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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 111 to 125.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/primeiro-encontro-catedras">
    <title>1º encontro das cátedras do IEA discute relação universidade-sociedade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/primeiro-encontro-catedras</link>
    <description>"1º Encontro Intercátedras do IEA", no dia 22 de junho, às 14h, terá primeira parte dedicada ao colóquio "Sobre a Universidade: Crítica com Alma".</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; ">Catedráticos, coordenadores e professores integrantes das cátedras do IEA estarão juntos pela primeira vez num encontro online no dia <strong>22 de junho, às 14h</strong>, com o objetivo de refletir sobre a relação entre a universidade e a sociedade no mundo contemporâneo e planejar atividades conjuntas.</p>
<p style="text-align: left; ">A primeira parte do 1<i>º Encontro Intercátedras do IEA</i> será dedicada ao colóquio <i>Sobre a Universidade: Crítica com Alma</i>, com transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo</a> pela internet. Nele, a noção de cátedra será abordada como "dispositivo de sinergia acadêmica".</p>
<p style="text-align: left; ">Com coordenação de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lucia-santaella" class="external-link">Lucia Santaella</a>, titular da Cátedra Oscar Sala, o colóquio terá as seguintes exposições:</p>
<ul>
<li><i>La universidad gana autonomía poniéndose fuera de sí - </i><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nestor-garcia-canclini" class="external-link">Néstor García Canclini</a>, titular da Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência</li>
<li><i>Da cátedra: reinvenção de uma tradição - </i><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/naomar-de-almeida-filho" class="external-link">Naomar de Almeida Filho</a>, titular da Cátedra de Educação Básica;</li>
<li><i>A cátedra nos estudos avançados</i> - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a>, coordenador acadêmico da Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência.</li>
</ul>
<p>A abertura contará com a participação de: <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/roseli-de-deus-lopes" class="external-link">Roseli de Deus Lopes</a>, vice-diretora do IEA, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/patricia-maria-guedes-paiva" target="_blank">Patrícia Guedes</a>, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ana-inoue" class="external-link">Ana Inoue</a>, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-saron" class="external-link">Eduardo Saron</a>, diretor do Itaú Cultural.</p>
<p>Em seguida às exposições, haverá um debate, com comentários iniciais de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luis-carlos-de-menezes" class="external-link">Luís Carlos de Menezes</a>, integrante da Cátedra de Educação Básica. Terão prioridades para apresentar perguntas os membros da Cátedra de Educação Básica, ex-catedráticos da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência, outros catedráticos do IEA, coordenadores de cátedras e aqueles que formularem questões no chat do YouTube.</p>
<p>O colóquio será encerrado por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/guilherme-ary-plonski" class="external-link">Guilherme Ary Plonski</a>, diretor do IEA, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sylvio-canuto" class="external-link">Sylvio Canuto</a>, pró-reitor de Pesquisa, e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carlos-gilberto-carlotti-jr" class="external-link">Carlos Gilberto Carlotti Jr.</a>, pró-reitor de Pós-Graduação.</p>
<table class="tabela-direita-400-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<p><strong>Planejamento</strong></p>
<p>A segunda parte do encontro, às 16h30 (sem transmissão), será dedicada ao planejamento de futuras atividades conjuntas das cátedras. Estarão presentes coordenadores e titulares das cinco cátedras do Instituto:</p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica">Cátedra de ducação Básica</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedras-e-convenios-atuais/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia">Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-unesco-para-a-sustentabilidade-dos-oceanos/catedra-oceanos">Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/catedra-sergio-henrique-ferreira">Cátedra Sérgio Henrique Ferreira</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-oscar-sala/catedra-oscar-sala">Cátedra Oscar Sala</a></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Reinvenção</strong></p>
<p>"Ao revisitar as trajetórias históricas e definições conceituais desses espaços e dispositivos, pretende-se analisar o dispositivo ‘cátedra’, seus significados atuais e potencial para atuação transformadora da universidade e da sociedade", afirmam os organizadores.</p>
<p style="text-align: left; ">Segundo eles, ao dialogar com signos e ritos da tradição universitária, "as cátedras podem ser reinventadas como possibilidade de ação ampla, diversa e efetiva para cumprir a quarta missão [crítica cultural e transformação social] da universidade num mundo tecnológico, hiperconectado, conflitivo e multifacetado".</p>
<p>O tema do colóquio faz referência à exposição online em cartaz no IEA<a href="https://aboutacademia.iea.usp.br/"> </a><a href="https://aboutacademia.iea.usp.br/"><i>About Academia</i></a> do artista espanhol <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/antoni-muntadas" class="external-link">Antoni Muntadas</a> e ao ensaio de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/pedro-meira-monteiro" class="external-link">Pedro Meira Monteiro</a> sobre obra e vida de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/alfredo-bosi" class="external-link">Alfredo Bosi</a>, "Crítica com alma", publicado pela revista Piauí em sua edição de junho de 2021. Professor, historiador e crítico literário, membro da Academia Brasileira de Letras, Bosi morreu em 7 de abril, aos 84 anos. Sua extraordinária trajetória acadêmica desenvolveu-se totalmente vinculada à USP, com relação especial com o IEA, do qual foi diretor de 1998 a 2001 e onde editou a revista "Estudos Avançados" por 30 anos.</p>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Oscar Sala</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedras</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2021-06-16T11:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/colaboracao-e-pandisciplinaridade-nas-transformacoes-das-universidades">
    <title>Colóquio defende universidade colaborativa, pandisciplinar e aberta à sociedade e outros saberes</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/colaboracao-e-pandisciplinaridade-nas-transformacoes-das-universidades</link>
    <description>O colóquio "Sobre a Universidade: Crítica com Alma", no dia 22 de junho, organizado pela Cátedra Olavo Setúbal e pela Cátedra de Educação Básica, constituiu a parte acadêmica do "1º Encontro Inter-Cátedras do IEA".</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Diálogo entre cátedras</h3>
<p>Foi um colóquio bastante esperado, dada a possibilidade de reunir integrantes das cátedras do IEA para continuar a discussão sobre o papel da universidade e a importância das cátedras como componentes das transformações acadêmicas, afirmou a vice-diretora do IEA, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/roseli-de-deus-lopes">Roseli de Deus Lopes</a>, na abertura do evento.</p>
<p>O tema do colóquio, <i>Sobre a Universidade: Crítica com Alma,</i> fez referência à exposição online em cartaz no IEA<a href="https://aboutacademia.iea.usp.br/" target="_blank"> </a><a href="https://aboutacademia.iea.usp.br/" target="_blank"><i>About Academia</i></a>, do artista espanhol <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/antoni-muntadas" class="external-link">Antoni Muntadas</a>, e ao ensaio de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/pedro-meira-monteiro" class="external-link">Pedro Meira Monteiro</a> sobre a obra e a vida de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/alfredo-bosi" class="external-link">Alfredo Bosi</a>, "Crítica com alma", publicado pela revista "Piauí" em  junho de 2021.</p>
<p>Também participaram da abertura <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ana-inoue">Ana Inoue</a>, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/patricia-maria-guedes-paiva" target="_blank">Patrícia Guedes</a>, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-saron">Eduardo Saron</a>, diretor do Itaú Cultural.</p>
<p>Ana Inoue comentou que as reuniões da Cátedra de Educação Básica têm sido muito ricas e estão avançando no que se refere às licenciaturas e outros temas. Mais de 80% das matrículas na educação básicas estão na escola pública, “que precisa muito do olhar que a cátedra tem sobre ela”, afirmou.</p>
<p>Patricia Guedes apresentou um histórico da atuação do Itaú Social desde 1995 para a melhoria da educação pública em termos de qualidade e quantidade.</p>
<p>Segundo ela, o trabalho era feito em parceria com governos e centrado no ensino fundamental, sempre dedicado à formação profissional de gestores, técnicos e professores.</p>
<p>“Ao longo desse trabalho e acompanhando uma série de diagnósticos, vimos que muitos estudos apontavam que parte dos desafios vinham da formação inicial dos profissionais, mas nosso trabalho continuava voltado para a educação continuada.”</p>
<p>Ela relatou que em 2017 e 2018, uma série encontros no IEA com vários pesquisadores começou a discutir tanto o quê quanto o como se ensina.</p>
<p>“Começamos a conversar sobre uma proposta de trabalho por cinco anos, por meio de uma cátedra no IEA, para a formulação de propostas para a melhoria da formação inicial dos professores.”</p>
<p>Os debates e reuniões organizados pela cátedra e os encontros aos sábados com professores de todo o estado, nos quais foram colhidas muitas de suas expectativas, reforçou a preocupação com a formação inicial dos professores, sobretudo em relação às licenciaturas, comentou Patrícia.</p>
<p>Eduardo Saron afirmou que para o Itaú Cultural a parceria com o IEA na Cátedra Olavo Setubal é fundamental. “O IEA cumpre um papel de janela para nós que estamos no mundo da cultural e expande os horizontes da Universidade.”</p>
<p>No encerramento do colóquio, o diretor do IEA, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/guilherme-ary-plonski">Guilherme Ary Plonski</a> lembrou outras cátedras que já existiram no IEA antes do conjunto atual, que inclui, além das duas organizadoras do colóquio (Olavo Setubal e de Educação Básica), a Cátedra Unesco de Sustentabilidade do Oceano, a Cátedra Sergio Henrique Rodrigues (sediada no Polo Ribeirão Preto do IEA, numa parceria com o Santander Universidades), a Cátedra Oscar Sala, colaboração entre o IEA e o NIC.br no âmbito de convênio entre a USP e o CGI.br, e a Cátedra Otavio Frias Filho, parceria com o jornal “Folha de São Paulo.</p>
<p>Ele adiantou que estão andamento tratativas para uma sétima cátedra, desta vez dedicada as doenças cardiovasculares.</p>
<p>Para <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luis-carlos-de-menezes">Luís Carlos de Menezes</a>, integrante da Cátedra de Educação Básica, a universidade está diante de um desafio que ela não pode aceitar: “A gravidade política e a pobreza da discussão parlamentar desafiam a universidade a pensar a si mesma e o mundo de forma mais analítica e crítica”.</p>
<p>O pró-reitor de Pós-Graduação, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carlos-gilberto-carlotti-jr">Carlos Gilberto Carlotti Jr.</a> afirmou que a pós-graduação é relativamente jovem no nosso modelo, com pouco mais de 50 anos. “Precisamos chegar a uma versão 3.0 nesse sistema, para não ficarmos presos às avaliações da Capes, de agências externas e da regulamentação existente.”</p>
<p>Essa foi a razão de a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) ter criado no final de 2019 a Cátedra Paschoal Senise, destinada a trazer personalidades acadêmica de fora da USP pensar o sistema de pós-graduação da Universidade, afirmou. O primeiro escolhido para ocupar a cátedra foi Abílio Baeta Neves, ex-presidente da Capes, que iniciou suas atividades em maio de 2020.</p>
<p>Último a falar no colóquio, o pró-reitor de Pesquisa, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sylvio-canuto">Sylvio Canuto</a>, destacou a importância de encontros como aquele para discutir a universidade. Comentou que viu a universidade brasileira passar por várias dificuldades: “Ingressei na Universidade de Brasil em 1968, quando ela foi invadida [por tropas policiais e do Exército]”.</p>
<p>No entanto, ressaltou que mesmo num momento singular como o atual, as instituições acadêmicas têm mostrado sua pujança. “A resposta da pesquisa perante a pandemia é extraordinária. Na USP, são quase 300 projetos sobre a Covid-19 e o Sars-CoV-2, em áreas diversas, da medicina à sociologia."</p>
<p>Ele considera, porém, que a universidade precisa repensar um aspecto: “Apesar de ter encarado o desafio de forma competente, se tivesse havido maior planejamento, poderia ter feito mais.”</p>
<p>Afirmou também que as avaliações feitas pela PRP indicam que os pesquisadores com contribuições importantes não são necessariamente aqueles com melhores índices nas agências de fomento. “Não critico as avaliações da Capes, mas acho importante rever certos critérios, pois alguns vícios foram incorporados”, finalizou.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Dedicado à crítica institucional sobre as universidades brasileiras, o colóquio <i>Sobre a Universidade: Crítica com Alma</i>, realizado no dia 22 de junho, serviu-se das experiências de várias cátedras da USP - seis delas sediadas no IEA - para refletir sobre as transformações que se impõem às instituições acadêmicas. De acordo com os expositores, essas transformações são uma necessidade imperiosa diante das novas forma de circulação do conhecimento e das mudanças econômicas, sociais e culturais que caracterizam a atualidade.</p>
<p>Organizado pela <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedras-e-convenios-atuais/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia">Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultural e Ciência</a>, parceria entre o IEA e o Itaú Cultural, e pela <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica">Cátedra de Educação Básica</a>, colaboração entre o Instituto e o Itaú Social.  o colóquio constituiu a parte acadêmica do <i>1º Encontro Intercátedras do IEA</i>.</p>
<p>Os expositores foram o antropólogo cultural argentino <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nestor-garcia-canclini">Néstor García Canclini</a>, titular da Cátedra Olavo Setubal, o coordenador acadêmico da mesma cátedra, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann">Martin Grossmann</a>, e o titular da Cátedra de Educação Básica, o ex-reitor da UFBA <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/naomar-de-almeida-filho">Naomar de Almeida Filho</a>. A coordenação e a introdução às falas foi da semioticista <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lucia-santaella">Lúcia Santaella</a>, professora da PUC-SP e titular da Cátedra Oscar Sala, parceria entre o IEA e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:180px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/lucia-santaella-perfil/image" alt="Lucia Santaella - Perfil" title="Lucia Santaella - Perfil" height="180" width="180" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:180px;">Lucia Santaella</dd>
</dl>Santaella centrou sua fala na importância das novas cátedras, sem deixar de mencionar as transformações esperadas para as instituições acadêmicas de forma geral.</p>
<p>Para ela, os tempos atuais são “hipercomplexos e desafiam a capacidade de compreensão e as estratégias de ação, e a eficácia da ação depende de clareza de pensamento, sendo preciso recuar no tempo para poder dar um salto no presente”.</p>
<p><strong>Mudança topológica</strong></p>
<p>O modo como as cátedras estão atuando e crescendo em número na USP é a expressão mais legítima de uma reviravolta topológica, segundo ela. Sem perder o que as antigas tinham de mais digno – “uma imantação do conhecimento” -, as novas cátedras processam uma transformação estrutural no modo como o conhecimento é gerado e disseminado, afirmou.</p>
<p>“Enquanto as cátedras históricas estruturavam-se de forma hierárquica e acabavam por abrigar condutas de submissão e obediência, as novas cátedras, guiada pelo ideal da liberdade colaborativa da inteligência coletiva, estruturam-se por coordenação, cuja chave-mestra encontra-se na capacidade de escuta do outro movida pela curiosidade e pela capacidade de autotransformação, que necessita da heterocrítica para se realizar.”</p>
<p>Em conformidade com essas diretrizes, Santaella julga que é preciso repensar não só as cátedras, mas também o papel da própria instituição universitária “nesse limiar ontológico, biológico e antropológico em que a espécie humana se encontra”.</p>
<p><strong>Pandisciplinaridade</strong></p>
<p>É preciso dizer não às estruturas hierárquicas, centralizadoras, que “aprisionam o conhecimento com o intuito de formar mentes dóceis, afirmou. Ela defendeu a convergência das cátedras, para que atuem juntas – no que ela chama de pandisciplinaridade – na quebra do isolamento e assim “possam dar vasão à potência do pensamento com vistas à necessária transformação estrutural, topológica da instituição universitária, antes que ela perca sua razão de ser nesta era de aprendizagem ubíqua entre seres ubíquos.”</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:180px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/nestor-canclini-perfil/image" alt="Néstor Canclini - Perfil" title="Néstor Canclini - Perfil" height="180" width="180" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:180px;">Néstor García Canclini</dd>
</dl>Néstor García Canclini também se referiu ao papel inovador das cátedras atuais como uma referência para uma necessária reestruturação das instituições universitárias. Seu tema foi “A Universidade Ganha Autonomia Colocando-se Fora de Si”.</p>
<p>Para ele, é preciso pensar o significado que a pandisciplinaridade mencionada por Santaella pode ter para a universidade “ir para fora”. O fato de a Cátedra Olavo Setubal ter escolhido um latino-americano estrangeiro [ele próprio] para ocupá-la parece indicar que a USP está se abrindo para fora, afirmou.”</p>
<p>Canclini disse que seu projeto na cátedra, intitulado “A Institucionalidade da Cultura no Contexto Atual de Mudanças Socioculturais”, também questiona as universidades.</p>
<p><strong>Autonomia</strong></p>
<p>Segundo o antropólogo, as universidades latino-americanas começaram a se tornar autônomas, públicas e laicas a partir da reforma ocorrida em 1918 na Universidade de Córdoba, Argentina, como resultado de movimentos estudantis, numa reformulação de depois atingiu o Peru e outros países. Ele fez um paralelo daquele momento com os questionamentos atuais da universidade, feitos por estudantes excluídos por raça, gênero, origem econômica ou educativa.</p>
<p>No entanto, aquela autonomia conquistada a partir de Córdoba e a presença social das universidades têm diminuído desde meados do século 20, disse Canclini: “Várias transformações foram deslocando-as da esfera pública, transferindo o papel da universidade a outros lugares.  Pode-se citar nesse caso os meios de comunicação de massa, a partir dos anos 50/60, sobretudo com o surgimento da televisão. Como cresceram as universidades privadas e as públicas estancaram, aumentou a dependência de corporações para o financiamento e planejamento das agendas de pesquisa e docência.”</p>
<p><strong>Perda de espaço</strong></p>
<p>Para ele, no século atual, as universidades também estão perdendo centralidade devido à ocupação de grande partes dos canais de distribuição do saber pelas redes sociodigitais. “Elas vêm perdendo lugar nas sociedades, sobretudo entre os jovens.” Essa perda de espaço leva a uma “questão que escandaliza professores e autoridades universitárias: as universidades são necessárias?”.</p>
<p>Ele lembrou que autoridades governamentais de vários países questionam os recursos investidos em cursos e pesquisas das ciências sociais, humanidades, estudos medievais e artes. Além disso, muitas empresas preferem profissionais formados em universidades privadas ou simplesmente institutos tecnológicos, onde se aprende a aplicar conhecimento e há pouca pesquisa, comentou.</p>
<p>“Os jovens e suas famílias vem constatando há duas gerações que o conhecimento obtido nas universidades não ajuda a conseguir trabalho e, além disso, parte do que estudaram logo se tornará obsoleto em razões das mudanças científicas, tecnológicas e sociais. E na pandemia, muitos estudantes tiveram de decidir entre continuar estudando ou trabalhar sustentar sua família.”</p>
<p>A falta de recursos, o questionamento de temas de pesquisa e a ênfase na formação técnica são resultados das políticas neoliberais, disse Canclini, para quem as universidades são obrigadas a defender sua autonomia num panorama com poucos recursos e baixo apoio social.</p>
<p>“Houve um tempo em que era mais fácil crer que as ciências são necessárias, ainda que às vezes essa crença fosse apenas dos que faziam ciência. Hoje corremos o risco de que nos castiguem com a indiferença e nos deixem sem trabalho, sem salário e sem bolsas.”</p>
<p><strong>Ensino privado</strong></p>
<p>Segundo Canclini, em 1970, a América Latina tinha 1,9 milhão de estudantes universitários em 75 universidades, com esses números saltando em 2016 para 22 milhões de estudantes e 4.220 universidades, das quais dois terços são privadas.</p>
<p>“A massificação do ensino superior vem ocorrendo em grande parte por iniciativas privadas. De acordo com um informe da Rede IndecES [Rede Ibero-Americana de Indicadores do Ensino Superior]​, em 2016, os países latino-americanos com maior porcentagem de estudantes em universitárias privadas eram Chile (82%), El Salvador (77%) e Brasil (72%).”</p>
<p>A situação leva a duas perguntas centrais, de acordo com Canclini: como se combina o fato de que nas décadas em que as universidades se deselitizaram, massificando-se, com o crescimento do desemprego dos jovens e a redução de sua participação na distribuição da riqueza, com o agravamento de sua situação de precariedade? qual é o vínculo entre a desregulação dos mercados, a precarização do trabalho dos jovens e o tipo de formação que eles recebem nas universidades?</p>
<p><strong>Nem-nens</strong></p>
<p>Ele disse que o Banco Mundial indicou em janeiro de 2016 a existência de mais de 20 milhões de jovens que nem estudavam e nem trabalham, os chamados nem-nens. “Dois terços deles são mulheres, o que acentua a disparidade de gênero. Predominam os que abandonam as escolas antes de concluir o ensino médio e não conseguem ingressar no setor formal.”</p>
<p>O estudo indica uma correlação entre a quantidade de nem-nens e a deliquência em alguns países. “Entre 2008 e 2013, quando os homicídios triplicaram no México, se percebiam vínculos significativos entre a proporção de nem-nens e a taxa de homicídios, principalmente nos estados fronteiriços com os Estados Unidos.”</p>
<p>Canclini citou outro estudo do Banco Mundial no qual é sugerido que o aumento do desemprego e a falta de acesso a uma educação mais qualificada impulsiona muitos jovens há duas alternativas: emigrar ou ingressar em redes criminosas.</p>
<p><strong>Juvenicídio</strong></p>
<p>Segundo ele, vários autores latino-americanos veem vínculos entre o fracasso do neoliberalismo a uma “aniquilação maciça de jovens, a políticas de juvenicídio.”</p>
<p>O estudo do mesmo Banco Mundial recomenda aumentar o número de anos de ensino obrigatório, as bolsas, escolas de templo integral e construção de condições socioeconômicas e qualidade educacional, a fim de reter os jovens nas escolas e capacitá-los para uma melhor inserção no mercado de trabalho, afirmou Canclini. “Mas são conselhos que se chocam com a tendência de desregulamentar e desestabilizar o trabalho bem como reforçar os lugares subordinados dos países dependentes como exportadores de matérias-primas e manufaturas com baixo valor agregado.”</p>
<p>O colocar-se fora de si defendido por Canclini como postura ideal para as universidades inclui ela relacionar-se com outros saberes. Como exemplo, citou a necessidade de a medicina alopática ocidental dialogar com práticas orientais e de povos indígenas e tradicionais. “É preciso cuidar da relação entre mente e corpo e deixar de tratá-los como coisas separadas. Deve-se verificar como o diálogo entre conhecimentos técnicos e outros saberes tradicionais pode gerar aprendizados cognitivos que ajudem a pensar sobre o sentido de cada especialidade.”</p>
<p>É preciso considerar também os novos hábitos dos leitores, que leem de acordo com necessidades estruturais, afirmou. Segundo ele, em entrevistas com produtores culturais, artistas visuais e outros profissionais que estão sendo feitas em seu projeto na cátedra, verificou-se que computadores e celulares contribuem para esse novo estilo de atuação como centros de operações para tarefas múltiplas.</p>
<p>Outra urgência, segundo Canclini, é transformar a universidade num lugar em que se editam saberes, não o sentido. “A pretensão de ter só um sentido implica imperialismo, colonialismo.”</p>
<p><strong>História das cátedras</strong></p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:180px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/Naomar%20Monteiro%20de%20Almeida%20Filho-Perfil.jpg/image" alt="Naomar Monteiro de Almeida Filho - Perfil" title="Naomar Monteiro de Almeida Filho - Perfil" height="180" width="180" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:180px;">Naomar de Almeida Filho</dd>
</dl>Naomar de Almeida Filho fez a exposição “Da Cátedra: Reinvenção de uma Tradição”. Segundo ele, a universidade se especializou em cultivar tradições. “O projeto original tinha muito desse elemento. A universidade medieval tinha lugares bem demarcados pela matriz eurocêntrica e religiosa, sendo instalada em mosteiros e catedrais. A cátedra demarcava o trono do líder religioso de um certo território.”</p>
<p>Na universidade clássica e no Iluminismo, passou-se da relevância do trono para a relevância de quem o ocupava, disse Almeida Filho.  “Pessoas diferentes podiam ocupar a cátedra, com a transferência do poder simbólico a elas.”</p>
<p>Após o Renascimento, as cátedras se tornando lugares de estudos clássicos, como na Universidade de Coimbra, Portugal, considerada a alma mater das universidades brasileiras, afirmou. “Houve um deslocamento da cátedra para o catedrático. A universidade brasileira copiou o modelo, mas não o copiou direito.”</p>
<p>A universidade mudou seu projeto no Iluminismo, adotando uma bifurcação: universidades para formar quadros e outras para produzir conhecimento científico, disse. “Os modelos lusitano e francês foram a referência da universidade brasileira para o primeiro caso. A referência para o segundo caso é o projeto de Humboldt, Hegel e outros sábios para a Universidade de Berlim.”</p>
<p>Para Almeida Filho, a universidade contemporânea assumiu a missão de ser um lugar de “crítica cultural, transformação social e, agora, de pandisciplinaridade”. As transformações começaram com a reforma universitária promovida a partir da Revolta de Córdoba em 1918, mencionada antes por Canclini, disse. "Uma das mandeiras dos estudantes era a extinção das cátedras vitalícias."</p>
<p>A principal diferença entre as cátedras atuais na América Latina é o tempo de permanência do titular. “Ocupei a Cátedra Juan Cesar Garcia da Universidade de Guadalajara, no México, por duas semanas, período necessário para organizar um evento.” Há também cátedras que constituem um programa de pesquisa, independente do tempo de duração e de seus ocupantes.</p>
<p><strong>Formação de intelectuais</strong></p>
<p>De acordo com Almeida Filho, tratar das cátedras permite distinguir entre ensino terciário e outras missões das instituições universitárias. "O ensino superior destina-se à formação de quadros e replicação de tecnologias. Isso habilita profissionalmente, mas não cria capital simbólico". Para ele, a educação universitária deve destinar-se à formação de intelectuais e produtores de conhecimento.</p>
<p>“No Brasil atual, as instituições universitárias tem cumprido mais a função de ensino profissionalizante do que as missões históricas da universidade. Temos a oportunidade ímpar de recriar o conceito de cátedras, supostamente anacrônico, recuperando o que se perdeu com a negação da tradição. Retomar sua missão histórica é o que nossa nação precisa neste momento.”</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:180px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/martin-grossmann-perfil/image" alt="Martin Grossmann - Perfil" title="Martin Grossmann - Perfil" height="180" width="180" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:180px;">Martin Grossmann</dd>
</dl>Para Martin Grossmann<strong>, </strong>as cátedras servem como uma plataforma de crítica institucional, um caminho para a universidade se renovar também intramuros. “Elas podem ser um lugar de crítica institucional, junto com a governança e o Conselho Universitário, para que a Universidade se transforme e seja responsiva às demandas da crise que vivenciamos.”</p>
<p>Grossmann falou sobre “A Cátedra nos Estudos Avançados” e lembrou que o IEA integra a rede internacional Ubias (University-Based Institutes for Advanced Study) desde 2010, criada para agregar o crescente número de IEAs que vêm sendo criados em universidades de todos os continentes há várias décadas.</p>
<p>Segundo ele, uma das diretrizes de atuação do IEA é a equivalência entre as ciências (naturais e sociais), as artes e as humanidades. No caso das artes, o objetivo é ir além dos aspectos históricos e englobar sua a institucionalidade.</p>
<p><strong>Vanguarda crítica</strong></p>
<p>Grossmann considera a criação, em 1930, do Institute for Advanced Study (IAS) de Princeton um marco da vanguarda crítica da universidade. “Abraham Flexner, que tinha reformulado o ensino de medicina nos Estados Unidos e no Canadá, se lançou na criação de um instituto independente, sem vínculo com uma universidade, para se pensar de outra forma. Foi um gesto político num momento de tensão, e permitiu acolher pesquisadores como Einstein e outros cientistas judeus que saíram da Europa devido às perseguições nazistas.</p>
<p>Outro marco da vanguarda no período, desta vez na institucionalização da arte, foi a inauguração em 1939, em Nova York, da sede do Museu de Arte Moderna (MoMA), “um prédio com uma nova arquitetura, uma nova ambience para se pensar arte”. Para ele, o prédio do MoMA e o IAS marcam algo como uma vanguarda 1.0.</p>
<p>O marco seguinte, uma espécie de vanguarda 2.0, é para ele a criação, em 1968, do Centro de Pesquisa Interdisciplinar (ZiF, na sigla em alemão) da Universidade de Bielefeld, Alemanha, e a inauguração, no mesmo ano, da sede do Museu de Arte de São Paulo (Masp).</p>
<p>Em sua opinião, as universidades brasileiras se desenvolvem, do ponto de vista da arquitetura, como universidades modernistas. “Havia uma ciência modernista também, num país que se formava e procurava ser representado como uma nação moderna.”</p>
<p>No caso do Masp, Grossmann afirma que o museu já anunciava o pós-modernismo. “Não existe nada igual no mundo, um edifício aberto, com janelas imensas, onde as obras parecem flutuar no espaço e o visitante caminha entre elas como um flâneur crítico.”</p>
<p>Para Grossmann, a criação do IEA em 1986 inicia um novo processo de vanguarda no interior do sistema acadêmico, e “essa vanguarda 3.0 está em andamento”.</p>
<p>Ele considerou o colóquio uma iniciativa da Cátedra Olavo Setubal e da Cátedra de Educação Básica para o início de um diálogo entre as cátedras do IEA, de forma a promover "o pensamento irrequieto, no contrafluxo do pensamento tradicional, cooperando para que a USP se reposicione diante da sociedade".</p>
<p><strong>Colaboração interna</strong></p>
<p>Durante o debate, o ex-diretor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) Pedro Dallari falou sobre a experiência da Cátedra José Bonifácio, criada em 2013 para receber anualmente um personalidade ibero-americana. A cátedra é uma iniciativa do Centro Ibero-Americano (Ciba), núcleo ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa e ao Instituto de Relações Internacionais (IRI), e tem apoio financeiro do Banco Santander</p>
<p>Dallari afirmou que a cátedra tem uma característica adicional ao trabalho de promover o relacionamento da Universidade com sociedade, conforme enfatizado nas exposições: “Na José Bonifácio há uma coisa anterior, que é a relação da cátedra com o interior da USP.”</p>
<p>Segundo ele, a cátedra cria uma dinâmica com os jovens da universidade. “O tema de trabalho escolhido pelo catedrático se torna um tema de pesquisa. É lançado um edital e os pós-graduandos com temas próximos ao que foi escolhido pelo catedrático passam a se relacionar com ele. No final, é produzido um livro.”</p>
<p>Dallari questionou o fato de a estrutura docente da USP não incluir os catedráticos. “É uma honraria, não viram professores da Universidade. Agora começamos a usar a figura do professor colaborador, para que o titular possa ser integrado ao quadro docente da USP.”</p>
<p>Ele comentou que as normas quase impossibilitaram que Garcia, catedrático de 2020 e “uma das lendas do sistema financeiro latino-americano”, participasse de uma banca de tese por não possuir titulação acadêmica.</p>
<p><strong>Inteligência artificial</strong></p>
<p>Ainda no debate, Lúcia Santaella comentou que um desafio adicional se impõe para a agenda de mudanças da universidade: o desenvolvimento da inteligência artificial. “O que temos ainda é uma inteligência artificial fraca, mas não vai parar por aí. Enquanto as corporações correm no seu desenvolvimento, as universidades estão paradas.” As consequências serão várias, como a perda de empregos, e esse cenário “acrescenta um dilema magno ao quadro colocado por Canclini".</p>
<p>Em resposta a ela, Canclini disse que a questão é decisiva para a transformação das universidades. Ele vê, porém, algo de muito errático no mundo da inteligência artificial. “A função da universidade seria editar esses saberes”.</p>
<p>“Historicamente, a universidade tem o papel de criticar o conhecimento, problematizá-lo em outras direções. Me parece que grande parte da inteligência artificial tem trabalhado no sentido de cancelar essa associação problemática.”</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Oscar Sala</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2021-06-28T14:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/encontro-debate-a-inclusao-da-arte-nas-politicas-e-acoes-institucionais-academicas">
    <title>Encontro debate a inclusão da arte nas políticas e ações institucionais acadêmicas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/encontro-debate-a-inclusao-da-arte-nas-politicas-e-acoes-institucionais-academicas</link>
    <description>Encontro virtual "About Academia e o debate do Stem &amp; Steam na Universidade" será realizado no dia 19 de novembro, às 10h. Evento integra série para contextualizar a exposição "About Academia", do artista espanhol Antoni Muntadas, à realidade brasileira e latino-americana.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; "><dl class="image-right captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/croqui-para-videoinstalacao-about-academia/image" alt="Croqui para videoinstalação &quot;About Academia&quot;" title="Croqui para videoinstalação &quot;About Academia&quot;" height="368" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Croqui de Antoni Muntadas para a videoinstalação ''About Academia''</dd>
</dl>O Grupo de Pesquisa Fórum Permanente: Sistema Cultural entre o Público e  o Privado do IEA e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin realizam no dia <strong>19 de novembro</strong>, <strong>às 10h,</strong> o encontro virtual <i>About Academia e o debate do Stem &amp; Steam na Universidade</i>, que faz parte da série de encontros para contextualizar a <a href="http://aboutacademia.iea.usp.br/">exposição About Academia</a>, do artista espanhol Antoni Muntadas, à realidade brasileira e latino-americana.</p>
<p>O encontro visa contribuir para o debate crítico sobre o papel da arte no âmbito universitário, em particular diante da prevalência do Stem (Science, Technology, Engineering and Mathematics) nas políticas e ações institucionais acadêmicas.</p>
<p>Além de Muntadas, participam do debate a farmacêutica Soraya Soubhi Smaili, professora da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e ex-reitora da mesma universidade, e biólogo Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenador do Centro de Síntese USP Cidades Globais. A introdução e mediação do evento será do diretor do IEA, Guilherme Ary Plonski.</p>
<p><strong>Exposição</strong></p>
<p>A mostra online "About Academia"<i> </i>consiste de depoimentos e entrevistas acerca da academia, principalmente sob o prisma do sistema de ensino superior norte-americano. A exposição está disponível em <a href="https://aboutacademia.iea.usp.br/">aboutacademia.iea.usp.br</a>, assim como os registros dos encontros realizadas no primeiro semestre deste ano, que foram:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.forumpermanente.org/event_pres/exposicoes/about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online-2011-2017-2021/mesas-de-debate-contextualizam-about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online">Que Universidade Queremos?</a> (30 de abril), com Antoni Muntadas, Aílton Krenak, Macaé Evaristo e Néstor García Canclini;</li>
<li><a href="http://www.forumpermanente.org/event_pres/exposicoes/about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online-2011-2017-2021/mesas-de-debate-contextualizam-about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online">Intercontinental Academia</a> (10 de maio), com Nikki Moore (EUA), Érica Peçanha (Brasil), David Gange (Reino Unido), Julia Buenaventura (Colômbia)  e Mariko Murata (Japão);</li>
<li><a href="http://www.forumpermanente.org/event_pres/exposicoes/about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online-2011-2017-2021/mesas-de-debate-contextualizam-about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online">Universidade e Contexto</a> (10 de maio), Naomar de Almeida, Helena Nader, Renato Janine Ribeiro e Guilherme Wisnik.</li>
</ul>
<div class="kssattr-atfieldname-organizacao kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-macro-rich-field-view kssattr-target-parent-fieldname-organizacao-1546421f8b6f45308cd1ef616aa6a886" id="parent-fieldname-organizacao-1546421f8b6f45308cd1ef616aa6a886">
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<div class="kssattr-atfieldname-organizacao kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-macro-rich-field-view kssattr-target-parent-fieldname-organizacao-d383f9482b84412ca9788a4f8fd8aa83" id="parent-fieldname-organizacao-d383f9482b84412ca9788a4f8fd8aa83">
<hr />
<p><i><strong><i>About Academia e o debate do Stem &amp; Steam na Universidade</i><br /></strong>19 de novembro, 10h<br />Evento online aberto ao público e sem necessidade de inscrição<br /></i><i>Transmissão pela internet <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo<br /></a></i><i>Mais informações: com Sandra Sedini (<a class="mail-link" href="mailto:sedini@usp.br">sedini@usp.br</a>), telefone (11) 3091-1678</i></p>
</div>
</div>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Fórum Permanente: Sistema Cultural entre o Público e o Privado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Exposição</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2021-11-17T16:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/about-academia-uma-visao">
    <title>'About Academia', exposição digital de Antoni Muntadas, pode ser vista até 31 de dezembro</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/about-academia-uma-visao</link>
    <description>Exposição online "About Academia", do artista espanhol Antoni Muntadas, foi prorrogada até 31 de dezembro.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/cartaz-parte-de-about-academia" alt="Cartaz (parte) de 'About Academia'" class="image-right" title="Cartaz (parte) de 'About Academia'" />Foi prorrogada até 31 de dezembro a exposição online "<a class="external-link" href="https://aboutacademia.iea.usp.br/" style="text-align: justify; ">About Academia</a><span style="text-align: justify; ">", trabalho do artista multimídia e professor espanhol <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/antoni-muntadas" class="external-link">Antoni Muntadas</a>. A partir de 1º de janeiro, o conteúdo terá acesso restrito a pessoas que trabalharam na mostra.</span></p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><strong>Relacionado</strong></h3>
<p><strong>As quatro mesas-redondas sobre a exposição:</strong></p>
<li>Antoni Mutandas: About Academia I-II, uma Interpretação Online, 2011-2017 (2021)</li>
<ul>
<li>Mesa 1 - Que Universidade Queremos? (<a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online-2011-2017-2021" class="external-link">português</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-an-online-interpretation-2011-2017-2021" class="external-link">english</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-una-interpretacion-online-2011-2017-2021" class="external-link">español</a>) - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nestor-garcia-canclini" class="external-link">Néstor Garcia Canclini, </a><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/macae-evaristo" class="external-link">Macaé Evaristo</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ailton-krenak" class="external-link">Ailton Krenak</a>, <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/antoni-muntadas" class="external-link">Antoni Muntadas</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a></li>
<li>Mesa 2 - Universidade e Contexto (<a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online-2011-2017-2021-mesa-redonda-universidade-e-contexto" class="external-link">português</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-an-online-interpretation-university-and-context" class="external-link">english</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-una-interpretacion-online-universidad-y-contextohttp:/www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-una-interpretacion-online-universidad-y-contexto" class="external-link">español</a>) - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/naomar-de-almeida-filho" class="external-link">Naomar de Almeida Filho</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/helena-bonciani-nader" class="external-link">Helena Nader</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/renato-janine-ribeiro" class="external-link">Renato Janine Ribeiro</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/guilherme-wisnik" class="external-link">Guilherme Wisnik</a>;</li>
<li>Mesa 3 - Intercontinental Academia (<a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/copy_of_antoni-muntadas-about-academia-i-ii-uma-interpretacao-online-2011-2017-2021-mesa-redonda-intercontinental-academia" class="external-link">português</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-an-online-interpretation-2011-2017-2021-intercontinental-academia" class="external-link">english</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/antoni-muntadas-about-academia-i-ii-una-interpretacion-online-2011-2017-2021-mesa-redonda-intercontinental-academia" class="external-link">español</a>) - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nikki-moore" class="external-link">Nikki Moore</a> (EUA), <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/erica-pecanha-do-nascimento" class="external-link">Érica Peçanha do Nascimento</a> (Brasil), <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoad/david-gange-1" class="external-link">David Gange</a> (Reino Unido), <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/julia-buenaventura" class="external-link">Julia Buenaventura</a> (Colômbia)  e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/mariko-murata" class="external-link">Mariko Murata</a> (Japão)</li>
</ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2021/about-academia-e-o-debate-stem-steam-na-universidade" class="external-link">About Academia e o Debate Stem &amp; Steam na Universidade</a> - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/soraya-soubhi-smaili" class="external-link">Soraya Soubhi Smaili</a> (Unifesp), <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marcos-buckeridge" class="external-link">Marcos Buckeridge</a> e Antoni Muntadas</li>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="text-align: justify; "><span style="text-align: justify; ">"About Academia" é uma versão digital das videoinstalações apresentadas por ele em instituições americanas em 2011 e 2017. </span>Muntadas propõe uma reflexão por meio da arte sobre o sistema acadêmico e universitário dos Estados Unidos, especialmente em relação à dualidade público-privado e às</span><span> complexas relações entre a produção do conhecimento e os interesses econômicos que influenciam a educação em suas diferentes formas pedagógicas. Ele considera também o possível conflito entre os valores acadêmicos e o poder da administração universitária.</span></p>
<p><span style="text-align: justify; ">É a primeira vez que o trabalho é exibido na América Latina. Todos os materiais forma traduzidos para o português e para o espanhol. A princípio seria mostrado em videoinstalação na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, mas as restrições provocadas pela pandemia fizeram com que fosse adaptada para um site. </span><span style="text-align: justify; ">A realização é uma iniciativa do Fórum Permanente, do IEA e da BBM-USP, com apoio do Programa de Ação Cultural (Proac) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do governo do Estado de São Paulo.</span></p>
<p>Para promover uma circulação proveitosa do projeto em universidades fora dos EUA, Muntadas propõe que sejam realizadas mesas de debates que contextualizam os conflitos e dificuldades próprias do sistema universitário que hospeda o trabalho, confrontando-o com outros modelos em contextos e culturas diferentes.</p>
<p>Isso também ocorreu na versão online brasileira, que teve quatro mesas-redondas. As três primeiras ocorreram por ocasião da abertura da exposição. Os temas foram: Que Universidade Queremos?, em 30 de abril, e Universidade e Contexto e Intercontinental Academia, as duas em 10 de maio. A quarta mesa-redonda foi 'About Academia' e o Debate do tem &amp; Steam na Universidade, em 19 de novembro, voltada ao debate crítico sobre o papel da arte no âmbito universitário, em particular diante da prevalência do Stem (Science, Technology and Mathematics) nas políticas e ações institucionais.</p>
<p>A exposição também é tema de uma série de três videoconferências no site catalão de arte <a class="external-link" href="https://artssantamonica.gencat.cat/es/detall/Cicle-Tres-interpretacions-sobre-les-maneres-de-presentacio-00002">Santa Mònica</a>, com os conferencistas com Antoni Mercader (6 de outubro), Enric Franch (17 de novembro) e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a> (15 de dezembro).</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Política Cultural</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Exposição</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2021-12-13T16:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/livro-analisa-a-liberdade-academica-do-ponto-de-vista-juridico">
    <title>Livro analisa a liberdade acadêmica do ponto de vista jurídico</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/livro-analisa-a-liberdade-academica-do-ponto-de-vista-juridico</link>
    <description>IEA lança ebook "Liberdade Acadêmica: Aspectos Jurídicos em Perspectiva", organizado por Nina Ranieri e Angela Limongi Alves, professoras da Faculdade de Direito (FD) da USP. A publicação pode ser baixada no Portal de Livros Abertos da USP.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><a class="external-link" href="http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/766/682/2533"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-livro-liberdade-academica" alt="Capa do livro 'Liberdade Acadêmica'" class="image-right" title="Capa do livro 'Liberdade Acadêmica'" /></a>Os fundamentos da liberdade acadêmica no Brasil estão “sob tensão em razão de conflitos de ordem ideológica, financeira e institucional, intensificados nos últimos anos”, de acordo com a conselheira do IEA <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nina-beatriz-stocco-ranieri" class="external-link">Nina Ranieri</a>, professora do Departamento de Direito do Estado da Faculdade de Direito (FD) da USP.</p>
<p>“A boa notícia é que tanto a sua importância quanto a sua força normativa vêm sendo confirmadas na maioria das situações em que têm sido testadas". No entanto, tais conflitos “revelam o quanto se deteriora a qualidade da democracia brasileira", afirma a pesquisadora.</p>
<p>Ranieri manifesta essa avaliação na apresentação do ebook “Liberdade Acadêmica: Aspectos Jurídicos em Perspectiva Comparada”, organizado por ela e Angela Limongi Alves, do mesmo departamento da FD-USP. <span>Lançado este mês pelo IEA, o livro pode ser baixado gratuitamente no </span><a class="external-link" href="http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/766">Portal de Livros Abertos da USP</a><span>.</span></p>
<p>O prefácio do ebook é da cientista política <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/elizabeth-balbachevsky" class="external-link">Elizabeth Balbachevsky</a>, coordenadora científica do <a class="external-link" href="https://sites.usp.br/nupps/">Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas (NUPPs)</a> da USP - sediado no IEA -, do qual Ranieri também faz parte.</p>
<p><span>"A</span><span> ascensão, no Brasil e em outras partes do mundo, de lideranças </span><span>francamente autoritárias desafia um elemento central da vida univer</span><span>sitária: a autonomia acadêmica e a liberdade de cátedra", afirma Balbachevsky. Para ela, a</span><span> liberdade aca</span><span>dêmica constitui o pilar mestre da institucionalidade da universidade </span><span>que conhecemos. "Garante a vida, o dinamismo e a qualidade da </span><span>universidade; mais do que isso, ela cria as condições ímpares que </span><span>faz da universidade o </span><span>lócus</span><span> por excelência para abrigar a ciência", ressalta a cientista política.</span></p>
<p>O ebook tem 14 capítulos e 456 páginas. Ao todo são 17 autores das áreas de direito, sociologia, ciência política e engenharia, incluindo professores, pós-graduados e pós-graduandos da USP e de outras instituições brasileiras, professores de universidades dos EUA, Austrália e Chile, e <span>integrantes do Judiciário do país, como a ex-procuradora geral da República, Raquel Dodge</span>.</p>
<p>Entre os conflitos que tencionam os fundamentos da liberdade acadêmica, Ranieri cita as restrições ao direito de ensinar e aprender, manifestadas nas leis que instituíram as diretrizes da chamada Escola sem Partido - declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal -, a proibição pelo Ministério da Educação da oferta do curso O Golpe de 2016 pela Universidade de Brasília e as restrições ao financiamento federal de bolsas de pesquisa em ciências humanas, ocorridas em 2020.</p>
<p>Outros exemplos, segundo ela, são os cortes orçamentários nas universidades federais e a instauração de inquéritos administrativos e processos judiciais contra alunos e professores, entre eles, “os clamorosos casos” de Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas, e de Conrado Hübner Mendes, professor da FD-USP.</p>
<p>“No plano administrativo, a nomeação de reitores pró-tempore ou mesmo a de segundos e terceiros colocados nas listas tríplices para escolha de reitores de universidades federais revela tentativas de controle das instituições à margem das garantias de autonomia universitária e da liberdade acadêmica.”</p>
<p>Ela alerta que o fenômeno não é exclusivo do Brasil, com ataques a acadêmicos, pesquisadores, alunos e instituições de ensino e pesquisa, por parte de segmentos sociais e políticos, “sendo relatados e denunciados por diversas organizações da sociedade civil, em diversos países”.</p>
<p>Mas qual é a importância da liberdade acadêmica? Por que ela foi inserida expressamente no capítulo dos direitos fundamentais da Constituição Federal brasileira? Quais as implicações dessa inserção para titulares do direito, outros cidadãos e para o Estado? Quais os desafios da liberdade acadêmica a médio e longo prazo?</p>
<p>Ranieri aponta a relevância dessas questões, “especialmente em momentos de crescente polarização política”, e acrescenta que elas não se limitam a circunstâncias e situações conjunturais. Daí a motivação para a produção do livro, que discute essas questões sob diferentes ângulos, numa abordagem sobretudo jurídica, ressalta a pesquisadora, autora da apresentação, onde faz uma explanação resumida das premissas conceituais envolvidas nas discussões.</p>
<p>“Liberdade Acadêmica: Fundamentos, Espaço Público e Democracia” é o título do capítulo 2 do livro, escrito por Angela Limongi Alves. Para ela, a liberdade acadêmica é “direito fundamental e garantia institucional dos educadores, contando com proteção específica, tanto no plano nacional quanto no internacional”.</p>
<p>Em linhas gerais, porém, a liberdade acadêmica “diferencia-se da liberdade de expressão, de opinião e científica: trata-se de uma liberdade qualificada que contempla o amplo debate de ideias e de pensamento, pressupondo-se a existência do conhecimento, próprio dos educadores”, afirma a coorganizadora do livro.</p>
<p>Em sua opinião, há uma relação de interdependência entre o direito à educação e a democracia, que se qualifica pela liberdade acadêmica. No entanto, “ainda que não se constitua em um direito absoluto, já que é constitucionalmente limitada”, a liberdade acadêmica pode sofrer questionamentos, ataques e tentativas de cerceamento, “sob a justificativa de pretensa necessidade de regulamentação, fundamentada em argumentos refratários, lastreados na ‘busca pela verdade’ e na persecução de ‘neutralidade’”, destaca a pesquisadora. A questão que se coloca em contraposição a esses argumentos “é a de que nenhum conhecimento é neutro e de que a verdade pode encontrar múltiplas faces”, afirma Limongi Alves.</p>
<p>Na conclusão do capítulo, ela diz que a “apropriação da linguagem do direito como estratégia para a sua redução” é um ponto que não pode ser ignorado, pois “a restrição da liberdade acadêmica pode significar a primeira das liberdades a sucumbir”. Se não for protegida, “pode vir a ser o prelúdio do fim de outros postulados democráticos, sem os quais a democracia e o próprio direito fenecem”.</p>
<p><strong>Avaliação da constitucionalidade</strong></p>
<p>Raquel Dodge, doutora pela Escola de Direito da Universidade Harvard, EUA, e o procurador regional da República da 3ª Região André de Carvalho Ramos, doutor pela FD-USP, são autores de capítulo que examina a constitucionalidade da proposta de exclusão, pelo governo, de conteúdos no universo escolar e do controle da liberdade de ensino e da pluralidade de ideias.</p>
<p>Eles destacam que as dimensões jurídicas do direito à educação estão definidas na Constituição Federal e nos tratados assinados pelo Brasil "e devem ser observadas pelas leis ordinárias e em sala de aula". Afirmam que o ensino democrático, plural e igualitário deve permitir o pleno desenvolvimento humano, "segundo diretrizes da proteção da dignidade humana e da promoção das liberdades fundamentais".</p>
<p>Submetido aos parâmetros constitucionais, o dever estatal de prestar serviços de educação deve incluir a participação da família sem ser determinado por ela, pois "cabe ao Estado preparar o estudante para a vida social", afirmam.</p>
<p>"A educação prepara o estudante para o exercício da cidadania e a construção de uma sociedade de paz e tolerância, e deve fornecer-lhe os conteúdos que tornem possível atingir os objetivos constitucionais em favor da democracia e de uma sociedade mais justa e solidária."</p>
<p><strong>Fora do Brasil</strong></p>
<p>Como o debate sobre a liberdade acadêmica transcorre no exterior é exemplificado no livro com artigos sobre o caso de instituições católicas nos EUA e sobre o ensino superior em geral na Austrália e no Chile.</p>
<p>O especialista em legislação educacional Charles J. Russo, professor da Escola de Direito da Universidade de Dayton, debate as dificuldades para implantação, nos EUA, das diretrizes da Constituição Apostólica <a class="external-link" href="https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_constitutions/documents/hf_jp-ii_apc_15081990_ex-corde-ecclesiae.html">Ex-Corde Ecclesiae</a> sobre as Universidades Católicas, uma espécie de estatuto geral baixado pelo Papa João Paulo II em 1990.</p>
<p>A socióloga Alphia Possamai-Inesedy, professora da Universidade do Oeste de Sidney, destaca que a Austrália não possui garantias constitucionais para a liberdade acadêmica, ao contrário de países como o Brasil, Japão, África do Sul, Espanha e Alemanha. No entanto, "a recomendação de um código voluntário de liberdade de expressão, a qual também compreende a liberdade acadêmica, tem sido adotada por muitas universidades australianas".</p>
<p>Agustín Barroilhet Diez e Jorge Aranda Ortega, professores da Faculdade de Direito da Universidade do Chile, ressaltam que a liberdade acadêmica no Chile se desenvolveu a partir do século 19 em função da autonomia universitária. Durante o período da reforma universitária e, depois, com o advento da ditadura militar (1973-1990), "a autonomia das instituições de ensino superior se converteu em um pretexto conveniente para a profilaxia ideológica almejada pelo autoritarismo imperante".</p>
<p>Diez e Ortega explicam que, a partir de 2006, o questionamento público da qualidade das várias universidades privadas surgidas na redemocratização levou a uma reforma normativa completa, que "preservou a liberdade acadêmica e a autonomia universitária como princípios de política pública".</p>
<p>No entanto, uma vez estabelecida e legislada como princípio, a autonomia universitária pode perfeitamente tornar-se uma limitação à liberdade acadêmica, "barreira certamente justificável se os acadêmicos não se adequarem às diretrizes institucionais de seus respectivos claustros", afirmam os pesquisadores.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Qualidade da Democracia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Livros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2022-03-22T14:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/edicao-104-estudos-avancados">
    <title>Centenário da Semana de Arte Moderna e pesquisa universitária são temas da nova "Estudos Avançados"</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/edicao-104-estudos-avancados</link>
    <description>Lançada em fevereiro, a edição 104 da revista "Estudos Avançados" traz artigos sobre o centenário da Semana de Arte Moderna, o papel da pesquisa na universidade e os 60 anos da Fapesp</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-f8c5253b-7fff-9de3-74c0-6f3c6ec213f4"> </span></p>
<p dir="ltr"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-revista-estudos-avancados-104" alt="Capa Revista Estudos Avançados - 104" class="image-right" title="Capa Revista Estudos Avançados - 104" />Lançada este mês, a edição 104 da <a href="https://www.iea.usp.br/revista" class="external-link">revista Estudos Avançados</a> traz como temas centrais o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, o papel da pesquisa na universidade e a memória dos 60 anos de criação da Fapesp. A versão digital desta edição está <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2022.v36n104/">disponível na plataforma SciELO</a>.</p>
<p><span id="docs-internal-guid-fa1fdec9-7fff-3b88-fa95-03a83a5c0025"> </span></p>
<p dir="ltr"><span>O primeiro dossiê, dedicado à Semana de Arte Moderna, traz artigos que avaliam a atualidade desse movimento "complexo e plural" enquanto "um dos mais importantes movimentos da cultura brasileira", afirma o editor da revista, Sérgio Adorno. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Sobre a Semana, "muito já se escreveu a respeito dos principais acontecimentos, de seus participantes, de suas motivações, de suas obras de referência, das polêmicas que a cercaram, de sua recepção ruidosa, de seu inconformismo com o tradicionalismo dominante nas artes". A edição, contudo, "não pretendeu repetir o que já se sabe, porém acrescentar novas contribuições", explica Adorno no editorial.</span></p>
<p dir="ltr"><span>No artigo "Apontamentos sobre o Modernismo", Eduardo Jardim expõe dois tempos distintos nos anos 1920 como duas formas de conceber o modernismo, entre a incorporação de linguagens modernas de influência europeia e a adoção de traços nacionais na arte produzida no país.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Os mitos originários a respeito da redescoberta do Brasil e da retomada das raízes coloniais como feitos do modernismo são temas presentes no artigo "A reinvenção da Semana e o mito da descoberta do Brasil", de Rafael Cardoso. O autor também traz disputas críticas em torno da Semana.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Outras contribuições ainda exploram os feitos de Mário de Andrade no movimento, como seu modo de pensar a unidade brasileira e a diversidade dos "brasis". Nesse sentido, é analisado o projeto de país que apostava na mistura étnica e cultural por meio da arte e que, contemporaneamente, foi questionado devido à necessidade de determinar diferenças culturais para enfrentar desigualdades no país — conforme apontado no artigo "O Brasil e os brasis de Mário de Andrade: o fim do turista aprendiz?".</span></p>
<p dir="ltr"><span>O dossiê ainda tem artigos abordando aproximações e distanciamentos entre vanguardas argentinas e brasileiras nos anos 20 e a importância do vestuário para o modernismo brasileiro.</span></p>
<p dir="ltr"><span><span id="docs-internal-guid-8d7e3d4b-7fff-0a20-271f-f3e201aa6e3f"><span><strong>Universidade de pesquisa</strong></span></span></span></p>
<p><span id="docs-internal-guid-5f7e8116-7fff-85a1-5f48-67f4efd1b4d0"> </span></p>
<p dir="ltr"><span>Os artigos do segundo dossiê abordam a contribuição das universidades e da pesquisa no desenvolvimento do país em diversas áreas, uma questão "atual e inesgotável" que "suscita polêmicas e posições divergentes", como afirma Adorno no editorial.</span></p>
<p dir="ltr"><span>De acordo com o artigo que abre o dossiê, "Pesquisa e Pós-Graduação no Brasil: duas faces da mesma moeda?", escrito por Simon Schwartzman</span><span>, </span><span>o perfil de distribuição dos pesquisadores e da pós-graduação no Brasil passou a acompanhar o perfil das matrículas nos cursos de graduação a partir dos anos 2000. Com uma análise das características do sistema e da ocupação dos estudantes da pós-graduação, o autor conclui que a expansão do sistema de pesquisa respondeu às demandas por titulação de professores do ensino superior em detrimento das prioridades de pesquisa do país.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O segundo artigo ("O abandono do 'espírito universitário' na construção da Cidade Universitária Armando de Sales Oliveira") traz a história da fundação e os fundamentos da Universidade de São Paulo e considera a ausência de um espírito universitário. O artigo aponta a falta de um ambiente integrador no projeto da Cidade Universitária ao não levar em conta o aspecto acadêmico na sua construção.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Encerrando o dossiê, o artigo "A Universidade como fonte confiável para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas públicas" avalia a influência da USP nas políticas públicas. A análise parte da atuação da universidade durante a pandemia e sua produção científica em diversas áreas do conhecimento nesse período, que serviram de fonte para a implementação e avaliação de políticas públicas.</span></p>
<div><span><span id="docs-internal-guid-db30883f-7fff-c7b4-e0eb-020344c686e2"><span><strong>Fapesp 60 anos</strong></span></span></span></div>
<div><span><span><span><strong><br /></strong></span></span></span></div>
<div><span><span id="docs-internal-guid-bf9aa453-7fff-fa28-9641-743727e96770">
<p dir="ltr"><span>Para rememorar os 60 anos de criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a revista traz artigos que abordam o sólido papel da fundação na criação de estratégias decisivas para o desenvolvimento do país sustentado no conhecimento. Apesar de enfrentar ameaças repetidas ao seu patrimônio e orçamento, a fundação ganha destaque nos artigos por sua gestão orçamentária e administrativa e pela execução de suas atividades.<br /></span></p>
<p dir="ltr"><span><br /></span></p>
<p dir="ltr"><span> </span></p>
<hr />
</span>
<p> </p>
<h3><span>Sumário "Estudos Avançados" n<span>° </span>104</span></h3>
<span id="docs-internal-guid-a6e31ba2-7fff-aeb2-6e69-88e151f31c5e">
<p dir="ltr"><span><strong>100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922</strong></span></p>
</span></span> 
<ul>
<li><span>Apontamentos sobre o modernismo -</span><span> <i>Eduardo Jardim</i></span></li>
<li><span>A reinvenção da Semana e o mito da descoberta do Brasil - </span><span><i>Rafael Cardoso</i></span></li>
<li><span>O Brasil e os brasis de Mário de Andrade: o fim do turista aprendiz? - </span><span><i>Pedro Duarte</i></span></li>
<li><span>A memória da poesia modernista - </span><span><i>Eduardo Coelho</i></span></li>
<li><span>“Uma geração pode continuar a outra”: João Cabral de Melo Neto e o modernismo - </span><span><i>Ivan Francisco Marques</i></span></li>
<li><span>Mário de Andrade: diálogos epistolares com paranaenses e cearenses -</span><span> <i>Marcos Antônio de Moraes</i></span><span> e </span><span><i>Rodrigo de Albuquerque Marques</i></span></li>
<li><span>Outras vias entre as vanguardas brasileiras e argentinas nos anos 1920 - </span><span><i>Gênese Andrade</i></span></li>
<li><span>Natureza e modernismo: Mário de Andrade e Villa-Lobos antes da Semana - </span><span><i>Flávia Camargo Toni</i></span><span> e </span><span><i>Camila Fresca</i></span></li>
<li><span>O guarda-roupa modernista: a importância do vestuário para o modernismo brasileiro - </span><span><i>Carolina Casarin</i></span></li>
<li><span>Notas sobre etnografia em Mário de Andrade - </span><span><i>Carlos Sandroni</i></span></li>
</ul>
<span><span><span> 
<ul>
</ul>
<br />
<p dir="ltr"><span><strong>Universidade de pesquisa</strong></span></p>
</span></span></span> 
<ul>
<li><span>Pesquisa e Pós-Graduação no Brasil: duas faces da mesma moeda? - </span><span><i>Simon Schwartzman</i></span></li>
<li><span>O abandono do “espírito universitário” na construção da Cidade Universitária Armando de Sales Oliveira - </span><span><i>Caio Dantas</i></span></li>
<li><span>A Universidade como fonte confiável para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas públicas - </span><span><i>Vahan Agopyan</i></span><span> e </span><span><i>Glauco Arbix</i></span></li>
</ul>
<span><span><span> 
<ul>
</ul>
<br />
<p dir="ltr"><span><strong>Fapesp 60 anos</strong></span></p>
</span></span></span> 
<ul>
<li><span>60 anos de Fapesp: Uma política de Estado para o desenvolvimento - </span><span><i>Marco A. Zago</i></span><span> e </span><span><i>José R. Drugowich de Felício</i></span></li>
<li><span>60 anos de apoio à ciência - </span><span><i>Jacques Marcovitch</i></span></li>
<li><span>Uma visão pessoal da Fapesp nos últimos 50 e poucos anos - </span><span><i>Hernán Chaimovich</i></span></li>
</ul>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Beatriz Herminio</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Fapesp</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2022-02-21T15:41:39Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/memoria-institucional/textos/projeto-de-gestao-do-iea-2012-2017">
    <title>Projeto de Gestão do IEA 2012-2017</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/memoria-institucional/textos/projeto-de-gestao-do-iea-2012-2017</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Sala Verde</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2018-07-30T14:23:30Z</dc:date>
    <dc:type>Arquivo</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/a-usp-precisa-mudar">
    <title>A USP precisa mudar</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/a-usp-precisa-mudar</link>
    <description>Manifesto lançado pelos professores Adalberto de Fazzio, Glauco Arbix, Hernán Chaimovich, Jorge Kalil Filho, Marco Antonio Zago, Renato Janine Ribeiro e Vahan Agopyan em agosto de 2009.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span>A Universidade precisa mudar. A USP precisa modernizar-se sem perder suas tradições de qualidade. A USP precisa assumir suas responsabilidades para com a sociedade que a mantém. O momento de escolha do novo reitor é um momento apropriado para levantar idéias - para pensar grande! Não importa qual candidato cada um de nós irá apoiar: quem for eleito deve garantir a excelência de nossa instituição num quadro novo do mundo e do conhecimento, combinando a tradição de qualidade da USP com a agilidade necessária no mundo moderno.</span></p>
<p>As mudanças globais acentuadas pela recente crise criaram novos eixos de poder político e econômico no mundo e apontaram novas prioridades, gerando oportunidades para o Brasil. Se nossa Universidade está entre as que têm maior projeção no mundo, o dado decisivo é que ela figura entre as cinco primeiras dos países que hoje, mais que antes, estão de fato emergindo. Neste quadro, o papel da USP pode ser decisivo para que nosso país cresça e assuma o lugar por que todos ansiamos. Para o futuro chegar, a USP precisa mudar. As mudanças implicam fortalecer os critérios de qualidade em todas as suas ações e mecanismos de gestão, a começar pela escolha de seu próprio reitor, favorecendo o predomínio da academia sobre os interesses menores. Isso exige subordinar os procedimentos burocráticos e de gestão às atividades-fim, despindo-os dos seus componentes ritualísticos e cartoriais.</p>
<p>A forma de escolha do reitor da USP precisa ser modificada no primeiro ano da futura gestão. É necessário assegurar uma participação mais ampla e representativa do conjunto da universidade na decisão final, sempre com o objetivo de aprimorar a qualidade das atividades-fim da universidade. Novas formas de escolha do reitor devem ser discutidas com a comunidade acadêmica. Seja pelo reforço do atual colégio eleitoral do primeiro turno ou pela sua ampliação, estamos de acordo quanto à premência da mudança, quanto à importância de que qualquer reforma preserve e aumente a qualidade da USP, e quanto a pelo menos a eliminação do atual colégio do segundo turno.</p>
<p>Porém, as mudanças na estrutura do poder são apenas parte das alterações que garantam a melhora da qualidade de nossa instituição. Temos grupos fortes e altamente competitivos, ao lado de grupos incipientes ou que necessitam crescer ou se aperfeiçoar. A existência de grupos ou cursos de reduzida relevância acadêmica, quer no ensino ou na pesquisa, é sim responsabilidade da reitoria e das diretorias, e exige formas criativas de intervenção por parte das autoridades acadêmicas, visando a garantir que uns mantenham ou ampliem a sua liderança e outros passem a estar à altura da missão da USP. A instituição tem que atuar em conjunto, sinérgica e complementarmente, evitando a competição interna que arrisca desagregar o ethos comum da universidade.</p>
<p>A liderança e a competência intelectual de muitos Professores da USP edificaram a tradição de qualidade desta Universidade. Grupos e cientistas bem sucedidos também trazem significativas contribuições para a universidade, aplicadas em equipamentos, laboratórios, reagentes, instrumentos e bolsas. Mas as dificuldades criadas para infra-estrutura e gestão, acompanhadas muitas vezes de atitudes de rejeição à liderança destes cientistas nas estruturas departamentais, levaram a seu progressivo afastamento da vida da universidade: buscaram isolamento e independência, recorreram a mecanismos ágeis de gestão de recursos extra-universitários. Esses grupos têm que ser ativamente reincorporados ao funcionamento da instituição, seus líderes precisam receber incumbências compatíveis com sua expressão científica, os entraves administrativos e de gestão de recursos necessitam ser resolvidos e simplificados, para que a própria universidade possa assumir todas ou a maior parte das ações conduzidas por centenas de entidades que a ela vão se somando de forma incontrolada. Essas seriam importantes medidas para conter as forças centrífugas que tendem a desagregar a USP.</p>
<p>A USP tem o maior quadro de pesquisadores e especialistas entre as universidades brasileiras. Não pode isolar-se: sem se partidarizar, tem que dialogar com os governos e com a sociedade que a mantém. Além de sua missão educacional, a USP tem o dever de criar conhecimento, contribuir com soluções e prover especialistas para resolver gargalos e ajudar a promover o desenvolvimento do país.</p>
<p>Os desafios que o Brasil enfrenta são de duas ordens: déficits e oportunidades. O rol de tópicos nos quais a intervenção da USP pode ser de grande valor é muito amplo, e a título de exemplo dos nossos déficits sociais podemos lembrar a violência com suas múltiplas raízes; a desigualdade em todas as suas dimensões; a crescente poluição; o desnecessário antagonismo entre por um lado o desenvolvimento e por outro a biodiversidade e a culturodiversidade (por exemplo, a extinção de línguas indígenas, o estudo de culturas como a coreana e a boliviana, dois povos que estão se incorporando ao nosso dia a dia); o risco de que a capital de S. Paulo seja paralisada pelo trânsito, abafando sua pujança econômica, social e cultural; a extraordinária mudança do perfil demográfico, em que o crescente aumento da proporção de idosos se associa à extrema redução da natalidade, fenômeno que já afeta todas as atividades, do atendimento à saúde até o planejamento urbano, passando pelas relações de trabalho e a previdência social. Mas a maior contribuição que a USP precisa e pode dar ao país e ao Estado de S. Paulo, em proporção muito maior do que o faz, é com relação à educação em todos os níveis.</p>
<p>E há também as grandes oportunidades para o Brasil: podemos ser a primeira potência ambiental do planeta, temos especialistas capazes de liderar os grandes desafios que vão ditar o ritmo do crescimento dos diferentes países, como a biotecnologia, a nanotecnologia, a geração sustentável de energia, o uso da água. Nossa diversidade cultural pode revelar fontes de riquezas insuspeitas, que podem se converter em contribuições científicas, tecnológicas e sociais inovadoras.</p>
<p>A USP tem uma responsabilidade especial com o ensino de graduação especialmente com a qualidade e com as mudanças necessárias num mundo de profissões mais variadas, de uso intenso de instrumentos de educação a distância, de educação continuada de estudantes, profissionais e professores, com a criação, revisão, fusão e extinção de cursos. Ela deve levar cada vez mais em conta seu papel de propor modelos e iniciativas inovadoras, em lugar de repetir aquilo que outras instituições podem fazer em volume maior. Ela deve renovar a formação universitária, para que nossos alunos enfrentem uma vida que só pode ser abordada de forma interdisciplinar; deve entender que as profissões se multiplicaram e nem sempre estão ancoradas num diploma.</p>
<p>Para isso, a estrutura acadêmica e departamental tem que ser reformada, para se liberar do imobilismo e da burocracia que subordina o mérito ao rito. A burocracia universitária não é produto exclusivamente de uma elite de servidores, mas também do conservadorismo dos professores, especialmente aqueles encastelados em posições administrativas ou em milhares de comissões da universidade ou das unidades. Cabe ao reitor e pró-reitores quebrar a estagnação derivada do exercício cego e repetitivo das rotinas e observância inquestionável de regras que deveriam ser fugazes e transitórias e não transformadas em leis imutáveis.</p>
<p>A USP tem mais que o dobro dos programas de pós-graduação do que a universidade subseqüente. Abrange quase todos os setores do conhecimento em seus mais de 200 programas, 90% deles incluindo doutorado, caracterizados por alta qualidade e liderança. A USP já formou mais de metade dos doutores do Brasil, e hoje titula quase um quarto: essa própria redução é uma das provas de seu sucesso, pois grande parte dos novos programas de pós-graduação são liderados por egressos da USP, que hoje se encontram em todas as unidades da federação e em praticamente todas as universidades brasileiras. O Sistema de Pós-Graduação do Brasil deve seu formato e sucesso atuais em grande medida à USP. Por isso mesmo, cabe à USP a grande responsabilidade de renovar a pós-graduação. Sem abandonar as metas quantitativas, deve ela focalizar-se nos seus novos desafios, como por exemplo fazer um grande esforço para cursos que extrapolem as barreiras disciplinares clássicas, que lidem com a complexidade do mundo e do saber, em novas formas de articular os grupos de pesquisa e as áreas de pensamento. Nesta nova visão deve ter um lugar muito proeminente o pós-doutorado, principalmente tendo em vista que os docentes e pesquisadores de todo o sistema brasileiro de pós-graduação, espalhado nas universidades mais tradicionais e naquelas que estão sendo expandidas, precisarão de apoio importante para manter e consolidar suas atividades científicas. Essa talvez seja a contribuição mais relevante que a USP possa dar no futuro para o sistema universitário brasileiro.</p>
<p>A avaliação é instrumento central na de gestão em qualquer instituição, pública ou privada. Avaliação é, também, elemento chave na definição de metas e na prestação de contas à sociedade. Avaliação de metas deve fazer parte da vida diária da USP, em todos os níveis. Não pode ser um fenômeno episódico, um exercício amadorístico, nem ser o foco de pressões de grupos variados dentro da própria universidade para controlar-lhe os desfechos. Deve ser um processo cujo produto final, no lugar de apenas alimentar as páginas dos noticiários, sirva à Reitoria, às diretorias e ao próprio governo para melhorar o desempenho da USP.</p>
<p>Em suma, precisamos de uma universidade dinâmica que, sem abandonar suas raízes, se mostre aberta às mudanças que garantam sua excelência. Seu reitor necessitará de autoridade científica, representatividade acadêmica e compromisso social para fortalecer as boas potencialidades, reunificando a instituição, restaurando-lhe o entusiasmo e o vigor, qualidades que devem estender-se a todos os que venham a participar da gestão. Somos nós, todos os que se empenham na qualidade universitária, que precisamos dizer como a USP deve ser, e buscar um reitor que tenha compromisso com as melhores idéias e real possibilidade de executá-las. Exortamos nossos colegas a trazer a público suas idéias mais preciosas, seus ideais mais valiosos, para que a sucessão reitoral ultrapasse a simples escolha de um nome e seja a ocasião de se reafirmar a ousadia científica e a responsabilidade social de nossa universidade.</p>
<p><strong>Adalberto de Fazzio</strong><br />Instituto de Física da USP</p>
<p><strong>Glauco A. Truzzi Arbix</strong><br />Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP</p>
<p><strong>Hernán Chaimovich Guralnik</strong><br />Instituto de Química da USP</p>
<p><strong>Jorge Kalil Filho</strong><br />Faculdade de Medicina da USP</p>
<p><strong>Marco Antonio Zago</strong><br />Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP</p>
<p><strong>Renato Janine Ribeiro</strong><br />Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP</p>
<p><strong>Vahan Agopyan</strong><br />Escola Politécnica da USP</p>
<p> </p>
<h3>RELACIONADO</h3>
<p><strong>Notícia</strong></p>
<ul>
<li><span><a class="external-link" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u603852.shtml">"Professores da USP pedem mudança" — Edição digital da "Folha de S.Paulo" em 8 de agosto de 2009</a> </span></li>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
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      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-27T13:05:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/a-universidade-do-futuro">
    <title>A Universidade do Futuro</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/a-universidade-do-futuro</link>
    <description>Artigo de Luiz Roberto Giorgetti de Britto para o livro "USP 2034 — Planejando o Futuro" (Edusp, 2009)</description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
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      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/a-inovacao-tecnologica-e-a-educacao-para-o-empreendedorismo">
    <title>A Inovação Tecnológica e a Educação para o Empreendedorismo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/a-inovacao-tecnologica-e-a-educacao-para-o-empreendedorismo</link>
    <description>Artigo de Guilherme Ary Plonski e Celso da Costa Carrer publicado no livro "USP 2034 — Planejando o Futuro" (Edusp, 2009).</description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
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      <dc:subject>Inovação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
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      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-27T13:46:59Z</dc:date>
    <dc:type>Arquivo</dc:type>
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/discurso-de-posse-marco-antonio-zago-reitor">
    <title>Discurso de posse de Marco Antonio Zago como reitor da USP, em 25 de janeiro de 2014</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/discurso-de-posse-marco-antonio-zago-reitor</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span>Senhor governador, senhor vice-reitor, membros do colendo  Conselho Universitário, autoridades, senhoras e senhores,</span></p>
<p>A Universidade de São Paulo completa hoje 80 anos, se  considerado o decreto de sua organização formal de 25 de janeiro de 1934. Suas  origens, no entanto, são centenárias e remontam à criação da Faculdade de  Direito em 1827, seguida das cinco outras escolas profissionais que, aglutinadas  com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, instituída pelo mesmo decreto,  constituíram o núcleo inicial da USP.</p>
<p>Uma característica surpreendentemente moderna daquela  universidade nascente era a diversidade intrínseca de sua missão. Devia ser, ao  mesmo tempo, escola de formação profissional de elevada qualidade; instituto de  pesquisa de ciências, letras e filosofia; local de formação das lideranças  intelectuais, e de criação, compreensão e transmissão da cultura.</p>
<p>E essa universidade, assim constituída, revelou-se um projeto  político e estratégico bem sucedido, ao qual vieram agregar-se as outras duas  universidades estaduais paulistas (UNICAMP e UNESP), os institutos de pesquisa  como Butantã, IPT, IPEN e IAC, o Centro Paula Souza e a UNIVESP, como  instrumentos de uma política que colocou o Estado de São Paulo em posição de  liderança no país, na produção intelectual e na formação de pessoal qualificado  de nível superior.</p>
<p>As universidades existem para prover educação superior de  excelência às novas gerações e para promover a pesquisa, entendida no sentido  mais amplo, ou seja, a investigação experimental e tecnológica, a pesquisa dos  problemas humanos como o exame das questões econômicas, políticas e sociais, as  dimensões acadêmicas ligadas às manifestações culturais e artísticas, entre  outras, estendendo seus resultados à sociedade.</p>
<p>Uma universidade de alto padrão acadêmico não pode, no  entanto, tratar suas duas missões tradicionais, o ensino e a produção  intelectual, como dois compartimentos estanques, mas devem ser desenvolvidos de  forma articulada: não é possível ser forte em pesquisa e fraco no ensino.  Somente a existência de grupos de pesquisa e laboratórios de excelência, por  exemplo, garante o desenvolvimento de cursos de pós-graduação, caso contrário, a  formação pós-graduada seria uma atividade vazia.</p>
<p>Nas palavras de Karl Jaspers, “<em>a universidade é uma  escola, mas de um tipo muito especial. Não deve ser vista apenas como um local  de instrução; pelo contrário, o estudante deve participar ativamente da pesquisa  e, desta experiência, ele deve adquirir a disciplina intelectual e a educação  que permanecerão com ele pelo resto de sua vida. Idealmente, os estudantes  pensam de maneira independente, ouvem criticamente e são responsáveis perante si  mesmos. Eles têm liberdade de aprender.</em>”</p>
<p>Pela natureza de sua missão e de seus interesses, as  universidades são entidades que transcendem as fronteiras nacionais. Tratam de  questões que são valorizadas em todas as culturas, em todas as nações e nas mais  diferentes épocas. Basta olharmos para as universidades nascentes na Europa  medieval, quando os jovens das mais diversas origens nacionais buscavam Bolonha,  Paris, Coimbra ou Oxford. Mas, é preciso ressaltar que, da mesma forma que  ocorria na Idade Média, não se alcançará a internacionalização por meios  burocráticos ou artificiais. Somente universidades reconhecidas como centros de  conhecimento atrairão os jovens de nosso mundo globalizado.</p>
<p>Adicionalmente às suas duas missões clássicas, ensino  superior e pesquisa, a última década fortaleceu o reconhecimento da chamada  “terceira missão” das universidades, que inclui todas as relações das  universidades com seus parceiros não-acadêmicos. Divergindo da característica  transnacional do ensino e da pesquisa universitários, a terceira missão  fortalece o vínculo com as comunidades locais e regionais, expostas hoje a  mudanças rápidas ou inesperadas, como a globalização, mudanças climáticas,  incertezas econômicas e rápidas transformações tecnológicas.  A USP deve  contribuir para com o poder público para responder aos difíceis problemas  derivados da concentração populacional em grandes metrópoles, da mudança rápida  do perfil etário e de consumo da sociedade, bem como da crescente substituição  da economia baseada em mão de obra e riquezas naturais por uma sociedade de  informação e do conhecimento. O mundo de hoje exige das universidades ações que  vão além de seus muros.</p>
<p>Como afirmamos em nosso programa, a relevância das  universidades brasileiras será determinada pela sua capacidade de responder  criativamente aos desafios dos problemas emergentes no cenário atual: a expansão  dos fenômenos da cultura, o crescimento de reivindicações de acesso ao  conhecimento e à herança cultural da sociedade, a exigência de que as  instituições, sobretudo as públicas, atendam aos anseios dos atores sociais  diferenciados, a necessidade de ampliar a inclusão social, a habilidade de  sincronizar-se aos movimentos do conjunto da sociedade, a capacidade de  transformar conhecimento em inovação, tanto no setor produtivo como para as  políticas públicas.</p>
<p>A USP não se furtará às suas responsabilidades. Mas, há que  reconhecer que ela encontra-se hoje sob fortes pressões originadas de fora e de  dentro dela mesma. Ameaças e pressões, por si só, não são intrinsecamente  negativas, pois podem representar oportunidades de mudanças e de construção de  maior coesão.</p>
<p>Mas, a quais ameaças e pressões a USP está sujeita? De um  lado, ela precisa reagir vigorosamente à expectativa da sociedade, legítima, de  uma resposta às crescentes demandas sociais. De outro lado, passamos por um  desequilíbrio financeiro que pode pôr em risco nossa autonomia.</p>
<p>Mas, a mais grave das ameaças é a corrosão do tecido mesmo da  universidade, tanto por movimentos de protesto, que se têm transformado em  agressões ao patrimônio e às pessoas, como pela intolerância ao diálogo, que  ameaça transformar a universidade em um túmulo de ideias.</p>
<p>Temos que reagir, temos que enfrentar esses desafios, de três  formas distintas:</p>
<p>Primeiramente, aumentando a contribuição da USP para a  sociedade paulista; nós precisamos fazer mais e melhor. Temos que melhorar a  qualidade e reduzir a evasão de nossos cursos de graduação. Precisamos reavaliar  o sistema de acesso e acompanhar com atenção o progresso da inclusão social e  racial, construindo as intervenções que forem necessárias.</p>
<p>A USP Leste e o <em>campus</em> de Lorena serão dois motivos  adicionais de orgulho da USP, e devem ter impacto positivo nas regiões onde  estão implantados, da mesma forma que tiveram nossos <em>campi </em>de Ribeirão  Preto, de São Carlos, de Piracicaba, de Bauru e de Pirassununga. Precisamos  ampliar nossa relação com os setores produtivos e governamentais, participar da  articulação e implantação dos parques tecnológicos.</p>
<p>Em segundo lugar, vamos modificar radicalmente a gestão de  recursos financeiros, reformar e modernizar a administração para valorizar as  atividades-fim. Não é possível que uma simples mudança num curso de graduação  exija interminável ritual de discussões e aprovações, que pouco ou nada  contribuem para melhorar a qualidade das decisões.</p>
<p>A gestão comedida de recursos financeiros restritos nos  obrigará à sobriedade administrativa e à avaliação conjunta das nossas  prioridades, privilegiando a promoção de atividades acadêmicas e de recursos  humanos em relação à expansão de obras físicas.</p>
<p>Finalmente, temos compromisso com a revisão da governança da  universidade, que passa por uma crise nas suas formas de legitimação e de  gestão. Por isso, assumimos o compromisso de repactuar as relações no âmbito da  universidade, de forma a aumentar a agregação interna, trazendo o diálogo, e não  mais o confronto, para o centro da vida universitária, numa forma de  democratização que avance muito além do mecanismo de escolha do Reitor.  Uma  democratização que reverta a desconcentração do poder que caracterizou as  sucessivas gestões recentes, e que inclua o compartilhamento de  responsabilidades entre a Reitoria e as unidades acadêmicas, maior transparência  na gestão do orçamento e restabelecimento do papel central dos órgãos  colegiados.</p>
<p>Mas, não resta qualquer dúvida de que a nossa mais urgente  tarefa, que será um encargo permanente de todos, a partir de amanhã, é a  reconstrução das relações entre estudantes e professores, em todas as suas  dimensões. Esta será a base da mudança que ocorrerá na USP. Não podemos  esquecer, nunca, que somos, acima de tudo, educadores, e seremos julgamos pelo  êxito que alcançarmos nessa missão. Os jovens que formaremos vão atestar se a  USP, quando se aproxima de seu centenário, está realmente cumprindo sua missão,  como sonharam seus fundadores.</p>
<p>Para isso, eu os convoco a todos, estudantes, docentes e  servidores, para respondermos em conjunto aos desafios que se nos apresentam,  nas palavras poéticas de João Cabral de Melo Neto:</p>
<p><em>Um galo sozinho não tece uma manhã:</em></p>
<p><em>ele precisará sempre de outros galos. </em></p>
<p><em>De um que apanhe esse grito que ele</em></p>
<p><em>e o lance a outro; de um outro galo</em></p>
<p><em>que apanhe o grito de um galo antes </em></p>
<p><em>e o lance a outro; e de outros galos</em></p>
<p><em>que com muitos outros galos se cruzem</em></p>
<p><em> os fios de sol de seus gritos de  galo,</em></p>
<p><em> para que a manhã, desde uma teia  tênue,</em></p>
<p><em> se vá tecendo, entre todos os galos.</em></p>
<p><span>A campanha acabou, os rituais da transmissão do cargo  esgotaram-se neste momento. Somos agora aliados pela mesma causa. Permitam-me  evocar, pela última vez, o lema que nos moveu nesta campanha em prol da  universidade: agora somos </span><strong>Todos pela USP!</strong><strong> Todos pela  USP!</strong></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-27T16:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/uma-universidade-de-ensino-pesquisa-e-cultura">
    <title>Uma universidade de ensino, pesquisa e cultura*</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/uma-universidade-de-ensino-pesquisa-e-cultura</link>
    <description>Artigo do reitor Marco Antonio Zago publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" de 25 de janeiro de 2013, pág. A2.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: right; "><i><b>Marco Antonio Zago**</b></i></p>
<p>A Universidade de São Paulo (USP) completa 80 anos. Deve enfrentar os desafios do presente para cumprir e atualizar a diversidade da missão – surpreendentemente moderna – que lhe foi atribuída por seus fundadores: ela devia ser, ao mesmo tempo, escola de formação profissional de elevada qualidade; instituto de pesquisa de ciências, letras e filosofia; local de formação das lideranças intelectuais e de preservação, compreensão e transmissão da cultura.</p>
<div class="article entry-content">
<p>Essa universidade se revelou um projeto político e estratégico bem-sucedido ao qual vieram agregar-se as outras duas universidades estaduais, a Fapesp, institutos de pesquisa, o Centro Paula Souza e a Univesp, como instrumentos de uma política que pôs o Estado de São Paulo em posição de liderança no País na produção intelectual e na formação de pessoal qualificado de nível superior.</p>
<p>As universidades existem para prover educação superior de excelência às novas gerações e para promover a pesquisa, entendida em sentido amplo: investigação experimental e tecnológica; pesquisa das questões econômicas, sociais e políticas; e da produção da cultura e da arte em todas as suas formas de expressão.</p>
<p>Uma universidade de alto padrão acadêmico não pode, porém, tratar suas missões tradicionais, ensino e pesquisa, como compartimentos estanques. As duas atividades devem ser desenvolvidas de forma articulada. Nas palavras de Karl Jaspers, “a universidade é uma escola de um tipo muito especial. Não deve ser vista apenas como um local de instrução; ao contrário, o estudante deve participar ativamente da pesquisa e, desta experiência, ele deve adquirir a disciplina intelectual e a educação que permanecerão com ele pelo resto de sua vida. Idealmente, os estudantes pensam de maneira independente, ouvem criticamente e são responsáveis perante si mesmos. Eles têm liberdade de aprender”.</p>
<p>Pela natureza de sua missão e seus interesses, as universidades são entidades que transcendem as fronteiras nacionais, tratando de questões valorizadas universalmente, em todas as sociedades e nas mais diferentes épocas. Não se alcançará a internacionalização, porém, por meios artificiais ou burocráticos, mas principalmente pela excelência acadêmica. Somente universidades reconhecidas como centros de conhecimento atrairão os jovens do nosso mundo globalizado.</p>
<p>Adicionalmente às suas missões clássicas, ensino superior e pesquisa, na última década fortaleceu-se o reconhecimento da chamada “terceira missão”, que inclui as relações das universidades com seus parceiros não acadêmicos. Divergindo da característica transnacional do ensino e da pesquisa universitários, a terceira missão leva a universidade a tornar mais forte seu vínculo com as comunidades locais e regionais, expostas hoje às mudanças rápidas ou inesperadas, como globalização, mudanças climáticas, incertezas econômicas e rápidas transformações tecnológicas. A universidade deve contribuir com o poder público para responder aos difíceis problemas derivados da concentração populacional em grandes metrópoles, da mudança rápida do perfil etário e de consumo da sociedade, bem como da crescente substituição da economia baseada em mão de obra e riquezas naturais por uma sociedade de informação e do conhecimento.</p>
<p>A USP não se furtará a tais responsabilidades. Mas, há que reconhecer, ela se encontra hoje sob fortes pressões. De um lado, precisa responder vigorosamente às crescentes e legítimas demandas sociais. De outro, sofre um desequilíbrio financeiro que pode pôr em risco sua autonomia e, mais grave ainda, vem sendo ameaçada pela corrosão do tecido mesmo da universidade, tanto por movimentos de protesto que se têm transformado em agressões ao patrimônio e às pessoas como pela intolerância ao diálogo.</p>
<p>Como reagir a isso?</p>
<p>Primeiramente, aumentando a contribuição da USP à sociedade paulista: precisamos fazer mais e melhor. Precisamos melhorar a qualidade e reduzir a evasão de nossos cursos de graduação, reavaliar o sistema de acesso e acompanhar o progresso da inclusão social e racial, construindo as intervenções que forem necessárias. A USP Leste e o câmpus de Lorena serão dois motivos adicionais de orgulho da USP e devem ter impacto positivo nas regiões onde estão instalados, da mesma forma que tiveram nossos câmpus de Ribeirão Preto, São Carlos, Piracicaba, Bauru e Pirassununga. Precisamos ampliar nossa relação com os setores produtivos e governamentais, participar da articulação e implantação de parques tecnológicos.</p>
<p>Em segundo lugar, vamos modificar radicalmente a gestão de recursos financeiros, reformar e modernizar a administração para valorizar as atividades-fim. Uma simples mudança de currículo não deve exigir interminável ritual de rediscussões e múltiplas aprovações. A gestão comedida de recursos financeiros restritos nos obrigará à sobriedade administrativa e à reavaliação de nossas prioridades, privilegiando as atividades acadêmicas em relação à expansão de obras físicas.</p>
<p>Finalmente, temos compromisso com a revisão da governança da USP. Estimularemos a redefinição das relações de poder no âmbito da universidade, de forma a aumentar a agregação interna, num processo de democratização que avance muito além do mecanismo de escolha do reitor. Uma democratização que inclua o compartilhamento de responsabilidades entre a Reitoria e as unidades acadêmicas, maior transparência na gestão do orçamento e restabelecimento do papel central dos órgãos colegiados.</p>
<p>Mas não resta nenhuma dúvida de que a nossa tarefa mais urgente é reconstruir as relações entre estudantes e professores, em todas as suas dimensões. Essa será a base da mudança que ocorrerá na USP: somos educadores e seremos julgados pelo êxito que alcançarmos nesse mister. Os jovens que formaremos vão atestar se a USP, quando se aproxima de seu centenário, está realmente cumprindo a missão projetada por seus fundadores.</p>
<p><span class="discreet"><strong>* Artigo publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" de 25 de janeiro de 2014, pág. A2.</strong></span></p>
<p><strong><span class="discreet"><strong>** Professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, é reitor da USP.</strong></span></strong></p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-27T16:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/saudacao-de-sergio-adorno-posse-zago">
    <title>Saudação de Sérgio Adorno (em nome do Conselho Universitário) à nova Reitoria — 25 de janeiro de 2014</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/saudacao-de-sergio-adorno-posse-zago</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span>Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, Dr. Geraldo Alckmin;</span></p>
<p>Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, Dr. Alberto Goldman;</p>
<p>Excelentíssimo Senhor Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Dr. Nelson Baeta Neves Filho;</p>
<p>Excelentíssimo Senhor Ministro de Ciência e Tecnologia, Prof. Dr. Marco Antonio Raupp, em nome de quem cumprimento os Ministros, Deputados, Secretários de Estado e membros da classe política presentes nesta cerimônia;</p>
<p>Excelentíssimo Senhor Prefeito do Município de São Paulo, Prof. Dr. Fernando Haddad;</p>
<p>Excelentíssimo Senhor Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Prof. Dr. Celso Lafer, em nome de quem cumprimento os dirigentes de todas as agências de fomento, os Reitores das Universidades presentes nesta cerimônia, os Ex-Reitores e todos os Professores Eméritos da Universidade de São Paulo;</p>
<p>Excelentíssimo Professor Hélio Nogueira da Cruz, Vice-Reitor em exercício da Universidade de São Paulo;</p>
<p>Excelentíssimo Professor Dr. Marco Antonio Zago, Reitor da Universidade de São Paulo;</p>
<p>Excelentíssimo Professor Dr. Vahan Agopyan, Vice-Reitor da Universidade de São Paulo;</p>
<p>Excelentíssimos senhores e senhoras, membros do Conselho Universitário da USP;</p>
<p>Estimados docentes, alunos, funcionários, familiares, amigos e todos os que comparecem a esta cerimônia,</p>
<p>Venho saudar, em nome do Conselho Universitário, a nova Reitoria eleita e designada pelo Governador do Estado para o quadriênio de 2014-2018, em um momento muito singular. A posse de novos dirigentes universitários é sempre um momento de inflexão. Cuida-se é certo de refletir a respeito dos avanços conquistados, dos desafios enfrentados, das promessas que ainda não puderam ser cumpridas. Mas, é igualmente a oportunidade para que expectativas sejam renovadas e reafirmadas. Este é, antes de tudo, um momento verdadeiramente singular pois a nova Reitoria toma posse justamente quando a USP completa 80 anos de existência e a cidade de São Paulo 460 anos. Comparada com outras Universidades europeias e da América do Norte, a USP é ainda muito jovem. Tem muitas tarefas e desafios pela frente.</p>
<p>A USP foi criada, em 1934, como um projeto de ensino superior formulado pelas elites econômicas e políticas. Sob forte inspiração iluminista, cuidou de fixar os fundamentos para uma formação intelectual e profissional renovada e inovadora que conferisse à ciência e à cultura a missão de transformar os hábitos políticos vigentes àquela época. Esse propósito contemplava um conjunto de objetivos voltados para: a) incentivar o desenvolvimento econômico-social e aprofundar a democracia liberal nesta sociedade; b) mudar mentalidades ancoradas na tradição e no personalismo das relações sociais; c) formar classes sociais dirigentes capazes de modernizar o país, afetar a consciência social bem como propor planos de ação voltados para a resolução dos problemas da nacionalidade; d) preparar estudantes para o exercício de todas as profissões de forma a ampliar mercados e fornecer quadros competentes para a burocracia estatal; e) ampliar os horizontes intelectuais e científicos mediante estímulo ao intercâmbio com o que de mais avançado havia nas universidades, centros de pesquisa e centros de produção da cultura existentes no exterior; f) estimular – como se dizia àquela época – os altos estudos nos mais diferentes campos do conhecimento, da ciência experimental às humanidades, das tecnologias às artes.</p>
<p>Na memória de ex-docentes, ex-alunos e ex-funcionários, é frequente a menção às rigorosas exigências de que se revestiam as atividades acadêmicas. As aulas requeriam horas e horas de copiosas preparações fundamentadas em consulta a livros e referências bibliográficas, não raro em bibliotecas próprias dos docentes. Por sua vez, não menos exigente, o aprendizado quase enciclopédico de conteúdos determinados requeria dos estudantes horas de concentração e estudo muitas vezes solitário. A ciência produzida no interior dos laboratórios e instalações que se estavam constituindo dependia menos dos recursos existentes e mais do gênio criador e inovador. Ciência desinteressada, pouco influenciada por fatores externos, proviessem do mercado, da política ou dos movimentos sociais.</p>
<p>Ciência e manifestações culturais caminhavam de mãos dadas. O cientista completo ocupava-se não apenas de ciência <i>tout court</i>, mas também versava sobre literatura, artes plásticas, artes cênicas, música, iconografia. Entre físicos, químicos, biólogos, tecnólogos, historiadores, cientistas sociais encontram-se bons memorialistas, filósofos, contistas, cronistas, compositores, pintores. Bastaria uma visita à biblioteca dos velhos mestres para constatar o quanto ciência e cultura, verdade e filosofia se afiguravam indissociáveis.</p>
<p>A administração da universidade, considerada um meio e não um fim, não se resumia à gestão de recursos materiais e humanos. Estava a serviço de um projeto universitário capaz de enfrentar dilemas e desafios contemporâneos da sociedade brasileira, mas também capaz de projetar a ciência, a cultura e as artes para as futuras gerações e para as próximas décadas. Nisto residia o papel político das lideranças acadêmicas: o de decidir bem, com sabedoria e com a ousadia de mesclar imaginação, utopia e experiências acumuladas em trajetórias acadêmicas exemplares.</p>
<p>Certamente, esses primeiros anos não teriam apontado para um futuro promissor caso para ele não tivessem concorrido as missões estrangeiras que nos puseram em contato com experimentados e jovens pesquisadores. As missões tiveram, por assim dizer, uma espécie de papel socializador dos hábitos vigentes na comunidade científica internacional.</p>
<p>Contribuíram para enraizar na comunidade uspiana a indivisibilidade entre investigação científica, conduzida segundo rigorosos padrões metodológicos, ensino, aprendizado e difusão do conhecimento. Não menos importante foi a dedicação de jovens docentes, entre os quais as primeiras mulheres que se destacaram em todos os campos do saber que enfrentaram os desafios da construção institucional da Universidade de São Paulo. A USP foi pensada 50 anos à frente de seu tempo.</p>
<p>É difícil aquilatar o quanto essa nostalgia corresponde aos fatos. Justamente por ser nostalgia, ela é parte da memória coletiva e da construção seletiva da história. A despeito das virtudes subjacentes à narrativa desses primeiros acontecimentos, é forçoso reconhecer seus limites: tratava-se de um modelo elitista quase aristocrático, sob o férreo controle das cátedras, fundado em concepções hegemônicas da ciência e quiçá mesmo de cultura e das artes.</p>
<p>Esses limites levaram, ao longo da história da USP, ao acúmulo de tensões e conflitos, estimulando mesmo a radicalização de divergências, agravadas pelo advento da ditadura militar que impôs, pela violência, silêncio às vozes dissonantes e afastou, pela aposentadoria compulsória e por força da perseguição política, importantes lideranças acadêmico-científicas. Ainda assim, entre os que puderam permanecer e resistiram ao projeto modernizador do governo autoritário, foi possível manter tradições e firmar os princípios fundamentais que estão no DNA, por assim dizer, desta comunidade acadêmica: liberdade e autonomia. O que nos singulariza é o exercício irrefutável da liberdade de criação intelectual e a autonomia da pesquisa, do ensino e da difusão do conhecimento.</p>
<p>Liberdade no sentido da ausência de constrangimentos ao pensamento e às suas formas de manifestação, respeitados aqueles determinados pela ética científica e profissional. Autonomia no sentido da capacidade de agir independentemente dos interesses privados de qualquer ordem, estranhos aos propósitos e à missão da universidade. É a preservação desses princípios que faz com que a USP exerça com propriedade o paradoxo que lhe é inerente: o de ser parte da sociedade e ao mesmo tempo espaço de sua crítica construtiva e criativa; o de ser espaço institucional de escuta permanente dos problemas e demandas da sociedade, mas também de ser uma comunidade capaz de pensar diferentemente da sociedade mais ampla, de oferecer respostas competentes para problemas complexos.</p>
<p>Neste momento, em que se mesclam o aniversário da USP, o aniversário da cidade e a posse de um novo Reitor, o Conselho Universitário quer desejar ao novo dirigente votos de profícua gestão, em que se combinem de modo harmônico e equilibrado prudência e ousadia; o respeito à tradição porém enfrentamento das resistências às mudanças; a escuta das vozes dissonantes à busca de consensos possíveis, transitórios que sejam, em todos os campos de intervenção: pesquisa, ensino, cultura e extensão, intercâmbios acadêmicos, gestão de recursos materiais e humanos, relações com as agências externas de fomento às suas atividades-fim; o diálogo permanente com a sociedade civil organizada e com os formadores de correntes de opinião pública além do desafio de fundar novas bases para o relacionamento entre os três corpos universitários – docentes, discentes e funcionários.</p>
<p>Todos sabemos que Vossa Magnificência reúne todas as qualidades intelectuais para enfrentar os imensos desafios que se encontram à frente. Conhecemos também sua exitosa experiência como gestor acadêmico demonstrada nos cargos que ocupou. A confirmação nas urnas acadêmicas e seu reconhecimento pela maior autoridade do Estado de São Paulo são expressões inquestionáveis de seu prestígio e aceitação tanto no interior quanto no exterior da comunidade uspiana. Ao mesmo tempo, esses méritos colocam sob suas mãos o desafio de governar a USP em uma era de profundas transformações e adversidades. O Conselho Universitário deseja a Vossa Magnificência a energia e firmeza para cumprir seu programa de gestão e governabilidade da USP.</p>
<p><span class="discreet"><strong>* Esta saudação tem por referência ideias argumentos e formulações que desenvolvi anteriormente em: Adorno, S. ‘Universidade em crise’. Le Monde diplomatique. Brasil. Ano I, no. 4, novembro de 2007, pp. 34-35.</strong></span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-28T12:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/pronunciamento-jose-goldemberg-posse-zago">
    <title>Pronunciamento de José Goldemberg na posse do reitor — 25 de janeiro de 2014</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/quem-somos/a-usp/pronunciamento-jose-goldemberg-posse-zago</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p id="content"><span>Senhor Governador, Magnifico Reitor, colegas, amigos.</span></p>
<p id="content">USP: 80 anos</p>
<p id="content">Aniversários em geral são ocasiões em que fazemos uma avaliação do ano que <span>passou. O octogésimo aniversário da USP suscita, com mais razão, uma reflexão </span><span>profunda do que ocorreu nos seus 80 anos de vida.</span></p>
<p id="content">Este aniversário é ainda mais especial porque assume hoje seu cargo o novo <span>Reitor da USP e a posse de um Reitor só coincide com um decênio do aniversário da </span><span>criação da USP a cada 20 anos. Só teremos uma outra ocasião como esta em 2034 no </span><span>centésimo aniversário de fundação da USP.</span></p>
<p id="content">Decorridos 80 anos a pergunta a fazer é se a USP cumpriu os objetivos para os <span>quais foi criada. Onde acertamos e onde erramos? Em outras palavras, o que há a </span><span>comemorar?</span></p>
<p id="content">O que tinham em mente os fundadores da Universidade está no artigo 2º do <span>decreto 6283 de 25 de janeiro de 1934:</span></p>
<ul>
<li><span>promover pela pesquisa, o progresso da ciência;</span></li>
<li><span>transmitir, pelo ensino, conhecimentos que enriqueçam ou desenvolvam o </span><span>espirito ou sejam úteis à vida;</span></li>
<li><span>formar especialistas em todos os ramos de cultura, e técnicos e profissionais em </span><span>todas as profissões de base científica ou artística;</span></li>
<li><span>realizar a obra social de vulgarização das ciências, das letras e das artes, por </span><span>meio de cursos sintéticos, conferencias, palestras, difusão pelo rádio, filmes </span><span>científicos e congêneres.</span></li>
</ul>
<p><span> </span></p>
<p><span> </span><span>O decreto juntou numa mesma estrutura administrativa diversas instituições de </span><span>educação superior então existentes e de uma nova Faculdade de Filosofia, Ciências e </span><span>Letras, “laço de entrosamento científico-cultural” nas palavras de Ernesto de Souza </span><span>Campos. Na realidade este entrosamento demorou a ocorrer e só foi concretizado com a </span><span>reforma universitária de 1970 que criou os institutos básicos.</span></p>
<p><span> </span><span>O decreto previu ainda a instituição do regime de tempo integral e da autonomia </span><span>financeira que só se concretizou em 1988 com a destinação de um percentual fixo do </span><span>ICMS às universidades do Estado.</span></p>
<p><span> </span><span>No que se refere ao ensino e à promoção da pesquisa não há dúvidas que a USP foi um </span><span>sucesso. Ela formou até hoje mais de 300 mil graduados que ocuparam e ocupam </span><span>posições de destaque em todas as áreas da sociedade desde empresas de engenharia até </span><span>bancos e no próprio Governo. A USP já outorgou também cerca de 45 mil títulos de </span><span>doutor e seus egressos são parte importante do corpo docente das outras instituições de </span><span>ensino superior do Estado e do país. Seus docentes publicam, cada ano, cerca de 10 mil </span><span>trabalhos em revistas científicas. O fato de não ter ainda um premio Nobel entre os seus </span><span>pesquisadores é apenas uma questão de tempo e de oportunidade. Vários pesquisadores </span><span>da USP receberam outros prêmios muito significativos e o fato de Mauricio da Rocha e </span><span>Silva na medicina ou Cesar Lattes na Física não terem recebido o Premio Nobel é uma </span><span>injustiça.</span></p>
<p><span> </span><span>Existem no mundo cerca de 10 mil universidades e a USP se encontra entre as 200 </span><span>melhores, isto é, nos 2% onde se encontram as grandes universidades inglesas e </span><span>americanas. Ela é a melhor universidade da América Latina e está entre as 11 melhores </span><span>universidades dos países em desenvolvimento, mas pode e deve melhorar estimulando a </span><span>excelência em todas as áreas. Seus padrões de desempenho e excelência científica e </span><span>cultural influem nas demais universidades brasileiras.</span></p>
<p><span> </span><span>Contudo, ela não conseguiu melhorar suficientemente o ensino secundário como </span><span>desejavam Fernando de Azevedo, Julio Mesquita Filho e a Associação Brasileira de </span><span>Educação e muitos outros que lutaram pela criação da USP. Este é mais um problema </span><span>do ensino médio em geral do que da USP e que ela não pode resolver sozinha, mas </span><span>certamente poderia ajudar mais do que tem feito, a meu ver.</span></p>
<p><span> </span><span>Apesar de formar especialistas em todas as áreas os esforços da USP não se refletiram </span><span>em inovações e aumentos de produtividade na indústria como seria desejável e que </span><span>ocorreu em outros países da Europa e Estados Unidos. As atividades de pesquisa da </span><span>USP sempre tiveram uma forte componente cultural. Esta é uma atividade em </span><span>construção na qual também a FAPESP está engajada, mas que, a meu ver, necessita da </span><span>adoção de medidas macroeconômicas que estimulem a indústria a se modernizar. </span><span>A Comissão que o Reitor designou para coordenar as atividades que marcarão os 80 </span><span>anos da USP se debruçará sobre estes problemas promovendo um debate vivo, inclusive </span><span>com convidados do Exterior, que nos estimulem a lutar para resolvê-los.</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>USP</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Universidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Superior</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-01-28T13:15:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/iea/sala-verde/textos/projeto-de-gestao-do-iea-2012-2017">
    <title>Projeto de Gestão do IEA 2012-2017</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/iea/sala-verde/textos/projeto-de-gestao-do-iea-2012-2017</link>
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    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Sala Verde</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
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    <dc:type>Arquivo</dc:type>
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