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Capa "Estudos Avançados" número 106

Eleições

O número 106 de Estudos Avançados é dedicado a dois dossiês que tratam de temas não apenas atuais, mas expressivos de nossa contemporaneidade: Eleições no Brasil e Governança florestal. O primeiro contempla questões, desafios, impasses, avanços e incertezas que têm marcado a história eleitoral Baseados em rigorosas investigações no campo das ciências sociais, em particular da ciência política, os artigos exploram inquietações presentes na opinião pública, no debate midiático e na agenda de política, tanto nacional como regional e local. Questão frequente e cada vez mais tratada com intensidade na mídia internacional e nacional e nos círculos científicos, governamentais e não governamentais, é o da governança florestal. No segundo dossiê, são abordados vários aspectos desse tema. Veja baixo alguns destaques.

Partidos políticos

Democracia

Rachel Meneguello 2

Rachel Meneguello (foto) e Oswaldo E. do Amaral apresentaram a percepção dos eleitores brasileiros sobre os partidos políticos desde o processo de redemocratização nos anos 1980. Mostraram que desde o fim do regime autoritário, os partidos políticos não foram capazes de construir ampla legitimidade junto à sociedade como elementos fundamentais para o funcionamento do regime democrático. Argumentaram que, embora inserido em uma tendência internacional, o caso brasileiro possui elementos históricos e institucionais que dificultam a construção de bases partidárias sólidas e resultam em permanente dilema para a consolidação democrática.


Legislação florestal

Valores da floresta

Eduardo Sonnewend Brondízio 1

Paulo Eduardo dos Santos Massoca e Eduardo Sonnewend Brondízio (foto) examinram narrativas sobre os valores de árvores e florestas nas leis brasileiras desde o século XVI. Progressivamente, um conjunto mais abrangente de valores associados a florestas vem sendo traduzido em regulamentações mais rigorosas e inclusivas. Além de proteger árvores e florestas por seus recursos madeireiros e não madeireiros, instrumentos legais adotaram definições e regras mais rígidas reconhecendo suas contribuições reguladoras e não materiais para a sociedade. Tais avanços coevoluíram com interesses fundiários e narrativas opostas às florestas e aos povos indígenas e tradicionais.


Pesquisas eleitorais

Eleições

Guilherme Azzi Russo 1

O artigo de Guilherme Azzi Russo (foto) e Fernando Meireles analisou as estimativas de mais de duas mil pesquisas eleitorais com os resultados de cinco eleições municipais e nacionais entre 2012 e 2020. Examinando como fatores previstos nos planos amostrais, como tamanho da amostra e modo de aplicação de entrevistas, e outros como a distância temporal da data de realização das pesquisas até o dia do pleito, predizem diferenças entre estimativas e resultados oficiais. Também documentaram que estimativas de pesquisas em eleições nacionais, especialmente para a Presidência em segundo turno, tendem a ser mais próximas dos resultados do que em outras disputas.


Restauração de ecossistemas

Coalizões multiatores

Robin L. Chazdon 1

Robin L. Chazdon (foto) e Colaboradores descreveram algumas experiências de restauração de ecossistemas degradados no Brasil. A Década da Restauração de Ecossistemas das Nações Unidas (2021-2030) foi lançada com o objetivo de prevenir, cessar e reverter a degradação de ecossistemas em todo o mundo. As ações de restauração florestal são fortemente motivadas e lideradas por associações da sociedade civil descentralizadas, e coalizões e plataformas multissetoriais. Os autores destacaram o papel crítico das inovações de governança nos níveis regional, estadual e municipal que fortalecem as ações de restauração, apesar da implementação deficiente das iniciativas do governo federal.