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Afetando Tecnologias, Maquinando Inteligências

por Janaina Abreu Oliveira - publicado 22/01/2020 11:50 - última modificação 11/08/2020 09:11

Detalhes do evento

Quando

de 05/02/2020 - 10:00
a 07/02/2020 - 21:00

Onde

Vide Programação

Nome do Contato

Telefone do Contato

11 3091-1683

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Eu, [humano]1 de cor, só quero uma coisa:
Que jamais o instrumento domine o [humano].
—Frantz Fanon, “Pele Negra, Máscaras Brancas” (1952)

Fanon fez esse apelo assim que os primeiros computadores digitais estavam sendo construídos nos Estados Unidos. Quase setenta anos depois, as tecnologias da informação construídas com Inteligência Artificial (IA) e Aprendizado de Máquina (AM) estão sendo cada vez mais impregnadas nos tecidos sociais e cívicos em todo o mundo, codificando injustiças coloniais em infraestruturas globais de informação. A ferramenta de software passou a possuir o "humano de cor".

Quem constrói essas ferramentas? Muitos trabalhos novos em IA e AM são informados por um entendimento de IA e AM que está enraizado nos valores culturais e legais do Norte Global. Por exemplo, clichês americanos de ficção científica da década de 1950 influenciam a imaginação popular dessas tecnologias como "inteligências" governantes sobre-humanas ou "robôs" servis e sub-humanos flutuando em um nevoeiro de dados. Os usos da IA ​​e AM estão situados em diferentes localidades culturais, políticas e geográficas, onde também existem diferenças de poder e agência entre as pessoas que estão interagindo com essas tecnologias. Com demasiada frequência, os futuros tecnológicos são determinados apenas por pessoas com formação avançada em sistemas tecnológicos e com um entendimento achatado do cenário social.

Como a escritora Audre Lorde disse em 1979, "as ferramentas do mestre nunca desmontarão a casa do mestre". Assim, nosso trabalho, como pesquisadores críticos, artistas e ativistas, deve começar desmontando esses clichês para construir juntos um entendimento coletivo dessas ferramentas e instrumentos. Por exemplo, podemos considerar as seguintes perguntas:

  • Que formas de "inteligência" são implicitamente codificadas e privilegiadas nessas tecnologias?
  • Como podemos codificar maneiras diferentes e plurais de saber? Como podemos maquiná-las para cuidar inteligentemente do humano, mais-do-que-humano, e do planeta?
  • Como os diferentes tipos de recursos, como minerais, informação e mão de obra, são transportados pelo planeta para sustentar essas tecnologias da informação? Como podemos remodelar esses fluxos?
  • Como podemos repensar criticamente os potenciais e funções das inteligências não-humanas para justiça social e criatividade? Quais comunidades e perguntas estão sendo mal atendidas ou sobre-analisadas por esses sistemas?
  • Como as condições sociais e econômicas da competição global moldam as pedagogias da IA ​​e de AM? Como podemos desenvolver pedagogias alternativas que centralizam questões de justiça?


Informados pelo nosso trabalho de desfazer as ferramentas do mestre, trabalharemos juntos para construir novos tipos de ferramentas e instrumentos que podem construir novos tipos de casas. Esta cúpula propõe uma reformulação criativa das possibilidades de maquinar inteligências e trabalha através de três etapas interconectadas: Deslinguagem (Delanguageing), Relinguagem (Relanguageing) e Intervenção (Intervening).

Os convidados trabalham e pesquisam criticamente questões de tecnologia, computação, arte e humanidades/pesquisa social. A maioria dos convidados está ligada ao Sul Global, e/ou perspectivas de(s)coloniais, feministas e indígenas. Eles trazem uma disposição ativista e colaborativa, especialmente por meio de formas participativas e performativas de construir conhecimento, pesquisa e prática artística.

Intencionalmente, focalizamos as vozes dos colonizados, oprimidos e marginalizados, que muitas vezes são deixados de lado no discurso e no desenvolvimento da tecnologia.

1 - A palavra homem foi substituída por humano para incluir todos os gêneros.

Programação


5 de fevereiro6 de fevereiro7 de fevereiro
10h - 12:30h

COMPARTILHAR: DESLINGUAGEM

(no IEA USP, Sala Alfredo Bosi)

[Esta sessão está aberta a todo o público com inscrição prévia]

COMPARTILHAR: RELINGUAGEM

(no IEA USP, Sala Alfredo Bosi)

[Esta sessão está aberta a todo o público com inscrição prévia]

COMPARTILHAR: INTERVENÇÃO

(no IEA USP, Sala Alfredo Bosi)

[Esta sessão está aberta a todo o público com inscrição prévia]

14h - 17h

FAZER+DISCUTIR

(no InovaUSP, Sala do CAIA - Comunidade de Arte e Inteligência Artificial)

[para convidados]

FAZER+DISCUTIR

(no InovaUSP, Sala do CAIA - Comunidade de Arte e Inteligência Artificial)

[para convidados]

FAZER+DISCUTIR

(no InovaUSP, Sala do CAIA - Comunidade de Arte e Inteligência Artificial)

[para convidados]

18:30h - 21h

CONHECER AO OUTRO

(Local a ser definido)

[para convidados]

APRENDER

(no InovaUSP, Sala do CAIA - Comunidade de Arte e Inteligência Artificial)

[para convidados]

ENCONTRO FINAL+PERFORMAR

(no InovaUSP, Sala do CAIA - Comunidade de Arte e Inteligência Artificial)

[evento aberto sem inscrição prévia]

05/02

10h - 12:30h

COMPARTILHAR: Deslinguagem

Nossas conversas sobre computação são, é claro, moldadas pelas palavras que usamos para conversar e pensar sobre tal. Essa linguagem é necessariamente fornecida com seu próprio contexto – que se torna visível com algumas citações:

"ferramenta" "artificial" "inteligência" "Humano" "desumano" "máquina" "ciborgue" "tecnologia" "mídia" "viés" "ética" "regulamentação" "humanidade" "empatia" "design" "parceiro" "cidadão" "aplicativo" "dados" "erro" "cultura"

Nesta sessão de compartilhamento de falas/apresentações, convidamos nossos participantes a um exercício de “deslinguagem”, de modo a repensar nosso vocabulário. Algumas questões fundamentais podem incluir: Quais são as nossas epistemologias de crítica? O que as epistemologias e ontologias desses conceitos tornam possível ou impossível? O que eles consideram certo e quais são seus objetivos? Como esses conceitos estão sendo possibilitados por paradigmas coloniais, quantitativos, desiguais e centrados na tecnologia?

Os apresentadores são: Rafael Grohmann, Katherine Ye, Amanda Chevtchouk e Gabriel Pereira.

14h - 17h

FAZER + DISCUTIR

Facilitaremos sessões para discussões e construções com os participantes. Este será um processo horizontal, dinâmico e construtivo. Como tal, assumirá a forma que os participantes entenderem ser mais proveitosa. Nossas idéias propostas para grupos de trabalho incluem:

  • Criar publicações coletivas (por exemplo, zines)
  • Criar ementas com referências alternativas (ou outras linhas pedagógicas)
  • Definir perguntas e orientações (ou seja, agenda setting)
  • Definir novas linguagens e vocabulários (por exemplo, dicionários alternativos)
  • Criar construções artísticas colaborativas
  • Continuar as discussões do período da manhã, e outros tópicos
18:30h - 21h

CONHECER AO OUTRO

Faremos uma atividade social para nos conhecermos, que será determinada no dia.

06/02

10h - 12:30h

COMPARTILHAR: Relinguagem

Como podemos pensar em inteligências de máquinas considerando os valores e paradigmas de maneiras plurais de pensar e conhecer de diferentes localidades (ou seja, aquelas cujas perspectivas foram marginalizadas ou apagadas)?

Quais são as maneiras pelas quais essas idéias estão sendo expressas e retrabalhadas por comunidades plurais? Como inteligências de máquinas são apropriadas? Nesta sessão de compartilhamento de falas/apresentações, convidamos nossos participantes a um exercício de "relinguagem" compartilhando seus experimentos/projetos que imaginam e centralizam outras palavras/mundos (ou usam palavras/mundos normativos de uma maneira diferente). Essa reformulação pode envolver novas linguagens como justiça, comunidade, descolonização, e pluralidades.

Os apresentadores são: GECID (Bruno Moreschi + Guilherme Falcão + Bernardo Fontes), Sabelo Mhlambi, Tais Oliveira e Dalida Maria Benfield.

14h - 17h

FAZER + DISCUTIR

Facilitaremos sessões para discussões e construções com os participantes. Este será um processo horizontal, dinâmico e construtivo. Como tal, assumirá a forma que os participantes entenderem ser mais proveitosa. Nossas idéias propostas para grupos de trabalho incluem:

  • Criar publicações coletivas (por exemplo, zines)
  • Criar ementas com referências alternativas (ou outras linhas pedagógicas)
  • Definir perguntas e orientações (ou seja, agenda setting)
  • Definir novas linguagens e vocabulários (por exemplo, dicionários alternativos)
  • Criar construções artísticas colaborativas
  • Continuar as discussões do período da manhã, e outros tópicos
18:30h - 21h

APRENDER

Esta sessão será realizada como oficinas paralelas, à quais todos serão convidados a participar.

Bernardo Fontes: Sintetizando novas faunas - Explorações com image-to-image

Lucas Nunes e Rafael Tsuha: Uma brecha dentro do museu – Problematizando a visão computacional das IAs comerciais

Outros workshops a serem anunciados.

07/02

10h - 12:30h

COMPARTILHAR: Intervenção

O que queremos que as inteligências de máquinas façam por nós, agora e no futuro? Como estamos e como podemos centralizar diversos conhecimentos humanos em nossa concepção do que eles podem fazer? Como podemos maquiná-los para cuidar inteligentemente do humano, mais-do-que-humano, e do planeta?

Nesta sessão de falas/apresentações, convidamos nossos participantes a compartilhar seus projetos que visam intervir e mudar as realidades em relação às inteligências de máquinas e computação. Isso pode envolver projetos ativistas, políticos, de pesquisa, ou artísticos, entre outras propostas pedagógicas e de conhecimento.

Os apresentadores são: Silvana Bahia, Jennifer Lee, Didiana Prata, Giselle Beiguelman e Rodrigo Ochigame.

14h - 17h

FAZER + DISCUTIR

Facilitaremos sessões para discussões e construções com os participantes. Este será um processo horizontal, dinâmico e construtivo. Como tal, assumirá a forma que os participantes entenderem ser mais proveitosa. Nossas idéias propostas para grupos de trabalho incluem:

  • Criar publicações coletivas (por exemplo, zines)
  • Criar ementas com referências alternativas (ou outras linhas pedagógicas)
  • Definir perguntas e orientações (ou seja, agenda setting)
  • Definir novas linguagens e vocabulários (por exemplo, dicionários alternativos)
  • Criar construções artísticas colaborativas
  • Continuar as discussões do período da manhã, e outros tópicos
18:30h - 21h

ENCONTRO FINAL + PERFORMAR

Este será o momento de compartilhar informalmente o que trabalhamos juntos durante o evento, para todos do grupo. Como tal, a organização disso será dinâmica de acordo com nosso trabalho conjunto.

Abriremos espaço para mini-instalações e performances, por exemplo. Também teremos apresentações com som e IA, por Gabriel Lemos e André Damião ("Guerra Não Linear"), e outras apresentações a serem determinadas.

 

Inscrições

Evento público e gratuito | Em espanhol, inglês e português sem tradução | Com inscrição prévia (veja detalhes abaixo)

As inscrições são apenas para as sessões matutinas. As demais são fechadas para convidados, exceto a sessão de encerramento, que será aberta e sem inscrição.

Organização

Center for Artificial Intelligence (C4AI) - Fapesp + IBM + USP

Comunidade de Arte e Inteligência Artificial (CAIA) - InovaUSP

Comissão organizadora

Katherine Ye (Carnegie Mellon University)

Dalida Maria Benfield (Vermont College of Fine Arts e CAD+SR)

Bruno Moreschi (Center for Arts, Design and Social Research e InovaUSP)

Gabriel Pereira (Aarhus University)

Apoio

Center for Arts, Design, and Social Research (CAD + SR)

Pedro Barbosa

Instituto de Estudos Avançados