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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 51 to 65.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/as-relacoes-entre-ciencia-e-sociedade-no-contexto">
    <title>As relações entre ciência e sociedade no contexto das mudanças climáticas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/as-relacoes-entre-ciencia-e-sociedade-no-contexto</link>
    <description>O IEA promove um seminário sobre o tema no dia 6 de novembro, às 10 horas, no Auditório Abrahão de Moraes, do Instituto de Física.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p class="ecxmsonormal"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/poluicao-atmosferica" alt="Poluição Atmosférica" class="image-right" title="Poluição Atmosférica" />Divulgada em setembro, a primeira parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) traça cenários preocupantes para a elevação da temperatura do planeta nas próximas décadas. No entanto, apesar do tom de alerta desse e de relatórios anteriores do IPCC, as emissões de gases do efeito estufa permanecem altas e o ceticismo em torno da teoria do aquecimento global segue mobilizando opiniões.</p>
<p class="ecxmsonormal">Para discutir esse contexto, marcado pelas complexas relações entre ciência, tecnologia e sociedade, o IEA realiza, no dia 6 de novembro, às 10 horas, no Auditório Abrahão de Moraes do Instituto de Física (IF), o seminário <i>Aquecimento Global e Mudanças Climáticas</i> (click <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/aquecimento-global-e-mudancas-climaticas" class="external-link">aqui</a> para acessar o vídeo).</p>
<p class="ecxmsonormal">Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/grupos-de-pesquisa/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, o encontro abordará o tema com foco nas interfaces entre ciência do clima, modelos de desenvolvimento e políticas públicas.</p>
<p class="ecxmsonormal">Entre os expositores do seminário estão o físico <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/alexandre-araujo-costa" class="external-link">Alexandre Costa</a>, integrante do <a class="external-link" href="http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/pt/">Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas</a>, que publicou em setembro o<span style="text-align: justify; "> <a class="external-link" href="http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/documentos/MCTI_PBMC_Sumario%20Executivo%204_Finalizado.pdf">Sumário Executivo d</a><a class="external-link" href="http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/documentos/MCTI_PBMC_Sumario%20Executivo%204_Finalizado.pdf">o GT1 – Base Científica das Mudanças Climáticas</a> do Primeiro Relatório de Avaliação Nacional</span>. Costa foi gerente do Departamento de Metodologia e Oceanografia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e atualmente é professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE).</p>
<p class="ecxmsonormal">Também participam do encontro o filósofo e historiador da ciência <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/hugh-matthew-lacey" class="external-link">Hugh Lacey</a>, professor visitante do IEA, e o sociólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/jose-correa-leite-junior" class="external-link">José Corrêa Leite Junior</a>, participante do Projeto Temático Fapesp Gênese e Significado da Tecnociência: Das Relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, vinculado ao grupo de pesquisa do IEA.</p>
<p class="ecxmsonormal">O seminário é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia, que deve ser feita pelo e-mail <a href="mailto:leila.costa@usp.br">leila.costa@usp.br</a>. <span>O Auditório Abrahão de Moraes do IF fica na rua do Matão, Travessa R, 187, Cidade Universitária, São Paulo (</span><a class="external-link" href="https://maps.google.com.br/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=Travessa+R,+187+-+Cidade+Universit%C3%A1ria+Armando+Salles+de+Oliveira,+Butant%C3%A3,+S%C3%A3o+Paulo&amp;aq=&amp;sll=-14.239424,-53.186502&amp;sspn=69.315436,79.013672&amp;vpsrc=6&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=Travessa+R,+187+-+Butant%C3%A3,+S%C3%A3o+Paulo&amp;ll=-23.561273,-46.735062&amp;spn=0.004253,0.004823&amp;t=h&amp;z=18&amp;iwloc=A">localização</a><span>).</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sociologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mudanças Climáticas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-10-29T13:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/o-papel-das-humanidades-na-biomedicina">
    <title>O papel das humanidades na biomedicina</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/o-papel-das-humanidades-na-biomedicina</link>
    <description>Mesa-redonda 'O Papel das Humanidades no Campo da Biomedicina' acontece no dia 8 de novembro, às 9h30, no Auditório do Museu de Arte Contemporânea da USP.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<div class="kssattr-target-parent-fieldname-text-49e4af59716541688f0219dc65343721 kssattr-macro-rich-field-view kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-atfieldname-text " id="parent-fieldname-text-49e4af59716541688f0219dc65343721">
<p style="text-align: justify; ">Fala-se de humanização nos serviços de saúde. Mas qual é o lugar das humanidades no campo da saúde, marcado pela preponderância da biomedicina? A questão será debatida na mesa-redonda <i>O Papel das Humanidades no Campo da Biomedicina</i>, no dia 8 de novembro, às 9h30, no Auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, com transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/" class="external-link">web</a>.</p>
<p style="text-align: justify; ">A mesa-redonda é organizada pelo <span><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/grupos-de-pesquisa/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> e terá como debatedores</span><span dir="ltr"> </span><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/nicolas-lechopier%20%20%20/nicolas-lechopier-a" class="external-link">Nicolas Lechopier</a>, professor visitante do IEA e integrante da Université Claude Bernard de Lyon 1, França; <span class="external-link"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/rodolfo-franco-puttini" class="external-link">Rodolfo Puttini</a>, membro de grupo de pesquisa e professor da Unesp, e </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/jose-ricardo-de-carvalho-mesquita-ayres" class="external-link">José Ricardo Ayres (FM)</a>, professor da Faculdade de Medicina da USP.</p>
<p style="text-align: justify; "><span dir="ltr">O debate tratará de três tópicos:</span></p>
<ul>
<li><span dir="ltr">o significado de "humanidades": quais são os possíveis quadros teóricos, disciplinares, metodológicos? existem </span><span>"humanidades médicas"?</span></li>
<li><span>o papel (atual, futuro, desejável) das humanidades no campo da biomedicina e saúde pública ( nas práticas, no atendimento, nas políticas etc.); quais as tentativas existentes no Brasil e no exterior?</span></li>
<li><span>quais são os desafios para a formação de profissionais da saúde? da diversidade de olhares e situações de formações podem surgir propostas/problemáticas em comum? a partir desse contexto, quais os próximos passos?</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify; "><span>Para participar é preciso se inscrever via e-mail para </span><a class="mail-link" href="mailto:leila.costa@usp.br">leila.costa@usp.br</a><span>. O Auditório do MAC fica na rua Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, São Paulo (</span><a class="external-link" href="https://maps.google.com.br/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=Museu+de+Arte+Contempor%C3%A2nea+da+USP&amp;aq=&amp;sll=-23.559326,-46.733372&amp;sspn=0.009992,0.013797&amp;vpsrc=0&amp;g=Rua+do+Mat%C3%A3o,+1226+-+Cidade+Universit%C3%A1ria+S%C3%A3o+Paulo-SP&amp;ie=UTF8&amp;ll=-23.558008,-46.720884&amp;spn=0.009992,0.013797&amp;t=m&amp;z=16&amp;iwloc=A&amp;cid=7050718149060897342" target="_blank"><i>localização</i></a><span>).<br /></span></p>
<table class="plain">
<tbody>
<tr>
<th><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/o-papel-das-humanidades-no-campo-da-biomedicina" class="external-link">ASSISTA AO VÍDEO DO EVENTO</a></th>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Humanidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Biomedicina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-11-06T19:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/as-transformacoes-no-campo-da-etica-da-pesquisa-em-perspectiva">
    <title>As transformações na ética da pesquisa em perspectiva</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/as-transformacoes-no-campo-da-etica-da-pesquisa-em-perspectiva</link>
    <description>O filósofo da ciência Nicolas Lechopier, professor visitante do IEA, fará uma conferência sobre o tema no dia 26 de novembro, às 9h30, no Auditório do MAC. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/copy_of_NicolasLechopier.jpg" style="float: right; " title="Nicolas Lechopier" class="image-inline" alt="Nicolas Lechopier" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O filósofo da ciência<br />Nicolas Lechopier,<br /> professor visitante do<br />IEA, será o conferencista</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O campo da ética da pesquisa científica, estruturado e consolidado nos anos de 1970 e 1980, vem passando por transformações, segundo o filósofo da ciência <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/nicolas-lechopier%20%20%20" class="external-link">Nicolas Lechopier</a>, da Université Claude Bernard Lyon 1, França, e professor visitante do IEA. No dia 26 de novembro, às 9h30, ele tratará do tema na conferência <i>Ética da Pesquisa</i>, que acontece no Auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.</p>
<p>No encontro, Lechopier falará sobre as transformações em curso na área e avaliará a necessidade de novas abordagens. De acordo com o conferencista, uma série de tópicos já vêm sendo discutidos, <span>"como os modelos de justiça subjacentes, a restituição dos resultados das pesquisas às comunidades, pesquisas-ações-participativas, a importância das experiências e dos saberes do pesquisado e o acesso a dados disponibilizados na internet".</span></p>
<p>Para exemplificar esse cenário de mutações, o filósofo da ciência cita o caso das críticas ao "modelo principalista". Tido como um dos pilares da bioética e das práticas nas investigações médicas, o modelo se baseia em quatros princípios morais elementares propostos por Tom Beauchamp e James Childress: beneficência, autonomia, justiça e não-maledicência.</p>
<p>Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/grupos-de-pesquisa/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a>, o evento é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia, que deve ser feita através do e-mail <a class="external-link" href="http://leila.costa@usp.br">leila.costa@usp.br</a>. Haverá transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a>. O Auditório do MAC fica na rua Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, São Paulo.</p>
<p><strong>CONFERENCISTA</strong></p>
<p>Nicolas Lechopier também integra o Institut Français de l'Éducation da École Normale Supérieure de Lyon, França. É doutor em filosofia e história da ciência pela Université Paris 1 Panthén-Sorbonne e pós-doutor pela USP e pela Université du Québec à Montréal, Canadá. Seus estudos concentram-se na área de epistemologia social e ética da saúde pública; educação e promoção da saúde; e abordagens participativas e comunitárias.</p>
<p> </p>
<h3></h3>
<h3>RELACIONADO</h3>
<p><strong>Notícias</strong></p>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/filosofo-analisa-a-participacao-na-saude-publica" class="external-link">Filósofo analisa a participação na saúde pública</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/a-participacao-na-saude-publica" class="external-link">A participação na saúde pública</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/especialistas-debatem-a-analise-critica-de-dispositivos-da-saude-publica" class="external-link">Especialistas debatem a análise crítica de dispositivos da saúde pública</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/o-papel-das-humanidades-na-biomedicina" class="external-link">O papel das humanidades na biomedicina</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/os-dispositivos-da-saude-publica-vistos-sob-diversos-angulos" class="external-link">Os dispositivos da saúde pública vistos sob diversos ângulos</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/medicicina-e-saude-sao-os-proximos-temas-do-seminario-sobre-filosofia-e-historia-da-ciencia" class="external-link">Seminário de filosofia e história da ciência analisa medicina e saúde</a></span></li>
</ul>
<p><strong>Vídeos</strong></p>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2012/quatro-tensoes-na-saude-publica" class="external-link">Quatro Tensões na Saúde Pública</a></span></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2012/dispositivos-de-saude-publica-2014-quais-as-abordagens-criticas" class="external-link">Dispositivos de Saúde Pública — Quais as Abordagens Críticas?</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/etica-da-pesquisa" class="external-link">Ética da Pesquisa</a></li>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ética</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-11-25T15:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/risco-e-incerteza">
    <title>Os conceitos de risco e incerteza em perspectiva</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/risco-e-incerteza</link>
    <description>O tema será abordado pela socióloga portuguesa Helena Mateus Jerónimo no primeiro encontro do 25º Seminário Internacional de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia, que o IEA promove no dia 13 de março, às 9h30. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; ">As especificidades dos conceitos de risco e incerteza no contexto da sociedade tecnocientífica foram exploradas na conferência <i>Questionando os Conceitos de Risco e Incerteza em Problemas de Base Científico-tecnológica</i>, que aconteceu no dia 13 de março, às 9h30, na Sala de Eventos do IEA.</p>
<p style="text-align: left; ">Tratou-se do primeiro de uma série de quatro encontros do 25º <i>Seminário Internacional de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</i> (veja programação abaixo), que contou com a socióloga portuguesa <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/helena-mateus-jeronimo" class="external-link">Helena Mateus Jerónimo</a> como expositora. Os primeiros encontros são dedicados à discussão teórica dos conceitos de risco e incerteza e os últimos, à análise de diferentes estudos de caso.</p>
<p style="text-align: left; ">Jerónimo é doutora pela University of Cambridge, Reino Unido, professora do Instituto Superior de Economia e Gestão (Iseg) da Universidade Técnica de Lisboa (UTL) e pesquisadora do Centro de Investigação em Sociologia Econômica e das Organizações (Socius) da UTL, onde desenvolve estudos na área de sociologia da ciência, da tecnologia e do ambiente.</p>
<p style="text-align: left; ">Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, o seminário é coordenado pelo filósofo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/pablo-ruben-mariconda" class="external-link">Pablo Mariconda</a>, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador do grupo.</p>
<p style="text-align: left; ">Gratuitos, abertos ao público e sem necessidade de  inscrição, os quatro encontros foram realizados de 13 de março a 4 de abril, sempre às 09h30, na Sala de  Eventos do IEA, que fica na rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar  (<a href="https://www.iea.usp.br/iea/localizacao">localização</a>). Haverá transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a>. Para mais informações, envie mensagem para <a href="mailto:clauregi@usp.br">clauregi@usp.br</a> ou para leila.costa@usp.br.</p>
<p style="text-align: left; "><b> </b></p>
<p><b>PRIMEIRO ENCONTRO</b></p>
<table class="tabela-direita-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/xxv-seminario-internacional-de-filosofia-historia-e-sociologia-da-ciencia-e-da-tecnologia-1o-seminario" class="external-link">Vídeo</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/xxv-seminario-internacional-de-filosofia-historia-e-sociologia-da-ciencia-e-da-tecnologia-13-de-marco-de-2014" class="external-link">Fotos</a> do evento.</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Na conferência de abertura do seminário, Jerónimo explicitou o conceito de risco e o de incerteza com foco nos impactos gerados pelos fenômenos de base técnico-científica. A partir disso, fez o questionamento teórico dessas conceituações, destacando os aspectos que as distinguem.</p>
<p style="text-align: left; ">De acordo com a pesquisadora, "defender uma concepção baseada no risco ou na incerteza não é uma opção indiferente, principalmente em processos controversos que envolvem perigos sérios, consequências imprevisíveis e uma solução tecnológica. Risco e incerteza apontam para uma interpretação e uma orientação específicas, desencadeando, por isso, diferentes implicações políticas. O risco está associado à prevenção, ao passo que os vários tipos de incerteza estão articulados à precaução".</p>
<p style="text-align: left; ">Entre as questões abordadas por Jerônimo no encontro, estão: o conceito de risco é inequívoco o bastante para caracterizar as atuais sociedades e os problemas ambientais, que têm, em geral, um caráter extensivo, duradouro e global? Esse conceito pode ser usado como instrumento-chave para um modelo de avaliação e orientação desses novos problemas ambientais? E pode-se confiar apenas aos peritos da ciência e da tecnologia a avaliação, predição e resolução destes problemas?</p>
<p style="text-align: left; "><b><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/xxv-seminario-internacional-de-filosofia-historia-e-sociologia-da-ciencia-e-da-tecnologia-1o-seminario" class="external-link"></a></b></p>
<table class="plain">
<tbody>
<tr>
<th colspan="2"><b>PROGRAMAÇÃO<br /><span>25º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA, HISTÓRIA E SOCIOLOGIA DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA</span> </b></th>
</tr>
<tr>
</tr>
<tr>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center; "><b>13 de março<br />09h30</b></td>
<td><i>Questionando os Conceitos de Risco e Incerteza em Problemas de Base Científico-tecnológica<br /><b>Expositora:</b> Helena Mateus Jerónimo<br /></i></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center; "><b>20 de março<br />09h30</b></td>
<td><i>A Peritagem Científica: Suas Especificidades no Saber e na Ação <br /><i><b>Expositora:</b> Helena Mateus Jerónimo</i><br /></i></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center; "><b>28 de março<br />09h30</b></td>
<td><i>Quando as Incertezas são Reduzidas a Riscos: O conflito em Redor dos Resíduos Perigosos em Portugal<i><br /><i><b>Expositora: </b>Helena Mateus Jerónimo</i></i></i></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center; "><b>04 de abril<br />09h30</b></td>
<td><i>A Catástrofe Continuada: O Acidente de Fukushima e as Incertezas das Centrais Nucleares <i><br /><i><b>Expositora: </b>Helena Mateus Jerónimo</i></i></i></td>
</tr>
</tbody>
</table>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Tecnociência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-02-26T19:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/peritagem-cientifica">
    <title>Risco e incerteza no contexto da peritagem científica </title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/peritagem-cientifica</link>
    <description>O tema será abordado pela socióloga portuguesa Helena Mateus Jerónimo em conferência no IEA-USP no dia 20 de março, às 9h30. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/helena-mateus-jeronimo-1-1" alt="Helena Mateus Jerónimo - 1" class="image-inline" title="Helena Mateus Jerónimo - 1" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>A socióloga Helena Mateus Jerónimo</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No momento em que a ciência é cada vez mais chamada a esclarecer, justificar e fundamentar decisões tomadas nas instâncias políticas, faz-se necessário refletir sobre o trabalho de peritagem científica. É o que fará a socióloga portuguesa <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/helena-mateus-jeronimo" class="external-link">Helena Mateus Jerónimo</a><span>, da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), </span><span>na conferência </span><i>A Peritagem Científica: Suas Especificidades no Saber e na Ação</i><span>, no </span><span>dia 20 de março, às 9h30, na Sala de Eventos do IEA.</span></p>
<p>No encontro, Helena Mateus fará uma discussão sobre a interface entre o mundo do conhecimento e o mundo da decisão com foco nos conceitos de risco e de incerteza. Para isso, abordará as tensões entre ciência e política trazidas à tona pela peritagem científica.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<h3>Relacionado</h3>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/xxv-seminario-internacional-de-filosofia-historia-e-sociologia-da-ciencia-e-da-tecnologia-2o-seminario" class="external-link">Vídeo</a> do evento</span></li>
</ul>
<p><strong><br />Notícia</strong></p>
<ul>
<li><strong><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/os-conceitos-de-risco-e-incerteza-em-perspectiva" class="external-link">Os conceitos de risco e incerteza em perspectiva</a></strong></li>
</ul>
</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Helena Mateus é doutora pela University of Cambridge, Reino Unido, professora do Instituto Superior de Economia e Gestão (Iseg) da UTL e pesquisadora do Centro de Investigação em Sociologia Econômica e das Organizações (Socius) da mesma universidade, onde desenvolve estudos na área de sociologia da ciência, da tecnologia e do ambiente.</p>
<p>A exposição da socióloga se concentrará em três pontos: mostrar como a peritagem científica amplifica a complexidade das relações entre ciência, sistema tecnológico e valores sociais e políticos; ilustrar, a partir de estudos de caso, a multiplicidade de formatos da peritagem científica; e analisar a tendência de os peritos subestimarem as incertezas inerentes a muitos dos fenômenos que são chamados a avaliar e a se confinarem numa linguagem probabilística do risco.<span> </span></p>
<p><strong>SEMINÁRIO</strong></p>
<p>A conferência é a segunda das quatro que compõem o 25º <i>Seminário Internacional de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</i> (<i>veja programação abaixo</i>), todas com Helena Mateus como expositora.<span> </span></p>
<p>Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, o seminário é coordenado pelo filósofo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/pablo-ruben-mariconda" class="external-link">Pablo Mariconda</a>, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador do grupo.</p>
<p>Gratuito, aberto ao público e sem necessidade de inscrição, o evento terá transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">web</a>. A Sala de Eventos do IEA fica na rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar (<a href="https://www.iea.usp.br/iea/localizacao">localização</a>). Para mais informações, envie mensagem para <a class="mail-link" href="mailto:leila.costa@usp.br">leila.costa@usp.br</a>.</p>
<p> </p>
<h3><span><strong>PROGRAMAÇÃO</strong></span></h3>
<table class="plain">
<tbody>
<tr>
<th colspan="3">
<h3>25º Seminário Internacional de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</h3>
</th>
</tr>
<tr>
<td><strong>DIA</strong></td>
<td><strong>Hora</strong></td>
<td><strong>TEMA</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>13 de março</strong></td>
<td><strong>9h30</strong></td>
<td><strong><strong><i>Questionando os Conceitos de Risco e Incerteza em Problemas de Base Científico-Tecnológica</i></strong></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>20 de março</strong></td>
<td><strong>9h30</strong></td>
<td><strong><strong><i>A Peritagem Científica: Suas Especificidades no Saber e na Ação </i></strong></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>28 de março</strong></td>
<td><strong>9h30</strong></td>
<td><strong><strong><i><strong>Quando as Incertezas são Reduzidas a Riscos: </strong><strong>O conflito em Redor dos Resíduos Perigosos em Portugal</strong></i></strong></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>4 de abril</strong></td>
<td><strong>9h30</strong></td>
<td><strong><i><span>A Catástrofe Continuada: O Acidente de Fukushima </span><span>e as Incertezas das Centrais Nucleares </span></i></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Tecnociência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-03-13T18:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/evento-discute-a-seca-em-sao-paulo">
    <title>Seminário discute a seca em São Paulo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/evento-discute-a-seca-em-sao-paulo</link>
    <description>O debate "Verão 2013/14 e Cenários de Estresse Hídrico" acontece no dia 19 de março,  às 14 horas, na Sala de Eventos do IEA.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/reservatorio-jaguari-sistema-cantareira" alt="Reservatório Jaguari - Sistema Cantareira - 1" class="image-inline" title="Reservatório Jaguari - Sistema Cantareira - 1" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><b>Reservatório Jaguari,<br />integrante do Sistema Cantareira</b></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A estação chuvosa de 2013/14 deu lugar a um período prolongado de estiagem, que colocou em risco o fornecimento de água na Grande São Paulo. A área de mananciais mais afetada foi a do Sistema Cantareira, que atingiu níveis recordes de baixa das reservas (atualmente em torno de 15% da capacidade operacional). O contexto dessa crise será discutido no seminário <i>Verão 2013/14 e Cenários de Estresse Hídrico</i>, que acontece no dia 19 de março, às 14 horas, na Sala de Eventos do IEA.</p>
<p>Dividido em duas mesas-redondas (<i>veja programação abaixo</i>), ambas mediadas por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/pedro-roberto-jacobi" class="external-link">Pedro Jacobi</a>, coordenador do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA, o debate traçará um panorama dessa situação crítica e discutirá as perspectivas para o futuro a partir de um enfoque que relacionará o atual cenário de estresse hídrico com as dimensões institucional e de governança da água e seus desdobramentos no plano socioambiental e na segurança alimentar.</p>
<p>A primeira mesa, <i>Água, um Futuro Ameaçado</i>, terá a participação de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/mauricio-de-carvalho-ramos" class="external-link">Maurício de Carvalho Ramos</a>, professor da Faculdade de Filosofia, Letras, e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/susana-prizendt" class="external-link">Susana Prizendt</a>, coordenadora do Comitê Paulista da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida; e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/marcio-miguel-automare" class="external-link">Marcio Automare</a>, analista de desenvolvimento organizacional da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP).</p>
<p>A segunda mesa terá como tema <i>Estresse Hídrico na Região Metropolitana de São Paulo</i>. Os debatedores serão <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/daniela-campos-liborio-di-sarno" class="external-link">Daniela Libório de Sarno</a>, professora da Faculdade de Direito da PUC-SP e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU); e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/wagner-costa-ribeiro" class="external-link">Wagner Costa Ribeiro</a>, integrante do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade.</p>
<p>Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/meio-ambiente-e-sociedade" class="external-link">Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade</a> e pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a>, o debate conta com o apoio do Centro de Estudos de Governança Socioambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP.</p>
<p>O evento é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia. A Sala de Eventos do IEA fica na rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar (<a href="https://www.iea.usp.br/iea/localizacao">localização</a>). Quem não puder comparecer, poderá acompanhar a transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">web</a>. Para fazer a inscrição e obter mais informações, envie mensagem para <a class="mail-link" href="mailto:leila.costa@usp.br">leila.costa@usp.br</a>.</p>
<h3>PROGRAMAÇÃO</h3>
<table class="plain">
<tbody>
<tr>
<th colspan="2">
<h3>VERÃO 2013/14 E CENÁRIOS DE ESTRESSE HÍDRICO<br />19 de março de 2014</h3>
</th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: left; "><b> <br />14h </b></td>
<td><i><b><span style="text-align: start; ">Mesa-redonda 1 — Água, o Futuro Ameaçado</span></b></i><b><br />Moderação: </b><span style="text-align: start; ">Pedro Jacobi (FE, Procam e IEA)</span><b><br /><b>Debatedores: </b></b><span style="text-align: start; "><span style="text-align: start; "><span style="text-align: start; ">Maurício de Carvalho Ramos (FFLCH e IEA), Suzana Prinzedit (Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida) e Marcio Automare (Itesp e IEA)</span></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td><b>15h15</b></td>
<td><i><b><span style="text-align: start; ">Mesa-Redonda 2 — Estresse Hídrico na Região Metropolitana de São Paulo</span></b></i><b><br /><b>Moderação: </b></b><span style="text-align: start; "><span style="text-align: start; "><span style="text-align: start; ">Pedro Jacobi (FE, Procam e IEA)</span><span style="text-align: start; "><span style="text-align: start; "><br /><b>Debatedores: </b><span style="text-align: start; ">Daniella Libório de Sarno (PUC-SP e IBDU)<span style="text-align: start; "> e Wagner Costa Ribeiro (FFLCH, Procam e IEA)</span></span></span></span></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td><b>16h30</b></td>
<td><b><i>Debate e encerramento</i></b></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Tomas May/Banco de Imagens da ANA</span></p>
<p style="text-align: left; "> </p>
<p><b>ASSISTA AO VÍDEO AQUI:<br /><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/verao-2013-14-e-cenarios-de-estresse-hidrico" class="external-link">Verão 2013/14 e Cenários de Estresse Hídrico</a></b></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Ciências Ambientais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Água</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-03-14T12:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/entrevista-hugh-lacey">
    <title>O modelo de Hugh Lacey para a análise da relação entre valores e atividade científica</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/entrevista-hugh-lacey</link>
    <description>O professor visitante Hugh Lacey fala em entrevista sobre seu modelo de interação entre valores e práticas científicas, que destaca-se por incluir num mesmo quadro analítico questões epistemológicas e implicações concretas da ciência na sociedade contemporânea.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/hugh-lacey-1" alt="Hugh Lacey" class="image-inline" title="Hugh Lacey" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O filósofo Hugh Lacey durante um dos seminários que realizou em 2013</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span>Autor de extensa obra voltada para a crítica da ciência, o filósofo </span><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/hugh-matthew-lacey" class="external-link">Hugh Lacey</a><span>, professor emérito do Swarthmore College, EUA, rejeita tanto o objetivismo positivista, que contesta a influência de valores na atividade científica, quanto o relativismo pós-moderno, que nega a distinção entre os valores cognitivos e os valores éticos e sociais. Adepto de um ponto de vista intermediário entre esses dois extremos, o epistemólogo desenvolveu um modelo de interação entre valores e práticas científicas, o qual foi amplamente explorado durante sua primeira estada (2013) como professor visitante do IEA, quando trabalhou em parceria com o Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e Tecnologia, do qual é integrante.</span></p>
<p class="Text">O modelo de Lacey destaca-se por incluir, num mesmo quadro analítico, questões epistemológicas e implicações concretas da ciência na sociedade contemporânea. Em seus estudos, o filósofo questiona a ideia de que a dominação da natureza constitui um valor ético intrínseco da prática científica e defende que as instituições científicas e os próprios cientistas devem levar em consideração os contextos sociais, ecológicos e humanos no momento da escolha da estratégia de pesquisa. “O trabalho científico tem sido tratado mais como um negócio e os cientistas tem se sujeitado a pressões de produtividade que frequentemente os deixam sem tempo para refletir e discutir sobre suas responsabilidades como cientistas”, ressaltou.</p>
<p class="Text">Na entrevista a seguir, concedida à jornalista Flávia Dourado por e-mail, Lacey explica alguns dos pressupostos de seu modelo, critica a crescente submissão da ciência aos interesses econômicos e chama atenção para a importância de desenvolver pesquisas alternativas às correntes hegemônicas, investindo, por exemplo, em estudos sobre agroecologia como forma de colocar em relevo os riscos envolvidos na transgenia.  De acordo com ele, “as instituições científicas contemporâneas são dominadas pela noção de que a ciência visa a gerar inovações tecnocientíficas que contribuam para o crescimento econômico e, de modo mais geral, para o progresso tecnológico e econômico”. (As referencias bibliográficas e notas foram acrescentadas por Lacey.)</p>
<p class="Sub1"><strong>O modelo de interação entre ciência e valores proposto pelo senhor pressupõe a distinção entre os valores epistêmicos/cognitivos e os valores sociais e éticos. O que caracteriza cada um desses grupos de valores nas suas relações com a atividade científica?</strong></p>
<p><i>No modelo, momentos (etapas) logicamente (não temporalmente) distintos de atividade científica foram identificados, entre eles: M<sub>1</sub> – a adoção da estratégia da pesquisa; M<sub>2</sub> – o empreendimento da pesquisa; M<sub>3</sub> – a avaliação cognitiva das teorias e hipóteses; M<sub>4</sub> – a disseminação dos resultados científicos; e M<sub>5</sub> – a aplicação do conhecimento científico. Os valores epistêmicos/cognitivos dizem respeito a critérios para a avaliação cognitiva de teorias e hipóteses (i.e., sua avaliação como portadoras de conhecimento e entendimento de fenômenos) em M<sub>3</sub>. Incluem, entre outros, a adequação empírica, o poder explicativo e a consistência das teorias e hipóteses.<strong>[i]</strong> Os valores sociais e éticos podem ter vários papéis (apropriados e, às vezes, inapropriados) nos demais momentos. Esses valores dizem respeito a, respectivamente, os ideais de uma sociedade boa ou desejável (p. ex., progresso, justiça social) e de comportamentos e relações humanas aceitáveis e obrigatórias (p. ex., honestidade, autonomia, solidariedade).<strong>[ii]</strong> A distinção entre valores cognitivos e os demais tipos de valor subjaz o ideal de imparcialidade (ou objetividade), segundo o qual (em M<sub>3</sub>) os juízos sobre conhecimento científico devem ser baseados apenas em valores cognitivos, e não devem pressupor nem implicar nenhum compromisso com valores sociais e éticos.<i><strong>[iii]</strong></i></i></p>
<p><i> </i></p>
<p class="Sub1"><strong>É a distinção entre esses dois grupos de valores que permite fazer uma crítica ética e política da ciência sem necessariamente questionar a objetividade científica?</strong></p>
<p><i>Sim. Valores políticos/éticos podem desempenhar papéis em todos os momentos, exceto M<sub>3</sub>, sem prejuízo da imparcialidade. Por exemplo, em M<sub>1</sub>, os valores sociais podem ter um papel fundamental na adoção de estratégias de pesquisa, em que as estratégias envolvem (1) restrições sobre os tipos de teorias e hipóteses a serem considerados em um programa de pesquisa e (2) critérios para a seleção dos dados empíricos a serem obtidos e registrados – quais fenômenos, em quais condições (frequentemente experimentais) – visando obter conhecimento dos fenômenos selecionados ou de aspectos deles, e identificar as possibilidades abertas a eles.<strong>[iv]</strong> Essas restrições limitam os tipos de fenômenos (e as possibilidades abertas a eles) sobre os quais adquirimos conhecimento em um projeto de pesquisa, de modo que os valores sociais podem exercer um papel na determinação de quais fenômenos serão investigados. No entanto, o conhecimento que obtemos dos fenômenos deve ser estabelecido em M<sub>3</sub> à luz apenas de dados empíricos, independentemente de as asserções de conhecimento (teorias, hipóteses) sob avaliação manifestarem fortemente os valores cognitivos em relação a esses dados. A imparcialidade de tal conhecimento não é, portanto, prejudicada. É preciso lembrar, porém, que se trata de conhecimento dos tipos selecionados de fenômenos e que conhecê-los (em vez de outros tipos de fenômenos) pode ser especialmente proveitoso para interesses informados por certos valores sociais/éticos/políticos. Assim, podemos fazer críticas políticas/éticas à adoção dessas estratégias (em vez de outras) sem questionar a imparcialidade do conhecimento adquirido e sem sugerir que tal conhecimento (o conhecimento como conhecimento) deva ser contestado por motivos políticos/éticos. A crítica política/ética também levaria a pesquisas conduzidas sob outras estratégias que gerariam conhecimento dos fenômenos (tidos como interessantes à luz dos valores políticos/éticos em questão).</i></p>
<p class="Text"><i>Esse ponto é de grande importância em minhas discussões sobre as controvérsias envolvendo o uso de transgênicos.<strong>[v]</strong> </i>[Ao longo desta entrevista, farei referência frequente ao caso dos transgênicos e de seus concorrentes, p. ex., a agroecologia.]<i> O conhecimento que informou o desenvolvimento e as inovações dos transgênicos (adquirido a partir de estratégias utilizadas em biologia molecular e biotecnologia) é concordante com a imparcialidade, mas nos diz pouco sobre os riscos ambientais e sociais decorrentes do uso de transgênicos ou sobre as alternativas (p. ex., agroecologia) que poderiam ser adotadas nas práticas agrícolas. Considerações políticas/sociais/econômicas estão por trás da ênfase quase exclusiva em pesquisas conduzidas com estratégias da biologia molecular e da biotecnologia, e minimizam os estudos sobre os outros fenômenos aludidos acima. Do mesmo modo, considerações políticas/sociais/econômicas diferentes questionariam o descaso relativo com pesquisas conduzidas com estratégias que talvez denunciassem riscos e alternativas. De qualquer maneira, os valores políticos/éticos influenciam os juízos feitos em M<sub>1</sub>, mas (em princípio, para todas as partes) isso não contesta a imparcialidade em M<sub>3</sub>.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>Essa crítica focada nos valores éticos e sociais inclui o escrutínio da submissão da atividade científica aos valores econômicos, sobretudo aos ideais de desenvolvimento e progresso?</strong></p>
<p><i>Sim. As instituições científicas contemporâneas são dominadas pela noção de que a ciência tem como objetivo gerar inovações tecnocientíficas que contribuam para o crescimento econômico e, mais genericamente, para o progresso tecnológico e econômico. Isso tem várias consequências problemáticas, entre elas:</i></p>
<p class="Numbering"><i>a) Os critérios para avaliar as contribuições científicas e a produtividade de cada cientista tornaram-se entrelaçados com considerações econômicas (e, em alguns casos, acabaram subordinados a elas). Por exemplo, obter patentes para descobertas tornou-se um indicador de sucesso científico. O entrelaçamento entre considerações científicas e econômicas pode criar conflitos de interesse (p.ex., minimizando evidência de possíveis riscos no uso de uma nova droga, a fim de não pôr em perigo os lucros de sua aplicação comercial, ou mantendo em sigilo os dados empíricos relativos a riscos).</i></p>
<p class="Numbering"><i>b) O trabalho científico passou a ser tratado mais como um emprego comercial qualquer, e os cientistas tornaram-se sujeitos a pressões produtivistas que muitas vezes os deixam com pouco tempo para refletir e discutir sobre suas responsabilidades como cientistas. Marcos Barbosa de Oliveira, codiretor (com Pablo Mariconda) do Projeto Temático Fapesp Gênese e Significado da Tecnociência: Das Relações Entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, do qual participo e que está sediado no IEA, escreveu artigos importantes sobre essas consequências.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>A ciência tem priorizado os valores vinculados aos interesses privados, ao capital, em detrimento daqueles vinculados aos interesses públicos, ao bem-estar social?</strong></p>
<p><i>Complementando minha resposta à pergunta anterior, a noção que subjaz a “ciência dos interesses privados” – a saber, que a ciência tem como objetivo gerar inovações tecnocientíficas que contribuam para o crescimento econômico e, mais genericamente, para o progresso tecnológico e econômico – consolida o destaque quase exclusivo que as instituições científicas dão às estratégias de pesquisa (p. ex., as da biologia molecular </i>[leia resposta à pergunta 2]<i>) que restrinjam as teorias estudadas àquelas que possam representar a lei e a estrutura subjacentes aos fenômenos de modo a dissociá-los de seus contextos ecológicos, humanos e sociais. Eu agora as chamo de estratégias descontextualizadoras.<strong>[vi]</strong> Como consequência da adoção quase exclusiva de estratégias descontextualizadoras, os efeitos ambientais e sociais da introdução de inovações (p. ex., os relacionados com mudanças climáticas) tendem a não ser devidamente estudados antes da sua introdução.</i></p>
<p class="Text"><i>Tenho argumentado que a ciência dos interesses privados não só conflita com o ideal da tradição científica moderna (a saber, que o conhecimento científico pertence ao patrimônio comum da humanidade), como também enfraquece as instituições democráticas.<strong>[vii]</strong> Em diversos escritos recentes,<strong>[viii]</strong> propus que esta abordagem da investigação científica precisa ser contrabalançada por um forte apoio (incluindo níveis adequados de financiamento) a pesquisas enquadradas pela seguinte pergunta:</i></p>
<p class="DoubleIndent"><i>“Como, por quem, com quais prioridades e usando que tipos de estratégias deve a pesquisa científica ser conduzida, e como as tecnologias devem ser desenvolvidas e geridas de modo a assegurar que a natureza seja respeitada, que seus poderes regenerativos não sejam ainda mais debilitados ou que sejam restaurados sempre que possível, e que os direitos, bem-estar e condições de participação construtiva em uma sociedade democrática sejam fortalecidos para todos em todos os lugares?”</i></p>
<p class="Text"><i>Obviamente, esta pergunta é motivada por valores éticos/sociais e pelo desejo de que interesses públicos não sejam subordinados a comerciais. Entretanto </i>[leia resposta à pergunta 2]<i>, isso não implica que conhecimento imparcial dos fenômenos – p. ex., associado a riscos ambientais, além de abordagens ligadas a atividades práticas (como a agricultura) não baseadas em inovações tecnocientíficas – não possa ser obtido em pesquisas conduzidas sob as estratégias adotadas, do mesmo modo como o objetivo de promover o crescimento econômico e o progresso (também valores sociais) é consistente com a obtenção de conhecimento imparcial sobre os fenômenos e suas leis e estruturas subjacentes.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>Como o senhor vê as tensões entre o público e o privado que estão na base de controvérsias científicas contemporâneas, como as relacionadas às mudanças climáticas, à transgenia e à energia nuclear?</strong></p>
<p><i>Acho difícil abordar esses três casos em conjunto, por isso, a fim de dar uma resposta mais precisa, vou apenas focar o caso dos transgênicos. Argumentei em diversos escritos que o interesse público pode ser bem atendido (e a questão </i>[colocada na resposta à pergunta 3]<i> respondida em termos concretos) somente se as inovações e as políticas agrícolas forem respostas que surgirem de pesquisas voltadas à questão do “espaço de alternativas agrícolas”:<strong>[ix]</strong> “Quais métodos agrícolas – ‘convencionais’, transgênicos, orgânicos, agroecológicos, biodinâmicos, de subsistência, indígenas, da permacultura e outros, inclusive aqueles ajustados aos ambientes urbanos – e em quais combinações e com quais variações localmente específicas poderiam ser sustentáveis (inclusive na situação atual de aquecimento global e mudanças climáticas), relativamente livres de causar danos e do risco de causar danos, e suficientemente produtivos, quando acompanhados por métodos viáveis de distribuição (tomando em consideração a trajetória da maior concentração da população em ambientes urbanos), a fim de satisfazer as necessidades de alimentação e nutrição da população do mundo inteiro por o futuro previsível?”.</i></p>
<p class="Text"><i>Os transgênicos não foram introduzidos depois de pesquisas que, envolvendo o espaço de alternativas, confirmassem que eram de fato necessários para satisfazer as necessidades alimentares do mundo. Pelo contrário, a pesquisa e o desenvolvimento dos transgênicos já em uso responderam mais à pergunta: “Usando os métodos da engenharia genética, as plantas de safra podem ser modificadas para adquirir quais características, e quais dessas plantas têm potencial de ser exploradas comercialmente?” Depois de reconhecido o potencial de usar transgênicos em prol de interesses comerciais (privados), as empresas de agronegócio foram em frente para desenvolver e produzir variedades de transgênicos com características tidas como desejáveis ​​(p. ex., resistência a herbicidas produzidos por essas mesmas empresas). Destinar recursos para investigar a questão do espaço das alternativas seria contrário a seus interesses – pois, antes de ser realizada, tal pesquisa não poderia garantir que os transgênicos teriam um papel importante (ou se teriam sequer algum papel).</i></p>
<p class="Sub1"><strong>Os valores da objetividade, neutralidade e autonomia, tão caros à atividade científica, vêm sendo colocados em risco em função da crescente influência do setor privado na ciência através do financiamento de pesquisas?</strong></p>
<p><i>Nos seminários que realizei no IEA em 2013, afirmei o ideal de neutralidade desta forma:<i><strong>[x]</strong></i> “Em princípio, (1) cada perspectiva de valor (viável e sustentada nas atuais sociedades democráticas) está incorporada em práticas que podem ser informadas por </i><i>alguns itens do corpo de conhecimento científico estabelecido (ou que podem utilizar algumas aplicações do conhecimento científico); e (2) o corpo de conhecimento científico (como um todo) serve todas as perspectivas de valor mais ou menos equitativamente, sem privilegiar algumas em detrimento de outras”. A neutralidade é prejudicada quando instituições científicas tornam-se dependentes de fontes privadas para seu financiamento (ou de fontes públicas que priorizem a pesquisa destinada a contribuir para o crescimento econômico). Desse modo, os resultados da pesquisa prestam-se particularmente bem aos interesses do capital e do mercado, muitas vezes em detrimento de interesses que possam refletir valores associados, por exemplo, à justiça social e à sustentabilidade ambiental. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação de transgênicos têm atendido muito bem aos interesses do agronegócio, mas os transgênicos não têm lugar na agroecologia, a abordagem agrícola atenta a valores como justiça social, manutenção do bem-estar das comunidades locais e fortalecimento de seus valores culturais, participação democrática e sustentabilidade. E onde interesses privados têm influência sobre instituições científicas, pesquisas potencialmente relevantes para a agroecologia (p. ex., as referentes ao espaço de alternativas) são completamente marginalizadas.</i></p>
<p class="Text"><i>Quando neutralidade é debilitada, o mesmo acontece com a autonomia, pois esta se refere ao ideal da ausência de interferência de interesses não-científicos (religiosos, políticos, econômicos) na definição dos programas e metodologias de investigação científica.<strong>[xi]</strong> No entanto, é difícil caracterizar autonomia com precisão, visto que instituições científicas dependem de organismos externos para seu financiamento. Com isso, as influências externas não podem ser eliminadas, nem mesmo em princípio. A questão mais difícil é como conciliar um papel para as influências externas, mas sem permitir interferências externas. A “ciência dos interesses privados” tem pouco desejo de explorar tal conciliação.</i></p>
<p class="Text"><i>Note-se que as questões de neutralidade são especialmente pertinentes em M5 e as de autonomia em M<sub>1</sub>. Aquelas que envolvem imparcialidade (objetividade) são especialmente pertinentes tanto em M<sub>3</sub> como em M<sub>5</sub>. Em M<sub>5</sub>, questões sobre a eficácia de uma inovação e a legitimidade de usá-la têm de ser levadas em conta. Normalmente, as questões de eficácia são resolvidas em M<sub>3</sub>: espera-se que o conhecimento que subjaz a alegação de que uma inovação funciona (e como ela funciona) seja confirmado de modo imparcial. A legitimidade, contudo, envolve questões de benefícios, danos causados, riscos e possíveis alternativas. Essas são todas questões com implicações éticas e, geralmente, nenhuma delas é esclarecida de modo adequado em pesquisas científicas que conduzem a afirmações imparciais sobre eficácia. Por exemplo, a eficácia de usar certos transgênicos em certas condições é explicada mediante referência às mesmas teorias da biologia molecular e da biotecnologia que permitiram o desenvolvimento dos transgênicos. Tais pesquisas nada nos dizem sobre as condições sociais e ecológicas necessárias ao uso dos transgênicos em práticas agrícolas reais – e nada dizem sobre os efeitos do uso de transgênicos. A ciência dos interesses privados só tem a ganhar insistindo no ideal de imparcialidade em M<sub>3</sub> (ainda que abra possibilidades de conflitos de interesses </i>[leia resposta à pergunta 3]<i>). Todavia, por não oferecer apoio à investigação de questões cruciais sobre legitimidade, qualquer asserção sobre a ausência de riscos graves (isto é, riscos que não possam ser controlados adequadamente pela legislação vigente) tenderá a ser discordante com a imparcialidade.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>De acordo com o modelo proposto pelo senhor, os valores sociais e éticos atuam sobretudo na escolha da estratégia de investigação. A forma como se dá essa escolha é que explica por que a ciência prefere problemas de pesquisa relevantes do ponto de vista dos interesses ligados ao crescimento econômico e às políticas que o enfatizam, mas pouco promissores do ponto de vista de interesses dos movimentos populares, agricultores familiares e, em termos gerais, pessoas e grupos marginalizados?</strong></p>
<p><i>Nas discussões sobre o modelo, enfatizo o papel dos valores sociais e éticos (em M<sub>1</sub>) na escolha das estratégias a serem adotadas em um projeto de pesquisa. Esta é a característica mais marcante do modelo. No entanto, esses valores também têm um papel em outros momentos (exceto em M<sub>3</sub>). O papel que desempenham em M<sub>5</sub> é particularmente digno de nota e está intimamente ligado ao papel que desempenham em M<sub>1</sub>: muitas vezes, estratégias são adotadas prevendo-se aplicações que servirão a interesses que representam valores específicos. Nas instituições científicas contemporâneas, existe a tendência de se escolher projetos de pesquisa que exijam a adoção de estratégias </i>[aquelas que chamei de estratégias descontextualizadoras na resposta à pergunta 3]<i> que mantenham relações de reforço mútuo com os valores do progresso tecnológico, do capital e do mercado – valores que, deseja-se, sejam especialmente bem atendidos pelas aplicações (inovações) que surgirem da pesquisa. Porém, como esses valores conflitam com os valores articulados nos movimentos populares (p. ex., justiça social, democracia participativa, sustentabilidade), que não estão bem representados em instituições científicas, há pouco incentivo para que as pessoas se envolvam em pesquisas a partir de estratégias que não envolvam a descontextualização e que poderiam produzir resultados que atendessem a tais interesses.</i></p>
<p class="Text"><i>O papel que os valores sociais e éticos desempenham na adoção de estratégias de pesquisa torna altamente provável que os resultados da investigação, ao serem aplicados, atendam particularmente bem aos interesses que incorporam esses valores, muitas vezes às custas de interesses que incorporam valores concorrentes. Isso implica que não será possível aproximar-se da neutralidade a menos que as instituições científicas decidam dar seu apoio a uma multiplicidade e uma variedade de programas de pesquisa sensíveis a toda a gama de valores mantidos em uma sociedade democrática.<strong>[xii]</strong></i></p>
<p class="Sub1"><strong>Entre os valores que influenciam a atividade científica, o senhor inclui aqueles ligados à ambição por prestígio acadêmico, ao desejo de obter poder e ao jogo político que frequentemente permeiam a atividade científica?</strong></p>
<p><i>Sim, valores como esses atuam muitas vezes em M<sub>2</sub>, o momento do empreendimento da pesquisa, e a influência pode ser bastante positiva quando fornece motivação para se dedicar a questões realmente difíceis – a aspiração de ganhar o Prêmio Nobel é geralmente vista como uma motivação apropriada para cientistas. Esses valores também podem ter influência negativa. Por exemplo, em M<sub>1</sub> hoje, eles podem contribuir para reforçar a ideia de ciência como uma investigação que visa a produzir inovações tecnocientíficas que contribuam para o crescimento econômico – e as consequências infelizes que decorrem disso</i> [leia resposta à pergunta 6]<i>; e, em M<sub>3</sub>, tais valores podem fazer com que interesses pessoais sobrepujem juízos que deveriam se sustentar apenas por evidências, além de criarem conflitos de interesse de várias outras maneiras. O chamado “ethos científico” descrito pelo sociólogo Robert Merton visa a neutralizar os efeitos negativos desses valores. Eu, pessoalmente, não escrevi muito sobre esta questão.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>O senhor associa o princípio baconiano de controle da natureza à abordagem descontextualizada da ciência, marcada pela desconsideração dos contextos ecológicos, sociais e humanos que permeiam os fenômenos estudados. Que valores predominam nessa abordagem?</strong></p>
<p><i>Sim, argumentei que há relações de reforço mútuo entre a adoção de estratégias descontextualizadoras e a defesa de um conjunto de valores que inclui os valores do progresso tecnológico, como eu agora os chamo. Nesse conjunto de valores, o exercício do controle sobre os objetos naturais – ou, na terminologia de Bacon, o “domínio da natureza” – torna-se por si mesmo um valor social que não é subordinado de forma sistemática e geral a outros valores sociais, e atribui-se um alto valor ético às inovações que ampliam a capacidade humana de exercer controle sobre os objetos naturais, à penetração cada vez maior de tecnologias em mais e mais domínios da vida cotidiana, da experiência humana e das instituições sociais, e à definição de problemas em termos que permitam soluções tecnocientíficas. Os artigos de Pablo Mariconda sobre esse assunto são muito bons. Além disso, no estado atual da tecnociência, a defesa dos valores do progresso tecnológico é reforçada e reinterpretada pelo fato de que hoje as instituições que incorporam os valores do capital e do mercado (em especial, o crescimento econômico e o primado da propriedade) são os grandes arautos desses valores.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>É a predominância desses valores que dificulta o avanço de pesquisas voltadas para a inclusão social e a sustentabilidade? Quais os desafios para se colocar em prática programas de pesquisa alternativos à abordagem descontextualizada da ciência?</strong></p>
<p><i>Das mais variadas maneiras, os valores do progresso tecnológico (especialmente quando interpretados à luz dos valores do capital e do mercado) estão em conflito com os de justiça social, inclusão social, bem-estar de todos e sustentabilidade ambiental. Onde quer que predominem (e hoje eles predominam na maioria dos países), a tendência é haver pouco incentivo público ou privado, poucos recursos materiais, financeiros ou de qualquer outro tipo para a realização de pesquisas que tenham relações de reforço mútuo com valores antagônicos. Por exemplo, usando meu exemplo anterior, há pouco apoio para a agroecologia, para a investigação dos riscos decorrentes de mecanismos socioeconômicos provocados talvez pela introdução de inovações tecnocientíficas, para estudos sobre programas de saúde pública que envolvam a participação integral de grupos locais (seja em pesquisa ou em prestação de serviços), ou para pesquisas sobre a possível interação fecunda entre estudos científicos modernos e conhecimentos indígenas e os métodos de adquiri-los, ou ainda sobre tecnologia social – para mencionar apenas algumas áreas importantes. (A propósito, refiro-me às estratégias necessárias para pesquisas nessas áreas como “estratégias alternativas”, isto é, estratégias que não são redutíveis a estratégias descontextualizadoras. Todavia, quando apropriado, tais pesquisas também usam os resultados obtidos sob estratégias descontextualizadoras. As estratégias alternativas não podem substituir as descontextualizadoras para todos os fins de pesquisa. O modelo permite uma pluralidade de estratégias; não contesta a importância central das estratégias descontextualizadoras.)<i><strong>[xiii]</strong></i>)</i></p>
<p class="Text"><i>O grande desafio é conquistar – e expandir ainda mais – espaço para realizar pesquisas sob as estratégias alternativas. Isso envolve muitas dimensões.</i></p>
<p class="Text"><i>Os filósofos da ciência (como eu) têm um papel importante, a saber, mostrar (entre outras coisas) (1) que o predomínio quase absoluto das estratégias descontextualizadoras na pesquisa científica natural contemporânea não está fundamentado nos ideais – imparcialidade, neutralidade e autonomia – da tradição científica; (2) que, na realidade, o predomínio dessas estratégias se deve mais às relações de reforço mútuo entre a sua adoção e a defesa dos valores do progresso tecnológico; e (3) que, quando a pesquisa como um todo é conduzida a partir de uma pluralidade de estratégias, a possibilidade de se avançar na realização dos ideais tradicionais fica evidente. De modo mais geral, os filósofos da ciência procuram mostrar que a ciência não tem de ser conduzida do modo como ocorre na grande maioria das instituições científicas e que há bons motivos (baseados nos ideais da tradição) para que essas instituições abram espaço para as alternativas.</i></p>
<p class="Text"><i>Mas esse é apenas um passo inicial. O desafio é também obter insumos de muitas partes, cada uma delas envolvida em esforços em seu próprio espaço e práticas. As perspectivas de sucesso dependerão da obtenção de sucessos, inicialmente em pequena escala, em diversos espaços e práticas, que, por sua vez, abram possibilidades de expansão quando colocados em interação dialética uns com os outros. O sucesso requer o desdobramento de uma dialética bastante complexa, que exigiria – cooperativa, simultânea e interativamente – expandir os sucessos alcançados em cada um dos itens abaixo (e, sem dúvida, também em outros).<i><strong>[xiv]</strong></i></i></p>
<p class="Numbering"><i>a) Acoproveitar o espaço disponível em instituições (p. ex., universidades) que não estejam completamente dominadas pelos valores do capital e do mercado, e que se sintam responsáveis por promover interesses democráticos e desenvolver projetos de pesquisa que usem algumas das estratégias alternativas (p. ex., em agroecologia, saúde pública e medicina preventiva, fontes alternativas de energia, softwares open source etc.).</i></p>
<p class="Numbering"><i>b) Tomar medidas para resgatar e fortalecer a autonomia em instituições de pesquisa a fim de livrá-las da influência desproporcional dos valores do capital e do mercado na definição das prioridades de investigação científica e na determinação das metodologias apropriadas; das interferências decorrentes de defenderem esses valores na conduta da ciência (p. ex., mediante a imposição legal de regimes de direitos de propriedade intelectual); e das imposições que estão sendo feitas sobre o caráter do trabalho científico e de seus regimes de operação </i>[leia resposta à pergunta 3]<i>.</i></p>
<p class="Numbering"><i>c) Defender a adoção mais generalizada do Princípio da Precaução em instituições de pesquisa<strong>[xv]</strong> e a sua incorporação em políticas públicas de ciência, de modo que a inovação tecnocientífica se torne mais subordinada aos valores expressos nesse princípio e que vários tipos de pesquisa sobre riscos e alternativas (cuja aplicação do princípio mostra serem necessárias) sejam conduzidos de forma mais ampla.</i></p>
<p class="Numbering"><i>d) Promover o crescimento de – e a colaboração ativa entre – movimentos que aspirem aos valores democráticos, incluindo a proteção dos direitos humanos, toda a gama de direitos econômicos/sociais/culturais e civis/políticos reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, e ao fortalecimento dos valores da participação democrática, de modo que cresça a consciência sobre a pluralidade de estratégias de pesquisa necessárias para fornecer o conhecimento que permitirá que todos os projetos democráticos sejam informados pelo conhecimento científico.</i></p>
<p class="Numbering"><i>e) Organizar a expansão de movimentos, instituições e programas nos quais pesquisadores, profissionais e cidadãos colaborem, incluindo programas para capacitar cidadãos a serem participantes inteligentes nas deliberações sobre questões de política científica, e para os cientistas aprenderem com os cidadãos o que estes consideram ser os principais problemas e interesses que precisam ser abordados, e como eles vivenciam os problemas e percebem as redes causais que os provocam e os mantêm. É preciso haver participação de cientistas, da indústria e do público para resolver como reinstitucionalizar a ciência e para criar exemplos que mostrem como a participação democrática e multicultural pode favorecer a ciência.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>Na sua proposta de pesquisa para o IEA, o senhor fala em valores éticos, econômicos e sociais que, por um lado, sustentam a objetividade científica frente aos argumentos pós-modernos, mas, por outro, rejeitam caracterizações dessa objetividade tributária do positivismo. Quais são os argumentos pós-modernos e as caracterizações de matiz positivista contestados e o que resulta da exclusão desses extremos?</strong></p>
<p><i>“Positivismo” e “pós-modernismo” são termos bastante usados, mas raramente de maneira precisa ou unívoca. Assim, mencionarei apenas alguns aspectos desses pontos de vista, sem tentar caracterizá-los completamente.</i></p>
<p class="Text"><i>Em relação ao positivismo, eu critico a noção - encontrada em muitos descendentes intelectuais do positivismo lógico do Círculo de Viena, da década de 1930 - segundo a qual (em meus termos) não há papel legítimo para valores sociais/éticos em M<sub>1</sub> ou M<sub>3</sub>. Esse é o cerne da famosa asserção “positivista” de que “a ciência é isenta de valores”. Na prática, esses positivistas raramente fizeram distinção entre os dois momentos ou, como eu faço, entre adotar uma estratégia e aceitar uma teoria. Para eles, o que eu diagnostico como restrições a teorias subordinadas a estratégias descontextualizadoras faz parte de sua caracterização de teoria científica. Isso teve como consequência que a relação entre a adoção quase exclusiva de estratégias descontextualizadoras e a defesa dos valores do progresso tecnológico permaneceu efetivamente invisível.</i></p>
<p class="Text"><i>O ponto de vista “pós-moderno” que critico é altamente sensível ao papel dos valores do progresso tecnológico e aos vínculos entre esses valores e os valores do capital e do mercado na formação da ciência contemporânea. Alega-se não haver distinção nítida entre valores cognitivos e valores sociais/éticos, e, portanto, que os valores sociais/éticos podem desempenhar um papel legítimo em M<sub>3.</sub> Como consequência disso, até avaliações bem feitas de teorias e hipóteses científicas são essencialmente marcadas pelo relativismo. Nega-se que uma distinção significativa entre objetividade e subjetividade possa ser mantida. Isso às vezes foi tomado para justificar a rejeição de grande parte da ciência estabelecida pelo simples motivo de ela manter fortes vínculos com os valores do capital e do mercado.</i></p>
<p class="Text"><i>Minha posição, que evita os dois extremos, reconhece um papel legítimo para os valores sociais/éticos em M<sub>1</sub>, mas não em M<sub>3</sub>. Ela defende a distinção entre os valores cognitivos e os de outros tipos, mas reconhece que os valores sociais/éticos desempenham muitos papéis legítimos na condução da pesquisa e mostra como isso não precisa levar ao relativismo ou ao subjetivismo. Permite que haja uma crítica social/política das práticas científicas reais, sem tornar a avaliação cognitiva das teorias científicas uma questão de crítica sociopolítica (distinguindo-se, por exemplo, da noção de serem objetos de pesquisa e de seus resultados serem aplicados).</i></p>
<p class="Sub1"><strong>Ainda segundo sua proposta de pesquisa, os seminários realizados pelo senhor no IEA ajudariam a expandir as teses compreendidas em seu modelo. O senhor poderia dar um exemplo dessa expansão?</strong></p>
<p><i>O modelo da interação entre ciência e valores torna possível haver uma série de estratégias fecundas (não se limitando às estratégias descontextualizadoras), cada uma das quais mantém relações de reforço mútuo com a defesa de algum conjunto de valores. Os seminários que realizei, ao discutirem estratégias alternativas que já provaram ser frutíferas de várias maneiras promissoras (ainda que limitadas), pretenderam mostrar que isso é mais do que uma mera possibilidade lógica. Eu mesmo já examinei o caso da agroecologia em bastante detalhe.<strong>[xvi]</strong> Suas estratégias mantêm relações de mútuo reforço com o conjunto de valores de “justiça social, participação democrática e sustentabilidade ecológica”.<strong>[xvii]</strong> As estratégias tornam possível uma investigação empírica/teórica dos agroecossistemas que lide simultaneamente com sua produtividade, sustentabilidade, capacidade de manter a biodiversidade, contribuição para a saúde da população agrícola e o modo como afetam a cultura, as atividades e os valores locais, muitas vezes com o objetivo de gerar o que a própria comunidade determina ser um equilíbrio adequado e viável dessas dimensões. Os defensores dos transgênicos, por exemplo, costumam descartar a agroecologia como a mera expressão de um desejo ideológico.<strong>[xviii]</strong> O modelo indica que, embora a defesa de valores sociais/éticos específicos (que contestam os valores predominantes do capital e do mercado) tenha vínculos próximos com a adoção de estratégias agroecológicas, isso não impugna o fato de que juízos em M<sub>3</sub> da pesquisa agroecológica possam ser feitos de maneira imparcial </i>[leia resposta à pergunta 2]<i>. A importância do modelo depende da fecundidade de casos como a agroecologia (e muitos outros) ser demonstrada na prática.</i></p>
<p class="Sub1"><strong>Qual o conteúdo do dossiê sobre ciência e valores que o senhor e o professor Pablo Mariconda estão organizando a partir das contribuições obtidas nos seminários?</strong></p>
<p><i>O dossiê começa com um artigo, escrito por Pablo e por mim, que contém o que consideramos ser uma versão madura e padronizada do modelo da interação entre ciência e valores. Esperamos que possa ser útil, embora remonte a meados dos anos 1990,<strong>[xix]</strong> visto que foi sendo aperfeiçoado e desenvolvido (e boa parte da sua terminologia modificada) ao longo dos anos e de inúmeros seminários organizados pela Scientiae Studia </i>[associação filosófica que reúne pesquisadores vinculados ao grupo de pesquisa do IEA e publica a revista "Scientiae Studia", apoiada pelo Instituto]<i> aqui em São Paulo. A versão padronizada que oferecemos leva em conta todos esses refinamentos e aperfeiçoamentos (e adota o que agora se tornou uma terminologia consagrada), além de indicar em que áreas mais trabalho se faz necessário. Em um segundo artigo, baseado no modelo, eu argumento que o modo como a investigação científica deve ser entendido hoje está aberto a duas interpretações, que chamo de “tecnociência voltada ao comércio” e “investigação multiestratégica”. Essa afirmação fornece a estrutura para a maior parte do dossiê: vários artigos criticando a tecnociência voltada ao comércio, sem contudo deixar de reconhecer o valor positivo de muitas inovações tecnocientíficas, e outros que visam a mostrar a promessa da pesquisa multiestratégica nas</i> <i>áreas de tecnologia social, agroecologia, saúde pública e a possível interação entre a pesquisa científica moderna e as práticas tradicionais (indígenas) de obtenção de conhecimento. (Esperamos que outros artigos forneçam exemplos em muitas outras áreas de pesquisa, p. ex., energia e comunicações) Por fim, em resposta ao fato de que o modelo sugere limites para concepções comuns da racionalidade da ciência (geralmente ligadas ao positivismo), há uma série de artigos sobre racionalidade da ciência, todos eles tentando explorar de formas diferentes como a racionalidade marca as práticas científicas, mas com diferentes tipos de considerações vindo à tona em diferentes momentos.</i></p>
<p class="BodyText1"> </p>
<p class="Sub2"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p class="Outdented">LACEY, Hugh (1998) <i>Valores e Atividade Científica</i>. São Paulo: Discurso Editorial and Fapesp. (First edition of VAC-1)</p>
<p class="Outdented">––––   (1999) <i>Is Science Value Free? Values and Scientific Understanding</i>. London &amp; New York: Routledge.</p>
<p class="Outdented">––––   (2006a) <i>A Controvérsia sobre os Transgênicos: questões científicas e éticas</i>. São Paulo: Editora Idéias e Letras.</p>
<p class="Outdented">––––  (2006b) “O Princípio de Precaução e a autonomia da ciência”. <i>Scientiae Studia</i> 4: 373–392.</p>
<p class="Outdented">––––  (2008) <i>Valores e Atividade Científica 1</i>. São Paulo: Associação Filosófica ‘Scientiae Studia’/Editora 34 –VAC-1.</p>
<p class="Outdented">––––  (2008a) “Ciência, respeito à natureza e bem-estar humano. <i>Scientiae Studia</i> 6: 297–327.</p>
<p class="Outdented">––––  (2008b) “Aspectos cognitivos e sociais das práticas científicas”. <i>Scientiae Studia</i> 6):83–96.</p>
<p class="Outdented">––––  (2008c) “Crescimento econômico, meio-ambiente e sustentabilidade social: a responsabilidade dos cientistas e a questão dos transgênicos”. In Gilberto Dupas (ed.), <i>Meio-ambiente e Crescimento Econômico: Tensões estruturais</i>, pp. 91–130. São Paulo: Editora Unesp.</p>
<p class="Outdented">––––  (2010) <i>Valores e Atividade Científica 2</i>. São Paulo: Associação Filosófica ‘Scientiae Studia’/Editora 34. VAC-2</p>
<p class="Outdented">––––  (2011a) “A imparcialidade e as responsabilidades dos cientistas”, <i>Scientiae Studia</i> 9: 487-500.</p>
<p class="Outdented">––––  (2011b) “A interação da atividade científica, visões de mundo e perspectivas de valores”, in Eduardo R. Cruz (ed.), <i>Teologia e Ciências Naturais: Teologia da criação, ciências naturais e tecnologia em diálogo</i>, pp.127–147. São Paulo: Editora Paulinas.</p>
<p class="Outdented">––––  (2011c) Preface to Márcia M. Tait, <i>Tecnociência e Cientistas: Cientificismo e Controvérsias na política de biossegurança brasileira</i>, pp. 13–29. São Paulo: Editora Annablume.</p>
<p class="Outdented">––––  (2012a) “Pluralismo metodológico, incomensurabilidade, e o status científico do conhecimento tradicional”. <i>Scientiae Studia</i> 10 : 425–453.</p>
<p class="Outdented">––––  (2012b) “Las diversas culturas y la práctica de la ciencia”. In F. Tula Molina &amp; G. Giuliano (eds.), <i>Culturas Científicas y Alternativas Tecnológicas</i>, pp. 133–169. Buenos Aires: Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación Productiva.</p>
<p class="Outdented">––––  (2013) “Rehabilitating neutrality”. <i>Philosophical Studies</i> 162: 77–83.</p>
<p class="Outdented">LACEY, Hugh; MARICONDA, Pablo (2013) “The Eagle and the Starlings: Galileo’s argument for the autonomy of science – how pertinent is it today?”. <i>Studies in the History and Philosophy of Science</i> 43: 122–131.</p>
<p class="Outdented">MARICONDA, P.; LACEY, H. (2001) “A águia e os estorninhos: Galileu sobre a autonomia da ciência”. <i>Tempo Social</i> 13: 49-65.</p>
<p class="Outdented"> </p>
<p class="Outdented"><span><strong>NOTAS</strong></span></p>
<p><strong>[i]</strong><span> VAC-1, cap. 3.</span></p>
<p><strong>[ii]</strong> VAC-1, cap. 2; VAC-2, cap. 11.</p>
<p><strong>[iii] </strong>VAC-1, cap. 1; VAC-2, cap.1; Lacey (2006a: introdução; 2008b; 2011a).</p>
<p><strong>[iv]</strong> VAC-1, especialmente cap. 5; VAC-2, parte 1.</p>
<p><strong>[v]</strong> Lacey (2006a; 2008c; 2011c); VAC-2, parte 2.</p>
<p><strong>[vi]</strong> VAC-2, parte 1; Lacey (2012a; 2012b).</p>
<p><strong>[vii]</strong> Lacey (2008a; 2011b; 2012b).</p>
<p><strong>[viii] </strong>E.g., Lacey (2008a).</p>
<p><strong>[ix]</strong> Lacey (2006a; 2008a; 2008c; 2011c).</p>
<p><strong>[x] </strong>Minhas discusses mais detalhadas sobre imparcialidade, neutralidade e autonomia estão em Lacey (1999: ch. 10; 2008a); VAC-2, cap.1. On neutrality, see also Lacey (2013).</p>
<p><strong>[xi]</strong> Sobre autonomia, veja meus artigos em colaboração com Pablo Mariconda (Maricond &amp; Lacey, 2001; Lacey &amp; Mariconda, 2012).</p>
<p><strong>[xii]</strong> Lacey (2013).</p>
<p><strong>[xiii] </strong>VAC-2, cap. 2; Lacey (2008a).</p>
<p><strong>[xiv] </strong>Lacey (2008a; 2012b).</p>
<p><strong>[xv]</strong> Lacey (2006b).</p>
<p><strong>[xvi]</strong> Lacey (2006a); VAC-2, parte 2.</p>
<p><strong>[xvii]</strong> Lacey (2008a; 2011b; 2012a).</p>
<p><strong>[xviii] </strong>Lacey (2011c).</p>
<p><strong>[xix] </strong>Lacey (1998; 1999).</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Sandra Codo/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Professores Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-03-12T13:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/um-olhar-interdisciplinar-sobre-a-seca-em-sao-paulo">
    <title>Um olhar interdisciplinar sobre a seca em São Paulo </title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/um-olhar-interdisciplinar-sobre-a-seca-em-sao-paulo</link>
    <description>Organizado a partir de parceria entre dois grupos de pesquisa do IEA, o encontro "Verão 2013/2014 e Cenários de Estresse Hídrico" debateu o problema da falta de água na Região Metropolitana de São Paulo sob diversos ângulos de análise.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/evento-verao-2013-2014-e-cenarios-de-estresse-hidrico" alt="Evento &quot;Verão 2013/2014 e Cenários de Estresse Hídrico&quot;" class="image-inline" title="Evento &quot;Verão 2013/2014 e Cenários de Estresse Hídrico&quot;" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Os debatedores (<i>a partir da esq.</i>): Marcio Automare, Daniela Libório Di Sarno, Wagner Costa Ribeiro, Pedro Jacobi, Susana Prizendt e Maurício de Carvalho Ramos</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No momento em que a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) amarga as consequências de um período prolongado de estiagem, que levou o Sistema Cantareira a níveis recordes de baixa das reservas, o IEA voltou-se para a conjuntura dessa falta d'água no debate <i>Verão 2013/2014 e Cenários de Estresse Hídrico</i>. Realizado no dia 19 de março, o evento integrou as comemorações da Semana da Água 2014, que antecedem o Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março.<span> </span></p>
<p>Organizado a partir de parceria entre o Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade e o Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia, ambos do IEA, com o apoio do Centro de Estudos de Governança Socioambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, o debate foi dividido em duas mesas-redondas, ambas mediadas por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/pedro-roberto-jacobi" class="external-link">Pedro Jacobi</a>, coordenador do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<ul>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/verao-2013-14-e-cenarios-de-estresse-hidrico" class="external-link">Assista ao vídeo com a íntegra do debate</a></span></li>
<li><span><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/verao-2013-14-e-cenarios-de-estresse-hidrico-19-de-marco-de-2014" class="external-link">Veja as fotos</a></span></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span>Os expositores foram </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaw/wagner-costa-ribeiro" class="external-link">Wagner Costa Ribeiro</a><span>, professor da Faculdade de Filosofia, Letras, e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mauricio-de-carvalho-ramos" class="external-link">Maurício de Carvalho Ramos</a><span>, também professor da FFLCH; </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoad/daniela-campos-liborio-di-sarno" class="external-link">Daniela Libório Di Sarno</a><span>, professora da Faculdade de Direito da PUC-SP e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU); </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marcio-miguel-automare" class="external-link">Marcio Automare</a><span>, analista de desenvolvimento organizacional da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP); e </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/susana-prizendt" class="external-link">Susana Prizendt</a><span>, coordenadora do Comitê Paulista da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida.</span></p>
<p><span></span>O encontro discutiu o problema da água a partir de uma perspectiva interdisciplinar, abordando aspectos ambientais, jurídicos, sociopolíticos, filosóficos e da segurança alimentar. Segundo Jacobi, a ideia foi refletir sobre o problema da água na RMSP, mas abrangendo questões mais amplas, que envolvem, entre outras, as desigualdades no acesso à água, alterações nos regimes de chuvas ocasionadas pelo fenômeno das mudanças climáticas, entraves institucionais e a postura do poder público em relação à prevenção e remediação do problema.</p>
<p><strong>AÇÃO DO ESTADO</strong></p>
<p>O debate foi aquecido pelas recentes medidas que vem sendo estudadas e tomadas pelo governo do estado de São Paulo para tentar contornar a situação crítica do Sistema Cantareira, que atualmente opera com aproximadamente 15% de sua capacidade.<strong> </strong>Entre tais medidas está a proposta, anunciada no início da semana, de usar água do Rio Paraíba do Sul para abastecer os reservatórios da RMSP. Indagado sobre o assunto, Ribeiro destacou que não considera a proposta oportuna, uma vez que o rio também está numa situação de estresse hídrico.</p>
<p>Ribeiro criticou as obras emergenciais do governo do estado, iniciadas no dia 14 de março, para bombear o volume de "água morta" do fundos de represas que formam o Sistema Cantareira. De acordo com ele, isso significa "retirar até a última gota de água da Cantareira, de uma água que está há 40 anos estocada, parada, sem dinâmica, cuja qualidade é duvidosa, pois não se sabe que elementos estão associados a ela".</p>
<p>Além disso, afirmou tratar-se de uma medida arriscada, que pode levar à exaustão do recurso na região. "Isso porque, para saturar o solo novamente a ponto de a represa voltar a encher, será preciso muito mais que o volume médio de chuvas na região, cujos índices não foram atingidos neste verão."</p>
<p>Chamando atenção para a dimensão política da escassez de água em São Paulo, Ribeiro advertiu que é preciso questionar porque a cidade chegou ao limite dos recursos hídricos. Para ele, o problema não estaria tão grave caso o racionamento tivesse sido adotado em dezembro, quando já havia fortes indícios do que viria pela frente. Automare, da mesma forma, questionou: "Já se sabia da situação da Cantareira, então por que o racionamento não foi colocado em prática?".</p>
<p>Segundo Ribeiro, a crise requer a adoção imediata da medida, penalizando mais os grandes consumidores, de modo a minimizar os prejuízos aos usuários que impactam menos no sistema.</p>
<p><strong>GESTÃO FRAGMENTADA</strong></p>
<p>Sarno apontou a incongruência do sistema jurídico brasileiro em relação à gestão dos recursos hídricos como causa primeira da situação de escassez de água no país. De acordo com ela, embora a Constituição Federal determine que a gestão deve ser compartilhada entre União, estados e municípios, há pouco diálogo entre as partes e a administração dos recursos hídricos acaba ficando fragmentada.</p>
<p>"Para enfrentar o desafio da gestão compartilhada, as três esferas [federal, estadual e municipal] precisam sentar e discutir. Mas ainda não demos esse passo. Não há conversa nem verticalmente, entre as esferas, nem horizontalmente, entre as instituições", observou.</p>
<p>Essa fragmentação é agravada pela incompatibilidade entre divisão do sistema federativo, que obedece a critério políticos, e a divisão das bacias hidrográficas, que obedece a critérios geográficos. As bacias são tão importantes porque colocam em cena mais um ator: os Comitês de Bacia Hidrográfica, os quais integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Compostos por representantes dos diversos setores usuários de água, das organizações da sociedade civil e dos poderes públicos, os comitês aprovam o Plano de Recursos Hídricos de cada bacia, arbitram conflitos pelo uso da água, sugerem valores para cobrança do consumo, entre outros.</p>
<p>Segundo Sarno, o problema é que nenhum dos modelos de gestão adotados no país — gestão municipal e gestão estadual, por meio de autarquias ou de empresas contratadas — é condizente com as divisões das bacias hidrográficas. "Os Comitês até fazem parte da gestão, mas quem coloca em prática a distribuição da água não são eles, mas instituições gestoras".</p>
<p><strong>PÚBLICO X PRIVADO</strong></p>
<p>Já para Ribeiro, o maior entrave para equacionar a questão da água no Brasil é a gestão privada dos recursos hídricos. Na RMSP, por exemplo, a gestão é feita pela Sabesp, empresa de economia mista, capital aberto, com ações negociadas na bolsa de valores, que funciona segundo a lógica de uma instituição privada.</p>
<p>"É função do estado remunerar-se, obter lucro e especular com base na comercialização do recurso água? Não, não é função do estado ganhar dinheiro com a água, como faz a Sapesp", advertiu Ribeiro, destacando que falta transparência na gestão da empresa. "Além dos fluxos hídricos, deve haver transparência em relação aos fluxos financeiros", apontou.</p>
<p>Assim como Ribeiro, Automare ponderou que uma empresa ligada ao poder público, caso da Sabesp, não deveria se comportar como uma empresa privada, tratando a água como um produto. Citou, ainda, como exemplo da exploração comercial dos recursos hídricos, a indústria de água vendida em galões, cujo crescimento estaria afetando os lençóis freáticos.</p>
<p>Sarno também abordou o embate entre interesse público e privado. De acordo com ela, Comitês de Bacia Hidrográfica tratam a água como um bem, cuja distribuição deve ser igualitária e cuja cobrança deve acontecer apenas para regular o consumo. Já as empresas que colocam a gestão em prática, como a Sabesp, tratam a água como um produto à venda.</p>
<p>Segundo a jurista, os gestores das regiões metropolitanas e dos municípios não levam em consideração a disposição das bacias hidrográficas ao autorizar, por exemplo, a expansão de um distrito industrial que pode colocar em risco o abastecimento de água no local. "É preciso medidas para compatibilizar a expansão urbana e a infraestrutura de distribuição de água em termos de qualidade e quantidade", advertiu.</p>
<p><strong>DIMENSÃO ÉTICA</strong></p>
<p>Fazendo uma abordagem filosófica, Carvalho ressaltou que a água pode ser pensada a partir de dois conjuntos de propriedades: as propriedades materiais, ligadas aos princípios bioquímicos; e as propriedades simbólicas, relacionadas ao seu valor incomensurável para a vida, o que faz dela um símbolo de poder.</p>
<p>De acordo com ele, quando se consideram as propriedades simbólicas, a água pode ser concebida tanto como um recurso — um produto a ser explorado economicamente; quanto como um bem — algo gratuito e não comerciável de nenhuma forma. E é essa concepção de bem que deve ser adotada para se encarar o problema do estresse hídrico a partir de uma perspectiva ética.</p>
<p>"Enfrentar a questão de forma racional e responsável envolve não colocar em prática possibilidades tecnocientíficas ligadas ao uso da água que coloquem em risco a disponibilidade ou as propriedades materiais dos recursos hídricos", disse. "Se a postura ética prevalecesse, não haveria necessidade de racionamento; bastaria um apelo à consciência das pessoas", completou.<span> </span></p>
<p><strong>PARTICIPAÇÃO</strong></p>
<p>Os debatedores chamaram atenção para o baixo envolvimento da sociedade nas discussões sobre a gestão dos recursos hídricos. Segundo Automare, a água figura no último lugar na lista de prioridade dos cidadãos do Estado de São Paulo: "fomos induzidos a creditar a discussão sobre o assunto aos representantes e deixamos de nos envolver". Além disso, destacou, "o público não tem foro para debater, de modo que a situação fica nas mãos de tecnocratas".</p>
<p>Ribeiro também alertou sobre o paradoxo que envolve a falta de participação popular, de um lado, e o excesso de instituições para gerir a água, de outro. Para ele, "temos mais instituições que lidam com a água do que água em si. É muita instituição para pouca água. E a sociedade civil é sub-representada dentro delas".</p>
<p><strong>SEGURANÇA ALIMENTAR</strong></p>
<p>O problema da água também foi abordado do ponto de vista da qualidade. Tratando da contaminação dos recursos hídricos por agrotóxicos, Prizendt afirmou que a questão deve ser debatida tendo em vista a substituição do agronegócio, modelo de produção convencional, baseado no uso intensivo de agrotóxicos, pelo agroecologia, modelo alternativo, cujas práticas visam a manter o equilíbrio dos ecossistemas e preservar as nascentes dos rios e do sistema hídrico como um todo.<span> </span></p>
<p>De acordo com ela, os agrotóxicos são a segunda maior causa de contaminação de rios, dado que se torna particularmente preocupante considerando-se que o Brasil é campeão mundial no uso destas substâncias, sendo responsável por 1/5 do que é consumido no mundo. Além disso, disse a ambientalista, o setor agrícola corresponde a cerca de 70% do consumo de água doce no Brasil.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Ciências Ambientais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Água</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-03-21T15:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/pratica-cientifica-e-pratica-matematica">
    <title>Conferência traça paralelo entre as práticas científica e matemática</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/pratica-cientifica-e-pratica-matematica</link>
    <description>Partindo da noção de "estilo de pensamento científico", o filósofo Otávio Bueno apontará as semelhanças e diferenças entre essas duas práticas. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/otavio-bueno-1/@@images/6d25123b-a6de-4ac7-81a6-a47c087b64c4.jpeg" alt="Otávio Bueno" class="image-left" title="Otávio Bueno" /></p>
<p> </p>
<p>O filósofo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/otavio-bueno">Otávio Bueno</a>, professor da University of Miami, Estados Unidos, analisará as semelhanças e as diferenças entre a prática científica e a prática matemática na conferência <i>Estilos de Pensamento: Científico e Matemático</i>, que o <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/grupos-de-pesquisa/filosofia">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA-USP realiza no dia 26 de maio, às 14 horas, na Sala de Eventos do Instituto.</p>
<p>Segundo Bueno, a noção de "estilo de pensamento científico" tem sido empregada como uma ferramenta analítica para compreender as características das diversas formas de conduzir investigações científicas. Proposta pelo historiador da ciência Alisteir Crombie, a noção se refere originalmente a seis estilos, que descrevem as especificidades das diferentes perspectivas adotadas para problematizar a realidade: dedutivo, experimental, hipotético, taxonômico, estatístico e evolucionário.</p>
<p>Na conferência, Bueno apresentará uma leitura particular da noção de estilos de pensamento científico, que permite estendê-la ao campo da matemática, mas de maneira distinta daquela efetuada pelos filósofos da ciência Ian Hacking e Gilles-Gaston Granger.</p>
<p><i> </i></p>
<p>Graduado e mestre pela Faculdade de Letras, Filosofia e Ciência Humanas (FFLCH) da USP e doutor pela University of Leeds, Inglaterra, Bueno é professor titular e chefe do Departamento de Filosofia da University of Miami, Estados Unidos. Seus estudos concentram-se nas áreas da filosofia da ciência, filosofia da lógica, filosofia da matemática e, recentemente, da estética. É um dos editores da revista de epistemologia e filosofia da ciência <a href="http://www.springer.com/philosophy/epistemology+and+philosophy+of+science/journal/11229">"Synthese"</a>.</p>
<p>O evento é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia. <span style="text-align: justify; ">A Sala de Eventos do IEA-USP fica na Rua Praça do Relógio, 109, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo (</span><a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/iea/onde-estamos" class="external-link">localização</a><span style="text-align: justify; ">). </span>Também será possível acompanhar a transmissão da conferência ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a>. Para mais informações e inscrições, enviar mensagem para leila.costa@usp.br.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Mauro Bellesa/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Epistemologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-05-21T20:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/a-subjetividade-animal-em-debate">
    <title>Explorando a subjetividade animal</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/a-subjetividade-animal-em-debate</link>
    <description>O tema será discutido no sexto encontro do ciclo "Humanos e Animais: Os Limites da Humanidade", que acontece nos dias 29 e 30 de setembro, às 9h30, no Auditório do MAC. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>O sexto encontro do ciclo de conferências e debates <i>Humanos e Animais: Os Limites da Humanidade</i> terá como tema a subjetividade animal. Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, o evento englobará duas mesas-redondas, que acontecem nos dias 29 e 30 de setembro, às 9h30, na Sala de Eventos do Instituto.</p>
<p>A temática será abordada a partir de uma perspectiva interdisciplinar, tendo como eixo a filosofia, mas passando também pela antropologia, biologia, linguística, psicologia e direito. Segundo o coordenador do encontro, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/lorenzo-baravalle">Lorenzo Baravalle</a>, p<span style="text-align: justify; ">rofessor do Centro de Ciências Naturais e Humanas (CCNH) da UFABC </span>e integrante do grupo, "o objetivo principal é definir perguntas e esboçar linhas de resposta, mais do que chegar a conclusões definitivas".</p>
<p>Entre as questões a serem discutidas, estão: Quais são as manifestações da subjetividade animal? O tempo possui, em alguns animais, a mesma função unificadora do “eu” que certos autores consideram central para a individualidade e a subjetividade humana? É possível falar de uma consciência da morte nos animais? O conceito de “autonomia”, tomado da filosofia política e do direito, pode ser utilizado para caracterizar a subjetividade animal?</p>
<p>O debate reunirá alguns dos pesquisadores que participaram dos eventos anteriores do ciclo. A mesa-redonda do dia 29 será moderada por Baravalle e contará com três debatedores. <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/hernan-neira">Hernán Neira</a>, professor de filosofia política da Universidad de Santiago de Chile (USC), falará sobre a consciência do tempo por parte dos animais. Sua exposição se concentrará na crítica ao pensamento filosófico-biológico de Jakob von Uexküll, particularmente no que diz respeito à distinção entre a temporalidade humana, tida como objetiva, e a animal, tida como subjetiva.</p>
<p>O professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/gustavo-andres-caponi">Gustavo Andrés Caponi</a>, vai analisar a heterogeneidade das faculdades cognitivas dos seres humanos e dos outros animais à luz das ideias do naturalista francês Georger-Lous Leclerc, conde de Buffon.</p>
<p>A antropóloga <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores/eliane-sebeika-rapchan">Eliane Sebeika Rapchan</a>, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), discutirá a existência de uma "subjetividade animal" a partir de resultados de pesquisas que exploraram aspectos ligados a emoções e sentimentos, à consciência, à capacidade simbólica, entre outros, em chimpanzés selvagens e de laboratório.</p>
<p>Com moderação de Caponi, a mesa-redonda do dia 30 também terá participação de três debatedores. <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/stelio-marras">Stelio Marras</a>, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, abordará o tema da correspondência animal-humano. Para isso, recorrerá à questão clássica da antropologia "os Bororos são araras" - uma referência ao pensamento simbólico de indígenas brasileiros, os Bororos, que têm a arara como totem e não fazem uma distinção ontológica entre si mesmos e essas aves.<span> </span></p>
<p>Baravalle, agora como expositor, fará uma reflexão sobre a capacidade dos animais de perceberem a unicidade da experiência - isto é, a existência um "self", com identidade própria - e, a partir disso, vai explorar as potencialidades de um modelo teórico que possibilite uma melhor compreensão da fenomenologia da vida animal.</p>
<p>O professor do Instituto de Filosofía y Ciencias de la Complejidad (Ificc), no Chile, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/davide-vecchi">Davide Vecchi</a>, discutirá se a subjetividade é uma propriedade primitiva de todos os seres vivos ou uma faculdade condicionada a certas capacidades biológicas, como a cognição, por exemplo. Na exposição, tratará de dois casos concretos: o sistema imunológico e uma colônia de bactérias.</p>
<p><strong>CICLO</strong></p>
<p>Inaugurado em 2013, o ciclo <i>Humanos e Animais: Os Limites da Humanidade</i> trata das origens, legitimidade e consequências ético-políticas da diferenciação dos seres vivos em humanos, animais e sub-humanos (<span>neste caso, definidos por uma visão preconceituosa, segundo a qual indivíduos de certas etnias, tipos físicos ou gênero sexual são inferiores aos humanos).</span></p>
<p>O objetivo é discutir os fundamentos filosóficos e epistemológicos mais relevantes do que se entende por humano a partir de uma abordagem interdisciplinar, englobando perspectivas variadas, entre elas as da antropologia, da biologia e da ética.</p>
<p>A organização é do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-de-pesquisa/filosofia">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, da Associação Filosófica <i>Scientiae Studia</i> e do Projeto Temático Fapesp Gênese e Significado da Tecnociência: Das Relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade.<span> </span></p>
<p><strong><i>O evento é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia. Haverá transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">web</a>. Para mais informações e inscrições, enviar mensagem para </i></strong><strong><i><a href="mailto:clauregi@usp.br">clauregi@usp.br</a>.</i></strong><strong><i> O IEA fica na rua Praça do Relógio, 190, Bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo, SP.</i></strong></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ser Humano</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Animais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-09-12T17:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/festa-do-livro">
    <title>'Estudos Avançados' e 'Scientiae Studia' estarão na 16ª Festa do Livro da USP</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/festa-do-livro</link>
    <description>Instituto venderá exemplares das revistas "Estudos Avançados" e "Scientia Studiae" com 50% de desconto.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-revista-estudos-avancados-v-28-n-81/@@images/944d76c7-1288-4d5d-9971-ba13d1dbf18f.jpeg" alt="Capa Revista Estudos Avançados V 28 N 81" class="image-left" title="Capa Revista Estudos Avançados V 28 N 81" /> </th> <th></th><th><img src="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-anteriores/filosofia/CapaScientiaeStudiaVol.11No.4.jpg/@@images/d6c52617-cbab-4720-acf2-4e9fdd8ed43e.jpeg" alt="Capa Scientiae Studia - Vol. 11 - No. 4" class="image-left" title="Capa Scientiae Studia - Vol. 11 - No. 4" /></th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Este ano, a <a class="external-link" href="http://www.edusp.com.br/festadolivro/">16º Festa do Livro da USP</a> realiza-se de <span>10 a 12 de dezembro, das 9 às 21 horas, e será novamente na Escola Politécnica (Poli). Participarão </span><span>145 editoras, que venderão suas publicações com desconto mínimo de 50%. O IEA estará no estande 9 do Edifício da Engenharia Mecânica vendendo exemplares da revista "</span><a href="https://www.iea.usp.br/revista" class="external-link">Estudos Avançados</a><span>" a R$ 15,00 e da </span><span>"</span><a class="external-link" href="http://www.scientiaestudia.org.br/revista/index.asp">Scientiae Studia - Revista Latino-Americana de Filosofia e História da Ciência</a><span>" a R$ 12,50</span><span>.</span></p>
<p>A revista "'Estudos Avançados" é a publicação oficial do Instituto. Trata-se de uma revista interdisciplinar quadrimestral lançada em 1987 e já na sua 81ª edição. O grande destaque de seus números são os dossiês sobre questões sociais, institucionais, científicas e culturais de interesse da sociedade brasileira e da comunidade latino-americana.</p>
<p>"Scientiae Studia" é uma publicação trimestral do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) editada pela Associação Filosófica Scientiae Studia, cujos integrantes participam do Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA.</p>
<p><span>A 16ª Festa do Livro da USP é uma realização da Edusp (Editora da USP) e da Poli, com apoio da Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária e da Prefeitura do Campus USP da Capital.</span></p>
<p><span></span>Além de no Edifício da Engenharia Mecânica, haverá estandes também nos Edifícios da Engenharia Civil e da Engenharia Elétrica. Os acessos à feira são o Bolsão de Estacionamento da Poli, que fica na avenida Prof. Luciano Gualberto, 380, travessa 3, ou a entrada do Edifício da Mecânica, na avenida Prof. Mello Moraes, 2.231 (<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/documentos/16a-festa-do-livro-da-usp" class="external-link"><i>veja mapas e a localização das editoras</i></a>). Para mais informações: <a class="mail-link" href="mailto:feiradolivro@usp.br">festadolivro@usp.br</a> e <a class="external-link" href="http://www.edusp.com.br/festadolivro">www.edusp.com.br/festadolivro</a>.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Revistas IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Scientiae Studia</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-12-03T16:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/nova-edicao-da-estudos-avancados-discute-as-relacoes-entre-sociedade-e-ambiente-ciencias-e-valores">
    <title>Nova edição da 'Estudos Avançados' discute as relações entre sociedade e ambiente, ciência e valores</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/nova-edicao-da-estudos-avancados-discute-as-relacoes-entre-sociedade-e-ambiente-ciencias-e-valores</link>
    <description>A edição 82 da revista "Estudos Avançados" traz 14 artigos divididos em dois dossiês temáticos — "Sociedade e Ambiente" e "Ciências, Valores e Alternativas I" — além de sete resenhas e um comentário.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-revista-estudos-avancados-v-28-n-82" alt="Capa Revista Estudos Avançados V 28 N 82" class="image-right" title="Capa Revista Estudos Avançados V 28 N 82" />A edição 82 da revista "<a href="https://www.iea.usp.br/revista/">Estudos Avançados</a>", lançada neste mês e já disponível na <a class="external-link" href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0103-401420140003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso">Scielo</a>, traz 14 artigos divididos em dois eixos temáticos — "Sociedade e Ambiente" e "Ciências, Valores e Alternativas I" — além de sete resenhas e um comentário.</p>
<p>Segundo Alfredo Bosi, editor da publicação, "o primeiro eixo enfrenta questões conceituais e históricas relativas ao papel da sustentabilidade na luta pela governança global de bens comuns, como a biodiversidade, o clima e os oceanos".</p>
<p>A seção reúne nove artigos de 14 autores, que tratam das relações entre sociedade e meio ambiente com foco tanto em questões conceituais amplas, centradas em discussões sobre sustentabilidade, energia e percepção pública das mudanças climáticas, quanto em questões mais específicas, voltadas para o cenário interno brasileiro e, sobretudo, paulistano.</p>
<p>O segundo eixo, por sua vez, traz cinco textos de cinco autores, que apresentam resultados de pesquisas desenvolvidas nos últimos anos no âmbito do Projeto Temático Fapesp “Gênese e Significado da Tecnociência: Das Relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade”, com foco em aportes teóricos.<span> </span></p>
<p>Trata-se da primeira parte do dossiê "Ciências, Valores e Alternativas", proposto pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA e organizado por Pablo Mariconda, coordenador do grupo, e Hugh Lacey, professor visitante Fapesp e membro do grupo.</p>
<p>De acordo com os pesquisadores, os artigos têm por objetivo "fornecer uma firme sustentação filosófica e metodológica para a pesquisa multiestratégica, e ilustrar o potencial da sua agenda positiva, contribuindo com os críticos da tecnociência comercialmente orientada".</p>
<p>A parte final do dossiê, que terá como tema "Agroecologia, Saúde e Biodiversidade",  será publicada na próxima edição da "Estudos Avançados", com previsão de lançamento para abril de 2015.</p>
<p><strong>FACES DA SUSTENTABILIDADE</strong></p>
<p>No artigo de abertura da revista, "O Âmago da Sustentabilidade", José Eli da Veiga faz uma discussão teórica sobre o conceito de sustentabilidade, procurando retomar seu significado original. Para ele, a banalização do termo "provocou uma grande amnésia sobre suas origens, o que obscureceu o sentido histórico de sua legitimação como um novo valor" e colocou em suspeição "a possibilidade e a esperança de que a humanidade pode sim se relacionar com a biosfera de modo a evitar os colapsos profetizados nos anos 1970."</p>
<p>Veiga analisa o pensamento de pesquisadores que desvirtuaram o termo ao apontarem para cenários catastrofistas e negarem a viabilidade de um desenvolvimento sustentável. Além disso, apresenta evidências empíricas que refutam os prognósticos pessimistas e reforçam a factibilidade de se conservar e recuperar o meio ambiente, tal como sugere o conceito de sustentabilidade.</p>
<p>"Sustentabilidade é uma noção incompatível com a ideia de que o desastre só estaria sendo adiado, ou com qualquer tipo de dúvida sobre a real possibilidade do progresso da humanidade. Em seu âmago está uma visão de mundo dinâmica, na qual transformação e adaptação são inevitáveis, mas dependem de elevada consciência, sóbria precaução e muita responsabilidade diante dos riscos e, principalmente, das incertezas. Daí a importância crucial de um sinérgico avanço do conhecimento sobre governança global e cooperação", conclui.</p>
<p>"Respostas às Mudanças Climáticas: Inovação Tecnológica ou Mudança de Comportamento Individual", artigo que fecha o eixo temático "Sociedade e Ambiente", também aborda o tema da sustentabilidade, mas a partir de uma perspectiva aplicada, voltada para a percepção pública internacional.</p>
<p>No texto, Fabián Echegaray e Michele Feyh Afonso tratam da opinião da população de diversos países sobre as duas principais alternativas de resposta às mudanças climáticas: apostar na inovação tecnológica ou promover uma mudança de comportamento individual rumo a um estilo de vida mais sustentável. Com base em dados do estudo anual de opinião Radar, da rede GloboScan, realizado em 15 países de todo o mundo, as autoras identificam, ainda, os fatores contextuais que explicam as diferenças de posicionamento entre pessoas de uma nação e outra.<span> </span></p>
<p>De acordo com elas, "são os países menos desenvolvidos, com moderado desenvolvimento institucional e condições ambientais favoráveis que suportam a solução do problema sobre a tecnologia. Enquanto países mais desenvolvidos, com forte desenvolvimento institucional e condições ambientais desfavoráveis, se mostram mais céticos com relação à tecnologia, percebendo como necessárias mudanças nos hábitos e comportamentos individuais".<span> </span></p>
<p><strong>ENERGIA E DESENVOLVIMENTO</strong></p>
<p>Três artigos tratam da temática da energia, questão que está no cerne dos debates sobre a relação do homem com o meio ambiente. Em "Energia e Sociedade", Joaquim Francisco de Carvalho examina as correlações entre demografia, o estágio de desenvolvimento econômico e o consumo energético. O autor explora a evolução das fontes de energia ao longo do tempo, mostrando que antigas fontes foram substituídas por outras, mais novas e eficientes, na medida em que as tecnologias avançaram e o sistema produtivo se tornou mais complexo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>"</strong>Assim, a força muscular foi complementada pela lenha e pela tração animal, que por sua vez foi complementada pela energia das águas e dos ventos etc. Depois veio o carvão, que foi complementado pelo petróleo – ou por esse substituído, na indústria, nos transportes e nos modernos sistemas agroindustriais."</p>
<p>De acordo com Carvalho, embora o gás e o petróleo, ambos não-renováveis, sejam as fontes mais eficientes e apropriadas para o uso em larga escala nesses três setores, a tendência é que sejam substituídos, tal como aconteceu no passado. Para ele, o investimento em fontes alternativas e limpas, como eólica, solar e hidrelétrica, associado ao caráter finito dos recursos naturais e aos impactos ambientais provocados pelos combustíveis fósseis, levará ao abandono gradativo das fontes poluentes e não-renováveis. Mas, para isso, "é indispensável investir seriamente no desenvolvimento de fontes de energia que sejam renováveis e limpas."</p>
<p>O autor conclui que, embora as sociedades subdesenvolvidas necessitem de um alto consumo de energia per capta, o crescimento, particularmente o consumo, deve ser limitado ao alcance de um nível de qualidade de vida razoável "até porque o desenvolvimento não depende necessariamente de crescimento, mas sim de outros fatores, como a melhoria da educação, um maior acesso à informação, melhor qualidade do produto, racionalidade e manutenção de sistemas de transporte de passageiros e de carga, e assim por diante."</p>
<p>Em  "Gás 'de Xisto' no Brasil: Uma Necessidade", Wagner Ribeiro avalia a relação custo X benefício da exploração das reservas brasileiras do gás de folhedo, conhecido como gás "de xisto", apontada por muitos como a melhor solução para baratear a geração de energia no país. <strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O autor aponta quatro pontos negativos da extração do gás para aplicação no setor energético: 1) consiste numa fonte de energia não renovável e emissora de gases causadores do efeito estufa; 2) trata-se de uma atividade intensiva e de curta duração, que leva um recurso natural à exaustão em aproximadamente uma década; 3) o fraturamento hidráulico, técnica aplicada na extração do gás, pode causar o rebaixamento da superfície terrestre e tremores locais; 4) além disso, o procedimento utiliza substâncias químicas que contaminam o solo e a água, tendo sido proibido em diversos países.</p>
<p>Mas, segundo Ribeiro, no caso específico do Brasil, o principal fator contrário à exploração desse recurso natural diz respeito ao destino que terá. De acordo com o autor, como o país não dispõe de uma rede de distribuição que possibilite o uso doméstico do gás para aquecimento de água, responsável pela maior parte do consumo energético nas residências, o gás de folhedo seria usado como fonte complementar em usinas termelétricas para a geração de energia designada a grandes consumidores do setor mineral, particularmente aos produtores de bauxita, ferro, aço, celulose e papel.<span> </span></p>
<p>"Ou seja, ele será usado para manter o país em uma posição periférica no sistema internacional, como simples fornecedor de matéria-prima, quando o que precisamos é ousar e propor um novo modelo de produção energética e de materiais renováveis, baseado no uso da biotecnologia e seu conhecimento associado, abundantes em nosso país."<span> </span></p>
<p>Já em "Olhares sobre a Hidreletricidade e o Processo de Licenciamento no Brasil, Priscilla Piagentini, Roseli Benasi e Cláudio Luis Penteado se voltam para a questão da energia com foco nos impasses em torno de uma fonte renovável. No artigo, as pesquisadoras exploram dados da pesquisa de opinião que realizaram com atores envolvidos no processo de licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas no país, entre os quais promotores de justiça, acadêmicos, especialistas, advogados, ativistas e representantes de ONG's, movimentos sociais, empresas de consultoria e concessionárias de energia elétrica.<span> </span></p>
<p>Segundo as autoras, os dados, coletados por meio de questionários, mostraram que "a divergência de opiniões, pautadas por interesses e objetivos distintos, é, de um lado, interessante no instante em que enriquecem o debate. Todavia, tal cenário revela a permanência de uma imaturidade social arraigada na existência de priorizações específicas, quando na verdade tais ações deveriam ser conduzidas sob uma visão sistêmica".</p>
<p><strong>SÃO PAULO EM PERSPECTIVA</strong><span> </span></p>
<p>As especificidades da realidade socioambiental da cidade de São Paulo foram abordadas em três artigos. Em "Variabilidade Climática e Qualidade da Água no Reservatório Guarapiranga", Sofia Oliver e Helena Ribeiro relataram o estudo que conduziram sobre a correlação entre variáveis climáticas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) — particularmente o regime de chuvas e a alteração da temperatura atmosférica — e a densidade de cianobactérias, tomada como indicador de qualidade da água no Sistema Guarapiranga.</p>
<p>As autoras concluíram que a crescente concentração de cianobactérias está relacionada à elevação da pluviosidade e das médias de temperatura durante os períodos de chuva na região, fenômeno que pode estar ligado ao aquecimento global. Inferiram, ainda, que a densidade desses micro-organismos continuará aumentado se a tendência observada nas últimas quatro décadas a um tempo cada vez mais quente e chuvoso se mantiver — cenário visto com preocupação pelas pesquisadoras, dado que as cianobactérias são produtores potenciais de toxinas prejudiciais à saúde humana.</p>
<p>O artigo "Contribuições das Ciências Humanas para o Debate sobre Mudanças Ambientais: Um Olhar sobre São Paulo" também se volta para os impactos ambientais ligados à questão climática em São Paulo, mas numa escala reduzida, concentrada na região da subprefeitura do Butantã, zona oeste da cidade.</p>
<p>No texto, Gabriela Di Giulio e Maria da Penha Vasconcellos apresentam resultados da pesquisa que desenvolveram com o objetivo de compreender a percepção dos paulistanos sobre os riscos associados às mudanças climáticas, bem como sobre o papel que podem desempenhar no enfrentamento da crise ambiental. Com base em reflexões críticas oriundas das Ciências Humanas, as autoras destacam, "neste movimento de resposta aos problemas urbanos e riscos climáticos, a importância de considerar a população como parte integrante, se não fundamental, para as mudanças socioambientais".</p>
<p>Já em "Requalificação Urbana em Áreas Contaminadas na Cidade de São Paulo", Mateus Habermann aborda o problema da contaminação do solo e da água subterrânea em imóveis de regiões centrais da capital. Ao avaliar a densidade urbana, disponibilidade de infraestrutura de saneamento e situação socioeconômica dos moradores, o pesquisador conclui que há potencial para recuperação, ocupação e requalificação urbana de áreas contaminadas, e ressalta a necessidade de o poder público atuar como indutor desse processo.</p>
<p>Embora não trate da cidade de São Paulo, "Secas e Políticas Públicas no Semiárido: Ideias, Pensadores e Períodos" também traz um ponto de vista local sobre as relações entre meio ambiente e sociedade. No artigo, José Nilson Campos periodiza as políticas públicas contra a seca implementadas no Nordeste desde o período colonial.<span> </span></p>
<p>Embora reconheça que as políticas públicas em questão resultaram em avanços significativos, viabilizando o crescimento e a industrialização da região nordestina, o autor ressalta que "há ainda muitos desafios, como a erradicação da pobreza, a eliminação das desigualdades regionais, aumentos de conhecimentos na gestão das águas, principalmente no que diz respeito à qualidade das águas dos reservatórios. A redução, ou eliminação, das poluições dos corpos hídricos constitui-se no maior desafio para os futuros governos".</p>
<p><strong>CIÊNCIA, VALORES E ALTERNATIVAS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>No texto de apresentação da primeira parte do dossiê "Ciência, Valores e Alternativas", Mariconda e Lacey afirmam que os artigos abordam, a partir de diferentes perspectivas, o modelo de interação entre as atividades científicas e os valores (M-CV) que vem sendo desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia <span style="text-align: justify; ">no âmbito do já mencionado Projeto Fapesp.</span></p>
<p>"Esperamos que os artigos de ambos os dossiês sirvam para demonstrar que o M-CV fornece ferramentas tanto para criticar as atividades científicas contemporâneas quanto para identificar possibilidades alternativas e importantes da pesquisa que não estão recebendo o devido reconhecimento nas instituições científicas predominantes".</p>
<p>Para introduzir a temática, em "O Modelo de Interação entre as Atividades Científicas e os Valores na Interpretação das Práticas Científicas Contemporâneas", Mariconda e Lacey explicam os princípios que norteiam M-CV, mostrando que diferentes tipos de valores desempenham diferentes funções nas cinco etapas da atividade científica: adoção da estratégia da pesquisa, desenvolvimento da pesquisa, avaliação cognitiva das teorias e hipóteses, disseminação de resultados científicos; e aplicação do conhecimento científico.</p>
<p>Além disso, abordam as tensões entre as duas opções atuais para o desenvolvimento da ciência — a tecnociência comercialmente orientada, predominante nas instituições científicas, e a pesquisa multiestratégica; e ressaltam a necessidade de explorar as possibilidades trazidas por esta última como forma de garantir a integridade da ciência e de fortalecer os interesses democráticos.</p>
<p>"A predominância da tecnociência comercialmente orientada conduz ao fortalecimento dos valores do progresso tecnológico, bem como aos valores do capital e do mercado e, em grau importante, ao custo do enfraquecimento dos valores da justiça social, da democracia participativa e da sustentabilidade ambiental e local, enquanto a pesquisa multiestratégica pode servir para fortalecer esses valores."<span> </span></p>
<p><strong>HEGEMONIA DA TECNOCIÊNCIA</strong></p>
<p>As consequências da hegemonia da tecnociência comercialmente orientada são discutidas em dois artigos. Em "A Dádiva como Princípio Organizador da Ciência", Marcos Barbosa de Oliveira fala sobre os processos de empresariamento promovido pelas políticas científicas neoliberais. Tais processos dizem respeito à aplicação de princípios e métodos típicos de empresas privadas na gestão da atividade científica, que se traduz em parâmetros quantitativos e produtivistas de avaliação das pesquisas.</p>
<p>Segundo Oliveira, "tais princípios e métodos caracterizam-se por operar com base nas relações de custo/benefício, ou insumo/produto (<i>input</i>/<i>output</i>), ou investimento/retorno, ou ainda, mais precisamente, com base em parâmetros quantitativos — em última análise monetários — tendo por objetivo a maximização de um deles, no caso paradigmático, o lucro".</p>
<p>O autor elenca uma série de problemas ocasionados pelo empresariamento da ciência, entre os quais "a deterioração da qualidade de vida dos pesquisadores; a incompatibilidade com o exercício da responsabilidade social na ciência; a proliferação de fraudes de vários tipos; o declínio na qualidade da produção". Propõe, assim, um esquema conceitual fundamentado na transição de critérios quantitativos para qualitativos na avaliação acadêmica.</p>
<p>Ivan Domingues também aborda o imperativo de aumentar a produtividade científica no artigo "O Sistema de Comunicação da Ciência e o Taylorismo Acadêmico: Questionamentos e Alternativas".</p>
<p>De acordo com Domingues, o termo "taylorismo" mostra-se mais adequado que "produtivismo" porque ressalta "o viés administrativo da produção acadêmica, associado ao sistema de incentivos e coerções, que vão junto com as recompensas e as punições, permeáveis às coerções dos governos, das agências de fomento, da administração central das universidades, levando à estandardização dos processos e à explosão das publicações".</p>
<p>O autor afirma que o taylorismo está intrinsecamente ligado à disseminação da produção e dos resultados da atividade científica entre os pares, bem como aos indexadores que determinam os índices de impacto de periódicos e artigos. "Se pudéssemos resumir tudo numa só frase, diríamos que a alma do sistema taylorista é o 'publicar ou perecer', sua <i>ratio </i>é o <i>quantum</i>, seu método, as métricas, e seu corpo ou matéria é o artigo científico".</p>
<p>Observa, ainda, que embora o taylorismo esteja naturalizado na cultura científica, "os contrafatos abundam, as incertezas aumentam, as fraturas crescem e ameaçam levar o sistema à ruína". Para exemplificar, menciona iniciativas voltadas para o questionamento da taylorização, como o movimento do <i>slow science</i>, que busca romper com a lógica do produtivismo acadêmico; a criação de filtros de qualidade; mudanças no sistema de revisão por pares; livre acesso a artigos e periódicos; entre outros.</p>
<p>Para o autor, trata-se de "religar o éthos da ciência fraturado pelo taylorismo acadêmico" e, assim, construir uma alternativa à ética utilitarista da ciência capaz de "contrapor ao agonismo da competição que leva ao tudo ou nada do 'publique ou pereça' o deleite da contemplação da obra que se pereniza e sobrevive ao indivíduos".</p>
<p><strong>TECNOLOGIA SOCIAL</strong><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Em "A Tecnologia Social como Alternativa para a Reorientação da Economia", artigo que fecha a primeira parte do dossiê, Sylvia Gemignanin Garcia discute os potenciais e limites da Tecnologia Social (TS) ­— concepção alternativa à tecnociência, que busca expandir a racionalidade da ciência "às dimensões éticas e sociais da existência".<span> </span></p>
<p>Garcia  afirma que, ao "orientar a produção e a difusão de conhecimentos a partir de necessidades e interesses identificados aos grupos situados nos estratos inferiores da hierarquia social", a TS oferece contribuições valiosas para a construção de uma "outra economia", seja por viabilizar a sustentabilidade econômica, ambiental, política, social e cultural de empreendimentos solidários; seja por estimular, via o fortalecimento da Economia Solidária (ES), formas de produção, organização social, trocas econômicas e relações políticas alternativas.</p>
<p>Como exemplo, a autora apresenta o "Programa Um Milhão de Cisternas no Semiárido", iniciativa de TS desenvolvida a partir de uma parceria entre o governo federal e ONGs, com o objetivo de fomentar a construção de cisternas pelas próprias famílias beneficiadas e, com isso, possibilitar a expansão de experiências de ação coletivas.</p>
<p>"O desenho dessa política contempla a participação direta dos membros da família na construção e manutenção da cisterna e na troca de experiências e informações técnicas com outras famílias, de modo a promover o associativismo e formas de cooperação voluntária, integrando o propósito material de acesso à água com o objetivo de fortalecimento cultural e político das populações envolvidas", conclui.</p>
<hr />
<p><i>"Estudos Avançados" nº 82, 338 páginas, R$ 30,00 (assinatura anual com três edições por R$ 80,00). Informações sobre como adquirir exemplares ou assinar a publicação podem ser obtidas com Edilma Martins (</i><i><a href="mailto:edilma@usp.br">edilma@usp.br</a>)</i><i>.</i></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Tecnociência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Publicações</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sustentabilidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-12-12T21:10:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/pablo-mariconda-participa-de-discussao-sobre-a-liberacao-comercial-de-milho-e-soja-transgenicos-tolerantes-ao-herbicida-2-4-d-em-brasilia">
    <title>Pablo Mariconda participa de discussão sobre a liberação comercial de milho e soja transgênicos tolerantes ao herbicida 2,4-D em Brasília</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/pablo-mariconda-participa-de-discussao-sobre-a-liberacao-comercial-de-milho-e-soja-transgenicos-tolerantes-ao-herbicida-2-4-d-em-brasilia</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="invisible">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: justify; "><span style="text-align: start; float: none; ">O Ministério Público Federal realizou no dia</span><span style="text-align: start; float: none; "> 12 de dezembro de 2013, em Brasília, audiência pública para discutir os riscos da liberação para uso comercial de sementes de milho e soja geneticamente modificadas tolerantes ao herbicida 2,4D, utilizado para combater ervas daninhas de folha larga. O evento aconteceu no Auditório Pedro Jorge I da Escola Superior do Ministério Público da União e contou com a participação do Prof. Pablo Mariconda, coordenador do grupo de pesquisa <i>Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</i> do IEA.<br /><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia/mpf-discute-riscos-de-liberacao-de-sementes-transgenicas-tolerantes-a-herbicida" class="external-link">Para ler mais sobre o evento, clique aqui.</a><br /></span></td>
<td><img src="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-anteriores/filosofia/filosofia-historia-e-sociologia-da-ciencia-e-tecnologia/audincia_braslia2.jpg/@@images/ab53a066-6053-44ee-b85e-843a36a4e423.jpeg" title="Audiência Pública - Transgênicos - Brasília" height="152" width="118" alt="Audiência Pública - Transgênicos - Brasília" class="image-inline" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Leila Costa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-12-13T02:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/revista-83">
    <title>Revista 'Estudos Avançados' discute identidade da arqueologia brasileira</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/revista-83</link>
    <description>Edição 83 da revista "Estudos Avançados" traz dossiê Aspectos da Arqueologia Brasileira e segunda parte do dossiê Ciência, Valores e Alternativas.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-revista-estudos-avancados-v-29-n-83/@@images/73a1a75f-1c7c-4c22-86fc-52dbc6c28a1a.jpeg" alt="Capa Revista Estudos Avançados V 29 N 83" class="image-right" title="Capa Revista Estudos Avançados V 29 N 83" />“Existe uma contribuição teórica original que a arqueologia brasileira pode fazer à disciplina?”. O autor da pergunta é Eduardo Góes Neves, pesquisador do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e organizador do dossiê Aspectos da Arqueologia Brasileira, que abre a nova edição (nº 83) da revista “Estudos Avançados”. <i>(A edição digital está disponível na <a class="external-link" href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0103-401420150001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso">SciELO</a>.)</i></p>
<p>Além da discussão sobre a identidade da arqueologia brasileira, o dossiê contém também artigos sobre a Amazônia, o Pantanal, as práticas etílicas dos tupi-guarani, o povoamento inicial da América do Sul e as paisagens culturais do planalto sul brasileiro.</p>
<p><strong>História e temporalidade</strong></p>
<p>No artigo introdutório “Existe Algo que se Possa Chamar de ‘Arqueologia Brasileira’?”, Neves avalia se existe um corpo de problemas e dados particulares que sejam exclusivos, ou ao menos uma prerrogativa, da arqueologia brasileira. Ele diz não ter uma resposta clara para essa questão, mas afirma estar certo de que ela passa por uma aproximação dos conceitos de história e temporalidade das sociedades indígenas sul-americanas.</p>
<p>O texto de Neves é comentado por Ulpiano Bezerra de Meneses, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), autor do artigo “A Identidade da Arqueologia Brasileira”.</p>
<p>Para Meneses, a aproximação entre história e temporalidade defendida por Neves é instigante, viável etnograficamente, mas arqueologicamente apresenta inúmeros percalços, pois “do ponto de vista dos grupos estudados, não se pode supor o mesmo tipo de relação que temos com os artefatos”.</p>
<p>Em relação ao quadro referencial dos arqueólogos brasileiros, Meneses diz que é necessário “reiterar o alerta feito por Eduardo Neves: é preciso olhar menos para fora do continente, em busca de referências teóricas, e, inversamente, melhor nas evidências locais disponíveis”.</p>
<p>Os outros artigos do dossiê são: “O determinismo Agrícola na Arqueologia Brasileira”, de Claide de Paula Moraes; “Arqueologia e História Indígena no Pantanal”, de Eduardo Bespalez; “Arqueologia dos Fermentados: A Etílica História dos Tupi-Guarani”, de Fernando Ozório de Almeida; “Povoamento Inicial da América do Sul: Contribuições do Contexto Brasileiro”, de Lucas Bueno e Adriana Dias; e “Gênese das Paisagens Culturais do Planalto Sul Brasileiro”, de Silvia Moehlecke Copé.</p>
<p><strong>Ciência e valores</strong></p>
<p>Além do dossiê sobre a arqueologia brasileira, a edição 83 publica a segunda parte do dossiê Ciências, Valores e Alternativas, organizado pelo Grupo de Pesquisa História, Filosofia e Sociologia da Ciência e da Tecnologia e constituído de resultados das pesquisas desenvolvidas pelo grupo no âmbito do Projeto Temático Fapesp Gênese e significado da Tecnociência: Das Relações entre Ciência, Tecnologia e Valores.</p>
<p>Se na primeira parte (publicada na <a class="external-link" href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0103-401420140003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso">edição 82</a>) os textos se preocupavam com questões metodológicas das pesquisas sobre as relações entre ciência e valores, desta vez os artigos tratam de três áreas onde a atenção aos valores se reveste de importância fundamental: agroecologia, saúde e biodiversidade.</p>
<p>O primeiro tópico é discutido por <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/ex-professores-visitantes/ex-professores-visitantes-internacionais/hugh-matthew-lacey" class="external-link">Hugh Lacey</a>, em “A Agroecologia: Uma Ilustração da Fecundidade da Pesquisa Multiestratégica”, e por Rubens Onofre Nodari e Miguel Pedro Guerra, em “A Agroecologia: Estratégias de Pesquisa e Valores”. Lacey foi professor visitante do IEA em 2011 e 2013 e atualmente coordena o <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia/projeto/subgrupo-agroecologia" class="external-link">Grupo de Trabalho Agroecologia</a>, do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA.</p>
<p>Os dois outros tópicos são tratados por <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/ex-professores-visitantes/ex-professores-visitantes-internacionais/nicolas-lechopier" class="external-link">Nicolas Lechopier</a>, professor visitante do IEA em 2013, que colabora com “Quatro Tensões na Saúde Pública”, e Ana Tereza Reis da Silva, autora de “A Conservação da Biodiversidade entre os Saberes da Tradição e da Ciência”.</p>
<p><strong>Outros textos</strong></p>
<p>A revista traz também artigos sobre economia, mudanças na ortografia e antropologia.</p>
<p>O economista Ladislau Dowbor, docente da PUC-SP, é o autor do artigo “O Sistema Financeiro Atual Trava o Desenvolvimento Econômico”. Nele, Dowbor analisa como o sistema de intermediação financeira esteriliza os recursos do país ao drenar volumes impressionantes de recursos que deveriam servir ao fomento produtivo e ao desenvolvimento econômico.</p>
<p>Em “Uma Visão Tranquila e Científica do Novo Acordo Ortográfico”, o filólogo Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, comenta as críticas ao Acordo Ortográfico de 1990.</p>
<p>No artigo “A ‘ocupação’ do Congresso: Contra o Quê Lutam os Índios?”, as antropólogas Artionka Capiberibe, da Unicamp, e Oiara Bonilla, da Universidade Federal Fluminense (UFF), tratam do embate entre política e modelo econômico subjacente à resistência das populações indígenas ao agronegócio e seus representantes no Congresso Nacional.</p>
<p>A edição se completa com seis resenhas sobre os livros mais recentes de Nabil Bonduki, Ana Paula Koury, Marco Bobbio, Michael Löwy, Mauro Rosso (como organizador) e um ensaio de Lorenzo Mammì sobre a instalação “Clara Clara” de Laura Vinci.</p>
<p><strong><i>“Estudos Avançados” nº 83 (janeiro-abril/2015), 352 páginas, R$ 30,00. Assinatura anual (três edições): R$ 80,00</i><i>. Informações: <a href="https://www.iea.usp.br/revista">www.iea.usp.br/revista</a>, <a href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a> ou telefone (11) 3091-1675.</i></strong></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Arqueologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-05-13T13:25:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/a-pratica-agroecologica-sob-a-perspectiva-cientifica">
    <title>A prática agroecológica sob a perspectiva da ciência</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/a-pratica-agroecologica-sob-a-perspectiva-cientifica</link>
    <description>O filósofo Hugh Lacey fez uma exposição sobre o tema na conferência  "Agroecologia como Ciência", organizada pelo Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/agroecologia-como-ciencia-1" alt="Agroecologia como Ciência 1 " class="image-right" title="Agroecologia como Ciência 1 " /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Os filósofos Hugh Lacey e Pablo Mariconda<br />na abertura da conferência</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Apontada por ambientalistas e movimentos socais como alternativa ao sistema agroalimentar convencional, a agroecologia é frequentemente deslegitimada por basear-se no saber popular e por desenvolver-se como contraponto ao agronegócio, cujo modelo de produção agrícola avança com o auxílio do conhecimento científico e tecnológico.</p>
<p>Mas esse cenário pouco a pouco começa a mudar graças a iniciativas acadêmicas voltadas para a estruturação da prática agroecológica como área da pesquisa. É o caso do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia/projeto/subgrupo-agroecologia" class="external-link">Grupo de Trabalho (GT) Agroecologia</a> — projeto do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos/filosofia" class="external-link">Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</a> do IEA, com o objetivo de investigar as diferentes dimensões da agroecologia e de fomentar estudos científicos que contribuam para a transição agroecológica.</p>
<p>No dia 14 de abril, o filósofo <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/professores-visitantes/hugh-lacey" class="external-link">Hugh Lacey</a>, coordenador do GT e professor emérito do Swarthmore College, Estados Unidos, falou sobre as características distintivas da pesquisa agroecológica na<i> </i>conferência <i>Agroecologia como Ciência</i>.</p>
<p>Conhecido por criticar a submissão da atividade científica e tecnológica aos interesses econômicos, particularmente no que diz respeito à transgenia, Lacey ressaltou que o modelo de produção agroecológico visa a cultivar ecossistemas otimamente equilibrados a partir de métodos alinhados com os princípios da sustentabilidade ecológica e social. De acordo com ele, entre as prioridades da agroecologia estão "preservação da biodiversidade; respeito aos direitos humanos; segurança alimentar; relações igualitárias, justas e sem violência; e empoderamento das comunidades locais".</p>
<p>Alinhada com essas prioridades, a pesquisa agroecológica busca identificar as condições gerais e específicas — sociais, econômicas, políticas e técnicas — para gerar e manter agrossistemas em estado de equilíbrio. "A pesquisa agroecológica oferece resposta à questão 'como deve ser conduzida a pesquisa de modo a assegurar que direitos e bem-estar sejam para todos e para que os poderes regenerativos da natureza não sejam solapados?'", explicou, lembrando que se trata de reformar as práticas convencionais, isto é, "de transformar, ao invés de substituir, aquilo que já informa a prática".</p>
<p>Por isso, completou, a agroecologia como ciência contrapõe-se ao modelo agrícola convencional, marcado por "mecanização; monocultura; exploração dos trabalhadores rurais; dependência tecnológica e de insumos derivados do petróleo; uso de agrotóxicos e transgênicos; e por uma produção dirigida a um mercado sob controle de corporações e multinacionais".</p>
<p>Volta-se, assim, para a produção de conhecimentos científicos que fomentem o desenvolvimento e a expansão da agroecologia como prática agrícola. Para isso, destacou o filósofo, as estratégias de pesquisa na área devem seguir três diretrizes centrais:</p>
<ul>
<li>Estudar física, química e biologia a partir de uma perspectiva humanista, tendo em vista aspectos sociais, históricos e culturais;</li>
<li>Integrar o conhecimento científico com os conhecimentos populares, tradicionais e indígenas, para que se obtenha um conhecimento múltiplo;</li>
<li>Incluir os agricultores nas atividades científicas como participantes ativos.</li>
</ul>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Diálogo</strong></p>
<p>Segundo Lacey, a proposta da agroecologia como ciência pressupõe, em primeiro lugar, o diálogo entre cientistas e membros das comunidades agrícolas que endossam a prática agroecológica.</p>
<table class="tabela-esquerda-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/agroecologia-como-ciencia-2" alt="Agroecologia como Ciência 2" class="image-left" title="Agroecologia como Ciência 2" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Público durante a exposição de Hugh Lacey</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ele enfatizou que estabelecer relações simétricas entre especialistas, de um lado, e indígenas, camponeses e agricultores familiares, de outro — incorporando seus princípios, valores, práticas, experiências e tradições na pesquisa agroecológica —, implica rejeitar a ideia de superioridade e exclusividade do conhecimento produzido por instituições científicas modernas.</p>
<p>Além disso, afirmou, o diálogo entre ciência e prática agroecológica desafia a ideia amplamente difundida de que a atividade científica é capaz de resolver qualquer problema. "A resolução de conflitos requer o desenvolvimento de um novo nível de entendimento, o qual envolve mudanças tanto no conhecimento científico quanto no tradicional", ponderou.</p>
<p>Contudo, ao apostar nesse diálogo, Lacey não propõe a assimilação automática de qualquer saber popular à ciência. "Mudar significa o reconhecimento de outras estratégias holísticas sujeitas à confirmação a partir de dados empíricos, e não a abertura a qualquer opinião", advertiu.</p>
<p><strong>Questão de contexto</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Na avaliação de Lacey, o diálogo entre ciência moderna e tradição torna possível desenvolver um modelo de interação entre valores e atividades científicas que leve em consideração os contextos sociais, ecológicos e humanos implicados na escolha das estratégias de investigação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Isso porque, de acordo com o filósofo, a falta de compromisso da ciência com os efeitos socioambientais que gera está associada à carência de recursos metodológicos para o entendimento adequado da agroecologia. "Quase todas as pesquisas feitas nas instituições científicas modernas adotam as estratégias descontextualizadas, as quais representam a ordem subjacente", disse, acrescentando que "há uma relação de reforço mútuo entre estratégias de pesquisa e valores do capital e progresso tecnológico".</p>
<p>Para ele, as tensões entre atividade científica e prática agroecológica derivam das divergências em torno do princípio da contextualização. "Nas estratégias agroecológicas há uma relação de reforço mútuo com sustentabilidade, valores da justiça social e participação democrática", observou. "Precisamos de estratégias mais sensíveis ao contexto", completou.</p>
<p>Como exemplo dessa divergências, Lacey mencionou as diferentes formas de lidar com a "semente", elemento básico dos agrossistemas. No sistema agroalimentar hegemônico, afirmou o filósofo, a semente é vista como uma mercadoria, tal como ocorre no âmbito da transgenia: "As sementes não são parte da colheita, mas compradas no mercado, e precisam ser usadas associadas com outros produtos, como fertilizantes e agrotóxicos".</p>
<p>Já no caso da agroecologia, a semente é vista como uma entidade biológica inserida num contexto social, ecológico e humano — "um recurso renovável e regenerativo, fonte e parte de colheitas, cujo uso contribui para a estabilidade dos agrossistemas dos quais são componentes", explicou.</p>
<p><strong>Obstáculos</strong></p>
<p>A expectativa de Lacey é que a estruturação da agroecologia como ciência contribua para a transposição de dois grandes obstáculos ao avanço do modelo agroecológico de produção: a carência de recursos e a resistência dos agricultores.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A questão dos recursos diz respeito sobretudo ao custeio dos estudos desenvolvidos nas universidades, que geralmente são financiados por laboratórios e grandes corporações. Segundo o filósofo, isso faz com que os cientistas da área fiquem amarrados aos interesses do capital. Daí a necessidade de investir na agroecologia como ciência e de dar forma a estratégias de pesquisa plurais, que permitam unir multinacionais e comunidades agroecológicas, afirmou.</p>
<p>"É importante tentar introduzir a agricultura em muitas áreas da universidade, não só na agronomia. O sistema total agroalimentar engloba diversas dimensões — saúde, psicologia, sociologia, ciências políticas. Nossa luta dentro da universidade envolve um esforço dentro de muitas áreas", relatou.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>De acordo com ele, a incorporação da agroecologia à atividade científica pode ajudar a romper, também, a barreira do ceticismo, uma vez que é difícil convencer pequenos agricultores tradicionais a adotar as práticas agroecológicas. "É importante identificar casos de sucesso, pois a única maneira de convencer é o exemplo. Quando os agricultores veem os resultados, se convencem", finalizou.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Letícia Mariconda</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Filosofia da Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sustentabilidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Agronegócio</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ecologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Alimentar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-06-26T17:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>




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