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Rede IEA

por Aziz Salem - publicado 08/08/2016 14:40 - última modificação 14/01/2020 11:32

Exibido na Mostra Ecofalante, documentário sobre o Tietê é desdobramento de pesquisa realizada no IEA

por Joao Pedro Teles Galante - publicado 01/06/2026 11:45 - última modificação 02/06/2026 14:40

Capa do livro Tietê Águas VerdadeirasTexto: Divulgação

O documentário “Tietê: Águas Verdadeiras”, dirigido pelo cineasta Rodrigo Campos, estreia oficialmente na 15ª Mostra Ecofalante no próximo dia 4 de junho, às 15h, na Reserva Cultural, em São Paulo. A obra integra uma trajetória de pesquisa, criação artística e ação socioambiental desenvolvida por Victor Kinjo (nome artístico de Victor Uehara Kanashiro), cantor, compositor e pesquisador vinculado à Rede Saúde Planetária Brasil, sediada no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP), onde coordena o Grupo de Trabalho Interdisciplinar Arte e Saúde Planetária.

A estreia ocorre como parte da programação da Mostra Ecofalante, um dos principais festivais de cinema socioambiental da América Latina. Após a sessão, será realizada a roda de conversa “Como Regenerar o Rio Tietê”, reunindo pesquisadores, artistas, lideranças socioambientais, representantes da sociedade civil e do poder público para discutir caminhos para a recuperação dos rios paulistas diante dos desafios climáticos e ambientais contemporâneos. O filme também será exibido nos dias 7 e 10 de junho, às 15h, no Centro Cultural São Paulo. Todas as sessões são gratuitas.

“Tietê: Águas Verdadeiras” dialoga com investigações iniciadas por Kinjo durante seu pós-doutorado no Centro de Síntese USP Cidades Globais do IEA-USP, dedicado aos desafios do rio Tietê e às contribuições das artes para uma governança ambiental regenerativa. A pesquisa foi desenvolvida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e incluiu estudos sobre cultura e ação socioambiental em experiências internacionais de regeneração, como o Rio Hudson, em Nova York, e o Rio Funan, em Chengdu, na China, realizados durante estágio de pesquisa na New York University Tisch School of the Arts.

Parte desse percurso resultou na canção e no videoclipe “Vem Pro Rio”, produzidos como desdobramento artístico da pesquisa de pós-doutorado e lançados em seu álbum Terráqueos (YB Music, 2022). O videoclipe registrou uma expedição da nascente à foz do rio Tietê e constituiu uma das experimentações da metodologia de pesquisa-ação baseada em artes desenvolvida por Kinjo, articulando música, audiovisual e etnografia dos rios.

Serviço

Tietê: Águas Verdadeiras

Direção: Rodrigo Campos

Mostra Ecofalante
Data: 4 de junho 
Horário: 15h
Local: Reserva Cultural
Endereço: Avenida Paulista, 900 – São Paulo

Roda de conversa
Como Regenerar o Rio Tietê?
Logo após a exibição

Sessões adicionais
7 de junho, às 15h – Centro Cultural São Paulo
10 de junho, às 15h – Centro Cultural São Paulo

Entrada gratuita

A pesquisa também resultou na publicação da Agenda de Políticas Públicas “Propostas para a Regeneração do Rio Tietê: por uma nova cultura das águas”, lançada em coautoria com o professor Pedro Roberto Jacobi (IEA/IEE-USP), supervisor do pós-doutorado. O documento reúne recomendações relacionadas à governança dos rios, ciência cidadã, educação ambiental, cultura, reflorestamento, agricultura sustentável e direitos da natureza, articulando experiências observadas em São Paulo e em outras cidades do mundo.

“Tietê: Águas Verdadeiras” amplia essa investigação para a linguagem cinematográfica, incluindo memória, saberes ancestrais, mobilização comunitária e educação ambiental. O filme acompanha Victor Kinjo e o pescador José Carlos de Souza, conhecido como Zé Macumba, em uma travessia marcada por encontros com moradores, artistas, pesquisadores e ativistas.

Entre as diversas vozes presentes na narrativa, uma das mais importantes é a do próprio rio Tietê, interpretado pela atriz Waleska Firmino. Ao transformar o rio em personagem, a obra convida o público a refletir sobre a história ambiental paulista a partir da perspectiva das águas, das comunidades ribeirinhas e dos ecossistemas que resistem às transformações provocadas pela urbanização e pelas grandes obras de infraestrutura.

Produzido pela Itapeti Filmes com apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Mogi das Cruzes (LIC), o documentário também aborda a biodiversidade do rio, entrevistando o professor Alexandre Hilsdorf, da Universidade de Mogi das Cruzes, especialista na ictiofauna do Tietê, e evidenciando a importância da conservação dos ecossistemas aquáticos para a vida na água.

A estreia do documentário coincide também com o início do projeto Jovem Pesquisador FAPESP “Artes Performativas, Saberes Ancestrais e Saúde Planetária: contribuições transdisciplinares para uma cultura da regeneração”, liderado por Kinjo no Instituto de Artes da UNESP (IA-UNESP). O projeto integra a Rede Saúde Planetária Brasil, coordenada pelo professor António Mauro Saraiva no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP). Em 2021, a rede participou da elaboração da “Declaração de São Paulo sobre Saúde Planetária”, publicada na revista The Lancet Planetary Health em parceria com a Planetary Health Alliance. O documento propõe recomendações voltadas a governos, universidades, escolas, artistas, pesquisadores, empresas e organizações da sociedade civil para enfrentar os desafios interligados das crises climática, ambiental e social.

 Tietê Águas Verdadeiras
Foto: Divulgação

Arte, Ciência e Saúde Planetária

Segundo Victor Kinjo, a regeneração do rio Tietê exige uma abordagem integrada que articule saneamento, educação, cultura, ciência, participação social, justiça climática, saúde e governança socioambiental.

“O rio Tietê não é apenas um recurso hídrico. Ele é um território vivo, atravessado por histórias, saberes, memórias e relações ecológicas. Regenerar o Tietê significa também regenerar nossa relação com as águas, fortalecendo uma cultura de cuidado, pertencimento e responsabilidade compartilhada.”

Nesse contexto, o documentário pode ser compreendido como uma iniciativa que articula arte, audiovisual, pesquisa transdisciplinar, saberes ancestrais, produção cultural, educação ambiental e participação social, contribuindo para ampliar o debate público sobre a recuperação dos rios paulistas e a construção de uma cultura da regeneração voltada à Saúde Planetária.

Roda de conversa: Como Regenerar o Rio Tietê?

Após a sessão de estreia será realizada uma roda de conversa aberta ao público sobre os desafios e oportunidades para a regeneração do rio Tietê.

O encontro pretende contribuir para a construção de uma agenda colaborativa para a regeneração da Bacia do rio Tietê, reunindo diferentes perspectivas acadêmicas, comunitárias, culturais e institucionais sobre o futuro dos rios e segurança hídrica de São Paulo.

Estreia Internacional

Além da estreia na Mostra Ecofalante, o filme cruza o Atlântico ao ser selecionado para o “International Ecological Film Festival ‘To Save and Preserve’” (Festival Ecológico Internacional de Cinema Para Salvar e Preservar), realizado em Khannty-Mansiysk, na Rússia, entre os dias 5 e 7 de junho.

O evento foi fundado em 1996 com o intuito de exibir produções televisivas, cinematográficas e jornalísticas relacionadas ao meio ambiente. “Tietê: Águas Verdadeiras”, bem como os demais projetos selecionados, serão transmitidos pelos canais da emissora estatal russa, como televisão, rádio e salas de cinema.

Arlindo Philippi Jr. recebe o Prêmio Anísio Teixeira, concedido pela Capes

por Mauro Bellesa - publicado 11/05/2026 11:55 - última modificação 11/05/2026 12:12

Arlindo Philippi Jr. - 2022

A Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) concedeu ao engenheiro e sanitarista Arlindo Philippi Jr., professor sênior do IEA, o Prêmio Anísio Teixeira na categoria Educação Superior. A portaria com a premiação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 8 de maio.

Na mesma categoria, também foram premiadas: Anna Mae Tavares Bastos, da Faculdade Anhembi Morumbi; Débora Fogel, da UFRJ; e Dalila Andrade Oliveira, da UFMG. A entrega do prêmio será em solenidade presidida pelo Ministro da Educação em data ainda a ser definida.

A premiação da Capes reconhece as diversas contribuições de Philippi Jr. em sua longa trajetória de ensino, pesquisa e gestão acadêmica, com destaque para sua atuação nas últimas décadas em temáticas ambientais, incluindo mudanças climáticas, sustentabilidade e os programas de pós-graduação nessas áreas.

Philippi Jr. é livre docente, doutor e mestre pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Realizou pesquisa de pós-doutorado sobre estudos urbanos e regionais no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA. É formado em engenharia civil pela UFSC e em engenharia sanitária e ambiental pela USP. Professor titular aposentado, continua a atuar na USP como orientador de mestrado e doutorado na FSP-USP e como professor sênior do IEA, onde desenvolve o projeto "Experimentações Urbanas na Perspectiva de Soluções Inovadoras para Cidades Resilientes e Sustentáveis”, no âmbito das atividades do Centro de Síntese USP Cidades Globais e do Programa USP Eixos Temáticos, ambos do IEA.

Na USP, foi pró-reitor e pró-reitor adjunto de Pós-Graduação, prefeito do campus de São Paulo, chefe do Departamento de Saúde Ambiental, presidente da Comissão de Pós-Graduação da FSP-USP e chefe do Gabinete da Reitoria.

Philippi Jr. é membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Foi membro titular do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e exerceu funções de direção no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo. Coordenou a Área de Ciências Ambientais do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do MCTI.

Arqueólogos lançam livro sobre o início da prática de enterrar os mortos

por Mauro Bellesa - publicado 08/05/2026 15:55 - última modificação 08/05/2026 15:53

Capa do livro "Quando Começamos a Enterrar os Mortos?"

A Editora Gaia lançou em abril o livro "Quando Começamos a Enterrar os Mortos?", no qual Lukas Blumrich, Walter Neves e Eliane Sebeika Rapchan analisam duas manifestações simbólicas que deixam marcas arqueológicas características da humanidade: a arte e o sepultamento ritual dos mortos.

Com 152 páginas, 34 delas dedicadas a uma extensa relação de referências bibliográficas, o livro integra a Série Walter Neves da editora, voltada à publicação de livros fundamentais e novas obras do antropólogo e arqueólogo. Neves é professor sênior do IEA, onde coordena o Núcleo de Pesquisa e Disseminação em Evolução Humana.

O exame dessas manifestações simbólicas se baseia nos vestígios dos enterramentos, sobretudo os ritualizados, desde o Pleistoceno Médio (de 770 mil a 130 mil anos atrás) até o início do Paleolítico Superior (há 50 mil anos).

A comparação entre a antiguidade das manifestações artísticas e aquela dos sepultamentos rituais visa avaliar a convergência dessas práticas, que diferenciam os seres humanos dos demais seres vivos.

Eles fazem uma revisão sucinta da vasta literatura sobre sítios onde foram encontradas possíveis evidências de enterro deliberado, definindo critérios explícitos e inequívocos para a diferenciação de restos mortais naturalmente soterrados daqueles intencionalmente enterrados, valorizando o aspecto ritual e cultural no ato do sepultamento.

Em texto de apresentação, os editores destacam que o livro ressalta a importância do sepultamento como ato simbólico do pertencimento coletivo e da expressão do pensamento abstrato. "Considerando que o sepultamento intencional e simbolicamente delineado é um dos mais antigos objetos de reflexão da antropologia, é provável que ele esteja associado à tomada de consciência dos nossos antepassados sobre a morte", afirmam.

É preciso olhar para os povos ancestrais e refletir sobre comportamentos em evolução, como a atribuição de significado aos atos e hábitos sociais e coletivos. Essa é a proposta do livro, dizem os editores. Essa reflexão pode responder à pergunta sobre "desde quando existem pensamento e comportamento simbólicos e, portanto, humanidade, e instigar discussões e manifestações dos leitores e da comunidade arqueológica brasileira sobre as interpretações e os métodos adotados nesse campo de estudos".

Papa nomeia Carlos Nobre para conselho de promoção do desenvolvimento humano

por Mauro Bellesa - publicado 31/03/2026 14:27 - última modificação 31/03/2026 14:27

O cientista foi escolhido para a integrar o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, um departamento da Cúria Romana.

Carlos Nobre - 16/10/2025
O cientista Carlos Nobre durante evento no IEA
O climatologista Carlos Nobre, professor visitante do IEA, onde é titular da Cátedra Clima & Desenvolvimento (parceira do Instituto com a Reitoria da USP), foi nomeado pelo papa Leão 14 nesta segunda-feira, 30 de março, para integrar o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, ao lado de outros dez membros, entre os quais, arcebispos, pesquisadores de teologia e especialistas em educação, psicologia e ecologia. Além de Nobre, mais dois latino-americanos foram nomeados.

Criado em 2016, o dicastério é um departamento da Cúria Romana, governo central da Igreja Católica. De acordo com o site do organismo, sua missão é "promover a pessoa humana e a própria dignidade que lhe foi dada por Deus, os direitos humanos, a saúde, a justiça e a paz. Interessa-se principalmente pelas questões relativas à economia e ao trabalho, ao cuidado da criação e da terra como «casa comum», às migrações e às emergências humanitárias".

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) saudou a nomeação de Nobre, destacando sua trajetória como referência mundial no estudo das mudanças climáticas, sobretudo no que se refere à Amazônia. Na saudação, a entidade diz que a escolha “é motivo de profundo orgulho para o Brasil e para toda a comunidade científica internacional. Sua dedicação em promover o cuidado com a Casa Comum, em sintonia com o magistério da Igreja, representa um testemunho eloquente de compromisso com a vida, a justiça e a dignidade humana”.

A CNBB também recordou a participação do pesquisador no Sínodo da Amazônia, em 2019, "ocasião em que contribuiu significativamente para o fortalecimento do diálogo entre ciência e fé, ajudando a colocar a questão ambiental no centro das reflexões da Igreja".

Engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets, EUA, Nobre desenvolveu quase toda sua carreira acadêmica no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, onde se aposentou em 2012, passando a atuar como pesquisador no IEA.

Ele participou da equipe internacional de cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da ONU). O painel e o ex-vice-presidente americano Al Gore receberam o Prêmio Nobel da Paz em 2007 pelo papel que tiveram em alertar sobre os riscos do aquecimento global e por lutarem pela preservação ambiental.

Em 2022, Nobre foi eleito membro da Royal Society, academia científica britânica. Dois anos depois, foi escolhido para ser um dos Guardiões Planetários, iniciativa do empresário britânico Richard Branson (fundador do conglomerado Virgin) para congregar pesquisadores e ativistas que atuam em estudos e análises sobre ação climática e proteção de comunidades vulneráveis.

Com informações do Vatican News e da CNBB

Foto: Leonor Calasans/IEA-USP

Em novo livro, Walter Neves apresenta um panorama de 45 anos de suas pesquisas

por Mauro Bellesa - publicado 06/03/2026 18:16 - última modificação 06/03/2026 18:16

Capa do livro "Explorando o Passado Humano"

É algo bastante raro que o público brasileiro interessado na evolução da ciência tenha a oportunidade de conhecer a autobiografia científica de um pesquisador do país. Mais raro ainda é quando a obra se revela, ao mesmo tempo, instrutiva, cientificamente rigorosa e de leitura envolvente.

Mas não se poderia esperar menos do antropólogo e arqueólogo Walter Neves, professor sênior do IEA, um cientista sempre comprometido com a divulgação científica ao longo de sua carreira.

O resultado é seu novo livro, Explorando o Passado Humano: Depoimentos e Aventuras do Arqueólogo que Revelou Luzia ao Mundo (Fino Traço Editora, 168 páginas, R$ 58,50), lançado nesta sexta-feira, 6 de março.

Neves é popularmente conhecido como o “pai de Luzia”, por ter sido responsável pelo resgate (em 1995), estudo, datação e batismo do crânio humano de cerca de 11,5 mil anos que permanecia esquecido em um depósito do Museu Nacional, guardado em um simples saco de supermercado.

O fóssil havia sido descoberto em 1975 no sítio Lapa Vermelha IV, em Pedro Leopoldo (MG), pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire, sendo posteriormente encaminhado ao museu.

“Explorando o Passado Humano” preenche lacunas importantes ao apresentar ao público em geral outras pesquisas paleoantropológicas de grande relevância realizadas por Neves e por seus parceiros e colaboradores no Brasil e no exterior.

No prefácio, Neves afirma que a ideia foi contar “causos”. A partir do relato dos projetos nas áreas de arqueologia e antropologia que desenvolveu nos últimos 45 anos, procurou apresentar conhecimentos dessas áreas ao leitor. Os projetos servem para ilustrar diversos conceitos fundamentais e revelar um pouco dos bastidores da pesquisa, inclusive destacando personagens anônimos que participaram dos trabalhos, para que não se percam na história. O tratamento é temático, e não cronológico, embora haja certa lógica temporal dentro de cada tema.

A obra, porém, não se restringe aos “causos”. Conhecido também por sua defesa incisiva de melhores condições para o trabalho científico no país, Neves dedica os dois primeiros capítulos às dificuldades existentes nas universidades e à obtenção de verbas para pesquisa.

Ele aponta três problemas nas universidades. Um deles é o fato de que “as atividades-meio [funcionários administrativos] predominam sobre as atividades-fim [professores e pesquisadores]”, com uma burocracia ineficiente e, em sua opinião, marcada por desvios de conduta. Em relação ao trabalho docente, Neves questiona a isonomia salarial entre professores no mesmo nível da carreira, o que, segundo ele, beneficia docentes com baixa produtividade científica e de ensino. Também critica o fato de a progressão na carreira não ser acompanhada pela concessão de maior estrutura de apoio: “Sempre digo que, se eu dispusesse de apenas uma secretária ou um auxiliar administrativo, teria produzido duas vezes mais do que produzi.”

No capítulo dedicado ao financiamento da pesquisa, Neves afirma que, apesar de tudo, o Brasil dispõe, no nível federal, de um sistema de ciência e tecnologia relativamente avançado para um país emergente. No entanto, esse sistema é afetado pela inconstância dos recursos, que variam de acordo com a importância atribuída à ciência e com as prioridades de cada governo. Somam-se a isso os cortes orçamentários estabelecidos pelo Congresso e a redução do fluxo contínuo de financiamento (modalidade em que o pesquisador pode submeter projetos a qualquer momento), muitas vezes substituído por editais esporádicos.

Quanto ao financiamento concedido pela Fapesp, Neves destaca a garantia orçamentária da fundação (1% da arrecadação do ICMS do estado de São Paulo), os procedimentos rigorosos de avaliação dos projetos e os complementos à verba básica aprovada, como a reserva técnica para infraestrutura e benefícios adicionais destinados ao custeio de viagens, participação em congressos e estágios de curta duração no exterior.

Ele lamenta, contudo, que, assim como as agências federais, a Fapesp não conceda recursos para apoio administrativo, pois pressupõe que essa estrutura seja fornecida pela instituição do pesquisador, o que, segundo ele, raramente ocorre de forma adequada. Neves também questiona o fato de as universidades paulistas ficarem com 20% dos recursos obtidos pelos projetos, sob o argumento de custear a infraestrutura institucional oferecida ao pesquisador, o que considera uma falácia.

Ainda assim, graças ao apoio da Fapesp, ele afirma que “qualquer pesquisador minimamente arejado”, vinculado a uma instituição de ensino e pesquisa paulista, “pode trabalhar como se estivesse no mundo desenvolvido”.

Os “causos”

Não cabe aqui detalhar os “causos” relatados nos demais 11 capítulos do livro, mas apenas indicar os principais objetivos e resultados das pesquisas. O leitor não familiarizado com o trabalho de Neves terá o privilégio de conhecê-los diretamente por meio de sua narrativa viva, clara e entusiasmada, descobrindo tanto a satisfação proporcionada pelas descobertas quanto as dificuldades e bastidores do trabalho científico.

Neves inicia o relato de sua trajetória profissional falando de sua adolescência como empregado da Rolls-Royce em São Bernardo do Campo e de seu ingresso, em 1978, como técnico de laboratório no antigo Instituto de Pré-História da USP, incorporado ao Museu de Arqueologia e Etnologia em 1989. Ali passou a se interessar por bioantropologia, arqueologia e divulgação científica.

Ainda nesse período, formou-se em biologia, tornou-se pesquisador, iniciou o mestrado em biologia evolutiva, realizou estágio na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e deu início ao doutorado sobre os sambaquis do Paraná e de Santa Catarina.

Mesmo após ser demitido do Instituto de Pré-História em 1985 (“com o apoio, se não com o incentivo, dos corvos da instituição”, em suas palavras) por uma diretora que havia assumido o cargo seis meses antes, Neves conseguiu realizar um curto pós-doutorado em universidades dos Estados Unidos graças a uma liminar judicial. De volta ao Brasil, realizou arqueologia de contrato no rio Xingu e passou a atuar no Museu Paraense Emílio Goeldi.

O capítulo 4 detalha suas pesquisas em sambaquis no litoral sul do Brasil durante o doutorado, ainda como pesquisador do Instituto de Pré-História. O capítulo seguinte relata o trabalho de arqueologia de contrato realizado por ele e por Solange Caldarelli, também demitida do instituto, no rio Xingu, onde o governo federal pretendia construir duas grandes hidrelétricas — Kararaô e Babaquara —, o que exigia um amplo programa de salvamento arqueológico. O projeto, porém, foi cancelado quando o governo desistiu das obras diante de pressões nacionais e internacionais. Somente na década de 2010 seria construída a Usina de Belo Monte, sucessora do projeto de Kararaô.

Os trabalhos mais importantes desenvolvidos por Neves no período em que esteve vinculado ao Museu Paraense Emílio Goeldi, a partir de 1986, são descritos nos capítulos 6 a 8. Entre eles estão as escavações no sítio da Guerra de Canudos, realizadas a convite do reitor da Universidade Federal da Bahia; os projetos desenvolvidos com a arqueóloga Maria Antonieta Costa Junqueira sobre populações pré-históricas do Deserto de Atacama, no Chile; e um grande projeto de antropologia ecológica no município de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó.

O povo de Luzia

As pesquisas que levaram à datação do crânio de Luzia e à sua caracterização, por meio de estudos morfológicos, como paleoamericana (com traços semelhantes aos de africanos e aborígenes australianos) e não ameríndia (associada a traços mongoloides) são apresentadas no capítulo 9. Neves menciona também a identificação de características paleoamericanas em outros fósseis de Lagoa Santa e em diferentes regiões do Brasil e em outros países das Américas.

Ele discute ainda o Modelo de Duas Ondas Migratórias, que propôs com Hector Pucciarelli. Segundo essa hipótese, uma primeira onda migratória teria saído do centro-leste da Ásia e ingressado nas Américas, pelo Estreito de Bering, há cerca de 16 mil anos. Aproximadamente 4 mil anos depois, povos com características mongoloides teriam realizado a mesma travessia. Neves também comenta alguns dos questionamentos feitos a esse modelo.

“Quando Luzia estourou na imprensa e na comunidade acadêmica em 1998/1999, senti-me ainda mais premido a atacar o carste de Lagoa Santa por diversas frentes complementares: arqueologia, geocronologia, geomorfologia, sedimentologia, site formation, paleoambientes, prospecção de sítios fora das cavernas e paleontologia de megamamíferos, configurando-se no primeiro projeto verdadeiramente paleoantropológico brasileiro”, afirma no capítulo 10. Esse foi o projeto Origens, no qual ele e outros pesquisadores buscaram contextualizar a existência de Luzia e de seu povo.

Pesquisas no exterior

Os três últimos capítulos tratam de projetos realizados no exterior, na Geórgia, Jordânia e Romênia. Neves recorda que, até meados dos anos 1990, acreditava-se que o gênero Homo teria saído da África há cerca de 1 milhão de anos, após o desenvolvimento de ferramentas mais elaboradas. Essa ideia foi questionada quando três crânios datados de 1,8 milhão de anos foram descobertos em Dmanisi, na Geórgia, associados a uma indústria lítica simples, baseada em pequenas lascas de pedra.

Em 2002, Neves esteve em Dmanisi com Luís Beethoven Piló para examinar os crânios já encontrados e acabou ajudando na retirada do quarto exemplar (o quinto seria descoberto em 2005).

Quando retornou ao sítio em 2019, acompanhado de Clóvis Monteiro, o objetivo principal era ministrar um curso sobre evolução humana na escola de verão local. Aproveitou também para examinar réplicas dos crânios 4 e 5 e acompanhar o andamento das escavações.

Ele observou que o crânio 4 pertencia ao indivíduo mais senil que já havia analisado em sua carreira, com perda total dos dentes e forte reabsorção dos alvéolos dentários. Isso sugeriria algum grau de solidariedade social entre aqueles hominínios, já que o indivíduo teria dependido do grupo para se alimentar.

O crânio 5, por sua vez, revelou características bastante diferentes: grande robustez, mandíbula extremamente volumosa e tamanho cerebral reduzido. Apesar dessas diferenças, muitos pesquisadores insistem em classificá-los todos como Homo erectus. Neves discorda e propõe que os crânios 1 a 4 sejam classificados como Homo caucasi, uma forma intermediária entre Homo habilisHomo erectus, enquanto o crânio 5 deveria ser chamado de Homo georgicus.

Em 2017, Neves aposentou-se como professor titular do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP. Mas não interrompeu suas atividades de pesquisa e divulgação científica. No ano seguinte ingressou no IEA como professor sênior, onde coordena o Núcleo de Pesquisa e Disseminação em Evolução Humana.

“Decidi que dali para frente passaria a me dedicar àquilo que tinha sido meu sonho desde criança: buscar nossos ancestrais de milhares ou milhões de anos no Velho Mundo. Ou seja, implantar no Brasil, de fato, uma tradição de pesquisas em paleoantropologia digna do nome”, afirma.

Entre esses projetos está o realizado no vale do rio Zarqa, na Jordânia, coordenado por ele e Fábio Parenti. Segundo Neves, os artefatos de pedra encontrados no local mostraram-se muito mais antigos do que se imaginava. As análises indicam que se tratam de instrumentos lascados por humanos presentes em uma formação geológica datada entre 2,5 e 1,9 milhões de anos, o que desafia a teoria dominante de que os hominínios teriam deixado a África apenas por volta de 1,8 milhão de anos.

Com base nessas evidências e nas descobertas de Dmanisi, Neves e seus colaboradores sugerem que não teria sido o Homo erectus o primeiro hominínio a sair da África, mas sim o Homo habilis.

O livro termina com um capítulo dedicado às pesquisas atuais de Neves na Romênia. Ele e outros pesquisadores brasileiros e romenos realizam escavações em cavernas localizadas em maciços calcários às margens do rio Vârghiș, na Transilvânia.

A motivação do projeto é o fato de que os Bálcãs provavelmente foram a porta de entrada do Homo sapiens na Europa e o local onde teria ocorrido o encontro com os neandertais. Como explica Neves, o objetivo é investigar essa relação em profundidade: “É essencial que se encontrem nos Bálcãs esqueletos neandertais. Essa é a principal razão de implantação do projeto.”

A narrativa termina em 2024, mas o trabalho prossegue. E, quando se fala de Walter Neves, pode-se apostar que novas pesquisas ainda virão, no Brasil e no exterior.

Editora lança 2ª edição de 'A Origem do Significado', que tem Walter Neves como um dos autores

por Mauro Bellesa - publicado 18/09/2025 15:25 - última modificação 18/09/2025 15:44

Capa do livro "A Origem do Significado"A Editora Gaia lançou este mês a segunda edição do livro “A Origem do Significado: Uma Abordagem Paleoantropológica”, de Walter Neves, Eliane Sebeika Rapchan e Lukas Blumrich. A nova edição faz parte da Série Walter Neves, dedicada à republicação dos livros fundamentais do paleoantropólogo e divulgação de seus novos trabalhos.

Com base em evidências arqueológicas e paleoantropológicas e em observações de primatas, os autores questionam ideias que eram tradicionalmente usadas para definir o ser humano e diferenciá-lo das outras espécies, como a bipedia e os cérebros grandes.

"A única característica que resiste, atualmente para nos separar do restante do mundo animal é nossa capacidade de criar significados. Entendemos a simbolização como a criação de narrativas para os fatos do mundo e a existência de uma vida interior, marcada, principalmente, pelo uso de objetos para além de seu valor prático imediato", afirmam no prefácio da obra.

Eles sugerem que fatores sociais, ecológicos e culturais foram fundamentais para essa diferenciação. A obra também explora a relação entre linguagem, cognição e teoria da mente em relação aos primatas.

Por meio da revisão dos dados sobre artefatos que ajudam a inferir comportamentos dos antigos humanos, os autores apontam formas de simbolização anteriores ao Paleolítico Superior (de 50 mil até 10 mil anos atrás).

Com 144 páginas, o livro contém três capítulos: "O Que É Ser Humano", "A Revolução Criativa do Paleolítico Superior" e "Indícios de Comportamento Simbólico Anteriores ao Paleolítico Superior". Em seguida há uma "Coda" (texto com conclusões), uma seção abrangente de referências bibliográficas, outra sobre os autores e um caderno iconográfico.

Autores

Arqueólogo e antropólogo evolucionista, Walter Neves é professor titular aposentado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP e professor sênior do IEA, onde coordena o Núcleo de Pesquisa e Disseminação em Evolução Humana (NPDEH). Prestigiado internacionalmente, Neves tem também reconhecimento popular ímpar no Brasil, sobretudo depois de seus estudos de Luzia, o esqueleto mais antigo da América do Sul, e sua proposta de um novo modelo de ocupação humana das Américas. Em 2013, na Jordânia, estabeleceu o primeiro projeto brasileiro de paleantropologia no exterior; Em 2024, instituiu o segundo, na Romênia.

A antropóloga social Eliane Sebeika Rapchan é pos-doutoranda do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal e pesquisadora colaboradora do Laboratório de Arqueologia, Antropologia Ambiental e Evolutiva (LAAAE) da USP e professora voluntária no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá. Há mais de 20 anos atua em primatologia, etnoprimatologia, paleantropologia, arqueologia, antropologia (evolutiva, ecológica e ambiental), humanidades ambientais e estudos animais.

Lukas Blumrich é doutorando em pediatria na Faculdade de Medicina da USP e dedica-se também a estudos de evolução humana. É membro do NPDEH e desenvolve trabalhos de divulgação científica com Walter Neves.

Janina Onuki é nomeada assessora do CNPq

por Mauro Bellesa - publicado 02/07/2025 15:20 - última modificação 04/07/2025 11:59

Janina Onuki - junho/23A cientista política Janina Onuki foi nomeada no dia 30 de junho membra titular da Área de Relações Internacionais do Comitê de Assessoramento de Antropologia, Arqueologia, Ciência Política, Direito, Relações Internacionais e Sociologia do CNPq. De acordo com a Portaria 2303/25 do presidente do órgão, Ricardo Magnus Osório Galvão, ela integrará o comitê até 31 de julho de 2028.

Professora titular do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Onuki é presidente da Comissão de Pesquisa e Inovação do IEA, onde coordena o Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas (Nuppes).

Ela é pesquisadora responsável do Projeto Temático Fapesp Igualdade de Gênero em Diálogos Bilaterais e Multilaterais de Ciência, Tecnologia e Inovação (Gender STI),  editora-chefe da Brazilian Political Science Review e integrante do Comitê Executivo da Innovation and Science Diplomacy School (Innscid), parceria do IEA com o Departamento de Ciência Política da FFLCH-USP.

Onuki graduou-se em ciências sociais e obteve os títulos de mestre e doutora em ciência política pela FFLCH-USP, com estágio sanduíche na Universidade Georgetown e pesquisa de pós-doutorado na Universidade da Carolina do Norte, ambas nos EUA.

Ela foi diretora do Instituto de Relações Internacionais da USP, participante do Programa Ano Sabático do IEA e pesquisadora visitante na Universidade da Cidade de Nova York, EUA, e na Universidade Autônoma de Madri, Espanha. Atuou também como coordenadora da Câmara de Normas e Recursos da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP e da Área de Pesquisa da Associação Latino-Americana de Ciência Política.

Foto: Leonor Calasans/IEA-USP

Homenagem a Pablo Rubén Mariconda, morto aos 75 anos, será nesta sexta, 23 de maio

por Mauro Bellesa - publicado 22/05/2025 13:55 - última modificação 22/05/2025 18:08

In Memoriam - Pablo Rubén MaricondaMorto no dia 15 de maio, aos 75 anos, Pablo Rubén Marinconda será homenageado nesta sexta-feira, 23 de maio, às 14h, pelo Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, onde era professor sênior e onde se aposentou como professor titular. A homenagem ocorrerá no Auditório 14 do Edifício de Filosofia e Ciências Sociais, na avenida Prof. Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, São Paulo.

No IEA, Mariconda coordenava desde o 2008 o Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia, cujo tema geral de trabalho é o estudo das relações entre a ciência, a técnica/tecnologia e a sociedade, desde a Antiguidade até nossos dias.

Relacionado

Leia texto publicado pela Associação dos Docentes da USP (Adusp) sobre a carreira acadêmica de Pablo Rubén Mariconda e manifestações de entidades, amigos e familiares por ocasião de sua morte.

Trajetória

Nascido na Argentina, Mariconda veio para o Brasil em 1954, aos cinco anos de idade. Desenvolveu toda sua carreira acadêmica no Departamento de Filosofia da FFLCH-USP, da graduação à livre docência (com um pós-doutorado em 2000 pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica, na França), do cargo de auxiliar de ensino ainda durante o mestrado ao de professor titular, posição obtida em 2005. Antes de ingressar no curso de filosofia, chegou a estudar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, do qual literalmente fugiu, "pulando o muro durante a noite", segundo sua filha Letícia Mariconda.

Considerado um dos principais responsáveis pela consolidação da área de teoria do conhecimento e filosofia da ciência na USP, também teve como linhas de pesquisa lógica e filosofia da ciência. Além disso, foi um exímio tradutor de obras de Galileu Galilei, René Descartes, Bertrand Russell e outros pensadores.

Mariconda publicou numerosos artigos e ensaios em periódicos de prestígio, além de capítulos de livros. Também foi responsável pela organização de 20 livros. Em 2003, criou a revista Scientiæ Studia, com 60 edições publicadas até 2017, constituindo um acervo de 477 artigos e mais de 520 textos. Em 2004, formou a Associação Filosófica Scientiæ Studia.

Paulo Saldiva é um dos nomeados para a Academia Mundial de Ciências

por Fernanda Rezende - publicado 09/01/2025 14:55 - última modificação 23/04/2025 10:16

Paulo Saldiva - PerfilO ex-diretor do IEA, Paulo Saldiva, professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina (FM), assumiu no dia primeiro de janeiro como novo titular da Academia Mundial de Ciências (TWAS, sigla em inglês), ao lado de mais dois professores da USP e de outros sete brasileiros. Eles foram indicados em 14 de novembro do ano passado por outros pesquisadores já associados à instituição, que reconheceram suas contribuições para o avanço da ciência em um país em desenvolvimento. Com a eleição dos novos membros, a TWAS passa a ter 1.444 integrantes, incluindo 159 membros brasileiros.

Eleito na categoria Ciências Médicas e da Saúde, Paulo Saldiva tem uma carreira dedicada à pesquisa e políticas públicas, reconhecido nacional e internacionalmente por suas contribuições significativas à meteorologia e à saúde da população, incluindo melhorias nas previsões meteorológicas e os efeitos sobre a saúde humana, além de estudos sobre a relação entre covid-19, clima e poluição. Sua atuação junto a organizações internacionais, como a Organização Meteorológica Mundial e a Organização Mundial da Saúde, destaca seu papel crucial na ciência global. Ele dirigiu o IEA de 2016 a 2019 e atualmente integra grupos de pesquisa do Instituto.

Excelência na pesquisa científica

A Academia Mundial de Ciências foi fundada em 1983 por um grupo de cientistas dos países em desenvolvimento, sob a liderança de Abdus Salam, físico paquistanês e ganhador do Prêmio Nobel de 1979. Os cientistas compartilhavam a crença de que as nações em desenvolvimento, ao construir força na ciência e engenharia, poderiam construir o conhecimento e a habilidade para enfrentar desafios como a fome, as doenças e a pobreza.

A convocação de novos cientistas pela TWAS, a maior da história da academia, tem o objetivo de promover a excelência em pesquisa científica e tecnológica, especialmente nos países em desenvolvimento, fortalecendo o impacto global das ciências, além de marcar um novo capítulo de cooperação e progresso científico.

Confira todos os eleitos da TWAS no site da entidade neste link.

Com informações do Jornal da USP, da Assessoria de Comunicação do ICMC e da Assessoria de Comunicação e Imprensa da FMUSP

Para Marcos Buckeridge, Brasil é líder na transição energética

por Lívia Uchoa - publicado 14/11/2024 11:40 - última modificação 18/11/2024 11:55

Marcos Buckeridge, vice-diretor do IEA e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), participou de uma conversa ao vivo com o jornalista Eduardo Geraque, nesta quarta-feira (13), para falar sobre a atuação brasileira na 29° edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 29). O evento começou nesta segunda-feira (11) em Baku, no Azerbaijão, e será finalizado no dia 22 de novembro.

Na conversa, Buckeridge comentou sobre a posição do Brasil na transição energética e as expectativas para a próxima edição, que será sediada pela primeira vez na Amazônia, em Belém (PA).

“Na transição energética, o Brasil é um exemplo para o mundo e nós vamos mostrar isso de uma forma bem clara na COP 30”, declarou Buckeridge. Para ele, o país é um dos principais líderes na produção e uso de energia limpa, com destaque para a elevação da matriz energética de energia solar, eólica e hidrelétrica. “Nós somos um país realmente diferenciado.”

A entrevista completa está disponível no canal do YouTube do Estadão: