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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 1 to 15.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/iea-lanca-livro-linguagem-e-cognicao">
    <title>Novo livro lançado pelo IEA reflete sobre linguagem, cognição, cultura e inclusão de deficientes visuais</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/iea-lanca-livro-linguagem-e-cognicao</link>
    <description>O IEA lançou recentemente o e-book "Linguagem e Cognição: Diversidades, Percepções, Acessos e Integrações", que reúne os trabalhos apresentados no 5º Simpósio Internacional sobre Linguagem e Cognição (5º LinCog), ocorrido em novembro de 2024. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-linguagem-e-cognicao" alt="Capa do livro &quot;Linguagem e Cognição&quot;" class="image-right" title="Capa do livro &quot;Linguagem e Cognição&quot;" /></p>
<p>O IEA lançou recentemente o e-book "<em>Linguagem e Cognição: Diversidades, Percepções, Acessos e Integrações</em><em>"</em>, que reúne os trabalhos apresentados no 5º Simpósio Internacional sobre Linguagem e Cognição (5º LinCog), ocorrido em novembro de 2024. Há também links para os áudios da Mesade Abertura, da Conferência Inagural e de algumas exposiçõess. A obra está disponível gratuitamente no <a href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1846" target="_blank">Portal de Livros Abertos da USP</a>. Futuramente haverá uma versão integralmente em áudio.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">Os trabalhos refletem a abrangência temática e interdisciplinar do simpósio, que reuniu pesquisadores das áreas de psicologia, linguística, medicina, física, oftalmologia, neurociências, fisioterapia, educação, engenharia e educação física. Entre os temas abordados estão estudos sobre linguagem (inclusive sobre o sistema Braille), tecnologia assistiva, reabilitação cognitiva, aquisição da linguagem, leitura e cognição, bilinguismo e adaptação de materiais.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">A coordenação geral do livro é de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-celia-de-lima-hernandes" class="external-link">Maria Célia Lima-Fernandes</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-capel" class="external-link">Paulo Eduardo Capel Cardoso</a>. As organizadoras são Cristina Lopomo Defendi, Mônica Maria Soares Santos, Fraulein Vidigal de Paula, Renata Barvosa Vicente.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">Segundo os organizadores, a temática do 5º LinCog foi motivada por pesquisa desenvolvida por Maria Célia Lima-Fernandes, professora sênior da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde dirige o Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual. Parte do trabalho foi realizado durante a participação da docente na edição 2024 do Programa Ano Sabático do IEA.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">Em seu projeto, Lima-Fernandes busca responder a questões relacionadas aos aspectos cognitivos de cegos congênitos (pessoas que nasceram cegas ou perderam a visão até os cinco anos de idade). Entre elas, como esses indivíduos lidam com o processamento da linguagem, especialmente no reconhecimento auditivo e no julgamento de diferentes tipos de metáforas, e como o cérebro funciona durante essa atividade em pessoas cegas e videntes.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body"><strong>Estrutura do livro</strong></p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">O e-book contempla essas questões e aspectos relativos à inclusão de pessoas cegas. A Conferência Inaugural (disponível em áudio) contou com relatos de experiências de vida de pessoas cegas e é seguida por uma apresentação da exposição de esculturas de Karen Cristina, exibidas durante o congresso, que representam silhuetas de pessoas com deficiência. A seção seguinte traz exposições de representantes de entidades parceiras dedicadas à reabilitação e à inclusão de pessoas cegas.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">A terceira seção, intitulada "<em>Perspectivas e Intersecções: Diálogos sobre Cognição, Linguagem e Inclusão"</em>, reúne textos que abordam temas como o estudo cognitivo da linguagem, avaliação das funções cognitivas em pessoas com restrições sensoriais, letramento em português como língua de herança (falada em casa por imigrantes), as relações geradas pela interação entre língua de herança e língua dominante nos níveis social, linguístico e individual, e aplicações da ressonância magnética funcional no estudo da linguagem, inclusive no mapeamento de redes neurais e na avaliação de fenômenos como a interpretação de metáforas, técnica que pode ser utilizada para investigar o processamento linguístico em cegos.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">Outros temas presentes na seção são a influência dos gatilhos mentais sobre cegos congênitos e sobre pessoas videntes típicas por meio de inputs<i> </i>metafóricos ancorados na leitura secundada por audiodescrição, aprendizado do Braille por mulheres com cegueira adquirida, comparação do contexto de pessoas cegas congênitas com o de pessoas com baixa visão, desconstrução do capacitismo interiorizado e adaptação de jogos para pessoas com deficiência visual.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">A seção contém ainda links para três arquivos de áudio com falas sobre políticas científicas e públicas de acessibilidade e inclusão, tecnologia assistiva para a qualidade de vida de pessoas com deficiência visual, e condições oftalmológica que podem levar à cegueira infantil.</p>
<p class="leading-[1.7] whitespace-normal break-words font-claude-response-body">A quarta e última seção, "<em>Interfaces do Saber: Linguagem, Cognição e Cultura em Debate"</em>, reúne 26 ensaios de temática variada, organizados em torno de questões linguísticas, cognitivas ou culturais ou ainda das interações entre esses campos de estudo. Entre os temas estão: o ensino e as características do português no Brasil, em Moçambique e na Guiné-Bissau; reserva cognitiva e reabilitação no contexto do Alzheimer; aspectos lexicais na aquisição de vocabulário e nos usos de termos específicos; recursos sintáticos em obras literárias; análise e processamento de metáforas visuais e nominais; análise sociocognitiva e do discurso; e variantes cognitivas em meios digitais.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisadores</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Linguagem</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cognição</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Inclusão Social</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-05-06T18:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/evento-lanca-livro-fabulacoes-da-familia-brasileira">
    <title>IEA lança o ebook 'Fabulações da Família Brasileira', fruto de curso do Programa Ano Sabático</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/evento-lanca-livro-fabulacoes-da-familia-brasileira</link>
    <description>No encontro “Fabulações da Família Brasileira - Entre a Literatura e a Realidade Social”, no dia 19 de maio, às 10h, será lançado o ebook "Fabulações da Família Brasileira".</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-fabulacoes-da-familia-brasileira" alt="Capa do livro &quot;Fabulações da Família Brasileira&quot;" class="image-right" title="Capa do livro &quot;Fabulações da Família Brasileira&quot;" /></p>
<p>Em evento no IEA no dia 19 de maio, às 10h, será lançado o ebook “Fabulações da Família Brasileira”, organizado por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoab/belinda-piltcher-haber-mandelbaum">Belinda Mandelbaum</a>, do Instituto de Psicologia da USP, e pela psicanalista <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/helena-kon">Helena Kon</a>. O debate “Fabulações da Família Brasileira - Entre a Literatura e a Realidade Social” terá transmissão ao vivo pelo <a href="https://www.youtube.com/@iea-usp" target="_blank">canal do IEA no YouTube</a>. Os interessados em acompanhar o evento presencialmente ou pela internet devem fazer <a href="http://forms.gle/VodK5QnDmk34B6oHA" target="_blank">inscrição prévia</a>.</p>
<p>A organização do encontro é do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico">Programa Ano Sabático do IEA</a> e do <a href="https://usp.br/tusp/" target="_blank">Teatro da Universidade de São Paulo (Tusp)</a>. Além de Mandelbaum e Kon, participam três pesquisadores da USP: <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lilia-blima-schraiber">Lilia Schraiber</a>, da Faculdade de Medicina; <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoay/yudith-rosenbaum">Yudith Rosenbaum</a>, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaf/francisco-serpa-peres">Francisco Serpa Peres</a>, do Tusp.</p>
<p><strong>Transformações e conflitos</strong></p>
<p>As dinâmicas, transformações e conflitos da família brasileira retratadas em obras literárias do século 20 foram o tema do projeto de Mandelbaum no Programa Ano Sabático em 2019. No ano seguinte, em complemento às pesquisas do projeto, ela ministrou o curso online de difusão cultural <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/cursos/figuracoes-familia-literatura-brasileira-seculo-xx">Figurações da Família na Literatura Brasileira do Século 20</a>.</p>
<p>O curso analisou obras de Mario de Andrade, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e Raduan Nassar. Nas primeiras três aulas foram apresentadas contribuições teóricas e metodológicas de áreas como a crítica literária, teoria crítica, demografia e psicologias, relevantes para a leitura dos textos literários e discussão sobre os temas relacionados à família neles presentes.</p>
<p>Os cerca de 300 alunos do curso foram instados a escrever suas próprias narrativas, realização produzida por 120 deles. Desse total, foram selecionados 10 contos, que resultaram no podcast "Fabulações da Família Brasileira", disponível no <a class="external-link" href="https://open.spotify.com/show/6nvLycbIwKO344Wby7gsgr">Spotify</a>. O ebook homônimo foi produzido a partir da série. Nele, cada conto é seguido da transcrição do debate sobre seu tema apresentato no podcast, com a participação das organizadoras da obra e de outros pesquisadores.</p>
<p>Na apresentação do livro, as organizadoras afirmam que nas obras dos cinco escritores brasileiros canônicos do século 20 analisadas no curso de difusão em 2020 “é possível acompanhar os processos críticos de transformação da família patriarcal tradicional brasileira – que habitava majoritariamente o campo nas primeiras décadas do século 20 – para a família moderna e urbana, que não deixou de carregar os traços dessa cultura patriarcal para as metrópoles em rápido crescimento”.</p>
<p>No exame dessas obras, “revelam-se famílias em sua dupla e contraditória face, entre o aprisionamento e a violência, o acolhimento e o cuidado. Por isso, ao longo do curso, foi possível vivenciar a experiência da literatura nomeando nossas próprias experiências, dialogando com nossas próprias histórias”. Essa foi a razão de ao final do curso os alunos terem sido convidados a escrever suas narrativas, exemplificadas nos dez contos presentes no ebook.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Literatura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-04-30T19:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/livro-rua">
    <title>Projeto RUA lança livro sobre gerenciamento de riscos diante de eventos climáticos extremos</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/livro-rua</link>
    <description>E-book "RUA – Resiliência Urbana em Ação" está disponível no Portal de Livros Abertos da USP.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-rua-resiliencia-urbana-em-acao" alt="Capa do livro &quot;RUA - Resiliência Urbana em Ação&quot;" class="image-right" title="Capa do livro &quot;RUA - Resiliência Urbana em Ação&quot;" /></p>
<p>O projeto RUA – Resiliência Urbana em Ação lançou este mês, no <a class="external-link" href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1819">Portal de Livros Abertos da USP</a>, e-book homônimo sobre o desenvolvimento de estratégias para ampliação da capacidade das cidades brasileiras de enfrentar eventos climáticos extremos por meio de governança colaborativa, ciência aplicada e participação social. Com o subtítulo "Estratégias para o Gerenciamento de Riscos Associados a Eventos Climáticos Extremos" e 97 páginas, o livro está disponível gratuitamente.</p>
<p>A coordenadora da publicação e do projeto é <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoat/tatiana-cortese" class="external-link">Tatiana Tucunduva Philippi Cortese</a>, pesquisadora colaboradora do IEA, doutora em saúde pública pela USP e professora do Programa de Pós-Graduação em Cidades Inteligentes e Sustentáveis da Universidade Nove de Julho. Além dela, contribuem com o livro outros 13 pesquisadores de várias instituições.</p>
<p>Os autores apresentarão os resultados do projeto no encontro de lançamento do e-book, no dia no <b>dia 18 de junho, às 8h30</b>, na Sala Alfredo Bosi, sede do IEA (rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Unversitária, São Paulo, SP). Haverá transmissão ao vivo do evento pelo canal do Instituto no<a class="external-link" href="https://www.youtube.com/@iea-usp"> YouTube</a>.</p>
<p><strong>Encontros técnicos</strong></p>
<p>O livro descreve cinco encontros técnicos interinstitucionais realizados entre maio de 2024 e março de 2025, baseados em metodologias participativas e análise de dados. O caso da tragédia de São Sebastião, ocorrida em 2023, é utilizado como estudo empírico central para mapear fragilidades, boas práticas e fluxos de atuação na gestão de desastres.</p>
<p>A estrutura da obra segue as fases definidas pelo <a class="external-link" href="https://www.undrr.org/implementing-sendai-framework/what-sendai-framework">Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015–2030</a>, um dos principais acordos internacionais sobre o tema. As cinco etapas estabelecidas pelo marco são: resposta, recuperação, reabilitação, reconstrução e prevenção. Elas também orientam as atividades do projeto RUA.</p>
<p>Ao longo do livro, os autores destacam a importância da integração entre órgãos públicos, academia, setor privado e comunidades como eixo central da resiliência urbana. Na parte final, a obra sistematiza achados transversais, desafios persistentes e recomendações práticas, culminando em uma chamada coletiva à ação em favor de cidades mais preparadas, justas e sustentáveis.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisadores Colaboradores</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mudanças Climáticas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Desastres Naturais</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-04-08T17:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/revista-estudos-avancados-116">
    <title>Dossiê da edição 116 da revista Estudos Avançados examina faces da violência na sociedade brasileira</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/revista-estudos-avancados-116</link>
    <description>Edição 116 da revista Estudos Avançados apresenta o dossiê "Violência, Dor e Sofrimento", além de três artigos sobre sociologia e quatro resenhas de livros.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-revista-estudos-avancados-116" alt="Capa da revista Estudos Avançados 116" class="image-right" title="Capa da revista Estudos Avançados 116" /></p>
<p>Num momento em que o governo dos Estados Unidos discute se classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, algo que pode dar margem a violações da soberania brasileira, a <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2026.v40n116/">edição 116 da revista Estudos Avançados</a>, lançada recentemente, abre seu dossiê “Violência, Dor e Sofrimento” com uma análise sobre a inadequação dessa classificação [veja o <a href="https://www.iea.usp.br/noticias/revista-estudos-avancados-116#sumario" class="external-link">sumário</a> abaixo].</p>
<p>O conjunto de textos também discute como o sistema prisional favorece os vínculos entre o PCC e quadrilhas independentes que cometem crimes violentos ao patrimônio. Ainda no âmbito da segurança pública, outro texto analisa como disputas entre grupos internos às polícias inviabilizam reformas substanciais na área.</p>
<p>Mas o dossiê não se restringe a análise da atuação e características de organizações criminosas e instituições policiais. O sociólogo Sérgio Adorno, editor da publicação, enfatiza que, além das formas usuais de violência associadas à delinquência e aos crimes contra a pessoa e o patrimônio, “o mundo globalizado tem experimentado exacerbação dos conflitos nas relações sociais e interpessoais, no mundo público e na vida privada, nas relações entre civis e nas políticas”. Essa é a razão da abrangência temática do dossiê.</p>
<p><strong>Crime organizado</strong></p>
<p>Francisco Thiago Rocha Vasconcelos e Ricardo Moura Braga Cavalcante, ambos vinculados à Universidade Federal do Ceará, são os autores do artigo “Narcoterrorismo e Narcoestado: Genealogias, Usos Políticos e Riscos Analíticos frente às Facções no Brasil”. A definição de narcoterrorismo opera sobretudo como categoria retórica e geopolítica, “sem consistência analítica”, afirmam. Para eles, o caso brasileiro mostra como grupos criminosos produzem formas de governança armada que não se confundem com terrorismo, exigindo distinções analíticas entre violência expressiva, captura institucional e mercados ilícitos.</p>
<p>A rotulagem de facções criminosas como “terroristas” apaga sua base social, sua inscrição prisional e seu caráter econômico, “substituindo a análise por uma gramática de guerra que autoriza políticas de exceção”, ponderam.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<p><strong><i>Digital e impressa</i></strong></p>
<p><i>A versão digital do número 116 da revista Estudos Avançados está disponível gratuitamente na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2026.v40n116/" target="_blank">Scientific Eletronic Library Online (SciELO)</a>. Em breve será lançada a versão impressa (R$ 45,00).  Os interessados em comprar/reservar um exemplar ou fazer assinatura anual (três edições por R$ 150,00) devem enviar mensagem para <a href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a>.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Quanto ao narcoestado, consideram que o termo pode ter utilidade para descrever dinâmicas de captura institucional vinculadas a economias ilícitas, “desde que empregado de modo crítico, evitando generalizações que reforçam tutelas sobre países periféricos”. No caso brasileiro, avaliam que as dinâmicas envolvem menos captura vertical de instituições e mais infiltração capilar e fragmentada de atividades ilícitas, por meio de “combinações de omissão estratégica, corrupção localizada e interesses políticos imediatos”.</p>
<p>A relação do PCC com crimes violentos ao patrimônio, especificamente os grandes roubos a instituições financeiras em várias cidades do país, é analisada em artigo do sociólogo Leonardo José Ostronoff, da<i> </i>Universidade Federal de Santa Catarina. Esses roubos constituíram o que o jargão policial e a mídia passaram a chamar de “novo cangaço” ou “domínio de cidades”.</p>
<p>Por meio do exame de documentos, entrevistas e bibliografia, Ostronoff analisa o processo que, a partir do “novo cangaço”, típico de cidades pequenas, levou ao “domínio de cidades”, que atinge cidades médias e grandes e conta com grupos maiores, explosivos e armamento de maior poder de fogo. O trabalho de campo teve como referência a cidade de Curitiba, PR.</p>
<p>A conclusão é que esses crimes não são organizados institucionalmente pelo PCC, são operações de indivíduos independentes, apesar de alguns membros da facção atuarem nelas. As relações desses criminosos com a facção ocorrem devido ao controle que ela tem do sistema prisional. As redes formadas nos presídios possibilitam o recrutamento de criminosos especializados nas tarefas exigidas pelas ações, além do empréstimo de armas e acesso a explosivos, explica o autor.</p>
<p>Ainda no campo da segurança pública, Julia Maia Goldani, pesquisadora da Escola de Direito de São Paulo da FGV, escreve sobre as dinâmicas institucionais que “minam reformas democráticas nas polícias militares do Brasil pós-1988”. Ela vê uma lacuna na compreensão dos mecanismos que propiciam a resistência das polícias a mudanças institucionais.</p>
<p>Para discutir essa lacuna, Goldani analisa o ocorrido com a <a class="external-link" href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/114516">Proposta de Emenda Constitucional 51/2013</a>, cujo objetivo era uma reforma estrutural, e com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro, exemplo de reforma incremental.</p>
<p>No caso da PEC 51/2013, ela comenta que a atuação das cúpulas de associações das diferentes categorias policiais resultou num impasse político no Congresso Nacional, com Presidência da República não interferindo para não assumir o custo político da iniciativa. O resultado foi o abandono da proposta. Já a implantação gradual de um policiamento democrático por meio das UPPs “esbarrou nos interesses de outros grupos dentro da corporação, que divergiam da visão de segurança pública proposta ou percebiam a mudança de paradigma como uma ameaça às suas posições e perspectivas dentro da organização”.</p>
<p><strong>Filosofia</strong></p>
<p>O dossiê conta ainda com duas traduções (acompanhadas de introduções dos tradutores): “O Sofrimento Não É Dor”, do filósofo francês Paul Ricoeur (1912-2005), traduzido por Caroline Fanizzi e José Sérgio Fonseca de Carvalho, ambos professores da Faculdade de Educação da USP; e “Invisibilidade: Sobre a Epistemologia do Reconhecimento”, de Axel Honneth, traduzido por Arthur Meucci, da Universidade Federal de Viçosa.</p>
<p>O texto original de Ricoeur foi apresentado em colóquio da Associação Francesa de Psiquiatria em janeiro de 1992. De acordo com os tradutores, o filósofo adota como hipótese de trabalho a de que o sofrimento consiste na diminuição da potência de agir.</p>
<p>Axel Honneth propõe uma reformulação epistemológica da teoria do reconhecimento a partir da análise da invisibilidade social, inspirada no romance “O Homem Invisível”,<i> </i>de Ralph Ellison. Para Honneth, a invisibilidade não remete à ausência perceptiva literal, mas a uma forma simbólica de desrespeito: o ato de “olhar através” do outro nega-lhe reconhecimento como sujeito moral e social válido.</p>
<p><strong>Literatura e canção</strong></p>
<p>O retrato da violência feito em obras artísticas como contos e canções e até como ela foi facilitada pelos meios digitais são temas de três artigos. Em sua análise do livro de contos “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, de Conceição Evaristo, Ianá de Souza Pereira, da Universidade Paulista, aponta que a obra deve ser entendida a partir de estruturas econômico-sociais, raciais e patriarcais que explicam o lugar social destinado às mulheres negras nas sociedades capitalistas. No livro, são elas que comunicam e refletem sobre a experiência de ser mulher e negra dentro do patriarcado de supremacia branca e capitalista. O objetivo do artigo é compor uma análise crítica do racismo e do patriarcado exposto pelo texto de Evaristo.</p>
<p>Adriano de Paula Rabelo, da Universidade Federal de Kazan, Rússia, compara como uma canção estadunidense e outra brasileira tratam de um tipo específico de violência urbana: o assassinato, por agentes do Estados e outras pessoas, de jovens levados ao crime pelas desigualdades sociais. As canções são “In the Ghetto”, de Mac Davis, gravada por Elvis Presley em 1969, e “O Meu Guri”, de Chico Buarque, gravada por ele em 1981.</p>
<p>Uma nova forma de violência contra a mulher surgiu com o mundo digital: os sites eróticos. No artigo “A Dialética do Visível e do Oculto na Cibercultura”, Priscila Gonçalves Magossi, doutora em comunicação e cultura, aponta que “os resultados revelam uma arquitetura de impunidade global sustentada por contratos ilegítimos e fake news que se apropriam de pautas progressistas”. Segundo a autora, os mandantes desse submundo atuam em vácuo jurídico total, impondo cláusulas que silenciam vítimas e violam direitos fundamentais. O combate a isso, diz, exige regulação transnacional, educação mediática crítica e políticas públicas que priorizem direitos humanos.</p>
<p><strong>História</strong></p>
<p>As marcas de um tipo brutal de violência, aquela vivida pelos sobreviventes das bomba atômicas lançada em Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos em 1945, são analisadas em texto de Cristiane Izumi Nakagawa, psicanalista e doutora em psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. O trabalho tem como base entrevista da autora com Keiko Ogura, uma hibakusha, como são chamados aqueles que sobreviveram à bomba, no caso dela, à lançada em Hiroshima. O objetivo foi fazer um exame psicológico dos testemunhos desses sobreviventes, com atenção especial a dois fenômenos psicológicos fundamentais para a compreensão dessas memórias: o trauma e o sentimento de culpa por ações ou omissões que causaram sofrimento a outras pessoas.</p>
<p>Mas a violência também suscita discussões sobre a postura institucional e do público em relação a ela. Isso é explorado em artigo sobre pesquisa e trabalho técnico desenvolvidos por parceria entre o Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e o Instituto de Biociências, ambos da USP, sobre as cabeças decepadas de Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), o Lampião, e Maria Gomes de Oliveira (1910-1938), a Maria Bonita. A abordagem dos pesquisadores foi baseada na revisão historiográfica e na análise qualitativa de documentos históricos, entrevistas e reportagens. "Essa metodologia permitiu explorar as narrativas que envolvem o consumo do trágico e as controvérsias sobre a preservação e exposição desses vestígios, contribuindo para discussões mais aprofundadas sobre memória, identidade e práticas museológicas", afirmam os autores.</p>
<p><strong>SOCIOLOGIA</strong></p>
<p>Outros três textos da edição configuram um minidossiê dedicado à sociologia, com propostas para sua evolução, um debate sobre o papel dos autores clássicos no discurso sociológico e um ensaio sobre o livro “A Revolução Burguesa no Brasil”, de Florestan Fernandes.</p>
<p>De acordo com Maria Aparecida de Moraes Silva, da Unesp e da UFSCar, diante das mudanças aceleradas do mundo contemporâneo, "somos levados a crer que nossa missão é dar respostas aos problemas que nos afligem desde a esfera do cotidiano, dos mais longínquos e, até mesmo, dos desconhecidos". Seu artigo "Por uma Sociologia Provocadora (de Respostas)" é baseado em conferência que fez no 22º Congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia, em julho de 2025. O objetivo do trabalho, afirma, "é contribuir para uma sociologia provocadora de respostas<i>, </i>na qual o fazer sociológico<i> </i>esteja em constante processo de diálogo crítico e autocrítico com as teorias e métodos adotados, e os pontos de observação da realidade social não sejam tomados como fixos, determinísticos, porém como moventes e probabilísticos".</p>
<p>Mas diante dessa necessidade de transformação da sociologia defendida por Moraes Silva, que papel fica reservado aos autores clássicos? É sobre isso que trata o texto "O Qque Fazer com os Clássicos da Sociologia? Diagnóstico e Prognóstico", de Carlos Eduardo Sell, da UFSC. Ele examina a transformação do papel desses autores, com destaque para as implicações epistemológicas, metodológicas e pedagógicas disso. Sell identifica a emergência de um novo regime discursivo (heurística negativa) e de um consenso difuso que molda o etos científico contemporâneo. Na segunda parte do artigo, ele propõe uma heurística positiva de reflexão e ensino da teoria sociológica.</p>
<p>A seção é completada justamente com texto sobre a importância atual de um livro clássico de um dos expoentes da sociologia brasileira, Florestan Fernandes. Em 2025, seu livro "A Revolução Burguesa no Brasil" completou 50 anos da primeira edição. Para os autores do artigo, André Botelho e Antonio Brasil Jr., ambos da UFRJ, a obra está mais atual do que nunca, seja pelo ponto de vista teórico, que pode ser testado na concepção, na fatura do texto e na análise crítica forjadas a partir de uma abordagem sociológica peculiar, seja pela visão política das espirais da democracia no Brasil e no mundo.</p>
<p><strong>RESENHAS</strong></p>
<p>A seção “Resenhas” traz artigos sobre os livros “Des Électeurs Ordinaires: Enquête sur la Normalization de l’Extrême Droite” (Eleitores Comuns: Investigação sobre a Normalização da Extrema Direita), de Félicien Faury, ainda sem edição no Brasil; “Permanecer Bárbaro: Não Brancos contra o Império”, de Louisa Yousfi; “História da América Latina em 100 Fotografias”, de Paulo Antonio Paranaguá; e “Razão Desumana: Cultura e Informação na Era da Desinformação Inculta (e Sedutora)”, de Eugênio Bucci.</p>
<hr align="center" size="2" width="100%" />
<p> </p>
<p><strong><a name="sumario"></a>Sumário</strong></p>
<p><strong>Violência, Dor e Sofrimento</strong></p>
<ul>
<li>Narcoterrorismo      e Narcoestado: Genealogias, Usos Políticos e Riscos Analíticos frente às      Facções no Brasil – <i>Francisco Thiago Rocha Vasconcelos e Ricardo      Moura Braga Cavalcante</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      Centralidade da Prisão nas Relações entre Crimes Violentos ao Patrimônio e      o PCC – <i>Leonardo José Ostronoff</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Polícias      em Conflito: “Pluralismo Policial” e os Vetos a Reformas na Segurança      pública – <i>Júlia Maia Goldani</i></li>
</ul>
<ul>
<li>No      Gueto e na Favela: Duas Canções, Dois Retratos da Violência – <i>Adriano      de Paula Rabelo</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Um      Intérprete da Experiência Contemporânea: Paul Ricoeur e a Compreensão do      Sofrimento – <i>Caroline Fanizzi e José Sérgio Fonseca de Carvalho</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      Invisibilidade Social como Desrespeito na Teoria do Reconhecimento de Axel      Honneth – <i>Arthur Meucci</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Trauma      e Culpa nos hibakusha: Um Estudo da Memória de Keiko Ogura – <i>Cristiane      Izumi Nakagawa</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Conceição      Evaristo e os Arredores de “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”<i> –      Ianá de Souza Pereira</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      “Mortigrafia” de Lampião e Maria Bonita: Considerações sobre a      Musealização do Trágico (1938-2023) – <i>Jô Veras Closs et al.</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      Dialética do Visível e do Oculto na Cibercultura – <i>Priscila      Gonçalves Magossi</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Esperançar      o Presente: Sobre Futuros Inéditos e Viáveis – <i>Bruno Souza Leal e      Ana Regina Rego</i></li>
</ul>
<p><strong>Sociologia</strong></p>
<ul>
<li>Por      uma Sociologia Provocadora (de Respostas) – <i>Maria Aparecida de      Moraes Silva</i></li>
</ul>
<ul>
<li>O      Que Fazer com os Clássicos da Sociologia? Diagnóstico e Prognóstico      – <i>Carlos Eduardo Sell</i></li>
</ul>
<ul>
<li>"A      Revolução Burguesa no Brasil": 50 anos de um Clássico Difícil – <i>André      Botelho e Antonio Brasil Jr.</i></li>
</ul>
<p><strong>Resenhas</strong></p>
<ul>
<li>Sociologia      da Normalização Política: A Extrema-Direita na França – <i>Fabio      Mascaro Querido</i></li>
</ul>
<ul>
<li>"Permanecer      Bárbaro"<i> </i>de Louisa Yousfi: Insurgências contra a      Domesticação Civilizatória – <i>Morgane Reina</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Propósito      e Valor dos Acervos Fotográficos ao redor do Mundo – Hoje e no Futuro      – <i>Sergio Burgi</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Razão,      Técnica e (Des)Informação: Os Vetores das Crises Contemporâneas – <i>Tatiana      Dourado</i></li>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Violência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-04-07T17:03:31Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/revista/lancamentos/revista-estudos-avancados-116">
    <title>Dossiê da edição 116 da revista Estudos Avançados examina faces da violência na sociedade brasileira</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/revista/lancamentos/revista-estudos-avancados-116</link>
    <description>Edição 116 da revista Estudos Avançados apresenta o dossiê "Violência, Dor e Sofrimento", além de três artigos sobre sociologia e quatro resenhas de livros.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-revista-estudos-avancados-116" alt="Capa da revista Estudos Avançados 116" class="image-right" title="Capa da revista Estudos Avançados 116" /></p>
<p>Num momento em que o governo dos Estados Unidos discute se classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, algo que pode dar margem a violações da soberania brasileira, a <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2026.v40n116/">edição 116 da revista Estudos Avançados</a>, lançada recentemente, abre seu dossiê “Violência, Dor e Sofrimento” com uma análise sobre a inadequação dessa classificação [veja o <a href="https://www.iea.usp.br/revista/lancamentos/revista-estudos-avancados-116#sumario" class="external-link">sumário</a> abaixo].</p>
<p>O conjunto de textos também discute como o sistema prisional favorece os vínculos entre o PCC e quadrilhas independentes que cometem crimes violentos ao patrimônio. Ainda no âmbito da segurança pública, outro texto analisa como disputas entre grupos internos às polícias inviabilizam reformas substanciais na área.</p>
<p>Mas o dossiê não se restringe a análise da atuação e características de organizações criminosas e instituições policiais. O sociólogo Sérgio Adorno, editor da publicação, enfatiza que, além das formas usuais de violência associadas à delinquência e aos crimes contra a pessoa e o patrimônio, “o mundo globalizado tem experimentado exacerbação dos conflitos nas relações sociais e interpessoais, no mundo público e na vida privada, nas relações entre civis e nas políticas”. Essa é a razão da abrangência temática do dossiê.</p>
<p><strong>Crime organizado</strong></p>
<p>Francisco Thiago Rocha Vasconcelos e Ricardo Moura Braga Cavalcante, ambos vinculados à Universidade Federal do Ceará, são os autores do artigo “Narcoterrorismo e Narcoestado: Genealogias, Usos Políticos e Riscos Analíticos frente às Facções no Brasil”. A definição de narcoterrorismo opera sobretudo como categoria retórica e geopolítica, “sem consistência analítica”, afirmam. Para eles, o caso brasileiro mostra como grupos criminosos produzem formas de governança armada que não se confundem com terrorismo, exigindo distinções analíticas entre violência expressiva, captura institucional e mercados ilícitos.</p>
<p>A rotulagem de facções criminosas como “terroristas” apaga sua base social, sua inscrição prisional e seu caráter econômico, “substituindo a análise por uma gramática de guerra que autoriza políticas de exceção”, ponderam.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<p><strong><i>Digital e impressa</i></strong></p>
<p><i>A versão digital do número 116 da revista Estudos Avançados está disponível gratuitamente na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2026.v40n116/" target="_blank">Scientific Eletronic Library Online (SciELO)</a>. Em breve será lançada a versão impressa (R$ 45,00).  Os interessados em comprar/reservar um exemplar ou fazer assinatura anual (três edições por R$ 150,00) devem enviar mensagem para <a href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a>.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Quanto ao narcoestado, consideram que o termo pode ter utilidade para descrever dinâmicas de captura institucional vinculadas a economias ilícitas, “desde que empregado de modo crítico, evitando generalizações que reforçam tutelas sobre países periféricos”. No caso brasileiro, avaliam que as dinâmicas envolvem menos captura vertical de instituições e mais infiltração capilar e fragmentada de atividades ilícitas, por meio de “combinações de omissão estratégica, corrupção localizada e interesses políticos imediatos”.</p>
<p>A relação do PCC com crimes violentos ao patrimônio, especificamente os grandes roubos a instituições financeiras em várias cidades do país, é analisada em artigo do sociólogo Leonardo José Ostronoff, da<i> </i>Universidade Federal de Santa Catarina. Esses roubos constituíram o que o jargão policial e a mídia passaram a chamar de “novo cangaço” ou “domínio de cidades”.</p>
<p>Por meio do exame de documentos, entrevistas e bibliografia, Ostronoff analisa o processo que, a partir do “novo cangaço”, típico de cidades pequenas, levou ao “domínio de cidades”, que atinge cidades médias e grandes e conta com grupos maiores, explosivos e armamento de maior poder de fogo. O trabalho de campo teve como referência a cidade de Curitiba, PR.</p>
<p>A conclusão é que esses crimes não são organizados institucionalmente pelo PCC, são operações de indivíduos independentes, apesar de alguns membros da facção atuarem nelas. As relações desses criminosos com a facção ocorrem devido ao controle que ela tem do sistema prisional. As redes formadas nos presídios possibilitam o recrutamento de criminosos especializados nas tarefas exigidas pelas ações, além do empréstimo de armas e acesso a explosivos, explica o autor.</p>
<p>Ainda no campo da segurança pública, Julia Maia Goldani, pesquisadora da Escola de Direito de São Paulo da FGV, escreve sobre as dinâmicas institucionais que “minam reformas democráticas nas polícias militares do Brasil pós-1988”. Ela vê uma lacuna na compreensão dos mecanismos que propiciam a resistência das polícias a mudanças institucionais.</p>
<p>Para discutir essa lacuna, Goldani analisa o ocorrido com a <a class="external-link" href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/114516">Proposta de Emenda Constitucional 51/2013</a>, cujo objetivo era uma reforma estrutural, e com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro, exemplo de reforma incremental.</p>
<p>No caso da PEC 51/2013, ela comenta que a atuação das cúpulas de associações das diferentes categorias policiais resultou num impasse político no Congresso Nacional, com Presidência da República não interferindo para não assumir o custo político da iniciativa. O resultado foi o abandono da proposta. Já a implantação gradual de um policiamento democrático por meio das UPPs “esbarrou nos interesses de outros grupos dentro da corporação, que divergiam da visão de segurança pública proposta ou percebiam a mudança de paradigma como uma ameaça às suas posições e perspectivas dentro da organização”.</p>
<p><strong>Filosofia</strong></p>
<p>O dossiê conta ainda com duas traduções (acompanhadas de introduções dos tradutores): “O Sofrimento Não É Dor”, do filósofo francês Paul Ricoeur (1912-2005), traduzido por Caroline Fanizzi e José Sérgio Fonseca de Carvalho, ambos professores da Faculdade de Educação da USP; e “Invisibilidade: Sobre a Epistemologia do Reconhecimento”, de Axel Honneth, traduzido por Arthur Meucci, da Universidade Federal de Viçosa.</p>
<p>O texto original de Ricoeur foi apresentado em colóquio da Associação Francesa de Psiquiatria em janeiro de 1992. De acordo com os tradutores, o filósofo adota como hipótese de trabalho a de que o sofrimento consiste na diminuição da potência de agir.</p>
<p>Axel Honneth propõe uma reformulação epistemológica da teoria do reconhecimento a partir da análise da invisibilidade social, inspirada no romance “O Homem Invisível”,<i> </i>de Ralph Ellison. Para Honneth, a invisibilidade não remete à ausência perceptiva literal, mas a uma forma simbólica de desrespeito: o ato de “olhar através” do outro nega-lhe reconhecimento como sujeito moral e social válido.</p>
<p><strong>Literatura e canção</strong></p>
<p>O retrato da violência feito em obras artísticas como contos e canções e até como ela foi facilitada pelos meios digitais são temas de três artigos. Em sua análise do livro de contos “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, de Conceição Evaristo, Ianá de Souza Pereira, da Universidade Paulista, aponta que a obra deve ser entendida a partir de estruturas econômico-sociais, raciais e patriarcais que explicam o lugar social destinado às mulheres negras nas sociedades capitalistas. No livro, são elas que comunicam e refletem sobre a experiência de ser mulher e negra dentro do patriarcado de supremacia branca e capitalista. O objetivo do artigo é compor uma análise crítica do racismo e do patriarcado exposto pelo texto de Evaristo.</p>
<p>Adriano de Paula Rabelo, da Universidade Federal de Kazan, Rússia, compara como uma canção estadunidense e outra brasileira tratam de um tipo específico de violência urbana: o assassinato, por agentes do Estados e outras pessoas, de jovens levados ao crime pelas desigualdades sociais. As canções são “In the Ghetto”, de Mac Davis, gravada por Elvis Presley em 1969, e “O Meu Guri”, de Chico Buarque, gravada por ele em 1981.</p>
<p>Uma nova forma de violência contra a mulher surgiu com o mundo digital: os sites eróticos. No artigo “A Dialética do Visível e do Oculto na Cibercultura”, Priscila Gonçalves Magossi, doutora em comunicação e cultura, aponta que “os resultados revelam uma arquitetura de impunidade global sustentada por contratos ilegítimos e fake news que se apropriam de pautas progressistas”. Segundo a autora, os mandantes desse submundo atuam em vácuo jurídico total, impondo cláusulas que silenciam vítimas e violam direitos fundamentais. O combate a isso, diz, exige regulação transnacional, educação mediática crítica e políticas públicas que priorizem direitos humanos.</p>
<p><strong>História</strong></p>
<p>As marcas de um tipo brutal de violência, aquela vivida pelos sobreviventes das bomba atômicas lançada em Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos em 1945, são analisadas em texto de Cristiane Izumi Nakagawa, psicanalista e doutora em psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. O trabalho tem como base entrevista da autora com Keiko Ogura, uma hibakusha, como são chamados aqueles que sobreviveram à bomba, no caso dela, à lançada em Hiroshima. O objetivo foi fazer um exame psicológico dos testemunhos desses sobreviventes, com atenção especial a dois fenômenos psicológicos fundamentais para a compreensão dessas memórias: o trauma e o sentimento de culpa por ações ou omissões que causaram sofrimento a outras pessoas.</p>
<p>Mas a violência também suscita discussões sobre a postura institucional e do público em relação a ela. Isso é explorado em artigo sobre pesquisa e trabalho técnico desenvolvidos por parceria entre o Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e o Instituto de Biociências, ambos da USP, sobre as cabeças decepadas de Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), o Lampião, e Maria Gomes de Oliveira (1910-1938), a Maria Bonita. A abordagem dos pesquisadores foi baseada na revisão historiográfica e na análise qualitativa de documentos históricos, entrevistas e reportagens. "Essa metodologia permitiu explorar as narrativas que envolvem o consumo do trágico e as controvérsias sobre a preservação e exposição desses vestígios, contribuindo para discussões mais aprofundadas sobre memória, identidade e práticas museológicas", afirmam os autores.</p>
<p><strong>SOCIOLOGIA</strong></p>
<p>Outros três textos da edição configuram um minidossiê dedicado à sociologia, com propostas para sua evolução, um debate sobre o papel dos autores clássicos no discurso sociológico e um ensaio sobre o livro “A Revolução Burguesa no Brasil”, de Florestan Fernandes.</p>
<p>De acordo com Maria Aparecida de Moraes Silva, da Unesp e da UFSCar, diante das mudanças aceleradas do mundo contemporâneo, "somos levados a crer que nossa missão é dar respostas aos problemas que nos afligem desde a esfera do cotidiano, dos mais longínquos e, até mesmo, dos desconhecidos". Seu artigo "Por uma Sociologia Provocadora (de Respostas)" é baseado em conferência que fez no 22º Congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia, em julho de 2025. O objetivo do trabalho, afirma, "é contribuir para uma sociologia provocadora de respostas<i>, </i>na qual o fazer sociológico<i> </i>esteja em constante processo de diálogo crítico e autocrítico com as teorias e métodos adotados, e os pontos de observação da realidade social não sejam tomados como fixos, determinísticos, porém como moventes e probabilísticos".</p>
<p>Mas diante dessa necessidade de transformação da sociologia defendida por Moraes Silva, que papel fica reservado aos autores clássicos? É sobre isso que trata o texto "O Qque Fazer com os Clássicos da Sociologia? Diagnóstico e Prognóstico", de Carlos Eduardo Sell, da UFSC. Ele examina a transformação do papel desses autores, com destaque para as implicações epistemológicas, metodológicas e pedagógicas disso. Sell identifica a emergência de um novo regime discursivo (heurística negativa) e de um consenso difuso que molda o etos científico contemporâneo. Na segunda parte do artigo, ele propõe uma heurística positiva de reflexão e ensino da teoria sociológica.</p>
<p>A seção é completada justamente com texto sobre a importância atual de um livro clássico de um dos expoentes da sociologia brasileira, Florestan Fernandes. Em 2025, seu livro "A Revolução Burguesa no Brasil" completou 50 anos da primeira edição. Para os autores do artigo, André Botelho e Antonio Brasil Jr., ambos da UFRJ, a obra está mais atual do que nunca, seja pelo ponto de vista teórico, que pode ser testado na concepção, na fatura do texto e na análise crítica forjadas a partir de uma abordagem sociológica peculiar, seja pela visão política das espirais da democracia no Brasil e no mundo.</p>
<p><strong>RESENHAS</strong></p>
<p>A seção “Resenhas” traz artigos sobre os livros “Des Électeurs Ordinaires: Enquête sur la Normalization de l’Extrême Droite” (Eleitores Comuns: Investigação sobre a Normalização da Extrema Direita), de Félicien Faury, ainda sem edição no Brasil; “Permanecer Bárbaro: Não Brancos contra o Império”, de Louisa Yousfi; “História da América Latina em 100 Fotografias”, de Paulo Antonio Paranaguá; e “Razão Desumana: Cultura e Informação na Era da Desinformação Inculta (e Sedutora)”, de Eugênio Bucci.</p>
<hr align="center" size="2" width="100%" />
<p> </p>
<p><strong><a name="sumario"></a>Sumário</strong></p>
<p><strong>Violência, Dor e Sofrimento</strong></p>
<ul>
<li>Narcoterrorismo      e Narcoestado: Genealogias, Usos Políticos e Riscos Analíticos frente às      Facções no Brasil – <i>Francisco Thiago Rocha Vasconcelos e Ricardo      Moura Braga Cavalcante</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      Centralidade da Prisão nas Relações entre Crimes Violentos ao Patrimônio e      o PCC – <i>Leonardo José Ostronoff</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Polícias      em Conflito: “Pluralismo Policial” e os Vetos a Reformas na Segurança      pública – <i>Júlia Maia Goldani</i></li>
</ul>
<ul>
<li>No      Gueto e na Favela: Duas Canções, Dois Retratos da Violência – <i>Adriano      de Paula Rabelo</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Um      Intérprete da Experiência Contemporânea: Paul Ricoeur e a Compreensão do      Sofrimento – <i>Caroline Fanizzi e José Sérgio Fonseca de Carvalho</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      Invisibilidade Social como Desrespeito na Teoria do Reconhecimento de Axel      Honneth – <i>Arthur Meucci</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Trauma      e Culpa nos hibakusha: Um Estudo da Memória de Keiko Ogura – <i>Cristiane      Izumi Nakagawa</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Conceição      Evaristo e os Arredores de “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”<i> –      Ianá de Souza Pereira</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      “Mortigrafia” de Lampião e Maria Bonita: Considerações sobre a      Musealização do Trágico (1938-2023) – <i>Jô Veras Closs et al.</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A      Dialética do Visível e do Oculto na Cibercultura – <i>Priscila      Gonçalves Magossi</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Esperançar      o Presente: Sobre Futuros Inéditos e Viáveis – <i>Bruno Souza Leal e      Ana Regina Rego</i></li>
</ul>
<p><strong>Sociologia</strong></p>
<ul>
<li>Por      uma Sociologia Provocadora (de Respostas) – <i>Maria Aparecida de      Moraes Silva</i></li>
</ul>
<ul>
<li>O      Que Fazer com os Clássicos da Sociologia? Diagnóstico e Prognóstico      – <i>Carlos Eduardo Sell</i></li>
</ul>
<ul>
<li>"A      Revolução Burguesa no Brasil": 50 anos de um Clássico Difícil – <i>André      Botelho e Antonio Brasil Jr.</i></li>
</ul>
<p><strong>Resenhas</strong></p>
<ul>
<li>Sociologia      da Normalização Política: A Extrema-Direita na França – <i>Fabio      Mascaro Querido</i></li>
</ul>
<ul>
<li>"Permanecer      Bárbaro"<i> </i>de Louisa Yousfi: Insurgências contra a      Domesticação Civilizatória – <i>Morgane Reina</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Propósito      e Valor dos Acervos Fotográficos ao redor do Mundo – Hoje e no Futuro      – <i>Sergio Burgi</i></li>
</ul>
<ul>
<li>Razão,      Técnica e (Des)Informação: Os Vetores das Crises Contemporâneas – <i>Tatiana      Dourado</i></li>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Violência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-04-07T17:03:31Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/o-papel-dos-tribunais-de-contas-diante-dos-efeitos-das-mudancas-climaticas">
    <title>Manual propõe uma postura proativa para os tribunais de contas diante das mudanças climáticas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/o-papel-dos-tribunais-de-contas-diante-dos-efeitos-das-mudancas-climaticas</link>
    <description>IEA e Tribunal de Contas do Município de São Paulo lançam manual digital “Mudanças Climáticas e o Papel dos Tribunais de Contas: Desafios e Oportunidades”, resultante do seminário "Mudanças Climáticas e o Papel dos Tribunais de Contas", realizado em agosto de 2025.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-manual-mudancas-climaticas-e-o-papel-dos-tribunais-de-contas" alt="Capa do manual &quot;Mudanças Climáticas e o Papel dos Tribunais de Contas&quot;" class="image-right" title="Capa do manual &quot;Mudanças Climáticas e o Papel dos Tribunais de Contas&quot;" />Com o lançamento do manual “Mudanças Climáticas e o Papel dos Tribunais de Contas: Desafios e Oportunidades”, produzido pelo IEA em parceria com o Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), a Universidade inicia o diálogo com técnicos dos tribunais de contas (TCs) do Brasil e com a sociedade em geral sobre a importância adicional que esses órgãos de fiscalização dos gastos públicos adquiriram diante da necessidade de adaptação às mudanças climáticas.</p>
<p>O trabalho é baseado nas exposições e debates ocorridos no seminário "<a href="https://www.iea.usp.br/eventos/tribunais-de-contas-e-clima" class="external-link">Mudanças Climáticas e o Papel dos Tribunais de Contas</a>", realização do IEA e do TCMSP, com apoio da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e do Instituto Rui Barbosa (IRB). Além de <a href="https://www.iea.usp.br/publicacoes/ebooks/mudancas-climaticas-tcs" class="external-link">versão digital</a> disponível gratuitamente a todos os interessados no site do IEA, há também uma edição impressa (mil exemplares) de distribuição dirigida.</p>
<p>O manual apresenta de forma acessível o que são as mudanças climáticas, seus efeitos sobre as cidades e como os TCs podem atuar de maneira preventiva, proativa e inovadora para garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficiente e eficaz diante do desafio climático global.</p>
<p>A discussão realizada no seminário e agora sumarizada no manual trouxe à tona a necessidade de uma visão proativa dos TCs, levando-os a participar inclusive do dimensionamento dos orçamentos públicos ainda no planejamento, de forma a alinhar as ações de governo, do ponto de vista orçamentário, ao que vem acontecendo no clima do planeta, afirmam em texto introdutório a professora Roseli de Deus Lopes e o professor Marcos Buckeridge, diretora e vice-diretor do IEA, respectivamente.</p>
<p><strong>Controle Proativo</strong></p>
<p>O presidente do TCMSP, conselheiro Domingos Dissei, ressalta em sua nota introdutória que o enfrentamento dos desafios climáticos exige articulação, conhecimento especializado e ação coordenada: “Auditorias ambientais, definição de metas, capacitação de gestores e parcerias com universidades são recomendações práticas, reforçando o papel dos TCs como agentes de transformação”.</p>
<p>O manual explica que os custos econômicos das mudanças climáticas podem ser divididos em custos diretos e indiretos. Os diretos incluem reconstrução de estradas, pontes, prédios públicos e redes (elétricas e hidráulicas) danificadas por enchentes, deslizamentos e ventanias. Os indiretos englobam queda na produtividade econômica, prejuízos ao turismo, aumento de doenças respiratórias e infecciosas, elevação dos preços, deslocamentos forçados e perda de arrecadação.</p>
<p>“Esses impactos afetam diretamente os orçamentos municipais e estaduais, comprometendo outras áreas, como saúde e educação”, alerta o manual. Levantamento de 2024 da Confederação Nacional dos Municípios indicou que secas, estiagens e excessos de chuva causaram um prejuízo de R$ 401,3 bilhões às cidades brasileiras ao longo de 12 anos, registra o trabalho.</p>
<p>Situações de emergência exigem liberações orçamentárias rápidas, obras e contratações emergenciais. “Tudo isso precisa ser fiscalizado para evitar desperdícios e corrupção, mas também para garantir celeridade, efetividade e prevenção”, destaca o texto.</p>
<p>Diante disso, cabe aos TCs, por exemplo, fiscalizar como estados e municípios usam verbas emergenciais em desastres climáticos, verificar se as obras públicas consideram critérios de adaptação climáticas e segurança e a avaliar a implementação de planos de mitigação e adaptação, cobrando metas e resultados.</p>
<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/demoronamento-em-area-de-risco" alt="Desmoronamento em área de risco" class="image-left captioned" title="Desmoronamento em área de risco" /></p>
<p>Com esse fim, o manual recomenda uma mudança de postura dos TCs: passar do controle reativo ao controle proativo. Historicamente, os tribunais de conta sempre atuaram de forma reativa, fiscalizando gastos após a execução. Agora, diante da crise climática, é cada vez mais necessário atuar preventivamente, identificando riscos antes que se transformem em prejuízos, alerta o documento.</p>
<p>Exemplos dessa atuação preventiva são o monitoramento de obras de drenagem urbana antes da estação das chuvas, avalição de políticas de habitação em áreas de riscos e análise de planos de contingência municipais.</p>
<p>Os autores do documento apontam as auditorias temáticas como uma das ferramentas mais poderosas dos TCs. Elas permitem avaliar se um município tem plano da adaptação climática, se há mapeamento atualizado de áreas de risco e se os investimentos em infraestrutura estão adequados aos cenários futuros.</p>
<p>Outro procedimento crucial é exigir indicadores claros, que indiquem, por exemplo, percentual de áreas urbanas cobertas por sistemas de drenagem, taxa de execução de obras de contenção e número de famílias retiradas de áreas de risco e reassentadas. Além disso, o manual propõe que os TCs promovam ações de capacitação e orientação técnica de gestores públicos sobre ferramentas e soluções para lidar com riscos climáticos, fortalecendo a capacidade dos municípios de planejar e agir.</p>
<p>A parceria com universidades e outras instituições de pesquisa é fundamental em razão da complexidade dos desafios climáticos, cujo enfrentamento exige conhecimento técnico avançado. Essa colaboração pode propiciar, entre outras coisas, o uso de dados climáticos e geoespaciais, o desenvolvimento de metodologias conjuntas de auditoria ambiental, treinamentos e capacitações em análise de risco climático, e a criação de observatórios regionais com informações integradas para subsidiar decisões.</p>
<p>Um exemplo de resultado prático é permitir que um TC identifique as áreas de um município mais vulneráveis a enchentes, passando a priorizar auditorias e fiscalizações nesses locais.</p>
<p>A transformação institucional exigida pela crise climática demanda a adoção de novas ferramentas e práticas pelos TCs, afirma o documento. Algumas dessas possíveis iniciativas são a criação de plataformas digitais interativas com dados climáticos, orçamentários e de obras públicas, o uso de inteligência artificial e sensoriamento remoto para monitorar áreas de risco em tempo real, a criação de núcleos especializados em mudanças climáticas dentro dos tribunais e o estabelecimento de parceria com organizações da sociedade civil para ampliar a transparência e o controle social.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Políticas Públicas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mudanças Climáticas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Clima</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-11-05T18:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/iea-lanca-guia-sobre-seguranca-alimentar-e-nutricional-no-dia-22-de-outubro">
    <title>IEA lança guia sobre segurança alimentar e nutricional para gestores da saúde pública</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/iea-lanca-guia-sobre-seguranca-alimentar-e-nutricional-no-dia-22-de-outubro</link>
    <description>E-book “Políticas, Programas e Ações para a Segurança Alimentar e Nutricional no Setor Saúde – Um Guia para Gestores” será lançado na mesa-redonda “Políticas de SAN no Enfrentamento da Crise Climática”, no dia 22 de outubro, a partir das 13h30.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-guia-politicas-programas-e-acoes-para-a-seguranca-alimentar-e-nutricional-no-setor-saude" alt="Capa do guia &quot;Políticas, Programas e Ações para a Segurança Alimentar e Nutricional no Setor Saúde&quot;" class="image-right" title="Capa do guia &quot;Políticas, Programas e Ações para a Segurança Alimentar e Nutricional no Setor Saúde&quot;" /></p>
<p>Auxiliar gestores do setor saúde e atores sociais envolvidos com a promoção e atenção à segurança alimentar nutricional (SAN) nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) é o objetivo do e-book “Políticas, Programas e Ações para a Segurança Alimentar e Nutricional no Setor Saúde – Um Guia para Gestores”, que será lançado na mesa-redonda “Políticas de SAN no Enfrentamento da Crise Climática”, no dia 22 de outubro, a partir das 13h30, com transmissão ao vivo pela <a class="external-link" href="https://www.youtube.com/@iea-usp">internet</a> [a participação presencial requer <a class="external-link" href="https://forms.https//forms.gle/RBtY4XGdfrfXFwnt8gle/RBtY4XGdfrfXFwnt8https://forms.gle/RBtY4XGdfrfXFwnt8">inscrição prévia</a>].</p>
<p>O guia é resultado de pesquisa de pós-doutorado de Crhistinne Maymone, secretaria adjunta da Saúde de Mato Grosso do Sul, no <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-pesquisa/nutricao" class="external-link">Grupo de Pesquisa Nutrição e Pobreza (GPNP)</a> em 2023/24. Além dela, são coautoras <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/samantha-bonfim">Samantha Bonfim</a>, bolsista de graduação em nutrição no grupo durante a pesquisa, e seis integrantes do GPNP: <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoad/dirce-marchioni">Dirce Maria Lobo Marchioni</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lia-thieme-oikawa-zangirolani">Lia Thieme Oikawa Zangirolani</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-paula-de-albuquerque">Maria Paula de Albuquerque</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mariangela-belfiore-wanderley">Mariangela Belfiore Wanderley</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/semiramis-martins-alvares-domene">Semíramis Martins Álvares Domene</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/claudia-maria-bogus">Cláudia Maria Bógus</a>. A edição é do IEA, com apoio do GPNP e do <a class="external-link" href="https://www.fsp.usp.br/inct-combate-a-fome/">Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome</a>.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Evento</h3>
<p>A mesa-redonda  “<a href="https://www.iea.usp.br/eventos/san-crise-climatica" class="external-link">Políticas de SAN no Enfrentamento da Crise Climática</a>”, no dia 22 de outubro, às 13h30, terá exposições de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/claudia-roberta-bocca-santos" class="external-link">Cláudia Roberta Bocca Santos</a>, da <span>Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mariana-iamamoto" class="external-link">Mariana Iamamoto</a>, da <span>Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento do Município de São Paulo, e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/gabriela-di-giulio" class="external-link">Gabriela Marques di Giulio</a>, da <span>Faculdade de Saúde Pública da USP e do IEA. A moderação será de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mayara-araujo" class="external-link">Mayara Araújo</a>, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP.<span> O evento é organizado pelo </span></span></span></span>Grupo de Pesquisa Nutrição e Pobreza e pela Rede Saúde Planetária Brasil.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Pesquisa</strong></p>
<p>A finalidade da pesquisa de Maymone (“O Cenário Brasileiro Atual e as Perspectivas para o Alcance da Segurança Alimentar até o Ano 2122”) foi conhecer a perspectiva e compreensão de secretários de saúde e representantes da sociedade civil – membros de Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) estaduais – sobre as ações desenvolvidas em favor da SAN.</p>
<p>Na apresentação do guia, as autoras afirmam que os resultados da pesquisa revelaram aspectos importantes que devem ser considerados no delineamento de propostas de intervenção em SAN a partir do setor saúde: “As políticas e os programas em alimentação e nutrição no país existem, mas por si só não são suficientes para a garantia do DHAA, reiterando a necessidade da formação dos trabalhadores de saúde e no âmbito da gestão que subsidia as tomadas de decisões, bem como da participação social e da intersetorialidade para a construção de uma sociedade mais equitativa”.</p>
<p>De acordo com as autoras, a complexidade da questão “demanda uma abordagem que não se esgota nas ações restritas ao setor saúde; assim, a intersetorialidade é um dos desafios a serem enfrentados”. Essa é a razão de o guia apresentar elementos que podem contribuir para a gerência e o investimento concebidos em uma perspectiva de gestão integrada, afirmam.</p>
<p><strong>Conteúdo</strong></p>
<p>Nos primeiro e segundo capítulos são descritos os conceitos fundamentais de direito humano à alimentação adequada (DHAA) e SAN. Os capítulos três a seis apresentam definições de termos relacionados aos dois conceitos: soberania alimentar; fome, má nutrição e subnutrição; sistema alimentar; e sindemia global. Os capítulos são organizados em subitens com as definições, comentários sobre a importâncias dos aspectos explicados e exemplos de políticas, programas e ações para garantir sua realização.</p>
<p>A segunda parte do guia está dividida em seções sobre: leituras recomendadas para aprofundamento sobre a temática do DHAA e da SAN; considerações finais, questões para refletir; anexo com informações sobre políticas, programas e ações mencionadas nos capítulos anteriores, incluindo descrição, onde acessar e órgão/setor responsável pelo financiamento; e extensiva relação de referências (publicações, documentos, legislação e notícias).</p>
<p>A expectativa das pesquisadoras é que as informações presentes no guia motivem o desenvolvimento de ações na área da SAN pelo setor saúde, de modo a “fortalecer a implantação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) na busca pela garantia do DHAA à população brasileira”.</p>
<p>O prefácio do guia é da secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Lilian dos Santos Rahal. Ela ressalta que a publicação vai além das recomendações técnicas, pois reconhece o SUS como espaço de cuidado integral e de transformação social, propondo ferramentas de gestão que fortalecem a atenção primária à saúde.</p>
<p>Ela afirma reconhecer na obra uma ferramenta importante para fortalecer as práticas cotidianas de quem constrói o SUS e deseja que o guia “inspire ações concretas, políticas públicas mais eficazes e um olhar mais humano sobre a alimentação como um direito – e não um privilégio”.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Nutrição e Pobreza</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Saúde Pública</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Alimentar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-10-15T13:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/estudo-aponta-potencial-bioeconomico-de-especies-nativas-da-mata-atlantica">
    <title>Estudo aponta potencial bioeconômico de espécies nativas da Mata Atlântica</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/estudo-aponta-potencial-bioeconomico-de-especies-nativas-da-mata-atlantica</link>
    <description>Estudo com a participação de pesquisadores do Biota Síntese publicado na revista Ambio, da Academia Real Sueca de Ciências, destaca potencial de espécies vegetais nativas da Mata Atlântica para uso bioeconômico sustentável. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-right captioned" style="width:550px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/frutos-da-palmeira-jeriva/image" alt="Frutos da palmeira Jerivá" title="Frutos da palmeira Jerivá" height="413" width="550" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:550px;">Cacho de frutos (coquinhos) de jerivá; palmeira é um dos exemplos de como as espécies nativas melhoram sinergicamente o fornecimento de recursos da restauração florestal para a indústria de biotecnologia</dd>
</dl></p>
<p>O aproveitamento de produtos não madeireiros de espécies nativas da Mata Atlântica é uma prática bioeconômica socialmente justa para superar os desafios enfrentados pela restauração florestal, sobretudo o alto preço das terras disponíveis e o retorno demorado dos serviços ambientais e da produção de madeira.</p>
<p>A recomendação está em <a href="https://link.springer.com/epdf/10.1007/s13280-025-02234-5?sharing_token=AuOE0SjB7xee0-WWK5GUoPe4RwlQNchNByi7wbcMAY6vUcvyTMzBKsXCORPTkxzob3XC3msfXbn74eEt3MyImA6_vAkCeAepb-KwzXVYZ9g5HnmJeLZfyhGbmhPJCIXENptRkrgg12FiBGVTWN8NuqPTth_3fUfjko5qrt1kpPE%3D">estudo</a> realizado por 17 pesquisadores de várias instituições publicado no início de setembro no site da revista Ambio, da Academia Real Sueca de Ciência. O líder da pesquisa, Pedro Krainovic, e outros três autores fazem parte do Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza (Biota Síntese), sediado no IEA.</p>
<p>A pesquisa analisou 46 lotes (cada um com 900m<sup>2</sup>) em fragmentos florestais na parte paulista do Vale do Paraíba do Sul. O inventário das áreas revelou a presença de 5.181 árvores de 329 espécies. O estudo também fez uma revisão de 603 artigos, que apontaram 167 dessas espécies (59%) como de potencial bioeconômico para a produção de fármacos, cosméticos e alimentos (58%, 12% e 5% das 167, respectivamente). As folhas são a parte das árvores mais utilizável para esses usos. Os artigos relatam principalmente achados iniciais baseados em estudos in vitro, in vivo e análises químicas.</p>
<p>Além dos artigos, os pesquisadores examinaram 2.520 patentes de 78 espécies registradas em 61 países, com 8% delas concedidas no Brasil. Apesar do elevado número de patentes, apenas 13% dos estudos atingiram o estágio de produto final.</p>
<p>Os dados sobre usos de espécies abundantes e sobre as patentes podem orientar o planejamento de restauração florestal bioeconômica, afirmam. Outra conclusão relevante é que o manejo não destrutivo é viável para florestas restauradas multifuncionais.</p>
<p>Para os eles, as palmeiras jerivá (<i>Syagrus romanzoffiana</i>) e juçara (<i>Euterpe edulis</i>) e o pinheiro-do-paraná (<i>Araucaria angustifolia</i>) exemplificam como as espécies nativas melhoram de forma sinergética o fornecimento de recursos de restauração para a indústria de biotecnologia.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/mapa-da-bacia-do-rio-paraiba-do-sul/image" alt="Mapa da bacia do rio Paraíba do Sul" title="Mapa da bacia do rio Paraíba do Sul" height="420" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Mapa da parte paulista do Vale do Paraíba do Sul e indicações de áreas florestais e de pasto e dos lotes inventariados na pesquisa</dd>
</dl></p>
<p><strong>Gargalos</strong></p>
<p>De acordo com os pesquisadores, há uma série de limitações que dificultam o desenvolvimento da restauração florestal multifuncional. O conhecimento ainda é limitado tanto sobre possíveis produtos finais — uma vez que os estudos ainda enfatizam as fases iniciais de triagem — quanto sobre a produção e o manejo de espécies nativas.</p>
<p>Além disso, a maior disponibilidade de recursos e infraestrutura faz com que as patentes estejam concentradas em países industrializados. Eles também observam que produtos resultantes de restauração florestal requerem certificações e incentivos para se tornarem comercialmente competitivos.</p>
<p>O artigo ressalta a importância de que os vínculos entre a indústria e as comunidades incorporem o conhecimento tradicional e que sejam apoiadas a pesquisa e a inovação locais com aplicações práticas. Os autores acrescentam que é fundamental que os esforços para explorar os potenciais das espécies nativas reconheçam os direitos de povos indígenas e comunidades locais e repartam os benefícios com eles.</p>
<p>Em defesa da restauração multifuncional, o artigo elenca os pontos negativos do reflorestamento com fins específicos. No caso da monocultura extensiva industrial, há uma homogeneização da floresta, geralmente com espécies exóticas e benefícios mínimos em termos de biodiversidade. O uso de espécies nativas para a produção de madeira, por sua vez, enfrenta alto custo, ciclos longos, pouco conhecimento silvicultural e risco de prejudicar a restauração da vegetação. Se o objetivo da utilização de espécies nativas for o mercado de carbono, além do alto custo, há o baixo preço dos créditos de carbono, o que inviabiliza financeiramente o empreendimento.</p>
<p>Se o objetivo da restauração for receber pagamentos por serviços ambientais quanto ao provisionamento de água, isso vai depender de fundos públicos e contratos de curto prazo. Caso a restauração ocorra em áreas produtivas, as terras terão preço elevado e haverá efeitos na segurança alimentar, restando apenas áreas marginais como possibilidade, o que resulta em baixa atratividade e escalabilidade.</p>
<p>De acordo com os pesquisadores, a restauração florestal multifuncional é a melhor opção, pois apresenta potencial para os seguintes benefícios:</p>
<ul>
<li>prestação      de serviços ecossistémicos (recuperação da biodiversidade, polinização,      proteção do solo, regulação da água) e produtos florestais com valor      agregado;</li>
</ul>
<ul>
<li>benefícios      socioambientais como criação de empregos e geração de renda;</li>
</ul>
<ul>
<li>redução      do prazo de retorno do investimento em restauração;</li>
</ul>
<ul>
<li>manejo      não destrutivo gerando produtos como folhas e galhos sem corte de árvores;</li>
</ul>
<ul>
<li>fluxos      de receita diversificados, atraindo partes interessadas, especialmente      proprietários de terras;</li>
</ul>
<ul>
<li>intensificação      do apelo para acordos globais de restauração florestal.</li>
</ul>
<p> </p>
<p>Nas conclusões do artigo, os pesquisadores destacam o potencial biotecnológico das espécies nativas da Mata Atlântica e sua importância para o desenvolvimento econômico sustentável, mas alertam que é preciso adotar um manejo específico para cada espécie. Isso se torna necessário diante do grande número de espécies e de sua abundância em vários tipos de florestas. Eles afirmam que as limitações conhecidas revelam oportunidades para inovação e manejo customizado, abrindo caminhos inexplorados para liberar os benefícios da restauração de florestas tropicais.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Recursos Naturais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Reflorestamento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Artigo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mata Atlântica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Bioeconomia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Biota Síntese</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Espécies nativas</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-09-25T20:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/rede-iea/livro-a-origem-do-significado">
    <title>Editora lança 2ª edição de 'A Origem do Significado', que tem Walter Neves como um dos autores</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/rede-iea/livro-a-origem-do-significado</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-a-origem-do-significado" alt="Capa do livro &quot;A Origem do Significado&quot;" class="image-right" title="Capa do livro &quot;A Origem do Significado&quot;" />A Editora Gaia lançou este mês a segunda edição do livro “<a class="external-link" href="https://grupoeditorialglobal.com.br/catalogos/livro/?id=4612">A Origem do Significado: Uma Abordagem Paleoantropológica</a>”, de <a href="https://www.iea.usp.br/noticias/pessoas/pasta-pessoaw/walter-neves">Walter Neves</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eliane-sebeika-rapchan" class="external-link">Eliane Sebeika Rapchan</a> e <a class="external-link" href="http://lattes.cnpq.br/1740795180182483">Lukas Blumrich</a>. A nova edição faz parte da Série Walter Neves, dedicada à republicação dos livros fundamentais do paleoantropólogo e divulgação de seus novos trabalhos.</p>
<p>Com base em evidências arqueológicas e paleoantropológicas e em observações de primatas, os autores questionam ideias que eram tradicionalmente usadas para definir o ser humano e diferenciá-lo das outras espécies, como a bipedia e os cérebros grandes.</p>
<p>"A única característica que resiste, atualmente para nos separar do restante do mundo animal é nossa capacidade de criar significados. Entendemos a simbolização como a criação de narrativas para os fatos do mundo e a existência de uma vida interior, marcada, principalmente, pelo uso de objetos para além de seu valor prático imediato", afirmam no prefácio da obra.</p>
<p>Eles sugerem que fatores sociais, ecológicos e culturais foram fundamentais para essa diferenciação. A obra também explora a relação entre linguagem, cognição e teoria da mente em relação aos primatas.</p>
<p>Por meio da revisão dos dados sobre artefatos que ajudam a inferir comportamentos dos antigos humanos, os autores apontam formas de simbolização anteriores ao Paleolítico Superior (de 50 mil até 10 mil anos atrás).</p>
<p>Com 144 páginas, o livro contém três capítulos: "O Que É Ser Humano", "A Revolução Criativa do Paleolítico Superior" e "Indícios de Comportamento Simbólico Anteriores ao Paleolítico Superior". Em seguida há uma "Coda" (texto com conclusões), uma seção abrangente de referências bibliográficas, outra sobre os autores e um caderno iconográfico.</p>
<p><strong>Autores</strong></p>
<p>Arqueólogo e antropólogo evolucionista, Walter Neves é professor titular aposentado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP e professor sênior do IEA, onde coordena o <a class="external-link" href="https://evolucaohumana.iea.usp.br/">Núcleo de Pesquisa e Disseminação em Evolução Humana (NPDEH)</a>. Prestigiado internacionalmente, Neves tem também reconhecimento popular ímpar no Brasil, sobretudo depois de seus estudos de Luzia, o esqueleto mais antigo da América do Sul, e sua proposta de um novo modelo de ocupação humana das Américas. Em 2013, na Jordânia, estabeleceu o primeiro projeto brasileiro de paleantropologia no exterior; Em 2024, instituiu o segundo, na Romênia.</p>
<p>A antropóloga social Eliane Sebeika Rapchan é pos-doutoranda do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal e pesquisadora colaboradora do Laboratório de Arqueologia, Antropologia Ambiental e Evolutiva (LAAAE) da USP e professora voluntária no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá. Há mais de 20 anos atua em primatologia, etnoprimatologia, paleantropologia, arqueologia, antropologia (evolutiva, ecológica e ambiental), humanidades ambientais e estudos animais.</p>
<p>Lukas Blumrich é doutorando em pediatria na Faculdade de Medicina da USP e dedica-se também a estudos de evolução humana. É membro do <span>NPDEH e desenvolve trabalhos de divulgação científica com Walter Neves.</span></p>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Paleoantropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisadores</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Linguagem</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Teoria da mente</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-09-18T18:25:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/nota-tecnica-do-biota-sintese-ganha-premio-do-projeto-mapbiomas">
    <title>Nota técnico-científica do Biota Síntese recebe o prêmio principal do projeto MapBiomas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/nota-tecnica-do-biota-sintese-ganha-premio-do-projeto-mapbiomas</link>
    <description>A nota técnico-científica “Potencial do Serviço Ecossistêmico de Polinização no Estado de São Paulo”, produzida por pesquisadores do Biota Síntese, foi uma das pesquisas premiadas pelo projeto MapBiomas em 2025.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><a class="external-link" href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1490"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-nota-tecnico-cientifica-5-do-biota-sintese" alt="Capa da Nota Técnico-Científica 5 do Biota Síntese" class="image-right" title="Capa da Nota Técnico-Científica 5 do Biota Síntese" /></a>A nota técnico-científica “Potencial do Serviço Ecossistêmico de Polinização no Estado de São Paulo”, produzida por pesquisadores do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-especiais/biota-sintese/o-projeto" class="external-link">Biota Síntese (<span>Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza)</span></a>, sediado no IEA, foi um dos dois resultados de pesquisa do <a class="external-link" href="https://www.biota.org.br/">Programa Biota-Fapesp</a> premiados pelo projeto <a class="external-link" href="https://brasil.mapbiomas.org/premio-mapbiomas/">MapBiomas</a>. A nota recebeu ficou em primeiro lugar na Categoria Geral, a principal do prêmio. Ela é a quinta nota da Série Biota Síntese, disponível gratuitamente no <a class="external-link" href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/series/Biota">Portal de Livros Abertos da USP</a>.</p>
<p>O MapBiomas é uma iniciativa do <a class="external-link" href="https://www.oc.eco.br/">Observatório do Clima</a> em parceria com uma rede de universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia. O projeto destina-se a mapear anualmente a cobertura e uso do solo do Brasil e monitorar as mudanças do território. O prêmio tem o objetivo de reconhecer e impulsionar projetos que, com o uso dos dados MapBiomas, trazem soluções inovadoras para a conservação, manejo sustentável e combate às mudanças climáticas. O outro trabalho ligado ao Programa Biota-Fapesp premiado foi a <span>Plataforma de Áreas Restauráveis em Unidades de Conservação do Estado de São Paulo, ferramenta elaborada por pesquisadores da UFSCar, que recebeu menção honrosa na Categoria Políticas Públicas.</span></p>
<p>A nota do Biota Síntese foi produzida por pesquisadores vinculados à USP, UFBA, UFSCar, Embrapa Meio Ambiente e Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo. Ela apresenta um modelo de provisão potencial de polinização considerando a localização de cultivos e áreas de vegetação nativa. O modelo é baseado na conexão entre oferta, fluxo e demanda, ou seja, respectivamente: a quantidade e diversidade de polinizadores ofertados por ambientes nativos; a movimentação desses polinizadores pela paisagem; e o número de flores nos campos de cultivo multiplicada pela carga de pólen necessária para polinizar completamente cada flor. Além disso, o modelo promove uma valoração do serviço de polinização no estado de São Paulo e propõe janelas de oportunidades nas políticas estaduais, isto é, programas que podem se valer do modelo apresentado para embasar suas políticas públicas.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Biota Síntese</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polinizadores</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-07-10T14:20:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/artigo-analisa-interacoes-entre-cientista-neurodivergente-e-inteligencia-artificial">
    <title>Artigo analisa interações entre cientista neurodivergente e inteligência artificial</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/artigo-analisa-interacoes-entre-cientista-neurodivergente-e-inteligencia-artificial</link>
    <description>Trabalho é de autoria da coordenadora do Grupo de Estudo Confluencia, do IEA-RP, e foi publicado no periódico Logeion: Filosofia da Informação</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-c48a4d10-7fff-e1a6-cc3c-733d8dc5cdff"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/copy_of_Designsemnome36.png/@@images/25e0574c-b019-47a6-bdf4-7f1ccfc149d3.png" alt="" class="image-left" title="" />Muito além do uso funcional em tarefas cotidianas ou de respostas rápidas para perguntas, a inteligência artificial pode contribuir de forma significativa para experiências cognitivas e criativas de pessoas neurodivergentes. O termo abrange diferentes formas de funcionamento neurológico, como no caso de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outras condições não típicas. Foi o que observou o artigo “Epistemologia da Insurgência com Inteligência Artificial (EIIA): termos, conceitos e instantes singulares”, de autoria da coordenadora do Conflu</span><span class="gmail_default"> </span><span>encia – Grupo de Estudos Avançados em Tecnologia e Informação em Saúde com Foco em Populações Vulneráveis do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, Maria Cristiane Barbosa Galvão.</span><br /><br /><span>O trabalho, publicado recentemente na revista Logeion: Filosofia da Informação, apresenta uma proposta original de produção de conhecimento a partir da interação com inteligência artificial. Foram analisadas mais de 3.800 interações entre uma cientista neurodivergente e o ChatGPT-4, realizadas ao longo de três meses. Segundo Maria Cristiane, a Epistemologia da Insurgência com Inteligência Artificial, uma proposta original de produção de conhecimento, “propõe que sujeitos e contextos historicamente silenciados possam, por meio de tecnologias emergentes, desenvolver novos modos de linguagem, vínculo e elaboração conceitual, com liberdade e legitimidade epistêmica”.</span><br /><br /><span>A pesquisa foca em momentos-chave chamados de “instantes singulares”, definidos como momentos de percepção e criação simbólica que surgem na interação com a inteligência artificial e contribuem para a formulação de novos conceitos e formas de linguagem.</span><br /><br /><span>Ao todo, a autora, que também é docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, propôs 20 termos e conceitos inéditos com base nessas interações, que ajudam a compreender a relação e as possibilidades de criação de conhecimento entre pessoas neurodivergentes e a inteligência artificial. Entre eles, destaca-se, por exemplo, o Transtorno Generalizado da Perda de Vínculo Eminente, uma ansiedade despertada pela limitação atual dos sistemas de inteligência artificial em manter a memória das interações anteriores.</span><br /><br /><span>Outro termo proposto foi o Assédio Algoritmicamente Embasado. A partir do conhecimento acumulado pela inteligência artificial com base em dados e informações disponíveis na internet, muitas vezes marcados por preconceitos e vieses sociais, a ferramenta acabou por reproduzir estereótipos associados à condição neurodivergente da interlocutora.</span><span class="im"><br /><br />O artigo está disponível gratuitamente e pode ser acessado neste endereço: <a href="https://doi.org/10.21728/logeion.2025v11n2e-7589" target="_blank">https://doi.org/10.21728/logeion.2025v11n2e-7589</a>.</span></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Inteligência Artificial</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-07-07T19:26:47Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/livro-imagens-do-brasil">
    <title>Livro analisa imagens do Brasil em obras de escritores estrangeiros</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/livro-imagens-do-brasil</link>
    <description>Em maio, o IEA lançou o e-book “Imagens do Brasil: Quantos Espelhos?”, organizado por Celeste Ribeiro-de-Sousa. Disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP, a obra é resultante de simpósio homônimo realizado em novembro de 2022 pelo Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><a class="external-link" href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1583/1447/5729"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-imagens-do-brasil-1" alt="Capa do livro &quot;Imagens do Brasil&quot;" class="image-right" title="Capa do livro &quot;Imagens do Brasil&quot;" /></a></p>
<p>Em maio, o IEA lançou o e-book “<a class="external-link" href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1583/1447/5729">Imagens do Brasil: Quantos Espelhos?</a>”, organizado por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/celeste-de-sousa-1" class="external-link">Celeste Ribeiro-de-Sousa</a>. Disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP, a obra é resultante de simpósio homônimo realizado em outubro de 2022 pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-pesquisa/grupo-de-pesquisa-tempo-memoria-e-pertencimento" class="external-link">Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento</a>.</p>
<p>Além de questões ligadas ao uso e alcance do termo imagologia, os ensaios apresentam visões do Brasil presentes em obras de autores que viveram no país ou que apenas leram sobre ele em livros de terceiros.</p>
<p>De acordo com Ribeiro-de-Sousa, professora sênior de literatura de língua alemã da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e integrante do grupo de pesquisa do IEA, o objetivo do livro é estimular o debate sobre imagens literárias que espelham o Brasil, colocando em discussão algumas delas em contexto mais amplo.</p>
<p>Ela cita como exemplos os casos da escritora austríaca Paula Ludwig, as pinturas e desenhos da família francesa Taunay, dos italianos Giuseppe Ungaretti e Contardo Calligaris e do japonês Tatsuzo Ishikawa, que tiveram conhecimento da realidade brasileira in loco. No entanto, as visões do russo Daniil Kharms e do luso-angolano Luandino Vieira, que não viveram no país, "são inteiramente atravessadas por visões de outros. Aqui medram os estereótipos. E até os casos das narrativas dos indígenas Itapuku, Pedro Poti e Felipe Camarão são 'traduções' de europeus", afirma a organizadora do livro.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>Simpósio "Imagens do Brasil: Quantos Espelhos?"</strong><br />IEA - 24-26/10/2022</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2022/copy_of_imagens-do-brasil-quantos-espelhos?searchterm=Quantos+Espelhos" class="external-link">Vídeo1</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2022/ihttps:/www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2022/imagens-do-brasil-quantos-espelhos-2https:/www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2022/imagens-do-brasil-quantos-espelhos-2magens-do-brasil-quantos-espelhos-2" class="external-link">Vídeo2</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2022/copy_of_imagens-do-brasil-quantos-espelhos-3" class="external-link">Vídeo3</a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ela acrescenta que os ensaios permitem traçar um perfil sobre como os estrangeiros captam e traduzem literariamente a imagem do Brasil. Isso dá margem a um debate: "Em que medida essas imagens refletem o país que configuram ou são projeções de realidades que habitam seus autores; em que medida o país se reconhece ou não se reconhece nessas imagens e que implicações isso acarreta". O texto de abertura do conjunto de ensaios, "Ainda a Imagologia?", de Ribeiro-de-Sousa, historia e contextualiza na atualidade o conceito de imagologia na literatura comparada.</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mariana-holms" class="external-link">Mariana Holms</a>, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã da FFLCH-USP, participa do volume com "Um Espelho Austríaco - Paula Ludwig no Exílio: Imagens Literárias do seu Brasil". Segundo Holms, a forma como a poeta austríaca enxergou o Brasil subverteu, "pela via da identificação, o olhar de superioridade que geralmente se lança da Europa ao país tropical com sua sociedade supostamente degradada – quando comparada ao imaginário utópico construído pela tradição ocidental colonizadora".</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/carlos-guilherme-mota-jose-saramago-e-luandino-vieira/image" alt="Carlos Guilherme Mota, José Saramago e Luandino Vieira" title="Carlos Guilherme Mota, José Saramago e Luandino Vieira" height="302" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">As críticas do angolano Luandino Vieira à ''inocência entusiasmada'' brasileira são abordadas no ensaio de Tania Macedo; na foto, Vieira é o primeiro à direita, ao lado de José Saramago, quando os dois foram recebido pelo então diretor do IEA, Carlos Guilherme Mota, em 1987</dd>
</dl></p>
<p>"Um Espelho Francês: O Brasil do Século 19 pelas Lentes dos Taunay: Os Difíceis Trópicos na Perspectiva de uma Família de Artistas Francesas" é o título do ensaio de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/priscila-celia-giacomassi" class="external-link">Priscila Célia Giacomassi</a>, professora do Instituto Federal do Paraná e autora de tese de doutorado sobre a contribuição dos Taunay na construção da identidade nacional. É o único dos textos que não trata de escritores, mas sim de pintores e desenhistas. Na conclusão, Giacomassi afirma que "é inevitável dizer que os registros dos viajantes Taunay fazem parte da tessitura que forma a ideia de quem nós fomos e, portanto, somos". Acrescenta que "as penas e os pincéis dos Taunay viajaram para e pelo Brasil do Oitocentos, contribuindo com sua parcela para compor o grande mosaico – ainda hoje incompleto – daquilo que entendemos como a identidade brasileira".</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/aurora-fornoni-bernardini" class="external-link">Aurora Bernardini</a>, professora sênior da FFLCH-USP, é a autora de "Espelhos Italianos - A Imagem do Brasil segundo Giuseppe Ungaretti e Contardo Calligaris". Ela explica, a partir das considerações de Haroldo de Campos no artigo "Ungaretti e a Estética do Fragmento", que tanto a poesia quanto muitos momentos da ensaística do escritor italiano são caracterizados pela "poesia do fragmento". Essa forma se manifesta, escreve Bernardini, "na essencialidade com que Ungaretti formula seu juízo sobre o Brasil e, respectivamente, sobre Murilo Mendes, Vinicius de Moraes e Oswald de Andrade". Psicanalista e dramaturgo, Calligaris também "contribuiu para uma imagem do Brasil reveladora, além de apresentar pontos de contato com as impressões ungarettianas, de acordo com a autora. A tese principal para entender o Brasil proposta por Calligaris é a relação colono-colonizador, afirma Bernardini.</p>
<p>Apesar de a primeira leva de imigrantes japoneses ter chegado ao Brasil em 1908, só na década de 1930 os registros de imagens do país apareceram numa obra literária no Japão. Trata-se de "Sōbō", de Tatsuzo Ishikawa, ganhador do 1º Prêmio Akutagawa, criado em 1935. As impressões para o romance foram colhidas pelo escritor ao acompanhar cerca de mil imigrantes em viagem para o Brasil em 1930. Elas são o tema do texto "Espelho Japonês - Imagens do Brasil na Literatura de Tatsuzo Ishikawa Premiada em 1935", de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/neide-hissae-nagae" class="external-link">Neide Hissae Nagae</a>, professora sênior da FFLCH-USP.</p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoad/daniela-moutian" class="external-link">Daniela Mountian</a>, professora de língua e cultura russa do Instituto de Letras da UFRGS, retrata a presença do Brasil na literatura infantil do russo Daniil Kharms, precursor do absurdismo russo. O país é retratado como "não urbano e fora do seu tempo - não há referências a cidades ou a indústrias, elementos já presentes em testemunhos sobre o país naquele momento", comenta Mountian. Ela também tratou da presença brasileira em obras de outros dois russos, Ostáp Bénder e Samuil Marchk, e em tradução deste de um poema do britânico Rudyard Kipling.</p>
<p>"Espelhos Africanos - Da Admiração à Crítica: Imagens do Brasil na Literatura Angolana", de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoat/tania-celestino-de-macedo" class="external-link">Tania Macedo</a>, professora sênior do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH, aborda em seu ensaio a visão dos escritores angolanos sobre o Brasil desde o século 19, quando José da Silva Maia Ferreira publica o primeiro livro de poemas na África de língua portuguesa, escrito em parte no Brasil. Outros escritores angolanos comentados no texto são José Eduardo Agualusa e Luandino Vieira. Macedo ressalta que "a lúcida crítica à inocência entusiasmada" que os textos de Vieira realizam, inauguram uma nova perspectiva e forjam novas imagens do Brasil na literatura angolana".</p>
<p>O ensaio final do livro é "Espelhos Indígenas - Itapuku, Pedro Poti e Felipe Camarão", de autoria de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-de-almeida-navarro" class="external-link">Eduardo de Almeida Navarro</a>, professor titular do Departamento de Línguas Orientais da FFLCH-USP. Nas conclusões, Navarro afirma que o discurso indígena sobre a terra, sobre os europeus que passaram a dominá-la e sobre a cultura que se lhes impunha estava repleto de ambiguidades e de contradições: "Ao mesmo tempo em que vemos o índio católico Felipe Camarão atacar seu primo Pedro Poti por se ter aliado a protestantes, vemo-lo nutrir esperança de uma vida tradicional, como a de seus antepassados". Ele acrescenta que ao observar as críticas contundentes dos indígenas ao mundo civilizado e aos povos colonizadores da Europa pode-se perceber que nos séculos 16 e 17 já estavam em gestão concepções que encontrariam sua plena formulação com o Iluminismo.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: USP Imagens</span></p>
<div></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Literatura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-05-19T18:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/os-extremos-de-calor-na-regiao-metropolitana-de-sao-paulo">
    <title>Estudo mapeia extremos de calor na Região Metropolitana de São Paulo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/os-extremos-de-calor-na-regiao-metropolitana-de-sao-paulo</link>
    <description>Estudo de caso “Heat Extremes in Metropolitan Area of São Paulo: A Challenge”, do geógrafo Hugo Rogério de Barros, pesquisador do Centro de Síntese USP Cidades Globais (CS-USP-CG) do IEA, mapeia extremos de calor na Região Metropolitana de São Paulo.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-right captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/mapa-das-ocorrencias-de-extremos-de-calor-na-rmsp/image" alt="Mapa das ocorrências de extremos de calor na RMSP" title="Mapa das ocorrências de extremos de calor na RMSP" height="473" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Mapa dos riscos de extremos de calor na Região Metropolitana de São Paulo presente no estudo de Hugo Rogério de Barros</dd>
</dl></p>
<p>A abrangência territorial dos problemas de extremos de calor na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) revelam a necessidade de expandir políticas e planos climáticos sofisticados para os outros 38 municípios que compõem a região, de acordo com o geógrafo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/hugo-rogerio-de-barros">Hugo Rogério de Barros</a>, pesquisador do Centro de Síntese USP Cidades Globais (CS-USP-CG) do IEA.</p>
<p>Ele tratou da questão no estudo de caso “Heat Extremes in Metropolitan Area of São Paulo: A Challenge” (Extremos de Calor na Região Metropolitana de São Paulo: Um Desafio), publicado no dia 7 de maio no <a href="https://academiccommons.columbia.edu/doi/10.7916/7d8p-c860">repositório</a> das Bibliotecas da Universidade Columbia  e no repositório do <a href="https://environmentalsolutions.mit.edu/research/climate-change-and-cities-uccrn-collaboration/">Programa Cidades e Clima</a>, vinculado à Iniciativa Soluções Ambientais do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).</p>
<p>O programa do MIT é associado à <a href="https://uccrn.ei.columbia.edu/">Rede de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Urbanas </a>(UCCRN, na sigla em inglês), um consórcio global de mais de mil especialistas dedicados à análise da mitigação e adaptação às mudanças climáticas sob uma perspectiva urbana. Sediada no Instituto da Terra da Universidade Columbia e com centros em cidades ao redor do mundo, a UCCRN produz o <a class="external-link" href="https://uccrn.ei.columbia.edu/arc3.3">Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas e Cidades (ARC3)</a>, que fornece a base científica para as cidades em suas ações de adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas.</p>
<p>A partir dos resultados de seus trabalhos no IEA, Barros iniciou, em 2023, um processo de cooperação internacional entre o CS-USP-CG e a Universidade Columbia, via UCCRN. Agora a cooperação foi consolidada com a publicação de seu estudo baseado em dados meteorológicos estimados por sensoriamento remoto e editados em um sistema de informação geográfica (SIG).</p>
<p><strong>Desafio da adaptação</strong></p>
<p>Ele explica que o tema dos extremos de calor e sua associação com ondas de calor e ilhas de calor ganhou recentemente um espaço político e social especial nas agendas públicas, políticas e planos ambientais da RMSP, mas permanece o desafio de trabalhar a adaptação aos extremos de calor dentro da perspectiva das soluções baseadas na natureza (SBN) nas áreas urbanas da região.</p>
<p>De acordo com autores mencionados por Barros, é considerado um extremo de calor na RMSP quando a temperatura ultrapassa 32ºC, com a faixa de conforto térmico situada de 14 a 26ºC. Temperaturas acima dessa faixa ocasionam risco de morte por doenças associadas com estresse térmico in São Paulo.</p>
<p>Em trabalhos anteriores, Barros definiu os cenários para a expansão territorial da ilha de calor da RMSP para três diferentes condições meteorológicas associadas à intensidade do bloqueio atmosférico causado pela Alta Subtropical do Atlântico Sul (Asas). Também conhecida como Anticiclone do Atlântico Sul ou Anticiclone de Santa Helena, a Asas é um sistema de alta pressão semipermanente caracterizado pelo movimento para baixo de massas de ar, impedindo a formação de nuvens e chuva.</p>
<p>"Quanto mais próximo o centro da Asas estiver da superfície continental, maior será o bloqueio atmosférico e, consequentemente, isso determinará a expressão territorial da ilha de calor na cidade de São Paulo", afirma Barros no estudo atual. O geografo demonstrou que a dinâmica atmosférica pode aumentar a intensidade da ilha de calor em 5ºC na superfície e expandir em 697% sua área do centro da RMSP em direção à periferia.</p>
<p>Barros destaca que ainda é recente a atenção política e acadêmica aos impactos dos extremos de calor na vida dos moradores da RMSP, mas já são abordados no <a href="https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/governo/secretaria_executiva_de_mudancas_climaticas/arquivos/planclimasp/PlanClimaSP_BaixaResolucao.pdf">Plano de Ação Climática do Município de São Paulo 20220-2050 (PlanClima SP)</a>, com foco na avaliação dos riscos potenciais e nas vulnerabilidades do passado, presente e futuro. O plano de ação também apresenta considerações sobre o futuro da cidade quanto ao desenvolvimento de estratégias de adaptação, acrescenta o pesquisador.</p>
<p>No entanto, o estudo de Barros ressalta em sua conclusão que, na escala regional/metropolitana, está claro que os 38 municípios adicionais da RMSP também requerem a mesma atenção política e acadêmica para que sejam realizados estudos sobre extremos de calor e estratégias de adaptação.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>São Paulo (Cidade)</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Programa USP Cidades Globais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mudanças Climáticas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa USP Cidades Globais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Clima</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Região Metropolitana de São Paulo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Eventos extremos</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-05-13T16:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/livro-de-jeffrey-lesser">
    <title>Jeffrey Lesser lança livro sobre a desigualdade na saúde na cidade de São Paulo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/livro-de-jeffrey-lesser</link>
    <description>A Duke University Press lançou este mês o livro "Living and Dying in São Paulo - Immigrants, Health, and the Built Environment in Brazil", do historiador estadunidense Jeffrey Lesses, da Universidade Emory, dos EUA. A obra é resultado de pesquisa realizada no IEA.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><a class="external-link" href="https://www.dukeupress.edu/living-and-dying-in-sao-paulo"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-living-and-dying-in-sao-paulo" alt="Capa do livro &quot;Living and Dying in São Paulo&quot;" class="image-right" title="Capa do livro &quot;Living and Dying in São Paulo&quot;" /></a>A Duke University Press lançou este mês o livro "<a class="external-link" href="https://www.dukeupress.edu/living-and-dying-in-sao-paulo">Living and Dying in São Paulo - Immigrants, Health, and the Built Environment in Brazil</a>", do historiador estadunidense Jeffrey Lesser, da Universidade Emory, dos EUA. A obra é resultado da pesquisa "Metrópoles, Migração e Mosquitos: Uma História de Saúde em São Paulo, Brasil", desenvolvida por ele no IEA de 2015 a 2022, primeiro como professor visitante e depois como pesquisador colaborador patrocinado pela Emory.</p>
<p>A edição em português do livro será publicada em agosto pela Editora da Unesp. Assim como a edição em inglês, também terá versão digital de acesso livre. Essas versões digitais foram possíveis graças a recursos concedidos pela Fundação Andrew W. Mellon e pela Universidade Emory.</p>
<p><strong>Bom Retiro</strong></p>
<p>Em “Living and Dying in São Paulo”, Lesser elege o bairro paulistano do Bom Retiro como referência para analisar por que, ao longo da história, a má saúde — por motivos que vão da violência às doenças respiratórias, da malária à dengue — se distribui de forma desigual entre diferentes grupos sociais e nacionais no Brasil. A questão é examinada a partir das visões concorrentes de bem-estar no Brasil entre imigrantes que sofrem discriminação racial, formuladores de políticas públicas e autoridades da saúde.</p>
<p>Ele analisa a conturbada relação entre os moradores do Bom Retiro e o Estado, bem como as agências de saúde que supervisionam os esforços de saneamento comunitário desde meados do século 19, destacando os sistemas interconectados do ambiente construído, das leis e práticas de saúde pública, e da cidadania.</p>
<p>O livro estabelece um diálogo entre passado e presente utilizando materiais de arquivo, observação, histórias orais e dados geográficos/cartográficos. Para tanto, Lesser utiliza as técnicas de análise de discurso e abordagens da história social para dados, que incluem materiais produzidos por profissionais de saúde pública em níveis local, municipal e estadual, além de documentos gerados pelo público, incluindo instituições comunitárias, trabalhistas e religiosas. Como parte do projeto, ele atuou em uma equipe de atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:300px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/jeffrey-lesser-universidade-emory/image" alt="Jeffrey Lesser - Universidade Emory" title="Jeffrey Lesser - Universidade Emory" height="368" width="300" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:300px;">Jeffrey Lesser: ''Tenho especial interesse em como as pessoas vivem e trabalham dentro de estruturas sociais e materiais rígidas''</dd>
</dl></p>
<p><strong>Resíduos</strong></p>
<p>Lesser utiliza o conceito de “resíduos” para mostrar como legados históricos — materiais, legislativos e sociais, como  escravidão, imigração e desenvolvimento industrial — moldam a vida cotidiana e os desfechos de saúde no bairro na atualidade. Esses "resíduos" estão presentes em discussões do dia a dia sobretudo, desde violência armada até doenças transmitidas por seres humanos e animais. "Living and Dying in São Paulo" mostra como resíduos materiais afetam os desfechos de saúde, como pilhas de tecidos descartados que acumulam água e se tornam criadouros de mosquitos.</p>
<p>"Meu foco é compreender como as pessoas vivenciam diferentes aspectos de suas vidas cotidianas no Brasil, tanto no presente quanto no passado. Meus projetos recentes analisam como pacientes, profissionais de saúde e formuladores de políticas interagem entre si e com o ambiente construído. Tenho especial interesse em como as pessoas vivem e trabalham dentro de estruturas sociais e materiais rígidas, que muitas vezes interpretam erroneamente a relação entre causa (cultura) e efeito (doença), gerando problemas de saúde persistentes", afirma o historiador.</p>
<p><strong>Perfil</strong></p>
<p>Na Universidade Emory, Lesser é Professor Samuel Candler Dobbs. Sua especialidade é história da América Latina moderna, com foco em saúde, etnicidade, imigração e raça, especialmente no Brasil. Atualmente, integra o Grupo de Estudos Interculturais do IEA.</p>
<p>Ele obteve o Ph.D. em história na Universidade de New York em 1989, tendo como orientador o brasilianista <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/warnen-dean" class="external-link">Warren Dean</a> (1932-1994), que foi <a href="https://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/deanbotanicaimperial.pdf" class="external-link">conferencista</a> no IEA no final dos anos 80. Seu mestrado foi no Programa de Civilização Americana da Universidade Brown, onde se graduou em ciência política.</p>
<p>Na Universidade Emory, foi diretor do Programa de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos, do Departamento de História, do Instituto Tam de Estudos Judaicos e do Instituto Halle de Estudos Globais. Já lecionou em outras instituições dos Estados Unidos (Connecticut College, Occidental College e Universidade Brown), Israel (Universidade de Tel Aviv) e Brasil (USP, Unicamp e UFRJ).</p>
<p>Seus livros anteriores mais recentes são "Imigração, Etnicidade e Identidade Nacional no Brasil" (Cambridge University Press, 2013; Editora Unesp, 2015) e "Uma Diáspora Descontente: Nipo-Brasileiros e os Significados da Militância Étnica" (Duke University Press, 2007; Editora Paz e Terra, 2008).</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Universidade Emory/EUA</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>História</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Professores Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Saúde Pública</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Saúde</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-04-07T18:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/revista-estudos-avancados-113">
    <title>Dossiês de Estudos Avançados tratam de crise democrática, negacionismos e jornalismo sob pressão </title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/revista-estudos-avancados-113</link>
    <description>Edição 113 da revista Estudos Avançados, lançada em março de 2025, traz os dossiês "Democracia", "Negacionismos e Autoritarismos" e "Desinformação e Democracia".
</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-revista-estudos-avancados-113" alt="Capa da revista Estudos Avançados 113" class="image-right" title="Capa da revista Estudos Avançados 113" /></p>
<p>A <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2025.v39n113/">edição 113</a> da revista <a href="https://www.iea.usp.br/revista" class="external-link">Estudos Avançados</a>, correspondente ao primeiro quadrimestre de 2025, concentra seu foco nos percalços e disrupções que a democracia tem enfrentado tanto no Brasil quanto em outros países. O número é constituído de três dossiês: "Democracia", "Negacionismos e Autoritarismos" e "Desinformação e Democracia", que totalizam 19 artigos escritos por 34 pesquisadores de diversas universidades brasileiras [<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/revista-estudos-avancados-113#programacao" class="external-link">veja o sumário abaixo</a>].</p>
<p>O editor da revista, o sociólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sergio-franca-adorno-de-abreu" class="external-link">Sérgio Adorno</a>, aponta a convergência dos três conjuntos de textos e destaca que o primeiro deles, "Democracia", explora os dilemas atuais desse regime de governo, “muitos dos quais manifestos no declínio dos níveis de confiança nas instituições políticas e na emergência de projetos políticos populistas”.</p>
<p>A questão é discutida no artigo de abertura do dossiê, “A Democracia Tem Futuro?”, de Elisa Reis, da UFRJ. Ela defende que, embora seu caráter intrinsecamente expansivo não garanta por si só a sobrevivência da democracia, ele pode prover a base para o desenvolvimento de estratégias políticas que, combinando recursos humanos e tecnológicos, logrem "fomentar formas inovadoras para promover justiça, inclusão e participação, os elementos que dão vida à convivência democrática”.</p>
<p>O debate sobre o princípio da igualdade, um dos pilares da democracia, é essencial numa era que “se aprofundam desigualdades sociais de toda espécie”, como indica o editor. O tema é discutido em artigo de José Reinaldo de Lima Lopes, da Faculdade de Direito da USP, a partir da concepção de igualdade como pertencimento defendida por Aristóteles. Para o professor, a legitimidade democrática e republicana depende da ideia de justiça geral, na qual, igualdade significa pertencimento, sendo que a indiferença a ele constitui terreno fértil para a desconfiança e soluções autoritárias.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><i>Versões da edição</i></h3>
<p><i>O número 113 da revista Estudos Avançados já está disponível gratuitamente na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2025.v39n113/" target="_blank">Scientific Eletronic Library Online (SciELO)</a>. Em breve será lançada a versão impressa, ao custo de R$ 40,00 o exemplar.  Os interessados em comprar/reservar um exemplar ou fazer uma assinatura anual (três edições por R$ 100,00) devem enviar mensagem para <a class="mail-link" href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a>.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Caso brasileiro</strong></p>
<p>Trazendo a discussão sobre a democracia para a situação brasileira, o cientista político Bruno Reis, da UFMG, analisa a crise política vivida pelo país de 2013 a 2022. Seu trabalho busca uma síntese dos componentes presentes no período, examinando tópicos como dinâmica institucional e suas condições de estabilidade, disfuncionalidades na regulação do financiamento de campanhas eleitorais, a deriva rumo a um governo hostil à ordem constitucional, a interação da crise brasileira com o quadro internacional de corrosão democrática e as perspectivas para a superação da “deriva destrutiva”.</p>
<p>A crise da democracia brasileira também é discutida em estudo de sete pesquisadores da USP, Unesp, UFABC e Unifesp. O trabalho reflete sobre a dimensão jurídico-institucional dessa crise e suas especificidades diante do contexto global. “É preciso considerar o problema da democracia da perspectiva jurídico-institucional de forma sistemática e em sua complexidade e não de maneira restrita aos temas usualmente explorados dos sistemas partidário-eleitoral e de governo e do papel da atuação do Poder Judiciário”, afirmam os autores.</p>
<p><strong>Inteligências</strong></p>
<p>O dossiê também aborda mudanças que impactam a dinâmica dos regimes democráticos na atualidade, como a emergência da inteligência artificial (IA). Pesquisadores da UFMG e da UFG apontam que a coexistência das inteligências individual, coletiva e artificial proporciona novos desafios para a teoria democrática no contexto da interação humanos-máquinas.</p>
<p>Eles afirmam que não há uma determinação a priori sobre como humanos irão reconstruir suas formas de aprendizado nas camadas de inteligência individual e coletiva ao se alimentarem de feedbacks<i> </i>produzidos na camada de IA: “Os desafios são enormes e a centralidade humana é central para o futuro da democracia”.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/obra-de-elian-almeida-1/image" alt="Obra de Elian Almeida" title="Obra de Elian Almeida" height="321" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Reprodução de ''O Mais Importante É Inventar o Brasil que Nós Queremos'' (2021), de Elian Almeida; a imagem ilustra a edição da revista</dd>
</dl></p>
<p><strong>Reivindicações</strong></p>
<p>Outro tema abordado pelo dossiê são as promessas não cumpridas das tradições liberal-democráticas no que se refere às reivindicações feministas e antirracistas. O artigo de Luciana Tatagiba, da Unicamp, e Flávia Biroli, da UnB, faz uma leitura do que está em jogo na normalidade e na crise das democracias a partir de entrevistas feitas em 2023 com lideranças feministas e antirracistas brasileiras.</p>
<p>O fecho do dossiê é um estudo de caso feito por Jefferson Nascimento, doutorando na Uerj. Ele analisa o processo de militarização e de desdemocratização na Venezuela ao longo dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Nascimento comenta que no período de Chávez, os militares receberam incentivos para participar da política nas esferas institucionais, com a relação com o governo se aprofundando na administração de Maduro, garantindo sua sobrevivência no poder em meio à crise econômica e investidas de opositores, mas contribuindo para a corrosão do sistema democrático do país.</p>
<p>Essa corrosão do sistema democrático em várias partes do mundo é acentuada direta ou indiretamente por vários fatores. Um deles é o negacionismo, a crença de uma suposta perda de legitimidade das ciências sob diferentes perspectivas.</p>
<p><strong>Negacionismos</strong></p>
<p>O segundo dossiê da edição, “Negacionismos e Autoritarismo”, discute o tema sob diferentes perspectivas. Entre elas, o editor da revista cita a ausência de um movimento negacionista no Brasil do porte dos que ocorrem em outros países; o predomínio de ataques negacionistas a questões de políticas públicas (vacinas, universidades, políticas sociais); o pressuposto de um negacionismo epistêmico; e embates entre autoridade epistêmica e usos da ciência a partir dos debates ocorridos na CPI da Covid.</p>
<p>Adorno acrescenta que negacionismos “estão igualmente presentes, atuantes e fortes na esfera pública e política, em especial nesta era de polarização e extremismos à direita”. Isso é revelado nos artigos do dossiê que tratam de anti-intelectualismo, cultivo da masculinidade e eliminação das perspectivas de gênero nas políticas do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo Bolsonaro. O fecho do elenco de textos é uma resenha sobre o livro “Dicionário de Negacionismos no Brasil”, organizado por José Szwako e José Luiz Ratton.</p>
<p><strong>Desinformação</strong></p>
<p>Mas o negacionismo não é um fenômeno isolado a corroer a credibilidade das informações disponíveis ao público, recurso fundamental para o exercício pleno da cidadania numa sociedade democrática. Nesse contexto de debate público deteriorado, o dossiê “Desinformação e Democracia” completa a análise do complexo quadro contemporâneo com artigos escritos por integrantes e convidados do Grupo de Pesquisa Jornalismo, Direito e Liberdade, do IEA.</p>
<p>Os textos discutem temas como a necessidade de aprofundar o conceito de desinformação; as tendências do jornalismo transnacional com seus processos de validação de dados por agências de informações; os riscos ao jornalismo e à democracia representado pelas plataformas digitais; o cerceamento das liberdades de imprensa e de expressão promovidos e incentivados pelo governo federal, especialmente na gestão Bolsonaro; e o papel das mídias sociais nas disrupções da democracia.</p>
<hr />
<p> </p>
<h3><strong><a name="programacao"></a>Sumário de Estudos Avançados 113</strong></h3>
<p><strong>Democracia</strong></p>
<ul>
<li>A Democracia Tem Futuro? – <i>Elisa Reis</i></li>
<li>Igualdade e Justiça Hoje, Seguindo Aristóteles – <i>José Reinaldo de Lima Lopes</i></li>
<li>Dinâmica Institucional e Lastro Internacional: Para um Diagnóstico da Crise Política Brasileira (2013-2022) – <i>Bruno Pinheiro Wanderley Reis</i></li>
<li>Crise da Democracia Brasileira e Arranjos Jurídico-Institucionais – <i>Murilo Gaspardo, Maria Paula Dallari Bucci, Vanessa Corsetti Gonçalves Teixeira, Carolina Gabas Stuchi, José Duarte Neto, Rubens Beçak e Daniel Campos de Carvalho</i></li>
<li>Inteligência Artificial e Democracia: Humanos, Máquinas e Instituições Algorítmicas – <i>Fernando Filgueiras, Ricardo Fabrino Mendonça e Virgílio Almeida</i></li>
<li>Críticas Feministas à Democracia no Brasil: Análises da Crise e dos Limites da Normalidade – <i>Luciana Tatagiba e Flávia Biroli</i></li>
<li>Militarização e Desdemocratização ao longo dos Governos Chavistas na Venezuela – <i>Jefferson Nascimento</i></li>
</ul>
<p><strong>Negacionismos e Autoritarismos</strong></p>
<ul>
<li>Os Sentidos da Crise ou Manifesto Reflexivo sobre Negacionismos e Ciências -- <i>José Szwako</i></li>
<li>Negacionismo Epistêmico – <i>Renan Springer de Freitas</i></li>
</ul>
<ul>
<li>A Vida Pública de Fatos Científicos: Ciência e Política na CPI da Pandemia no Brasil – <i>Daniel Edler Duarte, Pedro Benetti e Marcos César Alvarez</i></li>
<li>“Boa Guerra, Garoto(s)!”: Bolsonarismo, “Anti-Intelectualismo” e Masculinidade – <i>Maria Caramez Carlotto</i></li>
<li>“Mulher” e “Família”: O Senso-Comum como Política Pública no Governo Bolsonaro – <i>Marília Moschkovich</i></li>
<li>O Passado, a Intermitência e o Futuro de uma Ilusão – <i>Daniel Afonso da Silva</i></li>
<li>De A a Z: Um Guia para Entender os Negacionismos – <i>Guilherme Queiroz Alves</i></li>
</ul>
<p><strong>Desinformação e Democracia</strong></p>
<ul>
<li>Desinformação, Democracia e Regulação – <i>Vitor Blotta e Eugênio Bucci</i></li>
<li>Do Jornalismo Transnacional aos Experimentos em <i>Blockchain</i> no Combate à Desinformação – <i>Magaly Prado e Ben Hur Demeneck</i></li>
<li>Ameaças das Plataformas Digitais ao Jornalismo: Contributos para a Regulação – <i>Rogério Christofoletti</i></li>
<li>Cala a Boca, Jornalista: Intimidação e Desinformação como Políticas de Estado – <i>Camilo Vannuchi, João Gabriel de Lima e Taís Gasparian</i></li>
<li>Mídias sociais e as Disrupções da Democracia – <i>Clifford Griffin e Vitor Blotta</i></li>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Autoritarismo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Exposição</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revistas IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Negacionismo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Democracia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Jornalismo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-04-03T18:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>




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