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  <title>Amazônia</title>
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  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/sabatico-2026-projetos">
    <title>Participantes do Programa Ano Sabático iniciam atividades</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/sabatico-2026-projetos</link>
    <description>Os projetos dos docentes participantes do Programa Ano Sabático 2026.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Veja também</th>
</tr>
<tr>
<td><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/programa-ano-sabatico-2027-inscricoes" class="external-link">Inscrições para o Programa Ano Sabático de 2027</a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A variedade temática dos projetos dos sete docentes da USP selecionados para a edição 2026 do <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/programa-ano-sabatico" class="external-link">Programa Ano Sabático do IEA</a> oferece uma amostra da diversidade dos trabalhos desenvolvidos nas várias áreas acadêmicas da Universidade.</p>
<p>Os participantes já iniciaram seus trabalhos, cujos temas são: democracia contestatória; taxas de analfabetismo no Brasil e resultados dos métodos de alfabetização; padrões de interação entre flavivírus e o sistema imunológico humano diante das mudanças climáticas; impactos da crise climática no turismo; dispersão de sementes e biodiversidade; efeitos da inteligência artificial nas relações de trabalho; e métodos cerâmicos de antigas populações da Amazônica Central.</p>
<p>Os docentes integrantes da atual edição do programa são:</p>
<ul>
<li>Alberto      Ribeiro Gonçalves de Barros - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências      Humanas (FFLCH);</li>
<li>Daniel      Domingues dos Santos - Faculdade de Economia, Administração e      Contabilidade de Ribeirão Preto (Fearp);</li>
<li>Gustavo      Henrique Goulart Trossini - Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF);</li>
<li>Paulo      Roberto Guimarães Junior - Instituto de Biociências (IB);</li>
<li>Rita      de Cássia Ariza da Cruz - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências      Humanas (FFLCH);</li>
<li>Wilson      Aparecido Costa de Amorim - Faculdade de Economia, Administração,      Contabilidade e Atuária (FEA);</li>
<li>Ximena      Suarez Villagran - Museu de Arqueologia e Etnografia (MAE).</li>
</ul>
<p><strong>Programa</strong></p>
<p>O Programa Ano Sabático do IEA é uma parceria entre a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação e o Instituto. A iniciativa foi criada em 2015 para “fomentar um ambiente adequado à reflexão, na medida em que libera os docentes da USP de seus encargos didáticos e administrativos para que possam participar integralmente de pesquisas individuais e interdisciplinares”. A permanência no IEA pode ser de seis meses a um ano.</p>
<p>Para participar, é necessário ter, no mínimo, sete anos de trabalho no Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP). Durante o período da pesquisa, os docentes são dispensados, sem prejuízo de vencimentos, do exercício de suas atividades, inclusive as didáticas, junto à unidade de origem [leia sobre a abertura de <a href="https://www.iea.usp.br/noticias/programa-ano-sabatico-2027-inscricoes" class="external-link">inscrições para a edição 2027</a> do programa].</p>
<p><strong>PROJETOS</strong></p>
<dl class="captioned image-right"><i><strong><dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/alberto-ribeiro-goncalves-de-barros-perfil" title="Denise Scheepmaker - Perfil" height="180" width="180" alt="Denise Scheepmaker - Perfil" class="image-right" /></dt><dd class="image-caption"><br /></dd></strong></i></dl>
<p><i><strong>Alberto Ribeiro Gonçalves de Barros<br /></strong></i><i>O Modelo de Democracia Contestatória de Philip Pettit</i></p>
<p>Barros analisará se o modelo de democracia contestatória proposto pelo filósofo e teórico político irlandês Philip Pettit efetiva o ideal neorrepublicano de liberdade como ausência de dominação e se ele possibilita um verdadeiro controle popular sobre o governo, "princípios fundamentais de um regime democrático na perspectiva neorrepublicana", segundo o professor sabático.</p>
<p>As críticas e objeções ao modelo também serão discutidas. Também avaliará se essa concepção evita os inconvenientes apontados em outros modelos, em particular o procedimental e o deliberativo. Outra finalidade do projeto é discutir as contribuições e os limites do modelo no quadro das teorias contemporâneas de democracia.</p>
<p>Barros é professor do Departamento de Filosofia da USP, pela qual é mestre, doutor e livre docente em filosofia. Realizou pesquisas de pós-doutorado na Universidade de Londres, Reino Unido, e na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, França.</p>
<div><i><strong><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/daniel-domingues-dos-santos-perfil-1" alt="Daniel Domingues dos Santos - perfil" class="image-right" title="Daniel Domingues dos Santos - perfil" />Daniel Domingues dos Santos</strong></i>
<p><i><strong>O Dilema Brasileiro da Alfabetização</strong></i></p>
<p>Durante sua estada no IEA, Santos analisará criticamente as estimativas de taxas de analfabetismo e sua evolução recente no Brasil, considerando os critérios de literacia, letramento, fluência leitora e alfabetização funcional. Também examinará as evidências sobre a efetividade de distintos métodos de alfabetização, com base principalmente em dados brasileiros.</p>
<p>Outro objetivo da pesquisa é examinar a evidência disponível sobre o período sensível no processo de desenvolvimento para que se alfabetize uma criança, e discutir quais deveriam ser as contribuições da educação infantil para este processo e os empecilhos no debate atual para que estas contribuições possam ser dadas.</p>
<p>Santos é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da USP. Graduação pela USP, tornou-se mestre e doutor em economia pela PUC-RJ e Universidade Chicago, EUA, respectivamente.</p>
</div>
<div><i><strong><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/gustavo-henrique-goulart-trossini-perfil" alt="Gustavo Henrique Goulart Trossini - perfil" class="image-right" title="Gustavo Henrique Goulart Trossini - perfil" />Gustavo Henrique Goulart Trossini</strong></i>
<p><i>Reconhecimento de padrões moleculares na resposta imune direcionada a flavivírus: uma abordagem populacional frente às mudanças climáticas</i></p>
<p>O objetivo geral do projeto de Trossini é investigar a coevolução entre flavivírus (transmitido por mosquitos e responsáveis por doenças como zika, dengue e febre amarela) e o sistema imunológico humano com base nas condições produzidas pelas mudanças climáticas.</p>
<p>Ele utilizará ferramentas computacionais avançadas para identificar e caracterizar epítopos virais imunodominantes. Esses epítopos são regiões na superfície de proteínas de um vírus reconhecidas pelo sistema imunológico. O foco desse trabalho são as implicações das mudanças climáticas na dinâmica das interações patógeno-hospedeiro. A intenção é contribuir para o desenvolvimento de vacinas e imunoterapias mais eficazes contra as doenças causadas por flavivírus.</p>
<p>Trossini graduou-se em farmácia pela UFMS e obteve os títulos de mestre e doutor (com período na Universidade do Novo México, EUA) em fármacos e medicamentos pela FCF-USP, onde realizou pesquisa de pós-doutorado e tornou-se docente.</p>
</div>
<div><i><strong><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/paulo-roberto-guimaraes-junior" alt="Paulo Roberto Guimarães Junior" class="image-right" title="Paulo Roberto Guimarães Junior" />Paulo Roberto Guimarães Junior</strong></i>
<p><i>Dispersão de Sementes por Animais: Interações-Chave para a Manutenção de Serviços Ecossistêmicos</i></p>
<p>O projeto de Guimarães Junior deverá consolidar um Centro Interinstitucional sobre Frugivoria e Dispersão de Sementes, criando uma rede de colaboração internacional de laboratórios que estudam as consequências da dispersão de sementes para padrões observados em diferentes escalas espaciais, temporais e organizacionais.</p>
<p>O trabalho também vai organizar e analisar bancos de dados para integrá-los a modelos matemáticos. Com isso, a expectativa é que surjam novas ideias e hipóteses sobre como processos ecológicos e evolutivos ligados à dispersão de sementes moldam a biodiversidade.</p>
<p>Essa integração de dados e teoria será usada para desenvolver hipóteses e modelos visando explorar as consequências da dispersão de sementes para a manutenção de serviços ecossistêmicos.</p>
<p>Guimarães Junior é professor titular do Departamento de Ecologia do ICB-USP. Obteve os títulos de mestre e doutor em ecologia pela Unicamp. Foi pesquisador associado na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, EUA, e no Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.</p>
</div>
<div><i><strong><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/rita-de-cassia-ariza-da-cruz-perfil" alt="Rita de Cássia Ariza da Cruz - perfil" class="image-right" title="Rita de Cássia Ariza da Cruz - perfil" />Rita de Cássia Ariza da Cruz</strong></i>
<p><i>Crise Climática e Turismo: Impactos, Riscos Sociais e Adaptação</i></p>
<p>O projeto de Cruz pretende contribuir com a produção de conhecimento crítico sobre as relações entre turismo e crise climática. O caminho analítico escolhido baseia-se numa perspectiva dialética a partir da tríade crise climática-turismo-adaptação.</p>
<p>Dessa forma, ela pretende produzir uma leitura crítica sobre os casos ocorridos no século 21 envolvendo localidades brasileiras que têm o turismo como uma atividade econômica relevante.</p>
<p>Cruz é graduada em geografia pela FFLCH-USP, onde tornou-se mestre e doutora em geografia humana. Além de professora na área de geografia regional na mesma faculdade, é líder da Rede Internacional de Pesquisa Turismo e Dinâmicas Socioterritoriais Contemporâneas.</p>
</div>
<div><i><strong><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/wilson-aparecido-costa-de-amorim-perfil" alt="Wilson Aparecido Costa de Amorim - perfil" class="image-right" title="Wilson Aparecido Costa de Amorim - perfil" />Wilson Aparecido Costa de Amorim</strong></i>
<p><i>Inteligência Artificial e as Relações de Trabalho no Brasil: A Percepção de seus Atores Tomando por Base Setores Escolhidos</i></p>
<p>A partir do estudo dos setores bancário, de saúde e de tecnologias da informação, Amorim pretende identificar e analisar a visão de atores envolvidos com as relações de trabalho quanto à natureza da inteligência artificial e seus efeitos sobre a contratação do trabalho em seu âmbito coletivo, em termos do contexto, estrutura, processos e conteúdo de negociações.</p>
<p>Entre os objetivos específicos da pesquisa estão identificar e analisar iniciativas internacionais e nacionais de regulação dos efeitos da IA no campo das relações de trabalho e desenvolver parâmetros metodológicos básicos para o desenvolvimento ampliado de estudos semelhantes em outros setores.</p>
<p>Economista formado pela FEA-USP, onde tornou-se doutor e livre docente em administração, Amorim foi pesquisador do Consórcio Fudan de Universidades Latino-Americanas e da Universidade de Fudan, China. Ele integra a Rede Lusófona de Sociologia, Gestão e Economia e lidera o grupo de pesquisa Gestão de Pessoas e Gestão do Conhecimento nas Organizações.</p>
</div>
<div><i><strong><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/ximena-suarez-villagran-perfil" alt="Ximena Suarez Villagran - perfil" class="image-right" title="Ximena Suarez Villagran - perfil" />Ximena Suarez Villagran</strong></i>
<p><i>Contatos, Rupturas e Transições na Amazônia Central</i></p>
<p>Villagran utilizará uma abordagem petrográfica e microarqueológica para caracterizar a tecnologia das cerâmicas Açutuba (TPOA), Manacapuru (TBI), Paredão (TBI) e Guarita (TPA) recuperados dos sítios arqueológicos Hatahara e Açutuba escavados no âmbito do Projeto Amazônica Central, coordenado pelo arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes Neves.</p>
<p>O objetivo principal será verificar se as diferenças nos critérios estilístico-decorativos também se expressam nos métodos de produção. Segundo a pesquisadora, "o estudo completo das matérias-primas (matriz argilosa, inclusões não plásticas, desengordurantes), a datação direta dos vasos e o estudo do uso cotidiano (por meio de análises de resíduos lipídicos) têm o potencial de revelar rupturas, continuidades e/ou inovações, permitindo uma compreensão mais aprofundada da complexidade cultural da região nos últimos 2000 anos".</p>
<p>Villagran é coordenadora do Laboratório de Microarqueologia do MAE-USP, onde é professora doutora. É graduada ciências antropológicas pela Universidade da República do Uruguai, com mestrado em arqueologia e doutorado em geociências pela USP. Realizou pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Tübingen, Alemanha.</p>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Programa Ano Sabático</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisadores</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-03-17T18:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/iea-recebe-1o-encontro-do-inct-superar-a-triplice-monotonia-dos-sistemas-agroalimentares">
    <title>IEA recebe 1º encontro do "INCT Superar a Tríplice Monotonia dos Sistemas Agroalimentares"</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/iea-recebe-1o-encontro-do-inct-superar-a-triplice-monotonia-dos-sistemas-agroalimentares</link>
    <description>Projeto busca diagnosticar e propor soluções para a homogeneização das paisagens rurais brasileiras, da criação animal e do consumo alimentar baseado em alimentos ultraprocessados, fenômeno conhecido como "tríplice monotonia".</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<table class="tabela-direita-200-borda">
<tbody>
<tr>
<th>Relacionado</th>
</tr>
<tr>
<td>
<p class="kssattr-macro-title-field-view kssattr-templateId-kss_generic_macros kssattr-atfieldname-title documentFirstHeading" id="parent-fieldname-title"><a href="https://www.iea.usp.br/noticias/inct-agroalimentar" class="external-link">CNPq aprova proposta de INCT sobre sistema agroalimentar brasileiro</a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p dir="ltr"><span>O IEA recebeu, em fevereiro, o primeiro encontro presencial do INCT Superar a Tríplice Monotonia dos Sistemas Agroalimentares. Lançado em outubro de 2025, o projeto é um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do CNPq, sendo o primeiro desta natureza sediado no IEA.</span></p>
<p><span>O encontro reuniu 20 integrantes do INCT, vindos de diversas partes do Brasil. Liderado pelo professor Ricardo Abramovay, o projeto, que tem caráter interdisciplinar, aproveitou a reunião presencial para alinhar as metas de suas diferentes frentes de investigação, que buscam diagnosticar e propor soluções para a homogeneização das paisagens rurais brasileiras, da criação animal e do consumo alimentar baseado em alimentos ultraprocessados, fenômeno conhecido como "tríplice monotonia".</span></p>
<p><span>Além do IEA, integram o projeto como instituições-membro o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde e a Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis (ambos da FSP/USP); a Embrapa Acre; o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (em parceria com o Woodwell Climate Research Center); o Instituto Federal Catarinense e o Instituto Fome Zero. Fazem parte, ainda, os parceiros Instituto Ibirapitanga, Instituto Comida do Amanhã, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Folio e Agropolis International.</span></p>
<p><span>“O IEA existe para apoiar a colaboração entre pessoas da academia e de outras entidades, além da sociedade”, disse Roseli Lopes, diretora do IEA, presente no encontro. “Para nós, é uma honra sediar o INCT e colocar nossa estrutura à disposição.”</span></p>
<p><span>O tema central de pesquisa do INCT é o cerne da obra "Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: desafios para o Brasil". Organizado pelos professores Ricardo Abramovay e Arilson Favareto, e com a autoria de Carlos Augusto Monteiro — todos integrantes do INCT —, o livro discute os impactos críticos dos sistemas agrícolas atuais sobre o meio ambiente e a saúde pública e está disponível no </span><a href="https://www.editorasenacsp.com.br/livro/caminhos-transicao-sistema-agroalimentar?srsltid=AfmBOorp1t6kBNgs6cJBj4WiRq0DJb__uTIvohP7krDxVSUFcxLV95m6" target="_blank">site da editora Senac</a><span>.</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Fernanda Rezende</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>INCT Agroalimentar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2026-02-26T13:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/retrocesso-na-seguranca-pode-levar-a-milicianizacao-da-regiao-amazonica-dizem-especialistas">
    <title>Retrocesso na segurança pode levar a milicianização da região amazônica, dizem especialistas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/retrocesso-na-seguranca-pode-levar-a-milicianizacao-da-regiao-amazonica-dizem-especialistas</link>
    <description>No USP Analisa desta quinta, Eduardo Saad Diniz e Carlos Almeida Filho discutem a relação entre a presença de grupos criminosos e a violência nas comunidades locais e indígenas</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-cddad4a1-7fff-2af0-5da0-65cc7ea0918d"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><dl class="image-left captioned" style="width:400px;">
<dt><a rel="lightbox" href="/polos/ribeirao-preto/noticias/copy3_of_Designsemnome66.png"><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/copy3_of_Designsemnome66.png/@@images/fc999334-a846-49d2-bbc6-8524ee858a2b.png" alt="copy3_of_Designsemnome66.png" title="copy3_of_Designsemnome66.png" height="265" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Vista aérea da cidade de Manaus, cuja população tem sofrido com as ações do Comando Vermelho</dd>
</dl></span></p>
<p><span id="docs-internal-guid-8b798ab8-7fff-0df2-1be4-de85751b3998">
<p dir="ltr"><span>A expansão da presença de grupos criminosos na região amazônica gerou um aumento na violência entre comunidades locais. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apesar de haver uma redução nas mortes intencionais violentas no norte do país em 2024, os índices ainda são superiores à média nacional e às de outras três regiões brasileiras. No último episódio do USP Analisa em 2025, que vai ao ar nesta quinta (18), o coordenador do grupo de pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Ribeirão Preto da USP, Eduardo Saad Diniz, e o defensor público do Estado do Amazonas, Carlos Almeida Filho, discutem os impactos disso para a população amazônica, incluindo as comunidades indígenas, que também sofrem com a ação desses grupos.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Almeida destaca que quando há a ausência do Estado, grupos paralelos acabam exercendo o monopólio da violência. “Os grupos criminais aqui decapitam e deixam muito claro àqueles que transgridem suas ordens como é que eles são punidos. Aqui em Manaus, o governo instalou uma política de segurança pública chamada Paredão de Segurança. Foram colocadas várias câmeras de segurança em alguns pontos da cidade de Manaus. Bom, o Comando Vermelho mostrou quem é quem manda. Quebrou um cara no meio e jogou dentro de uma lixeira na frente das câmeras do Paredão. O recado está dado para a população do centro, a quem eles devem obedecer”, conta o defensor.</span></p>
<p dir="ltr"><span>“O risco desse retrocesso é a gente chegar num movimento de milicianização da região. Esse é um estágio involutivo quase irreversível”, complementa Diniz.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Sobre as populações indígenas que vivem na região, Almeida ressalta que, embora haja grande exaltação da cultura desses povos por meio de ações como o Festival de Parintins, eles são praticamente tratados como párias e não há políticas de estado voltadas à proteção e à garantia de direitos.</span></p>
<p dir="ltr"><span>“Os indígenas, que deveriam ser uma peça essencial no conhecimento e nas tradições e, por que não dizer, na nossa própria cultura, são mantidos somente enquanto referência folclórica. Eles sofrem tanto quanto as populações tradicionais, quanto os caboclos, quanto os ribeirinhos, com uma diferença: a eles ainda é negada a cidadania. Quem é o maior violador de direitos fundamentais dos indígenas? O Estado brasileiro como um todo” afirma.</span></p>
<span>Diniz chama atenção para a negligência que as demais regiões brasileiras têm com a região amazônica, principalmente a Sudeste, embora ela seja crucial para o futuro do planeta. “Ela</span><span> </span><span>é origem de uma série de conflitos que acabam repercutindo sensivelmente no silenciamento e em situações de não reconhecido genocídio entre nós. Nós tanto negligenciamos essa periferia do Brasil, apesar de haver lá mais de 35 milhões de habitantes, que agora ela é pivô do discurso dos limites planetários, do discurso sobre o futuro da própria humanidade. A nossa arrogância se volta contra nós próprios agora. Ou bem a gente revê essa nossa indiferença histórica, ou paradoxalmente a gente está destruindo nossa própria existência”.</span></span></p>
<p dir="ltr"><span>O </span><a href="https://rp.iea.usp.br/projetos/usp-analisa/"><span>USP Analisa</span></a><span> é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast.</span></p>
<p><span>O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em </span><a href="https://t.me/iearp"><span>nosso canal no Telegram</span></a><span> ou em nosso </span><a href="https://chat.whatsapp.com/IrzrRNMDSwQLBWfBTg2Tvu"><span>grupo no Whatsapp</span></a><span>.</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Violência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>USP Analisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-12-17T12:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/dominio-do-crime-sobre-populacao-amazonica-e-consequencia-de-pobreza-e-ausencia-do-estado">
    <title>Domínio do crime sobre população amazônica é consequência de pobreza e ausência do Estado</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/dominio-do-crime-sobre-populacao-amazonica-e-consequencia-de-pobreza-e-ausencia-do-estado</link>
    <description>Análise é do professor Eduardo Saad Diniz e do defensor público Carlos Almeida Filho, em entrevista ao podcast USP Analisa desta quinta (4) </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-bc9a2f5b-7fff-e2d2-6eb3-7ed247d48494"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/copy_of_Designsemnome64.png/@@images/64a25af4-0e78-4fe8-a9d2-351b49357030.png" alt="" class="image-left" title="" />Muitas comunidades que vivem na região amazônica sofrem com a pobreza e a ausência de estruturas do Estado. Esses fatores acabam impactando na cooptação desses habitantes pelo crime organizado, que tem expandido seu poder nessa área do Brasil. No USP Analisa desta quinta (4), o coordenador do Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, Eduardo Saad Diniz, e o defensor público do Estado do Amazonas Carlos Almeida Filho comentam essa situação.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Eduardo explica que tudo começa com a dificuldade na obtenção de crédito por pequenos produtores rurais locais, que dependem dessa atividade para sobreviver. “O solo da região é bastante pobre. Então, é preciso comprar uma série de fertilizantes para corrigir a acidez do solo e irrigar, por conta do calor intenso. Mas quando o produtor busca crédito nas instituições financeiras, elas exigem o título de propriedade e há na região um grande problema de regularização fundiária”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Como consequência, segundo Eduardo, esse vácuo de alimentos acaba sendo preenchido com produtos vindos de outras regiões do País, com mais condições de investir na produção. “As comunidades perecem e você vai abrindo mais e mais áreas de produção, gerando essa história sem fim da devastação ambiental. Então, ainda que a pessoa queira desenvolver um cultivo de forma sustentável, ela encontra uma série de óbices. Eu tenho que ter medidas de </span><span>enforcement</span><span> para aqueles que de fato causam comportamento socioambientalmente danoso, mas também uma política regulatória inteligente que permita que aquele produtor rural encontre condições de efetiva produção e não seja criminalizado porque cortou dois, três galhos ali para fazer um galinheiro e alimentar sua família”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Carlos destaca que muitos produtores que não conseguem sobreviver no campo ou que vivem em comunidades rurais que sofrem com a atuação de grupos criminosos acabam migrando para cidades como Manaus, em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. “Só neste ano de 2025 houve pelo menos três comemorações do Comando Vermelho mediante o estouro de fogos de artifício em toda a cidade, comemorando consolidação e domínio do crime. Isso na cara do Estado”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Para o defensor, não existe vácuo de poder, ele é ocupado. Segundo ele, enquanto o Estado precisa se rearticular a cada dois ou quatro anos e acaba alterando toda a política de segurança, sem entregar resultado efetivo, o crime só troca de comando mediante a morte das lideranças, o que faz com que ele muitas vezes permaneça por décadas nos locais.</span></p>
<p dir="ltr"><span>“Lá no final, o povo, a população mesmo, acaba sofrendo aquilo que o [escritor de ficção científica] William Gibson dizia: ‘Bom, tem que atender então as corporações que controlam no momento’. E, às vezes, quem tá mais presente é aquele camarada que sabe exatamente quem é tua família, quem é teu grupo familiar. Ele vai controlar pelo poder e pela ameaça onde você pode ir, se deslocar”, diz Carlos.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O </span><a href="https://rp.iea.usp.br/projetos/usp-analisa/"><span>USP Analisa</span></a><span> é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em </span><a href="https://t.me/iearp"><span>nosso canal no Telegram</span></a><span> ou em nosso </span><a href="https://chat.whatsapp.com/IrzrRNMDSwQLBWfBTg2Tvu"><span>grupo no Whatsapp</span></a><span>.</span></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Ambiental</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>USP Analisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-12-03T17:51:50Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/especialistas-discutem-inclusao-de-crimes-ambientais-em-atividades-de-grupos-criminosos-na-regiao-amazonica">
    <title>Especialistas discutem inclusão de crimes ambientais em atividades de grupos criminosos na região amazônica</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/especialistas-discutem-inclusao-de-crimes-ambientais-em-atividades-de-grupos-criminosos-na-regiao-amazonica</link>
    <description>O professor e pesquisador do Núcleo de Estudos Amazônicos da UnB, Franco Perazzoni, e o perito criminal federal Herbert Dittmar são os entrevistados desta quinta no USP Analisa</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-1fe6adf3-7fff-ead7-f776-ecd50e93b179"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/Designsemnome63.png/@@images/652a32f0-b7de-4cf4-bde5-11e39720b32a.png" alt="" class="image-left" title="" />Grupos criminosos que antes se dedicavam somente ao tráfico de drogas estão expandindo suas atividades e incluindo os crimes ambientais entre elas. No episódio desta quinta (20) do podcast USP Analisa, o professor e pesquisador do Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade de Brasília (UnB), Franco Perazzoni, e o perito criminal federal Herbert Dittmar discutem os fatores estruturais e econômicos da região amazônica que contribuem para essa mudança.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Para Franco, além de ser mais rentável e ter uma punição menor, o crime ambiental nem sempre é visto pela sociedade brasileira como algo tão grave quanto o tráfico de drogas.  “A criminalidade ambiental tem um lucro elevado. Historicamente, um quilo de pasta base na Bolívia, na Colômbia, custa 700 dólares. Chega no Brasil a dois ou três mil dólares, na Europa a 10 mil, na Ásia a 60 mil. Só que na Indonésia, por exemplo, tem risco de pena de morte. E você consegue levar só pequenas quantidades. Agora vamos pegar uma madeira boa, mogno. Você paga a árvore em pé quando corta, então gasta basicamente o combustível, a motosserra, o operador, que são custos baixíssimos. Sai a três ou quatro mil dólares, às vezes, o metro cúbico. Então é extremamente lucrativo, o risco é muito baixo e o fato é: é muito mais aceitável socialmente”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Ele destaca ainda que, no caso da madeira, há toda uma rede de apoio mobilizada para obter uma documentação que dê aparência legal ao produto ilegal. “No Brasil, a gente tem um problema muito sério: tudo que é público não é de ninguém. Em qualquer área de preservação onde o estado não esteja presente, você entra e tira dez, vinte, cem caminhões de madeira. Tendo uma infraestrutura criminosa ali, você consegue legalizar e ela é vendida normalmente”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Herbert destaca ainda que a economia interfere nas dinâmicas criminais, citando o caso do valor do ouro, que atualmente custa em torno de R$ 745 o grama e está gerando um aumento nos roubos de alianças em cidades como São Paulo. Além disso, segundo ele, o crime interfere na própria cultura de alguns povos indígenas. “Eu conheci os Enawenê-Nawê no Mato Grosso, que não comem carne vermelha, só peixe e frango. Como o rio foi destruído pelo garimpo, a Funai tem que entregar todos os meses caminhões frigoríficos de peixe para eles sobreviverem. Índios que viviam de colocar armadilhas no rio para pescar, para pegar peixe, para sobreviver. Então, a cultura desses povos vai sendo alterada”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Ele alerta ainda que a Floresta Amazônica não está sendo apenas desmatada, mas completamente degradada. “Desmatamento, hoje, nós já temos garantidos 22%, e mais ou menos 38% de floresta degradada. Ou seja: nós já perdemos 60% da Amazônia. Eu não estou falando 6%. Eu estou falando 60%”.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O </span><a href="https://rp.iea.usp.br/projetos/usp-analisa/"><span>USP Analisa</span></a><span> é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast.</span></p>
<p><span>O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em </span><a href="https://t.me/iearp"><span>nosso canal no Telegram</span></a><span> ou em nosso </span><a href="https://chat.whatsapp.com/IrzrRNMDSwQLBWfBTg2Tvu"><span>grupo no Whatsapp</span></a><span>.</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>USP Analisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-11-19T12:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/pratica-de-crimes-ambientais-na-regiao-amazonica-tem-raizes-historicas">
    <title>Prática de crimes ambientais na região amazônica tem raízes históricas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/pratica-de-crimes-ambientais-na-regiao-amazonica-tem-raizes-historicas</link>
    <description>Segundo especialistas entrevistados pelo USP Analisa, transformação da madeira em commodity, associada à alta lucratividade e baixa punibilidade do garimpo ilegal também atraem a atenção de grupos criminosos para essa área do país</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-52c9b7e5-7fff-efd9-97d6-6b5fb115c482"> </span></p>
<p dir="ltr"><span><img src="https://www.iea.usp.br/polos/ribeirao-preto/noticias/copy_of_Designsemnome58.png/@@images/13843ddc-2be6-4f2c-b111-67f61fe6b67f.png" alt="" class="image-left" title="" />Região que se estende por oito países além do Brasil e com características sociais, econômicas e geográficas bastante peculiares, a Amazônia tem se tornado uma nova fronteira para a atuação de grupos criminosos. Para entender melhor essa região e os diferentes tipos de crimes cometidos nela, o USP Analisa desta quinta (6) conversa com o  professor e pesquisador do Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade de Brasília, Franco Perazzoni, e com o perito criminal federal Herbert Dittmar.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Eles explicam que os principais crimes nessa região basicamente são desmatamento ilegal, garimpo ilegal e grilagem de terras. Porém, não é uma prática recente. Suas raízes estão na própria colonização do Brasil por Portugal e houve uma intensificação de algumas das práticas durante o governo militar, graças ao projeto de ocupação da região e à criação da Rodovia Transamazônica, na década de 1970.</span></p>
<p dir="ltr"><span>“O governo militar praticamente jogou um pessoal da região Sul lá, sem apoio nenhum. Eu conheci alguns deles morando no Sul do Amazonas que disseram ter recebido um lote de cem hectares nessa época, mas não tiveram ajuda para se estabelecer. Muitas famílias precisaram se ajudar, e várias foram embora. Se hoje já é difícil, imagina naquela época, sem estrada, sem apoio, sem hospital, sem nada. E aí depois chega o Estado no início deste século e diz que desmatamento é crime. Aí o pessoal se revoltou: ‘que história é essa? Nós viemos aqui, vocês disseram que era para desmatar e agora estão dizendo que é crime?”, conta Herbert.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Além disso, segundo Franco, nos últimos anos, a madeira se transformou em uma espécie de commodity da região. “Nos últimos 20 anos, há o esgotamento de reservas de madeira em outros lugares do mundo. A nossa madeira é muito boa, mas é vendida a preço de banana. A gente vende o nosso ipê mais barato do que o pinus norte-americano. Por quê? Porque ele existe em boa quantidade. A gente começa de algo que sobrava da ocupação da terra para produção, para passar a ser uma commodity”, explica.</span></p>
<p dir="ltr"><span>A alta lucratividade e a baixa punibilidade associadas ao garimpo ilegal também ampliaram o interesse de grupos criminosos pelo ouro nessa região. “Por exemplo, legalmente, se eu não me engano, Roraima não produz uma grama de ouro. Você não tem permissão de lavra garimpeira lá, é tudo legalizado em outros lugares. É uma região que tem um dos índices de desenvolvimento humano mais baixo do Brasil. As comunidades tradicionais, às vezes, estão em cima de uma mina de dinheiro. Então você tem esse assédio do crime organizado, você tem alta lucratividade e baixa punibilidade de vários desses crimes. Eu sempre brinco, se o traficante pega uma avioneta e pode trazer uma tonelada de ouro e uma tonelada de droga, o que é melhor? Ouro é mais fácil de legalizar, a pena é muito menor, dá muito mais lucro e pesa a mesma coisa”, diz Franco.</span></p>
<p dir="ltr"><span>O </span><a href="https://rp.iea.usp.br/projetos/usp-analisa/"><span>USP Analisa</span></a><span> é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast.</span></p>
<p><span>O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em </span><a href="https://t.me/iearp"><span>nosso canal no Telegram</span></a><span> ou em nosso </span><a href="https://chat.whatsapp.com/IrzrRNMDSwQLBWfBTg2Tvu"><span>grupo no Whatsapp</span></a><span>.</span></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Thais Cardoso</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Polo Ribeirão Preto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>USP Analisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Crime Organizado</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-11-05T18:39:06Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/artigos-digitais/habitacoes-flutuantes-na-amazonia-uma-proposta-sustentavel-por-via-etnografica">
    <title>Habitações "Flutuantes" na Amazônia: Uma Proposta Sustentável por Via Etnográfica</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/artigos-digitais/habitacoes-flutuantes-na-amazonia-uma-proposta-sustentavel-por-via-etnografica</link>
    <description>Autores: Leno Barata Souza e Fraya Frehse</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: right; "><i>Leno Barata Souza<strong><sup>I</sup> </strong>e Fraya Frehse<sup><strong>II</strong></sup></i></p>
<p style="text-align: right; "><i>1º de outubro de 2025</i></p>
<p><strong><strong>Um pouco de história</strong></strong></p>
<p>Há mais de dois séculos que as edificações flutuantes na Amazônia frequentam diferentes literaturas. Desde o discurso eurocêntrico dos viajantes naturalistas do século XIX, passando pelos determinismos, natural e econômico, do século passado, até chegar as atuais produções acadêmicas que repensam as edificações flutuantes por um viés mais técnico, cultural e socioambiental.</p>
<p>Esse ensaio, que versa sobre essa temática em expansão, baseou-se na tese de Barata Souza (2010) que focou na “Cidade Flutuante” de Manaus, fenômeno urbano e humano que, paulatinamente, se desenvolveu sobre o rio Negro e igarapés da cidade, entre 1920 e 1967.</p>
<p>O esforço etnográfico atual versa sobre os flutuantes em suas variadas modalidades (residencial, comercial, serviços) como um instrumento possível de desenvolvimento e sustentabilidade ambiental, com o objetivo de mostrar como contribui, por sua própria natureza na contemporaneidade, para as pautas socioambientais, promove qualidade de vida e resiliência urbana. Logo se apresenta como um dínamo de transição para municípios mais sustentáveis. Nesse contexto, alinha-se aos ODS da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), mais especificamente com o ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis.</p>
<p>Assumindo a etnografia como método e “perspectiva epistemológica” (Frehse, 2011: 34), a metodologia se pauta em pesquisa documental e trabalho de campo de natureza etnográfica na forma de observação participante anotada em caderno de campo e registrada, ainda, por entrevistas, fotografias e croquis.</p>
<p>A pesquisa empírica se concentrou na ilha de Xiborena, no rio Negro, município de Iranduba que integra a Região Metropolitana de Manaus (Figura 1).</p>
<p style="text-align: center; "><dl class="image-inline captioned" style="width:550px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/habitacoes-flutuantes-na-amazonia-1/image" alt="Habitações flutuantes da Amazônia 1" title="Habitações flutuantes da Amazônia 1" height="419" width="550" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:550px;">Figura 1 – Mapa fluvial do cenário pesqusado. (Fonte: Campos Pinheiro, 2019: 35)</dd>
</dl></p>
<p>Em particular, interessou a comunidade flutuante Nossa Senhora Aparecida do Lago Catalão, na “Boca” do Lago do Catalão à beira-rio (Figura 2):</p>
<p style="text-align: center; "><dl class="image-inline captioned" style="width:550px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/habitacoes-flutuantes-da-amazonia-2/image" alt="Habitações flutuantes da Amazônia 2" title="Habitações flutuantes da Amazônia 2" height="359" width="550" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:550px;">Figura – Localização da Comunidade N. Sra. Aparecida do Lago do Catalão. (Fonte: Santos, 2013: 24)</dd>
</dl></p>
<p><strong>Flutuantes em foco</strong></p>
<p>As construções flutuantes amazônicas são obtidas apenas via determinados tipos de madeiras: maçaranduba, sucupira, louro vermelho, acariquara e, principalmente, o açacu. Eis a madeira-boia dessas edificações, responsável por sua flutuação, já que compõe o pilar sobre o qual se ergue a estrutura das casas. Mas, para tanto, é crucial dominar um antigo e peculiar saber-fazer ribeirinho.</p>
<p>Trata-se de uma tecnologia cabocla e, a seu modo, vernacular. Afinal, os modos de construção e utilização de técnicas são transmitidos de geração em geração pelo costume. É a condição <i>sine qua non</i> para a flutuação segura das casas.</p>
<p>Os chamados flutuantes se tornaram uma paisagem socioespacial das mais representativas para as classes populares. Estas se apropriam dos rios como espaços mais viáveis, em termos econômicos, para seus flutuantes. Provém das várzeas, sobretudo o açacu, o material mais barato, acessível e em equilíbrio com o meio natural do qual são construídos.</p>
<p>Por tais peculiaridades arquitetônicas, ambientais e econômicas, os flutuantes favorecem a meta 11.1 do ODS 11, que ambiciona “garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível”.</p>
<p>De fato, são construções mais sintonizadas com o bioma regional. Alinham-se a uma “infraestrutura verde” economicamente mais acessível e ambientalmente justa, um contraponto à agressiva “infraestrutura cinza” e vertical das urbes de arquitetura e urbanismo modernos, no Brasil. Suas construções e traçados, em regra, buscam romper com o meio ambiente natural, subjugando rios, lagos, margens e áreas verdes.</p>
<p>Erguidos com cimento, ferro, cal, vidro e asfalto, os atuais centros urbanos do país impermeabilizam o solo, agravando as periódicas chuvas/enchentes e secas/calor.</p>
<p>Assim, mesmo os fenômenos naturais cíclicos amazônicos são cada vez mais alterados pela crise climática planetária condicionada por atividades humanas. Tal crise se fundamenta no aumento inédito dos gases de efeito-estufa (GEE), para o qual concorrem atividades historicamente urbanas como a queima de combustíveis fósseis, as indústrias e os desmatamentos. Tais fenômenos expõem os limites de um modelo de ocupação inadequado às pressões atuais do clima, que reverberam na forma de inundações, alagamentos, deslizamentos, secas e ondas de calor.</p>
<p>Portanto, as cidades chamadas modernas são mais vulneráveis à crise climática. Esta, aliada a passivos históricos de saneamento e habitação, agravam a situação, especialmente entre os mais pobres.</p>
<p>Ora, a arquitetura ecológica dos flutuantes significa – eis a hipótese – uma alternativa mais sustentável e resiliente para assentamentos urbanos na Amazônia. De fato, desafogam a pressão, sempre intensa e nefasta ao meio natural, por moradias em terra nos municípios amazonenses.</p>
<p>Ademais, os assentamentos flutuantes protegem contra o desmatamento e assoreamento das várzeas. São, portanto, mais adequados ao enfrentamento dos prementes desafios climáticos, como “reduzir o impacto ambiental negativo <i>per capita</i> das cidades” (ODS 11.6).</p>
<p><strong><i>Impressões etnográficas do Catalão</i></strong></p>
<p>Na popularmente chamada comunidade flutuante Nossa Senhora Aparecida do Lago Catalão não existem casas em terra. Há apenas aproximadamente 113 edificações flutuantes que se estendem, a partir da “boca”, lago adentro (Figura 3):</p>
<p style="text-align: center; "><dl class="image-inline captioned" style="width:550px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/habitacoes-flutuantes-da-amazonia-3/image" alt="Habitações flutuantes da Amazônia 3" title="Habitações flutuantes da Amazônia 3" height="415" width="550" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:550px;">Figura 3 – Entrada da Comunidade N. Sra. Aparecida do Lago do Catalão. (Fonte: Barata Souza, 25.03.2025)</dd>
</dl></p>
<p> </p>
<p>A primeira experiência de trabalho de campo na área começou em 25 de março último. Fez-se uma sondagem exploratória para conhecer a comunidade e estabelecer contato com os moradores mediante conversas informais e fotografias do lugar.</p>
<p>Apesar dos esforços, foi possível chegar ao Catalão sem contatos prévios com os moradores. No caderno de campo constavam sete nomes (aqui, todos fictícios) referenciados em trabalhos recentes (Santos, 2013; Campos Pinheiro, 2019; Ferreira de Souza, 2020), e reportagens televisivas.</p>
<p>Daí que foi especialmente fundamental poder contar com o sentido comunitário de Edilson, catraieiro com quem atravessei para à comunidade e também morador em um flutuante ali. Ele comentou, durante a travessia, conhecer “todo mundo”. Graças a ele, foi possível chegar à casa do primeiro nome da lista percorrendo o paraná e lado corretos da ilha.</p>
<p>Senso comunitário análogo observado nas duas casas visitadas na ocasião. Todos ali não apenas conheciam Edilson, mas também apelidos, familiares, localizações e profissões dos portadores dos nomes listados. Sem saber, mobilizaram, assim, uma teia capilar de interações e relações humanas que, especializadas, reproduzem identidades, valores e símbolos; animam um particular sentimento de pertencimento ao meio que só faz sentido dentro e a partir daquela teia. Cabe aqui relembrar que o “espaço não existe independentemente de relações sociais humanas” (Frehse et al., 2024: 4). Ou, por outra: são essas que conferem referências, sentidos, profundidades e perspectivas ao meio físico: “sem entender a sociedade com suas redes de relações sociais e valores, não se pode interpretar como o espaço é concebido” (DaMatta, [1985] 1997: 19).</p>
<p>Permaneceu-se uma manhã na comunidade, tendo aportado na “Boca” após uma travessia de 15 minutos, aproximadamente 600 metros e valor de cerca de 30 reais na voadeira de Edilson, a partir do ancoradouro da Cooperativa De Transporte Fluvial Solinegro, no chamado Porto da Ceasa, em Manaus.</p>
<p>O trajeto é praticamente uma linha reta, que se insinua imaginariamente na Fig.2. Ao menos os flutuantes do Catalão localizados nas “bocas” do lago com o rio já se deixam ver da beira-rio em Manaus.</p>
<p>De fato, segundo a cartografia científica, a comunidade se compõe de quatro “bocas” e seus respectivos paranás (Figura 4):</p>
<p style="text-align: center; "><dl class="image-inline captioned" style="width:550px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/habitacoes-flutuantes-da-amazonia-4/image" alt="Habitações flutuantes da Amazônia 4" title="Habitações flutuantes da Amazônia 4" height="471" width="550" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:550px;">Figura 4 – Localização da comunidade durante a cheia. (Fonte: Ferreira de Souza, 2020: 47)</dd>
</dl></p>
<p> </p>
<p>Depois de entrar pelo terceiro paraná, aportou-se na casa de cor azul fotografada a partir do barco (Figura 3), logo no início da chamada Ilha do Meio (Figura 4). Ali mora D. Vina, líder comunitária, ausente devido à lida em sua roça de macaxeira. Seu neto Valdo me recebeu e apresentou o seu avô, João. Este demonstrou acolhimento, mas não quis “conversar”, alegando que “não sabia muita coisa”.</p>
<p>Em seguida, atendendo às ordens do avô, Valdo me levou de “rabeta” (canoa motorizada), a uma casa flutuante no segundo paraná, onde a hospitalidade da travessia se repetiria.</p>
<p>O flutuante pertence a Antônio e Maria, casal que mora no Catalão desde 1980. Carpinteiro aposentado ele, desde que chegou, viveu de construir flutuantes, oficio que legou aos quatro filhos. Maria cuida da casa, do pomar e do canteiro adjacentes.</p>
<p>Ao aportar, por volta das 08:30, eles haviam acabado de tomar café em uma ampla varanda. Seguiram-se os cumprimentos, sorrisos, apresentações de Antônio para com à esposa, e convite para tomar café.</p>
<p>Além de café e pão, dividiram histórias, inicialmente suas que, em seguida, se entrelaçaram com as da comunidade. A base da narrativa foi a comparação de tempos mediados por suas memórias: o passado (1980) de apenas cinco flutuantes na comunidade e o presente com mais de 100 edificações (predominantemente casas residenciais); o pequeno flutuante que os abrigou quando chegaram e a espaçosa casa de agora; a serenidade interiorana de antes e a intensidade cotidiana atual de moradores, trabalhadores, turistas, jornalistas e pesquisadores.</p>
<p>No flutuante moram ainda a filha Ana e seu esposo Pedro. Ana estava em Manaus, onde cursa psicologia. Maria, após alguns minutos, dirigiu-se à cozinha para fazer o almoço.</p>
<p>Após quase uma hora de conversa na varanda, seguiu-se o convite de Antônio para conhecer a casa. Orgulhoso, apresentou cada um dos cômodos: três quartos, corredor, sala e cozinha.</p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<p><strong><i>Algumas considerações</i></strong></p>
<p>Essa aproximação exploratória com o Catalão possibilitou articular alguns fios temáticos de pesquisa que, acredita-se, se ramificam por dentro do universo empírico da comunidade: (i) a organização político-espacial dos flutuantes nas águas; (ii) as interações dos moradores com o rio, sobretudo nos ciclos de cheia e vazante; (iii) suas “espacialidades cotidianas”, ou seja, modos, corporal e materialmente mediados de interagir com terceiros, com objetos, animais, plantas, nos e em torno dos flutuantes (Frehse, 2022, p. 5; Frehse et al., 2024, p. 5) e (iv) significados, sentido e valores comunitários que norteiam as relações entre os moradores.</p>
<p>Tais fios, por se tecerem no interior de uma complexa teia de natureza social (Fernandes, 1970, p. 20), e captados via observação participante e entrevistas de natureza etnográfica, foram esticados, desfiados ou mesmo rompidos. Assim, foi possível descrever e explicar os fenômenos submetidos à observação no interior de uma “unidade”, compreendida como “totalidade integrada” (Fernandes, [1959] 1967: 4).</p>
<p><strong><i> </i></strong></p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>BARATA SOUZA, Leno José. Cidade Flutuante: Uma Manaus sobre as águas (1920-1967). Tese (Doutorado em História). São Paulo: PUC–São Paulo, 2010.</p>
<p>CAMPOS PINHEIRO, Luana. A Comunidade Flutuante Lago Catalão – Iranduba AM: Um tecido urbano sobre as águas. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Belém: UFPA, 2019.</p>
<p>DaMATTA, Roberto. A Casa &amp; a Rua. Rio de Janeiro: Rocco, [1985] 1997.</p>
<p>FERNANDES, Florestan. Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967.</p>
<p>FERNANDES, Florestan. Elementos de Sociologia Teórica. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo/Companhia Editora Nacional, 1970.</p>
<p>FERREIRA de SOUZA, Deise Nilciane. O Devir das Águas: Os modos de vida dos moradores da comunidade Lago do Catalão em Iranduba. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas). Manaus: UEA, 2020.</p>
<p>FREHSE, Fraya. Ô da rua!. São Paulo: Edusp, 2011.</p>
<p>FREHSE, Fraya et al. Contribuições interacionais de pessoas em situação de rua para a sustentabilidade urbana. RBCS, 39 e39014.2024: 1-21, 2024.</p>
<p>FREHSE, Fraya. Introdução. In: Frehse, Fraya et al. (orgs.) Relato Crítico – Seminário UrbanSus “Everyday Spatialities of Dwelling in the Streets of Covid-19 São Paulo: Articulating Research and Practice”. São Paulo: IEA-USP, 2022, https://gcsmus.org/wp- content/uploads/2022-Frehse_Ulloa_Reis-Relato-Critico-            UrbanSus-II-PORT-2.pdf, consultado em 13/11/2023.</p>
<p>SANTOS, Fernando Alvarenga dos. Organização socioeconômica da comunidade Nossa Senhora Aparecida do Lago Catalão – Iranduba/AM. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Recife: UFPE, 2013.</p>
<p><strong>ODS relacionado</strong></p>
<ul>
<li>ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis</li>
</ul>
<p><sup><strong> </strong></sup></p>
<hr />
<p><span class="discreet"> I Pós-doutorando do Centro de Síntese USP Cidades Globais (CS USPCG) do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) da USP.<br />II Professora Associada III do Departamento de Sociologia da USP e supervisora do CS USPCG.</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
    <dc:date>2025-10-01T20:05:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/uma-das-principais-divulgadoras-do-pais-sabine-righetti-fala-sobre-os-desafios-de-comunicar-a-ciencia">
    <title>Uma das principais divulgadoras do país, Sabine Righetti fala sobre os desafios de comunicar a ciência</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/uma-das-principais-divulgadoras-do-pais-sabine-righetti-fala-sobre-os-desafios-de-comunicar-a-ciencia</link>
    <description>Em entrevista, a jornalista, pesquisadora e professora defende a necessidade de formar pesquisadores preparados para dialogar com diferentes públicos e o papel das universidades no combate à desinformação</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: center; "><dl class="image-inline captioned" style="width:800px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/entrevista-sabine-righetti/image" alt="Entrevista Sabine Righetti" title="Entrevista Sabine Righetti" height="400" width="800" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:800px;">Sabine Righetti durante a aula inaugural da disciplina Divulgação Científica para Pesquisadores | Foto: Sushila Claro/ECA-USP</dd>
</dl></p>
<p><span>Entre os 15 maiores produtores de ciência do mundo, o Brasil ainda sofre com um paradoxo: gera cerca de 100 mil artigos científicos por ano, mas a população pouco conhece essa produção. Quem faz essa avaliação é a jornalista, pesquisadora e professora doutora da Universidade de Campinas (Unicamp) Sabine Righetti, uma das principais vozes da divulgação científica no Brasil.</span></p>
<p>Para ela, a espinha dorsal dessa explicação está na comunicação – ou na ausência dela: sem receber informação de pesquisa a sociedade não apenas desconhece a ciência brasileira como não se conecta com ela e com quem a produz. O resultado é a falta de valorização das instituições de pesquisa e o aumento do negacionismo. “Precisamos mudar a forma com que se faz ciência. A comunicação tem que ser parte da produção científica. É preciso pensá-la a partir do momento da pergunta de pesquisa, da submissão do projeto”, diz.</p>
<p>Fundadora e coordenadora da Agência Bori e membro-presidente do Conselho Consultivo do Ranking Universitário Folha (RUF Folha), Sabine foi convidada a ministrar a aula inaugural da disciplina Divulgação Científica para Pesquisadores. A formação está sendo oferecida neste semestre pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, em parceria com a Escola de Comunicações e Artes (ECA), a Superintendência de Comunicação Social (SCS) e o Instituto de Estudos Avançados (IEA).</p>
<p>Nesta entrevista ela defende a criação de cursos como esse em todas as universidades do país, para que pesquisadores sejam treinados a falar com a imprensa, a se comunicar com a sociedade e a entender a importância da divulgação de seus trabalhos. Também comenta a tendência de mudança no processo de avaliação da pesquisa e iniciativas que podem ajudar a ampliar o impacto social e econômico da produção científica. “Para a pesquisa chegar em uma tomada de decisão, em um projeto de lei, é preciso se comunicar de maneira estratégica com cada interlocutor. Não podemos esperar que o tomador de decisão vá ler o artigo científico. Isso jamais irá acontecer”, afirma.</p>
<p><i>Confira a entrevista concedida a Fernanda Cunha Rezende, do IEA, e publicada no Jornal da USP:</i></p>
<p><span><strong>Para divulgar a pesquisa brasileira, a Agência Bori realiza mapeamentos periódicos da produção científica nacional. Com esses dados você pode traçar um perfil da ciência no Brasil? Quem e onde se produz, o que mais se pesquisa?</strong></span></p>
<p>Sabine Righetti: A ciência brasileira é gigante. Considerando artigos científicos com pelo menos uma pessoa ligada a uma instituição de pesquisa do Brasil, estamos entre os 15 maiores produtores do mundo. Traduzindo em números, em 2024 produzimos cerca de 100 mil artigos científicos. Isso é muita, muita coisa.</p>
<p>Nossa produção é distribuída em todas as áreas do conhecimento, mas é mais forte em saúde pública – desde nutrição, enfermagem, doenças tropicais, odontologia etc. – e meio ambiente – biodiversidade, Amazônia e outros biomas. Outra característica é que cerca de um terço da produção científica é publicada em periódicos científicos editados no Brasil, mantidos com recursos públicos. Nós produzimos e publicamos ciência sobretudo com recursos públicos.</p>
<p>Em termos de gênero, há um equilíbrio atualmente: mais ou menos metade homem, metade mulher – considerando o gênero de maneira binária, a partir dos nomes de quem publica os artigos científicos. O mesmo não se pode dizer em termos regionais. Temos uma concentração gigantesca na região Sudeste, principalmente no Estado de São Paulo. Quase metade da produção científica brasileira está aqui, muito carregada pela USP, seguida pelas outras duas estaduais paulistas e as três federais. Essa desigualdade regional na produção científica reflete muito o grau de institucionalização das universidades: as mais antigas produzem e conseguem ter mais fôlego institucional.</p>
<p>Em termos de raça, não conseguimos saber como é a distribuição da produção científica porque esses dados não existem. Não dá para atribuir raça ou identificá-la a partir dos nomes nos artigos. Algumas editoras internacionais têm começado a coletar esses dados, mas eles não são de preenchimento obrigatório, então sempre tem um número grande de não resposta. Aqui, o país simplesmente não sabe como é a produção científica em termos de raça.</p>
<p><span><strong>Apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de ciência do mundo, os brasileiros conhecem muito pouco sobre a pesquisa nacional. Por quê?</strong></span></p>
<p>SR: Esse é um dos dados que mais me chocam. Estamos entre os 15 maiores produtores de ciência do mundo, mas a população não sabe disso. As pesquisas periódicas de percepção pública da ciência, feitas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e parceiros, mostram que a maioria da população não sabe dizer o nome de um cientista ou de uma cientista. Quando diz, menciona cientistas que já morreram há muito tempo, como Oswaldo Cruz, Santos Dumont. As pessoas também não conseguem mencionar o nome de instituições de pesquisa; pouquíssimas são lembradas – é o caso da USP, Fiocruz, Instituto Butantan. Ou seja, não há uma conexão com o que está sendo produzido hoje: 95% da produção científica brasileira é feita em universidades públicas, mas praticamente só a USP é lembrada.</p>
<p>Isso se deve a uma série de fatores, mas a espinha dorsal dessa explicação está na comunicação. Só podemos falar sobre aquilo que alguém nos informou. E o principal: não se trata só de saber que existe, mas também de se conectar com aquela instituição, conhecer um cientista e valorizar o que essa universidade faz, se interessar por isso, se engajar. E aí, se houver algum tipo de ameaça, algum tipo de sinalização de corte de recurso, as pessoas vão se manifestar. Isso porque “ficaram sabendo”, se conectaram, valorizaram.</p>
<p>A comunicação não é um caminho unilateral. O que vemos hoje se deve à própria construção da institucionalização da pesquisa no Brasil, em que a comunicação não faz parte do dia a dia. Comunica-se se sobrar tempo, se sobrar recurso. E, caso isso não aconteça, está tudo certo. Os indicadores olham para número de artigos científicos, não para se esses artigos estão sendo comunicados para a sociedade, por exemplo.</p>
<p><span><strong>Como mudar esse cenário?</strong></span></p>
<p>SR: Para conseguir romper essa desconexão e, de fato, se conectar com a sociedade precisamos mudar a forma que se faz ciência. A comunicação tem que ser parte da produção científica. É preciso pensá-la a partir do momento da pergunta de pesquisa, da submissão do projeto.</p>
<p>Mesmo que depois a estratégia de divulgação seja das equipes de comunicação das universidades (quando elas existem, porque no Brasil a maioria delas não tem jornalistas, ou no máximo tem um ou dois), o cientista é um elemento-chave. É ele que tem a informação da pesquisa, que sabe o momento de divulgá-la. E ele tem que saber como falar com a imprensa.</p>
<p>Por isso iniciativas como a disciplina que a USP está oferecendo, de comunicação para pesquisadores, é fundamental – e raríssima. Eu nunca tinha visto uma iniciativa como essa no Brasil. Essa preparação do pesquisador tem que ser feita de maneira institucional, periódica, com todos os perfis de pesquisadores da instituição, de todas as áreas do conhecimento.</p>
<p><span><strong>A sociedade entende as universidades como instituições apenas de ensino e não como também de pesquisa?</strong></span></p>
<p>SR: O que a gente observa é que as pessoas mencionam atividades de ensino porque, de alguma maneira, ouviram falar ou têm alguém da família que está prestando vestibular, Enem. Muitas vezes também mencionam os serviços, como um hospital daquela instituição. O vestibular tem todo ano, mas a pesquisa é como se fosse uma coisa que está rondando, mas ninguém entende direito o que faz.</p>
<p>Sempre lembro de uma conversa que tive quando fui para Natal e peguei um táxi a caminho da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Perguntei para o taxista o que se faz lá na universidade e ele falou: “Ah, eu não sei o que faz, mas eu acho que faz coisa muito importante”. É uma coisa desconectada, encastelada. É muito grave. Eu acho que isso tinha que estar na preocupação principal das universidades.</p>
<p><span><strong>Como o aumento do negacionismo da ciência e a rejeição às universidades públicas, ambos os fenômenos crescentes na última década, estão relacionados a essa desconexão? É possível resgatar a confiança nessas instituições?</strong></span></p>
<p>SR: Esse movimento do negacionismo, da desinformação é muito complexo. Ano passado publiquei um livro chamado <em>Negacionismo científico e suas consequências</em>, no qual eu e o Estevão Gamba, coautor, tentamos entender o que está acontecendo, sobretudo depois da pandemia. O que observamos é que negar a ciência muitas vezes não tem a ver com a ciência em si, ou seja, negar a vacina ou negar que as mudanças climáticas têm sido causadas pelo homem, por exemplo. Tem a ver com pertencer a um grupo com o qual a pessoa se identifica: um grupo partidário, ideológico, religioso ou até os mais extremos, como os terraplanistas. Tem uma coisa de pertencimento. O que isso sinaliza é que o grupo da ciência está muito fraco. É como se não tivesse uma conexão emocional com o conhecimento científico, ao passo que há com o movimento antivax, com o terraplanismo e outras formas de negacionismo.</p>
<p>A gente precisa comunicar o conhecimento científico para engajar as pessoas, para elas se sentirem parte de um grupo. Por exemplo, o grupo que entende, se conecta e valoriza vacina e, portanto, valoriza pesquisa sobre vacina ou sobre várias áreas do conhecimento. Hoje, como o pesquisador não se comunica, como não engaja, não toca o coração das pessoas, é muito fácil gerar desinformação também sobre o que fazem as instituições universitárias. Se uma instituição está sendo atacada -“só fazem balbúrdia”, dizem -, a população pouco se importa.</p>
<p>A comunicação não se trata de uma coisa linear: vou comunicar, logo as pessoas deixarão de ser antivax, pois serão “iluminadas”. É preciso uma comunicação estratégica e afetiva.</p>
<p><span><strong>E como gerar essa conexão com a ciência?</strong></span></p>
<p>SR: Quando a gente comunica para se conectar com as pessoas, despertamos um sentimento. É por isso que as fake news funcionam muito bem – e funcionam muito bem! Tem muitas pesquisas que mostram que circulam muito mais, porque engajam mais, despertam um sentimento – como de raiva ou de conhecer a verdade. O mesmo acontece com o vídeo do gatinho, que também é compartilhado porque despertou um sentimento.</p>
<p>A gente precisa comunicar a ciência para despertar sentimento nas pessoas, um sentimento de orgulho, por exemplo. Para construir isso, precisa de muita coisa – de equipe, estratégia, recurso, pesquisador preparado, de iniciativas como o curso da USP, precisa se conectar com jornalistas.</p>
<p><span><strong>Sobre a relação com a imprensa, muitas vezes os pesquisadores criticam a cobertura que se faz da ciência. Por outro lado, jornalistas comentam da dificuldade em acessar os cientistas brasileiros. Como resolver esse impasse?</strong></span></p>
<p>SR: Daí a importância do outro curso que a USP começou a oferecer, o de extensão para jornalistas (<em>Divulgação científica para comunicadores e jornalistas</em>, iniciado no dia 1º de setembro para 300 alunos de todo o País e que teve mais de 2 mil inscritos). Essa percepção dos dois lados é real, a gente mede isso na Bori. Ouvimos que a imprensa comunica mal a ciência, que erra, é sensacionalista. Por outro lado, os jornalistas dizem que não conseguem contatar os pesquisadores, que não entendem o que eles falam, que não estão acessíveis. As duas pontas trazem isso e ambas estão certas.</p>
<p>Os jornalistas de fato têm dificuldade de falar com os pesquisadores, justamente pelas questões institucionais que estávamos falando aqui, pois os pesquisadores não são treinados para comunicar. Os cientistas também estão corretos em afirmar, em certa medida, que a imprensa tem problemas, pois atribui resultados exagerados de pesquisa. Isso acontece porque os jornalistas também são pouco preparados para tratar de temas científicos. A própria imprensa reconhece isso. Temos poucas formações para jornalistas de ciência.<br />O que temos que fazer é colher essas duas críticas e pensar em como resolver. Isso que a USP está fazendo, olhando para as duas pontas – treinar os pesquisadores e treinar os jornalistas –, tem que ser feito periodicamente e de maneira institucional em outras universidades, em agências de fomento. Quanto mais tivermos jornalistas e cientistas treinados, e conversando entre si, mais teremos qualidade na circulação do conhecimento científico. A sociedade sai ganhando.</p>
<p><span><strong>Você tem experiência tanto na divulgação científica quanto na avaliação das instituições de ensino superior, como esses dois temas se relacionam?</strong></span></p>
<p>SR: Eles se relacionam totalmente. É muito interessante que algumas pessoas colocam em caixinhas separadas, mas é tudo o mesmo guarda-chuva. Ao falar de comunicação, falo de avaliação e vice-versa, porque estou falando da institucionalização da nossa produção e circulação do conhecimento, que vai desde a pergunta de pesquisa a como aquele resultado de pesquisa circula e como ele é avaliado pelas agências de fomento. É um assunto só.</p>
<p>Temos visto algumas sinalizações de mudança na avaliação do conhecimento científico, desde a avaliação de um artigo científico, passando pelo pesquisador até chegar na universidade. Esses indicadores são muito baseados em quantidade e em qualidade da produção científica: quantos artigos científicos o pesquisador está produzindo e como esses artigos científicos estão sendo citados por outros artigos, tornando-se referência da própria produção científica. Isso é a qualidade, o impacto. A maioria das avaliações olha para isso. O problema é que, ao fazer isso, não consideramos o quanto aquele conhecimento científico está circulando na sociedade.</p>
<p>Há um movimento recente de tentar desenvolver indicadores para medir o quanto o conhecimento científico de fato incide na sociedade, o quanto afetou uma tomada de decisão, quanto influenciou na mudança de uma regulamentação. Por exemplo: um projeto de lei chegou em um material didático ou chegou na produção dos agricultores? A ciência é feita, na maioria das vezes, para resolver grandes problemas da sociedade.</p>
<p><span><strong>Como essa tendência está se refletindo na pesquisa brasileira?</strong></span></p>
<p>SR: A Capes sinalizou recentemente uma mudança na avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação, onde está concentrada a produção científica brasileira. Isso indica que a gente começa a olhar para a incidência da ciência na sociedade. E nisso a comunicação é central, porque, para a pesquisa chegar em uma tomada de decisão, em um projeto de lei, em um grupo de agricultores, nos médicos, no material didático, enfim, é preciso se comunicar de maneira estratégica com cada interlocutor. Não podemos esperar que o tomador de decisão vá ler o artigo científico. Isso jamais vai acontecer.</p>
<p>Por isso, a comunicação vai ser cada vez mais central na construção desses indicadores. Já se fala até em presença na imprensa como um indicador. Algumas universidades americanas já avaliam a presença de um pesquisador na imprensa.</p>
<p>Acho que nos próximos cinco, dez anos, no máximo, transformaremos completamente a forma como se avalia a produção do conhecimento científico, passando por indicadores de incidência na sociedade. Eu aposto muito nisso.</p>
<p><span><strong>Muitas universidades do exterior criaram mecanismos para ampliar o impacto de suas pesquisas, seja promovendo a aproximação com o poder público e o terceiro setor ou incentivando estudos com potencial de transformação social ou econômica. Na sua opinião, esse modelo poderia ser aplicado no Brasil?</strong></span></p>
<p>SR: Novamente, a gente passa por questões institucionais da construção da produção científica. O que tem começado a crescer no Brasil são iniciativas em que o pesquisador e o gestor, por exemplo, estão juntos desde a pergunta de pesquisa. Não é só uma questão de achar a solução e comunicar ao gestor.</p>
<p>Dois exemplos disso estão na Fapesp: os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), em que a USP tem ampla participação, e o Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP). Nesses dois programas os pesquisadores já começam a atuar com os tomadores de decisão desde o início, fazendo toda a construção do conhecimento juntos. Isso é um modelo muito inovador e que tem crescido bastante.</p>
<p>Esse é um caminho significativo, mas ainda é algo que estamos aprendendo a fazer. As pessoas aprenderam a ser cientistas de uma forma, muitas vezes fechadas na universidade. Precisamos mudar a maneira como formamos os cientistas, para que eles já consigam fazer essa interlocução. Também é importante ter nas instituições iniciativas de conexão com esses interlocutores. Assim como há a agência de inovação, que conecta a universidade com o setor produtivo, poderia existir um órgão que se conecta com gestores. Isso universidades americanas já fazem. Elas têm, por exemplo, grupos de pesquisadores que atuam institucionalmente para se conectar com congressistas, até porque eles negociam o orçamento.</p>
<p>Não vejo por aqui uma instituição ter a preocupação de ir falar com o congressista, de explicar o que está fazendo, de construir uma pesquisa junto. Tem que se criar mecanismo institucional para que isso aconteça, assim como os das agências de fomento, como os programas que mencionei. Não podemos esperar a iniciativa individual do cientista, tem que ser institucionalmente. Acredito que a tendência é, cada vez mais, produzir a ciência conectada com vários setores da sociedade.</p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Fernanda Rezende</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Ciência</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Divulgação científica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Impacto</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-09-18T20:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/territorio">
    <title>O território como fonte de conhecimento e inspiração para políticas públicas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/territorio</link>
    <description>Cerimônia de Posse dos três novos titulares da Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação foi realizada no dia 18 de agosto, na Sala do Conselho Universitário da USP.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-right captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/mesa-da-cerimonia-de-posse-dos-novos-titulares-da-catedra-olavo-setubal-em-2025/image" alt="Mesa da Cerimônia de Posse dos novos titulares da Cátedra Olavo Setubal em 2025" title="Mesa da Cerimônia de Posse dos novos titulares da Cátedra Olavo Setubal em 2025" height="269" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Além dos novos titulares, participaram da Cerimônia de Posse dirigentes da USP, do IEA e da Fundação Itaú, mais três ex-titulares e representante da família Setubal</dd>
</dl></p>
<p>Nos discursos de posse na <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedras-e-convenios-atuais/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia">Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação</a> no dia 18 de agosto, na Sala do Conselho Universitário da USP, os três titulares para o período 2025/2026, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/alemberg-quindins" class="external-link">Alemberg Quindins</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaf/fernando-jose-de-almeida" class="external-link">Fernando José de Almeida</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoan/nisia-trindade-lima" class="external-link">Nísia Trindade Lima</a>, falaram sobre a importância da abordagem centrada no território nas atividades que realizam e no trabalho conjunto que realizarão.</p>
<p>Eles desenvolverão o programa Territórios: Diversidades, Desigualdades e Aprendizados Sociais, cuja agenda inclui três atividades principais:</p>
<ul>
<li>série Cátedra em Movimento – Encontros Territoriais compreende atividades em diversos lugares de junho a outubro de 2025 (já ocorreram encontros na Fiocruz e redondezas, no Rio de Janeiro, e em Nova Olinda, CE, em julho);</li>
</ul>
<ul>
<li>seminário “Territorialidade: Diversidades, Desigualdades e Aprendizados Sociais”, em novembro de 2025, que fará um balanço dos encontros territoriais;</li>
</ul>
<ul>
<li>disciplina de pós-graduação “Territorialidade: Diversidades, Desigualdades e Aprendizados Sociais”, a ser oferecida em parceria com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação no primeiro semestre de 2026.</li>
</ul>
<p>Quindins é músico, empreendedor social, escritor e criador da <a class="external-link" href="https://blogfundacaocasagrande.wordpress.com/">Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri</a>, em Nova Olinda, CE. Filósofo e educador, Almeida atua como professor universitário e gestor público na área de educação de São Paulo, onde foi secretário municipal; Lima é socióloga, professora universitária e foi a primeira mulher a presidir a <a class="external-link" href="https://fiocruz.br/">Fiocruz</a> e a ser ministra da Saúde.</p>
<table class="tabela-direita-300-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Participantes da Cerimônia de Posse dos novos titulares da Cátedra Olavo Setubal</h3>
<p>A cerimônia foi aberta pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Jr. e encerrada pela vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda. O reitor afirmou que os novos titulares trazem visões e conhecimentos diferentes que convergirão para responder a questões importantes para o país.</p>
<p>A vice-reitora destacou que a cátedra tem apostado numa mudança na agenda de pesquisa e no aprofundamento da relação da sociedade com a agenda pública. "Devemos celebras as mudanças do país nas últimas décadas, mas há grandes preocupações que temos de enfrentar, como o feminicídio, a violência, que tem cor, como mostra o genocídio dos jovens negros das comunidades pobres", afirmou.</p>
<p>A diretora do IEA, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/roseli-de-deus-lopes" class="external-link">Roseli de Deus Lopes</a>, disse que o modo de vida das pessoas mudou muito e a questão da violência e a destruição do meio ambiente são temas que poderão ser analisados em reflexões lideradas pelos novos catedráticos.</p>
<p>O presidente da Fundação Itaú, <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-saron" class="external-link">Eduardo Saron</a>, afirmou que a fundação sempre se relaciona com uma instituição parceira para oxigená-la e também ser oxigenada por ela. "Para nós é bastante relevante o fato de que a parceria do terceiro setor com a universidade pode impactar ainda mais a sociedade."</p>
<p>Como na posse de todos os outros titulares desde 2016, <a style="text-align: justify; " href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/neca-setubal" class="external-link">Maria Alice Setubal</a>, filha do patrono da cátedra, representou a família Setubal na cerimônia. Ela falou sobre o perfil de seu pai como empresário, homem público e incentivador das artes e dos princípios que transmitiu aos filhos: ética, valorização do trabalho e do conhecimento, coragem para assumir posições e o compromisso com o desenvolvimento do Brasil.</p>
<p>O coordenador acadêmico da cátedra, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/martin-grossmann" class="external-link">Martin Grossmann</a>, ex-diretor do IEA, ressaltou que os três novos titulares se destacam por suas práticas nos campos, acadêmico, cultural e profissional. "A formação dessa trinca se apoia nos conceitos de territorialidade, formação e diversidade, levando em conta a desigualdade social, problema histórico que afeta a sociedade brasileira."</p>
<p>A cerimônia teve também a participação de duas das três titulares indígenas do período 2024-2025. <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/arissana-pataxo-braz">Arissana Pataxó</a> destacou que no projeto que realizaram (<a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-olavo-setubal-de-arte-cultura-e-ciencia/caminhos-da-cutia-territorios-e-saberes-das-mulheres-indigenas" class="external-link">Caminhos da Cutia: Territórios e Saberes das Mulheres Indígenas</a>) a proposta foi caminhar de forma coletiva, agregando muitas mulheres indígenas, além das catedráticas. Francy Baniwa disse em vídeo apresentado que foi muito importante a presença das três titulares para mostrar que "a nossa ciência e nossa tecnologia ancestral tem muito a contribuir com as universidades, de como entendemos nossa ciência a partir de nossas narrativas".</p>
<p>Os novos titulares foram saudados por <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eliana-sousa-silva" class="external-link">Eliana Sousa Silva</a>, titular em 2018. Ela afirmou que os novos titulares chegam com o desafio de "aproximar vivências distintas, permitindo não só a possibilidade de criação de novos olhares, percepções e repertórios sobre os campos que atuam, mas também concretizar um movimento de transversalidade em importantes questões".</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/alemberg-quindins-posse/image" alt="Alemberg Quindins - posse" title="Alemberg Quindins - posse" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Alemberg Quindins</dd>
</dl></p>
<p>Quindins contou, emocionado, ter passado a infância na Amazônia, onde aprendeu duas lições:  "Enquanto existir floresta neste mundo, existirá encanto; e enquanto existir criança neste mundo, existirá inocência. A inocência e o encanto são as coisas mais potentes neste mundo".</p>
<p>Para ele a maior missão humana é tornar a Terra um planeta educativo. "Daí a importâncias desses territórios ambientais para a educação brasileira. Que a escola seja o território, que as crianças possam acessar essa escola a céu aberto que é nosso planeta. Por isso é importante derrubar os muros das escolas e fazer com que a humanidade seja pacífica."</p>
<p>Ele considera a Fundação Casa Grande um espaço de vivência e educação patrimonial. A cidade onde fica a instituição, Nova Olinda, está localizada na região do Cariri (CE), que contém vários sítios arqueológicas, com fósseis do período Cretáceo, floresta petrificada e pinturas rupestres. "Olhamos tudo isso pela ótica do patrimônio, que deve ser trabalhada desde a infância."</p>
<p>Antes de saber que esses locais eram sítios arqueológicos, ele os considerava sítios mitológicos. E assim aprendeu que "primeiro vêm as lendas, depois vêm os mitos, porque a própria história da natureza é a natureza das lendas". Para ele, "esses territórios antes de tudo são sagrados, e as crianças na fundação aprendem isso desde a infância".</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/fernando-jose-de-almeida-posse/image" alt="Fernando José de Almeida - posse" title="Fernando José de Almeida - posse" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Fernando José de Almeida</dd>
</dl></p>
<p>Fernando José de Almeida disse que os três não estavam tomando posse de nada, mas sim sendo apossados pela cátedra, para prestar serviços a ela, para "pensar conspirativamente sobre o coletivo, justiça, verdade, educação, cultura e arte". Ele atribuiu o caráter conspirativo como uma das contribuições transmitidas pelo patrono da cátedra, Olavo Setubal: "Respirar todo mundo junto, todo mundo do mesmo ar, comprometido pela mesma ideia."</p>
<p>A partir de suas contribuições como educador e cidadão, ele pretende atuar no programa com os outros titulares falando sobre a escola, os alunos, o currículo e os professores no âmbito do território. "Vou fazer o que sempre fiz, a curiosidade construída no coletivo."</p>
<p>A cátedra deve apresentar o aprendizado como uma relação social de significados e pertencimento ao território, afirmou. "Quanto mais pertenço ao território, mais o conheço. O objetivo final da escola não é a escola, é o território, mas ela tem uma função sem a qual o território se desterritorializa."</p>
<p>Almeida disse que a cátedra é também um espaço para posicionamento "contra a ambiência em que vivemos, que é a do elogio à ignorância. "Temos levado aos jovens uma mensagem discreta e ao mesmo tempo insistente, cotidiana, de que conhecer não é preciso, conhecer dá trabalho, conhecer tem de ser lúdico."</p>
<p>Para ele, isso leva à concepção de que não é preciso usar a memória, que todo o processo cognitivo não é necessário, porque já há quem o faça. Em segundo lugar, surge a ideia de que "tudo que pode ser aprendido já está num banco de dados, e mesmo que a pessoa aprenda, não poderá usar o conhecimento, porque quando for fazer isso, tudo já terá mudado".</p>
<p>Essa sina entregue à juventude é totalmente desmobilizadora dos processos cognitivos, afirmou. "É contra esse elogio à ignorância que a gente tem de lutar. Isso vem embutido na fala de alguns chamados educadores que acham que não é preciso cansar muitos as pessoas, pois tudo cai do céu com certa facilidade lúdica e gratuita, ou paga em suaves prestações."</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/nisia-trindade-lima-posse/image" alt="Nísia Trindade Lima - posse" title="Nísia Trindade Lima - posse" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Nísia Trindade Lima</dd>
</dl></p>
<p>Nísia Trindade Lima disse que sua trajetória está vinculada às ciências e à defesa das políticas públicas e da democracia. “Minha felicidade é poder dar uma pequena contribuição a uma agenda [da cátedra] que considero da maior relevância e que para mim também significa um aprendizado, e para toda a comunidade científica.”</p>
<p>Afirmou que os tempos são desafiadores e exigem muito das instituições de pesquisa e universidades. Comparou os tempos atuais com o período da Segunda Guerra Mundial: “O sociólogo estadunidense Robert Merton avisava naquele contexto que era uma ilusão pensar numa ciência autônoma. E o fenômeno da guerra mostrou o quanto a ciência era totalmente perpassada pelos conflitos políticos e culturais de sua época. Portanto, é de extrema atualidade quando pensamos nesta cátedra na articulação ciência, cultura e sociedade”.</p>
<p>Citando o documento “Brasil: Estatísticas do Século 20”, produzido pelo IBGE em 2003 [agora <a href="https://seculoxx.ibge.gov.br/">versão atualizado</a>], disse que em 1940 a mortalidade infantil era de 146 por mil nascidos vivos, “algo que só se reduziu com muitas ações, políticas públicas e de uma forma muito lenta”.</p>
<p>A expectativa de vida maior era a da Região Sul, 50 anos, ao passo que a menor era a de Região Nordeste, 38 anos. “Segundo dados de 2020, agora a expectativa de vida se aproxima dos 80 anos e a distância entre Nordeste e Sul diminui de 18 para quatro anos. É um outro Brasil, num processo que se intensificou em anos recentes, sobretudo com políticas de saúde, educação e combate à pobreza extrema.”</p>
<p>No entanto, o país apresenta outras estatísticas terríveis, segundo ela, com quase a metade dos homicídios sendo praticados contra jovens de 15 a 29 anos, com dois terços deles sendo pessoas negras. A referência que mencionou é o Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Nacional de Segurança Pública [veja a <a href="https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/publicacoes/287/atlas-da-violencia-2024">edição 2024</a> do relatório]. “Creio que seja também papel da cátedra, que trabalha com o conceito de território, incluir essa agenda.”</p>
<p>Lima disse que falar de desigualdades é falar de políticas públicas. “Muitas inovações ocorrem em nível local, e temos de trazê-las para a academia e colocá-las como proposições de política pública. O trabalho na cátedra nos dá essa oportunidade.”</p>
<p>Outro aspecto abordado pela catedrática é a questão da memória: “Quando falamos de aprendizado, não podemos esquecer do papel político da memória.” Ela pretende trabalhar com o tema a partir da experiência do país com a pandemia de Covid-19.</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos (a partir do alto): 1, 2 e 3, Leonor Calasans/IEA-USP; 4, Cecília Bastos/USP Imagens</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Política Cultural</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Educação</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Território</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Evolução humana</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Políticas Públicas</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cátedra Olavo Setubal</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Saúde Pública</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-08-25T18:30:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/documento-foz-do-amazonas">
    <title>IEA-USP e Museu Goeldi lançam documento com propostas para proteger a foz do Amazonas</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/documento-foz-do-amazonas</link>
    <description>Com propostas para proteger a biodiversidade da região, texto é resultado do trabalho de pesquisadores, lideranças tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil dos estados do Amapá, Pará e São Paulo.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-do-relatorio-foz-do-rio-amazonas" alt="Capa do Relatório Foz do rio Amazonas" class="image-right" title="Capa do Relatório Foz do rio Amazonas" />Em um momento decisivo para o futuro ambiental do Brasil, o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) lançaram o documento <i>“<a class="external-link" href="https://x.gd/8gj61"><i>Foz do rio Amazonas - C</i>enários Estratégicos para a Ampliação do Conhecimento Científico e Proteção da Biodiversidade</a>”</i>. O trabalho foi entregue no dia 20 de agosto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em evento realizado no Museu Goeldi, em Belém, Pará.</p>
<p>Resultado de uma mobilização inédita entre pesquisadores, lideranças tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil dos estados do Amapá, Maranhão, Pará e São Paulo, o texto responde à necessidade de intensificar os cuidados com a região diante da possibilidade de exploração de petróleo no local. São propostas duas frentes de ação específicas:</p>
<p>●     A <strong>criação do Instituto Nacional da Foz do Rio Amazonas (INFA)</strong>, voltado à produção e articulação do conhecimento científico sobre essa ecorregião;</p>
<p>●     A <strong>implantação de um Mosaico de Áreas Protegidas Marinhas</strong>, um conjunto de áreas com diferentes níveis de uso: 1. Corredores Ecológicos - Áreas para proteção da fauna ameaçada; 2. Áreas de Desenvolvimento Sustentável - Espaços para uso organizado e sustentável dos recursos; 3. Áreas de Proteção Integral - Zonas de refúgio para a vida silvestre, em harmonia com atividades econômicas importantes para a região.</p>
<p>Além dessas iniciativas, o grupo propõe outras 18 grandes estratégias que visam integrar conservação ambiental, desenvolvimento sustentável e inclusão social. Entre os pontos mais relevantes, estão o fortalecimento da pesquisa em rede entre instituições da região norte; a criação de sistemas para mapear áreas sensíveis e monitorar a biodiversidade; o envolvimento direto de comunidades tradicionais na gestão de áreas protegidas; e a promoção de um modelo econômico sustentável, com base na Economia Azul.</p>
<p><i>“Trata-se de uma agenda ambiciosa e colaborativa para garantir a proteção e o uso sustentável de uma das regiões mais estratégicas para o equilíbrio climático e a biodiversidade global”, afirma Roseli de Deus Lopes, diretora do IEA-USP.</i></p>
<p><i>“A criação do INFA permitirá que o Brasil compreenda e monitore melhor esse ecossistema. E o Mosaico de Áreas Protegidas Marinhas trará segurança para comunidades humanas, ambientes, e espécies da flora e fauna que vivem em constante vulnerabilidade”</i>, <i>destaca Nilson Gabas Júnior, diretor do Museu Goeldi.</i></p>
<p><strong>Sobre a região</strong></p>
<p>A foz do rio Amazonas representa um dos ecossistemas mais ricos e estratégicos do planeta: é onde o maior sistema fluvial do mundo encontra o oceano Atlântico, formando uma ecorregião flúvio-marinha de enorme biodiversidade e importância climática global. A região abriga a maior floresta contínua de manguezais do mundo, recifes únicos, uma pluma de água doce que alcança o Caribe e espécies ameaçadas, como tartarugas marinhas, baleias, corais e tubarões. Além disso, comunidades indígenas, quilombolas e pescadores tradicionais mantêm, há séculos, formas de vida integradas ao território.</p>
<p><i>“A foz do Amazonas é um ponto de convergência vital entre a Amazônia Verde e a Amazônia Azul. É também um território de saberes tradicionais e de desafios urgentes diante do cenário de intensificação e diversificação de atividades econômicas. Com esse plano, buscamos fortalecer a ciência e garantir que a conservação ande junto com a justiça social”</i>, <i>explica Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP, responsável pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).</i></p>
<p><i>“Este documento representa um esforço inédito de união entre ciência, saber tradicional e gestão pública. O que está em jogo aqui não é apenas um ecossistema – é o futuro das próximas gerações, que depende fundamentalmente do equilíbrio entre exploração e uso de recursos e da qualidade ambiental. Isso só pode ser alcançado com investimentos massivos no conhecimento científico da região”, destaca Nils Edvin Asp, professor titular da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador do Observatório para a Foz do Rio Amazonas (Rede ARMO/CNPq).</i></p>
<p><i>“O reconhecimento dos territórios tradicionais, como estratégicos para a conservação da biodiversidade, o respeito e a participação das comunidades tradicionais que vivem da pesca, do extrativismo e da relação direta com o manguezal na foz do Amazonas é essencial para garantir o equilíbrio ambiental da região”, avalia Sandra Regina Pereira Gonçalves, pescadora e representante da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem).</i></p>
<p>Resultado de mais de um ano de ação do <strong>Grupo de Trabalho da Foz do Amazonas</strong>, parceria entre o IEA e o Museu Goeldi e formado por 19 especialistas de diferentes áreas (lista completa abaixo), o documento sintetiza as discussões de dois grandes seminários realizados em Belém e São Paulo, que reuniram mais de 1.500 participantes entre cientistas, representantes de povos tradicionais, gestores públicos e cidadãos interessados.</p>
<p>O lançamento acontece em um momento decisivo para a região e para o Brasil, que em novembro sediará a <strong>COP30 em Belém</strong>. <i> </i></p>
<p>Durante a apresentação do documento, estarão presentes a secretária Andréa Latgé, da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; e o secretário-executivo João Paulo Capobianco, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amapá, Edivan Andrade; o secretário adjunto da Secretaria  de Meio Ambiente do Pará, Rodolpho Zaluth Bastos; os dirigentes do Museu Goeldi e do IEA-USP, Nilson Gabas Júnior e Roseli de Deus Lopes, respectivamente, além dos especialistas que compõem o grupo de trabalho.</p>
<p><strong>Integram o Grupo de Trabalho da Foz do Amazonas:</strong></p>
<p>1.         Alberto Akama - Museu Paraense Emílio Goeldi</p>
<p>2.         Amílcar de Carvalho Mendes - Museu Paraense Emílio Goeldi</p>
<p>3.         Cleverson Ranieri Meira Dos Santos - Museu Paraense Emílio Goeldi</p>
<p>4.         Nilson Gabas Júnior - Museu Paraense Emílio Goeldi</p>
<p>5.         Maria Emília Da Cruz Sales - Museu Paraense Emílio Goeldi</p>
<p>6.         Alexander Turra - Instituto de Estudos Avançados da USP</p>
<p>7.         Fábio Feldman - Instituto de Estudos Avançados da USP</p>
<p>8.         José Pedro De Oliveira Costa - Instituto de Estudos Avançados da USP</p>
<p>9.         Marcos Silveira Buckeridge - Instituto de Estudos Avançados da USP</p>
<p>10.       Paulo Artaxo - Instituto de Estudos Avançados da USP</p>
<p>11.       Andrea Coelho - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas/PA)</p>
<p>12.       Euryandro Ribeiro Costa - Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (Sema/AP)</p>
<p>13.       Lais Morais Rego - Semas/MA</p>
<p>14.       Ellivelton Carvalho - Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio)</p>
<p>15.       Márcio Costa F Vaz - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)</p>
<p>16.       Nils Edvin Asp Neto - Universidade Federal do Pará (UFPA)</p>
<p>17.       Hyago Elias N Souza - Universidade Estadual do Pará (UEPA)</p>
<p>18.       Sandra Regina Pereira Gonçalves - Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem)</p>
<p>19.       Guillermo Estupiñán - Aliança Águas Amazônicas</p>
<p> </p>
<hr align="center" size="2" width="100%" />
<p><strong>Serviço<br /> Lançamento do documento <i>Cenários Estratégicos para a Ampliação do Conhecimento Científico e Proteção da Biodiversidade da Foz do Rio Amazonas</i></strong> <br /> Local: Auditório Paulo Cavalcante, Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi<br /> Data: 20 de agosto de 2025<br /> Horário: das 8h30 ao meio-dia<br /> Transmissão: A partir das 9h no YouTube do Museu Goeldi (<a href="https://youtube.com/@museugoeldi">youtube.com/@museugoeldi</a> ) e do IEA-USP (<a href="https://www.youtube.com/@iea-usp">https://www.youtube.com/@iea-usp</a>)</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Informações para a imprensa</span>:</strong></p>
<p>Fernanda Cunha Rezende: <a href="mailto:ferezende@usp.br">ferezende@usp.br</a></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Fernanda Rezende</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>biodiversidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Petróleo</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-08-20T10:55:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/geoeconomia">
    <title>Os desafios do Brasil no contexto da geoeconomia</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/geoeconomia</link>
    <description>O seminário “O Brasil na Nova Era da Geoeconomia: Como se Situar, como Responder?” ocorreu no dia 7 de agosto, numa iniciativa do Grupo de Pesquisa Economia Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-right captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/participantes-do-seminario-o-brasil-na-nova-era-da-geoeconomia/image" alt="Participantes do seminário &quot;O Brasil na Nova Era da Geoeconomia&quot;" title="Participantes do seminário &quot;O Brasil na Nova Era da Geoeconomia&quot;" height="384" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Os temas discutidos pelos expositores incluíram fragilidade das instituições internacionais, mudança do eixo econômico para a Ásia, transição demográfica, emergência climática, minerais estratégicos e impactos da inteligência artificial</dd>
</dl></p>
<p>Para os expositores do seminário “O Brasil na Nova Era da Geoeconomia: Como se Situar, como Responder?”, realizado no dia 7 de agosto, a situação do país é delicada quanto à sua inserção no sistema internacional. Entre os motivos apontados estão a falta de projeto sobre qual papel o Brasil quer ter no mundo e as carências em termos de políticas e organismos que promovam setores estratégicos, como o mineral.</p>
<p>Organizado pelo <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-pesquisa/economia-politica-internacional-variedades-de-democracia-e-descarbonizacao">Grupo de Pesquisa Economia<i> </i>Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização</a>, o encontro teve como expositores o economista <a href="http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jose-roberto-mendonca-de-barros" target="_blank">José Roberto Mendonça de Barros</a>, a cientista política <a href="http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lourdes-sola" target="_blank">Lourdes Sola</a>, o ex-ministro <a href="http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/raul-jungmann" target="_blank">Raul Jungmann</a> e o diplomata <a href="http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rubens-barbosa" target="_blank">Rubens Barbosa</a>. O moderador foi o cientista político <a href="http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-viola" target="_blank">Eduardo Viola</a>.</p>
<table class="tabela-direita-400-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><strong>Participantes</strong></h3>
<ul>
<li><strong>José Roberto Mendonça de Barros</strong> - economista, ex-professor da USP e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda; integrou conselhos de diversas empresas e instituições (atualmente participa do Conselho de Administração da Scicrop e do Conselho Consultivo do Scotiabank);</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Lourdes Sola</strong> - livre-docente em ciência política, ex-professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, professora sênior do IEA e coordenadora do grupo de pesquisa organizador do seminário;</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Raul Jungmann</strong> - conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), ex-ministro de quatro pastas (Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública) e ex-presidente do Ibama;</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Rubens Barbosa</strong> - diplomata, ex-embaixador do Brasil nos EUA e no Reino Unidos, integrante do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint) da Instituto de Relações Internacionais da USP e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice).</li>
<li><strong>Eduardo Viola (moderador) -</strong> cientista político, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, pesquisador colaborador do IEA, professor titular aposentado da UnB e vice-coordenador do grupo de pesquisa organizador do seminário.</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table class="tabela-esquerda-borda-cinza">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center; "><a class="external-link" href="https://www.youtube.com/watch?v=mTcDYckooLo&amp;t=6496s"><i>Assista ao vídeo<br /> do seminário</i></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Diversos economistas, cientistas políticos e especialistas em relações internacionais afirmam que o mundo está vivendo a era da geoeconomia, caracterizada pela intersecção entre a lógica do conflito e os métodos do comércio, de acordo com definição do estrategista militar e historiador estadunidense Edward Luttwak, que propôs o termo em artigo de 1990.</p>
<p>Os impactos são globais, mas há desafios de governança democrática específicos ao Brasil e à América Latina, segundo os organizadores do seminário. O objetivo do encontro foi justamente analisar esses desafios e as estratégias possíveis para a inserção do país no cenário internacional.</p>
<p><strong>Panorama</strong></p>
<p>José Roberto Mendonça de Barros apontou cinco processos indutores de grandes transformações no panorama global e a interação entre eles. O primeiro deles é a mudança do papel da China na economia mundial ao longo das últimas décadas, passando de país que copiava produtos ocidentais para a posição de manufatura do mundo, sede do sistema industrial mais eficiente e competidor direto com os EUA.</p>
<p>No plano multilateral, indicou o envelhecimento e enrijecimento das instituições de governança global, como o Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial. “O espantoso desenvolvimento do mercado de capitais, que se tornou um mar de fluxo monetário, ocupou o espaço do FMI e do Banco Mundial.”</p>
<p>A economia e a geopolítica mundiais também já começam a sofrer o impacto de uma forte aceleração da transição demográfica, de acordo com o economista. “Entre os países com redução absoluta da população, a China toma a frente, com a perspectiva de redução dos 1,422 bilhão de habitantes que tinha em 2023 para 1,260 em 2025. O Japão deve perder 15% população, passando de 124 para 105 milhões. A população russa deve diminuir de 146 para 136 milhões. O oposto deve ocorrer nos EUA devido à imigração, passando de 343 para 380 milhões em 2050. A população brasileira já está crescendo de forma bastante modesta e estamos entrando no período mais avançado da transição.“</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/jose-roberto-mendonca-de-barros/image" alt="José Roberto Mendonça de Barros - 7/8/25" title="José Roberto Mendonça de Barros - 7/8/25" height="500" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">José Roberto Mendonça de Barros</dd>
</dl></p>
<p>Uma das consequências desse quadro é o aumento considerável de países que podem ficar velhos antes de ficarem ricos, afirmou. E aí surge o problema da migração para os países mais ricos, que querem evitá-la, como os EUA e o Japão, disse.</p>
<p>Os outros dois aspectos citados por ele são a aceleração das mudanças climáticas e as mudanças tecnológicas lastreadas na inteligência artificial. No caso do clima, a prioridade é a transição energética, “mas ela está colocando seus próprios problemas, mostrando-se mais complicada do que se imaginava. A Europa, que mais avançou, está fragilizada pelos problemas econômicos”.</p>
<p>Ele disse que a China definiu em 2015 uma estratégia para reduzir duas de suas maiores dependências: alimentos e energia limpa. No caso dos alimentos, houve a migração para o fornecimento brasileiro. E o avanço consistente na transição energética concretizou-se na construção de 22 mil km de linhas de trens de alta velocidade e a disseminação dos carros elétricos, além do crescimento sem precedentes nas energias solar e eólica, apontou.</p>
<p>O atraso no mercado global de carbono também é um complicador para a transição demográfica, disse. No caso do Brasil, afirmou que o país aproveita pouco suas potencialidades para a transição energética.</p>
<p>Mendonça de Barros disse que há uma grande discussão se a IEA será tão transformadora quando seus entusiastas acreditam. “O volume de investimentos é fenomenal, mas ela ainda não desenvolveu ferramentas e modelos que transformem a produtividade. Vai acontecer, mas vai levar algum tempo.”</p>
<p>Aswath Damodaran, da Universidade de Nova York, um dos maiores especialistas em avaliação de empresas, teme que a IA tenha um desempenho similar ao que aconteceu com a internet em seu início, seja algo sem o qual não se consegue viver, mas que num primeiro momento não propiciou o salto de produtividade imaginado, porque não conseguiu se transformar em ferramentas úteis, afirmou o economista. Para Damodaran, se isso demorar a se dar com a IA, pode acontecer na bolsa americana a maior crise desde 2008, pois o valor das empresas da área representa 30% de todos os ganhos da bolsa nos últimos anos, medidos em trilhões de dólares, disse.</p>
<p><strong>Crise financeira</strong></p>
<p>No entanto, ele ressalva que os efeitos da evolução das cinco tendências globais que mencionou dependerão do futuro da economia americana sob o governo Trump. A tarifa média de importação dos EUA era de 2,5 a 3% e agora está próxima de 20%. Isso vai dar inflação, segundo 90% dos economistas, afirmou.  “Os indicadores são de que a inflação americana caminha para 4%. Se isso acontecer, teremos de conviver no ano que vem com taxa de juro maior, não menor. Em paralelo a isso, a atividade está caindo, sendo o mais provável, portanto, o fenômeno da estagflação. Se isso for verdade, o dólar tende a se desvalorizar num primeiro momento, caindo aqui para R$ 5,00, mas não passar disso.”</p>
<p>Com a probabilidade desse cenário, há o risco de uma crise financeira nos EUA parecida com a de 2008 nos próximos dois anos, disse. Contribui para isso o fato de o valor dos ativos na bolsa estar muito inflado, completou. “As criptomoedas jogarão um papel similar ao que os derivativos habitacionais desempenharam em 2008. O estoque delas já é de US$ 2 trilhões.”</p>
<p>Para Mendonça de Barros, só resta ao Brasil “reforçar as coisas em que somos bons, nossos fundamentos, pois somos pequenos nesse jogo”. É preciso “aumentar a resiliência da economia brasileira, porque ela vai balançar”.</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/rubem-barbosa/image" alt="Rubem Barbosa - 7/8/25" title="Rubem Barbosa - 7/8/25" height="500" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Rubens Barbosa</dd>
</dl></p>
<p>Além de pelo comportamento da economia, o papel do Brasil no mundo será definido por três outras questões, segundo Rubens Barbosa: a percepção externa sobre o país, implementação de objetivos a serem definidos e uma política externa acima de partidos e ideologia.</p>
<p>Barbosa indicou vários pontos a serem elevados em conta quando se pensa na inserção externa brasileira. Um deles é o quadro da economia global, que “deixou de ser uma economia liberal em função do enfraquecimento das instituições e passou a ser protecionista, sem regras, uma lei da selva”.</p>
<p>Outro é a mudança na ordem internacional, com novos polos de poder, mas sem uma organização geral: “Isso é muito delicado quando se pensa na inserção externa do país. O Brasil é uma potência média regional. O mundo mudou e o país está sem uma perspectiva de futuro, sem estratégia, sem excedente de poder para querer interferir em áreas fora do nosso alcance, como Ucrânia, Gaza e Irã”.</p>
<p>No campo econômico, a perda de espaço do Brasil no cenário internacional se deve à situação da economia, perda na participação das manufaturas nas exportações e atraso na inovação tecnológica. No caso do desgaste em termos de percepção externa, apontou a maneira como a pandemia foi conduzida, a política ambiental em relação à Amazônia, a insegurança jurídica, corrupção sistêmica e aumento da violência. Quanto à política externa, Barbosa disse que não temos uma definição clara dos interesses em relação aos principais parceiros, o que torna difícil a ação diplomática. “Desde o segundo mandato do presidente Lula há uma atuação ideológica nos organismos internacionais que compromete a ação diplomática em quase todas as áreas.”</p>
<p><strong>Riscos</strong></p>
<p>Ele relacionou os riscos a que o país está sujeito. Às elevadas tarifas de importação estabelecidas por Trump e à provável elevação da taxa de juro dos EUA, itens mencionados por Mendoça de Barros, acrescentou o menor crescimento da China e a concentração das exportações em poucos produtos para poucos mercados. Também citou os impactos diretos e indiretos das guerras, as ameaças de ataques cibernéticos e questões de natureza ambiental, como desastres e crimes ambientais na Amazônia, que levam a restrições a produtos não sustentáveis.</p>
<p>Para ele, o Brasil pode ter voz no mundo em áreas como segurança alimentar e transição energética, mas não está aproveitando as oportunidades. Quantos aos minérios estratégicos, disse faltar uma política específica para isso.</p>
<p>Uma inserção internacional adequada do país depende da superação de várias vulnerabilidades, disse. Algumas são estruturais, como educação, saúde e atraso tecnológico. Entre as conjunturais que afetam o setor produtivo relacionou baixa competitividade, custo brasil, ineficiência do governo, interferência estatal e baixa produtividade das empresas.</p>
<p>Barbosa criticou a dependência brasileira da Ásia: “50% das exportações vão para lá, dos quais, 70% vão para a China. Se sair um acordo comercial e a China concordar em aumentar a importação de produtos americanos para reduzir o superávit que possui, isso afetará o agronegócio brasileiro”.</p>
<p>Outra dificuldade brasileira apontada por ele é a não participação do país em cadeias produtivas, com exceção da Embraer e outras três ou quatro empresas. “Ninguém está pensando na criação de cadeias produtivas na América Latina.” Ele também disse que o Brasil não dá nenhuma prioridade para o setor de defesa.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/raul-jungmann-1/image" alt="Raul Jungmann - 7/8/25" title="Raul Jungmann - 7/8/25" height="500" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Raul Jungmann</dd>
</dl>Raul Jungman indicou três aspectos relacionados com o panorama geopolítico. O primeiro, em consonância com as opiniões de Mendonça de Barros e Barbosa, é a desordem progressiva na governança global. “A construção dessa governança foi liderada pelos EUA nos últimos 80 anos e eles mesmo estão liderando sua destruição, sem que nada seja colocado no lugar.”</p>
<p>O segundo é o atual processo de rearmamento, inclusive da Alemanha e do Japão, e com a Otan estabelecendo um acordo que prevê um crescimento de 5% no orçamento militar nos próximos dez anos, disse. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, 2024 foi o ano com mais conflitos nos últimos 70 anos, com 33 nações envolvidas em 61 conflitos, afirmou.</p>
<p>O terceiro fato é a emergência econômicas da Ásia a partir dos anos 90. “Atualmente, de 120 a 150 países tem a China como principal parceiro comercial.”</p>
<p>Para ele, o Brasil permanece na ordem ocidental, mas tem um pé muito firme nos Brics e em especial na China. “O Brics não questiona a ordem ocidental, procura se estruturar de forma paralela. Aí surge o conceito de Sul Global, com o qual tenho dificuldade em lidar, pois são países diferentes em termos culturais, linguísticos e geográficos. Me parece muito mais uma comunidade de propósito. O Brics tem futuro, mas ainda não tem robustez para se contrapor à governança ocidental, aos EUA”</p>
<p>Para Jungman, as atuais transformações geopolíticas surgiram a partir da pandemia de Covid-19, quando se percebeu a dependência de cadeias produtivas atreladas à Ásia. A necessidade de máscaras e respiradores foi um exemplo. O resultado foi a concepção de que certas cadeias de valor são estratégicas e precisam ser nacionalizadas, ou pelo menos é preciso ter o controle dos suprimentos que as abastecem, afirmou.</p>
<p><strong>Minerais</strong></p>
<p>É exatamente isso que a acontece com os minerais críticos e estratégicos, segundo ele. Alguns estão diretamente ligados à segurança alimentar, como o potássio e o fosfato, fundamentais para a produção de fertilizantes. “O Brasil é um gigante agrícola com pés de barro, pois importa 90% do potássio e 78% do fosfato”, afirmou.</p>
<p>Quanto às terras raras, explicou que não são terras, são rochas, e não são raras, sendo encontráveis em todo o planeta, com maior concentração na China. Seu processo de refino é muito difícil. São utilizadas em telefones celulares, televisores de tela plana, lâmpadas fluorescentes, turbinas eólicas, carros elétricos, lentes de alta refração, fios de fibra óptica, baterias de íon-lítio, ímãs permanentes e catalisadores para veículos. Também são essenciais e tecnologias de defesa, como mísseis teleguiados e sistemas de radar.</p>
<p>Jungman destacou que os minerais críticos e estratégicos estão na base da transição para uma economia de baixo carbono, com o seu uso em baterias, acumuladores e painéis solares, por exemplo.</p>
<p>“O Brasil tem grande potencial. Tem a maior reserva de nióbio, a segunda maior em terras raras e a terceira em grafite. Mas nos falta rumo. Não tempos uma política para esses minerais. Em mais 50 anos de existência, o Serviço Geológico do Brasil mapeou apenas 27% do território nacional. O Brasil não sabe o que tem em termos minerais, quanto mais em termos de minerais críticos e estratégicos.”</p>
<p>Outro problema do setor é a falta de financiamento, disse. “Em 2024, o setor financeiro investiu R$ 2,1 trilhões no setor privado, dos quais apenas R$ 19 bilhões foram destinados ao setor mineral. Na B3 [Bolsa de Valores de São Paulo] há quatro mineradoras, na bolsa de Toronto, Canadá, são 42.”</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/lourdes-sola-1/image" alt="Lourdes Sola - 7/8/25" title="Lourdes Sola - 7/8/25" height="500" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Lourdes Sola</dd>
</dl>A partir das reflexões dos expositores anteriores, Lourdes Sola retomou o ponto central do seminário sob o ponto de vista da ciência política. Disse que o interesse sobre a geoeconomia foi motivado por uma discussão de tentativas de diagnóstico, pois é preciso dar conta de contradições, como a desconstrução empreendida por Trump e o incremento do comércio no âmbito da Ásia.</p>
<p>“Estamos numa situação em que a ciência política e outras ciências estão exigindo conceitos transversais que deem conta de uma situação multifacetada e com vários tipos de crise e, portanto, vários tipos de statemanship [habilidade política] para o Estado navegar.”</p>
<p>De acordo com a cientista política, as decisões e as perspectivas dos atores-chave nas economias nacionais passam pelos cálculos dos riscos políticos envolvidos nos investimentos e nas várias decisões. Isso requer um cálculo estratégico de longo prazo, não o de curto prazo, que está dominando, disse.</p>
<p>Uma das especificidades que atingem o Brasil no momento é a forma que a política está emaranhada com a economia no caso do ultimato de Trump, que envolve uma questão complexa em política: a soberania, afirmou.</p>
<p>“A relação com Trump, exige calibragens muito delicadas por parte do Estado, porque há interseções entre economia e defesa, economia e meio ambiente, regulação e liberdade de expressão. O conceito de rally ‘round the flag [reunião entorno da bandeira] é muito bonitinho, mas ineficaz, se esgota.”</p>
<p><strong>Diagnósticos</strong></p>
<p>Sola disse que em sua busca por mapas cognitivos sobre a atualidade se interessou por dois diagnósticos. Um é do gestor de investimentos estadunidense Ray Dalio, autor do livro “How Countries Go Broke: The Big Cicle” (como os países quebram: o grande ciclo), lançado em junho. O outro é do economista Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. “O diagnóstico deles coloca a política de uma forma muito precisa. Em ambos há um elemento de insustentabilidade: assim como está não dá.”</p>
<p>Segundo ela, Dalio argumenta que os EUA precisam cortar sua dívida de US$ 36 trilhões, diante do risco de uma outra crise financeira. Mas há um impeditivo: o populismo de direita e de esquerda. Resolver esse problema passa por uma política de coalização doméstica, defende o investidor.</p>
<p>O diagnóstico de Campos Neto mostra uma configuração de fatores similar à apresentada por Dalio, mas indica como ponto central o fato de os gastos dos países centrais terem levado a uma situação em que os países mais vulneráveis terão de instaurar disciplinas sociais muito mais específicas e prudentes e identificar que coaliza precisam adotar, afirmou a pesquisadora.</p>
<p>Aos fatores enumerados pelo economista brasileiro, Sola acrescenta o quantitative easing (flexibilização quantitativa), política monetária em que o banco central de cada país compra ativos financeiros, como títulos públicos, para injetar liquidez na economia, reduzir juros de longo prazo e estimular o crescimento econômico.</p>
<p>“Sempre que há crise desse tipo, os países centrais se ajustam e transferem os custos para nós, países importantes, mas periféricos. Se estivermos desinteressados do contexto doméstico e internacional, estamos perdidos.”</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP</span></p>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Evento</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geoeconomia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Relações Internacionais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geopolítica</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Economia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Geologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-08-19T13:35:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/en/news/journal-issue-114">
    <title>"Estudos Avançados" #114 highlights the challenges for COP30</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/en/news/journal-issue-114</link>
    <description> </description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-edicao-114-da-revista-estudos-avancados" alt="Capa da edição 114 da revista Estudos Avançados" class="image-right" title="Capa da edição 114 da revista Estudos Avançados" /></p>
<div>
<p>In 2022, fossil fuels accounted for 81.9% of all energy consumed worldwide. To combat global warming, it is necessary to reduce the consumption of these fuels and find substitutes for them. However, this energy transition requires solutions to two problems, according to physicist <a href="https://www.iea.usp.br/en/persons/researchers/jose-goldemberg" class="external-link">José Goldemberg</a>: the depletion of oil reserves exploitable with current technologies and costs by 2050 (other reserves should extend this timeframe, but at higher costs), and the reduction of carbon (CO<sub>2</sub>) emissions resulting from the burning of fossil fuels through the use of more efficient technologies.</p>
</div>
<div>
<p>This point of view is reflected in Goldemberg's article "Expectations for COP30 in Belém," which opens the dossier "COP30 Challenges," published in issue #114 of the journal <i><a href="https://www.iea.usp.br/en/journal" class="external-link">Estudos Avançados</a></i>, released this month. Featuring nine papers by 37 researchers from various USP units and six federal universities, the dossier discusses the impacts and ways to fight the climate crisis, addressing topics such as the risks to the Amazon, the effects of climate change on human health, the role that agriculture can play in reducing emissions, CO<sub>2</sub> storage, and the carbon market.</p>
</div>
<p><strong>Climate Negotiations</strong></p>
<p>Goldemberg states that emissions increased globally by 33% between 1992 and 2022, with a 78% increase from developing countries (including China), which in 1991 were already responsible for more than 50% of the emissions. "Therefore, it is clear that the <a class="external-link" href="https://unfccc.int/">United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC)</a>, established at the <a class="external-link" href="https://www.un.org/en/conferences/environment/rio1992">1992 Earth Summit</a>, and the <a class="external-link" href="https://unfccc.int/process-and-meetings/the-kyoto-protocol/what-is-the-kyoto-protocol/kyoto-protocol-targets-for-the-first-commitment-period">Kyoto Protocol</a>, adopted in 1997, did not achieve the expected success," says the physicist.</p>
<p>He traces the climate negotiations back to a decision made at the 2009 United Nations Climate Change Conference (COP15) in Copenhagen for developed countries to allocate US$ 100 billion annually until 2020 to meet the needs of developing countries. "Bitter discussions on this topic took place over the years and it was decided that COP29 (Baku, 2024) would be dedicated to finance and review the 2009 decision under the <a class="external-link" href="https://unfccc.int/process-and-meetings/the-paris-agreement">Paris Agreement</a> of 2015."</p>
<p>The physicist highlights that at the closing session of COP29, faced with the imminent risk of failure, the president of the Conference presented a final decision "without consulting the plenary": to adopt the anual target of at least US$ 300 billion in climate finance from various public and private, bilateral, and multilateral sources, including alternative ones, until 2035. Goldemberg explains that this happened despite the fact that UNFCCC's <a class="external-link" href="https://unfccc.int/SCF">Standing Committee on Finance</a> estimates that US$ 5 to US$ 7 trillion (approximately US$ 455-485 billion per year) will be needed from 2022 to 2030.</p>
<p>He remembers that several countries questioned the COP29 decision and lamented the lack of a minimum allocation of resources for least developed countries, as well as the absence of guidelines for advancing the energy transition, in addition to arguing that China and Saudi Arabia should also contribute to climate finance.</p>
<p>"What we hope is that COP30, under the Brazilian presidency, will improve this situation." However, Goldemberg considers it unlikely that the anual US$ 300 billion allocated for climate finance until 2035 will increase, since "Trump's election will reduce the United States' participation in the process." Additionally, there is the impact of global inflation on the amount. "What can be improved is trying to increase the share of concessional resources that will come from public resources," he ponders, citing examples such as the Marshall Plan, created in 1948 by the USA for the European reconstruction, and the Inflation Reduction Act (IRA), adopted in 2022, which "can actually be considered a Marshall Plan to help North American industry face the energy transition."</p>
<p>Nonetheless, he states that climate finance from industrialized countries to developing countries is only part of the effort to reduce emissions: "Internal actions taken by governments can play an important role depending on the right public policy choices." Among these actions, Goldemberg mentions taxes on carbon emissions or the regulation of the emissions market by setting a maximum emission level per sector (or enterprise) and the creation of a market for buying and selling carbon credits like the one created by Brazil in 2024.</p>
<table class="tabela-esquerda">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/energia-solar-fotovoltaica" alt="Energia solar fotovoltaica" class="image-inline" title="Energia solar fotovoltaica" /><br /></th>
</tr>
<tr>
<td><span class="discreet">Emphasis on renewable energy: a more ambitious strategy that developing countries could adopt, according to Goldemberg</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A more ambitious strategy for developing countries is trying to guide their growth using more efficient technologies and renewable energy sources, the physicist adds.</p>
<p>In the Brazilian case, he comments that the federal government is, "at least rhetorically", taking this path through the <a class="external-link" href="https://www.gov.br/planalto/en/latest-news/2023/08/novo-pac-is-to-invest-brl-1-7-trillion-across-all-brazilian-states">New Growth Acceleration Program</a> (<i>Novo Programa de Aceleração do Crescimento/PAC</i>), which should invest a total amount of R$ 1.7 trillion: R$ 1.3 trillion by the end of 2025 and R$ 400 billion after 2026. "Due to the economic vicissitudes the country is going through and the low investment, the implementation of the <i>Novo PAC</i> is occurring slowly, but still paving the way through indispensable legislative measures to attract 'green' investments."</p>
<p>Goldemberg concludes by saying that holding COP30 in Belém will place a greater emphasis on preserving the Amazon rainforest, even considering that Brazil's contribution to global greenhouse gas emissions is modest (4.43% in 2022). "The success in reducing deforestation in the Amazon and the adoption of a law creating a carbon market in Brazil, which has only occurred in a few developing countries to date, will enable us to lead the way," he says.</p>
<p><strong>Sustainable Society</strong></p>
<p>Physicist Paulo Artaxo, coordinator of USP's Center for Studies on Sustainability of the Amazon Rainforest, also believes that COP30 will be an opportunity for Brazil to regain global leadership on issues related to climate change. He is the author of the article "COP30 and the Worsening Climate Crisis – Pathways to Build a Sustainable Society."</p>
<p>Some of the strategies he cited for adapting to climate change are: improving water resource management; protecting and restoring ecosystems by conserving natural areas; developing sustainable agricultural systems by developing plant varieties more resistant to extreme weather conditions such as droughts and floods; strengthening the health system to address heat-related and vector-borne diseases; disaster resilience planning with contingency plans that include community empowerment and the improvement of infrastructure to protect populations; and implementing educational programs on climate change and sustainability to increase public awareness and engagement.</p>
<p>However, Artaxo warns that the international landscape in which the Conference is taking place is unfavorable to the intensification of global governance. "We need to chart a course for the world to wean itself off fossil fuels, which are the root of the climate problems we face. We also need to structure policies for adapting to the new climate, particularly in the most vulnerable countries. In this task, implementing financing mechanisms is crucial so that less developed countries can implement their energy transition and adapt to the new climate."</p>
<p>According to him, although Brazil accounted for 4.5% of global emissions in 2023, it is not yet among the countries that price greenhouse gas emissions. "This creates difficulties in implementing regulatory policies for the so-called carbon market."</p>
<p>Artaxo emphasizes that the externalities of carbon emissions are not taken into account, adding that zeroing out net emissions (the difference between gross emissions and removals) can boost economies due to the investments needed to enable reductions and damage control. "Obviously, this transition to a low-carbon society must be carried out gradually and in a coordinated manner, also considering the reduction of social inequalities."</p>
<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/regeneracao-natural-assistida-cotriguacu-mt" alt="Regeneração natural assistida - Cotriguaçu/MT" class="image-inline" title="Regeneração natural assistida - Cotriguaçu/MT" /><br /></th>
</tr>
<tr>
<td><span class="discreet">Assisted natural regeneration (RNA) project in the region of Cotriguaçu, in the state of Mato Grosso</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>He lists a series of measures aimed at reducing Brazilian emissions: reducing deforestation and restoring forest areas; increasing the use of renewable energy; promoting sustainable agriculture with the implementation of agroecological practices; and investing in quality public transportation and urban mobility with low greenhouse gas emissions, having an added benefit of reducing urban air pollution, which affects the health of millions of Brazilians.</p>
<p><strong>Risks for the Amazon</strong></p>
<p>"Amazon at Risk and COP30 as a Critical Opportunity to Avoid the Point of No Return" is an article authored by climatologist <a href="https://www.iea.usp.br/en/persons/researchers/carlos-nobre" class="external-link">Carlos Nobre</a>, a visiting professor at the IEA and holder of the Climate &amp; Sustainability Chair (a partnership between the Institute and USP's President's Office), and researchers Julia Arieira and Diego Oliveira Brandão, both members of the Scientific-Technical Secretariat of the <a class="external-link" href="https://www.sp-amazon.org/">Science Panel for the Amazon</a>. For them, the Conference represents a key opportunity to discuss and develop solutions for "preserving the ecological limits that sustain the integrity of the Amazon rainforest and the well-being of its people."</p>
<p>For this to happen, the authors consider it essential that dialogue between governments, civil society, local communities, the private sector, and academia be anchored in both science and local knowledge. Thus, "COP30 will be decisive in building pathways that reconcile sustainable development and a climate justice that recognizes that the impacts of climate change affect different social groups unequally, both in intensity and vulnerability."</p>
<p>The article analyzes the main threats pushing the Amazon towards its critical thresholds, the tipping points, and discusses governance and nature-based strategies that can halt its destruction and boost its regeneration and sustainable use.</p>
<p>Currently, 23% of the Brazilian Amazon is deforested, an area equivalent to 1 million km<sup>2</sup>, according to the study. Although there has been a reduction in deforestation in recent years, forest fires intensified by the historic drought of 2023-2024 have generated an alarming increase in greenhouse gas emissions, as pointed out by the authors.</p>
<p>The Amazon is also suffering from global warming. Some regions have already exceeded the 1.5°C increase limit (compared to the second half of the 19th century) established by the Paris Agreement: "In 2023, record temperature values were recorded in Manaus and Monte Alegre with annual averages of 28.8°C and 27.9°C, respectively, which were surpassed in 2024. Compared to the average for 1990-2010, these values represented an increase of 1.7°C in Manaus and 0.9°C in Monte Alegre in 2023, and an increase of 1.8°C in both Manaus and Monte Alegre in 2024."</p>
<p>Extreme droughts in the region have become more frequent. Previously, they occurred once every 20 years, but this century the recurrence interval was shortened to 5 years. An extreme drought event is a natural phenomenon associated with rising ocean surface temperatures in the North Tropical Atlantic and the Equatorial Pacific, but it has intensified and become more frequent due to human-induced global warming, the researchers comment. The consequence is a drastic reduction in the water levels of many important rivers in the region. The study explains that global warming above 2°C could further intensify the warming of surface waters in both oceans and, consequently, increase the occurrence of droughts in the Amazon.</p>
<table class="tabela-esquerda">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/seca-do-lago-do-aleixo-2023" alt="Seca do Lago do Aleixo - 2023" class="image-inline" title="Seca do Lago do Aleixo - 2023" /><br /></th>
</tr>
<tr>
<td><span class="discreet">Floating houses based on the bottom of Lake Aleixo, near Manaus, during the drought of 2023</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A synergistic combination of deforestation between 20% and 25%, and global warming of 2°C to 2.5°C could push more than half of the region into a state of irreversible degradation, according to the authors. The interaction between deforestation, forest degradation, fires, and global warming is associated with five potential tipping points: 1) a 2°C increase in average global temperature compared to pre-industrial levels; 2) local annual precipitation below 1,000 mm; 3) accumulated water deficit greater than -400 mm; 4) a dry season lasting more than six months; and 5) a cumulative<span> </span><span>forest cover</span><span> loss of 20%. "Some telling evidence of these processes include prolonged dry season, increased atmospheric vapor pressure deficit, and increased tree mortality rates."</span></p>
<p>The article warns that exceeding the point of no return will jeopardize greenhouse gas emissions control, alter rainfall patterns, and reduce agricultural and forestry productivity (both within and outside the Amazon). Other consequences will include the worsening of social inequalities, and losses in biological and cultural diversity, fueling a cycle of environmental degradation and social injustice.</p>
<p>Given these risks, the researchers emphasize that large-scale forest restoration, the implementation of sustainable infrastructure, regenerative livestock and agriculture practices, and bioindustrialization are essential nature-based solutions to keep the Amazon from environmental and social collapse in addition to curbing destruction. They add that the inclusion of Indigenous peoples and other communities of the region in the discussions is crucial to promoting social justice, sharing <span>benefits</span><span>, and reducing inequalities.</span></p>
<p><strong>Other articles</strong></p>
<p>The dossier includes five additional articles analyzing the consequences of climate change for Brazil in various areas and presenting proposals for minimizing and/or adapting to them. Some of the authors are pathologist <a href="https://www.iea.usp.br/en/persons/researchers/paulo-saldiva" class="external-link">Paulo Saldiva</a>, a full professor at USP's School of Medicine and former director of the IEA; soil specialist Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, a professor at the Luiz de Queiroz College of Agriculture (ESALQ/USP) and a researcher at the <a class="external-link" href="https://ccarbon.usp.br/">Center for Carbon Research in Tropical Agriculture</a> (CCARBON/USP); and economic and social development specialist Marcel Burztyn, a full professor at the Center for Sustainable Development at the University of Brasília (UnB).</p>
<p>"Municipal Health Systems and Climate Change: Infrastructure and Resilience Challenges in Brazil," which addresses the harmful effects of climate change on human health, proposes a conceptual, operational, and budgetary transformation for building resilient systems in the country, emphasizing the integration between levels of care, the strengthening of regional governance, and the valuing of community social capital.</p>
<p>Crop and livestock farming is a major contributor to greenhouse gas emissions, but it is also one of the most vulnerable activities to climate change. A paper dedicated to the sector's role in addressing climate change presents information on some agricultural management practices considered options for adaption and mitigation of effects.</p>
<p>Socio-environmental protection is also addressed in the dossier. Researchers from UnB have analyzed the evolution of social protection instruments and present a proposal for integrating public policies to combat poverty and sustainable development. In this proposal, the abundant sunlight in Brazil's semiarid region becomes a solution intstead of a problem due to its use in clean energy generation, resulting in an income for vulnerable communities.</p>
<p>Legal aspects related to greenhouse gases are the subject of two further articles. One of them addresses the monitoring of the integrity and safety of CO<sub>2</sub> storage facilities, while the other is a comparative study of the legislative landscape for this area in Brazil, the United States, the United Kingdom, Norway, Canada, Australia, Japan, and the European Union. A third paper focuses on the creation of a regulated carbon market in Brazil. After analyzing international and national experiences, and legislative initiatives such as bills and the establishment of the Brazilian Greenhouse Gas Emissions Trading System by Law 15.042/24, the authors conclude that fundamental issues remain to be resolved, including those related to the agricultural sector.</p>
<p>The dossier ends with a review of "The Empire of Climate: A History of an Idea," a book by David Livingstone published in 2024 by Princeton University Press. Nilson Cortez Crocia de Barros, a tenured professor at the Federal University of Pernambuco (UFPE), comments that given the evidence of the severe effects of climate change, "Livingstone recovers the broad spectrum of considerations regarding the influence of climate on the human species. This spectrum is mapped along four paths: the medical path, the path of soul-searching, the economic path, and, finally, the military path."</p>
<p><strong>Related themes</strong></p>
<table class="tabela-direita">
<tbody>
<tr>
<th><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/caca-diegues" alt="Cacá Diegues" class="image-inline" title="Cacá Diegues" /><br /></th>
</tr>
<tr>
<td><span class="discreet">A<span>n interview with f</span>ilmmaker Cacá Diegues (1940-2025) in 2021 is one of the highlights of issue #114</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>In addition to the opening dossier, issue #114 contains <span>a second set of texts entitled "Society and the Environment." Although it covers a variety of topics, the section is equally connected to those to be discussed at COP30, according to the journal's editor, </span><a href="https://www.iea.usp.br/en/persons/researchers/sergio-adorno" class="external-link">Sérgio Adorno</a><span>. The themes range from natural resources (forests, water, and natural gas) to land issues. The proposal for citizen science and the concept of urban commons are also addressed.</span></p>
<p>The third section of the issue is dedicated to arts and culture. The operetta "Abel, Helena," by Artur Azevedo, the religious influence on artistic production, and the promotion of culture and the arts in Brazil are some of the covered subjects. There is also an interview with filmmaker Cacá Diegues, who died last February at the age of 84. Conducted in 2021 by Noel dos Santos Carvalho, a professor of Brazilian Cinema at the State University of Campinas (UNICAMP), it focuses on public policy, the film market, and attempts to institutionalize film production in the country.</p>
<p>The list below contains the names of the authors who have contributed with each one of the addressed themes:</p>
<p><strong>COP30 Challenges</strong></p>
<p>Expectations for COP30 in Belém - <i>José Goldemberg</i><br />COP30 and the Worsening Climate Crisis – Pathways to Build a Sustainable Society - <i>Paulo Artaxo<br /></i>Amazon at Risk and COP30 as a Critical Opportunity to Avoid the Point of No Return - <i>Carlos Afonso Nobre et al.<br /></i>Municipal Health Systems and Climate Change: Infrastructure and Resilience Challenges in Brazil - <i>Flavio Pinheiro Martins et al.<br /></i>Crop and Livestock Farming as Part of the Solution to Tackle Global Climate Change - <i>Carlos Eduardo Pellegrino Cerri et al.<br /></i>From Social to Socio-Environmental Protection in Times of Climate Change: A Retrospective and a Proposal - <i>Marcel Bursztyn et al.<br /></i>Legal Comparative Analysis of CO<sub>2</sub> Storage Monitoring in Selected Countries - <i>Thaiz da Silva Vescovi Chedid et al.<br /></i>The Regulated Carbon Market in Brazil - <i>Adriana Carvalho Pinto Vieira et al.<br /></i>The Climate Change Apocalypse and the Echoes of the Classical Geographic Mindset - <i>Nilson Cortez Crocia de Barros</i></p>
<p><strong>Society and the Environment</strong></p>
<p>Ecological-Economic Zoning: Overview and Interface with Planning and Public Policies - <i>Marcia Renata Itani et al.<br /></i>The Challenge of the Water/City Dyad in the Management of Urban Aquifers - <i>Filipe da Silva Peixoto and Itabaraci Nazareno Cavalcante<br /></i>A Genealogy of Urban Common Good - <i>Ana Rosa Chagas Cavalcanti and Leandro Silva Medrano<br /></i>Private Management of Public Forests in Brazil: Analysis of Concession Contracts - <i>Victor Pegoraro et al.<br /></i>The Brazilian Academic Milieu and the Application of Citizen Science to Ecological Research - <i>Eduardo Roberto Alexandrino et al.<br /></i>Santa Catarina’s Natural Gas Adhesion to Ascher’s Neo-Urbanism - <i>Leonardo Mosimann Estrella et al.</i><br />From Royal Land Grants to Latifundia: Reconstituting the Chain of Ownership in a Rural Settlement in Goiás - <i>Graciella Corcioli et al.<br /></i>Land Ownership Regularization in the Context of Agrarian Reform: The Case of the Santa Monica Rural Settlement in Terenos, MS - <i>Luciane Cleonice Durante et al.<br /></i>Unfinished Discussions: Disaster and Complex Systems - <i>Leandro Roberto Neves</i></p>
<p><strong>Arts and Culture</strong></p>
<p>Artur Azevedo and the Operetta: "Abel, Helena" - <i>João Roberto Faria<br /></i>Film Production, Cinema Novo, and Brazilian Modernity – Interview with Filmmaker Cacá Diegues - <i>Noel dos Santos Carvalho<br /></i>In the Colors of Creation: Living Religion and Regional Culture in Antônio Poteiro - <i>José Reinaldo F. Martins Filho<br /></i>Towards a Policy of Encounters: Reflections on the Advancement of Culture and Arts in Brazil - <i>Sharine Machado Cabral Melo</i></p>
<ul>
</ul>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Photos (from the top): Science in HD/Unsplash; HD Mídia/WRI Brasil; Alberto César/Amazônia Real; and personal archive of Cacá Diegues</span></p>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
<ul>
</ul>
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</div>
</div>
</div>
</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Richard Meckien</dc:creator>
    <dc:rights>Original version in Portuguese by Mauro Bellesa.</dc:rights>
    
      <dc:subject>Climate</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Anthropocene</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Greenhouse Gases</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Energy</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Carbon Market</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cinematography</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazon</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Environmental Sciences</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Journal</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-07-28T05:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/revista114">
    <title>Nova edição da revista Estudos Avançados aponta desafios da COP30 </title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/revista114</link>
    <description>IEA lança edição 114 da revista Estudos Avançados. "Desafios da COP30" é o dossiê principal.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/capa-da-edicao-114-da-revista-estudos-avancados" alt="Capa da edição 114 da revista Estudos Avançados" class="image-right" title="Capa da edição 114 da revista Estudos Avançados" />Em 2022, os combustíveis fósseis responderam por 81,9% de toda a energia consumida no mundo. Para combater o aquecimento global, é preciso reduzir o consumo desses combustíveis e encontrar substitutos para eles. No entanto, essa transição energética precisa encontrar soluções para dois problemas, segundo o físico <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaj/jose-goldemberg" class="external-link">José Goldemberg</a>: o esgotamento em 2050 das reservas de petróleo exploráveis com as tecnologias e custos atuais (outras reservas devem estender esse prazo, mas a custos mais elevados) e a redução, com o uso de tecnologias mais eficientes, das emissões de carbono (CO<sub>2</sub>) resultantes da queima de combustíveis fósseis.</p>
<p>A consideração está no artigo de Goldemberg “As Expectativas para a COP30 em Belém”, que abre o dossiê “Desafios da COP30”, publicado na nova <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2025.v39n114/">edição (114) da revista Estudos Avançados</a>, lançada este mês. Com nove trabalhos de 37 pesquisadores de várias unidades da USP e de seis universidades federais, o dossiê discute os impactos e o enfrentamento da crise climática, abordando temas como os riscos para a Amazônia, efeitos do clima na saúde humana, papel que a agropecuária pode ter na redução de emissões, armazenamento de CO<sub>2</sub> e mercado de carbono.</p>
<table class="tabela-esquerda-200-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3><i>Versões da edição</i></h3>
<p><i>O número 114 da revista Estudos Avançados já está disponível gratuitamente na <a class="external-link" href="https://www.scielo.br/j/ea/i/2025.v39n114/">Scientific Eletronic Library Online (SciELO)</a>. Em breve será lançada a versão impressa (R$ 45,00).  Os interessados em comprar/reservar um exemplar ou fazer assinatura anual (três edições por R$ 150,00) devem enviar mensagem para <a class="mail-link" href="mailto:estavan@usp.br">estavan@usp.br</a>.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Negociações climáticas</strong></p>
<p>Goldemberg afirma que, no mundo com um todo, as emissões aumentaram 33% no período 1992-2022, com um aumento em 78% nas emissões dos países em desenvolvimento (incluindo a China), que em 1991 já eram responsáveis por mais de 50% das emissões. “É evidente, portanto, que a <a class="external-link" href="https://antigo.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas.html">Convenção do Clima</a> [estabelecida na ECO-92] e o <a class="external-link" href="https://unfccc.int/process-and-meetings/the-kyoto-protocol/what-is-the-kyoto-protocol/kyoto-protocol-targets-for-the-first-commitment-period">Protocolo de Kyoto</a>, adotado em 1997, não tiveram o sucesso esperado”, afirma o físico.</p>
<p>Ele historia as negociações climáticas a partir da decisão da COP15, em 2009, de que os países desenvolvidos deveriam destinar 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para atender às necessidades dos países em desenvolvimento. “Amargas discussões sobre esse tema ocorreram ao longo dos anos e decidiu-se que a COP29 em Baku (Azerbaijão) em novembro de 2024 seria dedicada a finanças e que revisaria a decisão tomada em 2009 nos termos do <a class="external-link" href="https://unfccc.int/process-and-meetings/the-paris-agreement">Acordo de Paris</a> adotado pela Conferência das Partes em 2015.”</p>
<p>O físico destaca que, diante do risco iminente de fracasso, o presidente da COP29, na sessão de encerramento, apresentou como decisão final – “sem ouvir o plenário” – adotar a meta de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035 para financiamento climático por parte de diversas fontes públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindo alternativas. Isso apesar de o <a class="external-link" href="https://unfccc.int/SCF">Comitê de Permanente de Finanças da Convenção do Clima</a> avaliar serem necessários de 5 a 7 trilhões de dólares de 2022 a 2030, isto e, cerca de 455-485 bilhões de dólares por ano, explica.</p>
<p>Goldemberg lembra que vários países questionaram a decisão da COP29 e lamentaram a falta de uma destinação mínima de recursos para os países menos desenvolvidos e a ausência de diretrizes para avanço na transição energética, além de defenderem que a China e a Arábia Saudita também deveriam contribuir com o financiamento climático.</p>
<p>Para ele, “o que se espera é que a COP30 em Belém, sob a presidência do Brasil, melhore esse quadro”.  Entretanto, o físico considera pouco provável que os 300 bilhões de dólares por ano até 2035 para financiamento climático aumentem, uma vez que “a eleição de Trump vai reduzir a participação dos Estados Unidos no processo”, além do efeito da inflação mundial sobre o montante. “O que pode ser melhorado é tentar aumentar a parcela de recursos concessionais que virá de recursos públicos”, pondera, dando como exemplo o Plano Marshall, criado em 1948 pelos EUA para a reconstrução europeia, e o Inflacton Reduction Act (IRA), adotado em 2022, que “pode ser considerado na realidade como um Plano Marshall para ajudar a indústria norte-americana a enfrentar a transição energética”.</p>
<p>Goldemberg afirma, porém, que o financiamento climático dos países industrializados aos países em desenvolvimento é apenas parte do esforço para redução das emissões: “Ações internas tomadas pelos governos podem desempenhar um papel importante, dependendo de escolhas de políticas públicas corretas”. Entre essas ações, ele cita taxas sobre emissões de carbono ou regulação do mercado de emissões com a fixação de um nível máximo de emissões por setor (ou empreendimento) e criação de um mercado de compra e venda de créditos de carbono, como o criado pelo Brasil em 2024.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/energia-solar-fotovoltaica/image" alt="Energia solar fotovoltaica" title="Energia solar fotovoltaica" height="303" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Ênfase em energias renováveis: uma estratégia mais ambiciosa que poderia ser adotada pelos países em desenvolvimento, segundo Goldemberg</dd>
</dl></p>
<p>Uma estratégia mais ambiciosa para os países em desenvolvimento é tentar orientar seu crescimento usando tecnologias mais eficientes e fontes de energia renováveis, acrescenta o físico.</p>
<p>No caso brasileiro, ele comenta que o governo federal está tentando esse caminho – “pelo menos no plano retórico” – por meio do <a class="external-link" href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/novopac">Novo Plano de Aceleração Econômica (Novo PAC)</a>, que deveria investir 1,7 trilhão de reais, sendo 1,3 trilhão até o fim de 2025 e 400 bilhões depois de 2026. “Devido as vicissitudes econômicas que o país atravessa e ao baixo investimento, a implementação do Novo PAC está ocorrendo lentamente, mas está pavimentando o caminho através de medidas legislativas indispensáveis para atrair investimentos ‘verdes’.”</p>
<p>Goldemberg finaliza dizendo que a realização da COP30 justamente em Belém fará com que seja dada grande ênfase na preservação da floresta amazônica, mesmo considerando que a contribuição do Brasil às emissões globais de gases efeitos de efeito estufa é modesta (4,43% em 2022). “O sucesso na redução do desmatamento da Amazônia e a adoção de uma lei criando um mercado de carbono no Brasil, o que só ocorreu até hoje em poucos países em desenvolvimento, nos darão condições de tentar liderar o processo”, afirma.</p>
<p><strong>Sociedade sustentável</strong></p>
<p>O físico <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-artaxo" class="external-link">Paulo Artaxo</a>, coordenador do <a class="external-link" href="https://ceas.usp.br/">Centro de Estudos Amazônia Sustentável</a> da USP, também considera que a COP30 será uma oportunidade para o Brasil retomar a liderança global nas questões associadas às mudanças climáticas. Ele é o autor do artigo “COP30 e o Agravamento da Crise Climática – Caminhos para a Construção de uma Sociedade Sustentável”.</p>
<p>Algumas das estratégias citadas por ele para adaptação às mudanças climáticas são: melhorar a gestão dos recursos hídricos; proteger e restaurar ecossistemas, com a conservação de áreas naturais; desenvolver sistemas agropecuários sustentáveis, com o desenvolvimento de variedades de plantas mais resistentes a condições climáticas extremas, como secas e inundações; fortalecimento do sistema de saúde para lidar com doenças relacionadas ao calor e com aquelas transmitidas por vetores; planejamento da resiliência a desastres, com planos de contingência que incluam a capacitação de comunidades e a melhoria da infraestrutura de proteção das populações; e implementar programas educativos sobre mudanças climáticas e sustentabilidade para aumentar a conscientização e engajamento da população.</p>
<p>No entanto, ele alerta que o cenário internacional em que ocorre a conferência é pouco favorável à intensificação de governanças globais. “Precisamos traçar uma rota para que o mundo se livre dos combustíveis fósseis, que são a raiz dos problemas climáticos que enfrentamos. Precisamos também estruturar políticas de adaptação ao novo clima, particularmente nos países mais vulneráveis. Nessa tarefa é fundamental a implementação de mecanismos de financiamento para que países menos desenvolvidos possam implementar sua transição energética e se adaptar ao novo clima.”</p>
<p>Segundo ele, apesar de o Brasil ter respondido por 4,5% das emissões globais em 2023, ainda não faz parte do grupo de países que precificam as emissões de gases de efeito estufa. “Isso traz dificuldades na implementação de políticas de regulamentação do chamado mercado de carbono.”</p>
<p>Artaxo ressalta que as externalidades das emissões de carbono não são levadas em conta, acrescentando que zerar as emissões liquidas (diferença entre as emissões brutas e as remoções) pode impulsionar as economias, por conta dos investimentos necessários para viabilizar as reduções e pela redução dos danos. “Obviamente, é necessário que essa transição para uma sociedade de baixo carbono seja realizada de forma gradativa e coordenada, levando em conta também a redução de desigualdades sociais.”</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/regeneracao-natural-assistida-cotriguacu-mt/image" alt="Regeneração natural assistida - Cotriguaçu/MT" title="Regeneração natural assistida - Cotriguaçu/MT" height="281" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Projeto de regeneração natural assistida (RNA) na região de Cotriguaçu (MT)</dd>
</dl>Ele relaciona uma série de medidas voltadas à redução das emissões brasileiras: redução do desmatamento e restauração de áreas florestais; intensificação do uso de energias renováveis; promoção da agricultura sustentável, com a implementação de práticas agroecológicas; e investimento em transporte público e mobilidade urbana de qualidade com baixas emissões de gases efeito estufa, com o benefício adicional de reduzir a poluição do ar urbana, que afeta a saúde de milhões de brasileiros.</p>
<p><span>Riscos para a Amazônia</span></p>
<p>“Amazônia em Risco e a COP30 como uma Oportunidade Crítica para Evitar o Ponto de Não Retorno” é o artigo de autoria do climatologista <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carlos-afonso-nobre" class="external-link">Carlos Nobre</a>, professor visitante do IEA e titular da <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-clima-e-sustentabilidade" class="external-link">Cátedra Clima &amp; Sustentabilidade</a> (parceria do Instituto com a Reitoria da USP), e dos pesquisadores Julia Arieira e Diego Oliveira Brandão, ambos integrantes da Secretaria Técnico-Científica do <a class="external-link" href="https://www.sp-amazon.org/br">Painel Científico para a Amazônia</a>. Para eles, a conferência representa uma oportunidade crucial para debater e encaminhar soluções para a “preservação dos limites ecológicos que sustentam a integridade da floresta amazônica e o bem viver de seus povos”.</p>
<p>Para que isso se concretize, os autores consideram fundamental que o diálogo entre governos, sociedade civil, comunidades locais, setor privado e academia esteja ancorado tanto na ciência quanto nos saberes locais. Com isso, “a COP30 será decisiva para a construção de caminhos que conciliem desenvolvimento sustentável e justiça climática – uma justiça que reconhece que os impactos das mudanças climáticas afetam diferentes grupos sociais de forma desigual, tanto em intensidade quanto em vulnerabilidade”.</p>
<p>O artigo analisa as principais ameaças que empurram a Amazônia em direção aos seus limiares críticos, os tipping points (em português, pontos de não retorno), e discute estratégias baseadas na governança e na natureza que possam interromper sua destruição e impulsionar sua regeneração e uso sustentável.</p>
<p>Atualmente, 23% da Amazônia brasileira está desmatada, área equivalente a 1 milhão de km<sup>2</sup>, segundo o trabalho. Apesar de ter havido redução do desmatamento nos últimos anos, os incêndios florestais, intensificados pela seca histórica de 2023-2024, geraram um aumento alarmante das emissões de gases de efeito estufa, apontam os autores.</p>
<p>A Amazônia sofre também com o aquecimento global, com algumas regiões já ultrapassando o limite de aumento de 1,5ºC (em relação à segunda metade do século 19) estabelecido pelo Acordo de Paris: “No ano 2023, foram registrados valores recordes de temperatura em Manaus (AM) e Monte Alegre (PA), com médias anuais de 28,8 °C e 27,9 °C, respectivamente, que foram ultrapassadas em 2024. Comparando-se com a média do período de 1990 a 2010, esses valores representaram um aumento de 1,7 °C em Manaus e 0,9 °C em Monte Alegre em 2023, e um aumento de 1,8 em Manaus e 1,8 em Monte Alegre em 2024”.</p>
<p>As secas extremas na região, por sua vez, passaram a ocorrer com frequência. Se antes ocorria uma a cada 20 anos, neste século passaram a ser quatro. A seca extrema é um fenômeno natural associado ao aumento da temperatura da superfície dos oceanos no Atlântico Tropical Norte e no Pacífico Equatorial, mas tem sido intensificado e tornado mais frequente em razão do aquecimento global induzido pela humanidade, comentam os pesquisadores. A consequência é a drástica redução nos níveis de muitos rios importantes da região. O trabalho explica que um aquecimento global acima de 2°C pode intensificar ainda mais o aquecimento das águas superficiais nos dois oceanos e, consequentemente, aumentar a ocorrência de secas na Amazônia.</p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/seca-do-lago-do-aleixo-2023/image" alt="Seca do Lago do Aleixo - 2023" title="Seca do Lago do Aleixo - 2023" height="334" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">Casas flutuantes assentadas no fundo do Lago do Aleixo, próximo a Manaus, durante a seca de 2023</dd>
</dl></p>
<p>Uma combinação sinergética de desmatamento entre 20% e 25% e aquecimento global de 2 °C a 2,5 °C poderia levar mais da metade da região para um estado de degradação irreversível, afirma o trabalho, afirmam os pesquisadores. A interação entre desmatamento, degradação florestal, queimadas e aquecimento global está associada a cinco potenciais pontos de não retorno, avaliam: 1) aumento de 2 °C na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais; 2) precipitação anual local inferior a 1.000 mm; 3) déficit hídrico acumulado superior a -400 mm; 4) estação seca com duração superior a seis meses; e 5) perda acumulada de 20% da cobertura florestal. “Algumas evidências já observadas desses processos incluem: prolongamento da estação seca, aumento do déficit de pressão de vapor atmosférico e elevação das taxas de mortalidade de árvores.”</p>
<p>O artigo alerta que ultrapassar o ponto de não retorno irá comprometer o controle das emissões de gases de efeito estufa, alterar o regime de chuvas e reduzir a produtividade agrícola e florestal (dentro e fora da Amazônia). Outras consequências serão o agravamento das desigualdades sociais e perdas na diversidade biológica e cultural, alimentando um ciclo de degradação ambiental e injustiça social.</p>
<p>Diante desses riscos, os pesquisadores enfatizam que, além de conter a destruição, a restauração florestal em grande escala, a implementação de infraestruturas sustentáveis, as práticas de pecuária e agricultura regenerativas e a bioindustrialização são soluções baseadas na natureza essenciais para afastar a Amazônia de um colapso ambiental e social. Eles acrescentam que a inclusão dos povos indígenas e demais comunidades da região nas discussões é crucial para promover justiça social, repartir benefícios e reduzir desigualdades.</p>
<p><strong>Outros artigos</strong></p>
<p>O dossiê traz mais cinco artigos com análises das consequências das mudanças climáticas para o país em várias áreas e apresentam propostas para minimizá-las e/ou adaptação a elas. Entre seus autores estão o patologista <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoap/paulo-saldiva" class="external-link">Paulo Saldiva</a>, professor titular da Faculdade de Medicina da USP e ex-diretor do IEA; o especialista em solos <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoac/carlos-eduardo-cerri" class="external-link">Carlos Eduardo Pellegrino Cerri</a>, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP e pesquisador do <a class="external-link" href="https://ccarbon.usp.br/pt/">Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical da USP</a>; e o especialista em desenvolvimento econômico e social <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoam/marcel-bursztyn" class="external-link">Marcel Burztyn</a>, professor titular no <a class="external-link" href="https://cds.unb.br/">Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB</a>.</p>
<p>O texto que trata dos efeitos deletérios das mudanças climáticas na saúde humana propõe uma transformação conceitual, operacional e orçamentária para construção de sistemas resilientes no Brasil, enfatizando a integração entre níveis de atenção, fortalecimento da governança regional e valorização do capital social comunitário.</p>
<p>A agropecuária é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa, mas é também uma das atividades mais vulneráveis às alterações climáticas, comenta o artigo dedicado ao papel do setor diante das mudanças climáticas. O trabalho apresenta informações sobre algumas das práticas de manejo agropecuário consideradas opções de adaptação às mudanças climáticas e mitigação de seus efeitos.</p>
<p>A proteção socioambiental também é abordada no dossiê. Pesquisadores da UnB analisam a evolução dos instrumentos de proteção social e apresentam uma proposta de integração de políticas públicas de enfrentamento da pobreza e desenvolvimento sustentável. Nela, o sol abundante no semiárido brasileiro passa de problema a solução, com seu aproveitamento na geração de energia limpa, gerando renda para comunidades vulneráveis.</p>
<p>Aspectos legais relativos a gases de efeito estufa são tema de dois artigos do dossiê. Um deles trata do monitoramento da integridade e segurança das instalações de armazenamento de CO<sub>2</sub>. Trata-se de um estudo comparativo do cenário legislativo para a área no Brasil, EUA, Reino Unido, Noruega, Canada, Austrália, Japão e União Europeia. Outro trabalho é dedicado a criação do mercado regulado de carbono no Brasil. Após a análise das experiencias internacionais e nacionais e iniciativas legislativas, como projetos de lei e a instituição do Sistema Brasileiro de Comercio de Emissões de Gases pela <a class="external-link" href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-15.042-de-11-de-dezembro-de-2024-601124199">Lei 15.042/24</a>, os autores chegam à conclusão de que ainda restam questões fundamentais a serem resolvidas, inclusive quanto ao setor agropecuário.</p>
<p>O fecho do dossiê é uma resenha de Nilson Cortez Crocia de Barros, professor titular da UFPE, sobre o livro “<a class="external-link" href="https://press.princeton.edu/books/hardcover/9780691236704/the-empire-of-climate?srsltid=AfmBOoqd3seAu6vDvlHCLbj7T9SKZsKPgOE8TsLI2jYhsn3rvkGOyyox">The Empire of Climate: A History of na Idea</a>”, de David Livingstone, publicado em 2024 pela Princeton University Press. Barros comenta que, diante das evidências dos severos efeitos causados pelas mudanças climáticas, “Livingstone recupera o largo espectro das considerações acerca da influência do clima sobre a espécie humana. Esse espectro é mapeado mediante quatro rotas: a via médica, a via da investigação da alma, a via econômica e, enfim, a via militar”.</p>
<p><strong>Temas associados</strong></p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:500px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/caca-diegues/image" alt="Cacá Diegues" title="Cacá Diegues" height="649" width="500" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:500px;">O cineasta Cacá Diegues (1940-2025); entrevista feita com ele em 2021 é um dos destaques da edição</dd>
</dl></p>
<p>Além do dossiê de abertura “Desafios da COP”, a edição contém um conjunto de textos intitulado “Sociedade e Ambiente”. Embora aborde temas variados, a seção está igualmente conectada com aqueles que serão debatidos na COP30, segundo o editor da revista, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoas/sergio-franca-adorno-de-abreu" class="external-link">Sergio Adorno</a>. A temática varia de recursos naturais (florestas, água e gás natural) a questões fundiárias, além de tratar da proposta de ciência cidadã e do conceito de bem comum urbano.</p>
<p>A terceira seção do número 114 é dedicada às artes e cultura. A operata "Abel, Helena", de Artur Azevedo, a influência religiosa na produção artística e o fomento à cultura e às artes no Brasil são temas de ensaios. Há também uma entrevista com o cineasta Cacá Diegues, morto em fevereiro, aos 84 anos. Feita por Noel dos Santos Carvalho, professor de cinema brasileiro na Unicamp, em dois encontros virtuais em 2021, a entrevista tem como fio condutor as políticas públicas, o mercado de filmes e as tentativas de institucionalização do cinema no país.</p>
<h3><strong>Sumário</strong></h3>
<p><strong>Desafios da COP30</strong></p>
<ul>
<li>As Expectativas para a COP30 em Belém – <i>José Goldemberg</i></li>
<li>COP30 e o Agravamento da Crise Climática – Caminhos para a Construção de uma Sociedade Sustentável – <i>Paulo Artaxo</i></li>
<li>Amazônia em Risco e a COP30 como uma Oportunidade Crítica para Evitar o Ponto de Não Retorno – <i>Carlos Afonso Nobre et al.</i></li>
<li>Sistemas Municipais de Saúde e Mudanças Climáticas: Desafios de Infraestrutura e Resiliência no Brasil – <i>Flavio Pinheiro Martins et al.</i></li>
<li>A Agropecuária como Parte da Solução no Enfrentamento das Mudanças Climáticas Globais – <i>Carlos Eduardo Pellegrino Cerri et al.</i></li>
<li>Da Proteção Social a Proteção Socioambiental em Tempos de Mudança Climática: Uma Retrospectiva e uma Proposta – <i>Marcel Bursztyn et al.</i></li>
<li>Análise Comparativa Legal do Monitoramento do Armazenamento de CO<sub>2 </sub>em Países Selecionados – <i>Thaiz da Silva Vescovi Chedid et al.</i></li>
<li>O Mercado Regulado de Carbono no Brasil – <i>Adriana Carvalho Pinto Vieira et al.</i></li>
<li>O Apocalipse das Mudanças Climáticas e os Ecos da Mentalidade Geográfica Clássica – <i>Nilson Cortez Crocia de Barros</i></li>
</ul>
<p><strong>Sociedade e ambiente</strong></p>
<ul>
<li>Zoneamento Ecológico-Econômico: Panorama e Interface com o Planejamento e as Políticas Públicas – <i>Marcia Renata Itani et al.</i></li>
<li>O Desafio do Binômio Água e Cidade para o Gerenciamento dos Aquíferos Urbanos – <i>Filipe da Silva Peixoto e Itabaraci Nazareno Cavalcante</i></li>
<li>Uma Genealogia do Bem Comum Relacionada à Cidade – <i>Ana Rosa Chagas Cavalcanti </i>e <i>Leandro Silva Medrano</i></li>
<li>Gestão Privada das Florestas Públicas do Brasil: Análise de Contratos de Concessão – <i>Victor Pegoraro et al.</i></li>
<li>O Cenário Acadêmico Brasileiro ao Aplicar Ciência Cidadã em Pesquisas Ecológicas – <i>Eduardo Roberto Alexandrino et al.</i></li>
<li>Aderência do Gás Natural Catarinense ao Neourbanismo de Ascher – <i>Leonardo Mosimann Estrella et al.</i></li>
<li>De Sesmaria a Latifúndio: A Reconstituição da Cadeia Dominial de um Assentamento Rural em Goiás – <i>Graciella Corcioli et al.</i></li>
<li>Regularização Fundiária no Âmbito da Reforma Agraria: O Caso do Assentamento Rural Santa Monica – Terenos, MS – <i>Luciane Cleonice Durante et al.</i></li>
<li>Discussões Inconclusas: Desastre e Sistema Complexo – <i>Leandro Roberto Neves</i></li>
</ul>
<p><strong>Artes e cultura</strong></p>
<ul>
<li>Artur Azevedo e a Opereta: “<i>Abel, Helena” – João Roberto Faria</i></li>
<li>Produção Cinematográfica, Cinema Novo e Modernidade Brasileira – Entrevista com o Cineasta Caca Diegues – <i>Noel dos Santos Carvalho</i></li>
<li>Nas Cores da Criação: Religião Vivida e Cultura Regional em Antonio Poteiro – <i>José Reinaldo F. Martins Filho</i></li>
<li>Por uma Política dos Encontros: Reflexões sobre o Fomento à Cultura e as Artes no Brasil – <i>Sharine Machado Cabral Melo</i></li>
</ul>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos (a partir do alto): Science in HD/Unsplash; HD Mídia/WRI Brasil; Alberto César/Amazônia Real; e arquivo pessoal de Cacá Diegues</span></p>
<ul>
</ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Ciências Ambientais</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Gases de efeito estufa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Cinema</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Antropoceno</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Energia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Revista Estudos Avançados</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Mercado de Carbono</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Clima</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Amazônia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-07-21T03:00:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/inct-agroalimentar">
    <title>CNPq aprova proposta de INCT sobre sistema agroalimentar brasileiro</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/inct-agroalimentar</link>
    <description>Proposta de INCT sobre sistema agroalimentar brasileiro foi aprovada pelo CNPq no dia 30 de junho; iniciativa é coordenada pelo professor sênior Ricardo Abramovay e tem sede no IEA.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/alimentos-vegetais" alt="Alimentos vegetais" class="image-right" title="Alimentos vegetais" />O IEA agora é sede de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do CNPq dedicado à erradicação da fome e à segurança alimentar no Brasil. A aprovação da iniciativa constou do resultado final da Chamada INCT 46/2024, divulgado no dia 30 de junho.</p>
<p>Com o título "Superar a Tríplice Monotonia do Sistema Agroalimentar", a proposta foi elaborada pela <a class="external-link" href="https://catedrajc.fsp.usp.br/">Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis</a> da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O coordenador do novo INCT é o professor sênior do IEA e pesquisador da cátedra <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/ricardo-abramovay" class="external-link">Ricardo Abramovay</a>. O total de recursos aprovado pelo CNPq para o instituto é de cerca de R$ 7,3 milhões.</p>
<p>Além da Cátedra Josué de Castro e do IEA, integram o INCT: o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP, a Embrapa Acre, o Instituto Federal Catarinense em Santa Rosa do Sul, o Instituto Fome Zero, o Centro de Pesquisa Climática Woodwell e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam Amazônia). As instituições parceiras são a plataforma francesa Agropolis International e quatro institutos: Comida do Amanhã, Clima e Sociedade, Ibirapitanga e Folio.</p>
<p>De acordo com autores da proposta, o sistema agroalimentar contemporâneo responde por nada menos que um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. Ele é também o mais importante vetor de erosão da biodiversidade e está na raiz de algumas das formas mais graves de poluição, afirmam.</p>
<p>"A ingestão de calorias e de produtos animais no mundo é muito superior às necessidades metabólicas das pessoas. Não é o aumento das safras que permitirá zerar a fome nas regiões onde ela se concentra e sim a estabilidade política, a conquista da democracia e de meios para o acesso a uma alimentação saudável e diversificada", acrescentam os pesquisadores.</p>
<p>Diante desse quadro, apresentam-se três desafios centrais (ligados à "triplice monotonia do sistema agroalimentar" brasileiro), segundo os responsáveis pelo INCT:</p>
<ul>
<li>elaborar métodos que permitam introduzir biodiversidade no interior das culturas agrícolas;</li>
<li>reduzir drasticamente o vínculo entre produção animal (sobretudo de aves e suínos) e o uso de antibióticos;</li>
<li>aumentar a diversidade da dieta, algo que passa tanto pela redução no consumo de produtos animais quanto pela quase completa eliminação dos ultraprocessados.</li>
</ul>
<p>A decisão de tratar desses desafios por meio de um INCT se deve ao fato de esse tipo de organização permitir a criação de redes de pesquisa, facilitando a colaboração entre diferentes instituições e pesquisadores, promovem a formação e qualificação de recursos humanos, e possibilitando a transferência de conhecimento e tecnologias para a sociedade, por meio de parcerias com o setor público e empresarial. Entre os objetivos do INCT estão:</p>
<ul>
<li>produzir uma agenda de inovações institucionais para a transição justa e sustentável do sistema agroalimentar brasileiro;</li>
<li>contribuir para a intensificação sustentável da pecuária bovina e, assim, para a redução de suas emissões de gases efeito estufa;</li>
<li>Contribuir para a transparência no uso de antimicrobianos na criação animal brasileira e para métodos produtivos que reduzam a concentração animal e o uso de antibióticos;</li>
<li>ampliar o bem-estar dos animais;</li>
<li>apresentar propostas abrangentes que possam garantir o acesso a alimentos saudáveis nas cidades;</li>
<li>investigar os potenciais impactos da redução do consumo de produtos de origem animal na ingestão de proteínas e nutrientes pela população brasileira.</li>
</ul>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Foto: Governo de Rondônia</span></p>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    
      <dc:subject>Agribusiness</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Nutrição</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Sustentabilidade</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Meio Ambiente</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>INCT Agroalimentar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Pesquisa</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Agroecologia</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Alimentos</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Agricultura</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>Segurança Alimentar</dc:subject>
    
    
      <dc:subject>capa</dc:subject>
    
    <dc:date>2025-07-10T17:40:00Z</dc:date>
    <dc:type>Notícia</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="https://www.iea.usp.br/noticias/seminario-faz-diagnostico-das-transformacoes-internacionais-em-2025-e-seus-possiveis-efeitos-no-brasil">
    <title>Seminário faz diagnóstico das transformações internacionais e seus possíveis efeitos para o Brasil</title>
    <link>https://www.iea.usp.br/noticias/seminario-faz-diagnostico-das-transformacoes-internacionais-em-2025-e-seus-possiveis-efeitos-no-brasil</link>
    <description>O Grupo de Pesquisa Economia Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização realizou no dia 22 de maio o seminário "Transformações do Sistema Internacional em 2025 e seu Impacto no Brasil".</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><dl class="image-right captioned" style="width:600px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/seminario-transformacoes-do-sistema-internacional/image" alt="Seminário &quot;Transformações do Sistema Internacional&quot;" title="Seminário &quot;Transformações do Sistema Internacional&quot;" height="307" width="600" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:600px;">Mesa do seminário (a partir da esquerda): Eduardo Viola, Feliciano Guimarães, Lourdes Sola (moderadora), Guilherme Casarões e Rubens Ricupero, em participação online</dd>
</dl></p>
<p>Para o sistema internacional, o ano 2025 tem sido de perplexidades, expectativas e indefinições, um quadro de difícil e necessária análise para desvendar os rumos que o mundo deve tomar quanto ao futuro da democracia, comércio internacional, multipolaridade, dinâmica geopolítica e regime climático.</p>
<p>Para promover um diálogo entre pontos de vistas complementares e às vezes divergentes sobre esse panorama, o <a href="https://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-pesquisa/economia-politica-internacional-variedades-de-democracia-e-descarbonizacao" class="external-link">Grupo de Pesquisa Economia<i> </i>Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização</a> realizou no dia 22 de maio o seminário "Transformações do Sistema Internacional em 2025 e seu Impacto no Brasil". O evento teve exposições do diplomata <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoar/rubens-ricupero" class="external-link">Rubens Ricupero</a> e dos cientistas políticos <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoae/eduardo-viola">Eduardo Viola</a>, <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoag/guilherme-casaroes">Guilherme Casarões</a> e <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaf/feliciano-de-sa-guimaraes">Feliciano Guimarães</a>. A moderação foi da cientista política <a href="https://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoal/lourdes-sola">Lourdes Sola</a>.</p>
<table class="tabela-direita-300-borda">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>Relacionado</h3>
<p><strong>Midiateca</strong></p>
<ul>
<li><a class="external-link" href="https://www.youtube.com/watch?v=SGrAPyuyVIw">Vídeo</a> e fotos do seminário</li>
</ul>
<p><strong>Expositores</strong></p>
<ul>
<li>Rubens Ricupero - ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, na Itália e no Escritório da ONU em Genebra, Suíça; ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), ex-ministro das pastas da Fazenda, do Meio Ambiente e da Amazônia Legal; ex-professor da UnB.</li>
<li>Guilherme Casarões -  professor da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP; coordenador do Observatório da Extrema Direita (OED); e pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e do Washington Brazil Office (WBO).</li>
<li>Eduardo Viola - cientista político; professor da Escola de Relações Internacionais da FGV-SP; pesquisador colaborador do IEA, onde é vice-coordenador Grupo de Pesquisa Economia<i> </i>Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização; e professor titular aposentado da UnB.</li>
<li>Feliciano Guimarães - cientista político; professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP; pesquiador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento; diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri); e ex-pesquisador visitante da Universidade Yale, EUA.</li>
</ul>
<p><strong>Moderadora</strong></p>
<ul>
<li>Lourdes Sola - cientista política; ex-professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e da Unicamp; professora sênior do IEA, onde coordena o Grupo de Pesquisa Economia<i> </i>Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização.</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>De acordo com Ricupero, ainda é cedo para dizer se 2025 significará uma mudança no sistema internacional maior que a promovida pelo fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, "eventos que provocaram a superação do sistema bipolar de base ideológica".</p>
<p>Três aspectos caracterizam o período atual, disse: a tendência é maior para o retorno da oposição ideológica do que sua superação; a passagem para um multipolarismo com a reemergência da China; e a globalização, com a unificação do espaço planetário, interdependência e facilitação dos contatos.</p>
<p><strong>Reação a mudanças</strong></p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/rubens-ricupero-2022-1/image" alt="Rubens Ricupero - 2022" title="Rubens Ricupero - 2022" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Rubens Ricupero</dd>
</dl></p>
<p>Dentro desse contexto, ele considera que as ações do governo Trump são mais uma tentativa de reação às mudanças do que sua causa. A China aparece como uma obsessão dos EUA, que não conseguem definir uma estratégia para enfrentá-la, afirmou. "As questões econômicas ocupam posição central, e é impossível obrigar países a abrirem mão de suas parcerias com a China."</p>
<p>Do ponto de vista de ingerência direta em outros países, apesar das declarações de Trump sobre o Canal do Panamá, Groenlândia e Gaza, os EUA se abstiveram de agressões militares a outros países. No entanto, essas posições concorrem para o enfraquecimento da ordem internacional, afirmou Ricupero.</p>
<p><strong>Descentralização do poder</strong></p>
<p>Para ele, os EUA não dispõem mais de poder suficiente para determinar a forma que deve assumir o sistema internacional. Comentou que os EUA eram a única potência econômica no final da Segunda Guerra, respondendo por 50% do PIB mundial. Em 1960, eram responsáveis por 40% do PIB e 11% do comercio internacional. Hoje, respondem por 24% do PIB. "Essa redução não ocorreu devido a um enfraquecimento econômico, mas por causa da ascensão de outros países e descentralização do poder estratégico."</p>
<p>Em relação aos aumentos de tarifas de importação estabelecidos por Trump, Ricupero ressaltou que a maioria dos países preferiu "não seguir o mal exemplo", com forte reação apenas da China. Afirmou que o sistema multilateral de comércio sofre com as posturas estadunidenses, mas não acabou. Isso é revelador, disse, da natureza do atual poder dos EUA: suas ações são destrutivas e desestabilizadoras, mas encontram resistência dos demais países.</p>
<p>Dentro desse panorama desanimador, o Brasil está em posição bem menos vulnerável que outros países, por não estar em "dependência exagerada de Washington e por ter diversidade de parceiros", afirmou. Colabora para isso o fato de o país ter outras vantagens, como o seu processo de transição energética, a elevada produção de alimentos, participação no Brics e o relacionamento com a União Europeia e a China, acrescentou.</p>
<p>Ricupero tratou também dos efeitos negativos das decisões de Trump para os grandes desafios globais como a clise climática e a emergência de epidemias, diante da retirada dos EUA do Acordo de Paris e da Organização Mundial da Saúde. "A resposta do resto do mundo deve ser um esforço conjunto, inclusive em termos de recursos".</p>
<p>No plano interno, ele frisou que os riscos para a democracia dos Estados Unidos são reais e caberá aos cidadãos do país reagirem a isso. "O potencial destrutivo de Trump deve afetar mais os Estados Unidos do que os fatores que levaram à sua eleição."</p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/guilherme-casaroes-22-5-25/image" alt="Guilherme Casarões - 22/5/25" title="Guilherme Casarões - 22/5/25" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Guilherme Casarões</dd>
</dl></p>
<p>Casarões concordou a avaliação de que Trump não é causa, mas sintoma das transformações estruturais pelas quais o mundo está passando. Ele considera que o presidente dos EUA "não é um homem dos anos 40, mas sim do século 19, época do realismo clássico nas relações internacionais, de disputa entre as potencias da época". E o estímulo ao caos é um método para os EUA atingirem os objetivos que aspiram, disse.</p>
<p>Os últimos 30 anos foram um período em que predominou a grande ilusão de que as grandes transformações em curso levariam a uma espécie de paz perpétua mundial, mas a crise financeira de 2008 foi um momento de inflexão no movimento de transição de um sistema internacional bipolar para um multipolar, afirmou. "Ainda não está muito claro se o mundo vive uma multipolaridade emergente."</p>
<p>O panorama atual, segundo Casarões, é de retorno dos conflitos internacionais a partir da invasão da Crimeia pela Rússia em 2014, com alguns analistas considerando inclusive que o mundo vive o prelúdio de uma Terceira Guerra. Outras características são a desconfiança sobre a democracia e o que ela pode oferecer e o papel das redes sociais ao romperem a mediação da imprensa, tornando centrais coisas periféricas. "Trump é fruto de tudo isso."</p>
<p><strong>Século 19 como referência</strong></p>
<p>Ele destacou que Trump não cita ex-presidentes americanos de grande influência no século 20, mas sim três do século 19: James Monroe, Andrew Jackson e William McKinley. Monroe é a referência por sua doutrina baseada no lema "América para os Americanos", voltada a construir a esfera de influência exclusiva dos EUA. Jackson marcou o surgimento do populismo branco e a ênfase no isolacionismo dos EUA. Mckinkey é a referência de Trump para a desregulamentação estatal, além de ter sido o presidente durante a guerra dos EUA contra a Espanha, pela qual o país obteve o controle de Cuba, Filipinas, Porto Rico e Guam.</p>
<p>Trump admite que os EUA não devam pleitear a hegemonia global, segundo Casarões. Para o presidente estadunidense, o mundo tende a ser tripolar, com seu país influenciando as Américas e a Europa ocidental, a Rússia dispondo de países como a Ucrania e a China atuando em seu quintal asiático. "Talvez ele tenha também a pretensão de influenciar para que a Rússia controle a expansão chinesa."</p>
<p>Outro aspecto da estratégia do presidente dos Estados Unidos é a grande prioridade dada às Américas, apontou. "O caos tem um pouco de método e precisa das Américas no centro de tudo para ter efeito." Essa é a razão de ele falar do crime organizado da América Latina e combater as migrações, de se aproximar de El Salvador e de querer disputar com a crescente influência chinesa na região, afirmou. No entanto, "o interesse pela América Latina pode ter riscos, pois pode estar baseado nas razões erradas".</p>
<p>Ele citou que relatório do Banco Mundial apontou 2025 como o ano das potências médias. "E o Brasil vai ter um papel central em temas como mudanças climáticas, multilateralismo e combate à pobreza."</p>
<p><strong>Nova guerra fria</strong></p>
<p><dl class="image-left captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/eduardo-viola-22-5-25/image" alt="Eduardo Viola - 22/5/25" title="Eduardo Viola - 22/5/25" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Eduardo Viola</dd>
</dl></p>
<p>Em sua apresentação, Eduardo Viola traçou um painel a partir dos anos iniciais da presidência do líder chinês Xi Jing Ping até este ano, passando pelas reações ao crescimento chinês presente nas campanhas eleitorais de Trump e Hillary Clinton em 2016, a guerra comercial iniciada por Trump em 2018, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e o início do que ele chama de nova guerra fria, com o aumento dos gastos militares desde então, principalmente por parte da China e da Rússia.</p>
<p>Para ele, está se constituindo uma bipolaridade no seio da multipolaridade: de um lado, as democracias ocidentais, asiáticas e Israel e, de outro, um bloco de autocracias cada vez mais interdependentes, constituído por China, Rússia, Irã e Coreia do Norte. E há países importantes não alinhados: Índia, Paquistão, Brasil, México, Indonésia, África do Sul. Viola aponta para o crescente risco de guerra nuclear e para a contínua e cada vez mais acentuada guerra cibernética, acompanhada pela disputa por avanços na inteligência artificial e na computação quântica.</p>
<p>Entre os outros direcionadores das transformações globais citados por Viola figuram o surgimento de divisões na coalização governante dos EUA e início de manifestações de oposição na sociedade americana e no mundo, fragmentação econômica, com a resiliência sobrepondo-se à eficiência, e o predomínio da geopolítica sobre a globalização econômica.</p>
<p><strong>Regime climático</strong></p>
<p>Um direcionador discutido à parte pelo cientista político é o regime climático. Ele citou o fracasso em conter as emissões de gases efeito estufa; a aceleração do aquecimento global e da frequência e intensidade dos extremos climáticos; o sucesso relativo no aumento da consciência pública e na promoção de energias renováveis; a limitação da velocidade da transição energética em função da prioridade da segurança nacional e energética; e o crescente nacionalismo climático, com ênfase na adaptação sobre a mitigação.</p>
<p>Segundo Viola, o Brasil não é líder no regime climático, mas poderia liderar nas áreas de controle do desmatamento e agricultura de baixo carbono. No entanto, considera o governo Lula inconsistente ao se dizer comprometido com a redução do desmatamento e ao mesmo tempo estar comprometido com o aumento da produção e exportação de petróleo. Ele também vê com certo pessimismo as perspectivas para a COP30 em razão da crise do multilateralismo, retirada dos EUA do Acordo de Paris, escassez de financiamento para ações de enfrentamento das mudanças climáticas e a incerteza sobre papel da China na política do clima.</p>
<p>Diante do panorama internacional, o Brasil se destaca como grande exportador de alimentos, minérios e energia, setores com produtividade crescente no país e intensivos em capital e tecnologia, disse. Mas, apesar de aberto financeiramente e a investimentos, o país é fechado comercialmente, e com extrema dependência comercial da China, acrescentou.</p>
<p>Do ponto de vista político, Viola considera a democracia brasileira erodida pela desigualdade e polarização e sujeita a um sistema político-eleitoral que favorece o predomínio de interesses particularistas e dificulta de forma acentuada políticas estruturantes de longo prazo.</p>
<p>Quanto à política externa brasileira, ele considera que o governo Lula tem inclinação pelo bloco das autocracias e uma posição de não alinhamento, ao passo que a melhor opção seria certa inclinação pelo bloco das democracias. Mencionou que o acordo entre o Mercosul-União Europeia seria muito importante para o Brasil, mas vê dificuldades para sua ratificação por algunas países europeus. Outro ponto visto com ressalvas por Viola é o pertencimento do país aos Brics, devido à crescente hegemonia da China no bloco e o forte predomínio de regimes autocráticos e economias intensivas em carbono. Na relação com os Estados Unidos, ele acredita que a tensão provavelmente aumentará à medida que se aproximem as eleições de 2026.</p>
<p><strong>Eleições de 2026</strong><img src="https://www.iea.usp.br/noticias/seminario-faz-diagnostico-das-transformacoes-internacionais-em-2025-e-seus-possiveis-efeitos-no-brasil" alt="Seminário faz diagnóstico das transformações internacionais e seus possíveis efeitos para o Brasil" id="__mce_tmp" title="Seminário faz diagnóstico das transformações internacionais e seus possíveis efeitos para o Brasil" /></p>
<p><dl class="image-right captioned" style="width:400px;">
<dt><img src="https://www.iea.usp.br/imagens/feliciano-guimaraes-22-5-25/image" alt="Feliciano Guimarães - 22/5/25" title="Feliciano Guimarães - 22/5/25" height="400" width="400" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px;">Feliciano Guimarães</dd>
</dl></p>
<p>Esse ponto foi enfatizado por Feliciano Guimarães, para quem haverá ingerência do governo Trump de forma multifacetada nas eleições brasileiras de 2026, em busca de maior engajamento do país com os EUA. Entretanto, a associação da direita brasileira com o governo Trump pode ter efeito adverso para ela nas eleições de 2026, em benefício da esquerda, caso o eleitorado resolva se manifestar contra ingerências do Estados Unidos em questões brasileiras, ponderou.</p>
<p>Essa reação do eleitorado vai depender da força do ataque estadunidense, uma vez que "a política externa está longe dos interesses do eleitor médio". Acrescentou que "a política externa é mais um passivo do que um ativo eleitoral para o governo Lula".</p>
<p>O Brasil se cacifou relativamente no plano internacional ao se envolver nas discussões para um cessar-fogo na guerra entre a Rússia e a Ucrânia e sobre as questões venezuelanas, em sua opinião. "Os Estados Unidos precisam do Brasil na questão da Venezuela", afirmou.</p>
<p>Guimarães vê como positiva a preocupação crescente dos brasileiros quanto à China, mas avalia que o país precisa ser neutro, mantendo boas relações tanto com a China quanto com os EUA. Para ele, não há um consenso sobre quais são os polos de poder global, mas é certo que o Brasil tem uma política exterior que trabalha pela multipolaridade.</p>
<p><strong>Polos de poder</strong></p>
<p>No debate que se seguiu, o ponto mais discutido foi a divergência entre os expositores quanto aos polos de poder existentes no mundo e o que os define. Ricupero destacou que é preciso primeiro compreender o que significa poder na esfera internacional. Disse que há uma propensão inconsciente de considerar poder apenas o hard power, traduzido por poderio militar e capacidade de impor sansões econômicas. Disse discordar dessa concepção e citou os países escandinavos e a Suíça como exemplo de países detentores de soft power, que se caracteriza, a seu ver, pela presença diplomática e negociação. Para ele, a economia torna-se hard power ao impor sanções a outros países. "O mundo tem muito mais matizes do que os poderes militar e de sanções econômicas."</p>
<p>No caso brasileiro, disse que o país tem presença diplomática: "Ainda estamos num mundo multipolar. No conjunto dos países grandes, o Brasil não é potência nuclear ou militar convencional e, portanto, só pode confiar na legislação internacional", disse. Guimarães concordou em parte com Ricupero, questionando a ideia de que o Brasil não tenha outro poder ao não ter poder militar e econômico.</p>
<p>Para Viola, a economia está presente no hard power não apenas quando um país impõe sanções econômicas. Sola manifestou que o chamado economic statecraft (estratégia econômica de estado) por meio do comércio transcende de longe o hard power e, portanto, a economia pode ser um instrumento de soft power.</p>
<p><strong>Relevância do Brics</strong></p>
<p>Quanto ao peso dos Brics no cenário internacional, Casarões disse que o grupo não é um grande alvo para Trump e a posição do Brasil em sua presidência é não colocar em pauta a questão da substituição do dólar no comércio entre os membros.</p>
<p>Ele acrescentou que há uma tendência da imprensa ocidental em enquadrar o Brics como uma aliança em oposição aos EUA, no entanto, "a maioria dos 11 membros do grupo é aliada dos EUA". Se Trump conseguir enfraquecer a aliança Rússia-China, consegue esvaziar o Brics, afirmou.</p>
<p>Ricupero apontou que o problema não é tanto a possibilidade de provocar reações de Trump: "O próprio conceito dos Brics não se sustenta. Juntou quatro países com grande território e população. Depois se transformou num agrupamento sem perfil claro. O conceito anti-hegemônico é anacronismo da velha esquerda".</p>
<p><strong>COP30</strong></p>
<p>Respondendo a pergunta do público sobre as perspectivas para a COP30, Viola disse que o Brasil deve usar suas habilidades diplomáticas para tentar evitar o colapso do regime climático. De acordo com ele, a segunda prioridade da delegação brasileira deveria ser atuar para que a China mude totalmente seu papel, deixando de ser totalmente predatória para ser uma superpotência de energias renováveis.</p>
<p>Disse que apesar do crescimento dos carros elétricos na China, o país continuar a construir 3 ou 4 termoelétricas a carvão por mês, muitas em substituição a antigas defasadas tecnologicamente. "A matriz energética do país ainda depende de combustíveis fósseis em 75%. Apesar de a China ainda se considerar um país em desenvolvimento, o Brasil pode tentar convencê-la a mudar seus status."</p>
<p style="text-align: right; "><span class="discreet">Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP</span></p>]]></content:encoded>
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    <dc:creator>Mauro Bellesa</dc:creator>
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    <dc:date>2025-05-29T16:25:00Z</dc:date>
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