problema muito bem explicado, como encontrar soluções para ele e qual estratégia, multi ou interdisciplinar, a ser utilizada."</span></p>
<p><span>"Temos novos doutores no Brasil formados num perfil interdisciplinar. Eles ainda enfrentam problemas quando concorrem por vagas em algumas universidades, mas como seu número está crescendo, estamos atingindo um novo equilíbrio de forças. Eles têm demonstrado que é possível fazer boa pesquisa nesse novo perfil. O problema é que ainda há poucos periódicos interdisciplinares no país."</span></p>
<p><span> </span><span>Em relação à pesquisa interdisciplinar, ela disse que há dois pontos a serem analisados: esse tipo de trabalho leva tempo, porque não é fácil, por isso merecem mais compreensão das agências de fomento, que precisam conceder mais tempo para sua execução, sobretudo para a apresentação dos resultados; o outro ponto é a dificuldade de avaliação: "Não sabemos como avaliar uma proposta interdisciplinar; é difícil encontrar alguém que se sente igualmente confortável em várias disciplinas".</span></p>
<p><span> </span></p>
<p><span> </span><span>Para Plonski, talvez seja necessário um outro vocabulário para tratar da questão: "Quando se usa inter, multi e transdisciplinaridade ainda estamos presos ao paradigma, à âncora da disciplinaridade". Ele disse que Simon Schwartzman defende em um de seus trabalhos que há dois modos de produção do conhecimento: um é baseado no paradigma da disciplina e envolve uma agenda específica, grupos estáveis, planos de carreira, hierarquia e outros fatores; o outro é motivado pelos problemas a serem resolvidos e envolve grupos temporários, alternância de liderança, desierarquização e outros componentes.</span></p>
<p>O antropólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/massimo-canevacci" class="external-link">Massimo Canevacci</a>, ex-professor visitante do IEA, comentou que precisou mudar sua metodologia de pesquisa com os índios bororo no Mato Grosso porque eles já estão habituados à utilização de tecnologias digitais. Diante desse grau de presença dessas tecnologias na sociedade, Canevacci perguntou a Jane se as humanidades digitais terão impacto além do ambiente acadêmico. Para ela, pelo que observa na Irlanda e na Europa, as humanidades digitais estão se tornando uma parte da linguagem da herança cultural. Ela citou como exemplo disso o programa Cultura, que tem entre seus objetivos criar ferramentas de internet para serem usadas especialmente por museus e galerias de arte.</p>
<p><span> </span></p>
<p><span>Jane também foi questionada sobre o dilema entre utilizar recursos na conservação de fontes de informação físicas (manuscritos, livros, obras de arte) ou na sua digitalização. Para ela, se não houver outra opção, deve-se investir na preservação, pois o material pode se deteriorar em cinco ou dez anos, ficando inapropriado para digitalização.</span></p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Leonor Calazans/IEA-USP; Trinity College Dubllin</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ubias</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Estudo Humanidades Computacionais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Humanas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-09-05T13:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/o-lugar-paradoxal-do-artista-dentro-da-universidade">
    <title>O lugar paradoxal do artista dentro da Universidade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/o-lugar-paradoxal-do-artista-dentro-da-universidade</link>
    <description>O ensino da arte na graduação e na pós-graduação ainda enfrenta tensões culturais e  institucionais, mostram artistas-professores.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Aquarela%20do%20artista%20Poty%20sobre%20a%20vida%20universitaria/@@images/28c748ac-1405-4ed0-9e9a-69ebbb3c8293.jpeg" alt="Aquarela do artista Poty sobre a vida universitária." class="image-right" title="Aquarela do artista Poty sobre a vida universitária." /></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p class="kssattr-macro-title-field-view kssattr-templateId-kss_generic_macros kssattr-atfieldname-title documentFirstHeading" id="parent-fieldname-title"><b><span>Aquarela do artista Poty Lazzarotto sobre a vida universitária. Cortesia Acervo MAC-USP.</span></b></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Num embate ocorrido na adolescência, um professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP foi desafiado por um colega: “Você vai ser crítico de arte, mas eu vou ser um artista”. O professor em questão, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marco-giannotti" class="external-link">Marco Giannotti</a>, que também é artista e pesquisador de arte, usou o exemplo da infância para criticar a dicotomia existente na cultura artística brasileira, de que quem atua na academia não é artista e quem está no mercado de arte não tem espaço na academia. A contextualização e a problematização do papel da arte na Universidade foi o foco da mesa-redonda <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/arte-artista-universidade" class="external-link"><i>Arte, Artista, Universidade</i></a>, realizada no dia <b>15 de agosto </b>no IEA.</p>
<p>Como parte das atividades organizadas pela <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedras-e-convenios-atuais/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia">Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência</a>, o debate reuniu, além de seu primeiro titular, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sergio-paulo-rouanet">Sergio Paulo Rouanet</a>, os professores-artistas <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoak/katia-maciel">Katia Maciel</a>, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro; <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/raquel-de-oliveira-pedro-garbelotti">Raquel  Garbelotti</a>, Universidade Federal do Espírito Santo; <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/ricardo-roclaw-basbaum">Ricardo Basbaum</a>, do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rubens-mano">Rubens Mano</a>, artista visual e mestre em Poéticas Visuais pela ECA-USP.  A moderação foi de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann">Martin Grossmann</a>, professor da ECA-USP e coordenador acadêmico da Cátedra.</p>
<p>Existem aproximadamente 20 cursos de pós-graduação em artes visuais no Brasil. A ECA foi pioneira ao criar o primeiro doutorado em artes, em 1980. A partir da década de 1970, o ensino da arte começou a ser estruturado nas universidades públicas federais e estaduais, sendo a ECA também uma das pioneiras ao criar o curso de Educação Artística, em 1972, e o mestrado em Artes, em 1974.</p>
<table class="tabela-esquerda-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<p>Relacionado</p>
<p>artigo <a class="external-link" href="http://jornal.usp.br/cultura/rouanet-discute-na-usp-as-relacoes-entre-arte-e-universidade/">Jornal da USP</a></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2016/arte-artista-universidade" class="external-link">Vídeo </a>| <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/2016/arte-artista-universidade-15-de-agosto-de-2016" class="external-link">Foto</a></p>
</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>“Embora incluída na estrutura universitária e científica do país, o campo das artes não é visto como uma área de conhecimento em termos equivalentes às ciências, como as Engenharias e a Medicina, por exemplo”, afirma Grossmann. O debate buscou explorar as razões dessa diferenciação.</p>
<p>Na opinião de Giannotti, durante muito tempo, a Universidade ficou sendo vista como o “lugar da alienação”. De forma geral, acredita-se que o artista deve estar no mercado. Essa tensão se faz presente até hoje, segundo o professor.</p>
<p>“Curioso que no Brasil os artistas tenham mais possibilidade de exercer sua vida artística após sair da Universidade. Em outros países, ao contrário, o grande momento em que o artista celebra sua maturidade é quando ele é convidado para a Universidade”, destaca Giannotti.</p>
<p>Esse mal entendido ocorre porque o país alimenta uma cultura de não enxergar a educação como lugar da imaginação, acredita. “Existe uma tensão contínua diante da maluquice de padrões de produtividade estabelecidos pela Capes. E sendo assim, uma exposição na Pinacoteca nunca vai ter o mesmo peso de um texto escrito segundo as normas ABNT”, critica.</p>
<p>Um dos aspectos da problemática diz respeito à relação do artista com a escrita formal da academia. “A obra não é um objeto formal, mas o discurso do artista sobre sua obra é. Uma questão a ser problematizada é o discurso feito pelo próprio artista sobre sua obra e não pelos críticos de arte”, pontua Kátia Maciel.</p>
<p>No artigo <a class="external-link" href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1678-53202003000100009">"A imagem escrita"</a>, produzido para a revista ARS, do Departamento de Artes da ECA, Giannotti nota: “Na área de Poéticas Visuais, o aluno se depara com algo que não estava familiarizado: o dilema da escrita. Como escrever um texto condizente com sua produção visual? A pós-graduação é o lugar ideal para uma reflexão contínua sobre esta questão. O artista que vai para a Universidade deve estar ciente de que sua formação também implica em fomentar um discurso artístico”.</p>
<p>“Escrever sobre arte significa assumir uma postura crítica não só em relação ao seu trabalho como também significa um engajamento diante de um meio cultural”, escreve Giannotti em seu artigo.</p>
<table class="tabela-esquerda">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/o-prazer-desinteressado-da-arte-mesa" alt="Arte, Artista, Universidade - Mesa" class="image-inline" title="Arte, Artista, Universidade - Mesa" /></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><b>A partir da esq.: Raquel Garbelotti, Rubens Mano, Martin Grossmann, Sergio Paulo Rouanet, Katia Maciel, Ricardo Basbaum e Marco Giannotti.</b></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Segundo Giannotti, a escrita do artista não é dedutiva, nem ilustrativa, mas pode literalmente projetar suas abstrações artísticas. Cita textos do pintor, escultor e artista plástico Hélio Oiticica, que o artista usou como estratégia de tudo o que ele iria criar anos depois. Cita ainda o exemplo de um aluno que orientou no mestrado e doutorado, o pintor, desenhista, gravador, escultor e professor José Spaniol. “Interessante como a tese dele apontava para série de questões que anos depois a obra realizou”, disse.</p>
<p> </p>
<p><b>Cultura e grade curricular</b></p>
<p>Num contexto de ameaças de privatizações de universidades públicas, quando as Humanidades vêm perdendo o papel de crítica dos saberes e num momento de desmantelamento de organismos voltados à cultura no Brasil, é preciso entender que relativamente à arte, a Universidade está na dobra de duas posições – mercado e academia – que parecem inconciliáveis. “No entanto, qual seria o papel da Universidade, senão formar sujeitos críticos e conscientes do seu contexto, e criadores de novos mercados?”, questiona Raquel.</p>
<p>Segundo a professora, as normativas acadêmicas e a forma disciplinar como está ordenado o conhecimento dentro da Universidade impedem o aluno e o pesquisador de arte de fazer voos mais altos. “Por isso estamos repensando o curso de artes no Espírito Santo, flexibilizando a grade curricular, levando artistas para ministrar disciplinas nos departamentos de teoria e história da arte. E também abrimos a possibilidade dos candidatos apresentarem portfólio. Em vez de achar culpados, precisamos repensar a questão dentro da Universidade”, afirma.</p>
<p>Para Raquel, se os cursos de arte não forem pensados por artistas, cada vez mais se acentuarão as disparidades do papel da arte em relação à ciência. “Não é possível pensar uma grade curricular de artes nos termos modernos, com áreas divididas por fazeres como pintura, escultura, desenho etc. Isso reitera o discurso moderno de que a arte é um saber dissociado de tudo, apartado do mundo”, disse.</p>
<p>Para Rubens Mano, há uma “fissura conceitual na sociedade”, haja vista as políticas de Estado na área cultural e a recente fusão do Ministério da Cultura com o da Educação. “É preciso olhar o problema de frente e fazer uma revisão de arraigadas práticas sociais e estruturas de pensamento”, afirma.</p>
<p>Por outro lado, é preciso pensar parâmetros para que se promova a equivalência do status da arte com o da ciência, afirma Mano. “A busca da desejada equivalência da arte com a ciência não deve significar o aceite de linhas de enquadramentos e injustificados constrangimentos da arte”, afirma.</p>
<p>A equivalência arte com a ciência deverá “enfrentar o momento crítico no qual vivemos”, diz Mano, no qual “a subjetividade sofre constante constrangimento, os repertórios se esvaziam e a linguagem corrente retrocede a ponto de perdermos o sensível da linguagem”.</p>
<p>O artista acredita que há “uma falência na relação entre sociedade e cultura”, em que as instituições estão balizadas por “critérios hegemônicos e uniformizadores”.</p>
<p>Nesse contexto, vale questionar a Universidade temos e a que queremos, afirma Giannotti. “Temos um resíduo do projeto Iluminista, ou uma Universidade em frangalhos, fragmentada pelo debate político e muitas vezes alienante?”, disse Giannotti.</p>
<p> </p>
<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/monumento-minimo-de-nele-azevedo-santiago-chile-2012/@@images/6e5b1569-8419-4a0e-9fab-5da337e8136b.jpeg" alt="'Monumento Mínimo', de Néle Azevedo, Santiago, Chile, 2012" class="image-inline" title="'Monumento Mínimo', de Néle Azevedo, Santiago, Chile, 2012" /></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><b>"Monumento Mínimo", </b><b>de Néle Azevedo, Santiago, Chile, 2012.</b></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b>O artista pesquisador</b></p>
<p>De fato, o lugar da arte é a sociedade, seu espectro maior. Quem faz a <span> arte é o público receptor. Sem o público, ela não tem sua necessária ativação, politização. Para isso se dar, a obra precisa provocar a sociedade. Mas a arte pode ser tensionada no arquivo discursivo e crítico da Universidade”, afirma Ricardo Basbaum.</span></p>
<p>Basbaum lembra que o espaço das artes dentro do aparelho institucional das universidades se manifesta a partir de uma mediação diversa. O trabalho da arte transforma-se em pesquisa e o artista em pesquisador. Sendo assim, cada ambiente segue um rito diferente, seja o mercado de arte, a agência de fomento, ou o coletivo independente.</p>
<p>Para o professor, é preciso reconhecer essa diferença como um ganho: “Devemos nos perguntar, diante dessa diferença, que caminhos podem ser inaugurados; quais possibilidades podem ser apontadas?”.</p>
<p>Por outro lado, em seu artigo <a href="https://www.iea.usp.br/publicacoes/o-artista-pesquisador/view" class="external-link">“O artista como pesquisador”</a>, Basbaum lembra que a exigência de um grau de Doutor, por exemplo, para que um artista possa oferecer um curso de pós-graduação, “indica claramente um conflito de legitimações, em que o aparato universitário não abre mão de abrigar primeiramente aquele reconhecidos pelo seu próprio processo de formação/formatação”, ensina.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sylvia Miguel</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Política Cultural</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-08-17T18:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/arte-artista-universidade">
    <title>Arte, Artista, Universidade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/arte-artista-universidade</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><b>Kant, Benjamin e o Contemporâneo pelo viés das artes plásticas</b></p>
<p>Iluminados pelos textos de Sergio Paulo Rouanet e Barbara Freitag que serão expostos na conferência<b> </b><i><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/rouanet-e-barbara-freitag-discutem-validade-da-arte-como-prazer-desinteressado" target="_blank">O Prazer Desinteressado da Arte? De Kant à Cultura Pós-Aurática de Walter Benjamin</a></i><b> </b>neste 15 de agosto, professores e artistas reunidos numa mesa-redonda irão lançar perguntas que visam  contextualizar e problematizar o lugar e o papel da arte na universidade  na contemporaneidade.</p>
<p>No Brasil, o ensino da arte nas  universidades públicas federais e estaduais, foi estruturado nos anos  70, sendo a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP uma das escolas pioneiras ao criar um curso de  Educação Artística em 1972 e logo em seguida, em 1974, o primeiro mestrado em  Artes.</p>
<p>A ECA também foi a pioneira na criação do primeiro doutorado em  artes em 1980. Hoje  existem por volta de 20 cursos de pós-graduação em artes visuais Brasil afora.</p>
<p>Apesar da inclusão das artes na estrutura  universitária e científica do país, essa não é vista como uma área de  conhecimento em equivalência com as das Ciências, Engenharias e  Medicina.</p>
<p>Em períodos de crise, como o que vivemos, as artes e a cultura são questionadas, em particular, por sua falta de objetividade e  utilidade e são as primeiras a terem seus orçamentos afetados.</p>
<p>Quais  são as razões desse mal entendido e dessa diferenciação?</p>
<h3><span>Participantes:</span></h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoak/katia-maciel" class="external-link">Katia Maciel</a></div>
<div class="visualClear"><a class="external-link" href="http://vhttp//www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann">Martin Grossmann</a></div>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marco-giannotti" class="external-link">Marco Giannotti</a></div>
<div class="visualClear" id="_mcePaste"><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/raquel-de-oliveira-pedro-garbelotti" class="external-link">Raquel  Garbelotti</a></span></div>
<div class="visualClear"><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rubens-mano" class="external-link">Rubens Mano</a></span></div>
<div class="visualClear" id="_mcePaste"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/ricardo-roclaw-basbaum" class="external-link">Ricardo Basbaum</a></div>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sergio-paulo-rouanet" class="external-link">Sergio Paulo Rouanet</a></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-08-09T19:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/workshop-com-michael-elliott-1">
    <title>O futuro das publicações acadêmicas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/workshop-com-michael-elliott-1</link>
    <description>Em workshop com pesquisadores e profissionais de editoração acadêmica no dia 19 de abril, Michael Elliott discutiu projeto da Fundação Mellon, dos EUA, para apoio à utilização da edição digital pelas ciências humanas.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/workshop-com-michael-elliott" alt="Workshop com Michael Elliott" class="image-inline" title="Workshop com Michael Elliott" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Michael Elliott (<i>à dir.</i>) disse que a preocupação com a sobrevivência das editoras universitárias foi uma das motivações para projeto sobre publicações digitais com acesso aberto</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Uma das áreas onde as tecnologias digitais têm ocasionado maior transformação é a editorial, fazendo com jornais, revistas, livros e outras publicações impressas convivam com edições online ou sejam substituídas por elas.</p>
<p>As publicações acadêmicas (monografias e periódicos) não são uma exceção nesse processo, mas, dadas às suas especificidades, principalmente aquelas afeitas à socialização do conhecimento e à sustentabilidade econômica do esforço editorial, exigem mudanças de posturas que vão além das preocupações meramente financeiras.</p>
<p>Essas questões foram discutidas no workshop <span><i>Pesquisa sem Fronteiras: O Futuro da Publicação Acadêmica no Mundo Digital</i> com o históriador </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/michael-a-elliot">Michael Elliott</a><span>, da Universidade Emory, na tarde do dia 19 de abril. Ele havia proferido, na manhã do mesmo dia, a conferência </span><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/publicos-das-humanidades" class="external-link"><i>As Humanidades e seus Públicos</i></a>, que também tratou de aspectos ligados à edição digital e sua importância para a divulgação dos trabalhos em ciências humanas a públicos externos ao meio acadêmico.</span></p>
<p>Dirigido a <span>profissionais e pesquisadores envolvidos com a publicação digital de monografias e artigos científicos, o workshop foi </span><span>uma oportunidade para Elliott falar sobre o projeto de apoio a publicações digitais que a Universidade Emory desenvolve a pedido da </span><a href="https://mellon.org/">Fundação Mellon</a><span>, instituição privada americana que apoia as humanidades.</span></p>
<p>Segundo Elliott, a fundação se preocupa com o futuro da publicação de monografias pelas editoras universitárias em razão de dois fatores: a baixa remuneração paga pelos revendedores online de livros; por serem financiadas pelas universidades, as editoras são obrigadas a publicar apenas livros destinados ao público acadêmico, não podendo lançar livros comercialmente mais rentáveis, voltados a outros públicos.</p>
<p>Um terceiro aspecto, ligado às necessidades do público, motivou a fundação a investir em propostas de publicação online de acesso livre pelas universidades: os periódicos científicos não são de acesso livre nos EUA, mas publicados por "editoras privadas que aumentam o preço das assinaturas de forma agressiva", de acordo com Elliott.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p>EVENTO<br /><strong>As Humanidades e seus Públicos - Conferência de Michael Elliott - 19/04/16</strong></p>
<p><strong>Notícias</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/publicos-das-humanidades" class="external-link">Digital amplia público e muda procedimentos das ciências humanas, diz historiador</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/humanities" class="external-link">Os humanistas e os novos padrões da divulgação da digital</a></li>
</ul>
<p><strong>Midiateca</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2016/copy_of_the-humanities-and-its-publics" class="external-link">Vídeo</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/2016/the-humanities-and-its-publics-19-de-abril-de-2016" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p> </p>
<p>EVENTO<br /><strong>Pesquisa sem Fronteiras: O Futuro da Publicação Acadêmica no Mundo Digital - Workshop conduzido por Michael Elliott - 19/04/16</strong></p>
<p><strong>Midiateca</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2016/visoes-visao-edicao-compartilhamento-estado-publicado-25bc-acoes-25bc-research-without-frontiers-the-future-of-academic-publication-in-a-digital-world" class="external-link">Vídeo</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/2016/research-without-frontiers-the-future-of-academic-publication-in-a-digital-world-19-de-abril-de-2016" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span>Em paralelo aos projetos de edição digital, as editoras universitárias continuam a debater sobre como produzir de forma economicamente viável obras impressas em tiragens reduzidas, destinadas a públicos específicos. "Os editores estudam há alguns um novo modelo econômico no qual a maior parte dos custos são recuperados na universidade de atuação do autor, para depois o trabalho ser colocado em acesso aberto online. Para colaborar com esse modelo, a Mellon forneceu plataformas de edição digital a várias universidades."</span></p>
<p>Na Emory, a fundação patrocinou um estudo feito por um grupo de professores ligados à gestão da universidade, entre eles o próprio Elliott. O modelo editorial foi analisado do ponto de vista administrativo.</p>
<p>No <a href="http://quod.lib.umich.edu/j/jep/3336451.0018.407?view=text;rgn=main">relatório</a> do trabalho, os professores afirmam que a monografia é uma forma vital de expressão do pensamento das ciências humanas e deve ser preservada. Para eles, o futuro das publicações será híbrido, com trabalhos digitais e impressos.  Em coerência com os princípios éticos que valorizam, defendem que as publicações sejam de acesso livro pelo público em geral, inclusive o internacional.</p>
<p>Elliott disse que os mais interessados no modelo são os acadêmicos jovens com vínculos internacionais. Eles querem que as pessoas dos países onde realizam pesquisas tenham acesso às publicações, sobretudo as pessoas de países onde o público tem dificuldade de acesso a bibliotecas especializadas.</p>
<p>Segundo Elliott, os editores afirmam que o fator que mais interfere na composição do custo de produção de uma monografia é a dificuldade de trabalhar com os humanistas, devido ao longo tempo que demandam para a produção do texto. No caso da edição digital, há também a questão da especificidade de cada trabalho. "A esperança é que haja ganho de escala quando maior número de editoras e acadêmicos estiverem publicando em formato digital."</p>
<p>Elliott ressalva, entretanto, que ainda há uma série de perguntas a serem respondidas: as monografias digitais serão semelhantes às impressas ou serão projetos dinâmicos como os que citou na conferência que precedeu o workshop (<a href="http://www.slavevoyages.org/" target="_blank">Voyages – Trans-Atlantic Slave Trade Databse</a> e <a href="http://www.enchantingthedesert.com/" target="_blank">Enchanting the Desert</a> )? a edição digital resultará em algum tipo de perda em relação à edição impressa? as monografias digitais e as impressas terão o mesmo impacto? o público interessado será o mesmo? Outra preocupação de Elliott é quanto à preservação do material digital, problema que ninguém ainda resolveu.</p>
<p>Claudia Bauzer Medeiros, da Unicamp e da Coordenação do Programa Fapesp de Pesquisa em eScience, afirmou que há um outro problema relativo às edições digitais: em certos casos, os dados de uma publicação digital podem ser utilizados tanto para reproduzir um experimento quanto para a produção de um novo trabalho, o que violaria o direito autoral. Elliott respondeu que nos EUA há a possibilidade de utilizar partes ou capítulos de um texto pagando os direitos autorais correspondentes. No entanto, explicou, em vez de receberem esses valores, que são reduzidos, os pesquisadores preferem que o trabalho seja de acesso livre.</p>
<p>Cada vez mais a pesquisa em humanidades inclui o trabalho com computadores e outros equipamentos, com o envolvimento de vários técnicos, e isso fica mais acentuado na produção digital. Diante disse, surge a dúvida sobre quem deve constar da relação de autores de um artigo. A questão foi levantada por Luís Ferla, professor de história contemporânea na Unifesp. Ele disse que seu grupo de pesquisa publicou um artigo assinado por 14 pessoas, incluindo entre eles o técnico fotográfico e outros profissionais. "A princípio, a revista alegou que não tinha espaço para publicar os nomes das 14 pessoas, mas acabaram aceitando a inclusão de todos". Elliott afirmou que isso foi perguntando ao responsável pela monografia digital Enchanting the Desert, que respondeu ser o autor e que o crédito ao trabalho dos demais envolvidos aparece numa <a href="http://enchantingthedesert.com/credits/">página</a> específica do site, de forma análoga à forma como os créditos aparecem no cinema.</p>
<p>Jaime Ginzburg, professor de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, disse que uma vantagem do material digital em áreas como a de estudos literários, na qual atua, é a facilidade de lidar com ele e organizá-lo. Outra vantagem que observa é de natureza social, pois muitos alunos não têm recursos para comprar livros. Além disso, considera que o processo de edição fica transparente, com informações sobre todo o processo, diminuindo o risco de procedimentos questionáveis por parte das revistas. No entanto, ele vê um risco inerente ao mundo digital: pelo fato de estarem "lado a lado" no mundo digital, o material produzido por pesquisadores pode ser confundido com aquele produzido por amadores. "Pedimos uma pesquisa sobre um escritor aos alunos de graduação e eles vão pesquisar no Google e em blogs", exemplificou.</p>
<p>Mas a tendência do acesso aberto online não é uma unanimidade. <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luiz-bevilacqua" class="external-link">Luiz Bevilacqua</a>, coordenador do Grupo de Cognição e Sistemas Complexos da UFABC, relatou o ocorrido com a revista da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas, criada nos anos 80, com apoio do CNPq: "Com esse apoio, a revista pôde adotar o acesso livre. Mas as coisas estão mudando. Continuamos responsáveis pela qualidade editorial, mas estamos nos tornando mais comerciais e não há mais acesso livre."</p>
<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/bevilacqua-e-jaime-ginzburg" alt="Luiz Bevilacqua e Jaime Ginzburg" class="image-inline" title="Luiz Bevilacqua e Jaime Ginzburg" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Luiz Bevilacqua (primeiro plano) e Jaime Ginzburg, dois dos participantes do workshop</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O<span> mesmo aconteceu com a revista da Sociedade Brasileira de Computação, uma das primeiras a ingressar Scientific Eletronic Library Online (SciELO), segundo Cláudia. "Como a revista queria contar com mais propaganda institucional e com isso obter maior visibilidade internacional, resolveu sair da SciELO e ser publicada por uma editora de periódicos internacional."</span></p>
<p>Outro ponto destacado por Elliot é a pertinência da publicação de monografias por editoras universitárias. Para ele, muitas dessas editoras são importantes, confiáveis, com revisão por pares e todos os procedimentos necessários, por isso não prosperou a sugestão de ignorar as editoras e cada pesquisador ou grupo fazer o trabalho por conta própria. "Em primeiro lugar, deve-se considerar que o trabalho editorial feito por elas é muito bom. Além disso, a academia funciona como uma economia de prestígio e as editoras adicionam esse tipo valor ao que fazem."</p>
<p>Jézio Gutierre, presidente da Editora da Unesp, disse que não há certeza sobre o que é uma editora acadêmico e que isso é importante para toda a discussão, "senão vamos continuar a buscar objetivos que não são consistentes". O segundo passo a definir, segundo ele, é quem pagará pelo trabalho. Ele também pensa que é preciso analisar se a publicação digital de acesso livre é realmente uma preocupação social real ou apenas da instituição.</p>
<p>Gutierre também falou sobre a experiência "surpreendentemente bem-sucedida" que a editora tem tido com as edições digitais em geral e com SciELO. "Temos um programa estável de publicação digital já com 340 títulos, com número anual de lançamentos tendo chegado a 120. Em cinco anos atingimos a marca de 50 milhões de acessos e 20 milhões de downloads. Na SciELO Books, com acesso livre, já são 92 títulos".</p>
<p>Elliott respondeu que a definição das características de uma editora acadêmica ainda é uma questão em aberto, pois os diferentes atores ainda não definiram o que constitui uma editora desse tipo. "O interessante é que a Cambridge University Press e a Oxford University Press, as duas maiores editoras acadêmicas dos EUA, não participam dessa discussão. Elas têm medo do novo tipo de modelo porque se tornaram editoras comerciais, apesar de também produzirem títulos acadêmicos."</p>
<p>"A editoras universitárias americanas foram criadas para apoiar a comunicação entre os acadêmicos e também para diferenciar quem era da academia de quem não era. Agora falamos de algo diferente: promover a comunicação também com o público leigo. Isso introduz uma ambiguidade na missão das editoras."</p>
<p>Quanto ao financiamento do modelo, Elliott disse que a proposta é mudar a responsabilidade pelo custeio das publicações do consumidor para o produtor e dessa forma tornar o conteúdo disponível a mais pessoas. "Nos EUA, isso vai se transformar num fardo institucional, não num fardo político."</p>
<p>Elliott não acredita que as agências governamentais de fomento à pesquisa americanas financiarão essa transição de modelo nas humanidades.  "Curiosamente, o principal patrocinador até agora é uma fundação privada [Mellon], que financia a implantação do sistema e depois procura sair dele. Um dos lados negativos previstos é aumento do custo para a contratação de pesquisadores na área de humanidades, pois será preciso prever os gastos com a produção de acesso aberto do docente."</p>
<p>Segundo Elliott, a Mellon defende o novo sistema modelo por diversas razões, mas sua preocupação principal é com o fato de o modelo atual das editoras universitárias não ser sustentável financeiramente, principalmente porque há o problema do freeright, ou seja, algumas pessoas se beneficiam de algo que elas não pagam: "Quando um professor de uma universidade que não tem editora publica um livro na editora da Universidade de Chicago, por exemplo, sua universidade se beneficia de algo em que não investiu."</p>
<p>Além disso, a Mellon constata que as editoras universitárias têm tido um retorno menor, pois não conseguem vender cópias para as bibliotecas. "Soma-se a isso o fato de a maior parte das editoras universitárias nos EUA serem muito pequenas e não terem recursos necessários para construir uma infraestrutura para editar e distribuir publicações digitais, a menos que tenham certeza de que haverá um fluxo contínuo de autores."</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a>, ex-diretor do IEA, quis saber dos representantes da Unesp e da Câmara Brasileira do Livro se há uma estratégia em análise para o mercado brasileiro.</p>
<p>De acordo com Jézio Gutierre, presidente da Editora da Unesp, há várias pessoas e grupos de estudos preocupados com isso, inclusive na USP Leste. Todavia, "ninguém sabe o que acontecerá no futuro, inclusive porque as estatísticas americanas de 2015 indicam uma retração no mercado de livros digitais e por haver uma postura ainda refratária do público acadêmico em relação a eles".</p>
<p>Segundo Elliott, uma das razões pelas quais Mellon está investindo é exatamente essa: "Não sabemos o que vai acontecer e o que ela faz é conceder recursos para experimentarmos".</p>
<p>De acordo com Daniela Manole, diretora da Câmara Brasileira do Livro, o mercado brasileiro é híbrido, com espaço para muitos formatos editoriais. "Um dos motivos pelos quais os editores estão utilizando vários formatos é prevenir a pirataria. "Atualmente há soluções para serem oferecidas às universidades e bibliotecas, como o acesso por capítulo ou por página. No entanto, esse projeto não consegue ingressar nas universidades públicas." Quanto à participação nas vendas, ela disse que os livros digitais representam 4% do faturamento das editoras no Brasil, seguindo mais ou menos o mercado europeu, ao passo que nos EUA e no Reino Unido, a participação chega a 30% da receita.</p>
<p>Daniela afirmou que "possibilitar o acesso livre às fontes de educação em acesso livre é um conceito antigo, defendido em 2002 pela Unesco, mas tem de ser financiada". Mas há muitas confusões entre os conceitos, de acordo com ela: "As pessoas querem que o autor produza, seja editado e depois colocado no mercado e que a obra seja gratuita. O resultado é a pirataria." Ela informou que a CBL tem uma comissão sobre livros digitais, onde todos esses temas são discutidos por meio de workshops e cursos.</p>
<p>Além dos custos de produção, é preciso considerar os custos de preservação das publicações digitais, segundo Claudia: "Na Nasa, os dados de muitas missões a Marte estão perdidos porque não havia política de preservação ou porque foram armazenados em lugares inadequados".</p>
<p>Perguntado por ela se há estudos sobre os custos de preservação das obras acadêmicas digitais, Elliott respondeu que está sendo feito um estudo sobre isso, mas que é difícil de realizá-lo, pois ainda não há o material a ser preservado.</p>
<p>A graduanda Beatriz Kalichman, colaboradora do projeto de pesquisa do professor visitante do IEA Jeffrey Lesser, disse que ao se pensar num modelo brasileiro para o acesso livre, deve–se levar em consideração de que as bolsas para pesquisa são pagas com dinheiro público e por isso os resultados também dever ser públicos.</p>
<p>Elliott disse que muito recentemente as agências americanas de fomento à ciência começaram a definir termos de acesso aberto, no sentido de que sejam públicos os resultados de uma pesquisa patrocinada com recursos públicos. "A política americana que permitiu que os pesquisadores recebessem recursos e isso propiciasse riqueza particular, por meio da participação em patentes e outras propriedades intelectuais, foi uma decisão dos anos 80, durante o governo de Ronald Reagan.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calazans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura Digital</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-05-24T15:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/research-without-frontiers-the-future-of-academic-publication-in-a-digital-world-19-de-abril-de-2016">
    <title>Research Without Frontiers: The Future of Academic Publication in a Digital World - 19 de abril de 2016</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/research-without-frontiers-the-future-of-academic-publication-in-a-digital-world-19-de-abril-de-2016</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-04-19T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/the-humanities-and-its-publics-19-de-abril-de-2016">
    <title>The Humanities and its Publics - 19 de abril de 2016</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/the-humanities-and-its-publics-19-de-abril-de-2016</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-04-19T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/humanities">
    <title>Os humanistas e os novos padrões de divulgação da era digital</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/humanities</link>
    <description>Michael A. Elliott, da Emory University, fará conferência e coordenará workshop no IEA no dia 19 de abril sobre a divulgação dos estudos dos humanistas na era digital.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<div class="kssattr-target-parent-fieldname-text-3626fcce5f994359b560f7e2dba009dd kssattr-macro-rich-field-view kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-atfieldname-text " id="parent-fieldname-text-3626fcce5f994359b560f7e2dba009dd">
<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/michael-a-elliott" alt="Michael A. Elliott" class="image-inline" title="Michael A. Elliott" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Michael A. Elliott, da Emory University, EUA</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>As implicações das novas tecnologias e padrões de comunicação na forma como humanistas, especialmente dos quadros universitários, divulgam suas pesquisas a públicos externos à academia serão discutidas em conferência e em workshop com o professor de literatura e cultura dos Estados Unidos <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/michael-a-elliot" class="external-link">Michael A. Elliott</a>, da Emory University, no <strong>dia 19 de abril</strong>.</p>
<p>A conferência <i>The Humanities and its Publics</i> será realizada das <strong>10 às 12h</strong>, na Sala de Eventos do IEA. Elliott tratará da visão dos acadêmicos americanos sobre seu papel na sociedade desde o começo do século 20. Também discutirá as possibilidades e riscos de se tornar um intelectual público na era digital. Para participar, é necessário realizar inscrição <a class="external-link" href="https://docs.google.com/forms/d/1ZiLaVZLPifJJ9Y-yIamEstIA5yNIR_CbNFti8a_ScXw/viewform">aqui</a>.</p>
<p>No workshop <i>Research Without Frontiers: The Future of Academic Publication in a Digital World</i>, das <strong>14h30 às 17h</strong>, exclusivo para convidados, Elliott utilizará como referência <a class="external-link" href="http://quod.lib.umich.edu/j/jep/3336451.0018.407?view=text;rgn=main">projeto</a> <span>sobre como as redes digitais podem mudar as monografias acadêmicas, trabalho por ele desenvolvido na </span><span>Emory para a Andrew W. Mellon Foundation.</span></p>
<p>A conferência e o workshop serão em inglês, com<b> tradução simultânea</b> e transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">ao vivo</a> pela internet. A coordenação das duas atividades será do historiador <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/jeffrey-lesser" class="external-link">Jeffrey Lesser</a>, professor visitante do IEA.</p>
<p>Elliot dedica-se especialmente ao período entre meados do século 20 e início do século 21 nos seus estudos sobre a literatura e a cultura dos Estados Unidos. Seu trabalho enfatiza abordagens interdisciplinares sobre as culturas americanas e o lugar dos indígenas na sociedade dos Estados Unidos.</p>
<p>Ele é autor de "<a class="external-link" href="https://www.youtube.com/watch?v=rKkx5_P3nSc">Custerology: The Enduring Legacy of the Indian Wars and George Armstrong Custer</a>" (2007) e "The Culture Concept: Writing and Difference in the Age of Realism" (2002) e co-editor (com Claudia Stokes) de "American Literary Studies: A Methodological Reader" (2003).</p>
<hr />
<p><i>Conferência: <strong>The Humanities and its Publics</strong><br /></i><i>19 de abril, das 10 às 12h<br /></i><i>Sala de Eventos do IEA, Rua da Praça do Relógio, 109, bloco K, 5° andar, Cidade Universitária, São Paulo<br /></i><i>Evento em inglês, gratuito, com <a class="external-link" href="https://docs.google.com/forms/d/1ZiLaVZLPifJJ9Y-yIamEstIA5yNIR_CbNFti8a_ScXw/viewform">inscrição<br /></a>Transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">ao vivo</a> pela internet<a href="https://www.iea.usp.br/aovivo"><br /></a></i><i></i></p>
<p><i>Workshop: <i><strong>Research Without Frontiers: The Future of Academic Publication in a Digital World</strong></i><strong><br /></strong>19 de abril, das 14h30 às 17h<br />Em inglês e exclusivo para convidados, com transmissão <i><a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">ao vivo</a> pela internet<a href="https://www.iea.usp.br/aovivo"><br /></a></i></i><i>Informações: Marisa Macedo (<a class="mail-link" href="mailto:marmac@usp.br">marmac@usp.br</a>), telefone (11) 3091-8677</i></p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Emory University</span></p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-03-24T14:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/como-a-usp-divulga-sua-pesquisa">
    <title>Como a USP Divulga sua Produção em Ciência, Inovação e Tecnologia</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/como-a-usp-divulga-sua-pesquisa</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; "><span>Somente em 2014, o banco de Teses e Dissertações da USP registrou 5.393 pesquisas. A Universidade de São Paulo é responsável por aproximadamente 25% da produção científica do Brasil, segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</span></p>
<p style="text-align: left; ">Nesse encontro, serão discutidos como esses conhecimentos são repassados à sociedade e como ampliar a divulgação da pesquisa produzida na USP.</p>
<h3 style="text-align: left; ">Moderação:</h3>
<p style="text-align: left; "><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mario-sergio-salerno" class="external-link">Mario Sérgio Salerno</a></p>
<h3 style="text-align: left; ">Debatedoras:</h3>
<p style="text-align: left; "><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/monica-teixeira" class="external-link">Mônica Teixeira</a></p>
<p style="text-align: left; "><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/herika-dias" class="external-link">Hérika Dias</a></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Inovação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Observatório da Inovação e Competitividade - NAP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-10-23T14:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/desafios-a-interdisciplinaridade">
    <title>Os desafios à interdisciplinaridade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/desafios-a-interdisciplinaridade</link>
    <description>O sociólogo Peter Weingart, do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Bielefeld, Alemanha, fez a conferência "Interdisciplinaridade e a Nova Governança das Universidades" no dia 28 de julho.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/peter-weingart-1" alt="Peter Weingart" class="image-inline" title="Peter Weingart" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O sociólogo alemão Peter Weingart defende a reestruturação<br />organizacional das universidades como condição<br /> essencial para o sucesso das pesquisas interdisciplinares</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Algumas universidades no exterior têm adotado novas configurações organizacionais para atender às peculiaridades da pesquisa interdisciplinar. Mais do que necessária, essa reestruturação é condição essencial para que se concretize o modelo interdisciplinar, segundo o sociólogo alemão <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/peter-weingart" class="external-link">Peter Weingart</a>.</p>
<p>Ele é conselheiro e já foi diretor do <a class="external-link" href="https://www.uni-bielefeld.de/ZIF">Centro de Pesquisa Interdisciplinar</a><span> (ZiF, na sigla em alemão) da Universidade de Bielefeld, Alemanha. O ZiF é um dos parceiros do IEA na rede <a class="external-link" href="http://www.ubias.net/">Ubias</a> (University-Based Institutes for Advanced Study).</span></p>
<p>Para ele, além da adoção de novas formas de organização de pesquisadores, disciplinas e unidades de ensino e pesquisa, a interdisciplinaridade exige uma sólida base epistemológica: “Sem as boas razões internas ao desenvolvimento da ciência e sem a disposição de tratar de problemas externos às áreas específicas, ela não é bem-sucedida”.</p>
<p>Weingart fez essas observações na conferência<i> Interdisciplinaridade e Nova Governança das Universidades</i>, que proferiu no IEA no dia 28 de julho.</p>
<p>Para o sociólogo, “a interdisciplinaridade está na moda no mundo acadêmico há mais de 20 anos, com as agências de fomento à pesquisa de cada país promovendo-a com uma meta a ser alcançada, mas, até recentemente, o termo era vazio de significado”.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong> INTERDISCIPLINARIDADE E NOVA GOVERNANÇA DAS UNIVERSIDADES</strong></p>
<p><strong>Multimídia</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/2015/peterweingart" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/interdisciplinaridade-e-a-nova-governanca-das-universidades-28-de-julho-de-2015" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p><strong>Texto de referência</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/documentos/interdisciplinarity-and-the-new-governance-of-universities" class="external-link">Interdisciplinarity and the New Governance of Universities</a>, de Peter Weingart</li>
</ul>
<p><strong>Notícias</strong></p>
<ul>
<li>"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/conferencia-aborda-estrutura-organizacional-interdisciplinar-nas-universidades-1" class="external-link">Conferência aborda estrutura organizacional interdisciplinar das universidades</a>"</li>
</ul>
<p> </p>
<hr />
<p> </p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2015/o-futuro-da-universidades" class="external-link">O FUTURO DAS UNIVERSIDADES</a></p>
<p><span>Debate com reitores e ex-reitores de universidades públicas realizado em 24 de abril de 2015, durante a </span><a class="external-link" href="http://intercontinental-academia.ubias.net/">Intercontinental Academia<br /><br /></a></p>
<hr />
<p><strong><br />LEIA MAIS SOBRE:</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/noticias-sobre-universidades/" class="external-link">Universidades</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/noticias-sobre-a-rede-ubias/" class="external-link">Rede Ubias</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/Sala-verde/" class="external-link">Sala Verde</a></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Tipos e formas de realização</strong></p>
<p><strong> </strong>Weingart disse que no período em que dirigiu o ZiF (1989 a 1994), o centro classificava as relações interdisciplinares em dois tipos: as pequenas, quando, por exemplo, matemáticos e físicos se unem, pois “eles conseguem se entender com certa facilidade”; e as grandes, como no caso em que um biólogo e um sociólogo discutem os fundamentos biológicos da cultura, tendo de superar diferenças maiores entre as disciplinas.</p>
<p>Ele vê também duas maneiras na forma como a interdisciplinaridade se realiza. Uma delas é a combinação de disciplinas, resultando em uma área como biofísica. “No entanto, não leva muito tempo para que a nova área se torne uma especialização, com a mesma dinâmica e formato tradicionais das disciplinas: proteção ‘territorial’, demarcação em relação a áreas externas e internalização da comunicação, caracterizada pela interação entre pares com ideias e posturas semelhantes.”</p>
<p>A outra forma de concretização da interdisciplinaridade é “a orientada por uma demanda externa às disciplinas, geralmente política”. Um exemplo disso é a pesquisa ambiental, segundo Weigart, que “até hoje não teve êxito em se tornar uma disciplina, pois é constituída por um conglomerado de diferentes disciplinas que cooperam entre si”.</p>
<p>De acordo com o sociólogo, esses dois tipos de interdisciplinaridade podem enfrentar resistências nas universidades, pois enfrentam departamentos bem estabelecidos e com os quais competem por verbas. “Os departamentos são grupos de interesse e, evidentemente, os mais fortes alegam que apenas eles são capazes de julgar a qualidade e a competência dos pesquisadores ingressantes nas unidades e institutos das universidades.”</p>
<p><strong>Experiências</strong></p>
<p>Weingart citou a <a class="external-link" href="https://www.uni-siegen.de/start/index.html.en?lang=en">Universidade de Siegen</a>, do interior da Alemanha, como exemplo de universidade que quer se distanciar do modelo departamental, em busca da interdisciplinaridade. Ele reconhece, no entanto, que o exemplo não é tão persuasivo, por se tratar de uma universidade pequena e de pouco expressão.</p>
<p>“A universidade reagrupou seus 12 antigos departamentos em quatro escolas, que, apesar da manutenção da estrutura de disciplinas, trabalham em função de temas surgidos externamente a elas.”</p>
<p>Um exemplo mais radical citado por Weingart é o da <a class="external-link" href="http://www.asu.edu/">Universidade Estadual do Arizona</a>, nos Estados Unidos: “Como a universidade não consegue alcançar o grupo de elite das instituições americanas, o reitor Michael Crow resolveu seguir um caminho diferente e adotou uma estratégia que ele chama de ‘empreendedorismo científico’: dissolveu todos os departamentos e criou uma mistura entre as áreas completamente nova, interdisciplinar”.</p>
<p><strong>Demanda pública</strong></p>
<p><strong> </strong>Weingart ressaltou que a euforia pela pesquisa interdisciplinar pode ser justificada também politicamente, com a pesquisa sendo responsiva a questões externas à universidade, atendendo às demandas públicas e prestando contas aos contribuintes. “É melhor que a ciência faça coisas que são valorizadas pela sociedade do que fazer apenas aquilo que é valorizado pelos cientistas”, completou.</p>
<p>Mesmo com todas as transformações em direção a interdisciplinaridade, ele alerta que “a democratização da ciência não é algo que vai abolir a especialização que temos visto ocorrer nos últimos dois séculos.</p>
<p>“A evolução da ciência depende de uma especialização cada vez maior, de uma penetração cada vez maior, de um aprofundamento em terrenos não explorados, mas a pergunta que devemos fazer é se as disciplinas no modelo como elas foram criadas no início do século 19 marcam o fim de sua história ou se é possível que algo diferente as substitua.”</p>
<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/conferencia-de-peter-weingart" alt="Conferência de Peter Weingart" class="image-inline" title="Conferência de Peter Weingart" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>As ideias apresentadas por Peter Weingart<br />suscitaram diversas perguntas do público</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h3>DEBATE</h3>
<p>As afirmações de Weingart provocaram várias perguntas do público presente na Sala de Evento do IEA ou que assistiram a conferência pela internet.</p>
<p>O debate foi iniciado com pergunta do diretor do IEA, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a>, que quis saber a opinião do sociólogo sobre o papel dos institutos de estudos avançados na ampliação da interdisciplinaridade nas universidades.</p>
<p>Weingart disse que há vários entendimentos sobre o que os IEAs devem fazer e um deles é de que esse tipo de instituto deve se basear na reunião de mentes brilhantes. Para ele, na atualidade ninguém acredita mais que isso seja suficiente: “É ótimo ter essas pessoas trabalhando num mesmo local, mas isso funciona até certo ponto, além de ser uma solução luxuosa, só para quem têm uma verba elevada; se não tiver esse dinheiro, o melhor é pensar em soluções sistêmicas”.</p>
<p>Na opinião dele, o primeiro passo para o estabelecimento de um IEA é garantir que ele tenha orçamento e postos de pesquisa próprios, podendo contratar quem desejar. Em termos de atuação, ele acredita que os institutos desse tipo devam identificar temas que não podem ser estudados nos departamentos e também refletir sobre as relações da produção científica com outras esferas da vida social.</p>
<p>O diretor do Instituto de Biociências (IB) da USP, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/gilberto-fernando-xavier" class="external-link">Gilberto Fernando Xavier</a>, perguntou a Weingart se a dificuldade para o estabelecimento de grupos interdisciplinares num ambiente competitivo não seria mais um problema sociológico do que organizacional, “pois para a criação de um grupo assim é preciso haver confiança e uma atitude cooperativa entre as pessoas”.</p>
<p>Weingart respondeu que essa dificuldade não é tanto um problema sociológico, mas sim psicológico: “Muitos acadêmicos têm medo e buscam segurança; pessoas assim não são bons parceiros nesses grupos, que exigem pesquisadores resilientes o suficiente para sentar com alguém e fazer perguntas bobas, por saberem que as perguntas bobas precisam ser feitas, que eles precisam aprender, começar do zero”.</p>
<p>Carlos Graeff Teixeira, da Faculdade de Biociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, enviou pergunta por email na qual indagou como os administradores de universidades podem identificar programas sociais relevantes e se são necessários grupos especiais para realizar essa tarefa.</p>
<p>Segundo Weingart, não há uma receita para identificar problemas da sociedade que mereçam ser pesquisados, mas criar grupos de cientistas sociais dedicados a esse trabalho ou procurar informações em outros locais que se preocupem com isso pode ser um caminho.</p>
<p>Leandro Giatti, da Faculdade de Saúde Pública, disse que vivemos em meio a incertezas e os especialistas não possuem todas as respostas. Ele  perguntou a Weingart se não seria o caso de a sociedade ter maior participação nas discussões empreendidas por cientistas sobre questões sobre as quais pairam muitas incertezas.</p>
<p>De acordo com Weingart, é preciso se distanciar do modelo em que um político pergunta algo para um cientista informado sobre todas as evidências e a questão está resolvida: “Sabemos que os definidores de políticas públicas são muito oportunistas com as evidências científicas, aceitam o que gostam e descartam o resto; e não há como eliminarmos a insegurança do processo, sobrando a alternativa de instituir mecanismos que reduzam os riscos de receber informações ou permitam o adiamento de decisões, em observância ao princípio de precaução”.</p>
<p>Para <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/marcos-silveira-buckeridge" class="external-link">Marcos Buckeridge</a>, do Instituto de Biociências (IB), questionou Weingart se os sistemas da universidade não precisam de grupos trabalhando de forma interdisciplinar, usando as ferramentas sistêmicas, e, ao mesmo tempo, pessoas fazendo ciência básica, isoladamente, e se não seria o caso de criar melhores conexões entre a ciência básica e a visão sistêmica.</p>
<p>Weingart disse que a noção de sistema é muito diferente em cada contexto e que um ponto em comum, pressuposto pelo trabalho interdisciplinar, estará num patamar acima duas ou três disciplinas conectadas, "será um conjunto de problemas que estão competindo entre si ou tentando se encaixar em achados presentes no que está acima das disciplinas".</p>
<p>Segundo Buckeridge, a USP possui os mecanismos para isso mas há o problema da linguagem entre diferentes áreas e a consequente necessidade de “tradutores” (não pessoas, mas mecanismos de facilitação do entendimento).</p>
<p>Weingart disse que a especialização é a base de referência e isso implica em linguagens altamente especializadas: “Seria impossível usar ‘tradutores’ que tornassem cada disciplina traduzível; o melhor seria que diferentes disciplinas atacassem um problema específico com a ajuda de um ‘tradutor””. <span>Buckeridge citou como exemplo desse trabalho de “tradução” os livros de divulgação científica que muitos cientistas americanos e britânicos produzem. Weingart concordou que esse é um dos mecanismos possíveis.</span></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/iea/estrutura/conselho-deliberativo-old2/ex-conselheiros-2/silvio-roberto-de-azevedo-salinas" class="external-link">Sílvio Salinas</a>, do Instituto de Física (IF) da USP e ex-conselheiro do IEA, manifestou que os departamentos da USP são fortes, bem estabelecidos e produtivos e que considera mais importante a preocupação com a formação abrangente dos graduandos.</p>
<p>Weingart respondeu que com o crescimento do conteúdo das disciplinas fica impossível saber de tudo. Na opinião do sociólogo, há uma tendência de crescimento dos currículos de todas as disciplinas, por isso “precisamos de um processo constante de repensar os currículos e decidir que competências são absolutamente cruciais e quais devem ser abandonadas".</p>
<p>Durante o debate, a diretora da Escola de Artes, Ciências  e Humanidades (EACH) da USP, Maria Cristina Motta de Toledo, que assistia o evento pela internet, encaminhou convite a Weingart para que numa próxima visita a São Paulo conhecesse a escola, que possui caráter interdisciplinar, não departamental, com cursos de graduação baseados em temas e atividades integrados e o primeiro ano funcionando como um ciclo básico comum a todos os cursos.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calazans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ubias</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Administração</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sala Verde</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-07-30T19:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/conferencia-aborda-estrutura-organizacional-interdisciplinar-nas-universidades-1">
    <title>Conferência aborda estrutura organizacional interdisciplinar nas universidades</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/conferencia-aborda-estrutura-organizacional-interdisciplinar-nas-universidades-1</link>
    <description>A exposição será do sociólogo Peter Weingart, professor da Universidade de Bielefeld, Alemanha; o evento acontece no dia 28 de julho, às 15h30, na Sala de Eventos do IEA. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/peter-weingart" alt="Peter Weingart - Perfil" class="image-right" title="Peter Weingart - Perfil" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O sociólogo alemão<br />Peter Weingart</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Interdisciplinaridade e a Nova Governança das Universidades</i> é o tema da conferência que o sociólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/peter-weingart" class="external-link">Peter Weingart</a>, professor da Universidade de Bielefeld, Alemanha, fará no dia <strong>28 de julho, às 15h30</strong>, na Sala de Eventos do IEA. A exposição será em inglês, com tradução simultânea, transmitida ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a>.</p>
<p>Weingart falará sobre os desafios ao desenvolvimento de campos interdisciplinares nas universidades. Ele se concentrará em dois grandes obstáculos epistemológicos relacionados à natureza das disciplinas: formas profundamente institucionalizadas de produção do conhecimento; e estruturas organizacionais rígidas, fechadas em departamentos e faculdades.</p>
<p>Segundo o sociólogo, a interdisciplinaridade é encarada por acadêmicos e formuladores de políticas públicas como uma resposta à superespecialização da ciência. No entanto, muito pouco vem sendo feito em termos de alterações na organização das universidades ou na conduta real de pesquisadores e professores.</p>
<p>"Mas agora há sinais de que isso pode mudar", afirma, destacando que universidades deram início a iniciativas pioneiras de transformação da estrutura organizacional universitária, a fim de "facilitar e incentivar a troca intelectual e a cooperação através das fronteiras disciplinares".</p>
<p>Na exposição, Weingart irá discutir os alcances e limites dessas iniciativas. Para isso, apresentará casos de instituições universitárias empenhadas em modificar suas estruturas organizacionais como forma de otimizar a resposta aos novos problemas que se colocam à ciência e à sociedade.</p>
<p>Entre as questões a serem debatidas, estão: As tentativas de estabelecimento de novos campos interdisciplinares para além de departamentos e disciplinas serão bem sucedidas? O movimento em direção a estruturas organizacionais interdisciplinares nas universidades levará à substituição das disciplinas como forma dominante de produção de conhecimento?</p>
<p><strong>Conferencista</strong></p>
<p>Peter Weingart é professor emérito de sociologia, sociologia da ciência e política da ciência da Universidade de Bielefeld, Alemanha, onde também foi diretor do Centro de Pesquisa Interdisciplinar (ZiF, na sigla em alemão) e do Instituto para Pesquisa em Ciência e Tecnologia. Desenvolve estudos sobre a percepção pública da ciência e da tecnologia; as relações entre ciência, mídia e política; bibliometria, avaliação da pesquisa e criação de indicadores; dinâmica da produção de conhecimento; discurso político, científico e midiático acerca do aquecimento global; e sociedade do conhecimento.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Arquivo pessoal</span></p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<hr />
<p><strong><i>Interdisciplinaridade e a Nova Governança das Universidades<br /></i></strong>28 de julho, às 15h30<br />Sala de Eventos do IEA, rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo (<a href="https://www.iea.usp.br/iea/onde-estamos" class="external-link">localização</a>)<br />Evento gratuito, com inscrição prévia pelo e-mail marmac@usp.br — Transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a><br />Exposição em inglês, com tradução simultânea<br />Informações: Marisa Macedo, telefone (11) 3091-8677 ou e-mail marmac@usp.br<br />Ficha do evento: <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/conferencia-peter-weingart">www.iea.usp.br/eventos/conferencia-peter-weingart</a></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Interdisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Política de CT&amp;I</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Conhecimento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sala Verde</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-07-07T17:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/conferencia-peter-weingart">
    <title>Interdisciplinaridade e a Nova Governança das Universidades</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/conferencia-peter-weingart</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span>As universidades são organizadas com base em suas disciplinas, de modo que a administração central é geralmente apenas um setor burocrático com pouco poder de tomada de decisão. Isso tornou difícil o acolhimento da pesquisa interdisciplinar. No entanto, o cenário da ciência está mudando. Campos interdisciplinares estão emergindo em um ritmo crescente e as universidades vêm sendo chamadas a assumir uma política mais "empreendedora". Alguns exemplos podem ser tomados como modelos desse desenvolvimento e de seus obstáculos.</span></p>
<div></div>
<h3><span>Expositor</span></h3>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/peter-weingart" class="external-link">Peter Weingart</a></p>
<p>Evento com transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo</a> pela web.<br /><span>Capacidade do auditório: 45 lugares</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Rafael Borsanelli</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Europa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ubias</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Internacionalização</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sala Verde</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-07-01T19:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/ministro-da-educacao-e-sabatinado-no-roda-viva">
    <title>Ministro da Educação é sabatinado no "Roda Viva"</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/ministro-da-educacao-e-sabatinado-no-roda-viva</link>
    <description>O ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, ex-conselheiro do IEA e coordenador do Grupo de Pesquisa O Futuro nos Interpela do Instituto, esteve no centro do programa "Roda Viva" desta semana. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/renato-janine-ribeiro" alt="Renato Janine Ribeiro" class="image-right" title="Renato Janine Ribeiro" /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/renato-janine-ribeiro" class="external-link">Renato Janine Ribeiro</a>, ministro da Educação, foi o convidado do programa de entrevistas "Roda Viva", da TV Cultura, exibido no dia 8 de junho, quando anunciou oficialmente que haverá uma nova chamada para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ainda neste ano (<a href="https://youtu.be/-Fu_Az62KMs">veja o vídeo</a>).</p>
<p>Janine, que é ex-conselheiro do IEA e coordenador do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/o-futuro-nos-interpela" class="external-link">Grupo de Pesquisa O Futuro nos Interpela</a> do Instituto, afirmou que o número de vagas ainda será definido, mas já se sabe que os critérios para concessão do benefício serão diferentes.</p>
<p>Um dos objetivos das mudanças, de acordo com ele, é garantir que o programa contribua para a inclusão social da população de baixa renda. "Vamos mexer na renda. Hoje, é de até 20 salários mínimos, então famílias com renda de R$ 14 mil podem participar."</p>
<p>Além disso, destacou que o Fies vai priorizar cursos em três áreas estratégicas para o país: formação de professores, engenharias e saúde. "Também vamos dar prioridade ao Norte e ao Nordeste e aos cursos de nota mais alta", observou.</p>
<p><strong>Pátria educadora</strong></p>
<p>Indagado sobre o sentido do slogan do governo federal "Pátria Educadora", Janine respondeu que a ideia não é se gabar por educar bem. "O governo sabe que há dados preocupantes na educação, que nós temos muito a fazer. O slogan não é ufanista, é um slogan de trabalho, que abrange muita coisa. Abrange a ideia de uma sociedade mais educada, uma sociedade que se eduque, que respeite mais o outro. É todo um projeto de civilização", disse.</p>
<p>Janine também comentou a redução de mais de R$ 9 bilhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC): "O corte de verbas é real, não dá para fingir que não houve. O Brasil está com uma dificuldade econômica".</p>
<p>Para ele, o momento requer debate e reflexão: "Vamos aproveitar esse ano, de dificuldades orçamentárias, para discutir muito e aprimorar os instrumentos que nós temos", arrematou.</p>
<p>O ministro ponderou que é preciso lembrar das falhas da educação brasileira, mas sem esquecer dos inúmeros exemplos de ações efetivas. De acordo com ele, usar apenas adjetivos negativos para qualificar todo o sistema, sem reconhecer os progressos, inibe a ação.</p>
<p>"Por isso os indicadores são tão importantes. É importante você saber que escola está bem, que escola avançou, porque avançou, detectar onde está o problema e, onde há problemas, tentar resolvê-los".</p>
<p><strong>Ensino Médio</strong></p>
<p>Em relação à qualidade do ensino médio, Janine afirmou que é preciso conter a alta taxa de evasão de estudantes. "Temos que conquistar melhor os alunos, investir na educação continuada de professores e fortalecer o ensino."</p>
<p>Um dos caminhos para isso, destacou, é estimular atividades curriculares que envolvam professores de várias disciplinas: "Quando existe uma programação conjunta, o ensino médio avança mais".</p>
<p>Outra saída apontada por Janine para melhoria da qualidade do ensino foi a valorização dos professores. Para o ministro, isso passa pelo aumento dos salários — "tem que ser um compromisso da sociedade brasileira" —, mas não pela oferta de bônus por desempenho.</p>
<p>Na avaliação dele, esse tipo de medida pode criar uma competição destrutiva e dificultar o diálogo entre as diversas disciplinas na articulação de novos currículos. "O bônus por desempenho colide com a ideia de formar times, equipes de professores", afirmou, fazendo alusão à sua experiência como diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), cargo que ocupou de 2004 a 2008.</p>
<p>Ele enfatizou, ainda, a necessidade de discutir a carreira. "Qual o melhor modelo? Começar com um salário inicial baixo, com a expectativa de aposentadoria com um salário mais alto, ou oferecer um salário inicial mais alto, mesmo que no final não se tenha um aumento muito grande?"</p>
<p>Janine lembrou que a atuação do governo federal nessa esfera é limitada, uma vez que o ensino fundamental e médio é uma incumbência constitucional dos estados e municípios. "O governo federal tem que trabalhar muito na educação básica, mas não podemos substituir estados e municípios. Temos que trabalhar sempre alinhados com eles", explicou.</p>
<p><strong>Debate político</strong></p>
<p>Questionando sobre como a educação pode contribuir para a qualificação do debate político no Brasil, atualmente marcado pela polarização entre PT e PSDB, Janine destacou que nos últimos anos os ânimos ficaram muito exaltados e que essa radicalização pode ser combatida com a ajuda de uma formação voltada para o respeito à diferença.</p>
<p>"Precisamos diminuir o fogo dessa brasa. Isso é educação: respeitar o outro. Educação até no sentido das boas formas de tratar o outro", disse. "Precisamos nos desapaixonar um pouco. E penso que a educação pode ser uma área para isso", completou.</p>
<p><strong>Entrevistadores</strong></p>
<p>Liderada por Augusto Nunes, a bancada de entrevistadores desta edição do "Roda Viva" contou com a participação de Guiomar Namo de Mello, educadora e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo; Maria Helena Castro, socióloga e diretora-executiva da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade); João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista <i>Época</i>; Fábio Takahashi, repórter do jornal <i>Folha de S. Paulo</i>; e Paulo Saldaña, repórter do jornal <i>O Estado de S. Paulo</i>.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Sandra Codo/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa O Futuro nos Interpela</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sala Verde</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-06-10T19:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
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