Você está aqui: Página Inicial / EVENTOS / Trânsitos: Franceses no Brasil no Século XX (Colóquio)

Trânsitos: Franceses no Brasil no Século XX (Colóquio)

por Cláudia Regina - publicado 03/08/2022 11:45 - última modificação 20/09/2022 16:01

Detalhes do evento

Quando

de 20/09/2022 - 09:00
a 21/09/2022 - 18:00

Onde

Sala Alfredo Bosi, Rua Praça do Relógio, 109, Cidade Universitária e ON-LINE

Nome do Contato

Telefone do Contato

11 3091-1686

Adicionar evento ao calendário

Esse evento faz parte da Semana Franco-Uspiana de Cooperação Científica.

Os estudos sobre a presença francesa no Brasil recobrem diferentes esferas da vida social, política e econômica, os quais podem ser abordados de uma perspectiva “micro”, no nível cotidiano, ou “macro”, retratando os movimentos inseridos em um século atormentado por crises econômicas sistêmicas, duas Grandes Guerras, migrações internacionais intensas – não raro, trágicas – e uma geopolítica cindida em dois grandes blocos hegemônicos, liderados pelos Estados Unidos e a União Soviética, no pós-II Guerra Mundial. Diante desse quadro, como pensar a trajetória – os trânsitos e as permanências – dos franceses no Brasil?

Juntamente com os trânsitos de pessoas, foco desse projeto, não podemos deixar de mencionar o trânsito de ideias que o acompanhou e que merece destaque, particularmente, no caso dos franceses. Ou seja, se o fluxo migratório é modesto numericamente, seu alcance não o é, como poderemos constatar em mais de um aspecto ou estudo de caso previsto nesse projeto.

Assim, para além da história captada através de uma grande angular, é possível fixar, no detalhe, a participação dos franceses nas mais diversas esferas da vida brasileira? Os festejos da Queda da Bastilha, na pacata São Paulo, da década de 1920; as atividades profissionais e científicas, que estreitaram laços tão importantes entre universidades francesas e brasileiras; ou, nos pós-II Guerra Mundial, as trocas artísticas intensas, certamente motivadas por uma campanha aguerrida frente as investidas do american way of life... enfim, diante de tantos temas relevantes, é possível mapear projetos bem-sucedidos, ou malogrados, em um mar de realizações e decepções que compõem as experiências vivenciadas por esses viajantes de curta ou longa duração, mas também pelos imigrantes, com base em investigações que ainda não encontraram um fórum franco-brasileiro de divulgação?

O Colóquio “Trânsitos: Franceses no Brasil no Século XX” se apresenta como um ponto de partida para um mapeamento mais amplo das trocas científicas, culturais, econômicas e políticas entre franceses e brasileiros. Trata-se da pedra inaugural de um projeto maior, que inclui a  criação de uma enciclopédia digital destinada aos registros das experiências aqui retraçadas, e de outras tantas, com potencial para tornar-se uma ferramenta decisiva de  guarda da memória e de pesquisas futuras.

Palavras-chave

relações França-Brasil; experiências; trânsitos; permanências; cooperação científica

Inscrições

Evento público e gratuito | com inscrição prévia (limite de vagas, 30 no total).

Público presencial deverá estar de máscara e apresentar carteira de vacinação Covid19.

Evento presencial e on-line

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo

Não haverá certificação.

Organização

Instituto de Estudos Avançados/USP e CRCB-EHESS, Paris

Curadoria: Marisa Midori Deaecto (ECA e IEA-USP) e Monica Raisa Schpun (EHESS-PARIS)

Programação

20/09

09h

Abertura:

Guilherme Ary Plonski (Diretor do Instituto de Estudos Avançados); Yves Teyssier D’Orfeuil (Cônsul Geral da França no Estado de São Paulo); Hervé Théry (Coordenador do IdA-Pôle Brésil); Marisa Midori Deaecto (ECA e IEA-USP) e Monica Raisa Schpun (EHESS-PARIS)

10h

Conferência 1 - Entre Bulevares e Cruzamentos: os Trânsitos entre a França e o Brasil - Monica Raisa Schpun (EHESS-PARIS)

Mediadora: Sandra Nitrini (FFLCH e IEA-USP)

Se os franceses nunca fizeram parte dos grupos migratórios majoritários no Brasil, a história dos trânsitos entre os dois países a partir do final do século XIX é densa e variada. Costureiras, chapeleiras e ganteiras da Rua do Ouvidor, judeus alsacianos patriotas fugindo da anexação alemã do leste francês depois da guerra de 1870, em São Paulo, e membros da Missão de professores franceses na USP recém-criada, para não dar mais que três exemplos, a presença francesa cintilou na vida social das grandes cidades brasileiras para além do afrancesamento incontido das elites da Belle Époque... e não só. Franceses icônicos ou anônimos foram atraídos pelo Brasil e ali se fixaram, por períodos mais ou menos longos, temporária ou permanentemente, deixando suas marcas no espaço urbano. E os trânsitos não foram, como sempre, de mão única: a ditadura militar criou um fluxo emigratório e a França acolheu parte dos exilados, que ali permaneceram por períodos mais ou menos longos, fixando-se definitivamente ou não. Embaixadores informais cruzaram o Atlântico de lado a lado alargando e alongando esses bulevares migratórios. Schpun seguirá alguns desses rastros, pistas abertas para o projeto que inaugura-se aqui.

11h30

Mesa-Redonda 1 - Ciências Humanas e Cooperação Científica

Mediadora: Gabriela Pellegrino Soares (FFLCH-USP)

Figuras Intelectuais no Novo Mundo: Práticas e Representações dos Professores de Sociologia da Universidade de São Paulo - Marcia Consolim (UNIFESP)

Investigar, em termos comparados, as trajetórias, as práticas e as representações dos professores franceses ligados às cadeiras de sociologia da Universidade de São Paulo – Paul Arbousse Bastide, Claude Lévi-Strauss e Roger Bastide. Pretende-se mostrar que cada um encarnou uma figura intelectual específica durante o período das missões francesas, considerando-se a polarização entre a figura do “pesquisador” e a do “embaixador”, e que tais diferenciações estão associadas à formação e a práticas docentes e de pesquisa estabelecidas no campo intelectual de origem e no Brasil.

Pelos olhos de Dina: Gênero, Raça e Antropologia nos Diários de Campo de Dina Dreyfus Lévi-Strauss - Fernanda Azeredo de Moraes (EHESS/PARIS)

Dina Dreyfus Lévi-Strauss é uma das raras mulheres francesas a ter realizado pesquisas etnográficas na América do Sul antes da II Guerra Mundial. Filha de pai judeu e de mãe católica, Dina diplomou-se pelo Institut d’Ethnologie da Université de Paris antes de partir para o Brasil como acompanhante de seu marido, Claude Lévi-Strauss. Uma vez no Brasil, ela realizou pesquisas nas áreas de antropologia física, etnologia e antropologia material. O caderno de campo e diário, que datam da missão de 1938, revelam a atenção da jovem antropóloga aos corpos que a cercavam, assim como a raça como marcador fundamental da sociedade brasileira. Documento íntimo, o diário expõe a experiência de Dina não apenas como sujeito que vê, mas também como uma mulher que é vista pelos brasileiros e brasileiras, e é assim percebida em sua situação particular, ao mesmo tempo de submissão e privilégio. Através desse documento singular, Moraes    analisará as relações complexas tecidas em torno dos conceitos de virilidade e mestiçagem no campo da antropologia dos anos 1930, entre o Brasil e a França.

A Circulação do Padre Lebret no Brasil e o Movimento Economia e Humanismo - Hugo Quinta (Unesp-Assis)

Louis-Joseph Lebret (1897-1966) é o nome civil do dominicano Padre Lebret, idealizador e um dos fundadores do movimento Economia e Humanismo na França, em 1941. Após seis anos de pesquisas e projetos desenvolvidos em cidades francesas, o religioso foi convidado a lecionar um curso introdutório sobre Economia Humana na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo. Apesar de determinadas declarações do padre terem provocado desentendimentos com o clero brasileiro, a sua primeira estada no país atraiu o interesse de religiosos renomados, leigos, universitários, empresários e intelectuais, o que o levou a assentar as bases do movimento na capital paulista, onde fundou a sociedade de planejamento urbano nomeada de SAGMACS. Mas foi durante os anos 1950 que Padre Lebret viajou repetidas vezes para o Brasil, com o propósito de divulgar suas ideias e de conduzir pesquisas e projetos socio-urbanísticos contratados pelos governos de capitais e munícipios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pernambuco. É partindo desse contexto histórico que esta comunicação aborda as principais incursões e realizações do Padre Lebret e do movimento Economia e Humanismo em território brasileiro.

13h

Intervalo

15h

Mesa-Redonda 2 - Trânsitos Franceses nas Artes e nas Letras

Mediador: Conrado Fogagnoli (FFLCH e IEA-USP)

Marcel Gautherot: a Fotografia e a Síntese ModernaSamuel Titan Júnior (FFLCH-USP)

Nascido em Paris em 1910 e falecido no Rio de Janeiro em 1996, o fotógrafo Marcel Gautherot inscreve-se na fértil tradição de protagonistas franceses da história da fotografia brasileira, que se estende de Marc Ferrez, no século XIX, a Pierre Verger e Jean Manzon, em meados do XX. Chegando ao Brasil em 1939, depois de experiências formativas no âmbito da arquitetura moderna e do Front Populaire, Gautherot dedica-se a uma enciclopédica investigação fotográfica de seu país de adoção, em que elementos de extração francesa entram em diálogo com veios centrais da cultura brasileira, num arco que vai da cultura popular à arquitetura modernista. Para tentar capturar a singularidade desse projeto, exploraremos alguns desses diálogos e lançaremos mão da noção de síntese moderna, sugerida pelas próprias fotografias de Gautherot.

Sobre a Originalidade da Crítica Cinematográfica de Jean-Claude Bernardet - Rubens Machado Júnior (ECA-USP)

A importância da crítica e do ensaísmo de Jean-Claude Bernardet na cinematografia brasileira não se deve apenas à sua relação com o campo francófono, como plataforma avançada desde sempre nos debates teóricos e estéticos do cinema, mas ao modo de apropriar-se dele conforme sua formação sólida na cinefilia e debate intelectual desde São Paulo, para onde migra com a família aos 13 anos, depois da II Guerra Mundial, tendo nascido na Bélgica em 1936. Afirma que o cineclubismo foi a sua verdadeira faculdade, seguida da atividade como crítico e funcionário da Cinemateca Brasileira. Paulo Emílio o chama para a criação do curso de cinema da UnB e, caçado pela Ditadura, escreve o clássico Brasil em Tempo de Cinema (1967), primeiro entre muitos livros importantes, e sempre escrevendo em periódicos. Volta ao ensino só nos anos 1980, na ECA-USP, depois de pesquisas de pós-graduação na EHESS e na USP. Machado Júnior abordará a sua contribuição pelo viés da análise de certos procedimentos particulares praticados em seu texto e o desenvolvimento circunstanciado de seu estilo ensaístico em perspectiva de crítica imanente, singularidades relevantes em sua maneira de colocar-se como ponto de vista diante do ato de descrever ao analisar formas, comentar conteúdos e de dispor interpretações.

Jacques Monet em São Paulo: Inserção de um Décorateur Ensemblier Francês no Pós-Guerra - Paulo César Garcez Marins (Museu Paulista-USP)

Após o fim da II Guerra Mundial, a cidade de São Paulo passa a receber profissionais franceses que são absorvidos por diversos segmentos associados à construção civil. A instalação de Jacques Alexandre Monet (1909-1973) na capital paulista será abordada de modo a compreender os sucessos e dificuldades de sua inserção profissional, em função das potências e fragilidades legais de sua formação como decorador no novo ambiente de mercado e regramento profissional pautado pela profissionalização dos arquitetos no Brasil a partir de 1933.

Georges Bernanos (1888-1948) e sua Recepção no Brasil - Tania Regina de Luca (FLCLAS-Unesp)

O objetivo dessa comunicação é discutir a presença de Georges Bernanos no Brasil. O escritor exilou-se voluntariamente no país entre 1938 e 1945, onde estabeleceu sólida rede de relações com importantes intelectuais brasileiros, com particular destaque para os integrantes do campo católico. Militante da Ação Francesa, da qual se afastou nos anos 1930, testemunhou a Guerra Civil espanhola e empenhou-se, durante sua estada no Brasil, na denúncia do governo de Vichy e no apoio à resistência. Nos últimos anos, vários de seus livros têm sido (re)lançados em português, pela editora É Realizações, aspecto que chama a atenção, assim como os muitos vídeos e comentários sobre suas obras.

21/09

9h30

Conferência 2 - Humanidades e Ciências Sociais nas Relações Científicas Franco-Brasileiras - Hervé Théry (Coordenador do IdA-Pôle Brésil)

Mediadora: Regina Salgado Campos (FFLCH e IEA-USP)

Em primeiro lugar, será evocado o papel fundamental da missão francesa na fundação da Universidade de São Paulo, seguido por uma análise, em sua dimensão geográfica e cartográfica, de um dos pilares da colaboração científica franco-brasileira, o programa Capes-Cofecub. Finalmente será examinada a clara tendência para o ponerotropismo na colaboração franco-brasileira em ciências sociais, e as limitações que isso têm sobre o espectro de temas de cooperação.

11h

Mesa-Redonda 3 - Economia e Diplomacia Cultural

Mediador: Antonio Dimas (FFLCH e IEA-USP)

Importações, Edições e a Geopolítica dos Livros: a Livraria Francesa e a Editora Difel em São Paulo (1947-1960) - Fabiana Marchetti (FFLCH-USP)

A história da Livraria Francesa e da Difel expressam ações de ressignificação da referência francesa no ambiente intelectual brasileiro na segunda metade do século XX. Envolvido nos circuitos culturais e políticos de São Paulo, Paul Jean-Monteil, fundador das empresas, iniciou suas atividades no comércio importador de livros, no ano de 1947. A Livraria se inicia como um negócio familiar e logo prospera, aproveitando-se da conjuntura positiva das importações e da dinâmica efervescente de formação daquela metrópole. Ela cria referência e se destaca diante das autoridades diplomáticas da França no Brasil como uma potencial parceira nas políticas que visavam reafirmar a relação histórica entre os dois países por meio da cultura. Os investimentos oriundos da intervenção diplomática lançam as bases de uma nova atuação para Monteil no mercado livreiro que direciona seus sócios, seu conhecimento de mercado e sua inserção cultural para a fundação da editora Difel, em 1951. O projeto editorial e o funcionamento da livraria, dirigidos por Monteil, mediam os interesses da ação cultural estrangeira e as necessidades dos meios nacionais com o fim de abrir novos caminhos e tomadas de posição nas trocas intelectuais franco-brasileiras e, em meio à Guerra Fria, participam de uma disputa geopolítica dos livros no Brasil.

Garimpo Editorial Francês na Literatura Brasileira dos Anos 1960 - Márcia Valéria Martinez de Aguiar (EFLCH-UNIFESP)

Nos anos que sucederam à Segunda Guerra, cresceu o interesse dos editores franceses por obras da literatura estrangeira mundial. O garimpo de autores brasileiros por eles realizado pode ser observado da perspectiva dos atores – pessoas e instituições – citados na correspondência de Guimarães Rosa com seu tradutor e editores franceses ao longo dos anos 1960. A apresentação e o exame desses atores constituem o objeto desta comunicação.

Charles Hü: Comércio e Cultura na São Paulo Modernista - Ana Luiza Martins (Condephaat, São Paulo)

Charles Hü foi atilado comerciante francês de vinhos, que aportou na efervescente São Paulo do café, na primeira década do século XX. Disseminou propaganda inovadora do produto, por meio de cartazes, rótulos artísticos e “criou escola” nas artes gráficas e na propaganda ao lançar, em 1904, a revista France-Brésil, Revue Mensuelle De Propagande Industrielle et Commerciale. Lançou, em 1906, a publicação Universo: Revista Literária, Bilíngue. Foi Conselheiro do Comério Exterior na França.

Paul Le Cointe: um Ator da Indústria de Borracha na Baixa Amazônia Brasileira - Emilie Stoll (CNRS)

O francês Paul Le Cointe é um naturalista autodidata que viveu na baixa Amazônia brasileira entre 1892 e 1956. Entre as diferentes atividades que ele exerceu (geógrafo-explorador, colecionador naturalista, topógrafo, geômetra, diretor de uma escola superior de química aplicada etc.), foi sobretudo como dirigente de uma sociedade de exportação de borracha e administrador de uma grande plantação de seringueiras em Óbidos (Pará) que se destacou. A intervenção propõe retomar este período da vida deste francês que viveu em trânsito entre dois países e entre dois mundos: o da ciência e o dos negócios.

13h30 Intervalo

15h

Mesa-Redonda 4 - Trânsitos Franceses nas Artes e nas Práticas de Consumo

Mediadora: Marisa Midori Deaecto (ECA e IEA-USP)

A Presença Francesa no Processo de Modernização do Teatro Brasileiro no Século XX: Antoine, Morineau e MnouchkineElizabeth Ribeiro Azevedo (ECA-USP)

A apresentação dará destaque a três artistas franceses, André Antoine, Henriette Morineau e Ariane Mnouchkine, e suas relações com o teatro brasileiro ao longo do século XX. Serão abordadas a excursão, em 1903, da companhia de Antoine e a polêmica estabelecida com o dramaturgo brasileiro Arthur Azevedo sobre as novas práticas do teatro naturalista; a carreira de Henriette Morineau, atriz do Conservatoire Dramatique radicada no Brasil a partir dos anos de 1930 e que, com sua companhia de teatro brasileira, a Companhia dos Artistas Unidos, participou do movimento de renovação do palco nacional, em meados do século; e a presença de Ariane Mnouchkine, fundadora do Théâtre du Soleil, e as trocas artísticas entre sua companhia e artistas brasileiros ao longo das últimas décadas.

Intermittents du Spectacle: Trabalho, Migração e Relações de Gênero - Liliana Segnini (Unicamp)

O objetivo desta comunicação é analisar as experiências vividas por homens e mulheres, artistas brasileiros, inscritos no singular estatuto do intermitente do espetáculo, na França. Para tanto, salientar as polêmicas que o cerca, sobretudo em tempos de pandemia. Retrospectiva histórica do contexto da criação e mudanças sofridas pelo estatuto, manifestações dos artistas contra o Estado francês para mantê-lo, dados estatísticos, entrevistas com brasileiros e franceses que o vivenciam, destacando o período da pandemia, são dimensões que informam esta análise.

Gastronomia Francesa no Brasil: Transformações em Práticas e Representações - Débora Previatti (EN- UFBA)

Na década de 1970, um grupo de chefs franceses renomados veio em caráter missionário ao Brasil. Tal visita deu início a uma nova missão francesa, a exemplo das missões artísticas e intelectuais anteriormente empreendidas em terras brasileiras. Estes e outros agentes contribuíram, nas décadas seguintes, para a circulação de bens culturais ligados ao mundo da gastronomia no país, impactando em práticas editoriais no mercado de livros, na cultura dos restaurantes, na ampliação de espaços televisivos com programação destinada à alimentação, em representações e práticas em revistas e jornais e, no espaço acadêmico, na criação e na expansão de cursos de graduação e de pós-graduação.

A Multinacional Francesa Rhodia Têxtil e a ‘Alta-costura franco-brasileira’ no Brasil dos Anos 1960 - Maria Claudia Bonadio (IAD-UFJF)

Quando a Rhodia Têxtil do Brasil passou a fabricar, em nosso país, de maneira exclusiva, os tecidos de nylon, a multinacional tirou proveito do capital cultural francês – particularmente, da imagem da moda francesa como sinônimo de elegância e de bom gosto – para ampliar o mercado de filamentos sintéticos, em concorrência direta com os tecidos de algodão. Bonadio analisará a primeira grande campanha publicitária da empresa, veiculada em 1960, em paralelo com o material institucional e entrevista com diretores franceses, os quais associavam a empresa como parte significativa da modernização do design têxtil e da formação dos hábitos de consumo no Brasil.

18h

Encerramento

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo