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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 1 to 15.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/evolucao-cultural">
    <title>Workshop debate abordagens evolucionistas da cultura</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/evolucao-cultural</link>
    <description>No dia 13 de novembro, das 8h às 18h, o IEA realiza, com apoio da Sociedade de Evolução Cultural e da Fapesp, o workshop "Abordagens Evolucionistas da Cultura", organizado pelo etólogo Eduardo Ottoni, participante do Programa Ano Sabático em 2019. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p class="documentFirstHeading"><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/montagem-com-fotos-sobre-evolucao-cultural" alt="Montagem com fotos sobre evolução cultural" class="image-right" title="Montagem com fotos sobre evolução cultural" />Pesquisadores do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Brasil renomados em suas análises complementares sobre evolução cultural estarão reunidos no workshop <i>Abordagens Evolucionistas da Cultura</i>, no<i> </i><strong>dia 13 de novembro, das 8h às 18h</strong>, no IEA.</p>
<p class="documentFirstHeading">De acordo com o organizador do encontro, o etologista Eduardo Ottoni, professor do Instituto de Psicologia (IP) da USP em ano sabático no IEA, o objetivo do workshop é promover o debate em torno de abordagens que destacam, ao mesmo tempo, "a diversidade dos processos culturais e a natureza unicamente complexa da cultura humana".</p>
<p class="documentFirstHeading">Os temas e expositores do workshop serão:</p>
<ul>
<li>Introdução: Abordagens Evolucionistas da Cultura - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-ottoni" class="external-link">Eduardo Ottoni</a> (IEA e IP-USP)</li>
<li>A Descoberta da Cultura Animal - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/andrew-whiten" class="external-link">Andrew Whiten</a> (Universidade de St. Andrews, Reino Unido)</li>
<li>Modelando a Inteligência: Como o Desenvolvimento, a Cultura e a Tecnologia Transformam as Capacidades Cognitivas Humanas - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/cristine-legare" class="external-link">Cristine Legare</a> (Universidade do Texas em Austin, EUA)</li>
<li>A Engrenagem na Catraca: Investigando os Mecanismos Cognitivos que Sustentam a Cultura Cumulativa Humana - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/christine-anna-caldwell" class="external-link">Christine Caldwell</a> (Universidade de Stirling, Reino Unido)</li>
<li>Abordagens na Investigação de Estratégias de Aprendizagem Social na Difusão Cultural - <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rachel-kendal" class="external-link">Rachel Kendal</a> (Universidade de Durham, Reino Unido)</li>
</ul>
<p class="documentFirstHeading">O workshop será em inglês, sem tradução. A participação é gratuita e aberta a todos os interessados, mas requer <a class="external-link" href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf5xlAkoH_Tr6O5XS6d-7dNWU6N7xF8fChtc_VybvECeC1wYw/viewform" target="_blank">inscrição prévia online</a>. Quem não puder comparecer terá a oportunidade de assistir a toda programação <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">ao vivo</a> pela internet.</p>
<p class="documentFirstHeading"><strong>Superação de barreiras</strong></p>
<p class="documentFirstHeading">"Nos últimos anos, tem ganhado consistência, visibilidade e relevância crescentes o debate buscando superar as barreiras epistemológicas entre, de um lado, um modelo evolucionista que relega os fenômenos culturais a um papel meramente proximal (o 'fenótipo estendido') e, de outro, visões da cultura enquanto processo exclusivamente humano e relativamente desconectado da biologia evolutiva da espécie", afirma Ottoni.</p>
<p class="documentFirstHeading">Segundo ele, as pesquisas sobre processos culturais em animais não humanos se somaram a uma discussão mais ampla em torno de perspectivas evolucionistas sobre a dinâmica da evolução cultural e suas interações de mão-dupla com a evolução molecular ("construção de nicho”, coevolução genes-cultura).</p>
<p class="documentFirstHeading">Esse processo resultou, recentemente, na criação de uma nova entidade científica, a <a class="external-link" href="https://culturalevolutionsociety.org/">Sociedade de Evolução Cultural</a> (CES, na sigla em inglês), cuja conferência inaugural ocorreu em setembro de 2017, em Jena, Alemanha, com apoio do Instituto Max Planck de Ciência da História Humana.</p>
<ul>
</ul>
<p>A organização do workshop tem o apoio da CES e da Fapesp. A Comissão Científica é constituída por Ottoni e outros quatro pesquisadores: Marcelo Benvenuti, Jaroslava Valentova e Marco Varella, os dois primeiros professores e o terceiro pós-doutor do IP-USP; e Natália Bezerra Dutra, pós-doutora do Laboratório de Evolução do Comportamento Humano da UFRN.</p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<hr />
<p><strong><i>Abordagens Evolucionistas da Cultura</i></strong><i><strong><br /></strong>13 de novembro, das 8h às 18h<br /></i><i>Local: Auditório IEA, Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo<br /></i><i>Evento em inglês (sem tradução), gratuito e aberto ao público, mediante <a class="external-link" href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf5xlAkoH_Tr6O5XS6d-7dNWU6N7xF8fChtc_VybvECeC1wYw/viewform" target="_blank">inscrição prévia online</a> - Haverá <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">transmissão ao vivo</a> pela internet<br /></i><i>Mais informações: com Claudia Regina Pereira (<a class="mail-link" href="mailto:clauregi@usp.br">clauregi@usp.br</a>)), telefone (11) 3091-1686<br /></i><i><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/workshop-201cabordagens" class="external-link">Página do evento</a></i></p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Imagem: montagem de Clara Gomes Borges a partir de fotos de arquivos pessoais de pesquisadores</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Teoria da Evolução</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Etologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-10-25T16:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/paleoantropologia">
    <title>Walter Neves ministrará curso de difusão sobre evolução humana</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/paleoantropologia</link>
    <description>Estão abertas até 19 de abril as inscrições para participação no curso de difusão científica Debates Contemporâneos em Paleoantropologia, a ser ministrado pelo paleantropólogo Walter Neves.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/lucy-1/image" alt="Lucy" title="Lucy" height="501" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Réplica de reconstituição de Lucy, fóssil de Australopithecus afarensis com 3,2 milhões de anos encontrado em 1974 na Etiópia</dd>
</dl></p>
<p>Os interessados em participar da terceira edição do curso de difusão científica <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/cursos/paleoantropologia-3#Programa%C3%A7%C3%A3o" class="external-link">Debates Contemporâneos em Paleoantropologia</a>, a ser ministrado de 17 de maio a 2 de agosto pelo paleoantropólogo <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/pessoas/pasta-pessoaw/walter-neves" class="external-link">Walter Neves</a>, professor sênior do IEA, deverão se inscrever de 1º a 19 de abril no <a class="external-link" href="http://e.usp.br/pn5" target="_blank">Sistema Apolo</a> da USP para uma das 60 vagas disponíveis.</p>
<p>O curso será gratuito e presencial (não haverá transmissão online), na Sala Alfredo Bosi, sede do IEA. O público-alvo são os interessados em evolução humana, sobretudo alunos de graduação, graduados e pós-graduados, além de professores universitários, todos de qualquer área do conhecimento. Caso o número de inscritos seja superior ao de vagas, haverá sorteio.</p>
<p>Os selecionados deverão ser fluentes na leitura em inglês, uma vez que as aulas não serão expositivas, mas de discussões de textos previamente disponibilizados, quase todos em inglês. A confirmação da matrícula ocorrerá em 22 de abril.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<p style="text-align: center; "><strong><i>Atenção</i></strong></p>
<p><i><strong></strong> A presença dos matriculados no primeiro encontro (17 de maio) será utilizada como critério para confirmação de interesse na manutenção da vaga. Isso permitirá que, eventualmente, inscritos em lista de espera ocupem vagas remanescentes.</i></p>
<p><i>Alunos matriculados que não puderem comparecer ao primeiro encontro mas se comprometerem a atingir a frequência mínima exigida para aprovação (75%) deverão confirmar o interesse escrevendo para <a class="mail-link" href="mailto:rkmeckien@usp.br">rkmeckien@usp.br</a>, caso contrário terão sua matrícula cancelada.</i></p>
<p><i>Um aviso sobre eventuais vagas remanescentes será divulgado após 17 de maio.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O curso terá 11 aulas, sempre às sextas-feiras, das 14h às 16h30, a partir de 17 de maio, totalizando 27 horas e meia. Serão aprovados os alunos que obtiverem nota igual a 5,0. A avaliação será baseada em notas de testes de verificação de leitura e no grau de participação nas discussões.</p>
<p><strong>Características únicas</strong></p>
<p>Professor titular aposentado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP e coordenador do <a class="external-link" href="https://evolucaohumana.iea.usp.br/">Núcleo de Pesquisa e Divulgação em Evolução Humana</a> do IEA, Neves ressalta que as características únicas do ser humano fazem com que a espécie pareça ser especial e diferenciada das outras formas de vida no planeta, o que leva à busca de explicações sobrenaturais para sua origem.</p>
<p>"Ainda hoje, grande parte da sociedade mundial defende e promove tais visões para a origem do ser humano, apesar de mais de 150 anos de descobertas científicas mostrarem que somos o produto de uma série de contínuas inovações evolutivas que ocorreram nos últimos 7 milhões de anos."</p>
<p>Durante o curso, ele tentará conectar as características mais notórias da espécie humana com o momento em que elas surgiram em sua linhagem evolutiva, para construir uma perspectiva sobre a longa história que resultou no surgimento do <i>Homo sapiens</i>. Os alunos terão a oportunidade de explorar cinco aspectos:</p>
<p><strong>•</strong> a diversidade de espécies que caracteriza a linhagem evolutiva humana e o caráter não linear dessa evolução;</p>
<p><strong>•</strong> o momento do surgimento das principais inovações biológicas que definem a espécie humana e sua importância para o processo evolutivo;</p>
<p><strong>•</strong> as diferenças e semelhanças entre os seres humanos e os chimpanzés, que representam a espécie viva mais próxima dos humanos do ponto de vista genético e de sua capacidade intelectual;</p>
<p><strong>•</strong> as circunstâncias ambientais, ecológicas e sociais que permitiram a evolução e o sucesso da espécie humana;</p>
<p><strong>•</strong> o que torna o ser humano verdadeiramente humano.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evolução humana</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Paleoantropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>curso</dc:subject>
    
    <dc:date>2024-03-25T16:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/ipbes">
    <title>Visão e práticas de indígenas e comunidades locais em relação à biodiversidade</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/ipbes</link>
    <description>O Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES) realiza nos dias 12 e 16 de novembro, no IEA, o seminário Povos Indígenas e Comunidades Locais nos Diagnósticos do Painel da Biodiversidade.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span>O </span><a class="external-link" href="http://www.ipbes.net">Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services</a><span> (IPBES) realiza nos dias </span><strong>12 e 16 de novembro</strong><span>, no IEA, o seminário </span><i>Povos Indígenas e Comunidades Locais nos Diagnósticos do Painel da Biodiversidade</i><span>. Veja os horários na programação abaixo.</span></p>
<p><strong><i> </i></strong><span>O objetivo é garantir a participação dos povos indígenas e das comunidades locais nos diagnósticos realizados pela IPBES no Brasil. </span><span>O evento é restrito a convidados, mas o público poderá acompanhar as exposições ao vivo pela </span><a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">internet</a><span>.</span></p>
<p>A coordenação do seminário é da antropóloga <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-manuela-ligeti-carneiro-da-cunha" class="external-link">Manuela Carneiro da Cunha</a>, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e da University of Chicago, nos Estados Unidos. Os expositores serão os autores dos diagnósticos. Graças ao encontro, eles poderão ter acesso a informações, experiências e fontes que lhes permitam levar  em consideração <span>adequadamente</span><span> (em seus trabalhos) a visão e as práticas indígenas e das comunidades locais, bem como as políticas que afetam a biodiversidade dos territórios dessas populações.</span></p>
<p>Entre os temas a serem apresentados estão: o valor, o uso e a importância da biodiversidade e do território; conhecimento e uso sustentável da biodiversidade: paisagens, fauna, história natural, calendários; agrobiodiversidade; agricultura tradicional e fogo; a floresta antropogênica: arqueologia e história ecológica da biodiversidade brasileira; populações tradicionais e desmatamento; hidrelétricas grandes e pequenas;  madeireiras e mineradoras; Código Florestal e Convenção 169 da OIT.</p>
<h3><span>PROGRAMAÇÃO</span></h3>
<h3><span>12 de novembro - Primeira Sessão<br /></span></h3>
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<div id="_mcePaste">
<table class="invisible">
<tbody>
<tr>
<td><strong>10h</strong></td>
<td><strong>Bem Viver no Alto Rio Negro — Conhecimentos e Práticas</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/andre-fernando-baniwa" class="external-link">André Baniwa</a> (presidente da Oibi)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>10h45</strong></td>
<td><strong>O Bem Viver no Parque Indígena do Xingu</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-junqueira" class="external-link">Paulo Junqueira</a> (Instituto Socioambiental)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>11h30</strong></td>
<td><strong><i>Intervalo</i></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>11h45</strong></td>
<td><strong>A Floresta Antropogênica: Arqueologia e História Ecológica da Biodiversidade Brasileira</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-goes-neves" class="external-link">Eduardo Góes Neves</a> (MAE-USP)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>12h30</strong></td>
<td><strong>Agrobiodiversidade e Povos Tradicionais</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-manuela-ligeti-carneiro-da-cunha" class="external-link">Manuela Carneiro da Cunha</a> (FFLCH-USP e University of Chicago, EUA)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>13h15</strong></td>
<td><strong><i>Intervalo</i></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>14h30</strong></td>
<td><strong>Hidrelétricas, Povos tradicionais e Biodiversidade</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sonia-maria-simoes-barbosa-magalhaes-santos" class="external-link">Sonia Magalhães</a> (UFPA)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>15h15</strong></td>
<td><strong>Um Caso: Oriximiná</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lucia-andrada" class="external-link">Lúcia Andrada</a> (CPI-SP)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>16h</strong></td>
<td><strong>Pressões Desenvolvimentistas e Áreas Indígenas: o RAISG</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carlos-alberto-beto-ricardo-1" class="external-link">Carlos Alberto Ricardo</a> (Instituto Socioambiental)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<div id="_mcePaste"></div>
<div id="_mcePaste">
<div id="_mcePaste"></div>
<h3><strong>16 de novembro — 2ª Sessão</strong></h3>
</div>
</div>
<div id="_mcePaste">
<table class="invisible">
<tbody>
<tr>
<td><strong>9h30</strong></td>
<td><strong>Bem Viver de um Povo sem Agricultura: Os Awá Guajá</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoau/uira-felippe-garcia" class="external-link">Uirá Garcia</a> (Unifesp)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>10h15</strong></td>
<td><strong>Biodiversidade e Saúde dos Povos Indígenas</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carlos-everaldo-alvares-coimbra-junior" class="external-link">Carlos Coimbra</a> (Fiocruz)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>11h30</strong></td>
<td><strong><i>Intervalo</i></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>11h15</strong></td>
<td><strong>Populações Tradicionais e Proteção de Unidades de Conservação: O Caso da Terra do Meio</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/juan-doblas" class="external-link">Juan Doblas</a> (ISA)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>12h</strong></td>
<td><strong>Fogo como Manejo no Cerrado: O caso Xavante</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/james-r-welch" class="external-link">James Welch</a> (Fiocruz)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>12h45</strong></td>
<td><strong><i>Almoço</i></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>14h15</strong></td>
<td><strong>Território e os Wayampi do Amapá</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoad/dominique-tilkin-gallois" class="external-link">Dominique Gallois</a> e Joana Oliveira (USP e Instituto Iepé)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>15h</strong></td>
<td><strong>Recuperação de Terras Degradadas em Áreas Indígenas Amazônicas</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marcus-schmidt" class="external-link">Marcus Schmidt</a> (ISA)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>15h45</strong></td>
<td><strong><i>Intervalo</i></strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>16h</strong></td>
<td><strong>O PNGATI</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maira-smith" class="external-link">Maira Smith</a> (FUNAI)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>16h45</strong></td>
<td><strong>Governança dos Commons: Pescadores Artesanais</strong><br /><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/cristiana-simao-seixas" class="external-link">Cristiana Seixas</a> (Unicamp)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<hr />
<p><i><strong>Povos Indígenas e Comunidades Locais nos Diagnósticos do Painel da Biodiversidade<br /></strong></i><i>12 de novembro e 16 de novembro, das 9h30 às 17h30<br /></i><i>Participação presencial exclusiva para convidados — O público poderá acompanhar  a transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">internet<br /></a></i><i>Informações: com Marisa Macedo (<a class="mail-link" href="mailto:marmac@usp.br">marmac@usp.br</a>), telefone (11) 3091-8677<br />Página do evento: <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/ipbes-povos-indigenas" class="external-link">http://www.iea.usp.br/eventos/ipbes-povos-indigenas</a></i><i> </i></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Biodiversidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-11-11T11:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/arte-e-formacao-social-do-brasil">
    <title>Violência, resistência e integração na formação da sociedade brasileira</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/arte-e-formacao-social-do-brasil</link>
    <description>O encontro "Brasil, Brasis e sua Complexa Formação Social", no dia 1º de novembro, foi o 14º evento da "Jornada Relações do Conhecimento entre Arte e Ciência: Gênero, Neocolonialismo e Espaço Sideral". </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span style="text-align: justify; "><dl class="image-right captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/encontro-brasil-brasis-e-sua-complexa-formacao-social/image" alt="Encontro &quot;Brasil, Brasis e sua Complexa Formação Social&quot;" title="Encontro &quot;Brasil, Brasis e sua Complexa Formação Social&quot;" height="256" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Evento teve a participação de pesquisadores e representantes de várias comunidades</dd>
</dl>O encontro </span><i>Brasil, Brasis e sua Complexa Formação Social</i>, no dia 1º de novembro<i>,</i><span style="text-align: justify; "> debateu vários aspectos da constituição da sociedade brasileira, entre os quais o genocídio de indígenas pelos colonizadores e as ameaças que ainda enfrentam, a escravidão de africanos e seus descendentes e o racismo ainda imperante, a cultura de povos tradicionais da Amazônia e a história da imigração de judeus e árabes. </span><span style="text-align: justify; ">Foi o </span><span style="text-align: justify; ">14º encontro da <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/jornada-arte-e-ciencia" class="external-link">Jornada Relações do Conhecimento entre Arte e Ciência: Gênero, Neocolonialismo e Espaço Sideral</a>.</span></p>
<p><span style="text-align: justify; "> </span>Os expositores foram o historiador da arte e curador <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marcelo-campos" class="external-link">Marcelo Campos</a>, o sociólogo da cultura <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/joao-de-jesus-paes-loureiro" class="external-link">João de Jesus de Paes Loureiro</a>, o líder indígena <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ailton-krenak" class="external-link">Ailton Krenak</a>, o rabino <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/michel-schlesinger" class="external-link">Michel Schlesinger</a> e a neurocientista <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/soraya-soubhi-smaili" class="external-link">Soraya Soubhi Smaili</a>. O curador <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-herkenhoff" class="external-link">Paulo Herkenhoff</a>, titular da Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura de Ciência, moderou o evento.</p>
<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>Notícia</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/encontros-13-e-14-das-jornada" class="external-link">Questões de gênero, sexualidade e formação social do Brasil estarão em debate em jornada</a></li>
</ul>
<p><strong>Textos</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/formacao-da-sociedade-brasileira-e-a-contribuicao-dos-imigrantes-desde-o-seculo-19-michel-schlesinger/" class="external-link">Formação da Sociedade Brasileira e a Contribuição dos Imigrantes desde o Século 19</a>, de Michel Schlisinger</li>
</ul>
<p><strong>Midiateca</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2019/brasil-brasis-e-sua-complexa-formacao-social" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2019/brasil-brasis-e-sua-complexa-formacao-social-1o-de-novembro-de-2019" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<hr />
<p><i><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/textos-noticias-videos-e-fotos-dos-encontros-da-jornada" class="external-link">Textos, notícias, vídeos e fotos dos encontros</a></i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Afro-brasilidade</strong></p>
<p>Marcelo Campos, professor de teoria e história da arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tratou das relações entre afro-brasilidade e arte em seu mestrado e no doutorado.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:350px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/marcelo-campos-1o-11-2019/image" alt="Marcelo Campos - 1º/11/2019" title="Marcelo Campos - 1º/11/2019" height="350" width="350" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:350px;">Marcelo Campos</dd>
</dl></p>
<p>Para ele, o Brasil continua produzindo feridas em relação aos afrodescendentes: "A coetaneidade nos foi negada; teses e dissertações só tratam do barroquismo, forma descontextualizada e muitas vezes infértil".</p>
<div class="kssattr-atfieldname-text kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-macro-rich-field-view kssattr-target-parent-fieldname-text-40a00082e517497bae28fd0508b3a760" id="parent-fieldname-text-40a00082e517497bae28fd0508b3a760">
<div class="kssattr-atfieldname-organizacao kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-macro-rich-field-view kssattr-target-parent-fieldname-organizacao-d767705890804a7cabc654b20ed1cde4" id="parent-fieldname-organizacao-d767705890804a7cabc654b20ed1cde4">
<div>
<p>Ninguém lhe explicava o travestismo do candomblé, "onde coexistem gênero e religiosidade", afirmou.</p>
<p>Campos considera que "os signos coloniais que lotam coleções de museus deveriam estar em autos criminais".</p>
<p>Apesar de haver agora na arte um grande empenho de descolonização da linguagem, para ele "não há mais tempo para retórica, metáfora; se houver arte, que ela nos encontre".</p>
<p><strong>Cultura amazônica</strong></p>
<p>Para João de Jesus de Paes Loureiro, a Amazônia da cultura e da arte parece estar fora da grande narrativa do país. "O que se perde à medida que a região é destruída, os homens do campo são expulsos e as sociedades indígenas são desestruturadas?"</p>
<table class="tabela-esquerda-300-cinza-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><i>Sobre a jornada</i></h3>
<p><i>A Jornada Relações do Conhecimento entre Arte e Ciência: Gênero, Neocolonialismo e Espaço Sideral é uma disciplina de pós-graduação aberta à participação do público oferecida pela <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedras-e-convenios-atuais/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia" class="external-link">Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência</a> (parceria entre o IEA e o Itaú Cultural) e a <a class="external-link" href="http://www.prpg.usp.br/" target="_blank">Pró-Reitoria de Pós-Graduação</a>da USP.</i></p>
<p><i>A iniciativa é uma homenagem ao professor <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/alfredo-bosi" class="external-link">Alfredo Bosi</a>, ex-diretor do IEA, editor da revista do Instituto desde 1989 e <span class="c2" style="text-align: justify; ">estudioso das interseções entre arte e ciência.</span></i></p>
<p><i><span class="c2" style="text-align: justify; ">A idealização e coordenação é dos titulares da c</span>átedra: o crítico, curador e historiador de arte <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-herkenhoff" class="external-link">Paulo Herkenhoff</a> e a biomédica <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoah/helena-bonciani-nader" class="external-link">Helena Nader</a>, professora da Unifesp.</i></p>
<p><i>A intenção é promover uma discussão profunda sobre as inter-relações arte e ciência ao longo dos tempos, perpassando por aspectos como proeminência cultural de um país sobre outro, questões de gênero, de estilos e formatos.</i></p>
<p><i>Ao todo, serão 19 encontros de agosto e dezembro, sempre às quintas e sextas-feiras, das 14h às 17h, com a participação de palestrantes e debatedores de diversos campos do conhecimento, líderes em suas áreas de atuação.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Segundo ele, a natureza da Amazônia "ocupa o palco principal e o mundo inteiro se comove com as queimadas". Isso tem a ver com o fato de a Amazônia integrar o imaginário ocidental, disse, pois "representava a busca de um novo mundo, do paraíso na Terra".</p>
<p>É preciso também considerar a Amazônia como "exemplo da revelação de um imaginário que constitui um fato social e integra sua diferença como região, com capacidade muito grande de expressão própria".</p>
<p>Ele avalia que agora a região assumiu uma dimensão aurática, como definida pelo filósofo Walter Benjamin: "Todos, de todos os níveis, a defendem por ser algo irrepetível; isso é uma forma de colocá-la a distância, ainda que esteja próxima. Essa dimensão tem provocado movimentos de solidariedade com uma realidade que parece viver um período comatoso desde sua Belle Époque, que na verdade foi um período de expropriação da região pela Belle Époque europeia".</p>
<dl class="image-right captioned" style="width:350px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/joao-de-jesus-de-paes-loureiro-1o-11-2019/image" alt="João de Jesus de Paes Loureiro - 1º/11/2019" title="João de Jesus de Paes Loureiro - 1º/11/2019" height="350" width="350" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:350px;">João de Jesus de Paes Loureiro </dd>
</dl>
<p>No entanto, Loureiro criticou o fato de nenhuma universidade da região ter cursos regulares sobre o imaginário, que é um dos elementos distintivos da Amazônia.</p>
<p>"Ela é um almoxarifado nacional e internacional onde se vão buscar ideias, fatores simbólicos, porém, as matrizes desses valores não são vistas nos estudos sob uma ótica do imaginário, para que sejam compreendidas."</p>
<p>Ele lembrou três situações emblemáticas da relação com os mitos da Amazônia na época do modernismo: peças musicais de Villa-Lobos, "Cobra Norato", de Raul Bopp, e "Macunaíma", de Mário de Andrade.</p>
<p>"'Cobra Norato' é uma conjunção de narrativas que Bopp poetizou. Talvez seja o primeiro etnopoema  da literatura brasileira, uma interligação do poético com o antropológico." Quanto a "Macunaíma", Loureiro lembrou que Mário de Andrade se inspirou em lendas de Roraima, como a do tambatajá, na qual os corpos de um casal de índios geram uma planta, o tambatajá, cujas folhas representam o homem e a mulher. Para ele, essa lenda "dá uma lição de ética amorosa".</p>
<p>Ele também comentou a lenda do boto, que se transforma num rapaz bonito para conquistar as moças. As crianças reconhecidas como filhos do Boto são vistas como diferentes. "É como se possuíssem uma hybris, por serem filhos de um encantado e de uma mulher, como o herói grego e o Cristo terreno."</p>
<p><strong>Genocídio indígena</strong></p>
<p>Se a participação de Ailton Krenak destoou do intuito de discutir a contribuição de vários povos para a formação sociocultural do Brasil, ao mesmo tempo foi uma reafirmação da complexidade e violência desse processo, dado o genocídio sofrido pelos indígenas e as ameaças persistentes a sua cultura e suas terras.</p>
<dl class="image-left captioned" style="width:350px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/ailton-krenak-1o-11-2019/image" alt="Ailton Krenak - 1º/11/2019" title="Ailton Krenak - 1º/11/2019" height="350" width="350" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:350px;">Ailton Krenak</dd>
</dl>
<p>"Assim como Mário de Andrade observa a Amazônia do ponto de vista de um paulista, vocês veem o mundo amazônico pela cultura do Ocidente. Os europeus ocuparam o planeta. A narrativa do Ocidente se impõe ao mundo e os outros povos se tornam pigmeus."</p>
<p>Na opinião de Krenak, as universidades ocidentais só fazem perpetuar o colonialismo, cuja continuidade, genocídio e falsificação da história precisam ser denunciados.</p>
<p>Para os povos indígenas não há distinção entre arte, cultura e natureza, afirmou. "Não consigo pensar em arte e cultura separadas dos rios, florestas e montanhas. Os únicos povos que compõem uma narrativa assim são os originários. Até quando vamos continuar privilegiando uma visão hegemônica, europeia, colonialista?"</p>
<p>Ele citou o pajé Davi Kopenawa, líder yanomami, para quem o homem branco escreve tudo porque tem uma memória cheia de esquecimento. "Alguns de nossos anciões, quando escutam os brancos falando sobre sua história, dizem: 'Vejam como eles se esqueceram de tudo!'" A ideia é que os brancos se esqueceram que faziam parte do mesmo povo integrado pelos indígenas. "Como não se lembram, vivem nos infernizando". disse Krenak.</p>
</div>
<div></div>
</div>
</div>
<p><strong>Imigração judaica</strong></p>
<p>Dados do Censo 2010 indicaram a presença de 107.329 judeus no Brasil, constituindo a 11ª maior comunidade do mundo, superada na América Latina apenas pela comunidade judaica da Argentina, segundo Michel Schlesinger, que integra a Congregação Israelita Paulista. "O número de descendentes é incerto. De acordo com pesquisa de 1999, 0,2% dos brasileiros declaram ancestralidade judaica, o que significaria mais de 400 mil descendentes atualmente."</p>
<p>O rabino historiou o processo de vinda de judeus ao Brasil desde o início da colonização, a chegada de sefarditas e cristãos novos ibéricos devido à Inquisição e a imigração, nos séculos 19 e 20, de judeus originários do leste europeu para as cidade de São Paulo e Rio de Janeiro, e germânicos instalados pelo imperador Pedro II em Santa Catarina e no Paraná.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:350px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/michel-schlesinger-1o-11-2019/image" alt="Michel Schlesinger - 1º/11/2019" title="Michel Schlesinger - 1º/11/2019" height="350" width="350" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:350px;">Michel Schlesinger</dd>
</dl></p>
<p>Segundo Schlesinger, no período colonial, os judeus portugueses viam no novo mundo uma possibilidade de liberdade para suas práticas religiosas. "Durante os 24 anos [1630-1654] da dominação holandesa do Nordeste, aumentou a imigração de judeus. No Recife, eles se estabeleceram como comerciantes e fundaram a Congregação Rochedo de Israel [<span>Kahal Zur Israel], primeira sinagoga das Américas."</span></p>
<p><span>Com a expulsão dos holandeses, os judeus fugiram para os Países Baixos, Antilhas e Nova Amsterdam, que depois se tornou Nova York, onde criaram a primeira comunidade judaica. "Há lápides com inscrições em português no cemitério dessa comunidade e havia uma sinagoga de rito português."</span></p>
<p><span>Schlesinger também relatou a ida de cristãos novos para Minas Gerais, durante o ciclo do ouro, no século 18, a onda de imigração de judeus vindos do Marrocos em direção a Amazônia a partir de 1810, a presença deles em Manaus, com o ciclo da borracha iniciado em 1880, e certo sincretismo entre judaísmo e catolicismo em Cametá, no Pará.</span></p>
<p>Com a Proclamação da República em 1889, que garantiu a liberdade religiosa no país, muitos judeus do leste europeu se instalaram em Santos e na Capital paulista, constituindo uma comunidade próspera, afirmou o rabino.</p>
<p>"No início do século 20, foram formadas colônias judaicas no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, no final dos anos 20, os judeus concentraram-se no bairro do Bom Fim. Na década de 30, um maior contingente chegou ao Brasil, estabelecendo-se no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e em outras regiões do país."</p>
<p>Perguntado sobre a existência de costumes genuinamente brasileiros incorporados pela prática religiosa judaica, <span style="text-align: justify; ">Schlesinger</span> observou que na semana do Pessach (conhecida como "Pascoa Judaica"), os judeus não podem comer alimentos com farinha de trigo fermentada, mas podem comer outras coisas, como pão de queijo e tapioca.</p>
<p>A biomédica Helena Nader, assim como Herkenhoff titular da Cátedra Olavo Setubal, citou o envolvimento de imigrantes judeus na política brasileira. Herkenhoff acrescentou que, apesar de não ter havido uma perseguição ostensiva a eles no país durante o século 20, "não podermos esquecer casos como o de Olga Benário [deportada para a Alemanha nazista em 1936 pelo governo Vargas] e Stefen Zweig", obrigado a escrever "Brasil: O País do Futuro" para permanecer no Brasil, segundo o curador.</p>
<p>Para Schlesinger, a sensibilidade social dos judeus talvez tenha sido estimulada pela opressão que sofreram ao longo da história. "Essa ligação com a sociedade está associada à história religiosa e à perseguição."</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:350px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/soraya-soubhi-smeili-1o-11-2019/image" alt="Soraya Soubhi Smeili - 1º/11/2019" title="Soraya Soubhi Smeili - 1º/11/2019" height="350" width="350" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:350px;">Soraya Soubhi Smaili </dd>
</dl></p>
<p><strong>Presença árabe</strong></p>
<p><span style="text-align: justify; ">Soraya Soubhi Smaili, reitora da Unifesp, historiou a chegada dos árabes ao Brasil e sua participação para a constituição da sociedade brasileira.</span></p>
<p><span style="text-align: justify; ">Ela citou o geógrafo Aziz Ab'Sáber (que foi professor honorário do IEA), para quem a obra de Darcy Ribeiro "'O Povo Brasileiro",  "deve ser lido e visto [o filme] <span>por todos nós, pois nos ajuda a entender como os árabes chegaram ao Brasil e como influenciaram a constituição da nossa cultura muito antes de a imigração árabe chegar”.</span></span></p>
<p>Smaili lembrou que Darcy Ribeiro fala no livro do príncipe D. Henrique, o Navegador (1394-1460), incentivador das primeiras viagens expansionistas de Portugal, com naus providas de leme fixo, como as dos árabes, inventores também de instrumentos utilizados pelos navegantes, como o astrolábio e bússola usados pelos navegantes.</p>
<p>Ela comentou as contribuições árabes à cultura ibérica, como a introdução do moinho d'água, bicho da seda, laranjeira, rabeca, varanda, algodão, azulejos e a cana de açúcar e a incorporação de inúmeras palavras árabes pela língua portuguesa (25% do vocabulário têm essa origem).</p>
<p>"Muitos árabes chegaram jovens e começaram como mascates no século 19, sobretudo sírios e libaneses. Prosperaram no comércio, passando de vendedores ambulantes a donos de lojas e depois de indústrias. O Brasil também propiciou coexistência com outros povos e liberdade total de culto religioso."</p>
<p>Smaili lembrou o livro "Amrik", de Ana Miranda, que narra a saga de imigrantes árabes recém-chegados a São Paulo no final do século 19, e "Lavoura Arcaica", de Raduan Nassar, cujo núcleo familiar é de libaneses. Também comentou influências árabes na música, arquitetura, mosaicos em construções e consumo de café e azeite.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sociologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Imigração</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Indígenas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-11-14T13:06:55Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/massimo-canevacci">
    <title>Um novo pensamento científico para o contexto da cultura digital</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/massimo-canevacci</link>
    <description>Em entrevista ao IEA, o antropólogo Massimo Canevacci fala sobre transformações ocasionadas pela cultura digital e esclarece alguns dos conceitos de sua autoria, entre eles os ubiquidade, multivíduo e auto-representação.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p> </p>
<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/massimo-canevacci-1" alt="Massimo Canevacci" class="image-right" title="Massimo Canevacci" />Estudioso da cultura digital, <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/massimo-canevacci" class="external-link">Massimo Canevacci</a> não se contenta em olhar para o novo mundo das tecnologias digitais através de velhas lentes. Para dar conta dessa realidade emergente, o antropólogo italiano propõe novos conceitos — entre eles o de "ubiquidade","multivíduo" e "autorrepresentação" — e procura chamar atenção para a necessidade de construir um pensamento científico mais sintonizado com as transformações em curso.</p>
<p>Professor da Università degli Studi di Roma "La Sapienza", Itália, e professor visitante do IEA desde março, suas pesquisas, de caráter interdisciplinar, mobilizam referenciais da comunicação, antropologia e teoria crítica, com foco na pesquisa empírica.</p>
<p>Na seguinte entrevista à jornalista Flávia Dourado, Canevacci esclarece alguns dos conceitos de sua autoria, questiona a ideia de uma cultura alienante — de um "padrão determinado pela estrutura econômica e política" — e propõe a flexibilização do método científico clássico por meio da "etnografia reflexiva", estratégia metodológica que não se deixa enrijecer pela ruptura entre sujeito e objeto.</p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<p><strong>Seus trabalhos falam em uma transição da "cidade industrial", centrada na produtividade, nos conflitos de classe e na dialética política, para a "metrópole comunicacional", marcada pelo pluricentrismo e pela modificação da percepção espaço-tempo. É disso que o conceito de "ubiquidade" trata?</strong></p>
<p class="NoSpacing1"><i>A lógica dualista da cidade industrial foi substituída pelo pluricentrismo da metrópole comunicacional, na qual prevalece a flexibilidade característica da cultura digital. Essa transformação está relacionada à dimensão da ubiquidade, que complexifica a percepção do espaço-tempo.</i></p>
<p class="NoSpacing1"><i> </i></p>
<p class="NoSpacing1"><i>O sujeito que transita na rede e na metrópole comunicacional pode, no mesmo espaço-tempo, se comunicar com pessoas de contextos totalmente diferentes. Essa experiência ubíqua — inexistente e inimaginável na cidade industrial — levanta desafios enormes para a comunicação e a etnografia: que tipo de relação com os outros isso provoca? Como fica a questão da alteridade? Se afirma um sujeito ubíquo conectado (e não coletivo).</i></p>
<p class="NoSpacing1"><i>Antes, na antropologia, "o outro" era a cultura indígena. Mas, hoje, falo com índios Bororo ou Xavante [povos indígenas estudados por Canevacci], que estão no Mato Grosso, pelo Skype ou pelo site Aldeia Digital. Eles conversam em português, às vezes em espanhol, mas continuam a falar bororo ou xavante, e utilizam a mesma tecnologia digital que eu.</i></p>
<p class="NoSpacing1"><i>Na metrópole comunicacional, cada pessoa configura um "outro", não na forma de uma alteridade radical, mas de pequenas diferenças. Se, no passado, prevalecia o conceito de homologação, no qual todo mundo seguia um padrão determinado pela estrutura econômica e política, atualmente o grande desafio da comunicação e da etnografia é penetrar em cada uma dessas diferenças — diferenças que configuram tipos específicos de alteridade e, juntas, formam um </i>patchwork<i>, uma dimensão sincrética glocal </i>[global + local]<i> que varia no espaço e no tempo. </i></p>
<p class="NoSpacing1"><strong>É essa possibilidade de transitar em diferentes espaços-tempos que traz à tona o multivíduo? </strong></p>
<p class="NoSpacing1"><strong><i> </i></strong></p>
<p><i>O formativo da cultura industrial, que consiste em elaborar uma identidade sempre idêntica a si mesma, não funciona mais. Na cultura digital, as identidades não são fixas, mas flutuantes. O conceito de multivíduo modifica o conceito clássico de indivíduo — palavra de origem latina que, por sua vez, traduz a palavra grega </i>atomom<i>, cujo significado é indivisível. O multivíduo é um sujeito divisível, plural, fluido. Ubíquo. Um mesmo sujeito pode ter uma multiplicidade de identidades, de "eus", e assim multividuar a sua subjetividade.</i></p>
<p><i>Um dos sintomas disso é a ideia de gênero. O feminino e o masculino já não são mais percebidos como uma divisão definida biologicamente. O gênero é visto como uma construção cultural que não comporta mais uma lógica binária, dualista. Entende-se que é possível ter uma multiplicidade de experiências sensuais eróticas.</i></p>
<p><i>A moda é outro exemplo: o multivíduo não se identifica por um estilo de moda específico, único. Ele modifica seus estilos de acordo com os diferentes contextos em que se encontra. Isso impõe grandes desafios para o estudo da moda, que não deve mais ser tomada como algo que manipula, pois cada multivíduo escolhe elementos diferenciados e, a partir disso, cria sua própria performance.</i></p>
<p><strong>E qual é a relação entre a emergência desse multíviduo e a cultura digital?</strong></p>
<p><i>A descentralização ubíqua do indivíduo trata-se de um tipo de identidade característica da cultura digital. O desejo de viver uma alteridade interna era compartilhado apenas em momentos específicos, como no carnaval. Atualmente, com a explosão da cultura digital, esse desejo de alteridade, de multivocidade pode ser vivido o tempo todo, em qualquer momento. Basta o sujeito entrar na internet para poder exprimir diferenças coexistentes e heterônomos estilos de escrever, de se representar, de se conectar.</i></p>
<p><i>Então, esse sujeito transitivo, caracterizado de flutuantes "eus" multividuais, que estão se afirmando como "outros", tem a vantagem de usufruir das tecnologias digitais, tecnologias que se tornam mais difundidas diante da facilidade de uso, da redução de preços, da aceleração de linguagens, das possibilidades de edição autônoma.</i></p>
<p><i>É claro que a cultura digital também traz problemas de segurança, de fraude, que devem ser enfrentados. Porque a cultura digital é parte de um conflito, de uma dialógica, de uma tensão que precisamos resolver.</i></p>
<p><strong>Então a manifestação do multivíduo está ligada ao surgimento de uma comunicação mais horizontalizada, viabilizada pela cultura digital? </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><i>A cultura digital modifica a "divisão comunicacional do trabalho" (expressão inspirada no conceito de divisão social do trabalho, proposto por Marx) entre quem narra e quem é narrado. Surge, daí, a ideia de autorrepresentação: as pessoas querem se representar, e não mais serem representadas. E, de qualquer lugar do mundo, elas tem os meios tecnológicos e as condições culturais para fazer isso, para nunca mais conceder a um terceiro o direito de representá-las. Isso vem do desejo de cada um exprimir, de narrar sua própria história. Entra em cena, assim, a crítica ao status de "quem tem o poder de representar quem".</i></p>
<p><i>Caiu a dicotomia entre quem representa, de um lado, e quem é representado, de outro. Trata-se do direito que cada pessoa tem de representar a si mesma politicamente e esteticamente e de representar também quem a representa. Isso significa colocar em crise permanente a visão dualista e dicotômica entre natureza e cultura, masculino e feminino, bem e mal, quem representa e quem é representado. Diante disso, precisamos desenvolver lógicas diferenciadas de pensamento que permitam aproveitar as potencialidades que a cultura digital nos oferece.</i></p>
<p><strong>O senhor defende a adoção de uma "etnografia reflexiva" nas pesquisas antropológicas. Essa guinada epistemológica surge como efeito do fenômeno da autorrepresentação?</strong></p>
<p><i>A autorrepresentação altera profundamente a etnografia, que passa a ser mais dialógica e reflexiva: o entrevistador também é entrevistado. Meus amigos bororos ou xavantes fazem pesquisas sobre mim ao mesmo tempo em que são pesquisados e, juntos, construímos uma autorrepresentação na qual colocamos nossas personalidades, experiências, emoções e valores. O envolvimento emocional torna-se parte constitutiva da estratégia etnográfica, porque o pesquisador é parte da pesquisa, não está fora do contexto analisado. Não se insiste, assim, na objetividade em relação ao objeto, de modo que o objeto não é mais objeto: é um sujeito, com toda sua complexidade, que está em diálogo com o investigador.</i></p>
<p><i>A autorrepresentação significa que, como antropólogo, não posso mais representar a cultura dos bororos e xavantes ou da periferia de São Paulo, porque tanto os jovens indígenas quanto os paulistanos afirmam seu direito de representarem a si mesmos e de me representar como pesquisador.</i></p>
<p><strong>Ao abrir mão da diretriz da objetividade e assumir os princípios do dialogismo e da reflexividade, o pesquisador não corre o risco de ser criticado por uma falta de cientificidade? Como fica essa questão no meio acadêmico?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><i>O paradigma que sustenta a dimensão cientifica é, em grande parte, baseado na física e na matemática euclidiana. Mas, a partir da metade do século passado, a visão pós-euclidiana começou a se manifestar também nas ciências ditas exatas. Nos laboratórios do Cern [Centro Europeu de Pesquisa Nuclear], por exemplo, o contexto no qual os experimentos são colocados é parte da avaliação, porque se entende que o contexto modifica o resultado. Subjetividade e objetividade, particularidade e universalidade estão conectados e fazem parte dos resultados.</i></p>
<p><i>A objetividade pura era importante no passado. Agora, o que precisamos é aliar a força estética da imaginação e a experiência subjetiva com a exatidão científica por meio do que chamo de "imaginação exata", lógicas pós-euclidianas. </i></p>
<p><i>As obras criadas pela arquiteta Zahad Hadid ilustram muito bem a emergência dessa cultura pós-euclidiana. Ela desenvolveu um tipo de elaboração digital capaz de criar fantasias arquitetônicas que não pertencem à nossa experiência geométrica cotidiana. Ela aplica uma multidimensão híbrida autogenerativa em formas arquitetônicas diagonais, que nunca existiram antes e que não são baseadas na geometria clássica, euclidiana, composta por quadrado, círculo etc. Com isso, cria uma experiência metropolitana inovadora, que desafia o nosso olhar acostumado com prédios retangulares e piramidais com forma modernista.</i></p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<p><strong>Ainda no âmbito das transformações epistemológicas ligadas à etnografia, o senhor poderia explicar o seu conceito de "estupor metodológico"?</strong></p>
<p><i>O "estupor metodológico" é um forma inovadora de posicionar o corpo e a mente numa dimensão porosa para encontrar o desconhecido. Trata-se de um treino para abrir a própria corporeidade e prepará-la para o encontro com o estranho, que, justamente por ser estranho, é desejado. O problema desse encontro é fundamental na etnografia. Pode ser um encontro casual, com algo que está muito perto, no Facebook ou na rua, por exemplo. Porque, às vezes, surfando na internet ou caminhando pela rua, a gente encontra elementos que criam um tipo de espanto. E é preciso estar preparado quando esse encontro acontece. É preciso estar treinado para enfrentar na hora o desconhecido, que é ao mesmo tempo sedutor e espantoso. É preciso agarrar o momento, que é único e pode escapar. Para elaborar uma etnografia da juventude paulistana, focalizada sobre o desejo de movimento urbano criativo, é fundamental aplicar seja a autorrepresentação seja o estupor como metodologias ubíquas.</i></p>
<p class="NoSpacing1"><strong><i> </i></strong></p>
<p><strong>Nos seus estudos sobre cultura digital, o senhor adota autores da teoria crítica, entre eles Kracauer, Adorno e Benjamim. Essa opção parece contraditória se considerarmos que, nas teorias da comunicação, a Escola de Frankfurt aparece associada à ideia da indústria cultural como lugar da manipulação e alienação. Essa contradição existe de fato?</strong></p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<p><i>Adorno, Benjamim e Kracauer foram os primeiros a estudar empiricamente a cultura de massas que estava nascendo. Adorno se dedicou à análise do rádio, do cinema, da música, da personalidade autoritária. Era um filósofo que não estava apenas pensando, pois fazia pesquisa empírica. Kracauer, ao estudar o cinema dos anos vinte, já tinha entendido que a autorrepresentação era um novo paradigma que a nova tecnologia reproduzível cinematográfica oferecia.</i></p>
<p><i>Tomar a teoria crítica a partir do conceito de homologação é uma leitura superficial. Assim como é superficial entender a indústria cultural como uma forma absoluta de massificação. Em Kracauer e Benjamin, por exemplo, tratava-se da possibilidade de inserir a tecnologia de reprodução em processos de libertação das classes sociais pobres, que poderiam, a partir desse recurso tecnológico, usufruir da cultura estética.</i></p>
<p><i>Nos últimos anos, vem nascendo na Alemanha e nos Estados Unidos uma corrente inovadora que faz uma leitura diferente da teoria crítica. O que é a mídia de massa atualmente? O conceito de massa está morto, assim como a ideia de mídia como mediação entre a indústria cultural e o público. Na cultura digital, cada um pode elaborar sua própria narrativa. O problema fundamental, agora, é como fazer uma pesquisa empírica criticamente orientada sobre a cultura digital — uma cultura que está modificando a mídia de massa e prefigurando o conceito de autorrepresentação.</i></p>
<h3></h3>
<h3><i><strong>Conteúdo Relacionado:</strong></i></h3>
<p><i><strong>Notícias<br /></strong></i></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/arte-e-hacktivismo-em-debate" class="external-link">Arte e hacktivismo em debate</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/cultura-digital-e-etnografia-sao-tema-de-conferencia" class="external-link">"Cultura digital e etnografia são tema de conferência de Massimo Canevacci"</a></li>
</ul>
<p><i><strong>Entrevistas</strong></i></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/um-novo-pensamento-cientifico-para-o-novo-contexto-da-cultura-digital" class="external-link">"Um Novo Pensamento Científico para o Novo Contexto da Cultura Digital"</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a class="external-link" href="http://www.matrizes.usp.br/index.php/matrizes/article/view/435/469">"O Fetichismo Metodológico Tem o Poder de Mesclar os Dois Clássicos Elementos da Filosofia Ocidental: Sujeito e Objeto"</a></li>
</ul>
<p><strong><i>Midiateca</i></strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/cultura-digital" class="external-link">Cultura Digital</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/interrupcao-em-rede-repensando-oposicoes-em-arte-hacktivismo-e-negocios-da-rede-social" class="external-link">Interrupção em Rede: Repensando Oposições em Arte, Hacktivismo e Negócios da Rede Social</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2013/teoria-critica-cultura-digital-cinema-expandido" class="external-link">teoria crítica, cultura digital, cinema eXpandido</a></li>
</ul>
<p> </p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Mauro Bellesa/IEA-USP</span></p>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Professores Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Política Ambiental</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Internet</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Comunicação</dc:subject>
    
    <dc:date>2013-06-25T14:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/medo-tema-do-ano-ubias">
    <title>Ubias elege o 'Medo' como tema comum para IEAs em 2017</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/medo-tema-do-ano-ubias</link>
    <description>A rede internacional Ubias escolheu o "Medo" como tema comum para uma série de atividades dos institutos de estudos avançados em 2017.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/fobos-leonino" alt="Mosaico: Máscara de Fobos" class="image-inline" title="Mosaico: Máscara de Fobos" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Fobos, deus do medo, de acordo com mosaico do século 4º</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A rede internacional <a class="external-link" href="http://www.ubias.net">Ubias (University-Based Institutes for Advanced Study)</a> elegeu o "Medo" como Tema do Ano para 2017. Os institutos de estudos avançados (IEAs) integrantes da rede realizarão eventos para a discussão dos aspectos políticos, sociológicos, psicossociais, neurológicos, biológicos e culturais do medo.</p>
<p><span> </span><span>A escolha do tema deu-se em reunião dos diretores de institutos realizada em junho no IEA da Universidade de Birmingham, Reino Unido. É a segunda vez que a Ubias escolhe um tópico de trabalho comum anual. </span><span>Em 2016, o tema foi "A Mídia e o Controle de Dados".</span></p>
<p><span>De acordo com o Comitê Diretivo da rede, o objetivo da adoção de um tema anual de importância global é estimular a produção de novas ideias e fortalecer a </span><span>comunicação entre os IEAs. A expectativa é que cada instituto realize eventos (únicos ou em série) próprios ou em parceria com outros IEAs.</span></p>
<p><span>Os eventos poderão ser conferências públicas, seminários, mesas-redondas ou workshops, formatados de forma a respeitar o perfil de cada instituto, a </span><span>expertise disponível e os interesses específicos da comunidade acadêmica em que ele atua. No caso de eventos de iniciativa de um único instituto, espera-se que </span><span>pesquisadores de outros IEAs </span><span>sejam convidados a participar das discussões.</span></p>
<p><span> </span></p>
<p><strong>Um fenômeno predominante</strong></p>
<p>A <a class="external-link" href="http://www.ubias.net/topic-of-the-year/UBIASTopicoftheYear2017_FEAR_web.pdf">proposta</a> para que o medo fosse o Tema Anual de 2017 foi apresentada pelo IEA da Universidade de Freiburg, Alemanha. <span>Na justificativa, a direção do instituto argumentou que o medo está se tornando um fenômeno predominante no mundo de hoje: "A linguagem do medo se destaca nos noticiários e na linguagem cotidiana: mesmo as questões diárias são abordadas através de uma narrativa de medo: 'política do medo', 'medo do crime', 'medo do terrorismo', 'medo do futuro'".</span></p>
<p>"O medo não está apenas associado a ameaças com alto poder catastrófico, como ataques terroristas, o aquecimento global, a Aids e outras potenciais pandemias. A maioria das pessoas também se preocupa com os numerosos 'medos silenciosos' da vida cotidiana."</p>
<p>Além de ser uma questão social, o medo é também um fenômeno de grande interesse biológico e neurológico, de acordo com os autores da proposta. "A resposta ao medo (principalmente fugir, esconder-se ou imobilizar-se) têm desempenhado um papel importante na evolução, uma vez que as respostas comportamentais adequadas ao medo servem à sobrevivência."</p>
<p>Esse aspecto ressalta a importância da análise dos processos biológicos que ocorrem numa situação de medo: liberação de hormônios como adrenalina e cortisol na corrente sanguínea, aceleração da frequência cardíaca, dilatação das pupilas e elevação da pressão arterial. "Além disso, o fenômeno neurológico do transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) demonstra que o medo pode deixar traços duradouros no cérebro."</p>
<p><span>Um recente aumento nos estudos sobre as emoções tem ajudado a relançar o interesse pelo tema, mas a ampla presença e papel do medo na sociedade contemporânea continuam a ser negligenciados pelas ciências sociais, na opinião dos dirigentes do IEA de Freiburg</span><span>.</span></p>
<p><span><strong>Uso político</strong></span></p>
<p>Eles destacam que o medo, por ser uma emoção fortemente pré-consciente e poderosa, tem uma maneira pré-racional de delimitar e afetar o pensamento. "As implicações políticas e sociológicas desse processo neurológico podem ser vistas na forma como alguns políticos usam o medo das pessoas em relação aos 'outros' para arregimentá-las."</p>
<p>A proposta aprovada sugere uma série de questões a serem abordadas nos eventos dos IEAs:</p>
<ul>
<li>há sociedades mais temerosas do que outras?</li>
<li>a atual preocupação com o medo emergiu da era de ansiedade do século 20?</li>
<li>o que acontece no cérebro - do ponto de vista biológico e neurológico - de quem está com medo?</li>
<li>quando sentir medo faz sentido?</li>
<li>por que algumas pessoas são mais propensas ao medo e à ansiedade do que outras?</li>
<li>como chegamos a entender o medo especificamente e como sua normalização hoje ajuda a nossa sobrevivência (caso isso seja verdade)?</li>
<li>como o medo se tornou uma emoção tão importante - talvez até definidora - dos tempos atuais?</li>
</ul>
<p> </p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Detalhe de mosaico do acervo do Museu Britânico</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Neurociência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ubias</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Psicologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Psicanálise</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Teoria da Evolução</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciência Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2017-01-10T19:10:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/trajetoria-entre-culturas-kabengele-munanga-um-interprete-africano-do-brasil-28-de-setembro-de-2016">
    <title>Trajetória entre Culturas: Kabengele Munanga, um Intérprete Africano do Brasil - 28 de setembro de 2016</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2016/trajetoria-entre-culturas-kabengele-munanga-um-interprete-africano-do-brasil-28-de-setembro-de-2016</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Diálogos Interculturais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Negros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>África</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-09-28T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/trajetoria-entre-culturas">
    <title>Trajetória entre Culturas: Kabengele Munanga, um Intérprete Africano do Brasil  </title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/trajetoria-entre-culturas</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span><span>O <span>Grupo de Pesquisa Diálogos Interculturais do IEA, </span>organiza um diálogo com Kabengele Munanga, p</span>rofessor titular da FFLCH-USP e também membro do grupo.</span></p>
<p>O antropólogo é<span> </span><span>um dos maiores especialistas em relações étnico-raciais, antropologia da população afro-brasileira e a questão do racismo no Brasil e no mundo da afro-diáspora. </span><span>Nascido na República Democrática do Congo (antigo Zaire), o autor de </span><i>Origens Africanas do Brasil Contemporâneo</i><span> vivenciou, sob vários aspectos, o dramático processo de descolonização em seu continente de origem que tem efeitos políticos e identitários que perduram até o presente. Sua trajetória pessoal e intelectual marca-se pela passagem por alguns países e culturas, antes de radicar-se definitivamente entre nós há mais de três décadas e naturalizar-se brasileiro. Sua condição de africano, estrangeiro e “imigrante” encontra-se na base de suas reflexões sobre o que é ser negro em nosso país.</span></p>
<p>A somatória de suas experiências afinou o olhar e a sensibilidade intercultural que o colocam, hoje, na singular posição de qualificado intérprete da África no Brasil, onde suas contribuições acadêmicas e políticas têm sido determinantes para a valorização dos estudos voltados para a condição dos afro-descendentes e o combate ao racismo.</p>
<h3 class="visualClear">Coordenação</h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/ligia-fonseca-ferreira" class="external-link">Ligia Fonseca Ferreira</a></div>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maura-pardini-bicudo-veras" class="external-link">Maura Véras</a></div>
<div class="visualClear"></div>
<h3 class="visualClear"><span>Expositor</span></h3>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoak/kabengele-munanga" class="external-link">Kabengele Munanga</a></p>
<h3 class="visualClear">Debatedoras</h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/ligia-fonseca-ferreira" class="external-link">Ligia Fonseca Ferreira</a></div>
<div class="visualClear">
<div>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maura-pardini-bicudo-veras" class="external-link">Maura Véras</a></div>
</div>
</div>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sylvia-duarte-dantas" class="external-link">Sylvia Dantas</a></div>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/adriana-capuano-de-oliveira" class="external-link">Adriana Capuano de Oliveira<br /></a><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-daniel-elias-farah" class="external-link"><span class="external-link">Paulo Farah</span></a></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Racismo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Diálogos Interculturais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Negros</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>África</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2016-09-02T18:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/titulares-da-catedra-olavo-setubal-organizam-curso-sobre-o-protagonismo-da-mulher-indigena-busca-protagonizar-a-mulher-indigena">
    <title>Titulares da Cátedra Olavo Setubal organizam curso sobre o protagonismo da mulher indígena</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/titulares-da-catedra-olavo-setubal-organizam-curso-sobre-o-protagonismo-da-mulher-indigena-busca-protagonizar-a-mulher-indigena</link>
    <description>A Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência realiza, de 2 a 4 de setembro, o curso de difusão gratuito Floresta de Saberes: a Diversidade de Existências e Territórios das Mulheres Indígenas. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p> </p>
<p><i>Por Lívia Uchoa (estagiária)</i></p>
<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/florestas-de-saberes" alt="Florestas de Saberes" class="image-right" title="Florestas de Saberes" /></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">As catedráticas indígenas Arissana Pataxó, Francy Baniwa e Sandra Benites Guarani, titulares da <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia">Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência</a>, são as organizadores do curso de difusão gratuito <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/cursos/floresta-saberes">Floresta de Saberes: a Diversidade de Existências e Territórios das Mulheres Indígenas</a>, que acontecerá no IEA nos dias 2, 3 e 4 de setembro, numa parceria com a Fundação Itaú e o Itaú Cultural</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Dividido em seis aulas (manhã e tarde) coordenadas pela trinca de catedráticas, o curso reunirá lideranças, artistas e pesquisadoras para entender os principais desafios enfrentados pelas mulheres indígenas em diferentes campos de atuação.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Os interessados em participar do curso devem efetuar pré-inscrição de 12 a 16 de agosto pelo <a href="https://uspdigital.usp.br/apolo/apoObterCurso?cod_curso=370400020&amp;cod_edicao=24001&amp;numseqofeedi=1" style="text-align: justify; ">Sistema Apolo</a> da USP. Os pré-inscritos receberão, por email, um formulário a ser preenchido de 17 a 23 de agosto. <span style="text-align: justify; ">A efetivação da matrícula ocorrerá após a análise das respostas apresentadas no formulário, da vinculaçao ou não ao público-alvo e da carta de motivação. O resultado será divulgado no dia 26 de agosto.</span></p>
<p dir="ltr" style="text-align: justify; "><strong>Diversidade</strong></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Com pessoas indígenas e estudantes da USP (graduação e pós-graduação) como público-alvo, o curso tem o objetivo de contribuir para o reconhecimento da diversidade dos saberes, territórios e atuações das mulheres indígenas. A programação inclui exposições e debates sobre machismo, racismo, saúde da mulher, arte, meio ambiente e muitas outras temáticas com a perspectiva indigena.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Segundo os organizadores do curso, esse protagonismo da mulher indigena contribui para a ampliação de referências, de epistemologias e cosmogonias para além do eurocentrismo: "Ainda que o protagonismo seja de mulheres indígenas, suas contribuições não se encerram no debate sobre mulheres, uma vez que suas preocupações políticas envolvem sempre seus povos como um todo, das crianças aos mais velhos, dos jovens aos adultos, dos homens às mulheres, dos rios às florestas”.</p>
<h3>Programação</h3>
<h3><strong>2/set</strong></h3>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Manhã - Aula 1: Trançando as artes: mulheres indígenas e suas expressões artísticas</strong><br /><i>Coordenadora: Arissana Pataxó</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">É comum que as artes indígenas não tenham uma compartimentalização rígida, uma vez que diversas linguagens artísticas se encontram nos fazeres cotidianos, nos rituais, nos processos de plantio e colheita, no cuidado das crianças e dos mais velhos. Para esta aula, as convidadas irão apresentar suas trajetórias nas diferentes expressões artísticas que as constituem.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><i>Convidadas:</i></p>
<ul style="text-align: left; ">
<li>Graça Graúna Potiguara (RN): escritora e professora adjunta na Universidade de Pernambuco (UPE);</li>
<li>Patrícia Para Yxapy (RS): professora, roteirista, curadora e realizadora audiovisual indígena da etnia mbyá guarani;</li>
<li>Carmézia Emiliano (RR): artista plástica makuxi.</li>
</ul>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "> </p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Tarde - Aula 2: Gestando políticas: liderança, política e movimento indígena</strong><br /><i>Coordenadora: Sandra Benites</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Sinopse - No movimento indígena, há muitas formas de fazer política para além da dimensão institucional, seja a política de diálogos internos com as comunidades, seja a política de negociações com não indígenas, seja na sensibilização dos mais jovens para a luta pelo território. As convidadas foram e são referências históricas no que diz respeito à presença de mulheres indígenas nas mais diferentes formas de fazer política.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><i>Convidadas:</i></p>
<ul style="text-align: left; ">
<li>Catarina Tupi Guarani (SP): liderança indígena, artesã e educadora formada em pedagogia pela FE-USP;</li>
<li>Beatriz Pankararu (SP): artista visual e ativista; representante da Reserva Indígena Filhos Dessa Terra, Guarulhos; </li>
<li>Eliane Potiguara (RJ): primeira autora de literatura indígena no Brasil; é doutora honoris causa pela UERJ;</li>
<li>Joziléia Kaingang (SC): geógrafa e professora; diretora do Departamento de Promoção de Políticas Indigenistas do Ministério dos Povos Indígenas.</li>
</ul>
<p style="text-align: left; "><i> </i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "> </p>
<h3 dir="ltr" style="text-align: left; ">3/set</h3>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Manhã - Aula 3: Redes de amparo: saúde da mulher e meio ambiente</strong><br /><i>Coordenadora: Francy Baniwa</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Sinopse - O território não é apenas um espaço físico, um local específico, mas é também parte de quem nós somos. A partir da noção de corpo-território, nesta aula serão discutidas as inter-relações entre as violências sofridas pela Terra e as violências sofridas pelas mulheres indígenas, que também são parte dela. Serão também abordadas formas possíveis de cuidado e de saúde integradas, territorializadas e tradicionais.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><i> Convidadas:</i></p>
<ul style="text-align: left; ">
<li>Kellen Kaiowá (MS): bióloga e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp);</li>
<li>Cinthia Guajajara (MA): coordenadora da Articulação das Mulheres Indígenas do Maranhão (Anima) e presidente do Conselho de Educação Escolar Indígena do Maranhão; é especialista em direitos indígenas;</li>
<li>Eufelia Tariano (AM): pesquisadora, enfermeira e especialista em saúde indígena.</li>
</ul>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "> </p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Tarde - Aula 4: As tecituras das mulheres indígenas na universidade</strong><br /><i>Coordenadora: Francy Baniwa</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Sinopse - A destruição e a exploração da Terra também têm efeitos no "ecossistema" de línguas originárias, pois com a continuidade da invasão dos territórios indígenas e com o aumento do racismo religioso, o direito ao território, ao modo de vida e ao falar da língua também se vê profundamente afetado. Na linha de frente da revitalização e do reflorestamento de línguas indígenas, mulheres de diferentes povos têm participado de iniciativas coletivas de fortalecimento e, nesta aula, serão apresentadas algumas delas.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><i>Convidadas:</i></p>
<ul style="text-align: left; ">
<li>Rutian Pataxó (BA): graduada em economia pela UFBA, com especialização em direitos humanos pela mesma universidade; mestranda em estudos étnicos e africanos também pela UFBA; ouvidora-adjunta da Defensoria Pública da Bahia;</li>
<li>Márcia Mura (AM): escritora, articuladora política e cultural, educadora, percorre o território mura e outros lugares com a pedagogia da afirmação indígena; doutora em história social pela USP e aprendiz dos saberes dos mais velhos;</li>
<li>Jera Guarani (SP): liderança indígena comunitária na aldeia guarani mbya Kalipety, São Paulo.</li>
</ul>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "> </p>
<h3 dir="ltr" style="text-align: left; ">4/set</h3>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Manhã - Aula 5: Ecossistema de línguas indígenas</strong><br /><i>Coordenadora: Arissana Pataxó</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Sinopse - A presença de mulheres indígenas na universidade é acompanhada de uma série de entraves, uma vez que sua permanência, objetiva e subjetivamente, nem sempre é amparada institucionalmente. Para povos em que a coletividade é fundamental, separar mães de suas crianças ou não propiciar condições para que estejam juntas, por exemplo, pode ser um fato de "expulsão" indireta. Além disso, os currículos e as ementas dos cursos raramente contemplam perspectivas de mundo para além da eurocêntrica. Sobre estes e outros embates, as convidadas compartilharão suas vivências.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><i>Convidadas:</i></p>
<ul style="text-align: left; ">
<li>Altaci Corrêa Rubim/Tataiya Kokama (AM): pesquisadora e ativista, doutora em linguística pela UnB; primeira professora indígena a ingressar no corpo docente da UnB;</li>
<li>Sueli Maxakali (MG): professora, cineasta e liderança indígena;</li>
<li>Anari Pataxó (BA): membro do Grupo de Pesquisadores Pataxó Atxohã.</li>
</ul>
<p style="text-align: left; "> </p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "> </p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; "><strong>Tarde - Aula 6: Nossos caminhos: finalização do curso</strong><br /><i>Coordenadoras: Sandra Benites, Francy Baniwa e Arissana Pataxó</i></p>
<p dir="ltr" style="text-align: left; ">Sinopse - Neste momento de finalização e partilhas coletivas, haverá também a apresentação de relatos críticos feitos por estudantes de pós-graduação, que trarão suas impressões, elaborações e considerações sobre o ciclo.</p>
<p dir="ltr" style="text-align: right; "><i><span class="discreet">Foto: Leonor Calasans/IEA-USP</span></i></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Indígenas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mulheres</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2024-08-09T16:50:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/eventos-gerais/tardes-cariocas-a-usp-ouve-o-rio-de-janeiro-desmilitarizar-as-policias-e-revolucionar-a-arquitetura-institucional-da-seguranca-publica-uma-agenda-democratica-para-o-brasil">
    <title>Tardes Cariocas - A USP ouve o Rio de Janeiro:  Desmilitarizar as Polícias e Revolucionar a Arquitetura Institucional da Segurança Pública: uma Agenda Democrática para o Brasil</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/eventos-gerais/tardes-cariocas-a-usp-ouve-o-rio-de-janeiro-desmilitarizar-as-policias-e-revolucionar-a-arquitetura-institucional-da-seguranca-publica-uma-agenda-democratica-para-o-brasil</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>"Tardes Cariocas no IEA - A USP ouve o Rio de Janeiro" <span>será um  ciclo de palestras no qual o Instituto irá trazer notáveis cientistas  sociais do Rio de Janeiro para  discutir e aproximar mais a reflexão que  se faz nas duas principais cidades do País.</span></p>
<p>Esta segunda palestra será proferida por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/luiz-eduardo-soares" class="external-link">Luiz Eduardo Soares</a>:</p>
<p>A sociedade e o Estado transformaram-se, em escala significativa, desde a promulgação da Constituição, em 1988, mas não estenderam à segurança pública a transição democrática. Quais as razões desse atavismo autoritário para o qual concorreram as mais diversas forças políticas, à direita e à esquerda? Por que nunca houve –pelo menos até junho de 2013—um projeto de esquerda, vocalizado por partidos e entidades civis, para a mudança das polícias e a reestruturação institucional da segurança? Que ideologias e teorias se misturam e neutralizam na babel dos debates públicos sobre violência, crime, castigo, repressão e prevenção? O que as esquerdas pensam sobre punição, privação de liberdade e política criminal, especialmente aquela relativa a drogas? Essas questões são relevantes, porque não haverá efetiva democracia no Brasil enquanto persistirem a violência letal do Estado contra negros e pobres (amplamente consentida, politicamente autorizada, institucionalmente abençoada e ostensivamente praticada) e a desigualdade no acesso à Justiça. Em síntese: o coração da democracia esteve à margem da agenda política democrática. Por que esse paradoxo não foi percebido como um escândalo? Creio que boas respostas a essas perguntas podem nos ajudar a conhecer melhor o Brasil e a livrar-nos da inércia que faz vítimas todos os dias.</p>
<p>O ciclo é gratuito e aberto ao público e está sob a coordenação do professor <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pesquisadores-e-expositores/renato-janine-ribeiro" class="external-link">Renato Janine Ribeiro</a>.</p>
<p>O evento será transmitido ao vivo, pela <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/aovivo" class="external-link">web</a>.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Brasil</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direitos humanos</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Violência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Justiça</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cidades</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Direito</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-09-28T11:34:14Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/sincretika-exploracoes-etnograficas-sobre-artes-contemporaneas-16-de-abril-de-2014">
    <title>Sincrétika - Explorações Etnográficas sobre Artes Contemporâneas - 16 de abril de 2014</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/sincretika-exploracoes-etnograficas-sobre-artes-contemporaneas-16-de-abril-de-2014</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arte</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Abstração</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Etnologia</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-04-16T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/seminario-debate-diferentes-manifestacoes-e-nuances-do-colonialismo">
    <title>Seminário debate diferentes manifestações e nuances do colonialismo</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/seminario-debate-diferentes-manifestacoes-e-nuances-do-colonialismo</link>
    <description>O IEA-USP e LINTT do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP realizarão o evento "As Faces do Colonialismo: Diferentes Tempos, Lugares e Conjunturas", entre os dias 20 e 22 de março, das 9h30 do dia 20 até as 12h do dia 22.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-83055888-7fff-9dfd-7175-a747bd384fec"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/faces-do-colonialismo/image" alt="Faces do colonialismo" title="Faces do colonialismo" height="333" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Obra de Jean-Baptiste Debret: Interior de uma casa cigana</dd>
</dl>Em 2019, ainda existem 61 territórios colonizados no mundo. Poucos países ainda exercem dominação política, econômica, social e/ou ideológica de alguns coletivos humanos. Em escalas diferentes do que se via no passado, são explorados recursos humanos e naturais. As colônias mudaram, mas as discussões sobre o tema não estão esgotadas.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Para contribuir com este debate sobre o colonialismo em suas mais diferentes manifestações e nuances, o IEA-USP e o </span><a href="http://www.vmptbr.mae.usp.br/pesquisa/st/26/laboratorio-de-estudos-interdisciplinares-sobre-tecnologia-e-territorio.html"><span>Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Tecnologia e Território</span></a><span> (LINTT) do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP realizarão o evento </span><span><i>As Faces do Colonialismo: Diferentes Tempos, Lugares e Conjunturas</i></span><span>. O seminário será realizado entre os dias </span><span><strong>20 e 22 de março</strong></span><span>, das 9h30 às 17h30 nos dias 20 e 21 e até as 12h no dia 22. Para participar presencialmente é necessário se </span><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdL3adCzgZVjHlCH1t5N78Sv1OvWokwuRw4GROj3-tBibF-Og/viewform"><span>inscrever</span></a><span>. Haverá também uma transmissão </span><a href="https://www.iea.usp.br/aovivo"><span>ao vivo</span></a><span> pelo site do IEA, que não demanda inscrição prévia.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Com exposições de profissionais de diferentes áreas do conhecimento e debates com o público presente, o seminário tratará dos seguintes temas:</span></p>
<p dir="ltr"><span><span> </span></span><span>•   As especificidades históricas e locais do colonialismo;<br /></span>•   Os modos de interação entre colonizados e colonizadores;<br />•   As formas de resistência e agentividade dos povos colonizados no decorrer dos processos colonialistas;<br />•   A problematização de categorias como colonizado e colonizador;<br />•   Os efeitos e as faces do colonialismo ao longo do tempo e nos dias atuais.</p>
<p>A coordenação do encontro será feita por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaf/fabiola-andrea-silva"><span>Fabíola Andréa Silva</span></a>, professora que participou do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico" class="external-link">Programa Ano Sabático</a> em 2018 e pesquisadora do MAE-USP e membro do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-de-pesquisa/grupo-de-pesquisa-tempo-memoria-e-pertencimento"><span>Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento</span></a> do IEA. Além de Fabíola, outros 11 especialistas de diferentes áreas conduzirão exposições no seminário. Veja a programação completa abaixo.</p>
<table class="invisible">
<tbody>
<tr>
<td><strong>20 de março</strong></td>
<td><strong>Sala Alfredo Bosi</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>9h30</td>
<td><i>Abertura</i></td>
</tr>
<tr>
<td>9h40</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/maria-beatriz-borba-florenzano" class="external-link">Beatriz Florenzano</a> (Labeca)<br />
<div id="_mcePaste"><i>Tradições políticas gregas entre os sículos na Sicília central do século V a.C.: Ducetio</i></div>
<div id="_mcePaste"><i>líder sículo ou tirano grego?</i></div>
</td>
</tr>
<tr>
<td>10h20</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/vagner-carvalheiro-porto" class="external-link">Vagner Porto</a><span> (Larp)<br /><span><i>Discutindo a presença romana na Palestina e na Judeia sob a ótica do colonialismo</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>11h</td>
<td><i>Debate</i></td>
</tr>
<tr>
<td>12h</td>
<td><i>Almoço</i></td>
</tr>
<tr>
<td>14h</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/viviana-lo-monaco" class="external-link">Viviana Lo Monaco</a><span> (Labeca)<br /><span><i>A interação entre gregos e não-gregos no interior da Sicília antiga (VI-IV séc. a.C.): o </i></span></span><span><i>que a palavra diz e o que a pedra desvela</i></span></td>
</tr>
<tr>
<td>14h40</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/lygia-ferreira-rocco" class="external-link">Lygia Rocco</a><span> (Larp)<br /><span><i>Colonialismo e a construção da visão orientalista nos estudos sobre a cidade islâmica</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>15h20</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaf/fabiola-andrea-silva" class="external-link">Fabíola Silva</a><span> (LINTT)<br /><span><i>Colonialismo e o debate sobre a noção de Antropoceno</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>16h</td>
<td><span><i>Debate</i></span></td>
</tr>
<tr>
<td>17h</td>
<td><i>Encerramento</i></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>21 de março</strong></td>
<td><strong>Auditório do IEA</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>9h30</td>
<td>Abertura</td>
</tr>
<tr>
<td>9h40</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/juliana-figueira-da-hora" class="external-link">Juliana Horta</a><span> (Labeca)<br /><span><i>A Trácia e os gregos: o problema da “colonização”</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>10h20</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/fabio-guaraldo-almeida" class="external-link">Fábio Guaraldo</a><span> (LINTT)<br /><span><i>Teoria e método para pensar a temporalidade da paisagem quilombola da ilha de Tinharé, a partir da perspectiva dos moradores da Vila Galeão</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>11h</td>
<td><i>Debate</i></td>
</tr>
<tr>
<td>12h</td>
<td><i>Almoço</i></td>
</tr>
<tr>
<td>14h</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/maria-isabel-dagostino-fleming" class="external-link">Maria Isabel Fleming</a><span> (Larp)<br /><span><i>Contatos e a manutenção de tradições no quadro provincial romano: a cerâmica culinária norte-africana e as relações com as demais categorias cerâmicas</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>14h40</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/meliam-vigano-gaspar" class="external-link">Meliam Gaspar</a><span> e </span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/igor-morais-mariano-rodrigues" class="external-link">Igor Rodrigues</a><span> (LINTT)<br /><span><i>Coleções etnográficas e arqueologia: uma relação pouco explorada</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>15h20</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/silvana-trombetta" class="external-link">Silvana Trombetta</a><span> (Larp)<br /><span><i>O Império em Roma e Roma no Império: a questão dos mosaicos provinciais</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>16h</td>
<td><span><i>Debate</i></span></td>
</tr>
<tr>
<td>17h</td>
<td><span><i>Encerramento</i></span></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>22 de março</strong></td>
<td><strong>Sala Alfredo Bosi</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>9h30</td>
<td><i>Abertura</i></td>
</tr>
<tr>
<td>9h40</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/juliana-freitas" class="external-link">Juliana Freitas</a><span> (LINTT)<br /><span><i>“O lugar certo é aqui”: paisagem e território no Alto Sertão Baiano, comunidade Cristina</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>10h20</td>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-cristina-nicolau-kormikiari-passos?searchterm=kormikia" class="external-link">Cristina Kormikiari</a><span> (Labeca)<br /><span><i>O Norte da África: terra de ninguém ou terra de todos? Da Antiguidade à Modernidade</i></span></span></td>
</tr>
<tr>
<td>11h</td>
<td><i>Debate</i></td>
</tr>
<tr>
<td>12h</td>
<td><i>Encerramento</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span> </span></p>
<hr />
<p><span id="docs-internal-guid-1144adb5-7fff-1772-7ec7-ae596efc6aa4"><i> </i></span></p>
<p dir="ltr"><i><span><strong>As Faces do Colonialismo: Diferentes Tempos, Lugares e Conjunturas</strong><br /></span>20 a 22 de março, <span>das 9h30 às 17h30 nos dias 20 e 21 e até as 12h no dia 22</span><br />Sala Alfredo Bosi e Auditório do IEA, Rua Praça do Relógio, 109, Cidade Universitária, São Paulo<br />Evento gratuito, com transmissão <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">ao vivo</a> pela internet<br />Para acompanhar presencialmente, é necessário se <a href="http://encurtador.com.br/dgoI8">inscrever<br /></a>Mais informações: Cláudia R. Pereira (<a href="mailto:clauregi@usp.br">clauregi@usp.br</a>); telefone (11) 3091-1686<br /><a href="https://www.iea.usp.br/eventos/as-faces-do-colonialismo-">Página do evento</a></i></p>
<div></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Victor Matioli</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Arqueologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Interdisciplinaridade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Etnologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2019-03-08T13:25:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/revista-112-amazonia-e-antropoceno">
    <title>Revista "Estudos Avançados" apresenta a contraposição dos povos da Amazônia ao Antropoceno</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/revista-112-amazonia-e-antropoceno</link>
    <description>Edição 112 da revista Estudos Avançados, lançada este mês, traz o dossiê "A Amazônia contra o Antropoceno", com 10 artigos. Outras seções tratam de mudanças climáticas, do filósofo Hans Jonas e de temas relacionados à cidade de São Paulo.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-revista-estudos-avancados-112" alt="Capa da revista Estudos Avançados 112" class="image-right" title="Capa da revista Estudos Avançados 112" /></p>
<p>Os estudos e ensaios do dossiê "<a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n112/">A Amazônia contra o Antropoceno</a>" da edição 112 da revista "Estudos Avançados", lançada este mês, "evidenciam a complexidade das relações entre natureza e cultura e destacam as vozes daqueles frequentemente silenciados em narrativas coloniais e oficiais", segundo o editor da publicação, o sociólogo Sérgio Adorno, conselheiro do IEA. Os artigos estão disponíveis para download gratuito na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n112/">SciELO</a>.</p>
<p>"Cenários recorrentes de espoliação territorial dos povos indígenas, quilombolas, dos povos e comunidades tradicionais têm estimulado a busca de uma identidade política comum e a implementação de ações voltadas para a conservação ambiental e para a defesa dos direitos coletivos do território, o que leva à formulação de uma arqueologia de resistência no Antropoceno", afirma.</p>
<p><strong>Coexistência</strong></p>
<p>Com dez trabalhos de autoria de pesquisadores de universidades e instituto brasileiros e estrangeiros, a maioria de instituições do Pará e do Amazonas, o dossiê inicia com o artigo “Amazônia em simbiose: marcas de humanidades que enfrentam o Antropoceno”, de um antropólogo e três arqueólogos da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que propõem uma discussão crítica sobre algumas definições do Antropoceno. De acordo com eles, as marcas indígenas na floresta amazônica são resultado de formas de coexistências entre os humanos e a paisagem que contrastam com as novas marcas do Antropoceno.</p>
<p>“Se as aldeias, terreiros, caminhos, roças e demais lugares promovidos pelos povos amazônicos projetam conexões entre espécies, coletivos humanos, formas políticas, línguas, tecnologias e cosmovisões em fluxos de interação constante, as iniciativas ocidentais desenvolvem desconexões entre pessoas, territórios, culturas, e interrompem múltiplos fluxos interespécies.”</p>
<p>No entanto, eles destacam que os critérios de identificação do Antropoceno estão sendo construídos a partir de parâmetros excepcionalistas e universalistas, ao passo que “a ‘terra-floresta’ não emerge como um lugar passivo” onde incidem os impactos da nova época geológica. “Fazendo valer a sua diferença nos modos de habitar a terra, humanos e mais-que-humanos na Amazônia enfrentam o Antropoceno.”</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><i>Versões da edição</i></h3>
<p><i>A versão online (gratuita) da edição 112 da revista Estudos Avançados está na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n112/" target="_blank">Scientific Eletronic Library Online (SciELO)</a>. A versão impressa estará à venda em breve por R$ 40,00. Os interessados em comprar/reservar um exemplar ou fazer uma assinatura anual (três edições por R$ 100,00) devem enviar mensagem para <a class="mail-link" href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a>.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A tese é reforçada no texto seguinte, “Arqueologia dos povos da floresta”, de outros dois pesquisadores da Ufopa. Para eles, o Antropoceno, entendido a partir do mercantilismo e colonialismo ou da emergência do Capitalismo industrial, tem sido possibilitado pela “espoliação de territórios tradicionalmente ocupados, transformados em locais de extração de matérias-primas e força de trabalho. Portanto, as resistências contracoloniais dos povos da floresta, através da defesa de seus territórios e modos de vida, são exemplos de uma ‘Amazônia contra o Antropoceno’”.</p>
<p>Os autores afirmam que a arqueologia, ao trazer entendimento histórico a partir dos vestígios materiais, “apresenta-se como uma poderosa ferramenta para contar a história desses povos, a qual “sempre foi escrita a partir de documentos produzidos por pessoas externas”. No artigo, procuram demonstrar que a Amazônia é uma teia de interações socioecológicas, como resultado da domesticação de paisagens e de populações de espécies.</p>
<p><strong>Paisagens</strong></p>
<p>A domesticação das paisagens é justamente o tema de artigo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Instituto Juruá e Unicamp. Eles comentam que na imaginação popular a Amazônia é um bioma natural, o que “nega a existência e agência dos povos indígenas, que chegaram há pelo menos 13 mil anos”. Esse mito da virgindade da floresta acaba tendo reflexos em políticas públicas de conservação e desenvolvimento regional, observam.</p>
<p>Os pesquisadores explicam que os povos indígenas combinam horticultura e domesticação de paisagens, bem como sedentarismo e mobilidade. Segundo eles, é amplamente aceita a hipótese de que as paisagens mais intensamente domesticadas são mais comuns onde as populações indígenas foram maiores, ao longo dos rios, por exemplo.</p>
<p>Quanto ao debate sobre a domesticação nas áreas entre rios, afirmam que a objeção a que isso tenha acontecido deve-se à falta de evidências nessas regiões, pelo fato de os estudos serem feitos sobretudo em áreas próximas a grandes rios devido à facilidade de acesso, além da suposição que povos com alta mobilidade não domesticaram paisagens intensamente, tese que eles demonstram no artigo ser um erro.</p>
<p><strong>Produção alimentar</strong></p>
<p>O dossiê também trata de aspectos específicos das culturas indígenas, como as técnicas de produção alimentar. O tema é abordado em texto de antropólogos da Ufam e da UFSC. Construída ao longo do tempo e conectada às formulações cosmológicas, a riqueza de técnicas de preparo e consumo de alimentos “foi e é empregada nas transformações de plantas de modo amplo, cultivadas ou não, domesticadas ou silvestres, da agricultura ou da coleta, nativas ou exóticas, da roça, da floresta ou da capoeira”, dizem.</p>
<p>O estudo trata de três espécies vegetais (açaí, batata mairá e umari), observando os modos de obtenção de ingredientes fundamentais (a goma e a massa) ou a alteração do estado da matéria vegetal (defumação, fermentação). Compreendidos “como uma cosmotécnica, os modos de transformar os vegetais são um exemplo cabal de práticas antiantropocênicas, uma vez que sua orientação se assenta numa episteme indígena equiestatutária entre as espécies e outros sujeitos habitantes da Terra”.</p>
<p>Uma autonomia contracolonial ante o capitaloceno. Assim dois pesquisadores, um da UnB e outro da Universidade de Lancaster, Reino Unidade, definem em seu artigo o movimento indígena no Baixo Tapajós. Essa autonomia contracolonial manifesta-se, segundo eles, no cultivo da mandioca, cosmovisão e auto-organização política. O foco do artigo está no povo tupinambá. Para tratar do problema dos conflitos entre indígenas e não-indígenas, os pesquisadores propõem quatro possibilidades: uma nova abordagem universal para o reconhecimento; a ideia de universalidade insurgente; a ideia de terras tradicionalmente ocupadas; e territórios de uso comum.</p>
<p>Arqueólogos da USP, da Ufopa, Instituto Max Planck (Alemanha) e Universidade de Exeter (Reino Unido) apresentam resultados de pesquisa a partir de dados de quatro regiões da Amazônia: 1) os geoglifos do Acre; 2) os campos elevados da Guiana Francesa; 3) as terras pretas do Baixo Rio Tapajós; e 4) os sítios zanja (conjuntos de valas)<i> </i>de Iténez, Bolívia. O trabalho procurou responder a várias questões pendentes sobre a natureza do Antropoceno, entre as quais o papel do desmatamento nas práticas indígenas no passado, em que medida as terras pretas foram produzidas para cultivo e em que medida a floresta amazônica teria se recuperado depois do colapso demográfico.</p>
<p>Segundo os autores, o período iniciado há 4,5 mil anos “marcou uma das transformações ambientais de maior escala, com um aumento abrupto a partir de 2 mil anos atrás. Para eles, considerar esse segundo período como o início de um Antropoceno amazônico “é um tópico aberto ao debate”. Entretanto, afirmam que os dados paleoecológicos sugerem que tais transformações, em vez de causar rupturas negativas com os ecossistemas já existentes, conseguiram manter serviços ecossistêmicos vitais através da manutenção da cobertura vegetal, com a construção de novas relações entre as pessoas e os outros seres da floresta. Todavia, eles ressalvam que em várias regiões da Amazônia, os impactos antrópicos mais intensos e destrutivos aconteceram após a invasão europeia, especialmente durante o século 20.</p>
<p><strong>Aspectos cosmológicos</strong></p>
<p>Dois cientistas sociais da Ufes são os autores de trabalho sobre questões relativas ao Antropoceno a partir das epistemologias e ontologias indígenas, que “desordenam”, segundo eles, “os entendimentos não indígenas sobre humanidade, natureza, sobrenatureza e, consequentemente, sobre vida, morte e extinção”.</p>
<p>O artigo concentra-se, a partir de uma perspectiva etnográfica, nos modos indígenas de pensar, habitar e transformar suas T/terras-florestas (notação referente à relação entre o consumo de recursos naturais e a capacidade de regeneração ambiental) por meio das relações com os seres outros que humanos, vivos e não vivos, reguladas por uma série de precauções. A hipótese dos pesquisadores é que o parentesco multiespecífico permite compreender tanto a criação e a sustentabilidade da fertilidade/ vitalidade da T/terra-floresta<i> </i>e de suas redes coexistenciais, quanto sua depredação/extinção em termos de ruptura das relações entre os seres por meio do afastamento e do abandono, configurando o que chamam de cosmopolíticas do cuidado.</p>
<p>Artigo de pós-graduando em antropologia da Ufam integrante do povo tuyuka apresenta a visão do território amazônico como tõkowiseri: “uma casa cerimonial que faz borbulhar a vida”. Essa visão, informa, provém das compreensões milenares das cosmovivências dos “especialistas (kumua, baya e yaiwa) que cuidam dos patamares cósmicos e todos os seus habitantes”.</p>
<p>Esses “especialistas” do noroeste amazônico, ante qualquer ação que vá afetar os habitantes de outra casa (floresta, água, ar etc.), pedem permissão através da realização de cerimônias rituais no intuito de obter frutas, peixes, caça e oferecer proteção, tranquilidade, compreensão e convites para a festa cerimonial, explica o autor.</p>
<p>Outro pesquisador indígena, da etnia waiwai, participa do dossiê com artigo sobre momentos que transformaram de forma significativa a trajetória de seu povo no Território Wayamu, entre os quais o contato com missionários. O autor também aborda sua descoberta da arqueologia e como isso possibilitou o reencontro com uma parte importante da história dos waiwai. Esse contato com a história o fez pensar na “necessidade de falar de uma arqueologia indígena e mudar um pouco do que vem sendo falado do passado da Amazônia”.</p>
<p>O dossiê é completado por uma resenha do livro “Sob os Tempos do Equinócio: Oito Mil Anos de História na Amazônia Central” (2022), do arqueólogo Eduardo Goés Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.</p>
<p><strong>Outras seções</strong></p>
<p>A edição traz ainda outros três conjuntos de artigos. O primeiro deles, “Mudanças Climáticas”, inclui análises sobre o desastre climático no Rio Grande do Sul este ano, a influência do desmatamento nos refúgios climáticos na Amazônia, os impactos das mudanças climáticas na sociobioeconomia amazônica e os efeitos das mudanças do clima na agropecuária.</p>
<p>Dois artigos compõem seção dedicada à obra do filósofo alemão Hans Jonas (1903-1993), um dos discípulos de Martin Heidegger (1889-1976), mas um crítico contundente da adesão deste ao nazismo.  Um dos textos trata da crítica de Jonas ao dualismo que levou à separação entre o ser humano e a natureza e como isso está na base da “onda de inovações no sistema agroalimentar atual, cuja fronteira tecnológica busca justamente emancipar a alimentação humana de sua dependência com relação ao solo, ao clima e aos animais”. O outro artigo discute a atualidade do pensamento de Jonas a partir dos três eixos que caracterizam suas preocupações filosóficas: a gnose, a vida e a relação entre tecnologia e ética.</p>
<p>O conjunto final de textos da edição traz três artigos complementares ao dossiê “Eleições Municipais em São Paulo: Problemas e Desafios”, publicado no <a href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n111/">número anterior</a> de Estudos Avançados. São artigos sobre o desempenho dos alunos do ensino fundamental da cidade e a gestão de políticas educacionais, os desafios para as políticas públicas de cultura paulistanas e uma discussão sobre o possível perfil de um eleitor ideal, que investigue as candidaturas de forma multifacetada e não apenas por um critério único.</p>
<h3><strong> 
<hr />
Sumário</strong></h3>
<p><strong>Amazônia contra o Antropoceno</strong></p>
<ul>
<li>Amazônia em simbiose: marcas de humanidades que enfrentam o Antropoceno - <i>Miguel Aparicio, Claide de Paula Moraes, Anne Rapp Py-Daniel e Eduardo Goes Neves</i></li>
<li>Arqueologia dos povos da floresta - <i>Vinicius Honorato e Bruna Rocha</i></li>
<li>Domesticação das paisagens amazônicas - <i>Charles Clement, Maria Julia Ferreira, Mariana Franco Cassino e Juliano Franco de Moraes</i></li>
<li>Culinária da floresta – técnicas indígenas na produção alimentar amazônica - <i>Gilton Mendes dos Santos e Lorena Franca</i></li>
<li>Tõkowiseri: cosmovivências kumuánicas, bayaroánicas e yaiwánicas - <i>Justino Sarmento Rezende</i></li>
<li>Autonomias contracoloniais frente ao Capitaloceno na Amazônia: o movimento indígena no Baixo Tapajós - <i>Raquel Tupinamba e James Fraser</i></li>
<li>Uma história de como os waiwai da Amazônia vêm construindo e agora contando suas arqueologias - <i>Jaime Xamen Wai Wai</i></li>
<li>O que os dados paleoecológicos nos dizem sobre o Antropoceno na Amazônia? - <i>Jennifer Watling, Yoshi Maezumi, Myrtle Shock e Jose Iriarte</i></li>
<li>Parentesco com a terra e as cosmopolíticas indígenas do cuidado - <i>Ana Gabriela Morim de Lima e Nicole Soares-Pinto</i></li>
<li>Arqueologia para viver o futuro (resenha) - <i>Marcia Bezerra</i></li>
</ul>
<p><strong>Mudancas climaticas</strong></p>
<ul>
<li>O maior desastre climático do Brasil: chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul em abril-maio 2024 - <i>Jose Marengo et al.</i></li>
<li>Desmatamento restringe refúgios climáticos na Amazônia - <i>Calil Torres-Amaral, Luciano Jorge Serejo dos Anjo, Everaldo Barreiros de Souza e Ima Celia Guimaraes Vieira</i></li>
<li>Impactos das mudanças climáticas na sociobioeconomia da Amazônia - <i>Diego Oliveira Brandao, Julia Arieira e Carlos Nobre</i></li>
<li>Mudanças do clima e agropecuária: impactos, mitigação e adaptação. Desafios e oportunidades - <i>Eduardo Delgado Assad e Maria Leonor Ribeiro Casimiro Lopes Assad</i></li>
</ul>
<p><strong>Hans Jonas</strong></p>
<ul>
<li>O sistema agroalimentar à luz da biologia filosófica de Hans Jonas - <i>Ricardo Abramovay</i></li>
<li>Hans Jonas, um filósofo do nosso tempo - <i>Jelson Oliveira</i></li>
</ul>
<p><strong>Eleições municipais em São Paulo: problemas e desafios II</strong></p>
<ul>
<li>A questão da educação básica no município de São Paulo - <i>Bernardete Gatti</i></li>
<li>Desafios contemporâneos para as políticas - públicas de cultura na cidade de São Paulo - <i>Lia Calabre e Ana Paula do Val</i></li>
<li>Como ser um eleitor exigente e um candidato ideal - <i>Marcos Buckeridge e Arlindo Philippi Junior</i></li>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Ciências Ambientais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arqueologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropoceno</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Indígenas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revistas IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Biodiversidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2024-11-29T15:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/revista/lancamentos/revista-112-amazonia-e-antropoceno">
    <title>Revista "Estudos Avançados" apresenta a contraposição dos povos da Amazônia ao Antropoceno</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/revista/lancamentos/revista-112-amazonia-e-antropoceno</link>
    <description>Edição 112 da revista Estudos Avançados, lançada este mês, traz o dossiê "A Amazônia contra o Antropoceno", com 10 artigos. Outras seções tratam de mudanças climáticas, do filósofo Hans Jonas e de temas relacionados à cidade de São Paulo.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-revista-estudos-avancados-112" alt="Capa da revista Estudos Avançados 112" class="image-right" title="Capa da revista Estudos Avançados 112" /></p>
<p>Os estudos e ensaios do dossiê "<a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n112/">A Amazônia contra o Antropoceno</a>" da edição 112 da revista "Estudos Avançados", lançada este mês, "evidenciam a complexidade das relações entre natureza e cultura e destacam as vozes daqueles frequentemente silenciados em narrativas coloniais e oficiais", segundo o editor da publicação, o sociólogo Sérgio Adorno, conselheiro do IEA. Os artigos estão disponíveis para download gratuito na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n112/">SciELO</a>.</p>
<p>"Cenários recorrentes de espoliação territorial dos povos indígenas, quilombolas, dos povos e comunidades tradicionais têm estimulado a busca de uma identidade política comum e a implementação de ações voltadas para a conservação ambiental e para a defesa dos direitos coletivos do território, o que leva à formulação de uma arqueologia de resistência no Antropoceno", afirma.</p>
<p><strong>Coexistência</strong></p>
<p>Com dez trabalhos de autoria de pesquisadores de universidades e instituto brasileiros e estrangeiros, a maioria de instituições do Pará e do Amazonas, o dossiê inicia com o artigo “Amazônia em simbiose: marcas de humanidades que enfrentam o Antropoceno”, de um antropólogo e três arqueólogos da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que propõem uma discussão crítica sobre algumas definições do Antropoceno. De acordo com eles, as marcas indígenas na floresta amazônica são resultado de formas de coexistências entre os humanos e a paisagem que contrastam com as novas marcas do Antropoceno.</p>
<p>“Se as aldeias, terreiros, caminhos, roças e demais lugares promovidos pelos povos amazônicos projetam conexões entre espécies, coletivos humanos, formas políticas, línguas, tecnologias e cosmovisões em fluxos de interação constante, as iniciativas ocidentais desenvolvem desconexões entre pessoas, territórios, culturas, e interrompem múltiplos fluxos interespécies.”</p>
<p>No entanto, eles destacam que os critérios de identificação do Antropoceno estão sendo construídos a partir de parâmetros excepcionalistas e universalistas, ao passo que “a ‘terra-floresta’ não emerge como um lugar passivo” onde incidem os impactos da nova época geológica. “Fazendo valer a sua diferença nos modos de habitar a terra, humanos e mais-que-humanos na Amazônia enfrentam o Antropoceno.”</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
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<h3><i>Versões da edição</i></h3>
<p><i>A versão online (gratuita) da edição 112 da revista Estudos Avançados está na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n112/" target="_blank">Scientific Eletronic Library Online (SciELO)</a>. A versão impressa estará à venda em breve por R$ 40,00. Os interessados em comprar/reservar um exemplar ou fazer uma assinatura anual (três edições por R$ 100,00) devem enviar mensagem para <a class="mail-link" href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a>.</i></p>
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<p>A tese é reforçada no texto seguinte, “Arqueologia dos povos da floresta”, de outros dois pesquisadores da Ufopa. Para eles, o Antropoceno, entendido a partir do mercantilismo e colonialismo ou da emergência do Capitalismo industrial, tem sido possibilitado pela “espoliação de territórios tradicionalmente ocupados, transformados em locais de extração de matérias-primas e força de trabalho. Portanto, as resistências contracoloniais dos povos da floresta, através da defesa de seus territórios e modos de vida, são exemplos de uma ‘Amazônia contra o Antropoceno’”.</p>
<p>Os autores afirmam que a arqueologia, ao trazer entendimento histórico a partir dos vestígios materiais, “apresenta-se como uma poderosa ferramenta para contar a história desses povos, a qual “sempre foi escrita a partir de documentos produzidos por pessoas externas”. No artigo, procuram demonstrar que a Amazônia é uma teia de interações socioecológicas, como resultado da domesticação de paisagens e de populações de espécies.</p>
<p><strong>Paisagens</strong></p>
<p>A domesticação das paisagens é justamente o tema de artigo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Instituto Juruá e Unicamp. Eles comentam que na imaginação popular a Amazônia é um bioma natural, o que “nega a existência e agência dos povos indígenas, que chegaram há pelo menos 13 mil anos”. Esse mito da virgindade da floresta acaba tendo reflexos em políticas públicas de conservação e desenvolvimento regional, observam.</p>
<p>Os pesquisadores explicam que os povos indígenas combinam horticultura e domesticação de paisagens, bem como sedentarismo e mobilidade. Segundo eles, é amplamente aceita a hipótese de que as paisagens mais intensamente domesticadas são mais comuns onde as populações indígenas foram maiores, ao longo dos rios, por exemplo.</p>
<p>Quanto ao debate sobre a domesticação nas áreas entre rios, afirmam que a objeção a que isso tenha acontecido deve-se à falta de evidências nessas regiões, pelo fato de os estudos serem feitos sobretudo em áreas próximas a grandes rios devido à facilidade de acesso, além da suposição que povos com alta mobilidade não domesticaram paisagens intensamente, tese que eles demonstram no artigo ser um erro.</p>
<p><strong>Produção alimentar</strong></p>
<p>O dossiê também trata de aspectos específicos das culturas indígenas, como as técnicas de produção alimentar. O tema é abordado em texto de antropólogos da Ufam e da UFSC. Construída ao longo do tempo e conectada às formulações cosmológicas, a riqueza de técnicas de preparo e consumo de alimentos “foi e é empregada nas transformações de plantas de modo amplo, cultivadas ou não, domesticadas ou silvestres, da agricultura ou da coleta, nativas ou exóticas, da roça, da floresta ou da capoeira”, dizem.</p>
<p>O estudo trata de três espécies vegetais (açaí, batata mairá e umari), observando os modos de obtenção de ingredientes fundamentais (a goma e a massa) ou a alteração do estado da matéria vegetal (defumação, fermentação). Compreendidos “como uma cosmotécnica, os modos de transformar os vegetais são um exemplo cabal de práticas antiantropocênicas, uma vez que sua orientação se assenta numa episteme indígena equiestatutária entre as espécies e outros sujeitos habitantes da Terra”.</p>
<p>Uma autonomia contracolonial ante o capitaloceno. Assim dois pesquisadores, um da UnB e outro da Universidade de Lancaster, Reino Unidade, definem em seu artigo o movimento indígena no Baixo Tapajós. Essa autonomia contracolonial manifesta-se, segundo eles, no cultivo da mandioca, cosmovisão e auto-organização política. O foco do artigo está no povo tupinambá. Para tratar do problema dos conflitos entre indígenas e não-indígenas, os pesquisadores propõem quatro possibilidades: uma nova abordagem universal para o reconhecimento; a ideia de universalidade insurgente; a ideia de terras tradicionalmente ocupadas; e territórios de uso comum.</p>
<p>Arqueólogos da USP, da Ufopa, Instituto Max Planck (Alemanha) e Universidade de Exeter (Reino Unido) apresentam resultados de pesquisa a partir de dados de quatro regiões da Amazônia: 1) os geoglifos do Acre; 2) os campos elevados da Guiana Francesa; 3) as terras pretas do Baixo Rio Tapajós; e 4) os sítios zanja (conjuntos de valas)<i> </i>de Iténez, Bolívia. O trabalho procurou responder a várias questões pendentes sobre a natureza do Antropoceno, entre as quais o papel do desmatamento nas práticas indígenas no passado, em que medida as terras pretas foram produzidas para cultivo e em que medida a floresta amazônica teria se recuperado depois do colapso demográfico.</p>
<p>Segundo os autores, o período iniciado há 4,5 mil anos “marcou uma das transformações ambientais de maior escala, com um aumento abrupto a partir de 2 mil anos atrás. Para eles, considerar esse segundo período como o início de um Antropoceno amazônico “é um tópico aberto ao debate”. Entretanto, afirmam que os dados paleoecológicos sugerem que tais transformações, em vez de causar rupturas negativas com os ecossistemas já existentes, conseguiram manter serviços ecossistêmicos vitais através da manutenção da cobertura vegetal, com a construção de novas relações entre as pessoas e os outros seres da floresta. Todavia, eles ressalvam que em várias regiões da Amazônia, os impactos antrópicos mais intensos e destrutivos aconteceram após a invasão europeia, especialmente durante o século 20.</p>
<p><strong>Aspectos cosmológicos</strong></p>
<p>Dois cientistas sociais da Ufes são os autores de trabalho sobre questões relativas ao Antropoceno a partir das epistemologias e ontologias indígenas, que “desordenam”, segundo eles, “os entendimentos não indígenas sobre humanidade, natureza, sobrenatureza e, consequentemente, sobre vida, morte e extinção”.</p>
<p>O artigo concentra-se, a partir de uma perspectiva etnográfica, nos modos indígenas de pensar, habitar e transformar suas T/terras-florestas (notação referente à relação entre o consumo de recursos naturais e a capacidade de regeneração ambiental) por meio das relações com os seres outros que humanos, vivos e não vivos, reguladas por uma série de precauções. A hipótese dos pesquisadores é que o parentesco multiespecífico permite compreender tanto a criação e a sustentabilidade da fertilidade/ vitalidade da T/terra-floresta<i> </i>e de suas redes coexistenciais, quanto sua depredação/extinção em termos de ruptura das relações entre os seres por meio do afastamento e do abandono, configurando o que chamam de cosmopolíticas do cuidado.</p>
<p>Artigo de pós-graduando em antropologia da Ufam integrante do povo tuyuka apresenta a visão do território amazônico como tõkowiseri: “uma casa cerimonial que faz borbulhar a vida”. Essa visão, informa, provém das compreensões milenares das cosmovivências dos “especialistas (kumua, baya e yaiwa) que cuidam dos patamares cósmicos e todos os seus habitantes”.</p>
<p>Esses “especialistas” do noroeste amazônico, ante qualquer ação que vá afetar os habitantes de outra casa (floresta, água, ar etc.), pedem permissão através da realização de cerimônias rituais no intuito de obter frutas, peixes, caça e oferecer proteção, tranquilidade, compreensão e convites para a festa cerimonial, explica o autor.</p>
<p>Outro pesquisador indígena, da etnia waiwai, participa do dossiê com artigo sobre momentos que transformaram de forma significativa a trajetória de seu povo no Território Wayamu, entre os quais o contato com missionários. O autor também aborda sua descoberta da arqueologia e como isso possibilitou o reencontro com uma parte importante da história dos waiwai. Esse contato com a história o fez pensar na “necessidade de falar de uma arqueologia indígena e mudar um pouco do que vem sendo falado do passado da Amazônia”.</p>
<p>O dossiê é completado por uma resenha do livro “Sob os Tempos do Equinócio: Oito Mil Anos de História na Amazônia Central” (2022), do arqueólogo Eduardo Goés Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.</p>
<p><strong>Outras seções</strong></p>
<p>A edição traz ainda outros três conjuntos de artigos. O primeiro deles, “Mudanças Climáticas”, inclui análises sobre o desastre climático no Rio Grande do Sul este ano, a influência do desmatamento nos refúgios climáticos na Amazônia, os impactos das mudanças climáticas na sociobioeconomia amazônica e os efeitos das mudanças do clima na agropecuária.</p>
<p>Dois artigos compõem seção dedicada à obra do filósofo alemão Hans Jonas (1903-1993), um dos discípulos de Martin Heidegger (1889-1976), mas um crítico contundente da adesão deste ao nazismo.  Um dos textos trata da crítica de Jonas ao dualismo que levou à separação entre o ser humano e a natureza e como isso está na base da “onda de inovações no sistema agroalimentar atual, cuja fronteira tecnológica busca justamente emancipar a alimentação humana de sua dependência com relação ao solo, ao clima e aos animais”. O outro artigo discute a atualidade do pensamento de Jonas a partir dos três eixos que caracterizam suas preocupações filosóficas: a gnose, a vida e a relação entre tecnologia e ética.</p>
<p>O conjunto final de textos da edição traz três artigos complementares ao dossiê “Eleições Municipais em São Paulo: Problemas e Desafios”, publicado no <a href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2024.v38n111/">número anterior</a> de Estudos Avançados. São artigos sobre o desempenho dos alunos do ensino fundamental da cidade e a gestão de políticas educacionais, os desafios para as políticas públicas de cultura paulistanas e uma discussão sobre o possível perfil de um eleitor ideal, que investigue as candidaturas de forma multifacetada e não apenas por um critério único.</p>
<h3><strong> 
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Sumário</strong></h3>
<p><strong>Amazônia contra o Antropoceno</strong></p>
<ul>
<li>Amazônia em simbiose: marcas de humanidades que enfrentam o Antropoceno - <i>Miguel Aparicio, Claide de Paula Moraes, Anne Rapp Py-Daniel e Eduardo Goes Neves</i></li>
<li>Arqueologia dos povos da floresta - <i>Vinicius Honorato e Bruna Rocha</i></li>
<li>Domesticação das paisagens amazônicas - <i>Charles Clement, Maria Julia Ferreira, Mariana Franco Cassino e Juliano Franco de Moraes</i></li>
<li>Culinária da floresta – técnicas indígenas na produção alimentar amazônica - <i>Gilton Mendes dos Santos e Lorena Franca</i></li>
<li>Tõkowiseri: cosmovivências kumuánicas, bayaroánicas e yaiwánicas - <i>Justino Sarmento Rezende</i></li>
<li>Autonomias contracoloniais frente ao Capitaloceno na Amazônia: o movimento indígena no Baixo Tapajós - <i>Raquel Tupinamba e James Fraser</i></li>
<li>Uma história de como os waiwai da Amazônia vêm construindo e agora contando suas arqueologias - <i>Jaime Xamen Wai Wai</i></li>
<li>O que os dados paleoecológicos nos dizem sobre o Antropoceno na Amazônia? - <i>Jennifer Watling, Yoshi Maezumi, Myrtle Shock e Jose Iriarte</i></li>
<li>Parentesco com a terra e as cosmopolíticas indígenas do cuidado - <i>Ana Gabriela Morim de Lima e Nicole Soares-Pinto</i></li>
<li>Arqueologia para viver o futuro (resenha) - <i>Marcia Bezerra</i></li>
</ul>
<p><strong>Mudancas climaticas</strong></p>
<ul>
<li>O maior desastre climático do Brasil: chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul em abril-maio 2024 - <i>Jose Marengo et al.</i></li>
<li>Desmatamento restringe refúgios climáticos na Amazônia - <i>Calil Torres-Amaral, Luciano Jorge Serejo dos Anjo, Everaldo Barreiros de Souza e Ima Celia Guimaraes Vieira</i></li>
<li>Impactos das mudanças climáticas na sociobioeconomia da Amazônia - <i>Diego Oliveira Brandao, Julia Arieira e Carlos Nobre</i></li>
<li>Mudanças do clima e agropecuária: impactos, mitigação e adaptação. Desafios e oportunidades - <i>Eduardo Delgado Assad e Maria Leonor Ribeiro Casimiro Lopes Assad</i></li>
</ul>
<p><strong>Hans Jonas</strong></p>
<ul>
<li>O sistema agroalimentar à luz da biologia filosófica de Hans Jonas - <i>Ricardo Abramovay</i></li>
<li>Hans Jonas, um filósofo do nosso tempo - <i>Jelson Oliveira</i></li>
</ul>
<p><strong>Eleições municipais em São Paulo: problemas e desafios II</strong></p>
<ul>
<li>A questão da educação básica no município de São Paulo - <i>Bernardete Gatti</i></li>
<li>Desafios contemporâneos para as políticas - públicas de cultura na cidade de São Paulo - <i>Lia Calabre e Ana Paula do Val</i></li>
<li>Como ser um eleitor exigente e um candidato ideal - <i>Marcos Buckeridge e Arlindo Philippi Junior</i></li>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
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      <dc:subject>Ciências Ambientais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Arqueologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropoceno</dc:subject>
    
    
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      <dc:subject>Revistas IEA</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Biodiversidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    
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    <title>Refúgio, Retorno, E/Imigrações: Línguas, Identidades, Saúde Mental, Crenças, Território - 27 de novembro de 2015</title>
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    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Relações Internacionais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Migração</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa Diálogos Interculturais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Humanas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Globalização</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
    
    
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      <dc:subject>Inclusão Social</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-11-27T02:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
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