Tendência é macrometrópole de São Paulo dominar o sistema urbano brasileiro
| Da esquerda para a direita: François Ebrard, Hervé Théry, Cathy Chatel e Roberta Galvão |
A região metropolitana extensa de São Paulo – que vai desde a região de Campinas até a fronteira com o Estado do Rio de Janeiro – deve dominar sozinha o sistema urbano brasileiro no futuro. Em comparação com o entorno da cidade do Rio de Janeiro, a região próxima à capital paulista tem cidades maiores, mais importantes e que continuam crescendo, como Campinas, e, portanto, cresce mais que a área fluminense, como explicou a francesa Cathy Chatel, pesquisadora visitante da Unesp e integrante do e-Geopolis.
Ela participou do seminário Macrometrópoles de Alta Densidade: São Paulo e Xangai, realizado no IEA no dia 12 de setembro, ao lado de Roberta Fontan Pereira Galvão, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, François Moriconi-Ebrard, da Unesp e Hervé Théry, do Grupo de Pesquisa Políticas Públicas, Territorialidades e Sociedade, que organizou o evento em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da USP.
Segundo a pesquisa de Cathy, a diferença no número de habitantes da região metropolitana de São Paulo e Rio de Janeiro dobrou entre 1980 e 2010. Naquele ano, a população da área próxima a São Paulo era de 11 milhões de habitantes, três milhões a mais que a metropolitana do Rio de Janeiro. Já em 2010, a região metropolitana paulista passou a ter quase seis milhões a mais que a fluminense.
Se consideradas as regiões metropolitanas extensas, em 2016, a de São Paulo possuía 28 milhões de habitantes em 30 municípios, contra 13 milhões de habitantes na do Rio de Janeiro, divididos em 16 municípios.
| Para Cathy Chatel, “São Paulo vai dominar sozinho o sistema urbano brasileiro” |
“A descontinuidade no sistema urbano permite dizer que Rio e São Paulo são as metrópoles brasileiras”, diz Cathy. E já possuindo densidade populacional maior, além de apresentar maior crescimento, “São Paulo vai dominar sozinho o sistema urbano brasileiro”, completou a geógrafa.
O aglomerado de São Paulo já é um dos maiores do mundo, como apresentou Moriconi-Ebrard. Na classificação liderada por Xangai, na China, São Paulo ocupa a 11ª posição, com 18,7 milhões de habitantes, atrás dela, na 27ª posição, está o Rio de Janeiro.
No entanto, o local mais densamente habitado no mundo é, na verdade, uma ilha colombiana. Santa Cruz del Islote está localizada no Mar do Caribe, próximo a Cartagena. Lá praticamente não há espaço livre, tanto que o cemitério teve que ser construído em outra ilha.
Espaço rural x espaço urbano
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No início de 2010, a população mundial se tornou predominantemente urbana. Mas, como aponta Roberta Galvão, cada país atingiu esse ponto em diferentes momentos. A população japonesa, por exemplo, tornou-se de maioria urbana em 1950, enquanto a brasileira foi apenas no final da década de 60. Tardiamente, isso só aconteceu na China em 2010 e na Tailândia apenas em 2015.
“Diferenciar áreas urbanas e rurais é fundamental na gestão de políticas públicas e no desenvolvimento de áreas rurais”, afirmou Roberta, que desenvolveu uma pesquisa para reconhecer a real área rural no entorno da metrópole paulista. Na pesquisa, foram identificadas discrepâncias entre o que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta e o que a mancha urbana mostra.
“As características de cidades rurais vêm mudando. Atualmente, existe turismo, lazer, indústrias e condomínios nessas áreas”.
Segundo a pesquisadora, o IBGE, fonte de dados que subsidiam a formulação de políticas públicas, utiliza um método que não corresponde ao real. O Instituto define qual é o espaço urbano e o que sobra da área municipal é considerado rural. No caso de São Paulo, quando Roberta comparou com a mancha urbana da metrópole constatada em sua pesquisa, verificou que a área que o IBGE considera urbana é maior do que a área realmente existente. Na verdade, existe mais área rural na metrópole de São Paulo do que o IBGE indica em seus dados.