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Tendência é macrometrópole de São Paulo dominar o sistema urbano brasileiro

por Vinícius Sayão - publicado 13/09/2017 17:05 - última modificação 13/09/2017 17:52

Em comparação com o entorno da cidade do Rio de Janeiro, a região próxima à capital paulista tem cidades maiores, mais importantes e que continuam crescendo, como Campinas, e, portanto, cresce mais que a área fluminense
Mesa Macrometrópolis
Da esquerda para a direita: François Ebrard, Hervé Théry, Cathy Chatel e Roberta Galvão

A região metropolitana extensa de São Paulo – que vai desde a região de Campinas até a fronteira com o Estado do Rio de Janeiro – deve dominar sozinha o sistema urbano brasileiro no futuro. Em comparação com o entorno da cidade do Rio de Janeiro, a região próxima à capital paulista tem cidades maiores, mais importantes e que continuam crescendo, como Campinas, e, portanto, cresce mais que a área fluminense, como explicou a francesa Cathy Chatel, pesquisadora visitante da Unesp e integrante do e-Geopolis.

Ela participou do seminário Macrometrópoles de Alta Densidade: São Paulo e Xangai, realizado no IEA no dia 12 de setembro, ao lado de Roberta Fontan Pereira Galvão, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, François Moriconi-Ebrard, da Unesp e Hervé Théry, do Grupo de Pesquisa Políticas Públicas, Territorialidades e Sociedade, que organizou o evento em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da USP.

Segundo a pesquisa de Cathy, a diferença no número de habitantes da região metropolitana de São Paulo e Rio de Janeiro dobrou entre 1980 e 2010. Naquele ano, a população da área próxima a São Paulo era de 11 milhões de habitantes, três milhões a mais que a metropolitana do Rio de Janeiro. Já em 2010, a região metropolitana paulista passou a ter quase seis milhões a mais que a fluminense.

Se consideradas as regiões metropolitanas extensas, em 2016, a de São Paulo possuía 28 milhões de habitantes em 30 municípios, contra 13 milhões de habitantes na do Rio de Janeiro, divididos em 16 municípios.

Cathy Chatel
Para Cathy Chatel, “São Paulo vai dominar sozinho o sistema urbano brasileiro”

“A descontinuidade no sistema urbano permite dizer que Rio e São Paulo são as metrópoles brasileiras”, diz Cathy. E já possuindo densidade populacional maior, além de apresentar maior crescimento, “São Paulo vai dominar sozinho o sistema urbano brasileiro”, completou a geógrafa.

O aglomerado de São Paulo já é um dos maiores do mundo, como apresentou Moriconi-Ebrard. Na classificação liderada por Xangai, na China, São Paulo ocupa a 11ª posição, com 18,7 milhões de habitantes, atrás dela, na 27ª posição, está o Rio de Janeiro.

No entanto, o local mais densamente habitado no mundo é, na verdade, uma ilha colombiana. Santa Cruz del Islote está localizada no Mar do Caribe, próximo a Cartagena. Lá praticamente não há espaço livre, tanto que o cemitério teve que ser construído em outra ilha.

Espaço rural x espaço urbano

No início de 2010, a população mundial se tornou predominantemente urbana. Mas, como aponta Roberta Galvão, cada país atingiu esse ponto em diferentes momentos. A população japonesa, por exemplo, tornou-se de maioria urbana em 1950, enquanto a brasileira foi apenas no final da década de 60. Tardiamente, isso só aconteceu na China em 2010 e na Tailândia apenas em 2015.

“Diferenciar áreas urbanas e rurais é fundamental na gestão de políticas públicas e no desenvolvimento de áreas rurais”, afirmou Roberta, que desenvolveu uma pesquisa para reconhecer a real área rural no entorno da metrópole paulista. Na pesquisa, foram identificadas discrepâncias entre o que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta e o que a mancha urbana mostra.

“As características de cidades rurais vêm mudando. Atualmente, existe turismo, lazer, indústrias e condomínios nessas áreas”.

Segundo a pesquisadora, o IBGE, fonte de dados que subsidiam a formulação de políticas públicas, utiliza um método que não corresponde ao real. O Instituto define qual é o espaço urbano e o que sobra da área municipal é considerado rural. No caso de São Paulo,  quando Roberta comparou com a mancha urbana da metrópole constatada em sua pesquisa, verificou que a área que o IBGE considera urbana é maior do que a área realmente existente. Na verdade, existe mais área rural na metrópole de São Paulo do que o IBGE indica em seus dados.

Fotos: Leonor Calasans / IEA-USP