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IEA recebe réplica de Lucy, um dos fósseis mais antigos da ancestralidade humana

por Nelson Niero Neto - publicado 29/08/2019 14:10 - última modificação 29/08/2019 14:08

Peça foi trazida pelo professor sênior Walter Neves, que a recebeu como doação do paleoartista Rogério Corrêa de Souza

Lucy e Walter Neves
O pesquisador Walter Neves com a réplica de Lucy, no salão de pesquisa do IEA
Uma réplica de Lucy, fóssil de 3,2 milhões de anos encontrado em 1974 na Etiópia, agora ocupa o salão de pesquisa do IEA. Trazida por Walter Neves, pesquisador e professor sênior do IEA, a peça foi doada pelo paleoartista Rogério Corrêa de Souza. No futuro, ela deve integrar uma instalação denominada “A saga da Humanidade”, a ser montada no saguão principal do Instituto.

Lucy é considerada o fóssil mais famoso de um ancestral humano. A descoberta suscitou um debate sobre se sua espécie, o Australopithecus afarensis, vivia integralmente no chão ou se era parcialmente arbórea, ou seja, se também passava parte de seu tempo em árvores. A discussão se deve ao fato de que Lucy andava ereta como nós, mas tinha proporções corporais similares às de um chimpanzé. Ela media cerca de 1,10 metro.

Paleoartista

Biólogo e professor da educação básica paulista, Rogério Corrêa de Souza produz réplicas de crânios de hominínios fósseis. Com elas, é possível retratar os últimos 7 milhões de anos de evolução da nossa linhagem. A produção dessas réplicas faz parte de um esforço de Rogério Souza de popularização científica sobre a evolução humana entre alunos da rede pública do ensino médio, buscando tornar mais acessível a compreensão dos estudos sobre nossa evolução com o uso desses materiais didáticos.

Esse esforço em prol da divulgação científica e da disseminação sobre a evolução de nossa espécie também tem feito parte das atividades do pesquisador Walter Neves desde que entrou para a carreira acadêmica. Professor sênior do IEA e aposentado do Instituto de Biociências (IB) da USP, Neves é um dos maiores nomes nas áreas de biologia evolutiva, antropologia e arqueologia no Brasil. Ao dedicar-se à origem do homem na América do Sul, foi responsável pelo estudo de "Luzia", esqueleto humano mais antigo (11 mil anos) até agora descoberto no subcontinente. O nome do fóssil, batizado por Neves, foi inspirado em Lucy.

LucyMudando a história do mundo

A pesquisa mais recente de Neves pode revolucionar a história da evolução do gênero humano. Com uma equipe de pesquisadores brasileiros e italianos, ele descobriu na Jordânia ferramentas de pedra lascada que teriam sido produzidas há 2,4 milhões de anos, segundo os métodos de datação utilizados. A descoberta indica que representantes do gênero Homo teriam saído da África 500 mil anos antes do que tem sido afirmado até agora (há 1,9 milhão de anos). Além disso, a pesquisa ainda indica que o primeiro hominínio a sair da África pode ter sido o Homo habilis, e não o Homo erectus, como defendem os estudos paleoantropológicos até o momento.

Fotos: Leonor Calasans/IEA-USP