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Collegium de Lyon: estudos avançados pautados pela liberdade científica

O presidente do Collegium de Lyon, França, esteve no IEA para falar sobre as particularidades, o funcionamento e os objetivos da instituição.
Conferência de Olivier Faron
Olivier Faron (à esq.) disse que a liberdade temática
é essencial para atrair cientistas de destaque

O Collegium de Lyon destaca-se no horizonte científico da França como um centro de pesquisa inovador por combinar três características fundamentais: independência, interdisciplinaridade e abertura internacional.

A afirmação sintetiza as principais ideias apresentadas na conferência internacional O Collegium de Lyon: Um Instituto de Estudos Avançados Francês. No evento, realizado pelo IEA no dia 10 de maio, Olivier Faron, presidente da instituição, falou sobre as particularidades, o funcionamento e os objetivos do seu instituto.

Fundado em dezembro de 2006, o Collegium é a sede do Réseau Français des Instituts d'Études Avancées (RFIEA), rede criada pelo governo francês, também em 2006, que congrega mais três institutos de estudos avançados da França: o Institut Meditérranéen de Recherches Avancées, o Institut d'Études Avancées de Nantes e o Institut d'Études Avancées de Paris.

O RFIEA faz parte dos University-Based Institutes for Advanced Study (Ubias), rede que reúne 33 institutos de estudos avançados vinculados a universidades de todo mundo, entre eles o IEA.

Autonomia
Segundo Faron, a questão central na criação do Collegium de Lyon era como definir uma noção própria de instituto de estudos avançados em face do trabalho realizado por outras organizações científicas francesas: "Chegamos à conclusão de que havia necessidade de criar um ambiente inovador, que possibilitasse aos pesquisadores chegar a novas frentes de pesquisa e proceder com rupturas epistemológicas".

Para que isso fosse possível, as decisões sobre a política científica do instituto foram deixadas a cargo de um Conselho Científico internacional e independente. Faron enfatizou outros dois fatores para a constituição desse ambiente: a abertura do instituto a pesquisadores de todo mundo, o que inclui os integrantes do Conselho; e a vocação interdisciplinar, associada à liberdade de escolha das temáticas.

De acordo com o conferencista, quando o Collegium deu início às suas atividades, optou-se por traçar programas de pesquisa, definindo temas de concentração. "Rapidamente nos demos conta de que o sistema de programação rígida era esterilizante, não funcionava", disse, ressaltando que essa circunscrição não contribuía para atrair os melhores pesquisadores.

Ele destacou que cientistas renomados, capazes de resultados originais, só começaram a se interessar pelo instituto quando a programação fixa foi abandonada e substituída pela liberdade temática, que deu espaço para a proposição de projetos de pesquisa pioneiros e interdisciplinares.

Visitantes
Os pesquisadores visitantes podem permanecer no Collegium de Lyon por um período sabático de cinco ou dez meses, quando têm a oportunidade de se dedicar inteiramente à pesquisa, sem se preocupar com obrigações administrativas ou ligadas à docência.

Os convites acontecem durante todo o ano, sem muita burocracia, e são pautados pela excelência acadêmica. Segundo Faron, "é importante convidar colegas que tenham suas próprias competências, que agreguem valor ao instituto e gerem resultados relevantes".

Para garantir que isso ocorra, o Conselho Científico guia-se por quatro critérios de seleção principais: a qualidade científica do projeto, os aspectos inovadores, os resultados esperados e o impacto previsto considerando-se o perfil de pesquisa da região de Lyon.

Além disso, cada pesquisador visitante conta com um mentor local, que se encarrega de ambientá-lo no panorama científico de Lyon e de articular seu projeto com as pesquisas em curso na cidade.

Sala Verde
A conferência do presidente do Collegium de Lyon faz parte da série de eventos organizados pelo IEA para promover uma reflexão sobre o papel dos institutos de estudos avançados e para estimular o intercâmbio entre instituições desse tipo. Esses debates, de caráter metacrítico, integram as diretrizes do Projeto de Gestão 2012-2017 e estão sediados na Sala Verde do site do Instituto.

O primeiro evento aconteceu em 2011, quando Peter Godard, então diretor do IAS de Princeton, EUA, e Eliezer Rabinovici, então diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, estiveram no IEA para falar sobre a dinâmica de seus institutos e a especificidade dos estudos avançados.

Em 2012, Aditya Mukherjee, diretor do Instituto de Estudos Avançados Jawaharlal Nehru, participou de um encontro no IEA, no qual tratou da origem e do perfil acadêmico tanto do seu instituto quanto da universidade que o acolhe no encontro.

Os eventos se intensificaram em 2013. Além de Faron, representantes de dois outros institutos já estiveram no IEA. Em fevereiro, Dapeg Cai e Susumu Saito, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Avançada da Universidade de Nagoya, fizeram uma exposição sobre as boas práticas adotadas pela instituição para o desenvolvimento de pesquisas de alto nível (assista ao vídeo).

Em abril, foi a vez de Malcom Press, diretor do Institute of Advanced Studies (IAS) da University of Birmingham, Reino Unido, visitar o IEA para apresentar o processo de desenvolvimento do IAS, os resultados do primeiro ano de atividades e as expectativas em relação ao futuro (assista ao vídeo).

 

Foto: Sandra Codo/Divcom