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Gênero, Trabalho e Transformações Contemporâneas: Compreender para Transformar

por Sandra Sedini - publicado 12/05/2026 10:45 - última modificação 12/05/2026 10:43

Detalhes do evento

Quando

de 26/05/2026 - 14:00
a 26/05/2026 - 16:30

Onde

IEA, Sala Alfredo Bosi, Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo, SP

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As transformações contemporâneas do trabalho têm intensificado desigualdades historicamente estruturadas, especialmente no que se refere às relações de gênero. A persistência da divisão sexual do trabalho, a centralidade da economia do cuidado, a precarização crescente das relações laborais e a ampliação dos riscos psicossociais indicam que o gênero não pode mais ser tratado como variável periférica, mas como eixo estruturante da análise crítica do mundo do trabalho.

Ao mesmo tempo, observa-se uma crescente dissociação entre os avanços normativos e institucionais no campo da igualdade de gênero e a materialidade concreta das condições de vida e trabalho. Embora exista um arcabouço jurídico relativamente robusto de proteção aos direitos das mulheres e de enfrentamento das desigualdades, a efetividade prática dessas garantias permanece limitada, insuficiente ou, em muitos casos, inexistente, sobretudo para as mulheres mais vulnerabilizadas socialmente.

Nesse novo estágio da exploração do trabalho, marcado pela intensificação da insegurança social, pela perda de perspectivas coletivas, pela informalidade, pela uberização e pela deterioração das condições de existência, observa-se também o agravamento de múltiplas formas de violência contra as mulheres. O atual arranjo do trabalho e da vida social tem contribuído para ampliar situações de sofrimento, opressão e violência, chegando a um aumento expressivo dos feminicídios, revelando que as transformações econômicas e laborais possuem impactos profundos também sobre a vida cotidiana, os vínculos sociais e as relações de poder.

Além disso, o debate sobre gênero exige hoje uma abordagem necessariamente interseccional. Para além da condição histórica da mulher em sociedades patriarcais e da persistente heteronormatividade presente nas estruturas sociais, institucionais e jurídicas, é fundamental reconhecer que gênero se articula com outras dimensões estruturantes da desigualdade, como raça, origem, etnia, classe social, deficiência, migração, territorialidade e condições extremas de vulnerabilidade social. Mulheres negras, indígenas, migrantes, trabalhadoras em situação de rua, trabalhadoras que exercem suas atividades a céu aberto, mulheres com deficiência e outras populações historicamente invisibilizadas vivenciam formas ainda mais intensas e complexas de exploração, discriminação e desproteção.

Neste contexto, torna-se imprescindível compreender como as atuais reconfigurações do capitalismo contemporâneo impactam diferencialmente homens e mulheres, aprofundando desigualdades históricas e produzindo novas formas de sofrimento, adoecimento e exclusão social. A intensificação do trabalho, a sobrecarga feminina decorrente da dupla ou tripla jornada, a precarização dos vínculos laborais, a captura subjetiva pelo trabalho e os impactos sobre a saúde mental colocam novos desafios para pesquisadores(as), movimentos sociais, sindicatos e instituições comprometidas com a defesa da vida e da dignidade humana.

O Seminário propõe, portanto, um espaço interdisciplinar e crítico de reflexão, diálogo e construção coletiva, reunindo pesquisadoras(es), sindicalistas, lideranças sociais, profissionais, estudantes e militantes comprometidos com a transformação social. Mais do que compreender as dinâmicas contemporâneas das desigualdades de gênero no trabalho, busca-se fortalecer perspectivas emancipatórias capazes de enfrentar as múltiplas formas de exploração, violência e invisibilização que atingem a classe trabalhadora, especialmente as mulheres em suas diversas realidades e interseccionalidades.

Com alcance teórico-conceitual ampliado, mas também profundamente conectado às experiências concretas, às vivências e às inquietações de suas organizadoras, organizadores, palestrantes e debatedoras, o Seminário dirige convite especial a:

  • organizações da sociedade civil, movimentos sociais, coletivos feministas e lideranças sindicais;
  • pesquisadoras e pesquisadores das áreas de saúde do trabalhador, sociologia do trabalho, estudos de gênero, serviço social, saúde coletiva e direitos humanos;
  • representantes do sistema de justiça, incluindo Ministério Público do Trabalho, magistratura, defensorias, advocacia trabalhista e auditores fiscais do trabalho;
  • gestoras e gestores públicos, especialmente das áreas de políticas para mulheres, trabalho, saúde, assistência social e direitos humanos;
  • profissionais e especialistas em saúde mental, riscos psicossociais e organização do trabalho;
  • estudantes, trabalhadoras e trabalhadores interessados na construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

O Seminário integra os esforços do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora do IEA na consolidação de espaços públicos de produção crítica do conhecimento, comprometidos com a compreensão das transformações contemporâneas do trabalho a partir da vida, da saúde e da dignidade de quem trabalha.

Abertura:

René Mendes (coordenador do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora do IEA-USP)

Mediação:

Silvana Liberto Alves Maia (IEA-USP)

Palestrante:

Gina Strozzi (PUC-SP e Fundação Dom Cabral)

Debatedoras:

Nilza Pereira de Almeida (Intersindical e IEA-USP)

Liliana Rolfsen Petrili Segnini (FE-Unicamp e IEA-USP)

Transmissão:

Acompanhe a transmissão do evento pelo canal do YouTube do IEA

Inscrições

Evento público e gratuito | Com inscrição prévia

Não haverá certificação