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Jornalismo e Poderes Contemporâneos

por Cláudia Regina - publicado 04/08/2020 07:50 - última modificação 05/08/2020 09:47

O jornalismo e as liberdades de comunicação que cabem a ele defender têm sofrido um aumento de ataques por diversas instâncias contemporâneas de poder, no Brasil e no mundo. Liberdades e direitos relacionados ao exercício do jornalismo e da imprensa, tais quais a liberdade de imprensa e o direito à informação, vem sendo encurralados e questionados por iniciativas de governos e Estados policialescos e populistas, cada vez mais contrários ao trabalho dos profissionais do jornalismo, e avessos à transparência, à publicidade, à crítica e à informação livre sobre seus atos e decisões. Os dados pessoais, da intimidade, da vida familiar, da privacidade, da honra e da imagem das pessoas, que deveriam dar condições para a construção de sua autonomia informacional, são constantemente invadidos e mercadorizados por imperativos da chamada “economia do compartilhamento”, movida por mecanismos opacos de coleta e circulação de dados e informações de poucas empresas de tecnologia, que invadem as esferas públicas e direcionam as comunicações sem a responsabilização de empresas de mídia. Instituições relevantes para o exercício do jornalismo, como a Ciência e o Direito, sob o pretexto saudável da crítica de seus equívocos e injustiças, têm sido também alvo de imperativos sociais e culturais que motivam sua descrença e desrespeito em prol de saberes e práticas obscurantistas e contrárias à convivência pacífica das diferenças e à redução das desigualdades. Para enfrentar essas temáticas partimos da reflexão sobre os poderes próprios do jornalismo, da imprensa, do direito e da ciência, que não são de modo algum esferas neutras ou dotadas de imperativos inquestionáveis. Seguimos então para a crítica das transformações que os imperativos do capitalismo digital têm promovido no jornalismo e nas liberdades de comunicação. Também serão objetos de nossas discussões as diversas manifestações dos poderes do Estado e de governos atuais contra o jornalismo e as liberdades de imprensa e comunicação, seus profissionais e públicos. E por fim, abordaremos as atuais tensões sociais e culturais que problematizam o jornalismo e as liberdades de comunicação a partir das lógicas da chamada “pós-verdade”, das “fake-news” e dos atavismos e justiçamentos privados, que se voltam contra os métodos e práticas das ciências e dos princípios do Estado democrático de direito.