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A Paisagem como Paradigma Político: Ética, Tempo e Civilização

por Sandra Sedini - publicado 01/11/2018 12:40 - última modificação 13/11/2018 17:05

Detalhes do evento

Quando

de 09/11/2018 - 09:00
a 09/11/2018 - 17:00

Onde

Sala Alfredo Bosi, Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo

Nome do Contato

Telefone do Contato

11 3091-1678

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“Se bem que haja que preservar o que puder ser preservado do mundo natural, da Terra, da biodiversidade e dos recursos naturais, o que verdadeiramente urge, até como condição para tal, é uma mudança de civilização e esta só pode vir de uma mutação radical da consciência ou do regime de experiência e percepção da chamada realidade.”

(Paulo Borges: Abertura da Consciencia e Mudança de Civilização. Repensar a Natureza, a Terra e Eros a partir de Hesíodo.)

Este segundo seminário Internacional A Paisagem como Paradigma Político é uma iniciativa conjunta dos Grupos de Pesquisa Mitopoética da Cidade (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo / IPUSP), Política Ambiental (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo / IEA) e Filosofia da Paisagem (Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa / CFUL).

Em sua primeira edição, ocorrida no IEA-USP em novembro de 2017, discutiu-se o tema Corpo e Paisagem na Época das Imagens Técnicas; em continuação, apresenta-se agora o II Seminário Internacional A Paisagem como Paradigma Político: Ética, Tempo e Civilização.

Atualmente, são inegáveis os sinais de decadência de ordem política, ética e sobretudo ecológica patenteando, a cada dia com maior clareza, uma crise da civilização ocidental. Ora, considerando-se o caráter expansivo e pervasivo desta (nossa) civilização, que hoje alcança em algum grau todas as sociedades existentes na Terra, pode-se mesmo falar em uma crise planetária. Os efeitos avassaladores desta crise atingem não apenas as condutas e valores, mas também os fundamentos primordiais da construção e representação da realidade e mesmo da mundivivência de todos nós, partícipes desta civilização e, neste sentido, não é um exagero considerá-la como uma profunda crise ontológica.

Trata-se de uma crise essencialmente diferente de todas as anteriores – é uma simplificação grosseira compará-la, por exemplo, às crises políticas e sociais que culminaram nas grandes guerras autofágicas da civilização ocidental durante a primeira metade do século 20 ou, e ainda menos, reduzí-la à assim chamada crise econômica e financeira que abalou a primeira década do século 21.

É preciso ter uma rara coragem para reconhecer que estamos vivendo uma crise do mundo humano, desencadeada pelo desmesurado crescimento populacional de nossa espécie conjugado com a adoção predominante de um modo de vida que é, para dizer o mínimo, insustentável econômica e ecologicamente – estamos consumindo, esgotando, devastando, degenerando, nossa própria casa! E esta crise do mundo humano não atinge apenas a nossa espécie: ao degenerar o planeta, estamos condenando à miséria todos os demais seres vivos que o coabitam conosco – daí que alguns intelectuais venham designado esta nossa era (esta era durante a qual nossa espécie, o Homo sapiens, domina a Terra) como Antropoceno, sendo a força humana caracterizada como equivalente a uma força tectônica, uma força incontrolável e capaz de provocar uma catástrofe irreversível e de ordem global.  Esta visão de que se trata de uma força incontrolável encontra apoio no retorno incessante – à despeito de muitos os esforços em contrário – de pensamentos de exclusão e opressão contra a multiplicidade do viver e da persistência e agravamento da voracidade predatória do humano demasiado humano.

Diante deste quadro, paira hoje sobre muitos de nós uma dúvida, profunda e inquietante como nunca antes: devemos, mesmo, ainda tentar preservar e defender uma civilização que está destruindo o planeta inteiro e se recolhe nas mais anacrônicas e brutas estruturas sociais e políticas? O II Seminário Internacional A Paisagem como Paradigma Político: Ética, Tempo e Civilização pretende abrir um debate em torno desta dúvida. Com tal intuito, convidamos quatro pensadores a pronunciarem-se e debaterem, entre si e com o público, as seguintes questões:

  • O que há de especial na crise hodierna, ou melhor: qual sua origem, sua essência, as condições que a engendram e sustentam?
  • Quais seriam as possibilidades e os limites da ação humana para a superação desta crise?

 

Os organizadores propõem uma inversão (subversão?) da dinâmica corriqueira dos eventos acadêmico-científicos: em vez de responder perguntas, queremos ouvir (e comentar) respostas do público às seguintes questões:

* Como repensar e transformar as percepções e representações vigentes atualmente quanto ao tempo?

* De que modo as temporalidades vigentes vinculam-se a uma dinâmica escatológica? Podemos romper esta vinculação?

* Como pensar para além do dualismo polêmico entre o natural e o cultural, a Natureza e a Cultura?

* Como repensar e transformar o significado do ethos, do nosso modo de habitar e respirar na Terra?

* O que compõe uma autêntica po-ética da vida e do viver na Terra?

* Como introduzir no mundo, hoje, uma política do sensível, à qual pertence o cuidar dos corpos, das paisagens e da multiplicidade de linguagens?

* Como a ciência está, ou poderia estar, ajudando a responder estas questões?

* Que transformações isto tudo poderia trazer para a Ética? E para a política?

Inscrições

Evento público e gratuito | Sem inscrição prévia.

Não há necessidade de inscrição para assistir à transmissão on-line.

Capacidade da sala: 50 pessoas

Onde estamos

Programação

9h

Abertura

Eda Tassara (IP e IEA USP); Sandra Patrício (IP e IEA USP) e Dirk Michael Hennrich (CFUL)

10h

Abertura da Consciência e Mudança de Civilização. Repensar a Natureza, a Terra e Eros a partir de Hesíodo

Paulo Borges (Universidade de Lisboa)

12h

Intervalo

14h

Exibição do fotofilme documentário "Povo da Lua, Povo do Sangue" (Marcello G. Tassara, 1984)

*   O material utilizado neste filme foi obtido por Cláudia Andujar no território da nação Yanomami entre 1972 e 1982. Ao final da exibição, o diretor do filme, Dr. Marcello G. Tassara, comentará detalhes de sua realização.

14h40

Uma perspectiva para a compreensão do ethos humano

Sandra Patrício (IP e IEA USP)

15h

A crise ontologica e as políticas do sensível.

Dirk Michael Hennrich (CFUL)

15h20

Notícias dos povos indígenas

Eda Tassara (IP e IEA USP)

15h40

Reflexões ad hoc

Paulo A. E. Borges (Universidade de Lisboa)

16h

Diálogos

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo