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Nélida Piñon: O povo não tem tempo de alimentar a imaginação

A escritora foi entrevistada por Martin Grossmann no dia 29 de abril, no IEA. A entrevista é a primeira de uma série promovida pelo Ciba entre professores da USP com a nova titular da cátedra.

Martin Grosmann Entrevista Nélida PiñonA chegada de Nélida Piñon à Cátedra José Bonifácio, do Centro Ibero-Americano (Ciba) da USP, é um indicador da necessidade de aumentar a presença da arte na universidade, acredita Martin Grossmann, diretor do IEA. Para ele, a arte ainda é uma alteridade na USP.

Grossmann entrevistou a escritora no dia 29 de abril, no IEA, na primeira de uma série de entrevistas promovidas pelo Ciba entre professores da USP com a nova titular da Cátedra. O vídeo com a íntegra da entrevista estará disponível em breve no site da Ciba. Em março de 2016, todas as entrevistas com Piñon comporão um DVD.

Sobre a presença da arte no ambiente acadêmico, a escritora pondera que arte e ciência têm origens diferentes. “É importante que a arte provenha do caos”, avalia. No entanto, ressalva, tanto a arte quanto a ciência precisam da imaginação para proliferar. “Mas a imaginação é traiçoeira; se esgota se você não adicionar constantemente material a ela”, afirma.

Este patrimônio individual, gratuito e combustível para a produção do conhecimento, não chega na mesma medida para todos. Para existir, a imaginação precisa ser estimulada. “Se o povo não tem tempo, como pode se dar ao deleite de alimentar a imaginação? Veja a injustiça social que é isso”, comenta a escritora.

Falando em injustiças, Piñon afirma que, enquanto membros de uma elite (intelectual, cultural), todos têm obrigações morais. “Há um Brasil que a gente não conhece. O Brasil está no interior. Temos descalabros, injustiças sociais impagáveis”, diz. Para ela, o país precisa de um projeto de nação, com perspectivas de futuro. “Brasília é quase o emblema de um castelo com uma ponte elevada que nunca abaixa. Nós somente votamos. Mais nada”.

Titular na Cátedra José Bonifácio

Nélida Piñon foi empossada como titular da Cátedra José Bonifácio em 12 de janeiro de 2015. Ex-presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), ela é a primeira mulher a assumir a posição. Antes dela, foram titulares da Cátedra Enrique Iglesias (ciclo 2014), ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e Ricardo Lagos (ciclo 2013), ex-presidente do Chile.

Na cerimônia de posse, estiveram presentes a escritora Lygia Fagundes Telles, o ex-chanceler Celso Lafer, ex-membro do Grupo de Pesquisa Assuntos Internacionais do IEA, e Alfredo Bosi, ex-diretor do IEA e editor da Revista Estudos Avançados do instituto. Durante seu discurso, Bosi destacou que Nélida é uma intelectual do diálogo, da viagem, da proposta, da aventura. Segundo ele, tudo o que é opressão e falsidade move e comove a sua veia cidadã.

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