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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 21 to 35.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/a-escola-espacos-e-tempos-das-acoes-docentes/escola-diversidade-e-equidade/equidade-dos-dados-a-pedagogia-da-diversidade">
    <title>Equidade: Dos Dados à Pedagogia da Diversidade</title>
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    <description>Avaliações e censos são importantes para compreender os desafios da equidade e pensar maneiras de abraçar a diversidade dentro das instituições de ensino</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-d5feac5e-7fff-26ad-4733-23047754266c"> </span></p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th><span>Pontos-chave</span></th>
</tr>
<tr>
<td><span id="docs-internal-guid-77bd86d5-7fff-2d74-eab0-29473ff195ec">
<p dir="ltr"><span>1. Equidade está relacionada à ideia de reduzir as desigualdades que são geradas por diversos fatores sociais e econômicos e que podem levar a diferenças na aprendizagem ao se comparar diferentes grupos.</span></p>
<p dir="ltr"><span>2. A promoção da equidade pode ser feita por políticas afirmativas, que garantem acesso a oportunidades iguais. Mas também é importante realizar ações para que os resultados, ao analisar grupos, sejam semelhantes.</span></p>
<p dir="ltr"><span>3. Em sala de aula, abraçar a diversidade da turma – em seus interesses, suas histórias pessoais e também suas maneiras de aprender – é fundamental para promover a equidade.</span></p>
</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr"><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p dir="ltr">O termo equidade tem mudado as discussões sobre avaliação e resultados educacionais. Cada vez mais presente no debate educacional, é importante que ele seja apresentado e debatido amplamente. Essa foi a ideia que conduziu a palestra "Escola, Diversidade e Equidade", apresentada pelo professor <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jose-francisco-soares" class="external-link">José Francisco Soares</a> e mediada pela professora <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoab/bernardete-angelina-gatti" class="external-link">Bernardete Gatti</a> durante o primeiro encontro do <i>Ciclo A Escola: Espaços e Tempos das Ações Docentes</i>, da <a href="https://www.iea.usp.br/home-por/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica" class="external-link">Cátedra de Educação Básica da USP</a>.</p>
<div><span>A ideia de equidade está presente em diversos documentos. Um dos principais é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS4), estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e do qual o Brasil faz parte. O ODS4 define como meta: "Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos". Nele está embutida a noção de que as políticas educacionais devem garantir que todos possam aprender, independente de fatores sociais e econômicos. "A ideia que precisamos ter é a de diminuir a desigualdade", afirma Soares. </span><span>Ele defende que, para atingir esse objetivo, é necessário considerar como dados, pesquisas e avaliações podem contribuir.<br /><br /></span></div>
<div></div>
<div><span><span id="docs-internal-guid-450868a3-7fff-be9c-b954-66c85578fdcb"><span><strong>Concepções de educação e equidade<br /><br /></strong></span></span></span></div>
<div></div>
<div><span id="docs-internal-guid-8d51544f-7fff-ef0d-9892-ea58b0ddd8c7">
<p dir="ltr"><span>Conhecimento, habilidades e atitudes são os três pilares que levam ao desenvolvimento de competências, que devem nortear todo o trabalho educacional. "A ideia de que educação é aprendizado não pode ser perdida. O que mudou é que, antes, íamos para a escola para o conhecimento só. As atitudes eram responsabilidades da sociedade e da família", afirma o palestrante.</span></p>
<iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/fxE8pYLYn10" width="560"></iframe>
<p dir="ltr"> </p>
<div id="_mcePaste"><strong>Veja os vídeos da palestra na íntegra: <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/escola-diversidade-e-equidade-1" class="external-link">Parte 1</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/escola-diversidade-e-equidade" class="external-link">Parte 2</a></strong></div>
<div id="_mcePaste"><strong><br /></strong></div>
<div></div>
<div></div>
<p dir="ltr"><span>Para garantir que as escolas cumpram seu papel, é necessário observar os dados e as avaliações educacionais. O pesquisador presidiu o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do governo federal responsável pelos censos educacionais e por avaliações nacionais, como a Prova Brasil. Ele explica que a discussão sobre equidade nasce da necessidade de analisar os números gerados por essa instituição e nas próprias escolas de maneira mais complexa do que apenas por um único índice, como o Ideb. "Precisamos observar o resultado de grandes avaliações para além das médias e atentar para a importância de assegurar que todos tenham seu direito de aprender respeitado", afirma.</span></p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Como as teorias pedagógicas podem estar a serviço da diversidade?</i></p>
<p><i>É importante que elas sejam postas em discussão para fomentar avanços no ensino. Esse papel cabe, em parte às universidades, e em parte aos próprios professores. "A teoria não está completamente sistematizada, mas seria um erro dizer que não há estudos que contemplem a diversidade", afirma José Francisco Soares. Bernardete Gatti, vice-presidente da Fundação Carlos Chagas (FCC) e mediadora da mesa, defende a necessidade de que currículos de formação inicial e continuada de professores chamem a atenção para como a teoria pedagógica – que envolve diversos campos, como a comunicação, a psicologia do desenvolvimento, a filosofia, entre outros – se dá na prática das salas de aula. "Nós estamos vivendo em uma sociedade muito complexa e de recriação intensa. É preciso discutir essas teorias", afirma Bernardete.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr"><span>Ele conta que, quando presidiu o Inep, organizou os resultados da Prova Brasil de acordo com os níveis socioeconômicos dos estudantes de 9º ano das escolas públicas brasileiras. Foi possível notar que a diferença de aprendizado entre os jovens de maior nível socioeconômico e os de menor era equivalente a dois anos escolares."O que eu estou defendendo: nosso planejamento não pode ser centrado em uma medida só, como o Ideb. A gente tem que falar dos resultados na média, mas também das diferenças entre diferentes grupos", explica Soares.</span></p>
<p dir="ltr"><strong><span> </span>Equidade de processo e de resultados</strong></p>
<p dir="ltr">A observação de que fatores socioeconômicos geram desigualdades tem levado, nos últimos anos, à promoção de políticas equitativas. O objetivo delas é garantir igualdade de oportunidades. Imagine que duas pessoas, de mesma estatura, tentem olhar por cima de um muro. Uma delas está sobre uma escada e outra, no chão. As políticas equitativas atenuam essa distorção ao fornecer um "banquinho" para que a segunda também possa alcançar a mesma altura que a primeira. "Trato desiguais de forma desigual", resume Soares. É o que acontece, por exemplo, em políticas de cotas raciais ou socioeconômicas, que dão a grupos específicos oportunidade de entrar em universidades ou escolas de elite. Essa é, segundo o especialista, a ideia de equidade de processo, quando corrigem-se distorções no ponto de partida.</p>
<p dir="ltr">"Mas posso ter uma política equitativa e ter desigualdades", diz Soares. O pesquisador alerta para o fato de que não basta ajustar oportunidades sem observar se as crianças e jovens chegam a pontos semelhantes no fim de sua trajetória escolar. Na educação básica, por exemplo, é fundamental analisar se estudantes de diferentes grupos raciais e socioeconômicos conseguem acessar a escola, permanecer nela e aprender em níveis semelhantes. Essa é a ideia de equidade de resultados.</p>
<p dir="ltr">Soares contou uma história para exemplificar a ideia que estava apresentando. Segundo ele, uma antiga colega dava aulas para a educação de jovens e adultos. Ao chegar em sala um dia, ele notou a ausência de um estudante. Quando perguntou sobre ele, os demais apenas responderam "157", o artigo do código penal relativo a roubo a mão armada. A reação da professora foi questionar: "ele já teve direito a um advogado?". De acordo com Soares, esse caso mostra como a ideia de inclusão, em uma sociedade democrática, diz respeito a garantir que todos – mesmo aqueles que possam parecer "errados" ou "maus" – tenham seus direitos garantidos ao longo de sua vida.</p>
<p dir="ltr">O professor chama a atenção para o fato de que a ideia de equidade não se contrapõe à ideia de valorizar o esforço individual de estudantes. Isso porque as medidas de equidade se referem a grupos e não indivíduos. "É possível ter um João que vá melhor em Matemática do que uma Maria, mas é preciso observar se o grupo das meninas não está tendo menos oportunidades de aprender", exemplifica.</p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é José Francisco Soares</th>
</tr>
<tr>
<td>Professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), membro do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Técnico do Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación (INEE) do México. Foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de 2014 a 2016. Tem doutorado em estatística pela Universidade de Wisconsin e pós-doutorado em educação pela Universidade de Michigan, ambas nos Estados Unidos.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr"><strong>Diversidade: uma abordagem pedagógica</strong></p>
<p dir="ltr">"As métricas ajudam, mas é preciso que elas tenham alma. E a alma é pedagógica", afirma Soares. Isso significa que, se as políticas públicas forem eficientes em fazer com que todos os estudantes entrem e permaneçam na escola, todas as turmas serão compostas por indivíduos diversos entre si e a escolha sobre como administrar essa diversidade cabe, em sua maior parte, aos professores, que precisam repensar o que ensinam e como ensinam. "Não há problema em se dar aulas tradicionais, mas há quando todas as aulas são iguais", explica Soares.</p>
<p dir="ltr">Já no que diz respeito ao conteúdos de ensino, O professor defende que a proposta de reforma do Ensino Médio tenta aproximar a educação formal da ideia de abraçar a diversidade. “Para que a equidade não seja colocada em risco, estabeleceu-se uma formação básica, que deve contemplar todos os estudantes, e itinerários formativos, que poderão ser escolhidos pelos estudantes de acordo com seus interesses e suas necessidades”, finaliza.</p>
</span></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2020-02-07T13:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/a-escola-espacos-e-tempos-das-acoes-docentes/escola-diversidade-e-equidade/estrategias-para-engajar-familias">
    <title>Estratégias para engajar famílias</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/a-escola-espacos-e-tempos-das-acoes-docentes/escola-diversidade-e-equidade/estrategias-para-engajar-familias</link>
    <description>Conhecer a comunidade a fundo e envolvê-las no planejamento das ações da escola é o primeiro passo para aproximá-la da instituição</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-67539ea8-7fff-9ece-1f5f-7d688a2af4e7"> </span></p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td><span id="docs-internal-guid-195dc616-7fff-6483-3f7e-b32893acc21e">
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>1. A família é identificada como a principal parceira para garantir a permanência e o desenvolvimento das crianças e adolescentes na escola. No entanto, ainda há dificuldade na relação: os responsáveis são pouco participativos e a instituição tem dificuldade em engajá-los.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>2. Entre os fatores que dificultam o diálogo e a relação está o desconhecimento da identidade, da realidade sociocultural e da diversidade presente na comunidade escolar. Para reverter, seria necessário que educadores considerassem esses elementos ao planejar suas ações.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>3. O estabelecimento de uma parceria ativa entre escola e comunidade exige mobilizar docentes, gestão escolar, rede de ensino e voluntariado. Cada ação e escola exigem estratégias diferentes.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>4. A relação é uma via de mão dupla: enquanto a escola pode se beneficiar de a comunidade apoiando a aprendizagem, o conhecimento acumulado pela instituição de ensino e seus alunos pode atuar em prol de soluções para os problemas da comunidade.</span></p>
<div><span><br /></span></div>
</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr" style="text-align: justify; "><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Dentro da escola, educadores, funcionários e alunos levam o dia a dia do ensino e da aprendizagem. Essa rotina é impactada pela bagagem que eles trazem do lado de fora. Seja na sala de aula, nos projetos que são desenvolvidos ou em eventos comemorativos, não é possível ignorar a realidade do entorno da instituição, composta por diferentes configurações familiares, condições socioeconômicas, trajetórias escolares, necessidades de aprendizagem, religiões, raças, orientações sexuais. Considerar essas características é fundamental para aproximar a escola da comunidade com a qual ela se relaciona. Essa foi uma das conclusões tiradas pelos participantes da atividade temática Escola, Família e Comunidade,  durante o primeiro encontro do <i>Ciclo A Escola: Espaços e Tempos das Ações Docentes</i>, da <a href="https://www.iea.usp.br/home-por/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica" class="external-link">Cátedra de Educação Básica da USP</a>.</p>
<div style="text-align: left; "><span><span id="docs-internal-guid-5c0bdbc7-7fff-d983-e5cb-8c7ff8010393">
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luis-carlos-de-menezes" class="external-link">Luís Carlos Menezes</a></span><span> e </span><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/claudia-sintoni" class="external-link">Cláudia Sintoni</a></span><span> coordenaram a atividade que teve como objetivo desenvolver propostas de práticas sobre a relação entre esses três elementos para promover a equidade dentro do ambiente escolar, tema apresentado na palestra que antecedeu a atividade. Durante a abertura dos trabalhos, eles destacaram que conhecer a comunidade é o ponto de partida para construir uma escola que dialogue com as necessidades e expectativas dos estudantes e suas famílias. Os ganhos de estabelecer uma boa relação entre escola e comunidade são mútuos. De um lado, a escola ganha um parceiro para apoiar a aprendizagem e desenvolver ações em conjunto. “E a escola pode colocar seu conhecimento e seus alunos para identificar os problemas da comunidade e atuar sobre eles”, exemplifica Menezes.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Há muitas oportunidades de parceria. Mas, para que elas aconteçam, é necessário aproximar comunidade e escola. “Muitas vezes, achamos que é preciso pensar em grandes projetos. Mas as soluções passam muito pelo trabalho do cotidiano”, diz Sintoni.</span></p>
<iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/y3f-ZhhtZgE" width="560"></iframe>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span><br /></span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Veja os vídeos do encontro na íntegra: <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/escola-diversidade-e-equidade-1" class="external-link">Parte 1</a> | <a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/escola-diversidade-e-equidade" class="external-link">Parte 2</a></strong></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Para analisar o tema em profundidade, a sala se dividiu em trios. No processo de discussão, a comunidade e, mais especificamente, a família, foi colocada como um parceiro imprescindível para o trabalho da escola. Além do apoio à aprendizagem, ela é vista como fundamental para a permanência nos estudos ao longo da educação básica. “Hoje, grande parte do fracasso escolar está atrelado à frequência. Tem aluno que falta toda semana”, diz Raquel dos Santos Ribeiro, diretora na rede municipal de Itapeva, no interior de São Paulo.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Após a discussão em pequenos grupos, eles foram convidados a se reunir para compartilhar suas impressões. Em comum, os trios identificaram a dificuldade de trazer a família para o espaço escolar. A participação dos pais e responsáveis é baixa e, geralmente, se dá em momentos formais, como festas escolares e reuniões de pais - sobre as quais os educadores reconhecem a necessidade de ressignificação, com menos foco em questões disciplinares e queixas. </span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Na visão dos participantes, é necessário criar estratégias para que a família esteja presente no cotidiano escolar, se sinta ouvida pela instituição e se torne atuante no processo educativo. Para isso, é preciso que a escola abandone o “olhar colonizador” de quem busca impor sua cultura e estabelecer um olhar sensível para a realidade em que a comunidade vive, reconhecendo suas características sociais, econômicas e culturais. Durante as discussões finais, os participantes pensaram em propostas para quatro níveis de atuação: docentes, gestão escolar, rede de ensino e voluntariado.</span></p>
<p dir="ltr"><span><strong>Docentes como ponte da relação</strong></span></p>
<span id="docs-internal-guid-307efad4-7fff-6202-9df9-7269c81eb6ca">
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>O professor costuma ser a figura mais próxima dos alunos e a referência das famílias (especialmente dos alunos menores). Por isso, eles têm um papel importante na comunicação entre a instituição e os adultos responsáveis pelos estudantes e podem ser representantes para apresentar o projeto da escola e também para identificar expectativas e demandas da comunidade.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Uma proposta de atuação seria que eles justamente buscassem ouvir e convidar as famílias para a construção do projeto do projeto político pedagógico da instituição. Aproximando, assim, a prática da necessidade da comunidade ao mapear e considerar a diversidade do público atendido pela escola. “Queremos estimulá-los para participar de reuniões, conselhos, associação de pais e mestres e outros momentos em que eles possam se sentir acolhidos e com participações decisórias dentro da escola”, diz Lígia Oliveira Almeida, professora da rede municipal de São Paulo.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: justify; "><span><strong>Mudança de dentro pra fora</strong></span></p>
<span id="docs-internal-guid-bd32c30f-7fff-3338-3ae9-7e3c62e08d59">
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Além da dificuldade de aproximar a relação entre escola, família e comunidade, os grupos identificaram um desdobramento da questão: manter esses atores próximos. Lidar com as famílias em todas as suas diversidades exige que a escola possua uma postura acolhedora. “É preciso tomar cuidado para não ficar julgando os pais. Como alguns moram no bairro e conhecem um pouco das famílias, às vezes, são situações que podem acontecer inconscientemente”, diz Cristina Barros, supervisora na rede municipal de Taquarituba (SP).</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Para evitar que a postura dificulte a manutenção do elo, os participantes propuseram um trabalho de gestão escolar para sensibilização dos funcionários ao lidar com a comunidade. A transformação desejada na relação poderia ser iniciada pela própria escola ao preparar a equipe para ela. “Precisamos quebrar aquele pensamento de que um certo aluno é daquele jeito porque vem de tal família ou porque os pais nunca aparecem na escola”, diz Flávia Bastos Almeida, da rede particular de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: justify; "><span><strong>Construção de territórios educativos</strong></span></p>
<span id="docs-internal-guid-ddca04df-7fff-a757-4662-cb839516155f">
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Mais do que o trabalho de uma única escola, os participantes identificaram que é possível reunir esforços entre instituições de uma mesma região para criar territórios educativos e estabelecer uma articulação em rede. O exemplo trazido pelo grupo é o do município de Itapeva (SP), que se divide em 12 territórios educativos, reunindo unidades escolares do berçário ao 9º ano do Ensino Fundamental. “Dentro desse espaço, as escolas trabalham de forma corresponsável e se auxiliam na divulgação das atividades, busca de parcerias e de fomento à aprendizagem”, diz a diretora Raquel.</span></p>
<p dir="ltr"><span>A cooperação entre escolas de uma mesma rede permite a realização de diversas ações que até poderiam ser feitas individualmente, mas que, coletivamente, ganham outra proporção, estímulo e força. Um exemplo de como essa parceria pode ser estabelecida para abarcar a diversidade são as atividades no período de férias. Como a constituição das famílias varia, muitas mães trabalham no período de recesso escolar e nem sempre contam com alguém para olhar os filhos. Fazendo esse trabalho em territórios os responsáveis podem contar com uma escola que não apenas enxerga a diversidade da comunidade, mas a contempla.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: justify; "><span><strong>Corresponsabilidade no voluntariado</strong></span></p>
<span id="docs-internal-guid-bf7de4e7-7fff-0fd3-b0df-d5da0a16d917">
<p dir="ltr"><span>Em uma perspectiva de envolver mais pessoas como parceiros da escola, uma das propostas discutidas foi mobilizar voluntários. Esse espaço de colaboração foi colocado como possível de ser ocupado não só pela família e comunidade no entorno da escola, mas também por qualquer pessoa que queira ser corresponsável pelo processo de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. “A gente entende que, ao garantir espaços na escola para diálogos mais igualitários e de participação ativa, conseguimos respeitar a diversidade e promover a equidade dentro da comunidade”, explica Victor Narezi, técnico da rede municipal de Tremembé, no interior paulista. Ao articular escola e sociedade civil, os educadores acreditam que podem ampliar sua rede de apoio e trazer novos aprendizados para a comunidade.</span></p>
<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é Luís Carlos de Menezes</th>
</tr>
<tr>
<td><span id="docs-internal-guid-c546c88a-7fff-3bc9-e2b6-0262e8bf7a32">
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Doutor em física pela Universidade Regensburg, é professor sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Membro do Conselho Estadual de Educação em São Paulo. Consultor da Unesco para propostas curriculares. Principais focos de trabalho em educação: currículos para a educação básica, formação de professores e ensino de ciências.</span></p>
</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é <span id="docs-internal-guid-6dfe4ce4-7fff-9f28-9ce2-3a0cb82681d9"><span>Cláudia Sintoni</span></span></th>
</tr>
<tr>
<td><span id="docs-internal-guid-a065d34a-7fff-ae0f-c473-c3134badd521"><span>Psicóloga pela Universidade de São Paulo, foi arte-educadora na Secretaria Estadual do Menor e Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor e, desde 1998, atua no desenvolvimento de projetos de voluntariado e educação em empresas e fundações. </span></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Para que esse trabalho possa se apoiar em iniciativas que deram certo, a solução proposta foi mapear boas práticas. As ações seriam reunidas em uma publicação a fim de que as práticas sejam divulgadas e possam ser replicadas em outras redes.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><span>Para Menezes, ao colocar a comunidade como corresponsável pela escola, se produz e fortalece uma postura cidadã. A atuação em diferentes níveis – docente, gestão escolar, rede de ensino e voluntariado – pode ajudar as instituições de ensino a superar o desafio de trazer a família para a escola e de tê-la como parceira de suas ações e sonhos. Para esta relação acontecer, no entanto, não há receita pronta. “É preciso pensar e desenvolver diferentes estratégias para cada ação, considerando a realidade em que a comunidade está inserida”, diz o coordenador da atividade temática.</span></p>
</span></span></span></span> </span></span></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2020-02-07T13:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/sistematizacao-e-propostas-30-de-novembro-de-2019">
    <title>Sistematização e Propostas - 30 de novembro de 2019</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/sistematizacao-e-propostas-30-de-novembro-de-2019</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights>Leonor Calasans/IEA-USP</dc:rights>
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Multidisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-11-30T02:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/escola-gestao-e-docencia-3o-encontro-26-de-outubro-de-2019">
    <title>Escola: Gestão e Docência - 3º Encontro - 26 de outubro de 2019</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/escola-gestao-e-docencia-3o-encontro-26-de-outubro-de-2019</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Multidisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-10-26T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/fragmentacao-disciplinar-e-transdisciplinaridade-2o-encontro-do-ciclo-a-escola-espacos-e-tempos-das-acoes-docentes-28-de-setembro-de-2019">
    <title>Fragmentação Disciplinar e Transdisciplinaridade -  2º encontro do ciclo A Escola: Espaços e Tempos das Ações Docentes - 28 de setembro de 2019</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/fragmentacao-disciplinar-e-transdisciplinaridade-2o-encontro-do-ciclo-a-escola-espacos-e-tempos-das-acoes-docentes-28-de-setembro-de-2019</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Multidisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-09-28T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/catedra-educacao-basica-2019-8">
    <title>Sistematização e Propostas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/catedra-educacao-basica-2019-8</link>
    <description>CÁTEDRA EDUCAÇÃO BÁSICA 2019</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; "><strong>4º encontro do ciclo <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/ciclos-catedra-educacao-basica" class="external-link">A Escola: Espaços e Tempos das Ações Docentes</a></strong></p>
<p style="text-align: left; ">Concluindo e sistematizando os trabalhos da Cátedra em torno da instituição Escola, serão retomadas e apreciadas as propostas decorrentes das nove oficinas de trabalho. Trata-se, portanto, da sistematização de fecho da produção dos professores participantes dos três encontros anteriores, preparando documento para sua divulgação no texto final dos trabalhos da Cátedra no semestre.</p>
<h3 style="text-align: left; ">Sobre o Ciclo</h3>
<div style="text-align: left; ">
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">No primeiro ciclo</a>, o foco dos trabalhos estava na figura do professor. Esse terá como ponto central a <strong>escola</strong> e buscará associar <strong>teoria e prática</strong>. Serão quatro encontros entre agosto e novembro:</p>
<ol>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-espacos-tempos-1" class="external-link">Escola, Diversidade e Equidade</a> - 31/08/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-fragmentacao-2" class="external-link">Escola: Fragmentação Disciplinar e Transdisciplinaridade</a> - 28/09/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-gestao-e-docencia" class="external-link">Escola: Gestão e Docência</a> - 26/10/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/sistematizacao-e-propostas" class="external-link">Sistematização e Propostas</a> - 30/11/2019</li>
</ol></div>
<div style="text-align: left; "><ol> </ol></div>
<p style="text-align: left; "> </p>
<div style="text-align: left; ">
<p>Cada um dos três primeiros encontros será composto por quatro “momentos”. O primeiro  consiste em uma palestra de um especialista que explorará o tema norteador dos trabalhos. O segundo e o terceiro correspondem respectivamente a atividades temáticas e oficinas práticas, realizadas em grupos de trabalho e com o objetivo de estimular o protagonismo do professor. Por fim, o quarto momento será destinado ao compartilhamento das práticas discutidas pelos grupos. A partir do segundo encontro, os professores terão um espaço para compartilhar suas experiências (adoção das propostas) no âmbito de suas escolas. O último encontro será um evento sintetizador dos debates e ações desenvolvidas no ano e de apreciação dos projetos elaborados pelos participantes. Será necessário realizar inscrição para cada um dos encontros.</p>
</div>
<div id="parent-fieldname-text-3749e7fdc03341c1b3e03bddbc9a2a78" style="text-align: left; ">
<h3>Público-Alvo</h3>
<p style="text-align: justify; ">Profissionais da Educação: Professores, Coordenadores, Diretores, Instituições que atuam com educação e demais interessados.</p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Janaina Abreu Oliveira</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Multidisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-26T12:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/catedra-educacao-basica-2019-7">
    <title>Escola: Gestão e Docência</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/catedra-educacao-basica-2019-7</link>
    <description>CÁTEDRA EDUCAÇÃO BÁSICA 2019</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; "><strong>3º encontro do ciclo <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/ciclos-catedra-educacao-basica" class="external-link">A Escola: Espaços e Tempos das Ações Docentes</a></strong></p>
<p style="text-align: left; ">Prosseguindo na intenção de concentrar o trabalho da Cátedra na instituição Escola, este terceiro encontro  focará a gestão escolar, tendo como palestra inicial “Gestão e Docência”. As oficinas de trabalho detalharão o assunto em temáticas específicas: “ O espaço aula”, “A escola além da aula” e “O trabalho coletivo”. O que motiva este encontro é problematizar a condução da escola na realização de seu projeto pedagógico.</p>
<h3 style="text-align: left; ">Sobre o Ciclo</h3>
<div style="text-align: left; ">
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">No primeiro ciclo</a>, o foco dos trabalhos estava na figura do professor. Esse terá como ponto central a <strong>escola</strong> e buscará associar <strong>teoria e prática</strong>. Serão quatro encontros entre agosto e novembro:</p>
<ol>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-espacos-tempos-1" class="external-link">Escola, Diversidade e Equidade</a> - 31/08/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-fragmentacao-2" class="external-link">Escola: Fragmentação Disciplinar e Transdisciplinaridade</a> - 28/09/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-gestao-e-docencia" class="external-link">Escola: Gestão e Docência</a> - 26/10/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/sistematizacao-e-propostas" class="external-link">Sistematização e Propostas</a> - 30/11/2019</li>
</ol></div>
<div style="text-align: left; "><ol> </ol></div>
<p style="text-align: left; "> </p>
<div style="text-align: left; ">
<p>Cada um dos três primeiros encontros será composto por quatro “momentos”. O primeiro  consiste em uma palestra de um especialista que explorará o tema norteador dos trabalhos. O segundo e o terceiro correspondem respectivamente a atividades temáticas e oficinas práticas, realizadas em grupos de trabalho e com o objetivo de estimular o protagonismo do professor. Por fim, o quarto momento será destinado ao compartilhamento das práticas discutidas pelos grupos. A partir do segundo encontro, os professores terão um espaço para compartilhar suas experiências (adoção das propostas) no âmbito de suas escolas. O último encontro será um evento sintetizador dos debates e ações desenvolvidas no ano e de apreciação dos projetos elaborados pelos participantes. Será necessário realizar inscrição para cada um dos encontros.</p>
</div>
<div style="text-align: left; "></div>
<div style="text-align: left; ">
<h3>Público-Alvo</h3>
<p style="text-align: justify; ">Profissionais da Educação: Professores, Coordenadores, Diretores, Instituições que atuam com educação e demais interessados.</p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Janaina Abreu Oliveira</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Multidisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-26T12:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/catedra-educacao-basica-2019-6">
    <title>Fragmentação Disciplinar e Transdisciplinaridade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/catedra-educacao-basica-2019-6</link>
    <description>CÁTEDRA EDUCAÇÃO BÁSICA 2019</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; "><span><strong>2º encontro do ciclo <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/ciclos-catedra-educacao-basica" class="external-link">A Escola: Espaços e Tempos das Ações Docentes</a></strong></span></p>
<p style="text-align: left; ">Dando continuidade às atividades da Cátedra com foco na Escola, este segundo encontro trata das dimensões “Fragmentação Disciplinar e Transdisciplinaridade”, que serão tema da palestra e do debate de abertura. Três oficinas de trabalho aprofundarão temáticas correlatas, em atenção às áreas de conhecimento “Linguagem, Matemática e Tecnologia”, “Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Cultura” e “Vivência dos conteúdos na Educação Infantil”. O objetivo geral do evento é tratar a “fratura disciplinar” como problema educacional e buscar alternativas de integração de acordo com a área de que cada componente curricular é parte, além de tratar da especificidade da educação infantil.</p>
<p style="text-align: left; "><span>Nesse encontro, tais objetivos serão explorados em três oficinas:</span></p>
<ul style="text-align: left; ">
<li><strong>Linguagem, Matemática e Tecnologia</strong></li>
<li><strong>Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Cultura</strong></li>
<li><strong>Vivência dos conteúdos na Educação Infantil</strong></li>
</ul>
<p style="text-align: left; "> </p>
<h3 style="text-align: left; ">Sobre o Ciclo</h3>
<div style="text-align: left; ">
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">No primeiro ciclo</a>, o foco dos trabalhos estava na figura do professor. Esse terá como ponto central a <strong>escola</strong> e buscará associar <strong>teoria e prática</strong>. Serão quatro encontros entre agosto e novembro:</p>
<ol>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-espacos-tempos-1" class="external-link">Escola, Diversidade e Equidade</a> - 31/08/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-fragmentacao-2" class="external-link">Escola: Fragmentação Disciplinar e Transdisciplinaridade</a> - 28/09/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/escola-gestao-e-docencia" class="external-link">Escola: Gestão e Docência</a> - 26/10/2019</li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/sistematizacao-e-propostas" class="external-link">Sistematização e Propostas</a> - 30/11/2019</li>
</ol></div>
<div style="text-align: left; "><ol> </ol></div>
<p style="text-align: left; "> </p>
<div style="text-align: left; ">
<p>Cada um dos três primeiros encontros será composto por quatro “momentos”. O primeiro  consiste em uma palestra de um especialista que explorará o tema norteador dos trabalhos. O segundo e o terceiro correspondem respectivamente a atividades temáticas e oficinas práticas, realizadas em grupos de trabalho e com o objetivo de estimular o protagonismo do professor. Por fim, o quarto momento será destinado ao compartilhamento das práticas discutidas pelos grupos. A partir do segundo encontro, os professores terão um espaço para compartilhar suas experiências (adoção das propostas) no âmbito de suas escolas. O último encontro será um evento sintetizador dos debates e ações desenvolvidas no ano e de apreciação dos projetos elaborados pelos participantes. Será necessário realizar inscrição para cada um dos encontros.</p>
</div>
<div id="parent-fieldname-text-3749e7fdc03341c1b3e03bddbc9a2a78" style="text-align: left; ">
<h3>Público-Alvo</h3>
<p style="text-align: justify; ">Profissionais da Educação: Professores, Coordenadores, Diretores, Instituições que atuam com educação e demais interessados.</p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Janaina Abreu Oliveira</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Multidisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-26T12:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/o-desafio-de-repensar-a-acao-profissional-docente">
    <title>O desafio de repensar a ação profissional docente</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/o-desafio-de-repensar-a-acao-profissional-docente</link>
    <description>O educação baseada no ensino discursivo está em xeque. Agora, o professor precisa ter compromisso com o aprendizado, o que requer postura ativa dos alunos</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td><ol>
<li>O modelo tradicional da profissão docente nasce de uma articulação entre os saberes dos livros e os saberes da experiência pedagógica. A principal forma de exercer o ensino é o discurso.</li>
<li>No Brasil, os professores têm pouco acesso ao conhecimento filosófico e científico e um contexto que desvaloriza a experiência. Além disso, o papel dos sindicatos se limita à reivindicação salarial, o que enfraquece a categoria na discussão das políticas educacionais</li>
<li>A mudança no papel profissional do professor passa pela implementação de um novo modelo de escola, centrado no desenvolvimento de competências, e não mais na transmissão de conteúdos.</li>
</ol></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>Quando se discute a profissão docente no Brasil, quase sempre a má remuneração ocupa o centro do debate. Afinal, como manter professores dispostos e motivados num contexto onde é preciso trabalhar muito para ganhar tão pouco? O problema é que os atuais desafios dos profissionais da educação não se limitam à questão salarial. O que está em jogo é o papel do professor num mundo onde transmitir conteúdos para os alunos já não basta.</p>
<p>Repensar essa identidade profissional foi a questão que <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/elie-george-guimaraes-ghanem-junior" class="external-link">Elie Ghanem</a><strong> </strong>e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luis-carlos-de-menezes" class="external-link">Luís Carlos de Menezes</a> buscaram equacionar durante a palestra “A ação do professor como profissional”. Partindo de pontos diferentes – o primeiro, da própria etimologia da palavra “professor”; o segundo, da necessidade de desenvolver na escola as competências propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – Ghanem e Menezes defenderam o protagonismo do professor na formulação das políticas públicas e na construção de uma escola capaz de atender a todos os alunos com igualdade.</p>
<p><strong>O saber dos livros e o saber da experiência</strong></p>
<p>Tradicionalmente, a tarefa de ensinar sempre esteve centrada na arte do discurso. Tanto é que a raiz grega da palavra “professor” é a mesma da palavra “profeta”, que vem de <i>profetis</i> – discursar em público. Da mesma origem nasce o termo “profissional”, que é aquele que tem domínio da experiência real em determinado aspecto. O professor seria, portanto, o sujeito capaz de articular no discurso a reflexão filosófica e o conhecimento científico com a experiência didática, com o intuito de educar outros indivíduos. Na prática, porém, essa junção não tem acontecido. “A categoria do magistério da escola básica no Brasil vem se mostrando distante do saber dos livros e despreza o saber da experiência”, diz Elie Ghanem, da Faculdade de Educação da USP.</p>
<p>Duas razões explicam o distanciamento. Em relação aos conhecimentos filosóficos e científicos, o acesso restrito aos livros e à produção acadêmica das universidades limita os saberes do professor. São também pouco acessíveis os livros didáticos resultantes de boa pesquisa acadêmica. "Já a experiência, acumulada por árduos processos de tentativa e erro, acaba adquirindo formas marginais, como a troca com colegas em caronas ou no intervalo das aulas.” Acaba, assim, sendo desconsiderada, afirma o professor.</p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/NuLB5sQePqk" width="560"></iframe></p>
<p> </p>
<div id="_mcePaste"><span><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-profissionalismo-e-competencia-parte-3-de-4" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></span></div>
<div><span><strong><br /></strong></span></div>
<div><strong><a class="external-link" href="http://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></div>
<p> </p>
<p>Há ainda uma terceira razão que, segundo o pesquisador, ajuda a explicar a fragilidade da profissão no Brasil: a ausência de entidades representativas da própria categoria capazes de debater e garantir a qualidade da formação docente. A ação dos sindicatos ainda se restringe às reivindicações salariais, de modo que não há espaço para discutir a responsabilidade pública dos educadores sobre a qualidade da escola. Não há conselho profissional à semelhança dos conselhos de medicina ou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O resultado é que o papel de dizer o que fazer e o que não fazer na sala de aula recai, principalmente, sobre o estado, que opta por prescrições burocratizadoras das práticas docentes. “O desamparo do exercício profissional pelos sindicatos dificulta a participação e o envolvimento do professor nas políticas públicas”, conclui Ghanem.</p>
<p>A resposta a esse modelo, definido pelo pesquisador como autoritário, é reforçar a identidade do professor por meio da dimensão profissional: “Não é possível fazer frente a esses desafios se nos consideramos meros funcionários. É preciso valorizar a nossa dimensão profissional, fortalecendo-nos ao valorizar os saberes da experiência e integrando-os ao saber dos livros”.</p>
<p><strong>Da escola seletiva à escola participativa</strong></p>
<p>Luís Carlos de Menezes, formador de professores, professor sênior do Instituto de Física da USP, acredita que as mudanças da profissão docente precisam ocorrer em função das novas necessidades que a escola precisa suprir.<span> </span></p>
<table class="tabela-direita-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Livro didático ajuda ou atrapalha?</i></p>
<p><i>Depende. Esses materiais didáticos muitas vezes não são pensados para a sala de aula, mas para as tarefas de casa ou para legitimar, diante da família, aquilo que o estudante está aprendendo. Eles precisam, portanto, evoluir para manter sua relevância frente à avalanche de informações disponíveis na internet ao alcance de todos. Isso traz impactos profundos ao mercado editorial, que tende a perder espaço. “É preciso adequação dos livros didáticos aos novos tempos. Se as editoras bobearem, caem do cavalo sem precisar de ajuda, porque a moçada já aprendeu a se informar de outro jeito”, diz Luís Carlos de Menezes. O especialista diz, ainda, que é possível pensar em novas aplicações para esse material. Em Singapura, exemplo, as obras são usadas como mais um suporte entre vários recursos disponíveis. Cabe aos professores saber manejar as opções com autonomia.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O ensino tradicional, tido pelo especialista como o da a escola da era industrial, não foi feito para oferecer a todos uma educação de qualidade, mas sim para selecionar e excluir. Esse modelo lamentavelmente ainda mantido, produz uma espécie de pirâmide: na base, alunos semianalfabetos, capacitados para trabalhos braçais e repetitivos; no meio, os estudantes com preparo suficiente para algum nível de comando nas fábricas e no campo. E, no terço final, os “engenheiros de prancheta”, profissionais de nível superior, mas ainda pouco capazes de criar, e no topo os organizadores da produção e dos serviços.<span> </span></p>
<p>“Só que, hoje, o operário virou robô, o encarregado virou o dispositivo eletrônico e o engenheiro de prancheta virou o Autocad. Ou seja, a escola continua selecionando uns poucos para chegar no topo da pirâmide, mas não tem mais emprego para essa gente que fica para trás”, alerta Menezes.<span> </span></p>
<p>Se a escola atual quiser preparar pessoas capazes de viver nesse mundo em que as máquinas já fazem quase tudo, ela precisa abandonar o modelo conteudista. “A ideia que se tinha de currículo era uma lista de pontos do discurso de quem ensina. Mas, para novas competências, o currículo tem que ser o percurso de atividades de quem aprende”, diz o formador. É esse conceito, segundo Menezes, que está por trás da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que elenca 10 competências gerais que os estudantes precisam desenvolver durante a vida escolar.</p>
<p><strong>Um trabalho ancorado na prática</strong></p>
<p>A atuação do professor também precisa mudar nesse sentido. Menezes defende que, no lugar de uma prática centrada no discurso, como Ghanem exemplificou, é necessário implementar um método de trabalho fundamentado na prática. Isso porque só se pode aprender competências praticando-as. Por exemplo: uma das competências da BNCC é a capacidade de argumentar, defendendo seus pontos de vista e ponderando os argumentos contrários. Para que uma aula ajude os estudantes a desenvolverem essa competência, as atividades precisam colocá-los em uma posição ativa, na qual eles possam discutir problemas, levantar hipóteses e dialogar sobre elas.<span> </span></p>
<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<p><strong>Quem é Luís Carlos de Menezes</strong></p>
</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Doutor em Física pela Universidade Regensburg, é Professor Sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Membro do Conselho Estadual de Educação em São Paulo. Consultor da UNESCO para propostas curriculares. Principais focos de trabalho em educação: currículos para a educação básica, formação de professores e ensino de ciências.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<p><strong>Quem é Elie George Guimaraes Ghanem Junior</strong></p>
</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Doutor em Educação pela USP, é professor na Faculdade de Educação da universidade. Atua principalmente nos temas: mudança educacional, qualidade da educação, gestão escolar e democracia. É responsável pelo grupo de pesquisa Ceunir-Centro Universitário de Investigações em Inovação, Reforma e Mudança Educacional.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Para Menezes, esse modelo ainda não é comum no Ensino Fundamental. Mas a inspiração pode vir de uma outra etapa da educação básica: “A boa Educação Infantil, onde partícipes ativas são as crianças. O papel da professora é como o da produtora do espetáculo, e quem protagoniza é a criança”.  As demais etapas também podem promover aprendizagem ativa.<span> </span></p>
<p>O formador ainda sugeriu que a mudança na prática docente deve incluir uma revisão profunda no conceito de avaliação. Se é verdade que as competências só podem ser aprendidas na prática, então provas escritas ou de múltipla escolha, que visam apenas verificar a retenção de conteúdos, não são adequadas para esse novo modelo. É preciso, portanto, fazer avaliação em percurso.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/o-professor-e-a-ideia-de-profissionalismo">
    <title>O professor e a ideia de profissionalismo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/o-professor-e-a-ideia-de-profissionalismo</link>
    <description>A docência vai além do conhecimento técnico: o profissionalismo exige, antes de tudo, compromisso com um projeto coletivo</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td>
<div id="_mcePaste">1. A ideia de profissionalismo vai além da ideia de capacitação técnica, do recebimento de salário ou do pertencimento a uma corporação – é preciso haver compromisso com a sociedade.</div>
<div id="_mcePaste">2. Há quatro desvios do profissionalismo: tecnicismo, amadorismo, mercenarismo e corporativismo.</div>
<div id="_mcePaste">3. O compromisso público só é selado, de fato, com a ajuda de institutos reguladores, que definem regras e valores coletivos.</div>
<div id="_mcePaste">4. Não é possível haver compromisso se não há um projeto comum.</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>O que significa ser um profissional: Ter estudado e adquirido conhecimento específico? Trabalhar regularmente em um emprego? Fazer algo que traga prazer? Todos esses aspectos fazem parte da vida de um profissional. Mas a ideia de profissão vai além – e adquire contornos ainda mais complexos na docência. Essa foi a tese defendida pelo professor <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nilson-jose-machado" class="external-link">Nílson José Machado</a> na palestra “O professor e a ideia de profissionalismo” – parte do primeiro encontro do Ciclo Ação e Formação do Professor, organizado pela Cátedra de Educação Básica da USP.</p>
<div></div>
<p>Para Nílson, a ideia que temos de profissão hoje está desfocada. O senso comum tende a reduzir esse conceito apenas à sua dimensão técnica, que pode ser associada a cursos que oferecem uma capacitação específica ou uma competência aprofundada, quando se exige uma certificação. Trata-se, porém, de concepção limitada para profissões como a docência. O magistério estaria nesse conjunto de atividades profissionais que que, pelo seu significado, importância e natureza, não funcionam se forem inteiramente reguladas pelo mercado, ou pelo governo. "Temos que ir mais fundo e refletir sobre outra acepção, refletir sobre a ideia de profissão em seu sentido mais amplo", diz Nílson.</p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/YJDBZBOrr58" width="560"></iframe></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/o-professor-e-a-ideia-de-profissionalismo-1" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar a apresentação da palestra</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-profissionalismo-e-competencia-parte-1-de-4" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></p>
<p>“Mais do que a competência técnica e a obtenção de um diploma, o que marca a <span>atuação de um profissional é o compromisso público. É colocar essa competência </span><span>específica fundamental à disposição da sociedade”, defende Nílson. No momento </span><span>em que se assume essa responsabilidade, a ideia de profissionalismo se completa, </span><span>ancorada em valores socialmente acordados: cidadania, pessoalidade, </span><span>profissionalismo, responsabilidade, tolerância, integridade e civilidade.</span></p>
<p><strong>Profissionalismo e compromisso</strong></p>
<p>O professor ou a professora têm, portanto, uma “competência comprometida”. <span>Possuem uma função tão importante que não pode ser regulada exclusivamente </span><span>pelo mercado nem exclusivamente pelo governo. Por isso, para se manter e </span><span>funcionar, esse compromisso necessita do auxílio de mecanismos e instituições de </span><span>autorregulação.</span></p>
<p>A autorregulação é a forma de uma corporação assumir publicamente sua r<span>esponsabilidade na realização de um projeto profissional. É uma maneira de </span><span>formalizar os valores e os objetivos comuns, para que aquele grupo de </span><span>trabalhadores saiba para onde está indo, para que todos vistam a mesma camisa.</span></p>
<p>As instituições que disciplinam o exercício de uma profissão devem, por exemplo, construir com a categoria o estabelecimento de códigos de ética e de conduta. "Nós precisamos ativar nossas instituições de autorregulação", defende Nílson. Essa função é hoje, teoricamente, exercida pelos Conselhos [<i>conselho nacional de </i><i>educação, conselhos estaduais, conselhos municipais</i>]. Mas, como funcionam dentro da Secretaria de Educação, costumamos pensar neles como órgãos do governo, quando, na verdade, o Conselho deveria ser maior que a Secretaria."</p>
<p>Nílson defende que a autorregulação é tão importante para o profissional quanto a <span>autonomia é para o indivíduo. "Para viver em sociedade, uma pessoa deve </span><span>conhecer seus direitos e seus deveres. Assim como o cidadão é a articulação entre </span><span>o individual e o coletivo, o profissional nasce da articulação entre o público e o </span><span>privado", compara.</span></p>
<p><strong>Quatro desvios da ideia</strong></p>
<p>A distância entre o que se deseja alcançar na atuação profissional e a realidade, no <span>entanto, é grande. Na prática, a ideia de profissionalismo costuma esbarrar em </span><span>quatro desvios, tornando-se distorcida.</span></p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Código de ética não limita a autonomia?</i></p>
<p><i>A intenção de um código de ética regular – ou seja, limitar a atuação dentro de determinadas balizas, definir regras e valores. Mas isso não implica, necessariamente, em falta de liberdade e, sim, em um norte que deve guiar o trabalho de todos. Na sociedade consumista e individualista em que vivemos, em que se valoriza a liberdade no sentido de fazer tudo o que se quer, o pertencimento a um grupo que respeita regras pode parecer submissão. Mas essa é uma visão equivocada, que não aponta para a autonomia. “Temos que pensar em autonomia enquanto pertencimento e, ao mesmo tempo, responsabilidade”, diz o professor <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lino-de-macedo" class="external-link">Lino de Macedo</a>, membro da Cátedra. “A liberdade é a escolha da necessidade”, completa o professor Nílson Machado, apontando, ainda, o caráter dinâmico e sociohistórico dos códigos de ética. “Há sempre a possibilidade de trabalhar para mudar o que não parece justo”, conclui.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O primeiro deles é o tecnicismo. Esse problema, tão comum na carreira docente, <span>ocorre quando se reduz a ideia de profissionalismo ao domínio sobre o conteúdo </span><span>que se leciona – como se a formação técnica, isoladamente, fosse suficiente para </span><span>caracterizar um bom profissional. "Ela é fundamental, mas se não for </span><span>acompanhada pela ideia de compromisso público, não há profissionalismo", </span><span>defende Nílson.</span></p>
<p>O amadorismo é outro desvio que costuma acometer o magistério. Gostar do que <span>se faz é importante, mas ter compromisso é fundamental. De outra forma, o t</span><span>rabalho passa para um segundo plano no momento em que deixa de ser </span><span>prazeroso. “O amadorismo não basta para pensar o profissional da educação”, </span><span>explica.</span></p>
<p>Mercenarismo seria a terceira distorção. A qualidade do trabalho não deve estar <span>vinculada, exclusivamente, ao pagamento de um salário justo e suficiente. "A briga </span><span>por remuneração decente é importante, mas deve ser feita em outra esfera, a dos </span><span>sindicatos". Nílson lembra da origem da palavra sabotagem, que vem de sabot, do </span><span>francês “tamanco”. "Durante a Revolução Industrial, os operários descontentes </span><span>jogavam intencionalmente seus tamancos nas engrenagens para travar as </span><span>máquinas. Mas a um profissional, não cabe a ideia de sabotagem. Um médico, um </span><span>professor, não podem sabotar", diz Nílson. O compromisso público e a luta salarial </span><span>devem, portanto, caminhar juntos, mas de forma independente.</span></p>
<p>O quarto e último desvio é o corporativismo. Ele ocorre quando o compromisso <span>com a corporação, com os colegas, se sobrepõe ao compromisso com o público: o </span><span>exercício da profissão passa pela proteção da categoria em vez do serviço à </span><span>sociedade.</span></p>
<p><strong>A busca de um projeto coletivo</strong></p>
<p>Diante disso, como trazer profissionalismo ao magistério? Nílson defende que, <span>antes de qualquer coisa, é fundamental e urgente que se construa um projeto para </span><span>a educação no Brasil. Para que todos os profissionais saibam o que perseguir, por </span><span>onde caminhar. Um projeto comprometido com a sociedade, e não com governos </span><span>ou governantes.</span></p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é Nílson José Machado</th>
</tr>
<tr>
<td>Leciona na Universidade de São Paulo desde 1972. Começou trabalhando no Instituto de Matemática e Estatística, e, em 1984, passou a integrar o corpo docente da Faculdade de Educação, onde é professor titular. Além de matemático, é mestre e doutor em filosofia da educação e livre-docente na área de epistemologia e didática. Escreveu cerca de duas dezenas de livros para crianças e publica microensaios semanais em seu <a class="external-link" href="http://www.nilsonjosemachado.net">site pessoal</a>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span>A Constituição que está em vigor no Brasil estabelece que a educação é um direito </span><span>de todos, que será promovida com a colaboração da sociedade, visando o pleno </span><span>desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua </span><span>qualificação para o trabalho. </span></p>
<p><span> </span><span>Se a educação é um dever do Estado, da família e da sociedade, é preciso um </span><span>grande mutirão para a construção desse projeto. Partir do discurso para chegar à </span><span>ação, trazendo propostas, valorizando as boas histórias, somando esforços, </span><span>ampliando a pluralidade de princípios e visões pedagógicas. O que vai unir os </span><span>professores nesse compromisso público – fundamental para consolidar a ideia de </span><span>profissionalismo – é a busca de um projeto coletivo e comum. “Essa é a grande </span><span>urgência que existe no campo da educação: temos que discutir os valores que </span><span>sustentarão nosso projeto. O compromisso com valores é que leva ao </span><span>comprometimento na atuação do profissional."</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/reconhecimento-e-plano-de-carreira-os-segredos-da-atratividade-docente">
    <title>Reconhecimento e plano de carreira, os segredos da atratividade docente</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/reconhecimento-e-plano-de-carreira-os-segredos-da-atratividade-docente</link>
    <description>Mais que altos salários, oportunidades de formação e boas condições de trabalho aparecem como fatores primordiais para atrair — e reter — bons professores</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td>
<div id="_mcePaste">1. A remuneração não é o fator mais relevante na atratividade da carreira docente. O desenvolvimento profissional e o reconhecimento da sociedade importam mais aos professores.</div>
<div></div>
<div id="_mcePaste"></div>
<div id="_mcePaste">2. Feito isoladamente, o aumento de salário impacta pouco os resultados de aprendizagem dos alunos. Para que isso aconteça, é necessário criar um bom plano de carreira para o professor.</div>
<div></div>
<div id="_mcePaste"></div>
<div id="_mcePaste">3. A carreira docente tem tudo o que as novas gerações mais estimam: capacidade de causar impacto social. Falta torná-la atraente para esse público.</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>Já é consenso nas pesquisas em educação de que o professor é o fator intraescolar mais importante na aprendizagem dos alunos.<strong> </strong>Mas há duas formas de ver esse dado. Há países que entendem que, se o professor é o responsável pelo sucesso, ele também pode ser responsabilizado pelos maus resultados. Quando não está funcionando, deve ser trocado. Outras nações países entendem que, se o professor é uma figura tão central na educação, deve ser valorizado. Então, trabalha-se para capacitá-lo, oferecer bons salários, condições de trabalho adequadas e plano de carreira. Em resumo, a carreira se torna atrativa.</p>
<p><span>“A segunda forma de pensar é a que tem gerado bons resultados”, afirma </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/caroline-tavares" class="external-link">Caroline Tavares</a><span>, gerente da iniciativa Profissão Professor, movimento de </span><i>advocacy </i><span>dedicado à valorização e profissionalização da carreira docente. Formada em Letras, Caroline atuou em sala de aula e na gestão pública no estado de Goiás. Estudou na Universidade Columbia, em Nova York,  onde consolidou conhecimentos sobre formação de professores e desenvolvimento de lideranças na educação.</span></p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/QmKop6EcQSg" width="560"></iframe></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/atratividade-da-carreira-docente-caroline-tavares" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar a apresentação da palestra</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-profissionalismo-e-competencia-parte-4-de-4" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></p>
<p><strong><strong><a class="external-link" href="http://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></strong></p>
<p>Em sua palestra “Atratividade da Carreira Docente”, no primeiro seminário temático da Cátedra de Educação Básica da Universidade de São Paulo, ela analisou como melhorar a atratividade da carreira docente. A apresentação reuniu um rico compilado de evidências de pesquisa — um <i>survey </i>com professores brasileiros, um estudo com alunos do ensino médio, literatura comparada de políticas docentes no Brasil e na América Latina e relatórios que mostram o que países de referência fazem para garantir professores satisfeitos com a carreira.</p>
<p><strong>Pouco prestígio, baixa atratividade entre jovens</strong></p>
<p>A pesquisa Profissão Professor, feita pelo Itaú Social em parceria com o Ibope em julho de 2018,  por exemplo, perguntou a 2160 professores qual era a possibilidade de ele ou ela indicar a sua carreira para um jovem.<strong> </strong>Quarenta e nove por cento dos entrevistados disseram que jamais indicariam sua profissão para ninguém.<strong> </strong>Como justificativa, elencaram alguns fatores: carreira desvalorizada, remuneração ruim, rotina desgastante, falta de infraestrutura e recursos, falta de base familiar dos alunos, falta de interesse do aluno e a má qualidade do ensino de um modo geral.</p>
<p>“Mas, então, o que seria necessário para você se sentir valorizado?”, perguntou a pesquisa.</p>
<p>A questão salarial não foi o primeiro item da lista. Antes dela, apareceu o desejo dos entrevistados de receber investimento em seu desenvolvimento profissional. Em segundo lugar, a vontade de ser ouvido quando políticas importantes são pensadas para a educação. Em seguida, os professores disseram que gostariam de ter o prestígio da sociedade. Os baixos salários aparecem em quarto lugar, apenas. “Não há dúvidas de que a remuneração seja um ponto importante na atratividade da carreira docente, mas a insatisfação dos profissionais vai bem além disso: eles querem se desenvolver e receber o reconhecimento da sociedade sobre o seu papel e sua importância”, afirma Caroline<strong>.</strong></p>
<p>Uma pesquisa feita pela organização Todos pela Educação em 2017 reforçou o cenário da baixa atratividade da carreira docente: 22% dos jovens entrevistados chegaram a pensar em ser professor, mas desistiram por conta das condições precárias da carreira, dos baixos salários e do pouco prestígio.</p>
<p><strong>Uma formação procurada “por exclusão”</strong></p>
<p>O curso de pedagogia, no entanto, continua sendo um dos mais procurados no Brasil. O que explica esse fato? Aqui, assim como em outros países da América Latina, a motivação intrínseca (o gosto por ensinar, o desejo de mudar o mundo) é o que faz com que jovens optem pela carreira docente, apesar dos pesares. Mas também são relevantes os fatores ligados à falta de escolha (é o único curso da cidade, é um curso acessível, é onde tem vaga de trabalho).</p>
<p>Como resultado, a opção por se tornar professor é pouco sólida. De 100 alunos que entram na faculdade de pedagogia, 51 desistem do curso no meio do processo. Dos que se formam, menos da metade efetivamente vai dar aulas nas escolas.</p>
<p>Como mudar esse cenário, considerando ainda que nos próximos 10 anos, 47% dos professores estarão se aposentando? O que atrairia os melhores alunos e os manteria na docência?</p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Como seria a forma de medir a progressão de carreira se não for por tempo de carreira ou titulação?</i></p>
<p><i>Não há modelo único, diz Caroline. “Está claro que a progressão na carreira não deve ser definida com uma prova, mas, mesmo em países tidos como referência, não há um padrão para ser seguido.” Na Austrália, o professor é avaliado por um líder técnico de sua área e coordenador pedagógico, por meio de instrumentos variados: observações em sala de aula, autoavaliação, aula gravada e portfolio feito pelo professor. Em Cingapura, é a escola que avalia a performance do professor, que está atrelada a um bônus. “Os modelos não são perfeitos, há muita tentativa e erro, mas, nos casos bem-sucedidos, há sempre um esforço para instituir um conjunto de avaliações que apontam se o professor evoluiu ou não em sua prática. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso haver um projeto sólido para a educação do país”, conclui Caroline.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Uma pesquisa feita consultoria McKinsey em 2010 entrevistou 900 jovens americanos do ensino médio e colocou justamente essas perguntas. As respostas — que dialogam com a sondagem do Itaú Social e Ibope — apontaram para a qualidade dos colegas de trabalho, algum prestígio, ambiente de trabalho desafiador e treinamento de alta qualidade.</p>
<p>O salário novamente não é citado, mas segue sendo importante. No caso brasileiro, as remunerações iniciais são muito baixas e evoluem pouco numa carreira longa. A média salarial de um professor no Brasil é R$ 4,5 mil. No nosso país, um engenheiro em começo de carreira ganha 52% mais do que o professor. E isso impacta muito na atratividade da carreira. Entre os países participantes do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o Brasil tem um dos salários iniciais mais baixos, inclusive quando comparado com países com perfil socioeconômico semelhantes aos nossos.</p>
<p><strong>Repensar o plano de carreira por título e tempo de serviço</strong></p>
<p>Entretanto, aumentar a remuneração, pura e simplesmente, não parece ser a solução. Países que fizeram isso conseguiram atrair mais gente para a carreira, mas isso não se traduziu em bons resultados dos alunos. Países que conseguiram tornar a carreira atraente e, consequentemente, melhorar o desempenho dos alunos, atrelaram o aumento salarial a um excelente plano de carreira, com um bom programa de desenvolvimento profissional  e incentivos relacionados ao fato de eles serem bons professores.<span> </span></p>
<p>“No Brasil, os planos de carreira são, em geral, extremamente lineares, não costumam considerar o desempenho do professor. Os critérios, normalmente, são mais passivos, levando em conta apenas o tempo de trabalho ou as titulações. Em contraste, nos países de referência, valoriza-se as competências profissionais”, explica Caroline.<span> </span></p>
<p>Alguns exemplos: na Austrália, o documento que estabelece as políticas públicas para a carreira docente, construído conjuntamente com sindicatos, leva em conta o que o professor deve saber e ser capaz de fazer em cada momento da carreira. O país da Oceania é tido como referência na progressão baseada em competências. Já em Cingapura, há diferentes trilhas para a carreira docente. É possível escolher a trilha do ensino, da liderança ou do especialista, e evoluir dentro delas, na medida em que se mostra bom desempenho, com equiparidade de salários entre as três carreiras. A vantagem na cidade-estado asiática é que não é preciso sair da sala de aula para ganhar melhor.<span> </span></p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<p><strong>Quem é Caroline Tavares</strong></p>
</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>É gerente da iniciativa Profissão Professor, liderada pela Fundação Itaú Social, Fundação Lemann, Fundação Telefônica, Instituto Península, Instituto Natura, Instituto Unibanco, Itaú BBA e Todos Pela Educação. Formada em Letras, ela foi professora de português por 9 anos em sua cidade natal, Goiânia. Como técnica da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, apaixonou-se pelo tema da formação de professores. Antes de trabalhar no terceiro setor, estudou lideranças educacionais na Universidade Columbia, em Nova York, e foi diretora de uma startup ligada à educação.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Países que conseguem fazer com que seus alunos aprendam têm em comum, portanto, políticas para a docência muito bem estruturadas, contemplando um desenho claro da carreira. Em cada fase de seu desenvolvimento, o professor sabe o que se espera dele e trabalha para alcançar seus objetivos de crescimento.<span> </span></p>
<p>A boa notícia é que a docência tem muito a ver com as aspirações das novas gerações. Uma pesquisa feita pela consultoria Deloitte que perguntou para mais de 12 mil jovens de 36 países, incluindo o Brasil, o que eles procuravam em uma profissão. As respostas levaram à conclusão de que os jovens desejam impactar positivamente a sociedade e o meio-ambiente, criar ideias, produtos e serviços inovadores,  gerar emprego, melhorar a vida das pessoas e enfatizar a inclusão e diversidade no ambiente de trabalho. Querem carreiras que causem impacto social.<span> </span></p>
<p>São justamente esses valores que movem a carreira docente. O grande desafio, portanto, é fazer com que ela apareça no horizonte como uma possibilidade verdadeiramente possível, desafiadora e recompensadora.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/competencia-para-desenvolver-competencias">
    <title>Competência para desenvolver competências</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/profissionalismo-e-competencia-16-de-marco/competencia-para-desenvolver-competencias</link>
    <description>A ideia proposta na BNCC exige um novo tipo de professor, aberto a aprender constantemente e a levar seus alunos a novas descobertas</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td>
<div id="_mcePaste">1. Exige-se do professor que ele desenvolva nos alunos uma série de competências que são importantes nos dias de hoje. Mas o caminho para alcançar essa meta não está na BNCC.</div>
<div></div>
<div></div>
<div id="_mcePaste"></div>
<div id="_mcePaste">2. O construtivismo aponta para modelos em que tanto alunos quanto professores crescem e se desenvolvem. O professor deve ser um mediador e estar sempre em busca de novos aprendizados.</div>
<div></div>
<div></div>
<div id="_mcePaste"></div>
<div id="_mcePaste">3. A busca pelo desempenho deve ser feita com bom senso para evitar que o excesso de exigências cause danos sérios à nossa saúde.</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>Em seu extenso texto, a BNCC destaca a necessidade de a escola desenvolver, nos alunos da educação básica, uma série de competências para a vida no mundo de hoje. Como o professor, por meio do  seu magistério, pode abraçar essa tarefa?</p>
<p>A reflexão guiou a apresentação “O professor e suas competências”, de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lino-de-macedo" class="external-link">Lino de Macedo</a>, docente emérito do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, no primeiro ciclo de palestras da <a href="https://www.iea.usp.br/home-por/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica" class="external-link">Cátedra de Educação Básica da USP</a>. Para Lino, a BNCC – que independentemente das críticas que possa receber, está posta como uma referência nacional – estabelece as metas, mas não apresenta as ferramentas para atingi-las. “O desafio que se desenha, então, é o seguinte: como o professor pode se inspirar e melhorar o seu trabalho visando o que a BNCC pede: o desenvolvimento de competências?”.</p>
<p>Para examinar a questão, Lino propõe que se pense, antes de mais nada, na ideia de competência e nas suas implicações no trabalho do professor.</p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/HruHgXtJHyA" width="560"></iframe></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/o-professor-e-suas-competencias" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar a apresentação da palestra</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-profissionalismo-e-competencia-parte-2-de-4" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></p>
<p><strong><strong><a class="external-link" href="http://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></strong></p>
<p><strong>O que é competência?</strong></p>
<p>Na BNCC, competência está definida como a "mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), e de valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho". Essa definição, segundo Lino, tem estreita correspondência com o que propõem Zabala e Arnau no livro Como Aprender e Ensinar Competências.</p>
<p>Os autores se baseiam na tríade aspecto cognitivo (conhecimento), procedimentos (saber fazer com o domínio técnico) e desenvolvimento socioemocional (socioafetividades, atitudes, valores) para propor uma série de perguntas que, encadeadas, podem ajudar o professor na reflexão sobre os seus desafios diários. São elas: o que é competência? Para quê? De que forma? Onde? Por meio de quê? Como?<span> </span></p>
<p>Nesse registro, a resposta dos autores – perceba o diálogo com a BNCC – é: competência é a capacidade para realizar tarefas ou atuar frente a situações diversas de forma eficaz, em determinado contexto, por meio da mobilização de atitudes, habilidades e conhecimentos.<span> </span></p>
<p>Lino faz uma observação sobre o verbo mobilizar, que significa “pôr em movimento”, algo essencial na relação professor-aluno. “Não posso respirar pelo outro, aprender pelo outro, ser pelo outro, mas eu posso, com competência, mobilizá-lo para coisas que tem valia para ele, para a sua vida, para que ele possa ser o melhor de si mesmo, em favor dele, dos outros, do mundo”, diz.<span> </span></p>
<p>E completa: “Muitas vezes não sabemos fazer isso, ou não temos os recursos para mobilizar o aluno para coisas que tenham valor de aprendizagem, de desenvolvimento para ele. Claro que há uma mobilização que vem de dentro para fora. Mas também existe uma mobilização que vem de fora para dentro.”  A questão que surge, então, é: como se mobiliza um aluno para que ele possa, no contexto da aula, aprender?</p>
<p><strong>Desafios para o professor – e para a escola</strong></p>
<p>Para Lino, são quatro os principais desafios do professor, sempre considerando o que propõe a BNCC no recorte específico de se desenvolver competências nos alunos.<span> </span></p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Há alternativas concretas para promover uma educação mais voltada a pensar em vez de privilegiar conteúdo para o vestibular?</i></p>
<p><i>“Competência e conteúdo não são inimigos”, explica Lino de Macedo. “Pode-se desenvolver competências nos alunos e em si mesmo por meio de conteúdos disciplinares”. O trabalho com jogos matemáticos, por exemplo, trabalha habilidades de raciocínio, lógica e argumentação. Lino reconhece que é um desafio, mas que já há farta bibliografia com possibilidades para o educador. “Mais que possível, essa ação é necessária, senão estamos de novo fazendo a fragmentação do ensino e perdendo uma oportunidade de coordenar perspectivas que não são antagônicas.” A professora <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoab/bernardete-angelina-gatti" class="external-link">Bernardete Gatti</a> destaca que o trabalho com competências está presente também na própria postura cotidiana do professor e da professora. “Se você dá atenção ao aluno, se responde às questões, se está presente, se respeita as perspectivas dos estudantes, você está passando valores por meio de suas atitudes. A vivência dessas situações é formativa para a turma, que tem exemplos de desenvolvimento de compreensão do outro, de estabelecimento de limites etc”. Bernardete afirma, ainda, que não é preciso uma aula específica para trabalhar competências socioemocionais. “A cognição e a emoção andam juntas”, defende. Lino de Macedo concorda: “São componentes articulados e articuláveis. Essa é a ideia do desenvolvimento integral.”</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O primeiro deles é aplicar, criticamente, na prática escolar, a ideia de competências proposta pela BNCC. O segundo é atualizar currículo, projeto político-pedagógico e recursos didáticos em função do que propõe a nova base. O terceiro diz respeito à formação do professor: como se formar, o que procurar, como se aperfeiçoar como um profissional que aceitou o desafio de desenvolver competências nos alunos? Por fim, o quarto é repensar o patrimônio pedagógico do professor: ele precisa ser reconhecido e valorizado, mas, ao mesmo tempo, transformado, integrado em uma realidade que muda a todo tempo.<span> </span></p>
<p>Professores que abraçam os quatro desafios constroem, assim, uma escola de competências. Lino provoca: como seria, concretamente, uma escola assim? Para ele, uma escola de competências trabalha o quaterno desenvolver-se, avaliar, ensinar e aprender como partes de um mesmo todo.<span> </span></p>
<p>Tradicionalmente, esses termos foram separados – o aluno se desenvolve e aprende, o professor ensina e avalia –, mas eles precisam ser reintegrados. No exemplo do professor: “Hoje sabemos que o docente precisa se desenvolver e se formar, precisa se autoavaliar e também precisa ser avaliado, seja pelos colegas, seja pelo sistema”, diz Lino. “Como se pensa a avaliação na perspectiva do professor? Como o professor se dá o direito de aprender com os alunos?” Dentro dessa lógica, magistério e formação devem ser complementares e indissociáveis.<span> </span></p>
<p>Já na perspectiva da criança, a reflexão de Lino enfocou o pólo da aprendizagem. Segundo ele, o direito de aprendizagem implica em necessidades de desenvolvimento, e não em algum tipo de dever ou responsabilidade, como normalmente ocorre quando se fala em direitos na perspectiva de um adulto. A criança tem direito de aprendizagem porque ela tem necessidade de desenvolvimento – ela não nasce sabendo. “Como se pensa direito na perspectiva de necessidade – ou seja, aquilo que, se não acontecer, gera contradição?”, indaga. Segundo ele, o desenvolvimento integral do sujeito, que aprende ou que ensina, combina com desenvolvimento da autonomia (discente e docente).</p>
<p><strong>Quatro modelos para a educação construtivista</strong></p>
<p>O compromisso do professor que aceita o desafio proposto pela BNCC é imenso. Lino usa sua formação construtivista para propor modelos possíveis para a atuação do professor nos dias de hoje. Lembrando Piaget e como o termo competência aparece em sua obra, Lino destaca: “Para Piaget, competência é a sensibilidade de resposta aos estímulos. Uma definição de uma complexidade e de uma simplicidade maravilhosas. Quer dizer que a criança demonstra competência quando tem sensibilidade suficiente para responder aos estímulos do mundo. Entre os estímulos do mundo e as respostas do sujeito, temos o que Piaget chama de assimilação.”</p>
<p>Inspirado em Gruber e Vonèche, Lino descreve as quatro propostas para uma educação construtivista: Taos, Paris, Atenas e Eldorado.</p>
<ul>
<li>Taos é a metáfora para aqueles que sabem propor tarefas, projetos, conseguem mobilizar os alunos para que eles sejam sujeitos ativos do seu conhecimento.</li>
<li>Paris é o prazer da discussão – seria um professor que sabe formar uma roda em que os alunos possam pensar e discutir.</li>
<li>Atenas é o modelo do professor que sabe fazer perguntas, criar um contexto que favoreça o desenvolvimento.</li>
<li>E, por último, o modelo do Eldorado, em que o adulto participa nos processos de descoberta e aprendizado. Uma metáfora para dizer que não são só os alunos que aprendem. O professor também aprende. “Há um lugar cheio de ouro que o professor também está buscando”, diz Lino.</li>
</ul>
<p> </p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é Lino de Macedo</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Mestre, doutor e livre docente em psicologia. É membro da Academia Paulista de Psicologia e Professor Emérito do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. É também assessor do Instituto Pensi, Fundação José Luiz Egydio Setubal e integra a Cátedra de Educação Básica do Instituto de Estudos Avançados, USP. Especializou-se no construtivismo de Jean Piaget (1896-1980) e na psicologia aplicada à educação e à saúde infantil, recorrendo aos jogos e brincadeiras para observar e promover processos de aprendizagem e desenvolvimento.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No entanto, é preciso estar atento para não cair nas armadilhas do desempenho competente. Lino lembra que a obsessão por desempenhar bem, por ser um profissional excelente, está colocando a nossa saúde em risco. “Se tomamos a ideia de competência acriticamente, nos fazemos exigências que, em vez de nos trazer autocuidado, autonomia, autorrespeito, nos enlouquecem”, diz. Citando Han, aponta que depressão, burnout, cardiopatia, baixa autoestima, obesidade, suicídio, desgosto pela vida seriam expressões de um mundo em que as exigências externas se tornaram internas. “Antes, eu tinha um chefe fora de mim que me cutucava, me cobrava metas o tempo todo. Agora, esse chefe está dentro de mim. Se não tomarmos cuidados, pegamos o modelo da máquina, de trabalhar 24 horas por dia 7 dias na semana. Em nome de uma boa ideia, sentimos que temos que ser o melhor de nós incondicionalmente. Infelizmente nós temos sido mal gestores de nós mesmos”, conclui.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/experiencias-inovadoras-na-formacao-do-professor-da-educacao-basica-18-de-maio/ensino-fundamental-2-uma-etapa-quase-esquecida">
    <title>Ensino Fundamental 2: uma etapa quase esquecida</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/experiencias-inovadoras-na-formacao-do-professor-da-educacao-basica-18-de-maio/ensino-fundamental-2-uma-etapa-quase-esquecida</link>
    <description>Os anos finais desse segmento se tornaram uma fase sobre a qual se fala pouco, que recebe poucas políticas e com estudantes fragilmente acompanhados pelos professores </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td><ol>
<li>Os      anos finais do Ensino Fundamental se tornaram uma etapa invisibilizada      pelas políticas públicas e pesquisas, que se dedicam mais fortemente ao      estudo dos anos iniciais e do Ensino Médio.</li>
<li>Há      desafios importantes a serem enfrentados nessa etapa, sobretudo para      combater a reprovação, a distorção idade-série e a evasão (estas duas em      consequência da primeira).</li>
<li>Estudos      com alunos e professores mostram que a transição é um ponto de atenção,      assim como a incompreensão dos professores sobre a faixa etária e a falta      de sentido do conteúdo escolar para a vida dos estudantes.</li>
</ol></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>Em uma ponta, a dificuldade de incluir crianças na Educação Infantil e garantir que sejam alfabetizadas logo no início do Ensino Fundamental. Na outra, a dificuldade de reter na escola adolescentes que não veem sentido no que aprendem no Ensino Médio. Preso entre esses dois pontos, está o quase sempre esquecido Ensino Fundamental 2. "São como filhos do meio", definiu uma ex-servidora do Ministério da Educação (MEC) durante uma pesquisa que foi apresentada pela pesquisadora <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/gisela-tartuce" class="external-link">Gisela Tartuce</a><strong> </strong>na palestra "Panorama de Projetos Relativos aos Anos Finais do Ensino Fundamental", parte do terceiro encontro do Ciclo Ação e Formação do Professor, organizado pela Cátedra de Educação Básica da USP.</p>
<p>A pesquisadora apresentou o resultado de alguns estudos e pesquisas realizados sobre esse segmento e reforçou o impacto da formação deficitária dos professores para os altos índices de reprovação e evasão nele. "Os professores mostram reconhecimento dos próprios limites pra dar conta das novas demandas nesse atual momento de maior complexidade na carreira docente", afirma a pesquisadora.<span> </span></p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/TR19_LCt7JY" width="560"></iframe></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/panorama-de-projetos-relativos-aos-anos-finais-do-ensino-fundamental" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar a apresentação da palestra</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-experiencias-inovadoras-3o-encontro-parte-2-de-2" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></p>
<p><strong><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></strong></p>
<p>O segmento carece de uma identidade própria, segundo demonstrou a pesquisa "Anos Finais do Ensino Fundamental: Aproximando-se da Configuração Atual", realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2010. Isso se dá pela inclusão dele, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, como parte do Ensino Fundamental. "Isso não é um problema, ao contrário, garantiu a obrigatoriedade do aluno de cursar até os 14 anos quando o Ensino Médio ainda não era obrigatório. Mas isso faz com que alguns aspectos dos anos finais sejam invisibilizados", fala Tartuce.</p>
<p><strong>O desafio de manter jovens na escola</strong></p>
<p>Dados recolhidos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entidade ligada ao MEC, ajudam a compreender um pouco alguns dos desafios enfrentados nessa etapa. Desde 2014, houve uma diminuição em mais de um 1 milhão no número de matrículas no Ensino Fundamental e que é mais intensa nos anos finais dele. "Isso nos levaria a pensar que seriam a evasão a responsável por essa queda", afirma Tartuce.</p>
<p><strong> </strong></p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>O que fazer com estudantes que não querem estudar ou participar das aulas?</i></p>
<p><i>A motivação dos estudantes está diretamente relacionada com o sentido que ele enxerga no que lhe é ensinado. "Dizem que os alunos são desinteressados. Eu nunca tive um aluno desinteressado. Tenho muitos alunos desinteressados naquilo que eu estou falando. Mas eles estão interessados em outras coisas", afirma Nílson José Machado. O caminho é encontrar os centros de interesse dos estudantes e ligá-los aos conhecimentos que precisam ser ensinados na escola. Para fazer isso, é necessário mergulhar na descoberta sobre os estudantes, os desafios da faixa etária e às bagagens trazidas por eles antes de entrarem na sala. de aula. "Os professores têm o desconhecimento do público que ele recebe. Não só de como ele aprende, mas de uma maneira geral. Esse desconhecimento muitas vezes se transforma num estereótipo do tipo 'eles não estão interessados', 'eles são bagunceiros', diz Gisela Tartuce.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O principal motivador do abandono, segundo as estatísticas oficiais, parece ser justamente o alto índice de repetência que, apesar de menor, ainda é alto: 10% dos estudantes foram retidos em 2014, em comparação a 15% em 2010. Nos anos iniciais, esse valor é de 5%. "E a reprovação é mais intensa nos anos de transição, como o sexto ano", diz a pesquisadora. Como resultado, também há uma grande distorção idade-série: 20% dos alunos do Fundamental 2 não estão na série adequada para a sua idade. "Isso causa a desmotivação e, muitas vezes, faz com que ele saia da escola", diz.<span> </span></p>
<p>Apesar dos índices preocupantes, há poucas políticas públicas voltadas para esse segmento. Segundo a pesquisadora, um levantamento de 2014 mostrou apenas dois grandes programas do governo federal voltados a ele <span style="text-align: justify; ">—</span> ambos com o foco na formação de professores. Nas secretarias estaduais, a maior parte dos programas tinha como foco o reforço escolar, sobretudo no 6º ano. "A repetência é muito alta. Isso é algo que os estados já sabem e tentam combater com esses programas", afirma a pesquisadora.</p>
<p><strong>Desafios da transição</strong></p>
<p>Entrevistas com estudantes e professores mostram que a passagem da primeira para a segunda parte do Fundamental costuma ser difícil para as crianças. Essa é uma fase na qual os estudantes enfrentam diversas transformações, tanto dentro quanto fora da escola. No âmbito estudantil, passam a ter mais professores, têm exigências mais intensas e há uma menor aproximação dos familiares com a escola. Na vida pessoal, encaram transformações corporais e começam a desenhar novas relações, formam novos grupos de amigos e buscam a construção da sua identidade. "Talvez seja o momento em que na escola haja a maior diferenciação entre idades. Um menino de doze anos é muito diferente de um menino de catorze. E também intra-idades: dentro de uma mesma sala, muitas vezes, se encontram níveis de desenvolvimento muito diferenciados", comenta.<span> </span></p>
<p>Em um contexto tão complexo, muitos educadores não se sentem preparados. Uma das falas apresentadas por Tarluce, feita por uma professora do segmento, diz: "Nós precisamos de ajuda. Não há um problema de aprendizagem, é de ensino. Ou seja, somos nós que não sabemos mais como ensinar."<span> </span></p>
<p>Na outra ponta da relação, os estudantes também sentem os impactos do desconhecimento dos professores sobre as especificidades desse segmento. Muitos dos docentes lançam olhares negativos sobre os estudantes, caracterizando-os como imaturos, bagunceiros e despreparados para a etapa. "Na quinta série (agora sexto ano), tinham professores que mal começaram o ano, tratavam a gente como adolescentes. Não lembravam que acabei de vir da quarta série (agora quinto ano). Começavam: você não é mais criança", afirmou uma das crianças entrevistadas durante um estudo.</p>
<p><strong>Em busca do sentido da escola</strong></p>
<p>A maneira como os conteúdos são apresentados também é um grande dificuldade do segmento. Em comparação com o Ensino Fundamental 1, em que há a presença de professores, polivalentes que, muitas vezes, tecem relações entre as diferentes disciplinas, a fragmentação é maior justamente porque há docentes especialistas para cada disciplina.<span> </span></p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é <strong>Gisela Tartuce</strong></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1996), mestrado (2002) e doutorado (2007) em Sociologia pela mesma Instituição. É pesquisadora da Fundação Carlos Chagas (FCC) desde 1997. É editora executiva de Cadernos de Pesquisa, revista de estudos e pesquisas em educação da FCC.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Além disso, há uma impressão de que o conteúdo é mais complexo. "Eles (os professores) podiam explicar como funciona a matemática. Da 1ª a 4ª, é só continha de mais, vezes e dividir. Quando chega na 5ª, só é coisa forte. Eles podiam explicar como funciona cada matéria, dizer: Vou começar com isto, se faz deste jeito. E não começar a atacar na lousa", afirmou um estudante em entrevista. "Muitas vezes, a falta de sentido não é só para o estudante, mas também para o professor", destaca a pesquisadora Gisela Tartuce. "Os alunos veem o corpo docente como modelos e aqueles que conseguem ter estratégias diferenciadas são bem valorizados e reconhecidos pelos estudantes", diz.<span> </span></p>
<p>Apesar de alguns estudos ajudarem a desenhar um rascunho das impressões sobre o segmento, a etapa ainda precisa ser mais estudada. Por isso, a Fundação Itaú Social estabeleceu uma parceria com a Fundação Carlos Chagas e lançou um edital para financiar pesquisas sobre o segmento. Catorze iniciativas foram selecionadas e serão desenvolvidas a partir desde ano. "Espera-se que as propostas selecionadas tragam possíveis recomendações para que haja um enfrentamento dos desafios desse segmento", destaca Tartuce.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/experiencias-inovadoras-na-formacao-do-professor-da-educacao-basica-18-de-maio/para-superar-a-separacao-em-disciplinas">
    <title>Para superar a separação em disciplinas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/experiencias-inovadoras-na-formacao-do-professor-da-educacao-basica-18-de-maio/para-superar-a-separacao-em-disciplinas</link>
    <description>Uma abordagem por áreas para a formação de professores pode impulsionar também trabalhos menos fragmentados dentro das salas de aula da Educação Básica</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td><ol>
<li>A      ideia de transdisciplinaridade significa um olhar para grandes questões,      que envolvem, por sua natureza, aspectos de diversas áreas do      conhecimento.</li>
<li>O      trabalho transdisciplinar envolve a abordagem de ideias fundamentais:      explicáveis de maneira simples, relacionadas a muitos outros conteúdos e      que transbordam para além de uma única disciplina.</li>
<li>O      trabalho com situações em contexto pode ser um ponto de partida para      despertar o interesse dos estudantes por essas ideias fundamentais.</li>
<li>A      formação de professores por áreas tem como objetivo combater a      fragmentação do conhecimento em disciplinas, que é oposta ao conceito de      transdisciplinaridade e ainda está muito presente nas escolas.</li>
</ol></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>Para promover a Educação Integral é preciso superar a fragmentação do conhecimento nas escolas e na formação dos professores. Essa foi a principal mensagem da palestra "Formação por Área: Uma Visão Transdisciplinar" dada pelos professores <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nilson-jose-machado" class="external-link">Nílson José Machado</a><strong> </strong>e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/luis-carlos-de-menezes" class="external-link">Luís Carlos de Menezes</a> durante o terceiro encontro do Ciclo Ação e Formação do Professor, organizado pela Cátedra de Educação Básica da USP.</p>
<p>Os dois palestrantes discutiram sobre como superar a separação entre áreas e disciplinas que acontece no Ensino Superior e se reflete no Ensino Fundamental e Médio. "A escola básica é recente e as universidades são milenares. E divisão de conhecimento específico vem de cima para baixo", explica Menezes.</p>
<p><strong>Interações entre disciplinas</strong></p>
<p>As propostas de conexão entre diferentes componentes curriculares não são novidade. Machado faz uma diferenciação entre os conceitos de inter, multi, intra e transdisciplinar organizando em dois eixos. O primeiro, horizontal, trata da força das relações entre as disciplinas. Em uma das pontas, está o conceito de multidisciplinaridade, em que as interações entre as disciplinas são poucas e fracas, muito pontuais. "A escola sempre foi multidisciplinar. Então, tem muitas disciplinas. Muitas pode ser três, quatro, sete, dez, treze. Mas isso não é um problema", explica o professor.</p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/y4HbmujD_Zw" width="560"></iframe></p>
<p><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/formacao-por-area-uma-visao-transdisciplinar" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar a apresentação da palestra</strong></p>
<div id="_mcePaste"><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-experiencias-inovadoras-3o-encontro-parte-2-de-2" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></div>
<div></div>
<div><strong><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></strong></div>
<div><strong><br /></strong></div>
<p>Desde a década de 1970, cresceu fortaleceu-se a defesa da outra ponta desse eixo, a interdisciplinaridade, em que há mais interações entre as disciplinas. "O discurso da interdisciplinaridade é o discurso das inter-relações entre diversas disciplinas que, em geral, são inter-relações pobres", diz. Ela se dá, por exemplo, quando História e Matemática realizam alguma atividade juntas, ou Ciências e Língua Estrangeira, e assim por diante.</p>
<p>Já o eixo vertical vai da intradisciplinaridade à transdisciplinaridade e diz respeito à dimensão do objeto que é foco de estudo. Na lógica da intradisciplinaridade, há uma especialização crescente. "Sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos", diz Machado. Um reflexo desse fenômeno está, por exemplo, na criação de disciplinas que focam em um tópico específico de disciplinas maiores. Para o pesquisador, a especialização em si não é um problema, mas ela deve sempre se dar em articulação com objetos de estudo maiores. "O especialista, hoje, é alguém que se interessa por pormenores, mas que está vendo uma foto. Ele olha pra foto e aí põe uma lupa no cantinho da foto e vê pixels, vê coisas miúdas. Mas o significado, o interesse, o que chama a atenção é a foto inteira", destaca. Já a transdisciplinaridade olha para objetos maiores e mais complexos e, ao fazer isso, é impossível fugir da colaboração entre diversas disciplinas.</p>
<p><strong>Foco nas ideias fundamentais</strong></p>
<p>A realização de um trabalho transdisciplinar, segundo Machado, é mais fácil quando os temas abordados são o que ele chama de ideias fundamentais. "Nós perdemos o discernimento na distinção do que é fundamental, absolutamente necessário, básico, imprescindível e o que é penduricalho, acessório", diz.<span> </span></p>
<table class="tabela-esquerda-300-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><i>Qual a importância do contexto no trabalho do professor?</i></p>
<p><i>Os contextos são fundamentais para gerar os centros de interesse e, com base neles, temas de diversas disciplinas podem ser abordados. "Se um gato pula, ele conserva a quantidade de movimento, conserva energia e, ao mesmo tempo é um gato, é um bicho", exemplifica Luís Carlos de Menezes. Mas os contextos podem ser pontos de partida para que as discussões em sala de aula cheguem às abstrações. "O contexto pode ser uma prisão. Muitas vezes, a demonstração de competência, de inteligência, de conhecimento, de sabedoria, está na ultrapassagem do contexto", afirma Nílson Machado.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Há três características que ajudam a estabelecer se uma ideia é fundamental. A primeira delas é a possibilidade dela ser apresentada de maneira simples, em linguagem ordinária. "Se eu já preciso de uma linguagem técnica, sofisticada, para poder explicar o significado ou a importância de um assunto, ele já não é fundamental", afirma o palestrante.<span> </span></p>
<p>A segunda característica é a quantidade de relações que é possível estabelecer entre esse tema e outros. Se não houver, mau sinal. "Você pode gostar, ler, explorar e até trabalhar com ele em sala de aula, mas ele não é fundamental", diz Machado. A última propriedade é o transbordamento. "Se eu exploro, falo, converso sobre uma ideia que seja fundamental é inevitável que eu fale de outras matérias", define o especialista.<span> </span></p>
<p>É justamente esta última a característica que mostra a importância das ideias fundamentais para trabalhos transdisciplinares. Um exemplo clássico é a ideia de energia. De modo simples, ela pode ser produzida como a capacidade de produzir movimento, se conecta com temas como o estudo dos movimentos, das formas de produção de energia e tem interface entre diferentes áreas, como a química (no estudo das pilhas, por exemplo), a geografia (na exploração de diferentes matrizes energéticas) e na biologia (com a ideia da produção de energia dentro das células).<span> </span></p>
<p>A proposta de realizar a formação de professores por áreas de conhecimento é justamente uma tentativa de reaproximar disciplinas em uma proposta transdisciplinar, que se atenha às ideias fundamentais de cada área e nos desdobramentos delas em cada disciplina. "A organização por área é a tentativa de a gente consertar o que já está desgraçado", diz Machado.</p>
<p><strong>Experiência transdisciplinar</strong></p>
<p>O professor Luís Carlos de Menezes trabalhou como coordenador de um curso de graduação de professores que tinha como proposta preparar educadores para lecionar em áreas. Em vez de licenciaturas em Física, Química e Biologia, a instituição preparava para um único curso de Ciências da Natureza. O mesmo acontecia com as Ciências Humanas, a Matemática e a área de Linguagens.<span> </span></p>
<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é <strong>Nílson José Machado</strong></th>
</tr>
<tr>
<td>Leciona na Universidade de São Paulo desde 1972. Começou trabalhando no Instituto de Matemática e Estatística, e, em 1984, passou a integrar o corpo docente da Faculdade de Educação, onde é professor titular. Além de matemático, é mestre e doutor em filosofia da educação e livre-docente na área de epistemologia e didática. Escreveu cerca de duas dezenas de livros para crianças e publica microensaios semanais em seu <a class="external-link" href="http://www.nilsonjosemachado.net">site pessoal</a>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é <strong>Luís Carlos de Menezes</strong></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Doutor em Física pela Universidade Regensburg, é Professor Sênior do Instituto de Física <span>da Universidade de São Paulo. Membro do Conselho Estadual de Educação em São Paulo. </span><span>Consultor da UNESCO para propostas curriculares. Membro do Conselho do Prêmio Jabuti </span><span>de Literatura, junto à Câmara Brasileira do Livro. Assessor do Ministério da Educação para </span><span>a elaboração da Base Nacional Curricular. Principais focos de trabalho em educação, </span><span>currículos para a educação básica, formação de professores e ensino de ciências.</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>"A alma da transdisciplinaridade é o contexto. É o contexto que junta as disciplinas", afirma Menezes. Na experiência apresentada por ele, aspectos ligados a contexto guiavam a elaboração do currículo. É o caso da disciplina "Terra: Estrutura, Composição e Formação", presente no quarto ano da licenciatura em Ciências da Natureza. "Terra é contexto. Então, os aspectos geológicos, astronômicos, etc, serão trabalhados também com o contexto", explica Menezes. Os aspectos contextuais ajudam a formar o que Machado chama de centros de interesse. "Alunos naturalmente interessados nas ideias fundamentais existem, mas são raros. São animais em extinção. A gente precisa preparar para isso. E a preparação é a criação de centros de interesse", afirma.<span> </span></p>
<p>Além da proposta de formação estruturada áreas, o curso coordenado por Menezes também apostava na integração entre a graduação e a Educação Básica pela criação de uma residência educacional. "Desde o primeiro ano, eles participam de um estágio supervisionado com cem horas semestrais. Eles iam às escolas e acompanhavam o trabalho nas escolas como copartícipes", afirma Menezes.<span> </span></p>
<p>A ideia da formação por áreas também tem como objetivo aproximar os futuros educadores de abordagens mais próximas ao cotidiano escolar. "Você vai vai formar um piloto, que tem que pilotar um avião. Ele pode ter alguma instrução teórica, mas eu não entraria num avião em que o piloto apenas assistiu aula de pilotagem, ouvindo falar ou projetar num quadro", conclui o especialista.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/planejamento-e-avaliacao-13-de-abril/o-saber-e-o-ensinar-articulados-na-escola">
    <title>O saber e o ensinar articulados na escola</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/ciclo-acao-e-formacao-do-professor/planejamento-e-avaliacao-13-de-abril/o-saber-e-o-ensinar-articulados-na-escola</link>
    <description>A maneira como compreendemos o conhecimento influencia o planejamento da prática em sala de aula</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pontos-chave</th>
</tr>
<tr>
<td><ol>
<li>A epistemologia é a área que estuda as      concepções de conhecimento. A maneira como um professor enxerga o      conhecimento influencia na maneira como organiza as situações para que os      estudantes o construam.</li>
<li>Dados são a unidade mais simples de      organização. E a sabedoria é a mais complexa. Entre os dois, estão as      informações e o conhecimento.</li>
<li>Há diversas imagens que podem representar o      conhecimento: um balde, um encadeamento, uma rede ou um iceberg. Todas      interferem diretamente na maneira como o professor planeja suas aulas.</li>
</ol></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Por Rodrigo Ratier e equipe</i></p>
<p>Já faz algum tempo que está ultrapassada a ideia de que os alunos são "tábulas rasas" e que educar é despejar informações sobre eles para que aprendam. "Já há um acordo geral que o conhecimento se constrói", afirmou o professor <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nilson-jose-machado" class="external-link">Nílson José Machado</a> durante sua palestra “Planejamento: Concepções de Conhecimento e Ações Docentes”, no segundo encontro do Ciclo Ação e Formação do Professor. Ainda assim, algumas práticas mostram que essa visão segue presente nas escolas. Machado apresentou outras perspectivas difundidas pela área da ciência que estuda o próprio conhecimento, a epistemologia.</p>
<p>A maneira como o conhecimento é encarado pelos educadores reflete diretamente nas suas práticas. "O modo como a gente pensa influencia o modo como a gente age", diz o especialista. Segundo Machado, conhecer as concepções sobre o saber pode ser uma maneira de promover uma maior integração entre a prática e as ideias. "As ações docentes, a didática, o pensar sobre o currículo, os métodos, os materiais, e as tecnologias, tudo isso decorre do que a gente pensa sobre esse tema", afirma.</p>
<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/mdzWDVoZj48" width="560"></iframe></p>
<p> </p>
<div id="_mcePaste"><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/planejamento-concepcoes-de-conhecimento-e-acoes-docentes" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar a apresentação da palestra</strong></div>
<div><strong><br /></strong></div>
<div></div>
<div id="_mcePaste"></div>
<div id="_mcePaste"><strong><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/ciclo-acao-e-formacao-do-professor-planejamento-e-avaliacao-2o-encontro-parte-2-de-4" class="external-link">Clique aqui</a> para ver o vídeo da palestra na íntegra</strong></div>
<div><strong><br /></strong></div>
<div><strong><strong><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-de-educacao-basica/livreto-acao-e-formacao-do-professor" class="external-link">Clique aqui</a> para baixar o livreto com os relatos de todos os eventos do ciclo</strong></strong></div>
<div><strong><br /></strong></div>
<p><strong>O que é conhecimento e sabedoria</strong></p>
<p>"Fala-se muito que vivemos em uma sociedade do conhecimento. Eu discordo. Estamos em uma sociedade da informação", defende Machado. Para diferenciar os dois conceitos, o especialista se aprofundou na definição deles e de outros que também fazem parte do estudo da epistemologia.<span> </span></p>
<p>Machado organizou esses conceitos no formato de pirâmide. Na base dela, estão os dados. "Não foi a tecnologia que criou o conceito de bancos de dados, eles sempre existiram", afirma. No século XVII, por exemplo, a França realizou um censo de suas árvores, sob o reinado de Luís XIV. O objetivo era analisar a capacidade que a nação teria de produzir embarcações. "Hoje, acumulamos muitos dados. Salvamos um arquivo no computador com um nome bobo e nunca mais encontramos", exemplifica.<span> </span></p>
<p>A informação, nível superior ao dado, se diferencia dele por atribuir ao dado algum sentido. Para que dados se transformem em informação, é necessário que alguém se debruce sobre eles e apresente boas perguntas aos dados, a fim de atribuir significado a uma parte deles.<span> </span></p>
<p>Na categoria seguinte está o conhecimento. "Se a informação é uma imagem, o conhecimento é um filme", afirma Machado. Trata-se, portanto, da integração de um conjunto de informações na construção de um sentido comum a todas elas. A sabedoria é o próximo estágio, em que acrescentamos a ideia valor. "A indústria farmacêutica acumula muito conhecimento, mas possui pouca sabedoria, no sentido de que só o utiliza em função de interesses comerciais", exemplifica o professor.<span> </span></p>
<p>Um trecho de um poema do americano T. S. Elliot (1888-1965), ajuda a exemplificar a relação entre os conceitos. Ele afirma (em tradução livre): "Onde está a vida que nós perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que nós perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que nós perdemos na informação?". Machado brinca: "Não havia computador na época, mas eu vou completar: Onde está a informação que perdemos nos bancos de dados?" Em outras palavras: muitas vezes, desperdiçamos oportunidade de construir sabedoria, conhecimento porque gastamos muita energia ao tratar de dados e informações.</p>
<p><strong><span>O conhecimento na hora de planejar</span></strong></p>
<p>As imagens que professores possuem sobre como se dá a construção do conhecimento vêm à tona no momento em que eles elaboram seus planos de aula. "Elas são muitas vezes não são explícitas, são tácitas", afirma Machado. As figuras apresentadas pelo professor como preponderantes entre pensadores e educadores comparam o conhecimento a um balde, a um encadeamento, a uma rede e a um iceberg. "Quando eu planejo, quando eu avalio, tem uma imagem dessa comandando ou uma combinação de imagens", diz.<span> </span></p>
<table class="tabela-esquerda-400-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Pergunta da plateia</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p><strong><i>Qual o papel dos conhecimentos específicos das áreas no ensino e na formação de professores?</i></strong></p>
<i> Ao pensar com foco em competências, como propõe a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os saberes sobre a ciência, a matemática, as linguagens e as outras áreas abordadas na Educação Básica se tornam um dos meios para fazer com que elas sejam desenvolvidas. Essa nova relação diminui a importância deles. Nílson Machado cita a obra A Crise na Educação, de Hannah Arendt (1906-1975). Nela, a autora apresenta três causas para a crise. A mais conhecida é a quebra da autoridade docente, mas há outros dois elementos. A segunda diz respeito justamente ao desprestígio dos conteúdos na relação com as metodologias. "Na Faculdade de Educação da USP, por exemplo, há disciplinas sobre metodologia do ensino de matemática, mas não há uma única sobre Matemática", destaca Machado. A terceira é o desprestígio da teoria em relação à prática. "Sem a teoria, o fazer é cego", diz o palestrante. O caminho seria apostar em uma formação de desse algum espaço para todas as questões. "Não podemos dar ênfase exagerada a nenhuma das coisas", conclui Claudia Costin, Diretora Geral do Centro de Excelência e Inovação em <span>Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e uma das palestrantes do dia.</span></i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A primeira imagem diz respeito a uma percepção do trabalho docente como o de "encher um balde", ou seja, apenas fornecer o conteúdo aos estudantes. Nesse contexto, o planejamento está ligado ao controle da vazão para preencher o objeto. "Eu sou professor de matemática e penso: vou dar três aulas para esta matéria, quatro aulas para esse pedaço, quatro aulas para aquele. Eu divido, loteio as aulas", exemplifica Machado. E a avaliação é a simples medição de quanto os alunos "acumularam" diante de tudo o que foi despejado sobre eles.<span> </span></p>
<p>A segunda imagem está ligada ao pensamento do filósofo René Descartes (1596-1650) apresentada em seu livro <i>Discurso sobre o Método</i>. Para construir o conhecimento, é necessário partir de ideias claras e distintas. Objetos que não atendem a esses critérios precisam ser decompostos até partes claras e distintas. Então, segue-se um encadeamento lógico dessas noções. "O planejador cartesiano só precisa conjugar dois verbos: reclamar e prometer", brinca Machado. Segundo ele, é desse pensamento que surgem as reclamações de professores que não conseguem trabalhar o conteúdo de um ano porque os alunos não receberam o pré-requisito. E quando são questionados sobre o porquê de abordar algo, eles prometem: "lá na frente você vai ver porque isso é importante." "Essa imagem está longe de precisar ser jogada fora, mas é nítido que ela é insuficiente para se entender como se constrói o conhecimento", afirma o professor.</p>
<p><strong>Visões contemporâneas: a rede e o iceberg</strong></p>
<p>A ideia do conhecimento como rede e como iceberg são mais recentes. A primeira afirma que a construção dele se dá a todo o momento. "Quando um bebê aprende a falar, ele já começa a construir uma rede de significados", afirma Machado. Por isso, os pontos de "entrada" não são únicos, mas diversos, e é possível tecer relações entre diferentes conteúdos e conhecimentos, partindo de situações ligadas ao contexto vivido pelos estudantes, aos interesses deles, e assim por diante. "O problema é mais real: como enriquecer e desenvolver essa rede, aumentar o número de nós que a formam?", questiona.<span> </span></p>
<p>A última imagem apresentada por Machado foi introduzida pelo filósofo Karl Polanyi (1886-1964). Segundo ele, o conhecimento pode ser visto como um iceberg, em que há uma pequena parte fora da água e uma porção muito maior imersa. A porção acima da superfície diz respeito aos saberes que podem ser demonstrados, colocados em palavra. A parte submersa são os conhecimentos tácitos que sustentam a parte que é explícita. "Na escola, muitas vezes, acontece um troca-troca de explícitos. Os processos de avaliação precisam estar mais atentos ao que não é possível de pôr em palavras", afirma o palestrante.<span> </span></p>
<p>Não existe uma única imagem que seja capaz de dar uma explicação definitiva sobre o que é o conhecimento, mas ele é provavelmente uma combinação das diferentes imagens. "O dogmatismo de pensar que só existe uma forma de ensinar é algo terrível", conclui Machado.<span> </span></p>
<p><strong>O valor do que sabemos</strong></p>
<p>Numa sociedade em que o número de postos de trabalho na indústria é cada vez menor, o conhecimento tem ganhado mais valor. Segundo os economistas, há três critérios que definem quão valioso é o que uma pessoa sabe: o quão abstrato, codificado e difundido esse saber é.<span> </span></p>
<p>Conhecimentos concretos, segundo esse pensamento, são estritamente ligados a um contexto de uso específico. Já os abstratos estão ligados a capacidade de aplicá-los de maneira eficiente em diferentes situações. "Entendendo o abstrato nesse sentido, nós, educadores, não temos que brigar com os economistas. Quanto mais abstrato, melhor", afirma Machado.<span> </span></p>
<table class="tabela-direita-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Quem é <strong>Nílson José Machado</strong></th>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Leciona na Universidade de São Paulo desde 1972. Começou trabalhando no Instituto de Matemática e Estatística, e, em 1984, passou a integrar o corpo docente da Faculdade de Educação, onde é professor titular. Além de matemático, é mestre e doutor em filosofia da educação e livre-docente na área de epistemologia e didática. Escreveu cerca de duas dezenas de livros para crianças e publica microensaios semanais em seu <a class="external-link" href="http://www.nilsonjosemachado.net">site pessoal</a>.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No segundo critério, os conhecimentos codificados têm relação com a capacidade de transcrevê-los em algum tipo de linguagem, qualquer que seja ela (verbal, matemática, e assim por diante). "Se eu domino um conhecimento abstrato, mas escrevo um livro para explicá-lo aos outros, ainda dá para extrair algum valor", diz o palestrante. Nesse caso, também não há conflito entre educadores e economistas: uma das funções da escola é justamente ensinar a codificar em diferentes linguagens.<span> </span></p>
<p>O terceiro fator é o mais polêmico. Para economistas, os conhecimentos mais valiosos são aqueles que são menos difundidos, ou seja, que apenas um número pequeno de pessoas domina. Já os educadores defendem que os saberes sejam, de fato, difundidos o máximo possível. "Essa visão do conhecimento não nos serve na escola, não podemos achar que quanto mais ignorância melhor", conclui o professor.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Nelson Niero Neto</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Cátedra de Educação Básica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pedagogia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ensino Básico</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-08-01T21:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
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