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Memorial da Resistência recebe exposição de oito artistas sobre a memória das ditaduras na América Latina

por Vinícius Sayão - publicado 03/10/2017 16:20 - última modificação 06/10/2017 14:41

"Hiatus: a Memória da Violência Ditatorial na América Latina" é uma curadoria inspirada na ideia de que se deve encarar período ditatorial como um momento de interrupção, um hiato, que o destaca em relação à história e continuidade do país
Memorial da Resistência
Memorial da Resistência recebe exposição de 21 de outubro a 12 de março

Exposição no Memorial da Resistência de São Paulo reunirá oito artistas em um acervo que pretende contribuir para a reflexão sobre a memória das ditaduras na América Latina, com destaque para o Brasil, a Argentina e o Chile. Organizada pelo Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia, Política e Memória, pela Associação Pinacoteca de Arte e Cultura e pelo Memorial da Resistência de São Paulo, com apoio do Instituto Goethe e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, a exposição ficará em cartaz de 21 de outubro, a partir das 11h, a 12 de março de 2018. Após a abertura no dia 21, acontecerá o “Sábado Resistente - A arte da memória: pensando hoje as ditaduras da América Latina”, com início às 14h.

O período ditatorial pode ser percebido como um momento de interrupção, um hiato, que o destaca em relação à história e continuidade do país, entendem os organizadores. Assim, Hiatus: a Memória da Violência Ditatorial na América Latina é uma curadoria inspirada na ideia de que se deve encarar esse elemento de exceção da história, o momento da ditadura.

El Rio - Marcelo Brodsky
"El Rio de la Plata", obra de Marcelo Brodsky para lembrar que "em suas águas marrons foram jogados para a morte milhares de argentinos" no período ditatorial

Diante dessa tarefa de encarar hoje os “hiatos” ditatoriais da América Latina, a exposição promove o encontro de artistas que vêm se dedicando ao tema da memória do mal nos séculos 20 e 21: Andreas Knitz, Clara Ianni, Fulvia Molina, Horst Hoheisel, Jaime Lauriano, Leila Danziger, Marcelo Brodsky e Rodrigo Yanes. O curador da exposição é Márcio Seligmann-Silva, professor de teoria literária da Unicamp e membro do grupo de pesquisa do IEA que é co-organizador da exposição.

“Esse ‘hiato’ é um momento de aprofundamento das tensões sociais que levaram ao acirramento da violência de Estado. Encarar desse modo essas ditaduras é importante para termos em mente que a memória desses ‘hiatos’ deve servir de crítica a cada presente: todo ato de memória da ditadura deve ser também um tal momento de reflexão crítica”, explica Seligmann-Silva. Um dos vetores da exposição são os relatórios das Comissões de Verdade, importantes para o trabalho de recordação.

As memórias das ditaduras são percebidas de maneiras diferentes em cada país. Como exemplifica Seligmann-Silva, a Argentina tem uma intensa presença das marcas da ditadura em seu território e em sua paisagem política e histórica. O Brasil, por outro lado, de um modo geral, “resiste muito mais a enfrentar a tarefa de elaborar essa memória, buscar a verdade e a justiça, estabelecer os marcos e as marcas da recordação desse passado”.

 


Hiatus: a Memória da Violência Ditatorial na América Latina
A partir de 21 de outubro, às 11h
Memorial da Resistência de São Paulo, Largo General Osório, 66 - Santa Ifigênia, São Paulo
Mais informações: Sandra Sedini (sedini@usp.br), telefone: (11) 3091-1678
Página do evento

Fotos: Divulgação / Memorial da Resistência de São Paulo e Reprodução / Marcelo Brodsky