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Evento discute impacto ambiental de futuro centro logístico em Paranapiacaba

por Victor Matioli - publicado 31/10/2018 14:45 - última modificação 22/11/2018 08:20

Com o intuito de aprofundar os diálogos e reflexões sobre o tema, o Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA-USP realizará o evento SOS Paranapiacaba — Conflitos, Saberes e Possibilidades de Desenvolvimento na Macrometrópole Paulista, no dia 22 de novembro, das 10h às 17h.
Locomotiva em Paranapiacaba

A vila de Paranapiacaba, localizada no município de Santo André, em São Paulo, passa por um conflito interno que envolve a criação de um grande complexo logístico. Um movimento intitulado “SOS Paranapiacaba”, constituído por moradores, lideranças da vila e ONGs, tem se posicionado contrariamente ao empreendimento, por considerar que pode trazer graves impactos ambientais à região. O projeto está em fase de licenciamento ambiental pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Com o intuito de aprofundar os diálogos e reflexões sobre o tema, o Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA-USP realizará o evento SOS Paranapiacaba — Conflitos, Saberes e Possibilidades de Desenvolvimento na Macrometrópole Paulista, no dia 22 de novembro, das 10h às 17h. O encontro, que reunirá moradores e representantes da academia e do governo, é organizado no âmbito do Projeto Temático Fapesp Governança Ambiental na Macrometrópole Paulista face à Variabilidade Climática (MacroAmb), sob o comando do professor Pedro Roberto Jacobi, que também coordena o Grupo de Pesquisa.

O evento é público e gratuito, sem necessidade de inscrição prévia para participar. Haverá uma transmissão ao vivo das atividades pelo site do IEA, para a qual também não é necessário se inscrever.

Possíveis impactos

Paranapiacaba está localizada em uma Macrozona de Proteção Ambiental que abriga uma grande área de Mata Atlântica e outras unidades de conservação, como o Parque Estadual da Serra do Mar e a Reserva Biológica do Alto da Serra. Segundo Ruth Ferreira Ramos, pesquisadora do MacroAmb e coorganizadora do evento, o empreendimento em licenciamento poderá suprimir um total de 96 hectares de Mata Atlântica — área equivalente a 96 campos de futebol. Com o desmatamento, estão previstos também o afugentamento e morte de espécies nativas, muitas das quais correm risco de extinção.

Ruth alerta ainda para os impactos sobre os recursos hídricos do local: “A movimentação de terra e o aterro dos corpos d’água interferem diretamente no serviço ecossistêmico de provisão de água”. Segundo ela, Paranapiacaba é uma região riquíssima em nascentes, como as cabeceiras do Rio Grande, principal formador da Represa Billings.

“Além dos impactos da implantação, há os mais específicos relacionados à operação de um centro logístico que prevê mais de mil viagens de caminhão por dia na rodovia SP-122, única que dá acesso à vila”, ressalta a pesquisadora. A circulação intensa de veículos de grande porte deve causar o aumento da emissão de gases, atropelamento da fauna e níveis elevados de ruído.

Paranapiacaba é uma das regiões mais preservadas do estado de São Paulo e assegura serviços ecossistêmicos importantes para os arredores. Os organizadores do evento acreditam que debater esse caso é fundamental para pensar “possibilidades e alternativas de desenvolvimento de outros territórios da Macrometrópole Paulista”. Entre os temas que serão abordados no encontro estão a agricultura urbana e periurbana como estratégia de geração de emprego e renda, modelos de desenvolvimento e meio ambiente, e planejamento e governança ambiental.

Foto: OS2Warp/Wikipedia

Programação

 


SOS Paranapiacaba — Conflitos, Saberes e Possibilidades de Desenvolvimento na Macrometrópole Paulista
22 de novembro, das 10h às 17h
Auditório do IEA, Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo
Evento público e gratuito, com transmissão ao vivo pela internet
Não é necessário se inscrever
Mais informações: Sandra Sedini (sedini@usp.br); telefone (11) 3091-1678
Página do evento