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  <title>Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo</title>
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            These are the search results for the query, showing results 61 to 75.
        
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/a-america-latina-dos-economistas-ciclo-tematico-18-de-agosto-de-2015-1">
    <title>A América Latina dos Economistas (Ciclo Temático) - 18 de agosto de 2015</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/a-america-latina-dos-economistas-ciclo-tematico-18-de-agosto-de-2015-1</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-08-18T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/a-america-latina-segundo-os-economistas">
    <title>A América Latina segundo os economistas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/a-america-latina-segundo-os-economistas</link>
    <description>O tema será discutido no terceiro encontro do ciclo "Identidades Latino-Americanas", que acontece no dia 18 de agosto, às 16 horas, na Sala de Eventos do IEA. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/america-latina-dos-economistas" alt="América Latina dos Economistas" class="image-left" title="América Latina dos Economistas" />O terceiro encontro do ciclo <i>Identidades Latino-Americanas</i> trará <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/ricardo-bielschowsky/view" class="external-link">Ricardo Bielschowsky</a>, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para falar sobre a <i>A América Latina dos Economistas</i>. O evento será realizado no <strong>dia 18 de agosto, às 16 horas</strong>, na Sala de Eventos do IEA.</p>
<p>Os debatedores serão <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/fabio-santos" class="external-link">Fabio Santos</a>, doutor em história econômica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e <a href="https://www.iea.usp.br/iea/marcio-bobik-braga" class="external-link">Márcio Bobik Braga</a>, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP. A coordenação estará a cargo do sociólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a>, idealizador do ciclo.</p>
<p>Bielschowsky fará uma síntese da evolução do pensamento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) — órgão criado pela ONU em 1948, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico da região e estimular a cooperação entre os países latino-americanos e as demais nações do mundo. Na avaliação do expositor, trata-se do "principal centro formulador de ideias sobre a América Latina desde sua fundação".</p>
<table class="tabela-direita-300-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>CICLO IDENTIDADES LATINO-AMERICANAS</strong></p>
<p><strong><strong>A América Latina dos Historiadores</strong><br /></strong><i>1º Encontro - 15 de abril de 2015</i></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/historiadores-e-america-latina" class="external-link">Historiadores divergem sobre a relevância do conceito de América Latina<br /></a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico-15-de-abril-de-2015" class="external-link">Fotos</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico" class="external-link">Vídeo<br /><br /></a></li>
</ul>
<p><strong>A América Latina dos Sociólogos</strong><br /><i>2º Encontro - 18 de junho de 2015</i></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/a-america-latina-dos-sociologos" class="external-link">A necessidade de revitalizar a teorização sociológica sobre a América Latina</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/identidades-latino-americanas-a-america-latina-dos-sociologos-18-de-junho-de-2015" class="external-link">Fotos</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/2015/identidades-latino-americanas-a-america-latina-dos-sociologos-ciclo-tematico" class="external-link">Vídeo</a></li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ele abordará as semelhanças e as diferenças entre as duas fases do pensamento da Cepal — a estruturalista, que vai até 1990, e a neo-estruturalista, que engloba as duas últimas décadas e meia — e apontará os problemas atuais da América Latina a partir do enfoque da Comissão nos dias de hoje.</p>
<p><strong><strong>CICLO<br /></strong></strong>O ciclo visa a compreender, a partir do olhar de diferentes disciplinas, como a ideia de América Latina foi e continua a ser construída e disseminada por cientistas sociais, intelectuais e artistas.</p>
<p>De acordo com Sorj, a ideia é refletir sobre as múltiplas conotações, vinculadas a projetos políticos, culturais e econômicos específicos, que a América Latina adquiriu ao longo do processo histórico.</p>
<p>"Quando as generalizações sobre América Latina enfatizam a unidade, descobrimos que elas desconhecem sua diversidade, mas também não podemos deixar de reconhecer que os ventos que sopram num país, embora encontrem no caminho geologias nacionais diversas, afetam com particular força o conjunto da região", destaca.</p>
<p>Os dois primeiros encontros aconteceram em abril e junho e discutiriam, respectivamente, a perspectiva dos historiadores e dos sociólogos sobre o tema. O último evento do ciclo, a ser realizado em novembro, abordará o ponto de vista da ciência política.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Luiz Baltar/Free Images</span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<hr />
<p><strong><i> A América Latina dos Economistas<br /></i></strong><strong><i>3º encontro do ciclo Identidades Latino-Americanas<br /></i></strong><i>18 de agosto, às 16 horas<br /></i><i>Sala de Eventos do IEA, rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo (<a href="https://www.iea.usp.br/iea/onde-estamos" class="external-link">localização</a>)<br /></i><i>Evento gratuito e aberto ao público, sem necessidade de inscrição – Transmissão ao vivo pela <a href="https://www.iea.usp.br/aovivo" class="external-link">web</a><br /></i><i>Informações: Sandra Sedini, telefone (11) 3091-1678 ou e-mail sedini@usp.br<br /></i><i>Ficha do evento: <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-economistas" class="external-link">www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-economistas</a></i></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Economia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Professores Visitantes</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-07-31T20:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/a-america-latina-dos-sociologos">
    <title>A necessidade de revitalizar a teorização sociológica sobre a América Latina</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/a-america-latina-dos-sociologos</link>
    <description>O segundo encontro do ciclo "Identidades Latino-Americanas" teve como tema "A América Latina dos Sociólogos" e aconteceu no dia 18 de junho. O expositor foi José Maurício Domingues, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Mesmo sem deixar de tratar das formulações teóricas sobre a América Latina feitas por sociólogos ou instituições, como no caso da teoria da dependência ou das contribuições da <a class="external-link" href="http://www.cepal.org/es">Cepal</a> e da <a class="external-link" href="http://www.flacso.org/">Flacso</a>, o encontro <i>A América Latina dos Sociólogos</i>, realizado no dia 18 de junho, dedicou boa parte dos debates à crise por que passam as ciências sociais e às dificuldades que isso ocasiona na reflexão sobre a região. No entanto, como disse o expositor do evento, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/jose-mauricio-domingues">José Maurício Domingues</a>, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), "ao procurar entender a modernização da América Latina, a própria sociologia participa da construção dessa modernização".</p>
<p>Além de Domingues como expositor, o evento teve debate de <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/adrian-gurza-lavalle">Adrian Gurza Lavalle</a>, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/simon-schwartzman" class="external-link">Simon Schwartzman</a>, <span style="text-align: justify; ">do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC)</span>.  A coordenação foi de <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj">Bernardo Sorj</a>, professor visitante do IEA, responsável pelo ciclo.</p>
<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/jose-mauricio-domingues-3" alt="José Maurício Domingues" class="image-inline" title="José Maurício Domingues" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>José Maurício Domingues, expositor</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>
<h3>Relacionado</h3>
<p>CICLO IDENTIDADES LATINO-AMERICANAS</p>
<p>A América Latina dos Sociólogos</p>
<p><i>18 de junho de 2015 </i></p>
<h3><strong>Midiateca</strong></h3>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2015/identidades-latino-americanas-a-america-latina-dos-sociologos-ciclo-tematico" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/identidades-latino-americanas-a-america-latina-dos-sociologos-18-de-junho-de-2015" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p><strong>Notícia</strong></p>
<ul>
<li>"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/america-latina-na-politica" class="external-link">A América Latina analisada sob o ponto de vista dos sociólogos</a>"</li>
</ul>
<p> </p>
<p>A AMÉRICA LATINA DOS HISTORIADORES</p>
<p><i>15 de abril de 2015 </i></p>
<p>Midiateca</p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico-15-de-abril-de-2015" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p><strong>Notícia</strong></p>
<ul>
<li>"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/america-latina-dos-historiadores" class="external-link">A ideia de América Latina dos historiadorres</a>"</li>
</ul>
</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Para Domingues, o primeiro conceito sobre a América Latina que ganhou muita expressão dizia respeito à transição para o capitalismo, "se tínhamos um capitalismo baseado na escravidão ou o que era afinal".</p>
<p>Ele disse que esse debate agora saiu de moda, pois a transição para a modernidade se completou, mas foi importante inclusive para motivar as teorias da dependência, cujo “grande produto foi o trabalho de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Falletto”.</p>
<p>Segundo ele, essa discussão articulou muitos debates na América Latina, entre os quais sobre a relação das classes sociais com a dependência e sobre os temas ligados às populações urbanas (caso da teoria da marginalidade, que trata do mundo agrário desarticulado levando a cidades enormes e com grandes contingentes não incorporados pelo mundo industrial).</p>
<p>Outro tema fundante para a discussão latino-americana é o populismo, segundo Domingues. Apesar de a palavra "ser usada como um abuso atualmente", o termo foi formulado de forma sistemática pelo sociólogo ítalo-argentino Gino Germani (1911-1979), que “tentava entender o peronismo como fenômeno político específico na transição das sociedades tradicionais para a modernidade”, explicou.</p>
<p>“Germani pensava numa sociedade onde as formas tradicionais se desarticulam sem que formas modernas assumam o lugar e acreditava que quando a sociedade argentina realmente se modernizasse não haveria mais lugar para o populismo.”</p>
<p>Domigues explicou que muitos autores latino-americanos incorporaram essa discussão do populismo e do nacional-popular, mas o conceito depois foi esquecido, voltando com força recentemente, mas não como teoria: “Quando se diz que o Chávez era um populista, o que se quer dizer exatamente? Que era um demagogo? O que quer dizer populismo de direita na Europa? Estamos usando isso para qualificar demagogos ou como conceito efetivamente explicativo, como uma categoria de análise?”</p>
<p>Ele destacou que as ditaduras militares reduziram bastante o intercâmbio dos sociólogos latino-americanos iniciado nos anos 50, mas quando a região começou a se redemocratizar houve um processo de especialização nas ciências sociais: "A ciência política nasce na América Latina, sobretudo a partir dos anos 80, com profissionais que foram fazer seu doutoramento no exterior, e as ciências sociais são refundadas em torno da democracia, que se torna o tema essencial, com a ideia de uma América Latina que se democratizava energizando a imaginação dos intelectuais".</p>
<p>Embora haja a construção de conceitos em algumas áreas, como nas sociologias do trabalho, da cultura e do direito, a sociologia latino-americana perdeu sua capacidade de articular discussões teóricas mais sistemáticas, na opinião de Domingues. “As ciências sociais estão perdidas numa miríade de estudos específicos, de casos, com reduzida capacidade de generalização conceitual, de construção analítica.”</p>
<p>Para ele, a tarefa que se impõe aos sociólogos latino-americanos é reenergizar  a imaginação teórica, a capacidade de teorizar, “pois isso é o que permitirá um diálogo mais profundo com a sociologia de outras regiões do mundo, que também não anda muito bem”.</p>
<table class="tabela-esquerda-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/adrian-gurza-lavalle-1" alt="Adrian Gurza Lavalle" class="image-inline" title="Adrian Gurza Lavalle" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Adrian Gurza Lavalle, debatedor</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Adrian Gurza Lavalle disse concordar com a ideia de Domingues de que o problema central da sociologia na América Latina foi analisar a modernização da região e sua inserção mundial. Também concorda com a avaliação de que o único momento em que a sociologia latino-americana “fez a cabeça de parte importante dos teóricos europeus” foi quando da elaboração da teoria da dependência.</p>
<p>Lavalle sugere que além das duas hipóteses de Domingues para a deficiência teórica da região (intelectuais vivendo no mundo das ideias e sem examinar a realidade; hegemonia teórica do hemisfério norte dificultando a inserção dos pesquisadores latino-americanos), há também “a perda do ponto de fuga, da noção de aonde se quer chegar, que é a modernidade.</p>
<p>“Ao longo do século 20, abandonamos a ideia de que havia leis inexoráveis que regulavam algum processo que nos direcionava, mas o ponto de fuga continuava a ser o mesmo: desenvolver classes sociais, industrialização, estado de direito, democracia, cidadania.”</p>
<p>Se se sabe o ponto de fuga, a teoria explica como se deslocar nesse sentido, de acordo com Lavalle. "Como não sabemos exatamente para aonde vamos, construir uma teoria como tínhamos no passado talvez nos imponha desafios maiores". Ele perguntou a Domingues como isso poderia ser feito.</p>
<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/simon-schwartzman-2" alt="Simon Schwartzman" class="image-inline" title="Simon Schwartzman" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Simon Schwartzman, debatedor</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Simon Schwartzman questionou a necessidade de criação de uma teoria específica para a América Latina: “Por que não pensar em teoria social, afinal o Brasil é diferente do Haiti, da República Dominicana, de países da África, da Ásia e ao mesmo tempo há muitas semelhanças com eles”.</p>
<p>Ele defendeu a recuperação do espaço para a análise histórica, “que continua sendo muito importante para a compreensão das sociedades, embora não haja mais espaço para as grandes narrativas da evolução da modernidade”.</p>
<p>Também questionou o que chamou de fuga para a pós-modernidade. “Se pensarmos no modelo de que estamos caminhando para a modernidade, como diriam os marxistas, então de fato não estamos chegando lá, mas continuamos com problemas que precisam ser enfrentados e discutidos.”</p>
<p>Schwartzman criticou o  predomínio dos trabalhos sobre direitos humanos nos antigos departamentos de estudos latino-americanos nos Estados Unidos, que impactam a pesquisa na América Latina. “Evidentemente a questão dos direitos humanos é muito importante, mas transformar as ciências sociais em algo em defesa dos direitos humanos é empobrecer o conteúdo do que elas podem produzir.”</p>
<table class="tabela-esquerda-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/bernardo-sorj-6" alt="Bernardo Sorj" class="image-inline" title="Bernardo Sorj" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: left; "><strong>Bernardo Sorj, moderador</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ao comentar as apresentações do expositor e dos debatedores, Bernardo Sorj, destacou que “a identidade é sempre um processo misto, de dinâmicas de dentro para fora e de fora para dentro”.</p>
<p>"A identidade latino-americana veio de fora a partir dos departamentos das universidades americanas e dos setores latino-americanos das organizações internacionais e, ao mesmo, houve um processo de dentro para fora, mas no nível das elites da região."</p>
<p>Domingues disse que os centros de estudos nos EUA contribuíram muito para a criação da ideia de América Latina nas ciências sociais, “mas já havia uma dinâmica na região que dirigia o debate um pouco nesse rumo”.</p>
<p>Ele fez questão de esclarecer que não propõe uma teoria latino-americana, diferente das elaboradas nos EUA, Europa ou qualquer outra parte do mundo: “Teoria é teoria, mas partimos de problemas que às vezes são específicos e isso deixa marcas, ângulos diferentes, que vão de alguma forma colorir a teoria, por mais universal que se queira que ela seja”.</p>
<p>Para ele, a pós-modernidade, cujo fim julga que já chegou, “foi mais um sintoma do momento histórico do que uma teoria com capacidade explicativa e interpretativa”. Domingues considera que a pós-modernidade correspondeu à crise da segunda fase da modernidade, “que superamos, pois estamos na terceira fase da modernidade, altamente globalizada, extremamente complexa, e que coloca desafios muito grandes para quem faz teoria social”.</p>
<p>Outro tipo de problema identificado por Domingues é “o caráter pragmático que se demanda hoje das ciências sociais, como se fazer teoria não fosse algo efetivamente adequado”.</p>
<p>Para ele, é preciso recuperar o que foi a marca da sociologia, que é a ideia de conceitos e tendência, porque há tendências de desenvolvimento dentro da modernidade: "Podemos não saber qual é o ponto de chegada, mas que esses desenvolvimentos continuam acontecendo, que o estado moderno continua se desenvolvendo, que as burocracias continuam se desenvolvendo, que o capitalismo continua se desenvolvendo, acho que isso é bastante patente, mas a sociologia deixou de teorizar isso".</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calasans (IEA-USP)</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>México</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-07-24T18:45:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/as-relacoes-dos-intelectuais-mexicanos-com-o-governo-no-seculo-20-1">
    <title>As relações dos intelectuais mexicanos com o governo no século 20</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/as-relacoes-dos-intelectuais-mexicanos-com-o-governo-no-seculo-20-1</link>
    <description>O sociólogo Francisco Zapata, do Colegio de México, fez conferência no dia 11 de junho sobre "As Ciências Sociais e o Desenvolvimento Nacional do México".</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/bernardo-sorj-lia-zanotta-machado-e-francisco-zapata" alt="Bernardo Sorj, Lia Zanotta Machado e Francisco Zapata" class="image-inline" title="Bernardo Sorj, Lia Zanotta Machado e Francisco Zapata" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Francisco Zapata (<i>à dir.</i>), Lia Zanotta Machado e Bernardo Sorj durante o evento sobre o papel dos cientistas sociais no desenvolvimento mexicano</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Antropólogos, sociólogos e economistas tiveram um papel ativo no desenvolvimento mexicano, a partir da revolução de 1910, ao contrário do ocorrido em outros países latino-americanos com composição social similar à mexicana, como Equador, Peru e Bolívia, segundo o sociólogo <span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/francisco-zapata" class="external-link">Francisco Zapata</a></span><span>, do Colegio de México. Ele fez essa afirmação na conferência </span><i>As Ciências Sociais e o Desenvolvimento Nacional no México</i><span>, que proferiu no dia 11 de junho, no IEA.</span></p>
<p>O evento teve como debatedor o sociólogo <span><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a></span><span>, professor visitante do IEA. A moderação coube à antropóloga </span><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/lia-zanotta-machado" class="external-link">Lia Zanotta Machado</a></span><span>, da Universidade de Brasília (UnB).</span></p>
<p><strong>Identidade nacional</strong></p>
<p>De 1910 a 1915, ocorreu a primeira aproximação entre cientistas sociais e o governo, com os antropólogos fazendo com que os generais constatassem a importância da cultura pré-colombiana para a construção de uma identidade nacional, de acordo com Zapata. Depois, entre 1920 e 1935 e em 1939, os antropólogos participaram de forma institucional.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>CONFERÊNCIAS DE FRANCISCO ZAPATA</strong></p>
<p><strong>Ciencias Sociales y Desarrollo Nacional en México</strong><br />11 de junho de 2015</p>
<p><strong>Multimídia</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2015/ciencias-sociales-y-desarrollo-nacional-en-mexico" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/ciencias-sociales-y-desarrollo-nacional-en-mexico-11-de-junho-de-2015" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p>Notícia</p>
<ul>
<li>"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/francisco-zapata-discute-modelos-de-desenvolvimento-no-mexico" class="external-link">Francisco Zapata discute modelos de desenvolvimento no México</a>"</li>
</ul>
<p> </p>
<p><strong>El Neoliberalismo en México</strong><br />9 de junho de 2015</p>
<p><strong>Multimídia</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2015/tiempos-neoliberales-en-mexico" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/tiempos-neoliberales-en-mexico-09-de-junho-de-2015-1" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p>Notícia</p>
<ul>
<li>"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/o-neoliberalismo-no-mexico" class="external-link">A implantação e os efeitos do neoliberalismo no México</a>"</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>“Os cientistas sociais mexicanos se preocupavam com muitos aspectos, como a questão indígena, as relações exteriores, as prioridades do desenvolvimento econômico e a regulação das relações de trabalho”, disse o sociólogo.</p>
<p>Esse foi o diferencial do México em relações a países latino-americanos com composição social parecida, caso de Bolívia, Peru e Equador, “onde os dirigentes não tinham interesse em dialogar com os intelectuais e cientistas sociais”.</p>
<p><strong>Etapas</strong></p>
<p>O contexto que definiu o ponto de partida do trabalho dos cientistas sociais mexicanos no século 20 foi caracterizado por quatro parâmetros, segundo Zapata: 1) mestiçagem resultante do longo período colonial; 2) tamanho e heterogeneidade do país; 3) subculturas regionais caracterizadas por diferentes tradições culturais e mesmo línguas indígenas diversas; 4) penetração precoce do liberalismo.</p>
<p>Para Zapata, a história do relacionamento dos cientistas sociais com o governo pode ser periodizada em três etapas. A primeira, entre 1915 e 1919, ele chama de pré-institucional, na qual se dava uma relação direta, quase pessoal, entre os intelectuais e os generais da revolução.</p>
<p>Zapata citou dois casos representativos desse período: o relacionamento do antropólogo Manuel Gamio com o presidente Venustiano Carranza, que governou de 1915 a 1919, e o do jurista José Vasconcellos com o general Álvaro Obregón, que presidiu o país de 1920 a 1924.</p>
<p>Em 1915, Gamio propôs a Carranza a investigação das ruínas de Teotihuacán (há 50 quilômetros da Cidade do México). “Carranza, que era um general da velha guarda do Exército Federal, teve a perspicácia de perceber que o que Gamio oferecia tinha implicações para o desenvolvimento do projeto da revolução.”  Vasconcelos, por sua vez, “teve o papel fundamental de criador do sistema educacional do país a pedido de Obregón, do qual foi ministro da Educação”.</p>
<p><strong>Instituições</strong></p>
<p>Zapata chama a segunda etapa de institucional e a situa do fim dos anos 20 até meados dos anos 40. “Nela, começaram a ser criadas e ampliadas as instituições onde os cientistas sociais passariam a trabalhar; é fundado o Instituto Nacional de Antropología e Historia e é ampliada Universidad Nacional de México, transformada em 1929 na Universidad Nacional Autónoma de México (Unam).”</p>
<p>Outros exemplos são a criação da editora Fondo de Cultura Econômica, do Instituo Politécnico Nacional, “para a formação de pessoal para o setor produtivo”, e da Casa de España en México (gérmen da criação do Colegio de México em 1940) “para abrigar intelectuais republicanos exilados em função da Guerra Civil Espanhola”.</p>
<p>A terceira etapa, entre 1946 e 1968, Zapata define como período pós-institucional, “onde tudo que ocorrera antes foi multiplicado”. Nesse época surgiram o Instituto Nacional Indigenista, a Faculdad de Ciencias Políticas y Sociales da Unam, a Escola Nacional de Antropología e Historia e a Escola Nacional de Economía.</p>
<p><strong>Rompimento</strong></p>
<p>Ele disse que o fim dessa terceira etapa tem uma data precisa: 2 de outubro de 1968, quando acontece uma ruptura entre os cientistas sociais e o estado por causa do massacre de estudantes na Plaza de las Tres Culturas na Cidade do México.</p>
<p>Segundo Zapata, depois de 68, continuou existindo uma relação entre o estado e os cientistas sociais, mas num viés instrumental: "Nem o estado se interessa muito com o que fazem os intelectuais e nem eles se interessam muito com o que faz o estado".</p>
<p>Bernardo Sorj, debatedor do evento, apresentou uma série de objeções às considerações feitas por Zapata. Para Sorj, a participação dos cientistas sociais no desenvolvimento do país não é uma excepcionalidade mexicana: “No Brasil, as ciências sociais também estiveram ligadas aos projetos de desenvolvimento nacional”.</p>
<p>Sorj disse que o papel dos intelectuais mexicanos não foi de construção da nação, mas de construção de um imaginário nacional. Ele também questionou a valorização do período tratado por Zapata e a análise pouco crítica das relações da intelectualidade com o poder.</p>
<p><strong>Originalidade</strong></p>
<p>Para Lia Zanatta, moderadora do encontro, houve no México uma forma de originalidade em comparação com a Bolívia e o Brasil: “A constituição da ideia de mestiçagem foi menos importante para o México do que entender a ideia de mestiçagem como mexicanidade”. Ao comentar as objeções de Sorj, Lia disse que “as formas do imaginário da nação e do estado têm efeitos não só no imaginário como na constituição política e nas relações políticas e sociais".</p>
<p>Em resposta a Sorj, Zapata disse não vê o caso mexicano como propriamente uma excepcionalidade, mas como exemplo de algo particular no contexto latino-americano. “Contrastado com países mais parecidos com ele, como Equador, Bolívia e Peru, o México não é excepcional, mas muito diferente.”</p>
<p>Quanto à sua visão do México no século 20, Zapata disse que não idealiza o período, mas sim procura identificar uma funcionalidade. “Minha preocupação principal é com o período entre 1915 e 1950, quando se expandiu o projeto da revolução; de 1950 para cá se pode entrar numa discussão mais fina sobre qual é a diferença entre os projetos de industrialização mexicano, brasileiro e argentino, por exemplo, e aí estamos de acordo de que não há muitas diferenças”, comentou.</p>
<p><strong>Papel dos intelectuais</strong></p>
<p>As perguntas do público a Zapata giraram em torno do papel atual dos intelectuais, sua formação e suas relações com o poder.</p>
<p>Zapata disse que a atitude do governo Lula com os intelectuais foi parecida com o que aconteceu no México: “Foi como se dissesse a eles: ‘não me interessa o que vocês dizem, escrevam tudo o que quiserem nos jornais, nas revistas, critiquem tudo que quiserem’. É uma atitude do tipo ‘tenho que suportá-los’. Diferente dos anos 20, 30 ou 40, o estado ou não precisa dos intelectuais ou tem outras prioridades”.</p>
<p>Na opinião de Zapata, os intelectuais devem esquecer o estado e se relacionar com os movimentos sociais, a exemplo “das fortes relações dos pesquisadores brasileiros com os movimentos sindicais ou dos pesquisadores mexicanos com os movimentos étnicos”.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Leonor Calazans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Transformação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-07-20T18:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/identidades-latino-americanas-a-america-latina-dos-sociologos-18-de-junho-de-2015">
    <title>Identidades Latino-Americanas: A América Latina dos Sociólogos - 18 de junho de 2015</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/identidades-latino-americanas-a-america-latina-dos-sociologos-18-de-junho-de-2015</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-06-18T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/historiadores-e-america-latina">
    <title>Historiadores divergem sobre a relevância do conceito de América Latina</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/historiadores-e-america-latina</link>
    <description>O debate "A América Latina dos Históriadores" foi o primeiro encontro do ciclo "Identidades Latino-Americanas" e teve como expositor Antonio Mitre, da UFMG.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/conferencia-de-antonio-mitre" alt="Conferência de Antonio Mitre" class="image-inline" title="Conferência de Antonio Mitre" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong><strong>Os participantes do encontro</strong><strong>: Gabriela Pelegrini, Antonio Mitre, Bernardo Sorj, Boris Fausto e Guillermo Palacios</strong></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify; ">O primeiro encontro do ciclo <i>Identidades Latino-Americanas, </i>ocorrido no dia 15 de abril, tratou da visão dos historiadores sobre a América Latina desde o início do século 19. As opiniões do expositor e dos debatedores foram variadas, indo do reconhecimento da importância da concepção de uma América Latina una, ainda que como unidade analítica, até a descrença na validade ou relevância da ideia, seja no passado ou no presente.</p>
<p style="text-align: justify; ">Chamado de <i>A América Latina dos Historiadores</i>, o evento teve como expositor o historiador <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/antonio-mitre">Antonio Mitre</a>, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, e como debatedores: <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/boris-fausto-1">Boris Fausto</a>, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP; <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/gabriela-pellegrino-soares">Gabriela Pellegrino Soares</a>, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/guillermo-palacios">Guillermo Palacios</a>, do Colegio de México. A coordenação esteve a cargo do cientista político <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj">Bernardo Sorj</a>, professor visitante do IEA, que também coordena o ciclo.</p>
<p>Os próximos encontros do ciclo serão realizados nos meses de junho, agosto e novembro e tratarão do tema sob o ponto de vista dos sociólogos, economistas e escritores, respectivamente. De acordo com Sorj, o objetivo do ciclo não é  "afirmar ou negar a validade da existência de uma identidade latino-americana ou do sonho latino-americano da 'pátria grande', mas de compreender como a ideia de América Latina foi e continua sendo construída e disseminada, em particular por artistas, intelectuais e cientistas sociais".</p>
<p><strong>NAÇÃO LATINO-AMERICANA</strong></p>
<p>Antonio Mitre disse no início de sua exposição que o nome América acompanhado pelo gentílico Latina é uma denominação que “em todas as épocas nos deixou desconfortáveis, tanto do ponto de vista conceitual, quanto do ponto de vista ideológico-político, se lembrarmos que a denominação está relacionada, de alguma forma, com o ideologia panlatina e o intervencionismo francês no México do século 19".</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>Midiateca</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li>Fotos</li>
</ul>
<p><strong>Notícia</strong></p>
<ul>
<li>"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/america-latina-dos-historiadores" class="external-link">A ideia de América Latina dos historiadorres</a>"</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ele disse também que a denominação é conceitualmente imprecisa, pois incorpora países com língua não neolatinas, como Guiana e Belize, ambas de língua inglesa, e o Suriname, de língua holandesa, ao mesmo tempo em que "caracteriza como latinos os países que possuem populações indígenas consideráveis, como Guatemala e Bolívia, na qual o espanhol se tornou língua dominante só em 1977”.</p>
<p>De acordo com Mitre, o nome América Latina foi substantivado por um francês por volta de 1860 e depois universalizado pela expansão francesa. "Há também a informação de que um colombiano havia cunhado a expressão antes e que o nome já circulava na América Latina como uma reação à tendência expansionista dos Estados Unidos, sobretudo sobre o México."</p>
<p>Todavia, segundo o historiador, o conceito já estava presente na historiografia anterior à cunhagem do termo desde o final do século 18, quando surge um ambiente revolucionário ou ao menos de revolta em alguns lugares, permanecendo depois nas guerras de independência, de 1808 até 1825.</p>
<p>Ele recordou alguns historiadores do século 19 em que a concepção latino-americanista aparece em graus variados: o boliviano José Santos Vargas (1796-1854); o chileno Diego Barros Arana (1830-1907), os argentinos Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) e Bartolomé Mitre (1821-1906); e o chileno Benjamín Vicuña <em>Macken</em><em>na (1831-1886)</em>.</p>
<p>Segundo Mitre, todos eles se referem à ideia de uma nação americana e usam esse conceito para relatar o percurso das guerras de independência como um processo unitário, que "extravasa o nível local e ganha transcendência na ideia de uma revolta pela liberação do continente".</p>
<p><b>ONDA REVOLUCIONÁRIA</b></p>
<p>Os levantes do período das independências são associados de alguma forma "à onda revolucionária do século 18 e ganham unidade e universalidade na medida em que se amarram a conceitos universais daquele período: o de revolução e de república". O processo de independência e constituição dos estados a partir de 1810 vai para frente, segundo Mitre, na medida em que representa a racionalidade iniciada pela Revolução Americana e pela Revolução Francesa.</p>
<p>Para ele, o discurso latino-americanista possibilitou a união contra inimigos comuns (o imperialismo espanhol, depois o francês e em seguida o norte-americano), sem que essa união significasse em momento nenhum a abdicação de qualquer grau de soberania dos estados que estavam sendo constituídos. "Essa postura já era evidente desde a motivação do Congresso do Panamá, em 1926: uma união para repelir o estrangeiro, o intervencionista, o imperialista, apesar da clara dificuldade para fazer com que essa união se materializasse em algum tipo de enquadramento institucional supraestatal."</p>
<p>"O latino-americanismo acabou funcionando e, uma vez consolidados os estados e um nacionalismo arquitetado dentro deles (através da escola pública, das forças armadas, dos símbolos pátrios), vai incorporar o nacionalismo como parte constitutiva de seu esforço, funcionando desse jeito até hoje", comentou Mitre.</p>
<p><b>O BRASIL NA CONTRAMÃO</b></p>
<p>Ele disse que o Brasil não fez parte desse processo pelos fatos da história do país: a vinda da família real, a forma diferente como a independência se processou, o estabelecimento da monarquia até o fim do século 19; "tudo isso ia na contramão da concepção latino-americanista observada no pensamento de pessoas como Simón Bolívar [1783-1830] e de Sarmiento".</p>
<p>Mas há um episódio que o historiador considera como um momento em que Brasil entrou no jogo da família latino-americana, para se opor a uma tendência que o país interpretava como o intervencionista: "A partir de uma estratégia diplomática extraordinária, que só pode ser explicada pela presença de quadros burocráticos muito bem formados já no século 19, o Brasil consegue convencer os países vizinhos de que a navegação de barcos estrangeiros no rio Amazonas devia ser vetada".</p>
<p>Ao refletir sobre a historiografia nas primeiras décadas do século 20, Mitre disse que "a primeira impressão é que a América Latina se constitui como unidade analítica a partir da perspectiva estruturalista, influenciada não apenas pelo marxismo, mas sobretudo por ele". <span>É nesse período que se procura entender a dinâmica de toda a região, incorporando-a à dinâmica do capitalismo internacional, comentou.</span></p>
<p><span>Para ele, essa perspectiva é nova na proposta, mas não a no espírito, com a historiografia latino-americanista sempre querendo ser universalista e não provinciana, sempre considerando qualquer fato local não apenas no contexto regional, mas também no internacional: "Nossas historias sempre foram mais internacionais do que a história nacional de países centrais."</span></p>
<p>Os autores emblemáticos do período, na opinião de Mitre, são os peruanos José Carlos Mariategui (1894-1930) e Haya de la Torre (1895-1979), "que vão gerar uma longa descendência e vão arquitetar a oposição clássica entre reforma e revolução, que será retomada nos anos 60".</p>
<p><b>TEORIA DA DEPENDÊNCIA</b></p>
<p>A visão da America Latina a partir de uma perspectiva global continuou com os trabalhos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas e também com a teoria da dependência, disse o historiador. "A<span> teoria da dependência vai introduzir uma variante, pois vai reconhecer, sobretudo em algumas vertentes, como aquele de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto [1935-2003], que a América Latina é una e diversa."</span></p>
<p>"Há homogeneidade em muitas coisas no continente, sobretudo naquilo que tem a ver com o caráter dependente em relação às metrópoles, mas cada país é um país; e a teoria da dependência criou uma taxinomia que depois foi muito bem desenvolvida e útil para a análise dos países da América Latina, tanto do ponto de vista da homogeneidade, quanto do ponto de vista da diversidade."</p>
<p>Mitre disse que o colapso das teorias estruturalistas nos anos 80 e 90 afetou a historiografia da região, "que se tornou menos pautada por ideias escatológicas, como a ideia de revolução, e mais variada, com a participação de historiadores que surgiram dos cursos de história que foram criados a partir dos anos 60 em toda a parte".</p>
<p><b>PENSAMENTO LATINO-AMERICANO</b></p>
<p>Ele ressaltou que os focos de produção do pensamento latino-americano mudaram ao longo do tempo, por razões várias, sendo que coube ao Chile a primazia dessa produção na primeira metade do século 19, "seguramente pela estabilidade política, que propiciava a reunião de intelectuais de toda a parte e a criação de um ambiente latino-americanista".</p>
<p>Segundo ele, o Uruguai, que ocupou a posição de destaque em seguida, produziu grande quantidade de pensamento latino-americanista no século 20, sendo "a origem dos melhores ensaístas sobre o tema, desde José Rodó [1971-1917], passando por Ángel Rama [1926-1983], Emir Rodríguez Monegal [1925-1985], Eduardo Galeano [1940-2015] e muitos outros".</p>
<p>Mitre vê esse protagonismo uruguaio como consequência de vários aspectos, entre os quais a importância das instituições culturais do país e a proximidade da Argentina ("voltada historicamente muito mais para a Europa e com uma presença avassaladora do ponto de vista cultural"), o que, "talvez como contrapeso, fez com que o Uruguai se voltasse para um discurso que o aproximava mais de seus vizinhos".</p>
<p>Nos anos 50, foi a vez do México, "sobretudo pelo trabalho dos imigrantes que haviam fugido da Guerra Civil Espanhola e que trouxeram novas perspectivas de entender o problema de identidade, a partir de filosofias como a fenomenologia, o existencialismo e o historicismo".</p>
<p>Mitre considera que o México, depois da assinatura do Nafta, em 1998, "não virou as costas à América Latina, propriamente, mas o relacionamento com ela já não tem o impacto que tinha anteriormente". Segundo ele, as publicações e congressos que acontecem no país sobre o assunto são em maior número do que aqueles que aconteciam no período de hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000, voltando ao poder em 2012. "Essa produção intelectual está circunscrita ao ambiente acadêmico e sua repercussão externa é diminuta", comentou.</p>
<p><b>MUDANÇA DE BRASIL E ARGENTINA</b></p>
<p>Ele vê a Argentina e o Brasil como os líderes da produção intelectual sobre a América Latina no momento. O historiador, que vive no Brasil desde os anos 70, considera essa mudança extraordinária, com "o país não apenas se aproximando política e economicamente da região, mas também começando, tanto no discurso oficial quanto no discurso societário, a se inserir na matriz latino-americana".</p>
<p>Para ele, essa mudança no posicionamento brasileiro e argentino nas últimas décadas é algo realmente novo e decorrência de múltiplos fatores. No caso da Argentina, "que sempre se considerou mais europeia e tentou se diferenciar do resto da região, é mais fácil de falar, pois a Guerra das Malvinas foi um momento crucial dessa virada".</p>
<p>No entanto, Mitre disse que a guerra não foi o único fator do reposicionamento Argentino: "Ele tem a ver também com os exilados (como no caso brasileiro), que se encontraram na Europa e depois foram para o México, formando uma espécie de comunidade latino-americana, e depois constituíram quadros de esquerda que assumiram o poder, alguns deles ficando no poder até hoje".</p>
<p><strong>DIMENSÃO UTÓPICA</strong></p>
<p>Na abertura de sua intervenção, a debatedora Gabriela Pellegrino disse que o historiador mexicano Mauricio Tenorio-Trillo, da University of Chicago, Estados Unidos, publicou um artigo numa obra sobre a história da America Latina editada pela Unesco no qual ele traça um panorama que vai de encontro a muitas das colocações de Mitre. Segundo ela, Tenório-Trillo defende que o conceito de América Latina sempre esteve entrelaçado com uma dimensão utópica, que passa pela ideia de resistência ao imperialismo norte-americano e, em vários momentos, apontou para a ideia de revolução e liberação.</p>
<p>Para Gabriela, a própria escrita da história da América Latina está impregnada por essa utopia: "Escrever sobre a região foi muitas vezes um ato marcado pela perspectiva da América Latina como algo que deve se afirmar, para poder resistir a visões historicamente depreciativas sobre o continente".</p>
<p>Ela afirmou que essa dimensão utópica teve momentos muito vivos, como nos anos 20, com as vanguardas artísticas e literárias, e nos anos 60, com o impacto da Revolução Cubana. "Depois apareceu aqui e ali, como no último governo Lula, que usou essa ideia de uma América Latina altiva perante o mundo." Todavia, no âmbito da historiografia, Gabriela considera que tudo isso "foi perdendo um pouco do ímpeto, em virtude das crises dos paradigmas e do marxismo".</p>
<p><span>Diante disso, Gabriela indagou: "Para quem serve esse conceito hoje na história, em que medida vale a pena insistir e trabalhar com a ideia de uma América Latina?"  Sua resposta é de que essa ideia incentiva os historiadores a olhar para o conjunto da região e favorece trocas intelectuais a partir de problemas comuns que possam ser explorados comparativamente.</span></p>
<p><b>REVISIONISMO</b></p>
<p>Gabriela disse que a história produzida atualmente "é muito marcada por uma postura revisionista de tudo aquilo que os marxistas trabalharam com uma perspectiva mais escatológica, ou seja, o atraso, a impossibilidade de sermos modernos, todas as contradições que apresentamos em relação ao modelo ideal europeu, o nosso fracasso e, por outro lado, o horizonte da revolução".</p>
<p>Segundo ela, essas questões vêm dando lugar a um reconhecimento de que "essas noções de atraso devem ser matizadas e de que houve, desde as independências, exercícios de negociações políticas, de construção de discursos políticos legitimadores das práticas, de sofisticação na produção desses discursos e de construção dos símbolos".</p>
<p>Ela disse que esse esforço revisionista "deixa de lado o horizonte da utopia, de uma América Latina que em si faz sentido", mas vem se traduzindo em um trabalho que favorece o diálogo e a aproximação de autores de vários países.</p>
<p>Ela se contrapôs a questão citada por Mitre no sentido de que a ideia de nação latino-americana talvez tenha se sobreposto aos nacionalismos. Em seu entender, a ideia de nação latino-americana sempre conviveu como outros discursos: "Essa bandeira sempre foi dos governos de esquerda, ao passo que outros setores ou reforçavam o nacionalismo em oposição aos outros países da região ou ignoravam o discurso da nação latino-americana em função de uma maior aproximação com os Estado Unidos e a Europa".</p>
<p><strong>GUERRAS</strong></p>
<p>Apesar de reconhecer que há de fato uma aproximação do Brasil em relação aos demais países da região, Boris Fausto não vê avanços na construção de uma nação latino-americana. Para ele, “a impregnação do conceito de América Latina no Brasil é muito frágil”. <span>Ele atribui isso à formação diferenciada do país como nação. “O Brasil foi constituído como um império da ordem, da hierarquia, não como nação entregue a guerras fratricidas; isso marcou as elites brasileiras.”</span></p>
<p>Fausto citou a Guerra do Paraguai (1864-1870) como um contraponto ao latino-americanismo e reveladora da disputa no continente. Segundo ele, “a guerra era considerada fundamental para o Brasil, inclusive por motivos internos, ao passo que para a Argentina não era relevante, tanto que ela logo se retirou do conflito”.</p>
<p>Ele concorda com o comentário feito por Gabriela sobre a aproximação das vanguardas artísticas dos anos 20 à ideia de uma comunidade latino-americana, mas, ainda assim, considera que o interesse intelectual brasileiro em estudar a América Latina já era reduzido naquele período, tendo apenas Manoel Bomfim (1868-1932) como expoente.</p>
<p><b>O PAPEL DOS EXILADOS</b></p>
<p>O quadro de afastamento do Brasil da América Latina começou a mudar nas décadas de 60 e 70 e a<span> causa foi a divulgação de ideias revolucionárias pós-Revolução Cubana e os golpes militarem que se seguiram</span><span>, de acordo com Fausto. “Os exilados da região vão encontrar na ideia latino-americana um ponto comum de integração.”</span></p>
<p>Ele lembrou que “a própria repressão se articulou em ações extrafronteiras, como no caso da Operação Condor, pois os aparelhos repressivos dos vários países consideravam que havia um processo geral de subversão em marcha no continente”.</p>
<p>Para ele, hoje é fácil dizer que a ideia de unidade latino-americana era utópica, mas “na época não era considerado assim, era impossível não pensar em termos de América Latina em vez de em cada país separadamente”.</p>
<p>Fausto prefere falar em América do Sul, pois considera a noção de América Latina ainda mais problemática. No entanto, Apesar de considerar que há muito interesse na América do Sul por parte dos países da região e de outras partes do mundo, “as noções de democracia, autoritarismo, mudança social, redução de desigualdades, autoritarismo, tudo isso é visto de maneira muito de diferente de país a país e até mesmo internamente a eles”.</p>
<p><b>DESCRENÇA NO CONCEITO</b></p>
<p>Guillermo Palacios disse não ter mais confiança no conceito de América Latina. Não só fatos do século 19 e do início do século 20 o levaram a essa descrença, mas também acontecimentos mais recentes.</p>
<p>Ele disse que, em 1998, quando o México assinou o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), o embaixador do Brasil no país, Carlos Augusto Santos-Neves, comentou que, “ao aderir ao tratado, o México acabara com a América Latina, implodindo a noção de uma unidade cultural e trazendo de volta a velha ideia geopolítica de uma América do Norte e uma América do Sul”.</p>
<p>Para Palacios, isso é verdade em muitos sentidos. Ele acrescentou que “a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil definiu a América do Sul como área de interesse específico, não mais a América Latina”.</p>
<p>Ele disse que a referência a essa divisão entre as Américas era uma constante na correspondência diplomática do passado: “Na época da independência, o México era uma potencia territorial do tamanho do Brasil e as correspondências falavam da relevância que o Brasil teria na América do Sul e o México na América do Norte”.</p>
<p>No entanto, segundo Palacios, o México manteve uma estratégia constante de tentar congregar os países latino-americanos numa posição unitária de oposição aos Estados Unidos. Entretanto, vários países discordaram da ideia de uma família latino-americana, pois "isso os colocaria no meio das disputas entre México e Estados Unidos, que não lhes interessava", comentou.</p>
<p>Palacios disse que depois de fazer pesquisas em arquivos da Colômbia, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Brasil  para um livro sobre as relações do México com a América do Sul acabou sua ideia de uma America Latina “como algo que pudesse ser pensado em termos de identidade, irmandade latino-americana, pois se trata de uma questão não apenas utópica, mas completamente ideológica”.</p>
<p>Além da Guerra do Paraguai, citada por Boris Fausto com ícone da rivalidade regional, ele mencionou também a Guerra do Pacífico (1879-1883), do Chile contra Peru e Bolívia <span>(“uma barbaridade em termos de destruição de identidades regionais”), </span><span>reforçar sua tese de que a noção de América Latina não tem consistência na história.</span></p>
<p><span><b>MERCADOS DOS ESTADOS UNIDOS</b></span></p>
<p>Segundo Palacios, dois anos antes da Guerra do Pacífico, um representante mexicano em Santiago, no Chile, queria articular novamente os países numa oposição coordenada  aos vários imperialismos que ameaçavam a região. A resposta dos governantes chilenos foi de que isso não fazia sentido, de que cada país brigava por seus interesses na região. "<span>O emissário mexicano informou a seu governo que os mercados dos Estados Unidos, que cresciam na expansão daquele país para o oeste, eram mais importantes para os países da América do Sul do que a ideia de uma nação latino-americana.”</span></p>
<p><span>Em relação ao Brasil, Palacios disse que o fato de o país ser uma monarquia dava margem ao receio de que o país funcionasse como uma cabeça de praia para uma eventual remonarquização da América republicana.</span></p>
<p>Mas havia também um problema cultural que assustava os mexicanos e peruanos, segundo Palacios: “O Brasil não é hispânico, não fala espanhol; se fosse admitido nos congressos, outras nações poderiam reivindicar pertinência à família latino-americana, como os Estados Unidos”.</p>
<p>No final das exposições, Bernardo Sorj comentou quatro aspectos presentes nas falas do expositor e dos debatedores. O primeiro deles foi sobre algo que identificou na apresentação de Mitre: “Existe um latino-americanismo, mas ele se manifesta de forma diferente em cada país, e o fato de nosso sonho não se realizar da forma que sonhamos não significa que ele desapareça”.</p>
<p><b>IMPERIALISMO INGLÊS</b></p>
<p>Ele destacou que parte do latino-americanismo no século 19 foi na verdade anti-inglês, com a postura antiestadunidense se cristalizando apenas no século 20, em graus variados, nos países da região.</p>
<p>Não se pode desconsiderar, segundo Sorj, alguns fenômenos históricos que tiveram um efeito ideológico desestruturante da história da região. “A Revolução Cubana não foi um pequeno evento, desorganizou a vida política de países e está associada aos golpes militares, com consequências para inúmeras pessoas.”</p>
<p>Finalmente, Sorj citou a importância da língua espanhola para a integração cultural dos países hispano-americanos: “A região é uma das poucas no mundo onde um número grande de países vizinhos falam a mesma língua, e com isso circulam com mais facilidade entre os países as informações e a produção cultural.”</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Leonor Calazans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>História</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-05-15T12:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico-15-de-abril-de-2015">
    <title>A América Latina dos Historiadores (Ciclo Temático) - 15 de abril de 2015</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2015/a-america-latina-dos-historiadores-ciclo-tematico-15-de-abril-de-2015</link>
    <description></description>
    
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Maria Leonor de Calasans</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-04-15T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Pasta</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/pesquisador-do-iea-fala-sobre-teoria-social-da-globalizacao-em-seminario-na-franca">
    <title>Pesquisador do IEA fala sobre teoria social da globalização em seminário na França</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/pesquisador-do-iea-fala-sobre-teoria-social-da-globalizacao-em-seminario-na-franca</link>
    <description>O sociólogo Bernardo Sorj, professor visitante do IEA, foi o expositor no seminário 'Destino Global da América Latina', realizado no Collège d'Études Mondiales, na França. </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><i><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/bernardo-sorj" alt="Bernardo Sorj" class="image-right" title="Bernardo Sorj" /></i><br /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O sociólogo Bernardo Sorj</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><i>Uma Teoria Social Geral é Atualmente Possível? As Ciências Sociais, a América Latina e a Globalização</i> foi o tema da exposição que o sociólogo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a>, professor visitante do IEA, fez no seminário <i>Destino Global da América Latina</i>, realizado no dia 5 de março no Collège d'Études Mondiales da Fondation Maison des Sciences de l'Homme (FMSH), França.</p>
<p>A exposição de Sorj<i> </i>foi dividida em três partes: explicitação das condições políticas e culturais para o desenvolvimento de uma teoria social da globalização; identificação dos temas a serem contemplados por uma teoria com vocação global; e questionamento dos pressupostos normativos e políticos que orientam as perspectivas críticas nas ciências sociais, particularmente na América Latina.</p>
<p>Na primeira parte da exposição, o sociólogo afirmou que o atual quadro de referência da teoria social está em crise devido ao surgimento de novos centros de poder e às transformações sociais, políticas e econômicas ocasionadas pelo fim do embate entre capitalismo e comunismo. Para ele, a construção de uma teoria social da globalização neste panorama de crise requer a emergência de uma visão sociopolítica unificadora, com potencial para incitar o imaginário social tanto no âmbito nacional quanto internacional.</p>
<p>Na segunda parte, Sorj destacou que uma teoria com vocação global deve levar em consideração as realidades nacionais. De acordo com o sociólogo, as mobilizações políticas contemporâneas são movidas pela luta por uma cidadania democrática no contexto nacional — igualdade, liberdade de expressão e melhoria dos serviços públicos —, e não por ideologias voltadas para transformação do mundo ou pelo desejo de maior abertura das instituições internacionais.</p>
<p>Sorj finalizou a exposição apontando as limitações de dois pilares que sustentam as abordagens atuais das ciências sociais: a adoção da crítica ao neoliberalismo como modelo explicativo de mundo, um vez que esta teria se convertido numa postura política antineoliberal e substituído os enfoques fundados na análise empírica e no conhecimento sócio-histórico; e a polarização teórica e política entre "institucionalistas" (favoráveis ao fortalecimento das instituições formais do estado e do sistema político) e os "participacionistas" (defensores do papel estratégico dos movimentos sociais da sociedade civil).</p>
<p>O seminário foi organizado pelo Collège d'Études Mondiales em parceria com o Centre d'Analyse et d'Intervention Sociologiques (Cadis) da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), também da França.</p>
<div style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Sandra Codo/IEA-USP</span></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Flávia Dourado</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Globalização</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Professores Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-03-18T20:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/america-latina-dos-historiadores">
    <title>A ideia de América Latina construída e disseminada pelos historiadores</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/america-latina-dos-historiadores</link>
    <description>O historiador Antonio Mitro será o expositor no encontro A América Latina dos Historiadores, que acontece no dia 15 de abril, às 16 horas, na Sala de Eventos do IEA.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/antonio-mitre" alt="Antonio Mitre" class="image-inline" title="Antonio Mitre" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O historiador Antonio Mitre, expositor do primeiro encontro do ciclo <i>Identidades Latino-Americanas</i></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify; ">O primeiro encontro do ciclo <i>Identidades Latino-Americanas</i> terá como tema <i>A América Latina dos Historiadores</i> e será realizado no <strong>dia 15 de abril, às 16 horas</strong>, no auditório Oswaldo Fadigas Fontes Torres, do CeTI. O expositor será o historiador <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/antonio-mitre" class="external-link">Antonio Mitre</a>, do Departamento de Ciência Política da UFMG<span style="text-align: justify; ">.</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="text-align: justify; "> </span>Os debatedores serão os historiadores: <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/boris-fausto-1" class="external-link">Boris Fausto</a>, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP; <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/gabriela-pellegrino-soares" class="external-link">Gabriela Pellegrino Soares</a>, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/guillermo-palacios" class="external-link">Guillermo Palacios</a>, do Colegio de México. A coordenação estará a cargo do cientista político <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a>, professor visitante do IEA.</p>
<p style="text-align: justify; ">Os encontros do ciclo <i>Identidades Latino-Americanas</i> serão realizados nos meses de abril, junho, setembro e novembro de 2015. De acordo com Sorj, o objetivo do ciclo não é  "afirmar ou negar a validade da existência de uma identidade latino-americana ou do sonho latino-americano da 'pátria grande', mas de compreender como a ideia de América Latina foi, e continua sendo, construída e disseminada, em particular por artistas, intelectuais e cientistas sociais".</p>
<p style="text-align: justify; ">Segundo ele, a América Latina foi adquirindo, no decorrer de um longo processo histórico, múltiplas conotações, associadas a projetos políticos, culturais e econômicos. Com isso, a noção de uma unidade latino-americana tornou-se "em parte desejo e em parte realidade, em parte vontade política e em parte produto do peso de fatores objetivos e dinâmicos".</p>
<p style="text-align: justify; ">"Quando as generalizações sobre América Latina enfatizam a unidade descobrimos que elas desconhecem sua diversidade, mas também não podemos deixar de reconhecer que os ventos que sopram num país, embora encontrem no caminho condições nacionais diversas, afetam com particular força o conjunto da região", complementou o cientista político.</p>
<p style="text-align: justify; "><i> </i></p>
<hr />
<p><i><strong> A América Latina dos Historiadores<br /></strong></i><i><strong>1º encontro do ciclo Identidades Latino-Americanas</strong><br /></i><i>15 de abril, às 16 horas<br /></i><i>Auditório Oswaldo Fadigas Fontes Torres, do CeTI, Av. Prof. Luciano Gualberto, 71, Travessa 3,  Cidade Universitária, São Paulo (</i><i><a class="external-link" href="https://www.google.com.br/maps/place/Av.+Prof.+Luciano+Gualberto,+71+-+Butant%C3%A3,+Universidade+de+S%C3%A3o+Paulo+-+S%C3%A3o+Paulo+-+SP,+05508-010/@-23.5629412,-46.7220652,17z/data=!3m1!4b1!4m2!3m1!1s0x94ce56468d6189cd:0xe327c9c3c98bbfbe">localização</a></i><i>)<br /></i><i>Evento gratuito e aberto ao público, sem necessidade de inscrição – Transmissão ao vivo pela </i><i><a href="https://www.iea.usp.br/aovivo">web<br /></a></i><i>Informações: Sandra Sedini, telefone (11) 3091-1678 ou e-mail <a class="mail-link" href="mailto:sedini@usp.br">sedini@usp.br<br /></a></i><i>Ficha do evento: <a href="https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-historiadores" class="external-link">www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-historiadores</a></i></p>
<div class="visualClear" style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: UFMG</span></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>História</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>O Comum</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-03-18T13:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/bernardo-sorj-agora-faz-parte-da-brookings-institution">
    <title>O sociólogo Bernardo Sorj agora integra a Brookings Institution</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/bernardo-sorj-agora-faz-parte-da-brookings-institution</link>
    <description>Professor visitante do IEA torna-se membro correspondente sênior do programa sobre a América Latina de centro de pesquisa dos EUA.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/bernardo-sorj-4" alt="Bernardo Sorj" class="image-inline" title="Bernardo Sorj" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>O cientista político, professor visitante do IEA</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O cientista político <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a>, professor visitante do IEA e diretor do <a class="external-link" href="http://www.centroedelstein.org.br/">Centro Edelstein de Pesquisa Social</a>, agora é membro correspondente sênior ("nonresident senior fellow") da <a class="external-link" href="http://www.brookings.edu">Brookings Institution</a>, centro de pesquisa independente sediado em Washington, EUA. Sorj é um dos dez especialistas vinculados ao programa sobre a América Latina da instituição.</p>
<p>A origem da Brookings Institution remonta a 1916, quando Robert S. Brookings e outros interessados em reformas governamentais criaram o Institute for Governmental Research, a primeira organização americana dedicada ao estudo de questões relativas às políticas públicas americanas. Brookings criou também outras duas instituições: o Institute for Economics, em 1922, e uma escola de pós-graduação, em 1924. Os dois institutos e a escola fundiram-se em 1927, dando origem à Brookings Institution, dedicada à pesquisas sobre economia, gestão governamental e ciências políticas e sociais.</p>
<p>Este ano, como preparativo para as atividades comemorativas do centenário da instituição, em 2016, a Brookings Institution adotou o tema Governança e Renovação como orientação geral para seus cinco programas de pesquisas (Política Externa, Desenvolvimento, Economia, Governança e Política Metropolitana), os quais terão quatro prioridades: energia e clima; mudança na governança global; crescimento por meio de inovação; e oportunidade e bem-estar.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Mauro Bellesa/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Institucional</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Professores Visitantes</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciência Política</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-01-19T16:25:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-cientistas-politicos">
    <title>A América Latina dos Cientistas Políticos (Ciclo Temático)</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-cientistas-politicos</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left; ">Produto de um longo processo histórico, uma região geográfica (e nem tanto, pois inclui a América Central e um país e norte-americano), a América Latina foi adquirindo múltiplas conotações, associadas a projetos políticos, culturais e econômicos.   A noção de uma unidade latino-americana é em parte desejo e em parte realidade, em parte vontade política e em parte produto do peso de fatores objetivos, dinâmica.   Quando s generalizações sobre América Latina enfatizam a unidade descobrimos que elas desconhecem sua diversidade, mas também não podemos deixar de reconhecer que os ventos que   sopram num país, embora encontrem no caminho geologias nacionais diversas, afetam com particular força o conjunto da região.</p>
<p style="text-align: left; ">Não se trata de afirmar ou negar a validade da existência de uma identidade latino-americana ou do sonho latino-americano da “pátria grande”, mas de compreender como a ideia de América latina foi, e continua sendo, construída e disseminada, em particular por artistas, intelectuais e cientistas sociais.</p>
<p style="text-align: left; "><b><i>A América Latina dos Cientistas Políticos </i></b>será o quarto tema dos encontros que serão realizados em 2015 e 2016.</p>
<h3 style="text-align: justify; ">Coordenador:</h3>
<p style="text-align: justify; "><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a></p>
<h3 style="text-align: justify; ">Expositor:</h3>
<p style="text-align: justify; "><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/leonardo-avritzer" class="external-link">Leonardo Avritzer</a></p>
<h3 style="text-align: justify; ">Debatedores:</h3>
<p style="text-align: justify; "><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/maria-herminia-brandao-tavares-de-almeida" class="external-link">Maria Hermínia Tavares de Almeida</a></p>
<p style="text-align: justify; "><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sergio-fausto" class="external-link">Sérgio Fausto</a></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-01-06T12:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-economistas">
    <title>A América Latina dos Economistas (Ciclo Temático)</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-economistas</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">Produto de um longo processo histórico, uma região geográfica (e nem tanto, pois inclui a América Central e um país norte-americano), a América Latina foi adquirindo múltiplas conotações, associadas a projetos políticos, culturais e econômicos.   A noção de uma unidade latino-americana é em parte desejo e em parte realidade, em parte vontade política e em parte produto do peso de fatores objetivos, dinâmica.   Quando as generalizações sobre América Latina enfatizam a unidade, descobrimos que elas desconhecem sua diversidade, mas também não podemos deixar de reconhecer que os ventos que sopram num país, embora encontrem no caminho geologias nacionais diversas, afetam com particular força o conjunto da região.</p>
<p style="text-align: justify; ">Não se trata de afirmar ou negar a validade da existência de uma identidade latino-americana ou do sonho latino-americano da “pátria grande”, mas de compreender como a ideia de América latina foi, e continua sendo, construída e disseminada, em particular por artistas, intelectuais e cientistas sociais.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong><i>A América Latina dos Economistas </i></strong>será o terceiro tema do ciclo Identidades Latino-Americanas.</p>
<h3><strong>Coordenação</strong></h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>
<h3></h3>
<h3><strong>Expositor</strong></h3>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/ricardo-bielschowsky/view" class="external-link">Ricardo Bielschowsky</a></p>
<h3>Debatedores</h3>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/fabio-santos" class="external-link">Fabio Santos</a></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/iea/marcio-bobik-braga" class="external-link">Márcio Bobik Braga</a></p>
<p> </p>
<div class="visualClear"></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-01-06T12:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-sociologos">
    <title>A América Latina dos Sociólogos (Ciclo Temático)</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-sociologos</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">Produto de um longo processo histórico, uma região geográfica (e nem tanto, pois inclui a América Central e um país e norte-americano), a América Latina foi adquirindo múltiplas conotações, associadas a projetos políticos, culturais e econômicos. A noção de uma unidade latino-americana é em parte desejo e em parte realidade, em parte vontade política e em parte produto do peso de fatores objetivos, dinâmica.</p>
<p style="text-align: justify; ">Quando as generalizações sobre a América Latina enfatizam a unidade, descobrimos que elas desconhecem sua diversidade, mas também não podemos deixar de reconhecer que os ventos que sopram num país, embora encontrem no caminho geologias nacionais diversas, afetam com particular força o conjunto da região.</p>
<p style="text-align: justify; ">Não se trata de afirmar ou negar a validade da existência de uma identidade latino-americana ou do sonho latino-americano da “pátria grande”, mas de compreender como a ideia de América Latina foi, e continua sendo, construída e disseminada em particular por artistas, intelectuais e cientistas sociais.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong><i>A América Latina dos Sociólogos</i></strong> será o segundo encontro do ciclo temático Identidades Latino-Americanas.</p>
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<h3><strong>Coordenação</strong></h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>
<h3></h3>
<h3><strong>Expositor</strong></h3>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/jose-mauricio-domingues" class="external-link">José Maurício Domingues</a></p>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"><strong>Debatedores</strong></div>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/adrian-gurza-lavalle" class="external-link">Adrian Gurza Lavalle</a></p>
<p><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/simon-schwartzman" class="external-link">Simon Schwartzman</a></p>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>
</div>
<div>
<h3></h3>
<div class="kssattr-target-parent-fieldname-inscricao-8b72bbf7eb414553804bbb170ad8c7b3 kssattr-macro-rich-field-view kssattr-templateId-widgets/rich kssattr-atfieldname-inscricao " id="parent-fieldname-inscricao-8b72bbf7eb414553804bbb170ad8c7b3"></div>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-01-05T18:15:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-historiadores">
    <title>A América Latina dos Historiadores (Ciclo Temático)</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/eventos/america-latina-dos-historiadores</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: justify; "><span>Produto de um longo processo histórico, uma região geográfica (e nem tanto, pois inclui a América Central e um país e norte-americano), a América Latina foi adquirindo múltiplas conotações, associadas a projetos políticos, culturais e econômicos.   A noção de uma unidade latino-americana é em parte desejo e em parte realidade, em parte vontade política e em parte produto do peso de fatores objetivos, dinâmica.   Quando s generalizações sobre América Latina enfatizam a unidade descobrimos que elas desconhecem sua diversidade, mas também não podemos deixar de reconhecer que os ventos que   sopram num país, embora encontrem no caminho geologias nacionais diversas, afetam com particular força o conjunto da região.</span></p>
<p style="text-align: justify; ">Não se trata de afirmar ou negar a validade da existência de uma identidade latino-americana ou do sonho latino-americano da “pátria grande”, mas de compreender como a ideia de América latina foi, e continua sendo, construída e disseminada, em particular por artistas, intelectuais e cientistas sociais.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong><i>A América Latina dos Historiadores</i></strong> será o primeiro dos temas do <strong>Ciclo <i>Identidades Latino-Americanas </i></strong>que serão realizados em Abril, Junho, Setembro e Novembro de 2015 e em 2016.</p>
<h3><span><strong>Coordenação</strong></span></h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/professores-visitantes/bernardo-sorj" class="external-link">Bernardo Sorj</a></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>
<h3><strong>Expositor</strong></h3>
<div class="visualClear"><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/antonio-mitre" class="external-link">Antonio Mitre</a></div>
<div class="visualClear"></div>
<div class="visualClear"></div>
<h3><span><strong>Debatedores</strong></span></h3>
<div class="visualClear"><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/boris-fausto-1" class="external-link">Boris Fausto</a></span></div>
<div class="visualClear"><span><br /></span></div>
<div class="visualClear"><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/gabriela-pellegrino-soares" class="external-link">Gabriela Pellegrino Soares</a></span></div>
<div class="visualClear"><span><br /></span></div>
<div class="visualClear"><span><a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/expositores/guillermo-palacios" class="external-link">Guillermo Palacios</a> </span></div>
<div class="visualClear"><span><br /></span></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Sandra Sedini</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento público</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciências Sociais</dc:subject>
    
    <dc:date>2015-01-05T17:20:00Z</dc:date>
    <dc:type>Evento</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/octavio-paz-e-a-independencia-intelectual">
    <title>Octavio Paz e a independência intelectual em defesa da liberdade e da democracia</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/octavio-paz-e-a-independencia-intelectual</link>
    <description>A trajetória do envolvimento e do posicionamento político do poeta, ensaísta e diplomata mexicano Octavio Paz foi o tema da conferência de Francisco Javier Garciadiego Dantán, diretor do Colegio de México.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/octavio-paz" alt="Octavio Paz" class="image-inline" title="Octavio Paz" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Octavio Paz em foto de 1988</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Octavio Paz (1914-1998) foi um escritor com duas faces (poeta e ensaísta) que viveu simultaneamente em dois séculos 20 – “o mexicano e o mundial, nem sempre coincidentes” – e em três continentes, segundo o historiador Francisco Javier Garciadiego Dantán, presidente do Colegio de México.</p>
<p>Partidário quando jovem das Revoluções Mexicana e Soviética, Paz se desiludiu com elas na metade do século 20 e, “testemunha sempre atenta dos diversos períodos, porém visionário também por sua perspectiva poética, percebeu que a partir do final dos anos 60 o mundo enfrentaria numerosas revoltas de todo tipo, sendo a estudantil a primeira”.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>Evento</strong></p>
<ul>
<li><span>Notícia<br />"<a href="https://www.iea.usp.br/noticias/especialistas-discutem-o-legado-politico-de-octavio-paz" class="external-link">Especialistas discutem o legado político de Octavio Paz</a>"</span></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/video/videos-2014/octavio-paz-y-la-politica" class="external-link">Vídeo</a></li>
<li><a href="https://www.iea.usp.br/midiateca/foto/eventos-2014/octavio-paz-y-la-politica-31-de-julho-de-2014" class="external-link">Fotos</a></li>
</ul>
<p><strong>Texto de referência</strong></p>
<ul>
<li><span class="internal-link"><a class="external-link" href="http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/52147/56196">Conversa sobre Octavio Paz</a> - Celso Lafer e Haroldo de Campos - "</span><strong>Revista USP</strong><strong>"</strong><span>, nº 8, págs. 91-104, fevevereiro de 1991</span></li>
</ul>
<ul>
<li><a class="external-link" href="http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,no-centenario-de-octavio-paz-imp-,1141363" target="_blank">No Centenário de Octavio Paz</a> - Celso Lafer - "O Estado de S.Paulo", 16 de março de 2014, pág. A2</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No entender de Dantán, é certo que “a Revolução Cubana e logo depois a sandinista fizeram-no desconfiar desse tipo de processo, pois não o considerava a solução para os problemas do homem do último terço do século 20: abandonando sua velha e primeira rebeldia, Paz passou a comprometer-se com os reclamos democráticos”.</p>
<p>A trajetória do envolvimento e do posicionamento político do poeta, ensaísta e diplomata mexicano foi o tema da conferência “Octavio Paz e a Política”, proferida por Dantán no dia 31 de julho, evento organizado pelo IEA-USP e pelo Colegio de México em comemoração ao centenário de nascimento do escritor.</p>
<p>Os comentadores da conferência foram o historiador Carlos Guilherme Mota, diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e primeiro diretor do IEA-USP, e Celso Lafer, presidente da Fapesp, professor titular da Faculdade de Direito (FD) da USP e aluno de Octavio Paz na Cornell University, EUA, em 1966, num curso sobre teoria e prática da poesia a partir do simbolismo. A moderação do evento foi de Jorge Schwartz, diretor do Museu Lasar Segall e professor da FFLCH-USP.</p>
<p><strong>CENÁRIO MEXICANO</strong></p>
<p>Dantán começou sua exposição lembrando que Paz nasceu quando o século 20 histórico mexicano, iniciado com a revolução de 1910, tinha quatro anos de idade, mesmo momento em que começava o século 20 histórico da Europa, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.</p>
<p>De acordo com o historiador, a infância e juventude de Paz transcorreram em cenários mexicanos e apenas em 1937 ele se interessou pelo que acontecia no exterior. “Viveu seus anos estritamente mexicanos no seio de uma família intimamente vinculada à política e à história do país”.</p>
<table class="tabela-direita-400">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/carlos-guilherme-mota-francisco-javier-garciadiego-dantan-jorge-schwartz-e-celso-lafer" alt="Carlos Guilherme Mota, Francisco Javier Garciadiego Dantán, Jorge Schwartz e Celso Lafer" class="image-inline" title="Carlos Guilherme Mota, Francisco Javier Garciadiego Dantán, Jorge Schwartz e Celso Lafer" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Os participantes do evento (<i>a partir da esq.</i>):<br />Carlos Guilherme Mota (comentador), Francisco Javier Garciadiego Dantán (conferencista), Jorge Schwartz (coordenador) e Celso Lafer (comentador)</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ireneo Paz, o avô, foi um militar nascido em 1836 que se envolveu diretamente nas lutas políticas do século 19, combatendo a intervenção francesa e tornando-se um seguidor de Porfírio Dias (1830-1915), militar e líder político que controlou o México de 1876 a 1911, mesmo no período em que esteve fora da presidência. Segundo Dantán, Ireneo Paz era “mais porfirista que liberal e mais militarista que democrático”.</p>
<p>Por sua vez, Octavio Ireneo Paz, o pai, “foi um homem devorado por suas constantes derrotas políticas e por seu irrefreável gosto pelo álcool”. Para o poeta, “a proximidade com o avô tinha como objetivo suprir a ausência do pai”.</p>
<p>O pai, desde jovem, “mostrou seus interesses políticos e logo também mostrou que eles eram diferentes dos de Ireneo, avo do poeta", tendo se incorporado às forças de Emiliano Zapata, cujos acampamentos se encontravam um pouco mais ao sul de Mixcoac, povoado onde habitava a família.</p>
<p>Dantán detalhou o quadro político e cultural da adolescência e juventude de Otavio Paz: “Se sua infância tinha conhecido a Revolução, sua adolescência transcorreu junto com uma extraordinária instabilidade nacional e mundial”. Foi o período da Guerra Cristera (levante popular contra as disposições anticlericais da Constituição Mexicana) e da violência eleitoral. No âmbito internacional, ocorreu a Crise de 29, que “teve impactos enormes no país e na família de Paz”.</p>
<p>Ainda secundarista, o poeta participou da campanha do escritor, educador e filósofo José Vasconcelos (1882-1959) para a presidência do México. Vasconcelos “seguramente havia compartilhado com o pai de Octavio Paz algumas experiências revolucionárias”, comentou o conferencista.</p>
<p>Dantán explicou que a derrota do vasconcelismo desiludiu os jovens e a gravidade da Crise de 29 levou muitos a pensar no desaparecimento do capitalismo e da democracia. Foi nesse clima e contexto, segundo ele, que Paz e outros de sua geração simpatizaram com as organizações e a ideologia comunistas. Segundo o historiador, um dos primeiros empregos de Paz foi como redator em “El Popular”, o órgão oficial da Confederação de Trabalhadores do México, central operária pró-soviética criada em 1936.</p>
<p><strong>INÍCIOS</strong></p>
<p>De acordo com o conferencista, o início político de Paz coincidiu, cronológica e ideologicamente, com seu início poético: “Sua revista ‘Barandal’ era abertamente pró-soviética, e, além do mais, abertamente o foi sua aventura editorial seguinte, os ‘Cadernos Del Valle de México’”.</p>
<p>Em 1933, publicou seu primeiro livro de poesias, “Luna Silvestre”, com sete poemas de temática amorosa. Sua publicação seguinte, em 1936, “foi uma poesia abertamente política chamada <i>“¡No Pasarán!”, </i><span>sobre a recém-instalada Guerra Civil Espanhola”. </span></p>
<p>O ano 1937 foi decisivo na vida do poeta. Abandonou a carreira em direito, casou-se com Elena Garro e publicou seu segundo poemário, “Raíz del Hombre”, “pelo qual mostrou suas duas facetas: a do homem comprometido com seu tempo e a do artista plenamente voltado a sua literatura.”</p>
<table class="tabela-esquerda-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/francisco-javier-garciadiego-dantan-2" alt="Francisco Javier Garciadiego Dantán" class="image-inline" title="Francisco Javier Garciadiego Dantán" /></th>
</tr>
<tr>
<td><strong>Francisco Javier Garciadiego Dantán:"<span>Para Paz, tratava-se de questionar a permanência do ‘ogro filantrópico’"</span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>“Motivado pela política social do então presidente Lázaro Cárdenas, Paz se mudou para a zona rural do estado de Yucatán, para colaborar na campanha de alfabetização que fora lançada.” Segundo o conferencista, Paz ficou impressionado com a pobreza dos maias do século 20 e a riqueza arquitetônica e artística dos maias históricos. “Desde então mostrou sua dupla percepção: a visão dicotômica que conservaria ao longo da vida, entre arte e política, entre passado e presente.”</p>
<p><strong>DECEPÇÃO</strong></p>
<p>Em 1937, Paz foi convidado para o Segundo Congresso Internacional de Escritores em Defesa da Cultura, que aconteceria em Valência, uma vez que Madri já estava sendo muito assediada pelas tropas franquistas. A Liga de Escritores e Artistas Revolucionários (Lear) se responsabilizou pela organização da comitiva mexicana. “Paz não integrava a Lear, mas seguramente a publicação de <i>‘¡No Pasarán!’</i> justificou sua inclusão na comitiva.”</p>
<p>Na opinião de Paz, de acordo com Dantán, “seu primeiro contato com a política comunista mundial [no congresso] foi suficiente para colocá-lo de sobreaviso a respeito do autoritarismo e da intolerância desta: a cruel censura a André Gide foi uma dura decepção, ainda que todavia não tenha dado lugar a seu desligamento”.</p>
<p>“Paz regressou da Espanha intimamente comprometido com o grupo republicano e com a política cardenista, especialmente com a expropriação petrolífera do início de 1938.” A partir de então, Paz foi um autor constante em várias revistas literárias e em algumas vinculadas ao comunista mexicano pró-soviético Vicente Lombardo Toledano.</p>
<p>No entanto, o assassinato de Trotsky, em agosto de 1940, “deu lugar ao início de seu desencanto, que seguramente se agravou em razão de seu rompimento com Pablo Neruda”, então radicado no México. “Deixou de publicar nos jornais de ‘esquerda’ e começou a escrever para o diário ‘Novedades’, propriedade de um renomado empresário vinculado ao governo pós-revolucionário.”</p>
<p><strong>DIPLOMACIA</strong></p>
<p>Na época, Paz recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e se radicou nos Estados Unidos até 1943. Pouco depois iniciou sua carreira diplomática, “situação que o obrigou a acelerar seu afastamento do comunismo”. Nessa época, começou a escrever sobre a política internacional.</p>
<p>Comissionado na França de 1946 a 1951, teve contato com os surrealistas, alguns dos quais, como Breton e Artaud, havia conhecido no México. “O impacto do surrealismo em sua obra é inquestionável e o levou a afastar-se da arte nacionalista e revolucionária mexicana.”</p>
<p>Seus anos como diplomata o obrigaram a enterrar seu radicalismo ideológico. A política, e em particular a diplomacia, começou a ser uma responsabilidade profissional, disse Dantán. Foi então que Paz “começou a distinguir entre realidade e ideologia, entre possibilidade e esperança”.</p>
<p>Esse primeiro emprego estável, possibilitou-lhe “esquecer as angústias da sobrevivência cotidiana e escrever com mais regularidade, mas sem pressa.” O resultado foram duas de suas maiores obras: em 1946, “Libertad bajo Palabra”, primeira coletânea poética; em 1947, o ensaio “El Laberinto de la Soledad”, “uma audaciosa análise sociopsicológica da natureza do mexicano”.</p>
<p><strong>ORIENTE</strong></p>
<p>Em 1959, um ano divisor de águas para Paz, publicou a versão definitiva de “Libertad bajo Palavra” e voltou a sair do país em missão diplomática, com uma breve estada em Paris e depois atuando no Japão e na Índia. “No Oriente, tudo seria descobrimento e experimentação. É indubitável que Paz adquiriu uma segunda perspectiva cultural na Índia; mais ainda, desenvolveu uma nova sensibilidade.”</p>
<p>“Em termos gerais, talvez se possa dizer que Paz foi o primeiro intelectual mexicano autenticamente universal, pois Alfonso Reyes [1889-1959] nunca se interessou pela cultura oriental e Vasconcelos teve uma relação ríspida com a cultura ocidental.”</p>
<p>A carreira diplomática de Paz terminou abruptamente em outubro de 1968. Quando soube da cruel repressão aos estudantes que tinham se reunido na Praça de Tlatelolco, apresentou sua renúncia ao posto de embaixador na Índia. “Seguramente, esse foi o maior conflito em toda sua biografia política e intelectual. Sua renúncia deve ser vista como elemento decisivo para a redefinição das relações entre os intelectuais e o governo mexicano.”</p>
<p>Esse rompimento permitiu-lhe “dedicar mais tempo à sua poesia, ter mais soltura para sua obra ensaística e mais liberdade e independência para suas análises políticas”. Voltou ao México dois anos depois, após passar por universidades americanas e europeias, “nas quais seu ato de rebeldia contra o governo lhe rendeu enorme visibilidade e prestígio”.</p>
<table class="tabela-direita-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/carlos-guilherme-mota-1" alt="Carlos Guilherme Mota" class="image-inline" title="Carlos Guilherme Mota" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: right; "><strong>Carlos Guilherme Mota: "A<span> principal lição deixada por Paz é a defesa da independência intelectual"</span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>RETORNO</strong></p>
<p>De volta ao México, Paz dedicou o restante da vida a escrever e a “ter uma vida pública muito ativa, com opiniões sobre os principais problemas nacionais e internacionais”.</p>
<p>Era um dos que defendiam mudanças políticas e sociais profundas e pacíficas. Em 1971, fundou a revista “Plural”, dedicada à cultura e à política e patrocinada pelo jornal “Excélsior”, o maior do México.</p>
<p>Na primeira metade dos anos 70, o México “viveu uma grave indefinição: a classe política não sabia que caminho tomar rumo ao futuro imediato e a oposição oscilava entre a violência e a organização política independente e pacífica”. <span>Paz optou pela última opção e, contradizendo seu perfil apartidário, apoiou a criação do Partido Mexicano dos Trabalhadores, do qual logo se desligou, “diante das divergências demonstradas já no início do movimento e pelo receio que sempre teve da militância partidária”.</span></p>
<p>O conferencista lembrou que o afastamento definitivo de Paz do governo do presidente Luis Echeverría Álvares aconteceu quando o governo usou, em meados de 1976, um conflito trabalhista como pretexto para apoiar uma mudança na direção do jornal “Excélsior”, o que afetou a revista “Plural”.</p>
<p><span>Se Echeverría queria calar a crítica, o efeito foi o inverso: “Parte dos produtores do jornal fundou a revista ‘Proceso’, com uma posição crítica radical e personalista; Paz e seus companheiros de ‘Plural’ criaram ‘Vuelta’. Os dois grupos acabaram se distanciando, com ‘Proceso’ exacerbando suas posições e  Paz e ‘Vuelta’ dedicando-se não só a crítica aos regimes autoritários e ditatoriais da América Latina, começando pelo México, mas também a seus regimes e aos movimentos opositores de esquerda”.</span></p>
<p>Na verdade, o ponto central da discórdia foi o apoio ou a crítica a Cuba: “O ambiente intelectual mexicano praticamente se dividiu em dois, e assim se manteria até a morte de Paz; a divisão inclusive transcendeu sua morte e se mantém hoje em dia”.</p>
<p><strong>CONFRONTOS</strong></p>
<p><span>Dantán citou alguns episódios que exemplificam o grau de confronto entre os dois grupos. Um deles foi quando Paz completou 70 anos e a rede Televisa fez uma série de programas sobre ele e o governo organizou uma calorosa celebração. Nessa ocasião, “intelectuais e políticos de esquerda criticaram a proximidade entre Paz e a Televisa, assim como sua simpatia pelo presidente De la Madrid”. </span></p>
<p><span></span>Durante os anos 80, segundo o conferencista, Paz e seu grupo defendiam que a ideologia do nacionalismo revolucionário, caracterizada pela tentativa de redefinir a estrutura social do país por meio de uma política econômica estatista, era cada vez mais anacrônica em relação às mudanças pelas quais o mundo passava: “O que buscavam era que o Estado mexicano fosse delimitado, passo imprescindível para a democratização do país”.</p>
<p>As críticas a ele se acentuaram pouco depois, quando Paz recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livre Alemão na Feira do Livro de Frankfurt e, no seu discurso, criticou o governo sandinista da Nicarágua. “As respostas da esquerda mexicana foram assombrosamente violentas.”</p>
<p>Em 1988, foi criticado pela esquerda por ter comemorado o surgimento da oposição eleitoral no país e criticado a negativa de Cuauhtémoc Cárdenas (candidato da situação) em reconhecer os resultados oficiais das eleições, que apontaram sua derrota e foram considerados uma fraude pela esquerda. Na ocasião, de acordo com Dantán, Paz assinalou que a democratização do México não aconteceria se a esquerda triunfasse, “cujo projeto governamental lhe parecia mais uma ameaça”.</p>
<p><span>Os anos 90 foram os da consagração mundial do escritor, que em 1990 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. O período também é marcado por mais polêmicas e pelo início do declínio físico de Paz. </span>Em 1989, outro motivo de conflitos foram as críticas de Paz a Fidel Castro “por seus 30 anos de domínio absoluto do regime”.</p>
<table class="tabela-esquerda-300">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/celso-lafer-1" alt="Celso Lafer" class="image-inline" title="Celso Lafer" /></th>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: left; "><strong>Celso Lafer: "A<span> paixão de Paz era a liberdade"</span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No princípio da década, houve o último debate público de Paz. Trata-se do apoio governamental ao “Colóquio de Inverno”, em que houve uma diferenciação entre os que sustentavam posições liberais, a favor de um Estado limitado, e aqueles que oscilavam entre o estatismo e a esquerda. “Para Paz, tratava-se de questionar a permanência do ‘ogro filantrópico’.” As consequências do debate envolveram o escritor, que renunciou ao cargo honorário que tinha no Conselho Nacional para a Cultura e as Artes, “organismo criado pelo presidente Carlos Salinas de Gortari para aproximar os intelectuais e artistas do aparelho governamental”.</p>
<p><span> </span>No entanto, nessa fase final da vida, “por um momento ressurgiu nele a esperança na rebelião; compreensivelmente, o filho de um zapatista recebeu com certa simpatia a eclosão da rebelião neozapatista no sudeste do México no início de 1994”.</p>
<p><strong>INDEPENDÊNCIA</strong></p>
<p>Nos seus comentários à conferência, Carlos Guilherme Mota disse que Dantán apresentou “uma nova visão de Octávio Paz, revelando como o intelectual transitou em dois séculos, iluminando nossas culturas com intensa atividade e espírito de independência”.</p>
<p><span>“Além da questão social sempre presente, impressiona no trabalho de Paz suas preocupações com a história, com a sociologia, com a poética, com a linguagem, com a inserção sofisticada da vida social e do cotidiano nas estruturas maiores de seu tempo, que ainda é o nosso”, disse o historiador brasileiro. </span>Mota destacou que Paz, “além das heranças da revolução em seu país, soube como poucos dialetizar os grandes acontecimentos mundiais e suas refrações na América Latina e também dialogar com os principais estudiosos e literatos de seu tempo”.</p>
<p>“Ele ampliou – como poucos o fizeram – os próprios conceitos de cultura, de crítica e de história, ao resgatar e estudar, criticar, combater ou aprovar posições de grandes explicadores, escritores e produtores culturais”. Ao mesmo tempo, as críticas de Paz “ao marxismo dogmático, ao populismo e ao autoritarismo em geral foram a razão de muitas incompreensões e críticas ásperas”, destacou Mota, para quem a principal lição deixada por Paz é a defesa da independência intelectual.</p>
<p>Na sua participação como comentador, Celso Lafer destacou que Dantán, ao discutir na conferência os tempos e cenários em que viveu e atuou Octavio Paz, “proporcionou uma chave para o entendimento da relação do poeta com a política”.</p>
<p>Lafer disse que Paz não só tratou, como seu avô e seu pai, da circunstância mexicana em todas as suas dimensões, mas, em contrate com seus dois ancestrais, também tratou do mundo, “com uma abrangência que não tiveram, como notou o conferencista, dois grandes intelectuais mexicanos da geração anterior à sua, José Vasconcelos e Alfonso Reyes”.­</p>
<p><strong>REBELDIA</strong></p>
<p>A qualificação de Paz como “um homem rebelde e um escritor independente”, feita por Dantán, foi frisada por Lafer. Este sugeriu que o escritor “foi um rebelde, porque nunca foi conformista, mas subjacente à sua análise política está o jogo da revolta, da rebeldia, da revolução e do reformismo, uma moldura que ajuda a explicar o seu itinerário”.</p>
<p>Segundo Lafer, “a análise política de Octavio Paz está ligada à sua condição de poeta. Isso provém da sua percepção de que o pacto verbal antecede o pacto social e por isso a análise política passa pelo restabelecimento dos significados e a crítica das máscaras do poder e da política como o teatro dos espelhismos”.</p>
<p>Para exemplificar com palavras do próprio Paz, Lafer leu trecho de conferência do escritor em Sevilha, em novembro de 1991, sobre a democracia: “Não sou historiador nem sociólogo, nem politicólogo: sou um poeta. Meus escritos em prosa estão estreitamente associados a minha vocação literária e as minhas preferências artísticas. Prefiro falar de Marcel Duchamp ou de Juan Ramón Jimenes que de Locke e de Montesquieu. A filosofia política sempre me interessou, porém nunca tentei nem tentaria escrever um livro sobre a justiça, a liberdade ou a arte de governar. Não obstante, publiquei muitos ensaios e artigos sobre a situação da democracia em nossa época: os perigos externos e internos que a ameaçaram e a ameaçam, as dúvidas e provas a que ela enfrenta”.</p>
<p>Segundo Lafer, a paixão de Paz era a liberdade, “pois, como disse no discurso de agradecimento ao receber o Prêmio Tocqueville em 1989, desde cedo compreendeu que a defesa da poesia é inseparável da defesa da liberdade e esta requer, numa dialética de complementaridade, a democracia: ‘sem liberdade a democracia é despotismo; sem democracia a liberdade é uma quimera’”.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos (a partir do alto): primeira - John Leffmann; demais - Sandra Codo/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
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      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Glocal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>América Latina</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ciência Política</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>México</dc:subject>
    
    <dc:date>2014-08-17T06:00:00Z</dc:date>
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